[Resenha] Os números do amor

6 de dez de 2018



Quem nunca assistiu ou, pelo menos ouviu falar do filme Uma linda mulher, estrelado por Julia Roberts e Richard Gere? Duvido muito encontrar alguém que não conheça a clássica história do milionário solitário que contrata uma prostituta para ser sua acompanhante e acaba se apaixonando por ela. Mas vocês já imaginaram se a história fosse invertida? Se, ao invés de um homem rico e solitário pagando pela companhia de uma prostituta, fosse uma jovem bonita e bem-sucedida que contratasse um acompanhante?
Bom, a autora Helen Hoang pensou nisso e escreveu o livro Os números do amor, publicado no Brasil pela Editora Paralela esse ano. Trata-se de uma comédia romântica tão fofa e divertida quanto o filme que a inspirou, mas que conseguiu ser uma leitura surpreendente, apesar do enredo clichê.

Autora: Helen Hoang
Tradução: Alexandre Boide
Editora: Paralela
Páginas: 280
Classificação: +18 anos
Onde comprar: Amazon
Sinopse: “Um romance que prova que o amor muitas vezes supera a lógica. Já passou da hora de Stella se casar e constituir família — pelo menos é isso que sua mãe acha. Mas se relacionar com o sexo oposto não é nada fácil para ela: talentosa e bem-sucedida, a econometrista é portadora de Asperger, um transtorno do espectro autista caracterizado por dificuldades nas relações sociais. Se para ela a análise de dados é uma tarefa simples, lidar com os embaraços que uma interação cara a cara podem trazer parece uma missão impossível. Diante desse impasse, Stella bola um plano bem inusitado: contratar um acompanhante para ensiná-la a ser uma boa namorada. Enfrentando uma pilha cada vez maior de contas, Michael Phan usa seu charme e sua aparência para conseguir um dinheiro extra. O acompanhante de luxo tem uma regra que segue à risca: nada de clientes reincidentes. Mas ele se rende à tentação de quebrá-la quando Stella entra em sua vida com uma proposta nada convencional. Quanto mais tempo passam juntos, mais Michael se encanta com a mente brilhante de Stella. E ela, pela primeira vez, vai se sentir impelida a sair de sua zona de conforto para descobrir a equação do amor.”

Em Os números do amor, Stella é uma jovem econometrista, extremamente competente na sua profissão. Para ela, lidar com números e dados é algo natural e tranquilizador. Por outro lado, ter que interagir com as pessoas é desesperador, especialmente em encontros amorosos. O problema é que a mãe dela não vê a hora de Stella se casar e ter filhos, algo que ela, intimamente, também quer. Mas como ter filhos se ela sequer consegue manter um relacionamento?
Depois de uma conversa extremamente constrangedora com um colega de trabalho, Stella decide que talvez seja hora de começar a praticar e aprender a interagir melhor com os homens. E quem melhor do que um profissional para ensiná-la? Após procurar em uma agência, Stella marca um encontro com Michael Phan, um homem atraente e que, há dois anos, usa sua beleza para conseguir um dinheiro extra trabalhando como acompanhante.

“Quero que me ensine a manter um relacionamento. Não a parte sexual, mas a da companhia. Como hoje à noite. Conversar, compartilhar, andar de mãos dadas. Novidades são sempre assustadoras para mim, mas com você consigo lidar com isso e até gostar. Quero contratar você como namorado em tempo integral.”


Com várias contas se acumulando em casa, Michael viu no seu charme uma forma de conseguir pagá-las. No entanto, ele tem regras bastante rígidas que o ajudam a manter a vida pessoal longe da profissional, sendo a principal delas não repetir clientes. Mas ele acaba caindo em tentação quando Stella faz uma proposta inesperada. E, à medida que eles começam a conviver mais, vai se tornando cada vez mais difícil manter essa divisão entre as duas partes de sua vida.


Preciso confessar que, quando recebi esse livro, não sabia o que esperar. Não li a sinopse e nem conhecia a autora, então, iniciei a leitura completamente no escuro mesmo. Por essa capa linda, eu imaginei um romance clichê e leve de se ler. E, embora eu tenha acertado nesse sentido, não imaginava encontrar personagens tão cativantes e bem construídos. Além disso, me surpreendi ao perceber que a autora conseguiu transformar um enredo tão previsível em uma história única.
Um dos grandes méritos do livro é, sem dúvida, o casal principal. Ambos foram bem desenvolvidos pela autora e, mesmo que Michael possa parecer um mocinho perfeito (sério, onde eu encontro um desses?), eles têm conflitos que os tornam mais reais para os leitores. São questões bastante concretas e que foram bem exploradas pela autora, conferindo complexidade para os personagens ao mesmo tempo que conquistavam a empatia do leitor.
Stella é uma protagonista incrível e que me conquistou logo nas primeiras páginas. Ela inteligente, determinada e divertida, mas também tem suas inseguranças que fazem com que a gente queira colocá-la em um pontinho para proteger do mundo. No entanto, não pensem que Stella é uma personagem frágil. Ela é uma personagem muito forte e que vai aprendendo ao longo do livro a lidar com os seus medos e superá-los.                             
   
“Garotas como eu intimidam e afugentam namorados. Garotas como eu nunca são chamadas para sair. Garotas como eu precisam encontrar sua própria solução, inventar seu próprio destino. Precisei lutar para conseguir tudo na vida, e vou lutar por isso também.’

É preciso destacar também que Stella tem a síndrome de Asperger, um transtorno do espectro autista. Por esse motivo, a interação com outras pessoas, especialmente nas relações amorosas, é um grande desafio para ela. Para meu grande alívio, o assunto não foi abordado de maneira leviana ou caricata no livro. Pelo contrário, a autora soube construir muito bem a sua protagonista, de modo que o leitor conseguisse entender como a síndrome de Asperger afetava a vida de Stella, mas sem deixar que a personagem fosse definida unicamente pelo fato de ser autista.
Já o Michael é aquele personagem que entra para a lista de crushs literários logo nas primeiras páginas. Para começar, é lindo a delicadeza, o respeito e o carinho com que ele trata Stella, muito antes de perceber que ela tem Asperger. Além disso, adorei o fato de que Michael não a subestima em nenhum momento. Pelo contrário, ele a admira e valoriza pela mulher inteligente, talentosa e generosa que é, e muitas vezes se considera indigno dela.

“Ela não o provocara ou fora irônica. Na verdade, ficara impressionada com seu trabalho e com ele – com quem Michael era de verdade. Ninguém mais queria quem ele era de verdade. Só Stella. Num momento de fraqueza, ele deixara de lado suas preocupações e fora imprudente. Dissera sim só porque queria passar mais tempo com ela.”

Outro aspecto que fez com que eu gostasse muito do Michael é que, assim como Stella, os problemas de Michael são completamente compreensíveis. Ele tem questões familiares muito complicadas e que explicam muito o fato dele se sentir inferior a Stella. Além disso, adorei a relação dele com a mãe, as irmãs e a avó. A devoção que ele demonstra em relação a elas diz muito sobre seu caráter e fez com que eu me encantasse ainda mais por esse personagem. Deu para perceber que ele entrou para a minha lista de crushs literários?



Não posso deixar de mencionar também o quanto eu gostei da relação entre Stella e Michael. Ao contrário do que costuma acontecer em muitos livros do gênero, o romance não é apressado e, apesar de contar com muitas cenas de sexo, não é nada vulgar ou fora de tom. Apesar da forma inusitada que eles se conhecem, a aproximação entre Stella e Michael foi gradual e convincente, fazendo com que eu torcesse muito pelo casal desde o começo.

“Ele a fazia rir e a escutava, mesmo quando ela não dizia nada de muito interessante. Stella se sentia confortável ao seu lado, até demais. Às vezes, ela até se convencia de que os rótulos atribuídos a ela não importavam. Eram apenas palavras.”

Com relação aos personagens secundários, apesar de não serem muito desenvolvidos, conquistam a simpatia do leitor nos momentos que aparecem. A família de Michael, em especial, é maravilhosa. São personagens muito carismáticos e que conquistam ainda mais por serem tão amorosos e leais. Mas preciso dizer que dois se destacaram muito a irmã mais nova de Michael, Janie, e o primos dele, Quan. Já estou torcendo para ver mais desses dois nos próximos livros.
Já a escrita de Helen Hoang não poderia ser mais envolvente. A trama é leve e com um bom equilíbrio entre romance, humor e um pouquinho de drama. Além disso, ela soube desenvolver questões importantes de uma maneira delicada, fazendo com que, apesar do enredo clichê, essa leitura se destacasse. A minha única ressalva é que, ao invés de dar destaque para um personagem desnecessário (e muito irritante), a autora poderia ter explorado um pouco mais uma decisão que Michael toma mais para o final. Isso não chegou a ser um problema, pois acredito que essa questão receberá mais destaque em algum dos próximos livros. No entanto, gostaria que tivesse sido um pouco mais explicado já nesse primeiro.
Assim, Os números do amor foi um livro que se mostrou uma leitura tão leve quanto eu imaginava, mas ainda mais encantadora. Com personagens bem construídos e cativantes, Helen Hoang conseguiu trazer uma versão de Uma linda mulher que saiu do óbvio e me surpreendeu positivamente. Não vejo a hora de ler as continuações e recomendo esse primeiro volume para todo mundo que ama uma boa comédia romântica.


2 comentários:

  1. Ahhh antes de mais nada preciso fazer duas observações:
    1 - EU AMO UMA LINDA MULHER E JÁ ME CONQUISTOU PELA MENÇÃO
    2 - Amei demais as fotos que fez para a publicação.

    Não conhecia esse livro! Faz tempo que não leio algo leve, rápido e essas leituras são perfeitas para intercalar rs.. Anotei essa dica

    Sai da Minha Lente

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  2. Oi, Malu. Que fotos lindas <3
    Eu estou bem curiosa com esse livro, achei a premissa dele bem interessante e os personagens já me convenceram. Espero não demorar muito para poder ler.

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