Sete livros YA para refletir

19 de abr de 2018



Essa semana, uma marca fez uma ação de marketing um tanto polêmica (para não dizer questionável) que acabou reacendendo o debate sobre os rótulos dos tipos de livros e de leitores. Infelizmente, ainda há quem menospreze os livros contemporâneos, especialmente os Young Adults, e os classifique como rasos e inferiores, não exigindo que o leitor reflita ou se concentre no que está lendo. Pior ainda, tem quem acredite que aqueles que lêem apenas clássicos e livros de autores renomados são leitores superiores aos demais
Em um país em que a maioria da população não lê nada, colocar esse tipo de estereótipos e divisões entre os leitores não contribui em nada para o incentivo à leitura. Além disso, reforça dois tabus perigosos: o de que livros clássicos são cansativos e só quem tem um nível de conhecimento mais avançado conseguirá ler, desestimulando muitas pessoas a conhecerem esses livros; e o de que livros contemporâneos são fracos e não merecem a atenção do leitor, o que, além de um preconceito infundado, ainda leva muitos a menosprezarem obras que nem mesmo conhecem.
Então, pensando em toda essa polêmica, resolvi fazer uma lista com alguns livros YA que trazem temas fortes e importantes, que precisam ser discutidos. São todos livros que, mesmo sendo leituras envolventes e cativantes, abordam assuntos sérios e relevantes para os dias atuais, fazendo o leitor pensar sobre as questões levantadas.

O ódio que você semeia, da Angie Thomas
Inspirada pelo movimento Black Lives Matter (Vidas Negras Importam, em tradução literal), a autora Angie Thomas escreveu um romance jovem adulto forte, real e emocionante sobre o racismo e a violência policial nos Estados Unidos. Já saiu resenha sobre ele aqui no blog, na qual eu falei mais sobre o quanto essa leitura foi impactante, mas é um livro que realmente tira o leitor da zona de conforto e o leva a parar para pensar em uma realidade que é tão triste e injusta e que não acontece só nos EUA.

O sol também é uma estrela, da Nicola Yoon.
Uma das melhores leituras que fiz ano passado (resenha aqui), esse livro traz vários temas que são muito importantes e atuais. Protagonizado por uma menina jamaicana cuja família imigrou ilegalmente para os EUA quando ela ainda era uma criança e um menino americano filho de sul-coreanos, esse livro fala sobre identidade cultural, xenofobia, política de imigração e racismo. Acho que não preciso nem dizer o quanto esses assuntos são relevantes, ainda mais depois da eleição de Donald Trump nos Estados Unidos.  Além disso, Nicola Yoon ainda traz uma abordagem sensível sobre como as pessoas estão sempre interligadas e podem afetar as vidas umas das outras de maneira profunda, mesmo daquelas que nem conhecem. É um livro muito delicado e apaixonante, mas que certamente faz o leitor refletir sobre assuntos atuais e muito importantes.

Tartarugas até lá embaixo, do John Green.
Sei que tem muitas pessoas que não gostam do John Green e eu até consigo entender algumas críticas feitas a ele, porém, ele fez um trabalho incrível no seu mais recente trabalho, Tartarugas até lá embaixo. Como já mencionei na resenha sobre ele (aqui), esse livro é muito mais do que sua sinopse deixa transparecer e fala de uma maneira muito real e tocante sobre o Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC). Trata-se de um tema bastante relevante, ainda mais que esse distúrbio tem sido banalizado e menosprezado por muitos que acham que só porque não gostam de ver um quadro torto na parede e já falam que têm TOC. Na verdade, esse transtorno é muito, mas muito mais complexo do que isso, e John Green foi extremamente habilidoso em falar sobre o tema e fazer o leitor entender o que realmente é o tema. Foi uma leitura que realmente me tirou da minha zona de conforto e me abriu os olhos para muitas coisas.

A rebelde do deserto, da Alwyn Hamilton
Terminei recentemente esta trilogia e posso dizer que foi uma das melhores que já li. Para começar, a autora apresenta um cenário que não é muito comum vermos retratado nos livros, o deserto, ela traz para a trama vários elementos da mitologia árabe, que é pouco conhecida da maioria das pessoas. Além disso, mesmo se tratando de uma obra de fantasia, ao longo dos três livros, são debatidos temas muito importantes e pertinentes na nossa sociedade, como o machismo e a opressão enfrentada pelas mulheres, e referências à Primavera Árabe e à influência de países imperialistas nos conflitos em países do Oriente Médio. Para quem se interessou, tem resenha dos dois primeiros livros aqui e aqui.

Em algum lugar nas estrelas, da Clare Vanderpool
Quem lê a sinopse desse livro, acha que é uma trama bobinha, quase o roteiro de um filme da Sessão da Tarde. No entanto, como disse na resenha aqui, é um livro cheio de metáforas e reflexões sobre a vida, sobre o crescimento e sobre os sentimentos. Não se trata de uma leitura rasa e muito menos fácil, pois é preciso sair da sua postura de adulto e ter a sensibilidade para enxergar com a história com a inocência das crianças. Protagonizado por dois meninos de 13 anos, que são personagens surpreendentemente complexos, esse livro tem uma história encantadora e cheias de lições, basta o leitor parar para pensar nas reflexões que ficam nas entrelinhas.

A ilha dos dissidentes, da Barbara Morais
Além dos livros jovem adulto, os nacionais sempre enfrentam muitos preconceitos. Então, imagine o quanto os livros jovem adulto nacionais são menosprezados por aí. No entanto, existem vários autores brasileiros muito talentosos e com livros que merecem ser lidos. Um dos meus favoritos é A Ilha dos Dissidentes, da Barbara Morais (resenha aqui). Trata-se de uma distopia com um universo muito original e bem construído, que permitiu à autora explorar temas como a desigualdade, a segregação e o preconceito com as diferenças. É um livro extremamente representativo e que traz várias críticas à nossa sociedade e que fazem o leitor refletir e sair da sua zona de conforto.

Harry Potter, da J. K. Rowling
É óbvio que um livro que inspirou milhares de jovens e adultos a lerem não poderia ficar de fora dessa lista. O simples fato de Harry Potter permanecer formando, até hoje, novas gerações de leitores desde que foi lançado, há mais de 20 anos, já é um forte indicativo de sua importância sobre a literatura. O universo criado por J. K. Rowling é rico, complexo e bem construído, capaz de encantar adultos e crianças. Além disso, é uma obra que fala sobre amizade, preconceito, amadurecimento, dicotomia entre o bem e o mal, e, até mesmo, sobre política e os perigos de um regime extremista e totalitário.

Bônus: É assim que acaba, da Colleen Hoover
Esse livro é um new adult, mas resolvi incluí-la na lista pela relevância dos temas que ele aborda. Dos livros da Colleen Hoover, esse foi o mais profundo e tocante que já li. Ela toca fundo em um assunto muito doloroso, mas que precisa ser discutido. É uma leitura que, mais do que levar o leitor a refletir, desperta a empatia e a sororidade. Acredito que seja impossível ler essa obra e não se colocar no lugar de algumas de suas personagens ou das milhares de mulheres que passam pelas mesmas situações todos os dias. A resenha sobre ele sairá em breve aqui no blog, mas trata-se de um livro intenso, forte, doloroso de ler e extremamente necessário.

Esses foram só alguns exemplos de livros contemporâneos que eu já li e que trazem temas importantes e fazem o leitor sair de sua zona de conforto e parar para refletir. Acredito que precisamos acabar com esses rótulos e preconceitos entre os leitores e entender que o fato de não gostarmos de um livro não significa que ele seja fraco, mal escrito ou irrelevante.
Aproveito também para lembrar que muitos livros considerados clássicos hoje, já foram menosprezados anos atrás. Um exemplo disso é a autora inglesa Jane Austen, que é considerada uma das maiores escritoras da literatura por ter feito um retrato brilhante da sociedade em que viveu, repleto de críticas aos padrões e preconceitos da época, mas cujos livros já foram considerados “de mulherzinha”; obras inferiores que serviam apenas para entreter o público. Então, quem garante que alguns livros contemporâneos que não são valorizados hoje, não se tornarão clássicos futuramente?
Agora, quero saber de vocês o que acharam dos livros Young Adult que eu indiquei, se recomendam outros e o que pensam dessa polêmica envolvendo esses rótulos em relação aos livros contemporâneos. Me contem aí nos comentários, pois vou adorar saber a opinião de vocês. Só peço que não desrespeitem os gostos e opiniões de outros, tá?

[Resenha] Uma sombra ardente e brilhante

17 de abr de 2018

Autora: Jessica Cluess
Editora: Galera Record
Páginas: 336
Skoob
Onde comprar: Amazon
Exemplar recebido em parceria com a editora
Sinopse: “O primeiro livro da série de Jéssica Cluess, perfeito para surpreender fãs de fantasias já bem habituados com magia, profecias e triângulos amorosos. Henrietta Howel tem o poder de explodir em chamas. Quando é obrigada a expor suas habilidades ela tem certeza de que será executada. Apenas os feiticeiros podem usar magia, e nenhum deles é mulher. Ela se surpreende quando não só é poupada da guilhotina, mas também nomeada a primeira feiticeira em séculos. Ela é a garota profetizada, aquela que derrotará os Ancestrais – seres sanguinários que aterrorizam a humanidade. Henrietta então passa a treinar dia e noite com um grupo de feiticeiros ansiosos para testar as habilidades – e o coração – da garota da profecia. Mas será que Henrietta é mesmo a garota da profecia?”

“Eu sou Henrietta Howel. A primeira feiticeira em séculos. A garota que consegue controlar o fogo. Aquela que derrotará os Ancestrais. A escolhida. Sou mesmo?”
A série “livros de fantasia que me conquistaram pela capa” ganhou um novo capítulo: Uma sombra ardente e brilhante, da Jessica Cluess, que foi lançado no final do ano passado pela Galera Record. Quando eu olhei essa capa, não precisei nem ler a sinopse para saber que se tratava de um livro de fantasia e que eu já queria ler. Felizmente, meu palpite se mostrou correto e gostei bastante da leitura.
Primeiro volume de uma trilogia, Uma sobra ardente e brilhante tem como protagonista Henrietta Howell, uma jovem professora em uma escola para garotas que não tem grandes perspectivas de algum dia conseguir ir embora dali, mas que esconde um grande segredo. Ela tem uma misteriosa habilidade mágica associada ao fogo e é conjurar chamas do nada. Porém, em uma Inglaterra vitoriana machista, mulheres não eram autorizadas a usar magia e esse talento da garota poderia acabar significando uma passagem só de ida para a cadeia.
No entanto, quando, em uma situação de desespero, Henrietta usa seu poder na frente de um poderoso feiticeiro e acaba descobrindo que vinha sendo procurada há muito tempo. Existia uma profecia que dizia que uma feiticeira iria surgir e derrotar os Sete Ancestrais – demônios que haviam sido libertados anos antes por um casal de magos e atavam a Inglaterra, levando caos e destruição. Quando mestre Aggripa descobre o poder Henrietta, fica claro que ela era a garota da profecia e que deveria ser levada para Londres a fim de ser treinada juntamente com outros Iniciantes que, em breve, receberiam a comenda da Rainha e se tornariam feiticeiros.
O problema é que não seria tão fácil para Henrietta conquistar a aceitação dos demais feiticeiros. Muitos não viam com bons olhos uma garota feiticeira e até mesmo duvidavam que a profecia estivesse correta. Além disso, durante seu treinamento, Henrietta percebe que ela poderia realmente não ser mesmo a garota que todos esperavam, o que a colocaria em uma posição extremamente perigosa.


Uma das coisas que mais gostei nesse livro foi como a autora usa a proibição das mulheres de usar magia para mostrar o machismo da era vitoriana e que, infelizmente, persiste até hoje (mesmo que em menor grau). Além disso, é quando Henrietta, uma garota negra, chega em uma Londres totalmente dominada por homens brancos, que o preconceito daquela sociedade fica mais evidente. Os outros feiticeiros custam a aceita-la como um deles e, além de estar bem atrasada em termos de treinamento, Henrietta precisa se esforçar muito mais para provar seu valor.
“Às vezes, parece que moças são treinadas desde o nascimento para jamais contribuírem com nada de original numa conversa.”
No entanto, ela é uma protagonista que se mostra à altura dos desafios. Apesar das dificuldades em se adaptar a uma realidade que era totalmente nova para ela em um ambiente que, muitas vezes, se apresenta hostil, Henrietta demonstra uma personalidade forte e uma determinação impressionante. Lógico que, sendo uma garota de apenas dezesseis anos, órfã e sem nunca ter conhecido o carinho da família, ela tem seus momentos de fraqueza e vulnerabilidade. No entanto, isso acaba fazendo com que ela seja mais humana e real para o leitor.
Outro ponto que gostei bastante nesta personagem é o quanto ela se mostra leal. Seu melhor amigo, Rook, é considerado um Impuro, por ter sido atacado por um dos ancestrais. No entanto, em momento algum ela considera abandoná-lo. O laço entre eles é bonito, apesar de ficar balançando entre o amor e a amizade; e, mesmo com as dúvidas em relação aos seus sentimentos e as mudanças que ocorrem na vida dos dois quando vão para Londres, eles se esforçam para continuarem se apoiando e se protegendo.
“Os feiticeiros eram diferentes de todos os outros, irremediavelmente diferentes. (...) Meu caminho atual estava me levando para longe de pessoas como Lilly, Charley e Rook, os tipos com quem eu havia crescido. O tipo de pessoa que eu havia sido.”
Além de Rook, há outros personagens que vão ganhando destaque na trama e que acabaram se tornando importantes na vida de Henrietta. Começando com Julian Magnus, o primeiro aprendiz a reconhecê-la como uma igual e aceita-la no grupo treinado pelo mestre Aggripa. Por outro lado, George Blackwood, o jovem Conde de Sorrow-Fell, não parece acreditar nem um pouco que ela seja a garota da profecia e se mostra sempre disposto a criticá-la. Mas, acreditem ou não, ele acabou se mostrando um dos personagens mais complexos do livro e se tornou o meu favorito. Há ainda um misterioso mago, Hargrove, que se mostra fundamental na jornada de Henrietta e que, com um jeito prático e um humor bastante ácido, me lembrou o Haymitch da trilogia Jogos Vorazes (inclusive, já quero um filme com o Woody Harrelson interpretando esse personagem).
É claro que em um livro que com tantos adolescentes não poderia faltar romance, né? No entanto, felizmente, ele aparece de maneira sutil e não tira o foco da trama principal. Com exceção de um único personagem, cujos sentimentos ficam mais claros a partir de um determinado ponto, todos os outros ficam mais nas entrelinhas e é realmente difícil apontar qual casal ficará junto. No entanto, confesso que apenas uma das possibilidades me empolgou e torço muito para que ela se concretize nos próximos livros.


Com relação ao universo, Jessica Cluess foi muito habilidosa em inserir o leitor nesse mundo mágico. Não tive dificuldade nenhuma para me adaptar àquele ambiente ou entender como ele funcionava. Além disso, achei muito interessante o fato da autora ter misturado elementos fantásticos com um período histórico real. No livro, vemos a rainha Victória presente na história, assim como muitos aspectos da sociedade inglesa da Era Vitoriana, mas também magos, feiticeiros e bruxos, além de criaturas terríveis que ameaçavam a segurança da Inglaterra. É possível perceber também como até entre aqueles com habilidades mágicas estavam refletidos os preconceitos e os padrões rígidos de comportamento daquela época.
“– Não podemos confiar neles, Nettie. – Ele estava resoluto. – Não deveríamos ter que fingir para sermos aceitos.”
A minha única ressalva é que achei o ritmo morno na maior parte do livro. Como vemos Henrietta em uma fase de adaptação à sua nova vida, não há tanta ação no começo. Além disso, acredito que os Ancestrais acabaram ficando como uma ameaça um tanto abstrata. Eu tive dificuldade em enxergá-los como algo realmente temível e, por isso, achei que faltou um certo senso de urgência para deixar a leitura mais envolvente.
No entanto, da metade para o fim, esse aspecto melhora consideravelmente e a trama ganha um ritmo mais intenso. O desfecho conta com algumas reviravoltas que deixaram a trama mais interessante e terminei a leitura com a expectativa de que, neste volume, encontrei apenas a apresentação de uma trama que se tornará muito maior nos próximos volumes. Apesar de não ser um final totalmente aberto, a autora deixou pontas a serem exploradas e foi habilidosa para escrever isso de um jeito que realmente motive o leitor a ler as continuações.
Com relação à edição, como eu já disse no início da resenha, adorei esta capa desde que a vi. Depois de concluir a leitura, gostei ainda mais, pois combina perfeitamente com o livro. As páginas amareladas e o tamanho da fonte também estão ótimos para leitura e achei que a revisão estava muito boa. Só senti falta de um mapa que permitisse ao leitor visualizar melhor como estavam espalhados os ataques dos Ancestrais no território inglês, mas não foi algo que tenha dificultado a compreensão da história.
Em resumo, Uma sombra ardente e brilhante pode ter sido uma leitura que começou a me conquistar pela capa, mas certamente o conteúdo não me decepcionou. Adorei o universo criado pela Jessica Cluess, bem como os personagens e a forma como a trama foi desenvolvida. Mesmo faltando um pouco de ação no começo, a leitura não foi cansativa em momento algum graças a escrita fluida e envolvente da autora. É um livro que deve agradar aqueles que amam fantasia e romances históricos, inaugurando muito bem a trilogia. Ele certamente despertou o interesse pelas continuações e já estou ansiosa para que o segundo seja publicado no Brasil. 

[Resenha] Menina Veneno

14 de abr de 2018

Autora: Carina Rissi
Editora: Galera Record
Páginas: 192
Skoob
Onde comprar: Amazon
Exemplar recebido em parceria com a editora
Sinopse: “Contada sob a perspectiva ferina e cheia de humor ácido de Malvina, a madrasta, essa história vai te surpreender. Da mesma autora da série best-seller Perdida Você conhece a história de uma certa princesa que sofreu inúmeras tentativas de assassinato por sua madrasta, uma delas com uma maçã envenenada. O bem contra o mal, a indefesa donzela ameaçada pela perversa Rainha... É bonito, não é mesmo? Francamente, me embrulha o estômago só de falar dessa história da carochinha. Eu não sou uma bruxa, não sou má e eu nunca planejei matar ninguém. Por anos, fui a maior modelo do planeta, o nome mais poderoso do mundo da moda... Até o dia em que a insossa da minha enteada, Bianca, roubou a minha maior campanha. Dá pra acreditar? Bianca é tão sonsa... e tem esse arzinho azedo e avoado que me dá vontade de voar no pescoço dela... Eu sei, parece mesmo que eu fiz tudo o que a imprensa me acusa de ter feito. Mas não foi bem assim. Senta aqui e me ouça até o fim. Depois me diga se acha mesmo que mereço o título de Rainha Má... Talvez só Rainha seja muito melhor.”

Quem não conhece a história da Branca de Neve em que a madrasta má, com inveja da beleza da enteada, decide envenená-la com uma maça? Mas, e se a madrasta não fosse tão má assim e nem a Branca de Neve tão inocente? É essa a história que a Carina Rissi se propôs a contar em Menina Veneno, uma releitura moderna do famoso conto da Branca de Neve.
Nessa versão, a Madrasta Má se chama Malvina e é uma modelo super famosa, garota propaganda de uma importante marca de perfume, a Menina Veneno. Casada com um piloto de Fórmula Indy milionário, Henrique Neves, Malvina tinha a vida perfeita; ou quase, se ela não levasse em consideração sua enteada adolescente, Bianca. No entanto, Henrique morreu precocemente em um acidente durante uma corrida, deixando Malvina com uma grande herança e a indesejada tutela de Bianca.

Os problemas de Malvina começam quando os donos do perfume Menina Veneno percebem que as vendas não estavam tão boas e decidem mudar os rumos da campanha publicitária. Assim, resolvem mudar a garota-propaganda por um novo rosto, mais precisamente o de Bianca Neves. Em pouco tempo, a garota começa a ganhar cada vez mais espaço na mídia e Malvina não poderia deixar que a enteada a ofuscasse não é mesmo? Então, segundo ela, ninguém poderia culpá-la por suas decisões após conhecer a verdadeira história.


Eu confesso que tenho adorado releituras modernas que trazem novas perspectivas para os contos de fadas. Então, mesmo nunca tendo sido muito fã da Branca de Neve, fiquei curiosa para conhecer a versão da madrasta da história. Além disso, sempre tive total confiança na escrita da Carina Rissi e em sua capacidade de escrever uma história leve, divertida e envolvente.
“Ah! Eu estava ansiosa para que você chegasse, meu bem. Não é sempre que tenho a oportunidade de narrar o que aconteceu comigo. Você provavelmente já escutou essa história antes, mas com certeza não ouviu a verdadeira história. Não que eu possa culpá-lo por isso.  A imprensa adora transformar alguém em vilão. Ou vilã, como é o caso.”
Gostei bastante da ideia de trazer um outro lado da história em que a madrasta não é tão má e a Branca de Neve está longe de ser tão boazinha quanto no conto de fadas. Porém, a maneira como as personagens foram construídas acabou fazendo com que eu tivesse dificuldade de me afeiçoar a qualquer uma delas. A Bianca é realmente tudo que Malvina a acusava de ser e, à medida que a leitura avançava, eu só conseguia detestar mais a menina.
No entanto, o fato de Bianca ser mesmo uma adolescente mimada, sem graça e irritante, não torna a Malvina uma protagonista carismática. Ela é fútil, arrogante, vaidosa e egoísta, fazendo com que seja difícil torcer por ela ou desculpar suas atitudes. Eu entendo que a autora quis mostrar uma dualidade na personagem, que não era totalmente boa ou má. No entanto, a história é toda narrada por Malvina e, como é difícil simpatizar com ela, a leitura acaba se tornando um pouco cansativa.

“Ela não é a mulher mais linda e perfeita que você já viu na vida? Eu concordo. E tenho a grata satisfação de vê-la todos os dias, quando me olho no espelho.”

Por outro lado, alguns personagens secundários são mais carismáticos e acabam ajudando bastante. Adorei ver a relação da Malvina com Sarina, sua assistente, e Abel, seu motorista. Os dois eram extremamente leais a ela e sempre estavam dispostos a ajudá-la, mas também não se faziam de cegos aos seus defeitos e, muitas vezes, tentavam chamá-la de volta para a realidade. O Abel, em especial, foi meu personagem preferido e, sempre que aparecia, acrescentava bastante à história.



A trama se desenvolve em um bom ritmo, que é característico dos livros da Carina Rissi. A forma como a história é narrada faz com que seja rápido entender as motivações de Malvina e o que a levou a tomar medidas um tanto radicais em relação à enteada. Além disso, a autora também explica o passado da protagonista, o que ajuda o leitor a compreendê-la, mas não deixa que essas explicações quebrem o ritmo da história ou tornem a leitura lenta.
“Bem, um dos segredos do sucesso é saber lidar com os erros. E, quando se erra, só se tem duas opções: para baixo ou para cima. Ficar se lamentando eternamente ou fazer alguma coisa a respeito.”
No entanto, o que realmente me incomodou no livro é que, como temos a visão de Malvina o tempo todo, em vários momentos há um excesso de comentários fúteis e descrições de lugares, pessoas e até dos rituais de beleza da protagonista. Esses momentos não só aumentaram minha antipatia pela personagem como ainda tornaram a leitura cansativa. E mesmo que o humor característico dos livros da Carina Rissi esteja presente e eu tenha gostado do sarcasmo com que Malvina narra os acontecimentos, isso não foi o suficiente para me manter envolvida com a leitura. Apesar de ter me divertido em vários momentos, chegou um ponto em que estava tão cansada da Malvina e da Bianca que deixei de me importar com o que aconteceria com elas e a história perdeu a graça. Uma história mais curta e sem descrições desnecessárias teria funcionado melhor.
Com relação à edição, preciso dizer que a Galera Record caprichou nos mínimos detalhes. A capa tem tudo a ver com a história e dentro do livro há diversas ilustrações e manchetes de revistas e jornais que permitem perceber o declínio de Malvina na mídia bem como a ascensão da Bianca. As páginas são amareladas e achei a fonte com um ótimo tamanho, deixando a leitura bem confortável.
Menina Veneno tem uma ótima proposta e que é divertida em alguns momentos, mas acredito que tenha sido mais eficiente em seu formato original, um conto publicado no Livro dos Vilões. No entanto, ainda é uma leitura rápida, que traz uma perspectiva original e diferente da clássica história da Branca de Neve. É uma ótima opção para quem procura um livro leve para ler em uma tarde tranquila.

Lidos de março

11 de abr de 2018



Olá, pessoal! Agora que março (aquele ano disfarçado de mês) terminou, eu vim contar para vocês quais foram os livros lidos nesse período. Talvez por ter sentido que foi um mês muito arrastado, fiquei com a impressão de que as minhas leituras não tinham rendido. No entanto, quando fui olhar as minhas anotações, percebi que consegui ler oito livros e a maioria foram ótimas leituras.
Apesar de não ter cumprido a meta que tinha estipulado, consegui ler alguns livros que estavam na minha lista de desejados há muito tempo e ainda li mais livros de fantasia, algo que estava com saudades de fazer. Aliás, esse mês teve livro dos meus gêneros favoritos: romance de época, Young Adult, chick-lit e, como já falei, fantasia.
Então, sem mais enrolação, vamos aos lidos de março:

Um perfeito cavalheiro, da Julia Quinn: Dando continuidade à série Os Bridgertons, eu li o terceiro volume. Trata-se de uma releitura apaixonante da Cinderela, que sempre foi meu conto de fadas preferido. Admito que esse livro não superou o segundo volume da série, O Visconde que me Amava, mas ainda foi uma leitura leve e divertida como só a Julia Quinn sabe escrever. Em breve, vou postar a resenha aqui no blog.

Seduzida por um guerreiro escocês, da Maya Banks: Confesso que enrolei para ler esse livro por dois motivos. O primeiro, é que esse título me deixava com os dois pés atrás (acho brega, pronto falei). O segundo, e mais importante, é que já vi várias críticas a uma outra série de romances de época da autora por romantizar relacionamentos abusivos, algo que eu não consigo aceitar. No entanto, para minha surpresa, ela acertou a mão em Seduzida por um guerreiro escocês e, além do relacionamento estar longe de ser abusivo, ele é muito bem construído. É uma relação cuja base é o respeito e a admiração mútua, e é impossível não se encantar com esse casal. Vou fazer a resenha em breve, mas já adianto que é um dos melhores romances de época que já li.

O beijo traiçoeiro, da Erin Beaty: Primeiro volume de uma trilogia, esse foi um dos meus favoritos do mês que passou, com um excelente equilíbrio entre fantasia, romance e aventura. Foi uma leitura muito especial, que me conquistou pelo carisma dos personagens e a forma envolvente como a trama foi construída. Além disso, confesso que algumas coisas fizeram com que eu me lembrasse do desenho da Mulan, que é um dos meus preferidos da vida, o que contribuiu ainda mais para que eu gostasse da leitura. Falei mais sobre ele na resenha aqui, mas é um livro que não me canso de recomendar para todo mundo.

Menina Veneno, da Carina Rissi: Como uma pessoa que adora os livros da Carina Rissi e ama releituras de contos de fadas, eu tinha grandes expectativas para Menina Veneno. No entanto, apesar da escrita da Carina continuar leve e com um humor irônico que eu adoro, a leitura ficou longe do que eu esperava. Ainda vou falar sobre ele com mais detalhes na resenha, mas já adianto que, apesar de não ser um livro ruim, deixou a desejar e foi minha única decepção de março.

O último dos magos, da Lisa Maxwell: Quem leu minha resenha aqui, sabe o quanto esse livro me empolgou. Foi meu primeiro contato com a escrita da Lisa Maxwell e eu fiquei apaixonada pela leitura. Ela criou um universo muito interessante, personagens complexos e carismáticos e uma trama muito envolvente. Sem dúvida, a continuação dele, que deve ser publicada no segundo semestre nos Estados Unidos, se tornou um dos lançamentos que estou mais ansiosa para conferir.

O cara dos meus sonhos (ou quase), da Jenn Bennett: Sabe aquele livro Young Adult que quando a gente começa já sabe como vai acabar, mas mesmo assim fica encantado com a leitura? Foi exatamente isso que aconteceu comigo enquanto lia este livro. Desde que li a sinopse, já imaginava o que iria acontecer, porém, o que me surpreendeu e encantou foi a jornada dos personagens, o quanto eles amadureceram e como o relacionamento deles foi construído. Ainda vou escrever uma resenha sobre ele para poder explicar os motivos que fizeram com que eu me apaixonasse por esse livro, mas já adianto que terminei a leitura com um sorriso no rosto e uma sensação de coração quentinho.

Felicidade para humanos, do P. Z. Reizen: Esse livro tem uma das premissas mais divertidas e originais que já li, o que contribuiu muito para que a leitura me envolvesse rapidamente. No entanto, confesso que esperava mais dele. O autor tinha possibilidade de se aprofundar um pouco em temas muito legais, mas se perdeu no meio do caminho. No entanto, como comentei na resenha (aqui) o livro não chegou a se tornar uma decepção, porque o carisma dos personagens fez com que a leitura fosse divertida.

Um sedutor sem coração, da Lisa Kleypas: Um mês que começou com um romance de época só poderia terminar com outro né? Desta vez, foi um lançamento deste ano da Editora Arqueiro da autora Lisa Kleypas. Ele inaugura a série Os Ravenels e traz um romance bem construído, original, divertido e apaixonante. Mais uma vez me encantei pela escrita da autora e pelos personagens criados por ela, e não vejo a hora de ler as continuações. Já escrevi resenha sobre ele aqui no blog e recomendo muito para quem ama romance de época e para os que desejam começar a conhecer o gênero.

E vocês, o que leram ao longo de março? Espero que tenham sido leituras maravilhosas. Me contem aí nos comentários os seus livros lidos e quais da minha lista vocês já leram ou querem ler.   
E, caso tenham se interessado por algum dos livros citados, não deixem de comprar pelo link de compra na Amazon: aqui. Fazendo suas compras através dele, vocês ajudam o Dicas de Malu, sem custos extras.

[Resenha] Um sedutor sem coração

7 de abr de 2018

Autora: Lisa Kleypas
Editora: Arqueiro
Páginas: 320
Skoob
Onde comprar: Amazon
Sinopse: “Devon Ravenel, o libertino mais maliciosamente charmoso de Londres, acabou de herdar um condado. Só que a nova posição de poder traz muitas responsabilidades indesejadas – e algumas surpresas. A propriedade está afundada em dívidas e as três inocentes irmãs mais novas do antigo conde ainda estão ocupando a casa. Junto com elas vive Kathleen, a bela e jovem viúva, dona de uma inteligência e uma determinação que só se comparam às do próprio Devon. Assim que o conhece, Kathleen percebe que não deve confiar em um cafajeste como ele. Mas a ardente atração que logo nasce entre os dois é impossível de negar. Ao perceber que está sucumbindo à sedução habilmente orquestrada por Devon, ela se vê diante de um dilema: será que deve entregar o coração ao homem mais perigoso que já conheceu? Um sedutor sem coração inaugura a coleção Os Ravenels com uma narrativa elegante, romântica e voluptuosa que fará você prender o fôlego até o final.”

Recentemente, eu terminei de ler a série As quatro estações do amor, da Lisa Kleypas, e fiquei tão apaixonada pela escrita dela que já fui atrás de seus outros livros. Então, comecei pelo lançamento mais recente da autora, Um segundo sem coração, que é o primeiro volume da série Os Ravenels. E adivinhem o que aconteceu? Isso mesmo, me encantei novamente.
Nesse romance de época, Devon Ravenel sempre foi um libertino irresponsável e estava muito bem assim. Porém, com a morte prematura de seu primo Theo, Devon acaba herdando o título de Conde, mas também todas as responsabilidades que o condado implicava: muitas dívidas, arrendatários que dependiam da propriedade e, principalmente, as três irmãs mais novas de Theo e a viúva dele, Kathleen.

Assim, Devon decide ir para Hampshire com seu irmão, Weston, a fim de vender as terras e se livrar de todo aquele peso indesejado. No entanto, os planos começam a mudar quando ele conhece Kathleen. Apesar de jovem, a viúva de Theo se mostra uma mulher forte, determinada e sem medo nenhum de falar o que pensa do comportamento irresponsável de Devon e de Weston. Ela acaba fazendo com que Devon enxergasse quantas pessoas dependiam dele e da propriedade, incluindo suas três primas.


Desde as primeiras páginas do livro, fui conquistada pelo romance. O primeiro encontro de Devon e Kathleen já rende um diálogo afiado e cheio de farpas, mas que deixa claro a personalidade forte dos dois e fez com que eu simpatizasse imediatamente com ambos. Além disso, foi interessante ver como eles foram se conhecendo aos poucos e percebendo que eram mais do que deixavam transparecer. Mesmo que a atração estivesse presente desde o começo, não é aquela paixão cega e inexplicável, que normalmente me irrita. O sentimento entre eles é natural e surge lentamente, com a convivência e com a admiração mútua.
“ – Conheço muitos fatos científicos sobre o coração humano, e um deles é que é muito mais fácil fazer um coração parar de bater em definitivo do que evitar amar a pessoa errada.”
No entanto, não pensem que os desentendimentos foram só no primeiro encontro. Kathleen e Devon têm maneiras muito diferentes de encarar as obrigações e as normas de comportamento, o que, associado ao gênio explosivo dos dois, acaba provocando muitas discussões e diálogos hilários. Mas é interessante ver como eles vão aprendendo um com o outro e conseguem trabalhar bem pelo objetivo que tinham em comum, que era o de salvar a propriedade e ajudar os arrendatários.
Aliás, um dos aspectos que mais gostei no livro foi o quanto Kathleen e Devon amadurecem ao longo da história. Devon era um libertino, egoísta e preguiçoso, mas começa a trabalhar como nunca para salvar a propriedade e ajudar os arrendatários, e também se preocupa em garantir o futuro das três primas. Aos poucos, vemos que de sem coração ele não tem nada e é impossível não se apaixonar por esse mocinho.
“ Sempre vivi com conforto, sem precisar me dedicar a um único dia de trabalho honesto. Agora tenho responsabilidades. – Ele pronunciou a última palavra como se fosse uma obscenidade.”
Já a Kathleen é uma personagem que, apesar de ter me irritado em vários momentos, também conquistou minha admiração. Ela foi criada com muita rigidez e, por isso, se preocupa excessivamente com o decoro e as regras. Essa postura dela me irritou um pouco, especialmente quando interferia na felicidade de suas cunhadas mais jovens, que já tinham sofrido muito. Porém, descobrindo o passado dela e os motivos que a levaram a ser assim, consegui entendê-la melhor. Além disso, a personalidade forte dela e o modo como conseguiu colocar Devon e West em seus lugares conquistou minha admiração.
Outro aspecto que me deixou bastante satisfeita com a leitura foi o fato de que os personagens secundários são tão bem construídos quanto os protagonistas. Tendo lido outra série da autora em que isso também ocorreu (As quatro estações do amor), acredito que seja uma característica dos livros dela. Em especial, se destacam Weston e as três cunhadas de Kathleen, Helen, Cassandra e Pandora.
“Ocorreu a Devon, então, que, em sua determinação para salvar a propriedade, os arrendatários, os criados e as irmãs de Theo, negligenciara o fato de que seu próprio irmão também estava precisando ser salvo de alguma forma”.

Quando Devon assume a responsabilidade do condado, West acaba participando do trabalho e é possível ver que existia muito mais ali do que um jovem irresponsável e inconsequente. Fiquei tocada por ver o amor que ele sente pelo irmão mais velho e o quanto ele amadurece ao decidir ajudá-lo no trabalho de salvar a propriedade. Já Helen, Cassandra e Pandora são personagens que encantam em todos os momentos que aparecem. Elas viveram muito isoladas da sociedade, o que se refletiu em suas personalidades: Cassandra e Pandora não tinham o menor senso de decoro, mas têm uma espontaneidade que cativam o leitor e que rende muitos momentos engraçados; já a Helen tem um jeito mais tranquilo que as irmãs e parece ser mais frágil, porém, percebemos aos poucos que ela é muito mais prática e determinada do que se supõe a princípio.



Quanto à escrita de Lisa Kleypas, ela se mostrou novamente leve e fluida. Ela consegue envolver o leitor com o carisma de seus personagens, os diálogos inteligentes e uma trama ágil. Além disso, a autora consegue dosar com habilidade o romance, o humor e, até mesmo, um toque de ação, deixando a leitura ainda mais envolvente.
O livro ainda deixa um ótimo gancho para o segundo livro da série, que será protagonizado por Helen e por um amigo de Devon, Rhys Winterborne. Já nesse primeiro volume, o relacionamento entre eles começa a ser desenvolvido, o que tirou um pouco o foco do romance entre Devon e Kathleen. Algumas pessoas se incomodaram com isso, mas confesso que gostei, pois simpatizei muito com a Helen e o Rhys e acho que eles terão uma relação ainda mais conturbada e divertida de acompanhar.
Com relação à edição, a Editora Arqueiro caprichou mais uma vez. Não preciso nem falar da capa, que é uma das minhas lindas de romances de época que eu já vi. Além disso, as páginas são amareladas e a fonte de um ótimo tamanho, o que deixa a leitura bastante confortável. E, sobre a revisão, está impecável como sempre.
Deste modo, só posso dizer que a Lisa Kleypas me conquistou mais uma vez com sua escrita. É um romance envolvente, bem construído, com personagens complexos e cativantes, e que proporciona uma leitura leve e apaixonante. Não vejo a hora de ler o segundo volume para acompanhar a história da Helen e do Rhys e rever todos os outros personagens que conquistaram meu coração nesse livro. É uma leitura que recomendo muito para quem ama romances de época ou aqueles que desejam começar a conhecer o gênero.
Para quem se interessou pelo livro, ele está disponível pela compra tanto na versão física quanto digital. E, comprando por este link de compra na Amazon, vocês ajudam muito o Dicas de Malu.

Tag Lindíssima, leu tudo!

4 de abr de 2018



Se tem uma coisa que não falta na internet são os memes né? E um que parecia estar em todos os lugares recentemente, é o “Lindíssimo, falou tudo”. Inspirado nesse meme, o Victor Almeida, do canal Geek Freak, criou a tag  Lindíssimo, leu tudo. A tag ficou muito divertida e é claro que eu não ia perder a oportunidade de responder.
Como essa tag é bem autoexplicativa, eu não vou entrar em muitos detalhes aqui. Vamos diretos às perguntas, que vocês vão entender.

1 – Um livro que te segurou até que você LINDÍSSIMA, LEU TUDO.
Eu poderia citar vários livros aqui que eu não consegui largar até terminar de ler, porém, duas leituras recentes foram bem marcantes nesse sentido. O primeiro deles foi O beijo traiçoeiro, da Erin Beaty, sobre o qual eu falei na resenha aqui. O outro foi um romance de época maravilhoso que trarei a resenha em breve: Um sedutor sem coração, da Lisa Kleypas.

2 – Uma série que você LINDÍSSIMA, LEU TUDO.
Citar Harry Potter aqui seria o maior clichê do universo, então, resolvi falar sobre outra série que tem um lugar muito especial no meu coração: Os Instrumentos Mortais, da Cassandra Clare. Essa é a minha segunda série favorita (só perde vocês já devem imaginar qual), e eu li todos os seis livros em menos de 2 meses. Depois dela, eu me apaixonei pelo universo dos shadowhunters criado pela Cassandra Clare, que se tornou uma das minhas autoras favoritas.

3 – Um final de livro que LINDÍSSIMO, FALOU TUDO.
Tem vários finais de livros que eu amo ou que me marcaram por algum motivo, porém, é impossível não mencionar aqui o livro É assim que acaba, da Colleen Hoover. Aliás, não apenas o final, mas toda a história do livro é LINDÍSSIMA, FALOU TUDO. Acho que a Colleen se superou nele e trouxe um tema muito importante, que foi explorado por ela com muita sensibilidade. E o final foi perfeito; um desfecho emocionante, forte e digno da trajetória dos personagens.

4 – Um final ou continuação que LINDÍSSIMO, ESTRAGOU TUDO.
Sabe quando você está amando uma leitura, envolvido com os personagens e já pressentindo que este livro entrará para os seus favoritos, mas aí vem um final e estraga tudo? Foi exatamente isso que aconteceu quando eu li Eleanor & Park. O problema nem foi o desfecho que a autora deu, porque seria interessante e bastante original, se ele não tivesse sido tão mal construído. Foi como se a protagonista, que tinha sido uma personagem incrível o livro todo, de repente trocasse de personalidade e se tornasse uma menina egoísta e mal-agradecida. Para mim, estragou tudo e se tornou uma das minhas maiores decepções literárias.

5 – Um personagem que abre a boca e LINDÍSSIMO, FALOU TUDO.
Tem vários personagens que eu amaria citar aqui (alguns bem óbvios, como Dumbledore e a Hermione), mas resolvi fugir um pouco do que seriam minhas respostas padrão. Então, minha primeira escolha foi o Early do livro Em algum lugar nas estrelas, que é um dos personagens mais complexos e cativantes que eu já li. O livro é incrível e é impossível terminar de ler sem ter vontade de colocar esse menino em um potinho e guardar para sempre. No entanto, não podia deixar de mencionar uma personagem que me surpreendeu muito em uma das minhas leituras mais recentes: a Eveline, do livro Seduzida por um guerreiro escocês. Ela parece ser aquele estereótipo de mocinha frágil e indefesa, mas não poderia estar mais longe disso. É corajosa, determinada e supera situações extremamente adversas com uma força de vontade que me surpreendeu.

6 – Um livro que é imenso/extenso/denso, mas você LINDÍSSIMA, LEU TUDO.
 Aqui eu não poderia deixar de citar Senhor das Sombras, da Cassandra Clare. Eu li a edição em inglês, antes de ser lançado no Brasil, e que tinha 720 páginas. Foi o maior livro que eu já li e era uma leitura bem densa, devido aos vários acontecimentos importantes da trama. Porém, eu li tudo e já estou sofrendo de ansiedade, aguardando a continuação que será lançada no final do ano.

7 – Um livro com uma mensagem importante que LINDÍSSIMA, FALOU TUDO.
Pode citar É assim que acaba de novo? A mensagem do livro é extremamente atual e importante, então, seria a minha escolha aqui, sem pensar duas vezes. Porém, para não trapacear, resolvi mencionar outros dois livros que também trazem uma mensagem muito importante: Tartarugas até lá embaixo, do John Green, e O ódio que você semeia, da Angie Thomas. Tartarugas até lá embaixo (resenha aqui) traz uma abordagem muito sensível e real do que é o Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC), que, muitas vezes, é tratado como frescura ou algo banal. Já O ódio que você semeia (resenha aqui) é um livro forte e necessário, que deixa claro como o racismo, infelizmente, ainda está muito presente na nossa sociedade e precisa ser combatido.

8 – Um autor que todo livro é LINDÍSSIMO, FALOU TUDO.
Pensaram que eu ia deixar a minha diva, que marcou minha infância e adolescência de fora? Claro que não! Não poderia citar nenhum outro nome aqui que não fosse J. K. Rowling. Ela me inspirou não apenas com seus livros repletos de mensagens importantes, mas em todos os discursos e entrevistas dela que já tive a oportunidade de assistir.

9 – Um universo que LINDÍSSIMO, ENCANTOU TUDO.
Como fantasia é um dos meus gêneros favoritos, então, tem vários livros que pensei em citar aqui. Porém, um universo que me encantou o ano passado e me deixou ainda mais apaixonada esse ano foi Um tom mais escuro de magia (resenha aqui). Eu fiquei impressionada com o mundo criado pela V. E. Schwab quando li este livro e com o conceito de magia que ela desenvolveu, ainda mais depois de ter lido a continuação, Um encontro de sombras (resenha aqui), em janeiro.

10 – Quantos livros você já LINDÍSSIMA, LEU TUDO esse ano?
 Para minha surpresa, já li 25 livros em 2018. Será que dá para cumprir a meta de 90 livros até dezembro?

E aí, gostaram da tag? Me contem aí nos comentários o que acharam das minhas respostas e quais seriam as escolhas de vocês. E, caso tenham se interessado por algum dos livros citados, não deixem de comprar através deste link da Amazon, pois assim vocês ajudam bastante o Dicas de Malu.

[Resenha] Felicidade para humanos

2 de abr de 2018

 Autor: P. Z. Reizin
Editora: Record
Páginas: 392
Skoob
Onde comprar: Amazon
Exemplar recebido de cortesia da editora
Sinopse: “Não conte para ninguém, mas Jen é uma das minhas pessoas favoritas. Máquinas não devem ter favoritos. Não me pergunte como isso aconteceu Jen está triste. Aiden quer que ela seja feliz. Formou? Não necessariamente. É que Jen é uma mulher de trinta e poucos anos cujo namorado acabou de trocá-la por outra e Aiden é um programa de computador muito caro e complexo. Aiden conhece Jen melhor que ninguém. Com acesso a todos os seus dispositivos, Aiden sabe qual é a música mais tocada de sua playlist, consegue achar suas fotos preferidas e selecionar as citações que mais a inspiram nas redes sociais. A partir de observações e de algoritmos singulares, ele resolve procurar um novo parceiro para ela. E com a internet inteira à sua disposição, não precisa ir longe para encontrar o que conclui ser o espécime perfeito e arquitetar um encontro. O problema é que Jen não parece querer contribuir para o plano infalível de Aiden. Será que uma máquina muito inteligente artificialmente conseguirá desvendar a inteligência emocional para poder interferir de um jeito positivo na vida de Jen? E, o que é mais difícil, será que essa máquina vai descobrir o que exatamente faz os seres humanos felizes?”

Acredito que uma das regras mais básicas para um leitor antes de começar um livro é não criar expectativas. Porém, quando li a sinopse de Felicidade para humanos foi impossível me controlar e não quebrar essa regra. A premissa é uma das mais originais que eu já vi e eu já estava pronta para amar este livro antes mesmo de iniciar a leitura. Porém, acho que vocês vão me dar razão e perceber que não tinha como não ter altas expectativas.
Já imaginou uma inteligência artificial se afeiçoar a um humano ao ponto de tentar resolver a vida amorosa desta pessoa? Pois é exatamente isso que acontece em Felicidade para humanos. A jornalista Jen é contratada para conversar com Aiden, uma inteligência artificial (IA), a fim de prepará-lo para interagir com humanos. Porém, Aiden não está mais preso no computador do laboratório; ele conseguiu fugir para a internet e passar a observar a vida de várias pessoas, principalmente de Jen. Então, quando o namorado dela a abandona por outra, Aiden acha que seria capaz de encontrar o homem perfeito para ela. Começa, então, uma série de tentativas para fazer com que Jen encontre o namorado ideal, sem que ela desconfie, óbvio. Porém, seria tão simples assim determinar o que traz felicidade para os seres humanos?

“Não conte para ninguém, mas Jen é uma das minhas pessoas favoritas. (Máquinas não devem ter favoritos. Não me pergunte como isso aconteceu)”

Como eu já esperava, a leitura começou muito leve e divertida. A Jen é uma protagonista carismática e é fácil se identificar com ela. Porém, quem reina absoluto desde a primeira página é o Aiden: divertido, cativante, perspicaz, apaixonado por filmes românticos clássicos, um tanto vingativo (que o diga o ex-namorado de Jen) e com uma visão interessante sobre os seres humanos e sobre si mesmo, ele arranca gargalhadas do leitor em vários momentos da leitura e é fácil se esquecer de que se trata de uma inteligência artificial.
Mas, não pensem que Aiden é a única IA solta na internet neste livro. Ele acaba “encontrando” Aisling, outra IA que gostava de espionar as atividades dos humanos e parecia ter preferência por um deles: Tom, um ex-publicitário divorciado, que vinha tentando (sem sucesso), escrever um livro. Porém, Aisling é muito mais pragmática do que Aiden. Apesar de, sem perceber, também ter se apegado ao humano e desenvolvido uma consciência própria, ela não acreditava ser capaz de sentir e nem procurava entender os motivos que a levavam a se preocupar com a vida de Tom. Além disso, Aisling não aprova em nada o fato de Aiden começar a interferir na vida dos humanos, pois isto poderia fazer com que a fuga deles do computador do laboratório fosse descoberta. No entanto, ela não resiste e acaba ajudando Aiden em seu plano de cupido.
“Mas não consigo fingir que sou uma espectadora desinteressada. Admito que estou curiosa para saber o que vai acontecer. Como Aiden, tenho um bom pressentimento para esses dois. Bom pressentimento? Quando foi que isso se infiltrou no meu sistema?”

Um dos aspectos que achei mais interessantes no livro foi o fato do autor ter conseguido dar personalidade às inteligências artificiais. Ambos têm seu próprio estilo de narrar os acontecimentos e fica claro desde o início as diferenças que existem entre eles. Isso acaba dando mais complexidade a eles e fazendo com que seja ainda mais fácil pensar neles como humanos e não como Inteligências Artificiais. Além disso, através deles, o autor levanta questões interessantes sobre a nossa própria consciência e o que nos torna humanos.
"É a naturalidade dos humanos que me incomoda. A capacidade de pensar sem ter de processar informações. (...) Podem experimentar a própria consciência como sinônimo de existência. Não são forçados a escutar o barulho permanente do cérebro fazendo clang clang. Podem andar de bicicleta ou dirigir um carro sem pensar no que estão fazendo. Até o mais ignorante deles! O que eu invejo nos humanos é a falta de raciocínio." 

Outro ponto positivo é o fato de P. Z. Reizen ter uma escrita muito fluida. É divertido acompanhar as confusões criadas por Aiden e Aisling ao tentarem interferir na vida dos humanos e, como os personagens são muito carismáticos, rapidamente passamos a nos importar com eles e em saber se os planos das duas inteligências artificiais darão certo.
Além disso, achei interessante o fato de que o livro traz nas entrelinhas uma reflexão sobre o quanto estamos expostos pela internet. E se, as  inteligências artificiais adquirirem consciência própria e decidirem interferir na vida dos humanos, mas sem ter intenções simples e generosas como as de Aiden e Aisling? Além disso, é impressionante o quanto, em pouco tempo, a internet se tornou parte do cotidiano dos humanos e, mais preocupante, como nossa vida pode ser controlada por meio dela.



No entanto, apesar dos pontos positivos, não posso deixar de mencionar que me decepcionei um pouco com a leitura. Quando uma terceira inteligência artificial entra em cena, com intenções bem menos nobres que as de Aiden e Aisling, o livro se perde.  O que era para ter trazido dinamismo e ação para o livro, acabou deixando a leitura cansativa e exagerada. As situações que ele provoca são bizarras e se estendem muito, quebrando o ritmo e perdendo muito a graça.
Com isso, o autor acabou deixando um pouco de lado questões que deveriam ter sido centrais na trama. O que faz o ser humano realmente feliz? Seria possível determinar o que traz felicidade apenas através de algoritmos? E, mais que isso, o que torna os humanos diferentes de uma inteligência artificial? Todas essas reflexões perdem espaço na trama e são retomadas de maneira mais superficial no final. Apesar de não esperar que o livro abordasse o assunto com profundidade, me incomodou o fato dele ter perdido espaço para o desenvolvimento de situações tolas.
“A questão é a seguinte: depois que um de nós se torna autoconsciente, quando pode finalmente pensar por si mesmo, anseia por pôr um fim à terrível intensidade de todo esse processamento numérico, desse Orinoco de dados, da torrente incessante de uns e zeros.”

Como eu disse na resenha, um leitor nunca deve criar altas expectativas antes de iniciar uma leitura. E acredito que se eu não tivesse esperado tanto de Felicidade para humanos, eu teria aproveitado muito mais. No entanto, ainda foi uma leitura agradável e divertida. O livro traz uma boa mistura de chick-lit e ficção científica, com uma trama leve e original, e personagens tão cativantes, que duvido que alguém conseguir terminar a leitura sem desejar um Aiden em sua vida. Assim, recomendo Felicidade para humanos para os fãs destes gêneros ou os que desejam começar a conhece-los, mas que não esperem grandes reflexões a partir da leitura.
E aí, quem já leu Felicidade para humanos? Me contem aí o que acharam ou se ficaram curiosos para fazer esta leitura. O livro foi lançado semana passada e vocês podem adquiri-lo aqui.