[Resenha] Agora e sempre

6 de jun de 2019


Olá, pessoal! Como você estão? Hoje eu venho trazer uma resenha que venho enrolando há bastante para escrever, porque ainda não me sentia preparada. O livro Agora e Sempre, da Judith McNaught me despertou emoções muito fortes e foi difícil encontrar palavras para expressar bem o que senti enquanto lia e explicar o que despertou esses sentimentos.
Ouvi muitos comentários de que Agora e Sempre era um romance de época bem diferente do que estamos acostumados a ver e eu é mesmo. Porém, ele é também muito mais polêmico e eu não passei imune a isso. Portanto, se preparem que eu tenho muito a falar sobre essa leitura. Mas não se preocupem que eu não vou contar quais acontecimentos causaram tanta discórdia.

Autora: Judith McNaught
Tradução: Cristina Laguna Sangiuliano Boas
Editora: Bertrand Brasil
Páginas: 350
Classificação: + 18 anos
Onde comprar: Amazon
Exemplar recebido de parceria com a editora
Sinopse: “O premiado romance histórico da autora best-seller Judith McNaught com orelha assinada por Carina Rissi. Após perder os pais em um trágico acidente, Victoria Elizabeth Seaton é enviada para a Inglaterra, onde se espera que reivindique seu lugar de direito na sociedade inglesa. Assim que chega à suntuosa propriedade de Jason Fielding, ela é vista por seu tio Charles como a mulher perfeita para o sobrinho. Assustada com a má fama do marquês de Wakefield, Tory jamais pensaria que sob a frieza e a amargura de Jason haveria lembranças de um passado doloroso a atormentá-lo. Ele, por sua vez, acredita ser incapaz de amar de verdade, quem quer que seja. Juntos, Victoria e Jason descobrirão até que ponto se pode conter um coração que quer se entregar e todos os obstáculos que só um amor verdadeiro é capaz de vencer.” 
Em Agora e Sempre, a jovem Victoria Sealton precisa se mudar com a irmã para a Inglaterra após a morte dos pais em um acidente. Elas deverão viver com parentes da mãe, porém, precisarão ficar separadas. Enquanto a irmã é recebida pela bisavó, Victoria acaba indo viver na casa de um primo distante, o lorde Jason Fielding.
O que ela não esperava é que o primo pudesse se mostrar tão hostil com ela. Porém, sem ter para onde, ela acaba se vendo forçada a conviver com Jason e começa a perceber que, por mais que ele a irritasse e confundisse, também despertava nela uma inesperada atração. E o lorde, por sua vez, também não estava imune a personalidade e ao carisma da menina. Assim, com um grande empurrãozinho do tio dele, Victoria e Jason começam a descobrir sentimentos que não imaginavam que poderiam sentir.

Porém, será que isso seria o suficiente para apagar um passado de traumas e decepções?


A primeira coisa que eu preciso dizer sobre esse livro é que, para mim, ele se divide em dois. Na primeira metade, eu me diverti muito com a leitura e realmente me encantei com a escrita da autora. Da metade para frente, apesar de continuar com um bom ritmo, foi uma sequência de decepções que fizeram com que eu me irritasse mais a cada página. Portanto, vou apresentar primeiro os motivos que me fizeram gostar e depois o que me decepcionou (sem spoilers, não se preocupem).
O que fez com que eu me envolvesse de cara com o livro foi a escrita envolvente da autora e a forma direta com que ela apresenta os personagens e a realidade dos casamentos da época. Além disso, ela desenvolve a história de uma maneira muito dinâmica, dosando bem os momentos mais leves, com o romance e os dramas dos personagens. Assim, a leitura flui muito bem e não dá nem para sentir as páginas passando.
Outro ponto que foi fundamental para o meu envolvimento com o livro logo no início foi o carisma da protagonista. Victoria, ou simplesmente Tory, é uma personagem sensível e cativante, mas também forte, determinada e muito franca. Ela não tem medo de expor sua opinião e não abaixa a cabeça para ninguém, mantendo sua dignidade e suas convicções. Isso fez com que eu me encantasse com ela logo nas primeiras páginas e passasse a torcer muito por sua felicidade.
Já sobre o mocinho, Jason, não dá para dizer o mesmo. Ele é cínico, amargurado e grosso, tendo raros momentos em que se tornava um pouco mais agradável. Isso normalmente não me incomoda em livros, já me encantei por vários personagens que faziam o tipo ranzinza, mas que dava para ver que no fundo eram boas pessoas. Infelizmente, o Jason não me convenceu e eu não simpatizei com ele em momento nenhum.
No entanto, na primeira metade do livro o carisma da Victoria acabou me levando a torcer pelo casal. Ela é tão cativante e tem um jeito tão determinado de colocar o Jason no lugar dele que eu realmente acreditei que isso acabaria tornando o romance convincente e, principalmente, capaz de me cativar. Além disso, os diálogos entre os dois são divertidos e a relação é desenvolvida de um jeito muito natural, o que é um ponto muito positivo do livro.
O problema é da metade para a frente do livro. Há uma cena muito forte (e, na minha opinião, desnecessária), que muda tudo na história dali para frente. Por si só, ela já seria um ponto negativo do livro, ainda mais que acabou com qualquer possibilidade de eu vir a tolerar o Jason. Porém, o desenrolar do livro a partir daí foi extremamente problemático, com outra cena igualmente forte, o que fez com que eu me irritasse mais a cada página.
O que eu vi na segunda metade do livro foi uma sucessão de revelações, nem um pouco surpreendentes, que vieram só para justificar ações do Jason que não podem ser perdoadas. E o pior é que, para romantizar esse personagem, a autora acaba sacrificando todos os pontos que me fizeram gostar da Tory. Ela que era tão determinada e franca no começo do livro, se torna uma personagem passiva, manipulável e que fica se arrastando atrás do macho babaca.
São páginas e mais páginas de vitimização de um personagem que não é a vítima e distorção dos fatos para colocar a culpa na mulher. E isso ainda é justificado com frases do tipo “ah, mas era a sociedade da época”, “era uma cultura muito machista mesmo”, “a autora só estava retratando o período”. Primeiro que retratar uma época é muito diferente de romantiza-la. É possível mostrar o que acontecia em um determinado período sem tentar justificar ações injustificáveis. 



Além disso, o que mais me deixou inconformada foi ver pessoas falando que não tinha problema romantizar as situações retratadas porque era uma outra época, com uma cultura diferente da nossa. Que bom saber que o machismo e as relações abusivas acabaram e a gente pode encarar isso como algo do passado né? Seria tão triste se as mulheres ainda vivessem isso hoje em dia... Ah não, pera! Para quem não sabe, machismo ainda é real e mulheres morrem todos os dias nas mãos dos companheiros.
Não preciso nem dizer que, da metade para frente, é óbvio que eu já não conseguia torcer pelo casal. E, pior ainda, sequer tinha qualquer simpatia por eles. Por mais trágico que seja o passado do Jason, eu só conseguia sentir ranço por ele. E a Victória se revelou tão fraca e manipulável que foi impossível manter qualquer admiração por ela. E se, em um romance, você não gosta do casal principal e não torce para eles ficarem juntos, fica bem difícil aproveitar a leitura né?
Para completar, os demais personagens da trama são tão manipuladores que simplesmente não conseguia simpatizar com eles também. Com exceção dos criados do Jason, que apesar de fofoqueiros eram bastante divertidos, todos os outros tiveram pelo menos algum comportamento no mínimo questionável ao longo trama – o que obviamente foi justificado e romantizado pela autora também.
Com relação à escrita dela, o que eu posso dizer de bom é que é fluida, mantém um bom ritmo para a trama e retrata muito bem o período. As descrições foram muito bem-feitas por ela e não deixaram a leitura cansativa. Porém, ela pecou ao romantizar situações que não poderia e acrescentar situações que não contribuíram em nada para o livro e ainda trouxeram uma mensagem muito negativa.
E não posso deixar de mencionar também a edição da Bertrand Brasil. A capa é lindíssima; para mim, uma das mais bonitas de romances de época. Além disso, as páginas amareladas e o bom tamanho da fonte contribuem muito para uma leitura bastante confortável. Minha ressalva é a ausência de um aviso de que esse livro contém gatilhos. As cenas são fortes e explícitas, portanto, deveria haver algum tipo de alerta.
De um modo geral, Agora e Sempre tinha tudo para ser um romance de época incrível. Ele foge dos padrões e traz um retrato muito mais realista da época do que estamos acostumados a ver. Uma pena que o realismo tenha sido só nos momentos mais chocantes e o restante seja uma sucessão de romantização e tentativas de justificar o absurdo. Me decepcionei ao ver a mensagem de que o amor é capaz de transformar usada de uma maneira tão distorcida e, francamente, perigosa. Porém, sempre defendo que cada um leia e tire suas próprias conclusões. A escrita da autora é boa e certamente vocês não encontrarão uma leitura monótona.

[Resenha] 36 perguntas que mudaram o que sinto por você

3 de jun de 2019


Olá, pessoal! Tudo bem? Recentemente eu recebi um livro da Galera Record junto com uma cartinha tão especial que tive que furar a fila e começar a leitura imediatamente. Estou falando de 36 perguntas que mudaram o que eu sinto por você, da Vicki Grant. Eu confesso que, a primeira vez que vi esse livro, imaginei que se trataria de um livro de contos. Então, fiquei muito surpresa quando vi na carta que se tratava de um romance Young Adult.

E, que fique claro, essa foi uma surpresa muito boa. Fazia tempo que eu não lia algo nesse estilo e já estava sentindo falta. Sabe quando você está precisando de um uma leitura leve e divertida, para relaxar? Então, esse livro veio muito a calhar para mim. Eu acabei devorando desde que ele chegou e agora vou poder contar para vocês o que achei da leitura.

Autora: Vicki Grant
Tradução: Petê Rissati
Editora: Galera Record
Páginas: 252
Onde comprar: Amazon
Exemplar recebido de parceria com a editora
Sinopse: “36 perguntas que mudaram o que sinto por você é inspirado por um estudo real de psicologia, popularizado pelo The New York Times e a coluna "Modern Love". Hildy e Paul têm as próprias razões para participar de um estudo do departamento de psicologia da universidade local que tem o intuito de “facilitar uma proximidade pessoal e, talvez, resultar em um relacionamento”. O experimento consiste em 36 perguntas, algumas inofensivas, como Quando foi a última vez que cantou sozinho?; outras nem tanto, como Qual sua mais terrível memória? As questões ajudam os dois a desnudar para o outro ― e para si mesmos ― sentimentos muitas vezes reprimidos. Segredos são revelados; vulnerabilidades, expostas. Hildy e Paul chegam ao fim do questionário entre risos e lágrimas, e baiacus voadores! Mas a pergunta mais importante permanece: eles se apaixonaram?”

Um estudo popularizado pelo The New York Times afirma que seria possível levar dois estranhos a se apaixonarem, fazendo com que eles respondessem honestamente 36 perguntas e depois se encarassem por quatro minutos. E esse estudo acabou servindo de inspiração para a autora Vicki Grant no livro 36 perguntas que mudaram o que eu sinto por você.
Nele, conhecemos Paul e Hildy, dois jovens que não poderiam ser mais diferentes e que por razões bastante distintas concordaram em participar de um estudo que buscava comprovar essa teoria. Ao começarem a responder às 36 questões propostas, eles logo percebem que elas poderiam levá-los a revelar mais do que estavam preparados para expor e a fazê-los encarar coisas que preferiam deixar de lado.
Assim, entre perguntas inocentes e outras que faziam com que eles abrissem a alma, Paul e Hildy percebem que são capazes de enlouquecer um ao outro, mas também de compreender os segredos que carregavam muito melhor que supunham. Assim, entre as diferentes perguntas, vemos esses dois rirem, se provocarem, chorarem e encararem difíceis verdades. Seria isso o suficiente para fazer duas pessoas se apaixonarem.



Eu preciso confessar que esse livro já me ganhou logo nos primeiros capítulos. Os primeiros diálogos entre Paul e Hildy são hilários e eu já torci pelo casal logo no início. Eles não poderiam ser mais diferentes, mas, apesar de clichê, isso acabou rendendo provocações e muitas ironias que me fizeram dar boas risadas. Além disso, mesmo que à primeira vista os dois parecessem opostos, é evidente que os dois possuem muito mais camadas do que vemos e que têm mais em comum do que imaginavam.
E, falando sobre esses dois personagens, eles começam bastante estereotipados. Hildy é a típica boa menina: dedicada, estudiosa, preocupada com a família, tímida e obediente às regras. Já o Paul é o clássico badboy; arrogante, encrenqueiro, cínico e desleixado. Porém, a cada pergunta que respondem, fica mais claro que essa era só a fachada para esconder os fardos pesados que carregavam.
“Eu gostaria de ter a capacidade de ver como você realmente é por baixo de toda essa pose e palavras difíceis e do sobretudo de homem ou barraca de exército, ou seja lá o que for que você está vestindo. Você pode dizer etéreo e saber o que é bom pra cacete em armários de cozinha sem puxador, mas você não engana ninguém. Só decidiu qual parte do fisco deseja divulgar. Meu palpite é que sua família é tão ferrada quanto todo mundo.”
                                        
No caso de Hildy, esse peso ficou mais evidente para mim desde o começo. Ela foi criada em um mundo perfeito, que parecia estar desmoronando na sua cabeça. Apesar do seu jeito atrapalhado e divertido logo no começo, dá para ver que é uma menina sensível e que está lutando para juntar os pedaços da sua vida que estão despedaçando. Nesse sentido, eu consegui entender muito melhor essa personagem e até sofrer com ela. Porém, em alguns momentos achei que ela ficou um tanto forçada: é ingênua demais, dramática demais, atrapalhada demais... A autora pesou um pouco a mão e, por mais que no geral eu tenha gostado dela, teve momentos que eu já estava perdendo a paciência.
O Paul, por outro lado, me ganhou logo nas primeiras páginas e não me decepcionou. Ele é cínico e arrogante no começo, mas de um jeito divertido e que deixava ver que havia mais por trás da máscara. E tinha muito mais. Apesar do segredo dele não ser nem um pouco surpreendente, era algo realmente muito doloroso e que justificava muito da personalidade.

“Você gosta de bancar o insensível e fingir que só pensa em você, mas acho que é só teatro. Tenho a sensação de que alguma coisa, como o significado real da verdade, preocuparia você.”

Além disso, achei que a autora acertou muito no desenvolvimento desse personagem. Ele é inteligente, carismático e, apesar do jeito de badboy, muito maduro para sua idade. Quanto mais a fachada que ele construiu ia se desfazendo, mais eu gostava dele. A trajetória de Paul mexeu muito mais comigo do que a da Hildy e isso fez com que ele fosse, de longe, o meu personagem preferido no livro.



Com relação aos personagens secundários, eles não ganham tanto espaço na trama, mas desempenham papéis importantes. Em especial, a família da Hildy é fundamental para compreendermos essa personagem e o que ela estava vivenciando. Apesar de não serem muito carismáticos – com exceção do Gabe, irmão mais novo da Hildy que cativa o leitor em alguns momentos – eles têm uma função na história e cumprem seu papel.
Já sobre o desenvolvimento da trama, não tenho o que reclamar. Achei que a história se desenvolve em um ritmo muito agradável, que permite ao leitor conhecer os personagens e acompanhar o desenvolvimento da relação deles, sem ficar cansativa ou deixar a leitura lenta. O romance é muito fofo e foi construído de uma forma natural, sem soar apressado ou forçado em momento nenhum.
“Sabe, acho que você está bem longe de ser tão mau quanto gosta de fingir que é. Vi aquela centelha de emoção verdadeira em seus olhos quando admitiu ter cantado para alguém, e seu sorriso... Quero dizer, seu sorriso, quando não está sendo totalmente desagradável comigo e ficando inexplicavelmente chateado com o mundo... É bonito, tipo, sabe, adorável.”
E não posso deixar de falar sobre a edição. Além da capa que ficou linda e combina totalmente com a história, o livro é cheio de ilustrações e com fontes que variam para representar os diálogos e as mensagens no Facebook. Fica evidente o capricho da Galera Record, que com certeza pensou em todos os detalhes.
Deste modo, 36 perguntas que mudaram o que sinto por você foi uma grata surpresa para mim. Com uma premissa diferente, mas despretensiosa, ele acaba sendo uma leitura leve, divertida e capaz de deixar o leitor com uma sensação de quentinho no peito. Foi meu primeiro contato com a escrita da Vicki Grant, mas sem dúvida me deixou curiosa para ler outros. Para quem procura um romance leve e tranquilo, é uma leitura que certamente irá agradar.
            

[Resenha] The Chase: A busca de Summer e Fitz

27 de mai de 2019


Olá, pessoal! Tudo bem com vocês? Não tenho conseguido postar com muita frequência, porém, estou finalmente colocando as leituras em dia e vou poder trazer as resenhas para vocês. Então, hoje vim falar de um dos livros que li recentemente: The Chase: A busca de Summer e Fitz, da autora Elle Kennedy.
Para quem não conhece, a autora também escreveu outra série que ficou muito famosa no Brasil, Amores Improváveis. Confesso que, apesar de ter amado o primeiro livro daquela série, o segundo me decepcionou bastante e eu acabei desistindo. Porém, quando recebi The Chase muitas pessoas me incentivaram a ler e eu decidi dar uma chance.

Eu terminei a leitura recentemente e agora vou poder contar para vocês o que achei. Será que a autora me decepcionou novamente ou conseguiu me surpreender? Confiram a resenha para saber.

Autora: Elle Kennedy
Editora: Paralela
Páginas: 400
Classificação: +18 anos
Exemplar recebido de cortesia da editora
Onde comprar: Amazon
Sinopse: “Todo mundo diz que os opostos se atraem. E deve ser verdade, porque não tem nada que explique minha atração por Colin Fitzgerald. Ele não faz meu tipo e, o pior de tudo, me acha superficial. Essa visão distorcida que ele tem de mim é o primeiro ponto contra. Também não ajuda que ele seja amigo do meu irmão. E que o cara que mora com ele tenha uma queda por mim. E que eu tenha acabado de me mudar para a casa deles. Mas isso não importa. Estou ocupada o bastante com uma faculdade nova, um professor que não larga do meu pé e um futuro incerto. Além do mais, Fitzy deixou bem claro que não quer nada comigo, embora tenhamos uma química de dar inveja a qualquer casal. Nunca fui de correr atrás de homem, e não vou começar agora. Então, se o meu roommate gato finalmente acordar e perceber o que está perdendo… Ele sabe onde me encontrar.”

Após ter sido expulsa da Universidade de Brown, Summer conseguiu ser aceita em Briar. A ideia dela era se mudar para a fraternidade e recomeçar na nova universidade. Porém, os seus planos já começam sendo frustrados quando ela não é aceita na fraternidade e fica sem lugar para morar. Sua única opção acaba sendo dividir apartamento com três amigos do seu irmão, incluindo Fitz, o cara por quem ela tinha uma quedinha desde sempre.
O problema é que um mal-entendido fez Summer acreditar que Fitz não tinha nenhum interesse nela e ainda a considerava fútil e mimada. Porém, apesar de achar mesmo que Summer era um pouco mimada, aquilo não passava de uma forma de proteção que Fitz encontrou para negar o que realmente sentia por ela.
No entanto, morando sob o mesmo teto, é claro que não iria demorar para a atração que existia entre eles ficar mais evidente. E, com a convivência, Summer e Fitz começam a perceber que não se conheciam tão bem quanto imaginava. Talvez, pessoas que pareciam ser tão diferentes, tivessem muito mais em comum do que esperavam.




A primeira coisa que eu preciso dizer sobre esse The Chase é o quanto a escrita da autora Elle Kennedy é envolvente. Sabe aquele livro que você pisca e já leu 50 páginas? É esse! Eu não percebia o tempo passar enquanto lia e fiquei totalmente envolvida com a leitura.
Outro ponto que gostei bastante é que a autora conseguiu fazer com que eu me apegasse aos personagens rapidamente. Tanto Summer quanto Fitz são muito carismáticos e, principalmente, muito humanos. Não vou negar que eles têm seus defeitos: os dois são muito teimosos e inseguros, Summer é impulsiva demais e Fitz um tanto covarde. Porém, tudo isso foi desenvolvido de uma maneira que permitia compreender as ações deles (na maior parte do tempo) e os aproximava do leitor.
Com relação à trama, achei que ela se desenvolve de uma maneira muito dinâmica, mas sem apressar o romance. Summer e Fitz já se conheciam há algum tempo e o sentimento deles vai se intensificando com o tempo e a convivência. Ou seja, não temos aqui aquele romance instantâneo e apressado que sempre me irritam.

Também gostei muito do fato de que, além do romance, a autora trabalhou os conflitos internos dos protagonistas. A Summer, principalmente, tinha várias questões que justificavam seus medos e inseguranças e explicavam a necessidade que ela tinha de ser aceita. Confesso que os motivos do Fitz, para mim, foram um pouco mais superficiais e tive mais dificuldade de aceitar algumas atitudes dele. Porém, é um personagem tão íntegro que acabei relevando e torcendo por ele também.




Minha única ressalva foi o excesso de insegurança que os dois demonstraram. Tinha momentos que eu queria entrar no livro e gritar com eles para pararem de se subestimar. Um não se considerava bom o suficiente para o outro, o que, somado com a falta de comunicação entre eles, fazia com que acontecesse uma série de mal-entendidos. Isso não seria um problema se não fosse algo recorrente no livro, o que acabou ficando um pouco repetitivo e irritante.
Por outro lado, eu amei os personagens secundários. Adorei os outros amigos que dividem apartamento com o Fitz e a Summer. O Hunter, em especial, teve muito destaque e fiquei curiosa para saber o que irá acontecer com ele nos próximos livros. Porém, o grande destaque é Brenna, a amiga de Summer. Ela é uma personagem que fala o que pensa, tem personalidade e um ótimo senso de humor. Não vejo a hora de ler o livro dela, pois acho que é uma personagem que merece mais destaque.
Não posso deixar de mencionar também que a autora aborda questões muito importantes. Uma delas foi o fato de Summer ter Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), o que ocasionava uma maior dificuldade de aprendizado. Apesar de não ser um assunto abordado com profundidade, foi interessante a forma como a autora retratou as dificuldades da personagem. Há ainda um outro assunto muito grave abordado, mas que não direi qual é para não dar spoiler. Ele também não foi aprofundado, mas já achei válido como um alerta.
De um modo geral, The Chase: A busca de Summer e Fitz não chega a ser um romance arrebatador, mas se mostrou uma leitura muito gostosa. É uma história simples, mas com personagens cativantes e que conquistam a torcida do leitor. Apesar de ter alguns tropeços, o livro me surpreendeu e recuperou minha vontade de ler os livros da autora. Já estou ansiosa para os próximos volumes da série Briar U serem lançados no Brasil.

[Cinema] O sol também é uma estrela

18 de mai de 2019


Todo leitor sabe o misto de alegria e apreensão toda vez que é anunciada uma adaptação de um livro. Não foi diferente quando fiquei sabendo que O sol também é uma estrela, da Nicola Yoon, iria virar filme. Como comentei na resenha aqui, eu adorei esse livro, que acabou, com uma trama aparentemente simples, me tocou e se tornou um dos meus queridinhos da vida.
Já dá para vocês imaginarem o quanto fiquei dividida entre a empolgação por poder ver uma história que me conquistou tanto indo para as telas e o medo de que o filme não fizesse jus à obra original. Então, foi com o coração pequenininho que finalmente assisti O sol também é uma estrela e agora vou poder contar para vocês o que achei.


Original: The sun is also a star
Diretora: Ry Russo-Young
Elenco: Yara Shahidi, Charles Melton, John Leguizamo, Gbenga Akinnagbe, Jake Choi, Cathy Shim.
Distribuição: Warner Bros. Pictures
Duração: 1h40 min
Ano: 2019
Sinopse: Natasha é uma jovem extremamente pragmática, ela não acredita em destino, apenas em fatos explicados pela ciência. Em menos de doze horas, a família de Natasha será deportada para a Jamaica, mas antes que isso aconteça ela vê Daniel e se apaixona subitamente, colocando todas as suas convicções em cheque.
                              
Para quem não leu o livro e não sabe do que se trata a história, o filme acompanha um dia na vida de dois adolescentes cujos caminhos se cruzam acidentalmente. Natasha é uma jamaicana que cresceu nos Estados Unidos, desde que sua família se mudou ilegalmente para lá quando ela era criança. Prestes a começar o último ano do Ensino Médio e cheia de planos para o futuro, ela e seus pais e seu irmão estão prestes a serem deportados. Ela tem só mais um dia para tentar um último recurso que permita a eles continuar no país. Já Daniel está a caminho de sua entrevista para a universidade. Vindo de uma família de coreanos, Daniel sempre tentou conciliar os costumes da família e o modo de vida do país que nasceu. Porém, agora ele está dividido entre o desejo dos pais de que ele se torne um médico e seu sonho de se tornar um poeta.

Quando os dois se conhecem, Daniel tem certeza de que foi o destino. No entanto, Natasha é mais cética e acredita que foi apenas uma coincidência. Então, Daniel tem apenas um dia para mostrar a ela que o universo pode estar querendo aproximá-los e que o amor, por mais improvável que seja, pode sim ser comprovado.

FOTO: WARNER BROS. PICTURES

Uma das coisas que mais me deixaram confiante para assistir esse filme é o quanto os atores se encaixaram no que imaginei dos personagens. Assim que saiu a primeira imagem, eu vi a Natasha e o Daniel perfeitos e isso aumentou muito a minha confiança. Nesse sentido, não me decepcionei. Os dois conseguiram captar a essência de seus personagens e me cativaram logo nos primeiros minutos em cena.
E não posso deixar de mencionar o quanto foi bom ver mais representatividade em um filme de romance. Infelizmente, ainda há muito racismo na indústria do cinema e, por conta disso, falta muita diversidade em suas produções, principalmente em filmes considerados mais comerciais. Então, foi maravilhoso ver uma atriz negra e um ator de descendência asiática protagonizando uma produção de Hollywood. Ainda é um passo pequeno, mas é sempre bom ver que aos poucos a indústria (e quem sabe a sociedade) está mudando.

Por ser um filme muito centrado em seus protagonistas, o bom entrosamento dos atores acabou se mostrando fundamental. Os dois são muito carismáticos, fazendo com que seja fácil se envolver com a história deles. Além disso, gostei muito que o filme, apesar de focado no romance, não deixou de lado o desenvolvimento de Natasha e Daniel como indivíduos. Assim, vemos o drama de Natasha por estar sendo obrigada a abandonar o país que sempre considerou seu lar, assim como o conflito interno de Daniel entre os seus sonhos e as expectativas de sua família.

FOTO: WARNER BROS. PICTURES


De um modo geral, achei um filme muito gostoso de assistir. O romance é fofo e conquista a nossa torcida desde o início. A interação entre os dois protagonistas é natural e cativante, permeada por diálogos divertidos e sem exagerar na dose do drama. Além disso, o longa conta com um roteiro dinâmico, uma ótima trilha sonora e uma fotografia que explora bem as paisagens de Nova York.
Porém, como toda adaptação, sempre tem aquelas partes que quem leu o livro sente falta. Um dos aspectos que eu mais gostei quando li O sol também é uma estrela é o fato de que a autora não se ateve apenas ao casal principal, mas foi apresentando as histórias de todos aqueles que cruzaram o caminho deles ao longo daquele dia. Essas tramas paralelas contribuíram muito no livro, pois levantaram reflexões sobre o quanto os seres humanos são conectados e podem influenciar a vida uns dos outros.
No entanto, isso no livro fica deixado de lado. A trama do longa é muito centrada no casal principal e nos seus dramas individuais. Há algumas reflexões interessantes sobre o destino, o que é coincidência e o que é influência do universo, além de questões como o racismo, as dificuldades que os imigrantes vêm sofrendo nos Estados Unidos e a identidade cultural. No entanto, isso é abordado de maneira bem mais superficial.
De um modo geral, o filme O sol também é uma estrela não conseguiu me tocar como o livro que o originou fez. Porém, ainda é um romance gostoso de acompanhar, com boas atuações e personagens muito carismáticos. Além disso, só por ter tanta representatividade, já foi um alívio se comparado com o padrão dos romances hollywoodianos. Deste modo, os pontos positivos acabaram superando os problemas e, mesmo que meu lado leitora não tenha ficado completamente satisfeita, eu gostei muito de assistir ao filme e recomendo muito para quem curte um bom romance.

Nostalgia Book Tag

13 de mai de 2019



Hoje eu vim responder uma tag incrível que eu vi no canal da Luanna do @pausaparalivros (se vocês não conhecem ainda, façam o favor de se inscrever aqui). A tag é toda inspirada em músicas que marcaram a década de 90 e o início dos anos 2000. Ou seja, quem viveu essa época pode se preparar para a sessão nostalgia e quem não viveu vai conhecer músicas maravilhosas.
Como vocês já devem imaginar, a tag relaciona músicas com livros. Então, podem preparar papel e caneta, apertar play e se preparar para muitas dicas de livros ao som de músicas maravilhosas.
.
.
🎵Misunderstood, Bon Jovi - Um livro cheio de mal entendidos / Personagem que entende tudo errado:

Essa foi uma escolha fácil: Como agarrar uma herdeira, da Julia Quinn. Para vocês terem uma noção, o mocinho confunde a protagonista, que está fugindo do tutor ambicioso, com uma procurada espiã espanhola. Se existe um livro com um mal-entendido maior ou mais divertido do que esse, eu nunca li.
.
🎵Wherever you'll go, The calling - Um casal que não se desgruda:

Essa foi mais difícil, porque casais grudentos costumam me irritar. Sou romântica, mas paciência tem limite né? Porém, tem um casal que, apesar de não se desgrudar, são muito fofos e divertidos juntos: Natália e Alberto, na série Fazendo meu filme. Apesar de serem personagens secundários, eles são tão carismáticos e engraçados que é impossível não se apaixonar por eles e perdoar o fato de serem um tanto grudentos.
.
🎵Wonderwall, Oasis - Um personagem protetor:

Eu já li muitos livros com personagens protetores, mas muitas vezes isso é algo que me irrita, por conta de autores que exageram e acabam criando personagens machistas e controladores. Porém, tem um que considero a exceção à regra e que é meu maior crush literário: o Anthony de O visconde que amava. Apesar de também ser um pouco irritante às vezes, ele é um homem realmente preocupado com o bem-estar da família e daqueles que ama. Porém, apesar de um pouco teimoso (ok, muito), ele não confunde proteger com sufocar, e sempre dá o apoio que aqueles à sua volta precisam.

🎵Íris, Goo Goo Dolls - Um livro com romance e autodescoberta:

Eu já li vários livros assim, porém, na hora de responder eu demorei horas para conseguir pensar em um. E o escolhido foi Um verão na Itália, da Carrie Elks. Além de um romance lindo e apaixonante, esse livro mostra toda a jornada de autoconhecimento da sua protagonista, que precisa enfrentar os traumas do passado e redescobrir seu talento e quem ela realmente era.

🎵Miss you love, Silverchair - Um personagem marrento que se apaixonou:

Ah gente foi impossível não pensar no lindo e, muitas vezes, marrento Sebastian St Vicent, em Pecados no Inverno. Ele é aquele personagem que sabe ser arrogante, tem plena consciência que é bonito e charmoso, mas, mesmo com toda a aparência de conquistador, acaba se apaixonando. E nós, leitores, nos apaixonamos por ele também, claro!

🎵Kiss me, Sixpence None The Richer - Um beijo de tirar o fôlego:

Achei essa bem difícil, porque apesar de ler muitos romances, não foram muitas cenas de beijos que me marcaram. Porém, acabei me lembrando de um dos meus romances de época favoritos e que tem uma cena de beijo bastante inesperada, mas linda, logo no começo: Uma noite como esta, da Julia Quinn. Eu sou suspeita, porque acho o Daniel e a Anne um casal incrível, porém, a cena foi muito bem escrita e é fundamental para o desenvolvimento da trama.

🎵Here without you, 3 Doors Down - Casal que ficou um tempo separado:

Ah gente, como não lembrar da Fani e do Leo, de Fazendo meu filme. Oh casal que brincou com meu coração! Eles têm várias idas e vindas ao longo dos livros e mais de uma vez passam um bom tempo separados. Confesso que sofri acompanhando esses dois, mas até hoje a série está entre as minhas queridinhas da vida.

🎵Save me, Hanson: Um personagem que precisava de "salvação":

No começo, achei que essa pergunta serie bem difícil, mas depois vieram vários livros na minha mente. Porém, acabei optando pelo Paul, de Em pedaços, da Lauren Layne. Eu já falei sobre esse livro aqui, mas o Paul é um personagem que precisava desesperadamente ser salvo. Ele mergulhou em uma bolha de culpa e mágoa que fizeram com que ele vivesse atormentado e atormentando aqueles que estavam à sua volta. Porém, precisava de alguém que o tirasse desse luto e fizesse com que voltasse a enxergar o mundo e a vida que estava perdendo.

E vocês, gostaram da tag? Me contem aí nos comentários se já conheciam essas músicas e os livros citados. Quero saber também quais seriam as escolhas de vocês, então, não deixem de me contar.

[Resenha] The girl from everywhere - O navio além do tempo

7 de mai de 2019


Olá, pessoal! Hoje eu vim trazer a resenha mais difícil que já escrevi até hoje, então, já começo pedindo para vocês valorizarem meu esforço rsrs. O livro em questão é The girl from everywhere – O navio além do tempo, da autora Heidi Heilig.
Se vocês acharem o título familiar, é porque ele é continuação de The girl from everywhere – O mapa do tempo. Quem acompanha o blog talvez tenha lido a resenha que fiz sobre o primeiro volume (aqui) e saiba o quanto eu gostei daquela leitura. Foi um livro que superou minhas expectativas e entrou na minha lista de favoritos de 2018. Então, já dá para vocês imaginarem o quanto estava ansiosa para ler a continuação.

Eu não perdi tempo em garantir minha edição, que foi publicada esse semestre pela Editora Morro Branco. Finalmente, concluí a leitura no mês passado e agora vou poder contar para vocês o que achei.
Aviso: para quem não leu o primeiro livro, recomendo que não continue lendo a resenha pois ela tem informações sobre ele. 

Autora: Heidi Heilig
Editora: Morro Branco
Páginas: 432
Onde comprar: Amazon
Sinopse: “Nix passou sua vida inteira viajando para lugares reais e imaginários a bordo do Temptation, o navio de seu pai que é capaz de viajar no tempo. Mas é finalmente chegada a hora de assumir o seu leme, e o horizonte infinito se estende à sua frente, claro e promissor. Até que ela descobre estar destinada a perder a pessoa que ama. A terminar como o próprio pai: sozinha e de coração partido. Desesperada para mudar seu destino, Nix leva sua tripulação para uma utopia mítica em busca de um homem que promete ensiná-la a manipular o tempo e alterar a história. Mas tudo muda constantemente nesta ilha utópica e nada é o que parece. Nem mesmo seu relacionamento com Kash: melhor amigo, ladrão e charmoso profissional. Se Nix conseguir interpretar as marés em perpétua mudança, talvez finalmente consiga domar suas habilidades. Talvez consiga controlar seu destino também. Ou talvez seu tempo acabe, afinal.”

Após os eventos de O Mapa do Tempo, Nix finalmente tem a chance de assumir o Temptation, navio comandado por seu pai. Após ele finalmente escolhê-la em detrimento da busca incessante por sua falecida mãe, os dois agora têm um horizonte cheio de possibilidades. No entanto, tudo muda quando ela descobre uma profecia na qual ela estava destinada a perder aquele que amava para o mar. Com medo de seguir o mesmo destino de seu pai, ela está disposta a tudo para evitar que seu destino se cumpra.
É assim que Nix acaba levando todos do navio para um reino de uma utopia mítica, no qual ela esperava encontrar o homem que iria ensiná-la a mudar o passado. No entanto, nada ali é o que parece, e aquele mudo aparentemente perfeito escondia segredos e perigos que Nix sequer imaginava.




Ah gente, como eu queria dizer que gostei desse livro. Queria muito mesmo. Porém, essa foi a leitura mais decepcionante que fiz esse ano. Continuando do ponto em que seu antecessor parou, O Navio Além do Tempo se mostra tão diferente que nem parece escrito pela mesma autora.
Em O Mapa do Tempo, eu havia me encantado pelo universo apresentado, a trama envolvente e, principalmente, o carisma dos personagens. Porém, nesse segundo volume, não demorou para que eu percebesse que essa leitura seria completamente diferente. Para começa, Nix que havia sido uma protagonista tão forte e determinada, acabou se transformando em uma personagem imprudente e egoísta, que não se importa com os sentimentos dos outros e que vê apenas seus objetivos.
Não bastasse essa mudança drástica e sem explicação, há ainda o fato de que as ações de Nix são baseadas quase que única e exclusivamente em proteger aquele que ama. Assim, o livro acaba girando em torno de um amor adolescente e das tentativas desesperadas (e muito dramáticas) da protagonista de protege-lo. E o pior é que esse romance havia ficado apenas implícito no livro anterior. Então, toda essa paixão que Nix sentia acabou soando mais como um drama adolescente do que como um sentimento real.
E não foi só Nix que parece ter regredido de um livro para o outro. De um modo geral, os personagens que haviam sido um ponto forte no volume anterior, aqui se mostraram mal desenvolvidos e entediantes. Com exceção do Kashmir, que pelo menos manteve seu carisma, os demais ou foram pouco aproveitados ou se mostraram completamente monótonos e sem carisma. Há alguns novos personagens que pouco acrescentam e um vilão plano e sem nada que explicasse suas motivações.

Outro aspecto que me incomodou bastante foi a forma como a autora construiu a relação de Nix com seu pai. Esse havia sido o aspecto que mais gostei no livro anterior e que fez o final dele ser tão especial. Porém, isso foi abalado tanto pelo comportamento egoísta, e por vezes cruel, da Nix quanto pelo fato de que Slate fica praticamente esquecido durante boa parte da trama. O que é uma pena, considerando o fato de que é um personagem complexo e que teria muito a acrescentar nesse livro.


Já em relação ao enredo, senti que faltou foco e equilíbrio. Se antes a autora tinha conseguido dosar muito bem a fantasia, a aventura, drama e um pouco de romance, aqui ela exagerou na dose do dramalhão e colocou o romance no centro da história. Com isso, a trama perdeu muita força e se tornou cansativa. As motivações da protagonista não convencem, o universo apresentado não é tão interesse e o enredo é bastante confuso, o que deixou a leitura bastante arrastada.
Outro ponto que não posso deixar de mencionar é que o livro aborda um assunto muito sério, a dependência química, e isso tinha tudo para ser um ponto muito positivo. Porém, valeu só pela boa intenção. O tema ficou implícito em alguns momentos, mas foi abordado de maneira superficial e deixado de lado sem nenhum desenvolvimento ou explicação.
No entanto, não pensem que eu só tenho coisas negativas a dizer sobre The girl from everywhere – O navio além do tempo. A edição é, sem dúvida, uma das mais lindas que já vi. A Editora Morro Branco caprichou mais uma vez e o livro está impecável. Não encontrei nenhum problema de revisão, a capa é maravilhosa e a parte interna também. O livro ainda conta com mapas que têm tudo a ver coma trama e dão um charme a mais ao livro.
De um modo geral, eu posso definir esse livro em duas palavras belo e frustrante. Infelizmente, a linda edição não foi o suficiente para compensar os problemas de The girl from everywhere – O navio além do tempo e eu terminei a leitura desejando que a autora tivesse parado no primeiro livro. O final é aberto e deixa margem para uma continuação, caso a autora queira. Não sei se ela irá escrever, porém, eu não tenho a menor vontade de insistir em uma possível série.
No entanto, quero deixar claro que esta é apenas a minha opinião. Acredito que tenha ficado bastante claro na resenha que o livro não funcionou para mim, porém, outras pessoas gostaram bastante. Então, se vocês gostaram do livro anterior, acredito que vale a pena embarcar nesse segundo volume e espero que tenham uma experiência de leitura muito melhor do que a minha.
E, caso já tenham lido, me contem aí nos comentários o que acharam. Vou adorar conhecer a opinião de vocês.

[Resenha] O Destino das Terras Altas

30 de abr de 2019


Olá, pessoal! Hoje eu vim encerrar o mês com uma leitura que acabou se mostrando uma boa surpresa. Quem nunca esperou muito de um livro e acabou se frustrando ao ler? Eu já passei por isso várias vezes, porém, com O Destino das Terras Altas, da Hannah Howell, acabou acontecendo exatamente o contrário.
Primeiro volume da série Os Murrays, esse livro despertou minha curiosidade quando foi anunciado pela editora Arqueiro, por causa da capa linda e da premissa interessante. Porém, as críticas foram minando meu interesse e confesso que eu acabei tendo certeza de que iria detestar. Para minha surpresa, não é que eu gostei?
No entanto, não pensem que foi uma leitura sem problemas. Há muitos problemas que vou preciso destacar, muitas coisas que me incomodaram. Apesar disso, o livro está longe da imagem ruim que eu fiz e vou explicar os motivos a seguir.

Autora: Hannah Howell
Editora: Arqueiro
Tradução: Thaís Paiva
Páginas: 272        
Onde comprar: Amazon
Sinopse: “Em O destino das Terras Altas, primeiro livro da série Os Murrays, Hannah Howell nos apresenta o esplendor da Escócia medieval com uma saga de guerra entre clãs, lealdades divididas e amor proibido. Quando o destino coloca Maldie Kirkcaldy na mesma estrada que sir Balfour Murray e seu irmão ferido, ela lhes oferece seus serviços como curandeira. Ao saber que tem em comum com sir Balfour um juramento de vingança, decide seguir com ele para cumprir a sua missão. Mas ela não pode lhe revelar sua verdadeira identidade, sob o risco de ser acusada como espiã. Enquanto luta para negar o desejo que a dominou assim que viu o belo cavaleiro de olhos negros pela primeira vez, Maldie tenta a todo custo conservar o aliado. Balfour, por sua vez, sabe que não pode confiar nela, mas também não consegue ignorar a atração que nasceu entre os dois. E, ao mesmo tempo que persegue seu objetivo de destruir Beaton de Dubhlinn, promete descobrir os segredos mais profundos de Maldie e conquistar o seu amor. Para isso, não deixará que nada se interponha em seu caminho.”

Ambientado na Escócia medieval, O Destino das Terras Altas traz um romance em meio a um conflito de clãs. Sir Balfour Murray tem lidado por anos com conflitos com o vizinho Beaton de Dubhlinn, porém, a situação chegou a um ponto crítico quando este sequestrou seu irmão caçula. Com esse gesto, Balfour se viu forçado a marchar até o clã inimigo em busca do irmão.
E é ao voltar deste conflito que Balfour conhece Maldie Kirkaldy. Ela está na estrada e acaba se oferecendo para cuidar do irmão mais jovem dele, que está gravemente ferido da batalha. Assim como os Murrays, ela também é inimiga de Beaton e deseja se vingar dele. Por causa disso, Maldie decide se juntar ao clã de Balfour, mas sem revelar sua verdadeira identidade, com medo de que ele a considerasse uma espiã.
O que ela não esperava, era o forte sentimento que surgiria entre eles, fazendo com que temesse ainda mais que seu passado e desejo de vingança pudessem afastá-los. Balfour, por sua vez, sabia dos riscos de confiar em uma completa estranha, ainda mais tendo a responsabilidade de proteger o seu clã. Porém, uma coisa é a razão e outra bem diferente é a emoção. E, por causa disso, mesmo com todos os riscos, Balfour se vê cada dia mais apaixonado pela misteriosa curandeira e com medo de que ela pudesse destruir a ele e ao seu clã. 


Para falar sobre esse livro, eu não posso deixar de mencionar primeiro o que mais me incomodou e que me deixou com mais medo de não apreciar a leitura: o romance. Sei que é estranho falar isso de um romance de época, porém, a relação entre o casal principal foi mal construída e isso foi um grande problema. O sentimento que surge entre eles é instantâneo e, sinceramente, sem sentido.
Não apenas eles sentem uma atração imediata e fora de contexto (quem se sente atraído por alguém voltando de uma batalha, enquanto um irmão está gravemente e o outro sequestrado?), mas também o próprio desenvolvimento da relação é problemático. Faltam diálogos e uma convivência que justifiquem toda a paixão que os personagens sentia. Em questão de dias os dois estavam completamente apaixonados e com medo de ter o coração partido um pelo outro. Ou seja, mais um caso do famoso “instalove”.
Isso me incomodou bastante, porque eu não sentia veracidade naquela relação. Pareceu um sentimento que surgiu do nada, sem motivo nenhum e em um momento totalmente inconveniente. Assim, faltou sustentação e eu confesso que só fui começar a aceitar que Maldie e Balfour estavam apaixonados e torcer por eles da metade para o final do livro.
Mas vocês devem estar se perguntando como um romance de época em que o desenvolvimento do romance é tão problemático pode ter sido uma boa surpresa, né? Pois bem, eu tenho vários motivos que me fizeram aproveitar a leitura e me sentir positivamente surpreendida. O primeiro deles é, sem dúvida, o carisma dos personagens secundários. O que falta em Balfour e Maldie em alguns momentos, sobre nos demais, especialmente os irmãos dele. Aliás, não vejo a hora de ler o segundo livro e acompanhar as aventuras do Nigel. 



Outro ponto que gostei bastante foi a ambientaçã. A Escócia medieval, sem dúvida, é um cenário interessante para a história e a autora roube descrevê-la muito bem. Eu conseguia me imaginar naqueles lugares, o que deixou a experiência mais interessante. Além disso, ela trouxe muito dos costumes e dos conflitos da época, mostrando tanto a divisão entre os clãs escoceses, quanto a rixa com a Inglaterra.
Com relação à escrita da autora, eu tinha visto comentários de que era lenta e tediosa. No entanto, eu não senti isso em nenhum momento. Tirando os problemas na construção do romance, eu achei a escrita da Hannah Howel bem gostosa e envolvente. Mesmo que não tenha me encantado tanto quanto outros livros do gênero, foi uma leitura que fluiu muito bem e que gostei bastante.
Deste modo, fiquei feliz por ter dado uma chance a O Destino das Terras Altas. Mesmo que ele não tenha entrado para a minha lista de favoritos, esteve bem longe da leitura cansativa que eu pensei que seria. É um bom livro para passar o tempo no final de semana e que me deixou curiosa para dar continuidade a série.
E vocês, já leram? Me contem aí nos comentários se conhecem esse livro e se já leram ele ou outros da autora.