[Resenha] As três partes de Grace

14 de out de 2019


Olá, pessoal! Como vocês estão? Hoje eu vim trazer uma resenha muito especial, porque vou falar de um livro que já ganhou me coração no momento em que chegou para mim. Estou falando de As três partes de Grace, da Robin Benway, que recebi na VIB – Very Important Book – do Grupo Editorial Record, junto com uma cartinha que me deixou emocionada e louca para começar a leitura.
O livro ainda não foi lançado, mas recebi uma prova para leitura antecipada e claro que ele tinha que furar a fila né? Então, chegou a hora de contar aqui o que achei dessa história e, quem sabe, dar para vocês alguns motivos para conferirem esse livro assim que ele for lançado.

Então, sem mais delongas, vamos à história de As três partes de Grace e o que eu achei dessa leitura. Será que ele me fez acabar com a caixa de lenços? Só conferindo a resenha para saber.

Autora: Robin Benway
Editora: Galera Record
Páginas: 322
Exemplar cedido pela editora para leitura antecipada
Onde comprar: Pré-venda ainda não liberada
Sinopse: “Grace acabou de ter uma filha. E a entregou para adoção. Não foi uma decisão fácil, já que a própria Grace é adotada. Como escolher uma família para sua bebê? Como ter certeza de que ela terá bons pais? Era de esperar que tudo isso fosse emoção suficiente na vida de uma adolescente, mas ela também acabou de descobrir que tem dois irmãos. Maya é a única integrante de cabelos escuros naquela família de ruivos. As fotos pela casa mostram como ela é diferente de seus pais e de sua irmã Lauren, filha biológica do casal. Quando a família começa a passar por problemas e tudo parece prestes a desmoronar, Maya não consegue parar de se perguntar se aquele é o seu lugar. Quem é sua família biológica? Onde está seu lar? Joaquin é o irmão mais velho. Ele nunca foi adotado. Chegou muito perto por muitas vezes, mas algo sempre acabava dando errado. Agora ele vive com uma boa família acolhedora, cheia de amor e vontade de adotá-lo, mas o garoto, prestes a completar dezoito anos, não sabe se deve mesmo acreditar que o destino está lhe dando chances de ser filho de alguém. Criar laços afetivos não é fácil quando se passou a vida inteira sendo abandonado. Mas talvez suas irmãs possam lhe ajudar a vencer essa barreira. Em vista por amor familiar, companheirismo e, no fim das contas, por não se sentir sozinho no mundo, Grace, Maya e Joaquin vão contar uns com os outros na procura pela mãe biológica. E por si próprios.”

No dia em que deveria estar no baile da escola com o namorado e as amigas, Grace estava no hospital dando a luz à filha que entregaria para adoção. A vida dela já havia começado a mudar quando descobriu que estava grávida. Seu então namorado e a família dele deixaram claro que não tinham a menor intenção de apoiá-la e, na escola, os colegas se voltaram contra ela.
Porém, nada poderia preparar Grace para o vazio que sentiu ao entregar sua bebê para outra família. Por causa disso, ela tentou encontrar a pessoa que poderia entender o que estava sentindo: a mãe biológica que a entregou para adoção quando ela nasceu. Mas, na busca por essa mãe, Grace acaba se surpreendendo ao descobrir dois irmãos que não sabia ter: Joaquin, o mais velho, e Maya, a caçula dos três.
Maya também foi adotada por uma boa família ao nascer. Ela vivia com os pais adotivos e a filha biológica deles, nascida pouco tempo depois que Maya foi adotada. Mas, mesmo tendo sido criada com muito amor, ela tinha dificuldade em se sentir parte da família e saber onde se encaixava. Já Joaquin não teve a sorte de encontrar um lar. Desde que foi levado para adoção, passou por vários lares temporários e se acostumou a ideia de que nunca seria adotado. Mesmo estando vivendo há dois anos com um casal que realmente se importa com ele e quer adotá-lo, Joaquin ainda não acredita que algum dia terá uma família.

Grace, Maya e Joaquin têm seus dramas e traumas individuais, mas também têm dores que só eles podem entender. E quando o caminho dos três finalmente se encontra, eles vão tentar entender onde realmente se encaixa. Um caminho que vai leva-los a descobrir muito mais do que esperavam. 


Quando comecei a ler As três partes de Grace já estava me preparando para esgotar toda a água do meu corpo de tanto chorar. Felizmente, isso não aconteceu e eu permaneci bem plena ao longo da leitura, com poucas lágrimas derramadas. No entanto, isso não significa que essa não tenha sido um livro tocante. É quase impossível não se sensibilizar com essa história devido aos dramas tão profundos e reais que eles enfrentam.
Cada um dos três irmãos tem uma história sofrida e conflitos pessoais tão compreensíveis, mesmo para quem não viveu nada parecido, que é fácil se apegar e se emocionar com eles. Para mim, a história mais tocante foi a da Grace, até pelo tema que envolvia. Nunca tinha lido um livro que abordasse o tema adoção pela perspectiva de quem entrega o bebê e mexeu muito comigo ver o quanto foi difícil para Grace não apenas tomar essa decisão, mas lidar com ela depois. Além disso, ela ainda precisou enfrentar toda a hostilidade das pessoas que a julgaram por ter ficado grávida na adolescência, enquanto o pai do bebê seguia como se nada tivesse acontecido (porque, claro, a sociedade sempre dá um jeito de jogar a culpa na mulher né?).
Além dela, me encantei muito pelo Joaquin e pelo coração generoso dele. Dos três irmãos, ele é o que teve uma vida mais difícil e isso deixou marcas profundas nele. Por ter sido abandonado e rejeitado tantas vezes, Joaquin deixou de acreditar no seu próprio valor e na possibilidade de um dia ter um lar de verdade. Ele não se sentia digno do casal que queria adotá-lo e sequer da sua namorada. Mesmo sendo doloroso ver o quanto ele se depreciava e auto sabotava, mas também foi bonito ver a capacidade dele de amar outras pessoas e se importar com o próximo. Além disso, adorei acompanhar a evolução dele e seu caminho para superar os traumas do passado.
Dos três, eu confesso que a Maya foi quem menos me cativou e tive mais dificuldade de entender seus dramas. Em alguns momentos, achei seu comportamento bastante egoísta. Porém, aos poucos fui entendendo seus conflitos de identidade e a dificuldade que ela tinha de se sentir parte do lar onde cresceu. Mesmo não tendo me tocado como os outros dois fizeram, consegui entender essa personagem e torcer por ela.

E, além dos dramas individuais deles, foi lindo acompanhar a trajetória deles como irmãos. Três jovens que cresceram sem saber exatamente onde pertenciam e que, de repente, descobriam que tinham irmãos. Juntos, eles entraram em um caminho de autodescoberta, mas também foram aprendendo a alegria de ter alguém para apoiar e dividir os bons e os maus momentos. E, nesse sentido, foi lindo ver a relação entre eles se transformando de completos estranhos a irmãos.



Sempre gostei de livros que trazem dramas familiares, mas As três partes de Grace me surpreendeu ao trazer esse tema de maneira mais intensa e com questões muito tocantes. Além disso, a sensibilidade da autora tornou a leitura ainda mais encantadora. Por mais dolorosos que fossem os temas abordados, ela soube escrever de uma maneira delicada e sensível, deixando a leitura leve e fluída. Assim, não preciso nem dizer que esse é um livro capaz de despertar muitas emoções e que dificilmente algum leitor irá passar por essa leitura de maneira indiferente.
Não posso falar muito sobre a edição, porque recebi uma cópia antecipada e não revisada. Porém, preciso muito comentar sobre a capa que, além de linda, combinou completamente com a sensibilidade da história. Amei a escolha e tenho certeza que a edição final ficará linda.
O que me resta dizer é que As três partes de Grace não trouxe o tipo de emoção que eu esperava, mas foi um livro que me envolveu e encantou do começo ao fim. Foi uma leitura tocante tanto pelos personagens quanto pelas lições que a autora passou através de cada um deles. É um livro sobre adoção e família, mas também sobre perda, superação, perdão e recomeços, daqueles que conseguem acertar em cheio nosso coração e fazer refletir sobre a vida. Recomendo muito para quem busca uma leitura leve, mas sensível e profunda.


[Resenha] A Rainha Aprisionada

1 de out de 2019


Olá, pessoal! Como vocês estão? Quem tem o hábito de ler séries provavelmente já deve ter se deparado com a decepção de amar um primeiro livro e se decepcionar com a continuação. Mas já pararam para pensar na possibilidade de acontecer o oposto? Quem sabe se uma série que o primeiro livro não foi bom, o segundo não pode surpreender?
Eu confesso que, normalmente, não costumo dar chance quando não gosto do primeiro volume. Por esse motivo, não estava nos meus planos ler A Rainha Aprisionada, da autora Kirsten Ciccarelli. Ele é a continuação de A Caçadora de Dragões, livro que me decepcionou bastante no ano passado. Porém, acabei recebendo esse segundo livro e pensei por que não dar uma chance, não é mesmo?

E agora, depois de ter concluído a leitura, vim contar para vocês o que achei. Será que valeu a pena ter insistido na série? Para saber o que achei, só conferindo a resenha.

Autora: Kirsten Ciccarelli
Tradução: Eric Novello
Editora: Seguinte
Páginas: 376
Exemplar recebido de cortesia da editora
Onde comprar: Amazon
Sinopse: “No segundo volume da trilogia Iskari, uma nova heroína entra em cena para lutar pela liberdade de seu povo ― e de sua irmã ― em meio a um conflito que apenas começou. Firgaard foi governada durante décadas por um rei tirano e manipulador, capaz de condenar povos inteiros apenas para aumentar seu poder. Depois de uma grande batalha, Asha, sua filha, conseguiu derrotá-lo. E, assim, Dax, o primogênito, assumiu o poder ao lado de Roa, sua esposa. Roa é uma forasteira vinda das savanas ― um território sob o domínio de Firgaard, que há anos é oprimido e está prestes a entrar em colapso. O maior desejo da nova rainha, mesmo sabendo que não é bem-vinda em seu novo lar, é mudar a vida de seu povo. O que ela não esperava era encontrar uma chance de alterar o curso do destino e trazer de volta à vida sua irmã gêmea, Essie, morta quando criança em um terrível acidente. O único obstáculo? O novo rei.”

Dando continuidade aos eventos de A caçadora de dragões, A Rainha Aprisionada irá focar em outros protagonistas. Após a revolução, Dax se tornou o rei de Firgaard e Roa a sua rainha. Porém, o clima no reino é instável. Dax é visto como um rei fraco e muitos parecem estar esperando a primeira oportunidade para se aproveitar disso. Além disso, Roa é vista com desconfiança por se tratar de uma nativa e, por conta disso, uma inimiga para muitos.
Porém, os problemas não são apenas externos ao palácio. Roa e Dax não conseguem se entender e ela mesma começa a desconfiar da capacidade dele de cumprir todas as promessas de mudança que fez. Preocupada com o bem-estar do seu povo, Roa começa a questionar sua decisão de se casar com Dax. Mas não demora para preocupações ainda mais sérias surgirem em sua mente.

Anos antes, ela havia perdido sua querida irmã, Essie. Porém, a garota nunca a deixou de fato. E agora Roa descobriu haver uma possibilidade de trazê-la de volta à vida. Porém, o preço a pagar poderia ser alto demais. Seria ela capaz de arriscar tudo o que tinha e colocar outros em perigo, incluindo seu marido, para mudar o triste destino de Essie?


A primeira coisa que preciso dizer sobre A Rainha Aprisionada é que esse segundo volume se beneficia muito da mudança de protagonistas. Apesar de continuar os eventos do livro anterior, esse segundo volume muda o foca e, felizmente, o casal principal é muito mais carismático que o antecessor. Quem leu minha resenha sobre A caçadora de dragões sabe que eu adorei o Torwin e que ele e os dragões fizeram a leitura valer a pena para mim, mas a Asha era simplesmente insuportável. É uma das protagonistas mais irritantes que já li e isso prejudicou muito a leitura para mim.
Já a Roa é uma personagem mais interessante e complexa, e infinitamente mais cativante. Ela é determinada, justa e tem princípios muito fortes, mas também tem muitas vulnerabilidades. Trata-se de uma personagem muito humana e que comete muitos erros (sim, tem hora que dá vontade de entrar no livro só para impedir ela de cometer burradas), mas as motivações dela são tão compreensíveis que, apesar de todas as mancadas, foi impossível não me apegar a ela.
Além disso, achei linda a relação que Roa tem com seu povo e, principalmente, sua irmã. Ela dá tudo de si para garantir que os nativos passem a ser tratados com justiça e para protege-los. Mas o que me cativou mesmo foi o amor dela pela irmã. As duas tinham uma relação muito especial e a dor pela morte de Essie fica quase palpável durante todo o livro. Então, por mais que algumas atitudes de Roa tenha sido questionáveis, a motivação era muito compreensível.

Mas o dono do livro é mesmo o Dax. Já tinha gostado dele no primeiro livro, mas nesse eu fiquei completamente encantada. Gosto de ver como esse personagem se adapta as diferentes situações e vai se moldando de acordo com a necessidade. Ele é forte, inteligente e íntegro, mas sabe jogar dentro da corte e é interessante ver ele como lida com o fato das pessoas estarem constantemente o subestimando. Além disso, adorei o senso de humor dele e a maneira como enfrentou as adversidades que surgiram.



Outro ponto positivo de A rainha aprisionada é que a trama é bem mais dinâmica que do livro anterior. Senti uma evolução da escrita da autora e a leitura fluiu muito melhor. O livro conta com várias intrigas e conspirações, que deixam a trama mais instigante, e também não faltou ação. Além disso, o romance contribuiu muito para que a leitura ficasse mais envolvente, principalmente devido ao carisma dos protagonistas.
Normalmente, não gosto de livros de fantasia que dão muito destaque ao romance. Porém, nesse caso funcionou muito bem. O casal é carismático e os conflitos entre eles estão diretamente ligados com as questões políticas e os conflitos de interesses dos dois, fazendo com que não se resumissem a problemas bobos de casal. Além disso, foi um dos poucos casos em que eu realmente temi que o casal não fosse conseguir se resolver e isso me prendeu ainda mais na leitura, porque queria saber o que iria acontecer.
Com relação aos personagens secundários, não teve nenhum grande destaque ou algum que me cativou mais. Porém, eles foram importantes na trama e cada um cumpriu seu papel dentro da história. Em especial, a Essie foi determinante para que eu me apegasse tanto à Roa, pois me ajudou a compreender o luto e a dor dessa personagem.
Já sobre a escrita de Kirsten Ciccarelli, como eu já mencionei, senti uma grande evolução em relação ao primeiro livro. Aqui não tem muita enrolação e a trama se desenvolve com mais agilidade. Os personagens foram mais desenvolvidos e achei que ela encontrou um bom equilíbrio entre fantasia, ação, romance e um pitadinha de drama.
Minhas únicas ressalvas são o fato de que, novamente, senti que a autora teve dificuldade ao escrever as cenas de ação. Embora elas não sejam tão confusas quanto as do primeiro livro, ainda achei difícil visualizar o que estava acontecendo em alguns momentos e em outros senti que tudo aconteceu muito rápido. Aliás, o final foi novamente um problema por causa disso. Achei apressado e algumas coisas não ficaram tão claras ou amarradas quanto deveriam.
No entanto, mesmo com essas ressalvas, A rainha aprisionada foi uma boa surpresa. Me envolvi completamente com a leitura e me apeguei à Roa e ao Dax como não esperava que fosse acontecer. Gostei de ver a evolução dela e o modo como ele vai mostrando sua força ao longo do livro. O romance ganhou minha torcida desde o início e deixou a leitura ainda mais encantadora.
Para quem gosta de uma fantasia leve e com boas doses de aventura e romance, A Rainha Aprisionada se mostrará uma boa leitura. Kirsten Ciccarelli conseguiu se aprofundar mais no universo que criou e trazer uma trama mais envolvente e dinâmica. Fiquei muito satisfeita de ter dado uma segunda chance para essa série e por finalmente ter conseguido me envolver com o universo e os personagens criados pela autora.
Mas agora quero saber a opinião de vocês. Quem já leu A Rainha Aprisionada ou o seu antecessor? Quero muito saber a opinião de vocês, então, me contem aí nos comentários.

[Resenha] Desaparecidos em Luz da Lua

9 de set de 2019


Olá, pessoal! Como vocês estão? Eu ando um pouco ausente por aqui, mas pelo menos voltei com uma resenha mais do que especial. Quem acompanha o blog deve ter lido a minha resenha sobre Os noivosdo inverno, da Christelle Dabos. Ele foi o primeiro livro que li esse ano e eu não poderia ter começado melhor.
Então, vocês já podem imaginar o quanto minhas expectativas para a continuação estavam altas né? Eu bem que tentei me controlar, porque levei alguns tombos em relação a continuações de séries esse ano. Porém, quando editora Morro Branco anunciou o lançamento de Desaparecidos em luz da lua, ele já foi direto para a minha lista de desejados e eu fiquei contando os dias para poder ler.

No final de agosto, eu finalmente recebi meu exemplar e pude ler esse livro. E agora, será que minhas expectativas foram atendidas? Vou contar para vocês agora. Porém, já aviso que, por se tratar de uma continuação, aconselho que quem não leu o primeiro livro não leia o restante da resenha.

Autora: Christelle Dabos
Editora: Morro Branco
Tradução: Sofia Soter
Páginas: 480
Onde comprar: Amazon
Sinopse: “Quando Ophélie é promovida a vice-contista, ela se vê inesperadamente jogada aos holofotes e escrutínio da corte. Seu dom, a habilidade de ler a história secreta dos objetos, é descoberto por todos, e não há maior ameaça aos nefastos habitantes de seu novo lar gélido do que isso. Sob os arcos dourados da capital do Polo, ela descobre que a única pessoa em que talvez possa confiar é Thorn, seu enigmático e frio noivo. À medida que influentes pessoas da corte começam a desaparecer, Ophélie se encontra novamente envolvida em uma investigação que a levará além das muitas ilusões do Polo e a uma temível verdade.”

Em Os noivos do inverno, a jovem Óphelie foi forçada a aceitar um casamento arranjado e largar tudo que sempre amou na sua terra, Amina, para seguir seu noivo ao distante Polo. Lá, ela encontrou um território completamente diferente de tudo que conheceu e muito mais hostil. Além disso, Óphelie descobriu da pior maneira o quanto seu dom como leitora – pessoa com a capacidade de “ler” a história dos objetos pelo toque – despertava o interesse de outros, fazendo dela um alvo.
Nessa continuação, Óphelie está muito mais consciente dos perigos da corte no Polo e das ilusões que ela esconde. Porém, não demora para que ela perceba que o deverá tomar ainda mais cuidado do que imaginava. Não só os membros dos outros clãs não escondem a hostilidade em relação a ela, como a chegada de cartas a ameaçando caso não desistisse do casamento com Thorn e abandonasse o Polo, deixou bem claro que Ophélie não era bem-vinda ali e que sua vida estava em perigo.

Quando misteriosos desaparecimentos acontecem em Luz da Lua, supostamente o local mais seguro do Polo, fica ainda mais claro para Óphelie que as ameaças que sofreu eram reais. Ainda mais que todos os desaparecidos receberam cartas muito parecidas com as que ela recebeu. Com o perigo podendo vir de qualquer lugar, logo fica evidente que a sua única alternativa seria confiar em Thorn e tentar descobrir quem estava por trás das cartas e dos desaparecimentos.


Ah gente, eu não sei nem por onde começar a falar sobre esse livro. Minha vontade era de resumir em: PERFEITO, ZERO DEFEITOS. Porém, eu preciso explicar o quanto ele é maravilho e o quanto amei essa leitura. Para mim, ele desbancou o primeiro volume e se tornou a minha leitura favorita do ano, até aqui.
Quando li Os noivos do inverno, me encantei com a originalidade do universo criado pela autora. Como comentei na resenha aqui, é um livro muito diferente de qualquer outra fantasia que eu já tenha lido. E, em Desaparecidos em Luz da Lua, isso fica ainda mais evidente. A cada momento, a autora vai expandido mais o universo que criou, trazendo informações que o tornam ainda mais complexo e interessante.
Conhecer mais sobre os meandros da corte do Polo e especialmente o seu espírito familiar foi um dos aspectos mais envolventes dessa leitura. As intrigas entre os clãs e os mistérios aumentaram a tensão e sensação de perigo, aumentando a minha curiosidade para entender melhor aquele universo e funcionava a dinâmica da corte.
Mas não foi só o universo que ganhou em complexidade. Foi notável a evolução da Óphelie e o quanto ela amadureceu após todos os acontecimentos do primeiro livro. Ela já se mostrava uma personagem fascinante e totalmente fora dos padrões desde o volume anterior. Porém, em Desaparecidos em Luz da Lua, Ophélise se mostra mais madura e determinada. Além disso, gostei de ver como ela aprendeu a olhar mais para si mesma e encarar seus sentimentos. Lógico que essa evolução não se deu de uma hora para outra, mas foi uma transformação interessante de se acompanhar.

E os personagens secundários não ficam para trás. Cada um deles vai revelando novas camadas que permitem entender melhor a personalidade deles. Em especial, adorei ver mais por traz da fachada fria do Thorn. Ele é um personagem que se mostra quase imperturbável, mas vamos encontrando as vulnerabilidades dele aos poucos e todos os sentimentos que tenta esconder. Foi um personagem que me cativou mais a cada página e que eu realmente queria colocar em um potinho e proteger do mundo. E, além dele, me encantei ainda mais com a tia de Óphelie, Roseline, a tia de Thorn, Berenilde, e o sarcástica e cativante Archibald.


Outro aspecto interessante foi o desenvolvimento da trama. A autora conseguiu encontrar um equilíbrio entre expandir o universo, desenvolver mais os personagens e acrescentar novos elementos. Assim, a trama se mostrou dinâmica, com todo o mistério e tensão envolvendo os desaparecimentos e as revelações sobre a corte e o mundo apresentado. Além disso, a autora soube mesclar bem a aventura, a fantasia e o mistério com uma dose de romance, que não tirou o foco, mas deixou a história ainda mais cativante.
E, mais uma vez, me rendi a delicadeza e a criatividade de Christelle Dabos. Não só o universo criado por ela é único, como foi descrito de uma maneira clara e apaixonante. É um mundo que, apesar de todos os perigos que apresenta, ainda consegue ser lúdico e encantador. As diversas ilusões que Óphelie encontra pelo caminho e as descrições ricas da autora me deixaram realmente com a sensação de estar entrando em um universo completamente novo e mágico, do qual eu não sentia a menor vontade de sair.
E, se não bastasse toda a magia da história em si, a editora Morro Branco trouxe uma edição simplesmente impecável, em todos os sentidos. A capa é tão linda quanto a do primeiro livro, assim como a parte interna. O livro conta ainda com um mapa daquele universo, explicações sobre os clãs e uma ilustração da estrutura do Polo. Além disso, as páginas são amareladas e a fonte tem um tamanho bom para leitura. Sendo bem sincera, não encontrei um único defeito nessa edição e só posso parabenizar a editora pelo trabalho impecável.
Deste modo, acredito que não preciso nem dizer que Desaparecidos em Luz da Lua conseguiu superar todas as minhas expectativas e me encantar ainda mais que o livro anterior. Trata-se de um dos livros mais interessantes e originais que já li, com um universo rico e completamente fascinante. Christelle Dabos tem uma escrita única, que me conquistou desde o primeiro livro, e agora só me resta aguardar ansiosamente pela continuação. Para quem procura uma fantasia diferente e envolvente, não pode deixar de conferir essa série.

[Resenha] Uma loucura e nada mais

2 de set de 2019


Olá, pessoal! Hoje vim trazer a resenha de mais um romance de época que li recentemente. Deu para ver que o gênero tem dominado as minhas leituras né? Mas o de hoje é Uma loucura e nada mais, da Mary Balogh, continuação da série O clube dos sobreviventes, a qual comecei a ler no ano passado. Então, já dá para imaginar que eu estava bastante curiosa né?
Apesar dos livros dessa série serem independentes (cada um foca em um casal), eu estava ansiosa por esse terceiro volume por ter simpatizado muito com o protagonista quando ele apareceu no primeiro livro. Além disso, a forma como ele foi citado no volume anterior me deixou realmente curiosa para saber o que tinha acontecido com ele.

Agora que já li, vim contar para vocês o que achei da leitura. Mas, não se preocupem que esta resenha não contém spoilers desse livro e nem dos anteriores. Podem ler tranquilos.

Autora: Mary Balogh
Tradução: Lúcia Brito
Editora: Arqueiro
Páginas: 291
Onde comprar: Amazon
Sinopse: “Depois de sobreviver às guerras napoleônicas, Sir Benedict Harper está lutando para seguir em frente e retomar as rédeas de sua vida. O que ele nunca imaginou era que essa esperança viesse na forma de uma bela mulher, que também já teve sua parcela de sofrimento. Após a morte do marido, Samantha McKay está à mercê dos sogros opressores, até que planeja uma fuga para o distante País de Gales para reivindicar uma casa que herdou. Como o cavalheiro que é, Ben insiste em acompanhá-la em sua jornada. Ben deseja Samantha tanto quanto ela o deseja, mas tenta ser prudente. Afinal, o que uma alma ferida pode oferecer a uma mulher? Já Samantha está disposta a ir aonde o destino a levar, a deixar para trás o convívio com a alta sociedade e até mesmo a propriedade que é sua por direito, por esse belo e honrado soldado. Mas será que, além de seu corpo, ela terá coragem de lhe oferecer também seu coração ferido? As respostas a todas as perguntas talvez estejam em um lugar improvável: nos braços um do outro.”

Em Uma loucura e nada mais, é a vez de focar em sir Benedict Harper. Durante o tempo que esteve lutando nas guerras napoleônicas, ele se feriu gravemente e muitos acharam que ele sequer sobreviveria. Porém, surpreendendo a todos, ele não morreu e até mesmo conseguiu voltar a andar, embora com muita dificuldade e precisando do apoio de muletas. O que ele não conseguiu recuperar foi sua carreira no exército, o que o deixou perdido e sem saber o que fazer da sua vida.
É quando Benedict decide visitar sua irmã que acaba conhecendo lady Samantha McKay, uma jovem viúva, cujo marido morreu há pouco tempo, após passar anos sofrendo com ferimentos de guerra. Durante todo aquele tempo, Samantha cuidou do marido sem reclamar, mesmo ele demandando toda sua atenção e se queixando o tempo todo. Porém, o período de luto tem sido demais para ela suportar. Sua insuportável cunhada a sufoca o tempo todo ditando regras absurdas para o período de luto e a isolando de qualquer convívio social.

Quando Samantha chega ao seu limite e decide fugir em busca de uma propriedade que herdou no País de Gales, Benedict acaba se oferecendo para ir com ela. Os dois partem em uma aventura que irá levá-los a um caminho de autodescoberta, mas também deixará ainda mais evidente a forte atração que existe entre. 


Ah gente, o que dizer desse casal? Sabe quando você lê um livro e só quer abraçar e proteger os personagens? Foi exatamente assim que me senti em relação ao Ben e à Samantha. Eu amei muito esses personagens, tanto individualmente quanto como casal, e isso foi fundamente para que eu me envolvesse com a leitura.
Tanto o Benedict quanto a Samantha tiveram suas vidas marcadas pela guerra: ele em um grave acidente no campo de batalha, que lhe deixou com sequelas físicas e destruiu seus sonhos; já ela passou anos cuidando do marido que foi gravemente ferido na guerra, sendo sufocada pelas constantes demandas e o péssimo temperamento dele. Assim, foi impossível não me solidarizar com o sofrimento de ambos ou admirar a força e a determinação dos dois em superar as adversidades.
Falando especificamente sobre a Samantha, achei uma das protagonistas femininas mais admiráveis que já li. Para começar, achei linda a generosidade que ela demonstrou ao cuidar com tanto zelo de um marido que não merecia nada dela. Além disso, adorei a determinação dela e o fato de que não aceita perder sua essência ou sua liberdade para seguir as convenções sociais. Samantha é autêntica, justa e corajosa, demonstrando muita força nas adversidades. Como não admirar né?

Já o Benedict eu não sei nem por onde começar a descrever. Só a determinação que ele demonstrou ao desafiar todos os prognósticos e voltar a andar, mesmo que com imensa dificuldade, já seria um motivo para admirá-lo. Mas além de tudo Ben é integro, sensível, inteligente e dono de um senso de humor maravilhoso. Ele foge daquele padrão de mocinho forte, perfeito e viril, mas encanta justamente pelos seus conflitos, por sua perseverança em superar as adversidades e pela forma como encara a vida.



Mas o que deixou a leitura ainda mais cativante para mim foi a forma como a relação entre os dois protagonistas se desenvolveu. Apesar da óbvia atração entre eles, isso não é a base do relacionamento. Os dois se aproximam por compreenderem a dor um do outro, o que leva a uma cumplicidade e amizade bonitas de se acompanhar. Além disso, os diálogos entre eles são ótimos e cheios de reflexões, deixando a leitura ainda mais interessante.
Com relação à trama, na primeira metade, não tem grandes acontecimentos. Porém, isso não significa que tenha sido uma leitura lenta. A aproximação entre Benedict e Samantha foi tão gostosa de acompanhar que me prendeu desde o início. Já da metade para frente, os dois embarcam em uma aventura que deixou a história mais dinâmica e interessante, fazendo com que fosse impossível largar o livro.
Deste modo, não preciso nem dizer que me encantei novamente com a escrita de Mary Balogh. Mais uma vez ela trouxe personagens mais maduros e complexos, e desenvolveu um romance tocante e delicado. Achei que ela soube dosar muito bem o drama, o romance e o humor, deixando a leitura leve e fluida do começo ao fim.
Minha única ressalva é que gostaria que os conflitos de Benedict tivessem sido um pouco mais aprofundados. O foco da trama foi praticamente todo na história da Samantha e senti que havia muito a ser explorado da parte dele. Porém, os pontos positivos da trama foram mais do que suficientes para compensar isso e garantir que eu me encantasse com a leitura.
De um modo geral, Uma loucura e nada mais não conseguiu superar meu amor pelo segundo volume da série, mas chegou bem próximo dele. Foi um livro que me envolveu desde a primeira página e que me deixou ainda mais animada para continuar essa série. À cada novo volume, eu me encanto mais pelos integrantes do Clube dos Sobreviventes, tanto pela força quanto pela maturidade deles. Já estou ansiosa para ler o próximo e contar para vocês o que achei.
Mas quem aí já leu esse e os outros livros dessa série? Me contem aí o que acham da escrita da Mary Balogh e se também estão se encantando com o Clube dos Sobreviventes.

[Resenha] O sabor do pecado

29 de ago de 2019


Olá, pessoal! Recentemente, fiz um post falando cinco motivos para ler o primeiro volume da série A lenda dos quatro soldados, o livro O gosto da tentação. E, claro que tendo gostado tanto do primeiro livro, eu não ia demorar para ler a continuação né? Por esse motivo, hoje vim trazer a resenha de O sabor do pecado.
Já aviso que os livros dessa série até podem ser lidos de maneira independente pois cada um irá focar em um casal diferente. Porém, há um grande mistério que se inicia no primeiro e será desenvolvido nos demais. Por esse motivo, recomendo que eles sejam lidos na sequência. Então, quem não leu O gosto da tentação, não deixe de conferir o post sobre ele aqui.

Mas essa resenha não irá conter nenhum spoiler do livro anterior. Vou focar apenas nos personagens e acontecimentos desse livro, justamente para não estragar o mistério para ninguém. Afinal, quem não gosta de um bom suspense para deixar a leitura ainda mais interessante né?

Autora: Elizabeth Hoyt
Editora: Record
Tradução: Silvia Caldiron Rezende
Páginas: 364
Exemplar recebido de parceria com a editora
Onde comprar: Amazon
Sinopse: “Tudo que Jasper Renshaw precisa é se casar e gerar um herdeiro para o título de visconde de Vale. Ele espera encontrar uma dama bonita capaz de cumprir esse papel e, então, voltar para a vida de libertinagem que sempre levou — uma vida que mantém afastadas as lembranças de um passado que ainda o assombra. No entanto, a sorte que Jasper tem para encontrar amantes não parece ajudar o visconde a mantê-las ao seu lado. Depois de ser abandonado pela segunda noiva em seis meses, ele recebe uma proposta irrecusável: Melisande Fleming se oferece para ser a futura viscondessa de Vale. Aos 28 anos e ainda morando com o irmão, Melisande busca a independência que só um casamento pode lhe proporcionar. Ou, pelo menos, é o que ela conta a Lorde Vale. Mas a dama tem um segredo: há anos, ama Jasper e está disposta a viver um casamento sem amor só para ficar ao lado dele. Afinal, ela já amou uma vez, há muito tempo, mas teve o coração partido e não pretende passar por isso novamente. Mas, para seu desespero, Jasper logo se vê atraído por ela — recatada durante o dia, sedutora à noite — e garante que vai descobrir seus segredos. Os dois têm um passado que querem esconder, mas nenhum deles está disposto a revelar esses mistérios um para o outro. Quando começam um jogo de sedução, porém, os segredos que tanto queriam guardar vêm à tona, ameaçando separá-los.”
                           
Em O sabor do pecado, acompanhamos a história de Lady Melisande Fleming e lorde Jasper Renshaw. Após ser abandonado por duas noivas em um período de seis meses, Jasper foi surpreendido ao ser pedido em casamento por Melisande. A proposta seria vantajosa para ambos, uma vez que ele precisava se casar e garantir um herdeiro para o seu título, enquanto ela precisava sair da casa do irmão e conquistar sua independência.

Porém, ao fazer o pedido, Melisande não mencionou um detalhe: ela sempre foi apaixonada por Jasper, enquanto ele nunca reparou nela. Mesmo assim, Melisande ficou mais do que feliz com a perspectiva do seu casamento, ainda mais que ela não pretendia que ele soubesse de seus sentimentos. No entanto, o que tinha tudo para ser o arranjo perfeito pode dar errado justamente pelos segredos que ambos tentavam manter no passado.



Quando terminei O gosto da tentação, já estava mais do que curiosa para ler O sabor do pecado. Primeiro porque Jasper já tinha feito uma participação e me conquistado nas páginas em que apareceu. Segundo, que no final do livro tem o primeiro capítulo do próximo e o livro já começa bafônico, gente. Eu amei esse trechinho que li e já fiquei desesperada para ler o resto.
E, felizmente, foi uma leitura realmente divertida. Melisande me conquistou logo no início com seu jeito franco e a determinação que mostrou ao pedir Jasper em casamento. Ela é uma protagonista que já chega mostrando a que veio e que ainda evolui ao longo do livro. Torci por ela desde o início e passei a gostar cada vez mais da sua personalidade e do seu caráter.
O Jasper, por outro lado, não me cativou tanto. Eu tinha gostado muito dele no primeiro livro, mas parece que ele também sofreu do mal de personagens que são melhores coadjuvantes que protagonistas (cof Colin Bridgerton cof). Eu esperava um desenvolvimento muito melhor desse personagem e me irritei muito com algumas atitudes dele. Algumas coisas que ele fez me incomodaram bastante e que foram até mesmo pouco plausíveis, considerando o fato de ser um homem mais experiente.

O romance também não me cativou tanto. O comportamento do Jasper não ajudou muito, mas achei que o timing da autora também deixou a desejar. É um romance lento demais, morno na maior parte do livro e que parece ter muita enrolação. Os conflitos entre os personagens não eram fortes o suficiente para justificar tanta demora e se não fossem outros aspectos interessantes da trama eu teria ficado entediada durante a leitura.



Mas, como disse, eu gostei bastante do livro. Isso porque, apesar dos meus problemas com o Jasper e com o romance, eu gostei muito dos personagens secundários e do mistério que permeia a trama. O suspense apresentado no livro anterior foi aprofundado em O sabor do pecado e deixou a série ainda mais instigante.
Já em relação aos personagens secundários, eu amei o valete do Jasper. Ele é um dos personagens mais interessantes do livro, com um jeito mais rústico e misterioso, mas dá para ver que é um homem inteligente e de bom coração. Além dele, a dama de companhia da Melisande é outra personagem que ganhou meu coração, com um jeito espontâneo e muito cativante.
Com relação à edição, acho que não preciso falar muita coisa né? A capa é uma das mais lindas que eu já vi, ainda mais bonita que a do primeiro livro. Além disso, as páginas são amareladas e a fonte tem um bom tamanho, o que deixou a leitura bem confortável para mim.
De um modo geral, O sabor do pecado não me trouxe a mesma sensação de encantamento que seu antecessor, porém, foi uma leitura cativante e que me manteve instigada a ler a continuação. Aliás, o casal do terceiro livro já foi apresentado nesse e eu não vejo a hora de ver esses personagens interagindo. Assim, recomendo muito O sabor do pecado para quem gosta de um romance leve, mas ao mesmo tempo sensual, e com um bom toque de humor e mistério.

5 motivos para ler: O gosto da tentação

13 de ago de 2019



Olá, pessoal! Quem aí nunca se apaixonou por um livro que todo mundo odiou? Eu passei por isso recentemente quando li O gosto da tentação, da Elizabeth Hoyt, primeiro volume da série A lenda dos quatro soldados. Praticamente todos as resenhas que eu li sobre esse livro foram negativas. Porém, eu resolvi dar uma chance e que surpresa maravilhosa.
Pensando nisso, eu resolvi fazer um post para defender esse livro maravilhoso. Ou melhor, alguns motivos pelos quais eu acho que vale dar uma chance para essa história. Assim, separei os principais motivos que me fizeram amar essa leitura e que acredito que outras pessoas podem gostar. Quem sabe vocês também não se surpreendem né?

1 – Ambientação que foge dos padrões: A maioria dos romances de época que li se passam no século XIX ou na Idade Média. Porém, O gosto da tentação se passa no século XVIII, alguns anos após a guerra entre a Inglaterra e a França por territórios no Canadá. Apesar da guerra não ser o foco, ela acaba desempenhando um papel importante na trama. Além disso, a sociedade inglesa era um pouco diferente, com uma aristocracia ainda mais fechada e preconceituosa do que no século XIX, e isso foi muito bem explorado pela autora ao longo do livro.

2 – Personagens mais maduros: Um dos aspectos que mais gostei em O gosto da tentação é o fato de que não se tratam de personagens jovens e inconsequentes ou mocinhas inocentes e ingênuas. Os personagens dessa são trama são mais velhos e carregam traumas e responsabilidades que os tornaram mais maduros. Em especial, o protagonista Samuel foi um personagem que me cativou muito por tudo que viveu e pela forma como foi afetado por suas experiências.

3 – Romance ao melhor estilo gato e rato: À primeira vista, Samuel e Emeline não possuem nada em comum. Ela é uma jovem viúva, rica e de origem nobre, que corresponde a tudo que se espera das mulheres da alta sociedade: elegante, recatada, responsável e bem-educada. Já ele, é um estrangeiro rico, mas sem sangue nobre e com modos bastante rústicos. Aos olhos da sociedade inglesa, era visto quase como um bárbaro. Então, é claro que com esses dois juntos os conflitos seriam inevitáveis, o que significa que não faltaram provocações e diálogos divertidos. E não vou mentir: essa fórmula pode até ser clichê, mas eu adoro.

4 – Cenas que fazem o leitor suspirar: Preciso avisar que nesse livro não faltam cenas quentes e que elas muito bem escritas; nada vulgar ou fora de contexto. Porém, não foram essas cenas que aqueceram meu coração. O livro tem diversos momentos sensíveis e fofos que me cativaram e tornaram a leitura ainda mais encantadora. Para minha surpresa, O gosto da tenção me deixou com o coração transbordando de amor em vários momentos e foi um livro que me deixou realmente suspirando.

5 – Um mistério instigante: Não pensem que esse livro vive só de romance. Há um mistério na trama em torno do qual toda a série irá girar. Achei que essa parte de suspense foi muito bem explorada pela autora e deixou a leitura ainda mais envolvente. Ao longo do livro vamos tentando juntar as pistas e no final vem uma revelação que aumenta ainda mais o mistério. Já estou cheia de teorias e não vejo a hora de ler as continuações para descobrir o que aconteceu.

Mas agora quero saber de vocês se já leram O gosto da tentação e o que acharam. Para mim, ele foi uma grata surpresa e que me deixou realmente empolgada para continuar acompanhando essa série. E vocês, já leram? Me contem aí nos comentários o que acharam e se ficaram curiosos para ler essa série.

[Resenha] Vilão

30 de jul de 2019


Olá, pessoal! Tudo bem com vocês? Um dos livros que eu estava mais ansiosa para ler esse ano era Vilão, da V. E. Schwab (ou Victoria Schwab). Vocês talvez conheçam a autora de outras séries que ela tem publicadas no Brasil, incluindo a trilogia Um tom mais escuro de magia, uma das minhas favoritas da vida.
Então, vocês já devem imaginar o quanto eu queria esse livro. Para começar, eu amo a escrita da autora. Além disso, Vilão é o primeiro romance adulto escrito por ela e conta com uma sinopse simplesmente incrível. Se minhas expectativas estavam altas? Claro que sim.

Por esse motivo, quando recebi meu exemplar de parceria com o Grupo Editorial Record, é claro que ele furou a fila de leituras. Afinal, não dá para deixar um livro da V. E. Schwab esperando né? E agora que concluí a leitura, finalmente vou poder contar para vocês o que achei. Será que ele atendeu minhas expectativas?

Autora: V. E. Schwab
Editora: Record
Tradução: Flavia de Lavor
Páginas: 364
Exemplar recebido de parceria com a editora
Onde comprar: Amazon

Sinopse: “Victor e Eli, dois jovens brilhantes, arrogantes e solitários, se conheceram na Universidade de Merit e logo se deram bem, identificando um no outro a mesma sagacidade e a mesma ambição. No último ano da faculdade, o interesse em comum numa pesquisa sobre adrenalina, experiências de quase morte e poderes sobrenaturais lhes oferece uma possibilidade antes inimaginável: de que uma pessoa, sob as condições certas, seja capaz de desenvolver habilidades extraordinárias. No entanto, quando colocam em prática essa teoria, as coisas dão muito errado. Dez anos depois, Victor foge da prisão, determinado a encontrar seu antigo amigo ― agora inimigo. Para localizá-lo, ele conta com a ajuda de uma garotinha, Sydney, cuja natureza reservada esconde uma habilidade sem igual, mas extremamente perigosa. Enquanto isso, há dez anos Eli tem uma única missão: erradicar todas as pessoas ExtraOrdinárias que encontra ― exceto sua ajudante, Serena, uma mulher enigmática e persuasiva, capaz de impor sua vontade a qualquer um. Armado com poderes terríveis e movido pela lembrança da traição e da perda, Victor caça seu arqui-inimigo em busca de vingança e de um embate no qual sabe que um dos dois deve morrer.”

Em Vilão, conhecemos Victor e Eli, dois amigos de faculdade que têm em comum a inteligência e a ambição. Quando precisaram fazer um trabalho final para a faculdade, Victor escolheu como tema a adrenalina e seus efeitos, um assunto interessante e que poderia ser o trabalho mais interessante da turma. Porém, Eli foi mais ousado e escolheu falar sobre E.Os, pessoas com habilidades especiais – pessoas Extraordinárias. A intenção dele é esclarecer como essas pessoas conseguiram esses dons. O problema é que, não há nenhum indício de que os EOs realmente existam, o que torna o projeto de Eli ainda mais difícil e interessante.
No entanto, as pesquisas dos dois acabam se entrelaçando e levando a uma descoberta que muda tudo, começando pela vida deles. Victor acaba indo para a prisão, de onde sai apenas 10 anos depois com um único objetivo: encontrar Eli. Para isso, ele vai contar com o apoio de pessoas que encontrou no caminho: Sindney, uma garotinha que esconde uma estranha e perigosa habilidade, e Mitch, um homem enigmático que esteve com Victor na cadeia. Enquanto isso, Eli dedica a sua vida a encontrar e eliminar EOs, contando com a ajuda de um deles, Serena, uma mulher capaz de impor sua vontade a qualquer pessoa.
Com um desejo de vingança alimentado por anos, Victor vai entrar em um perigoso jogo de gato e rato com seu antigo amigo, se preparando para um embate que mudará tudo novamente.


Gente, não sei nem como começar a falar sobre ele livro. Ele foi uma experiência de leitura bem diferente e é difícil explicar o que senti. Apesar de já conhecer a escrita da autora e a trama trazer elementos que eu já tinha visto, a forma como eles foram trabalhados me surpreendeu muito. Inclusive, achei complicado até mesmo encaixar ele em um gênero, pois é uma combinação bem interessante de ficção científica, suspense e ação.
A trama vai intercalando o passado e o presente de modo que vemos Victor em sua caçada para encontrar Eli enquanto tentamos descobrir o que aconteceu no passado para acabar com a amizade deles. E essa construção acabou sendo um dos pontos mais interessantes do livro, pois fez com que fosse necessário o leitor ir ligando as peças aos poucos, deixando a leitura mais envolvente e instigante. Além disso, cada revelação feita, mesmo que algumas não tenham sido surpreendentes, aconteceu no momento certo.
Mas, mais do que a trama, o que mais gostei nesse livro foi o desenvolvimento e a complexidade dos personagens. Victor e Eli têm uma moral no mínimo questionável e não é difícil identificar neles sentimentos como ambição, inveja e crueldade. No entanto, eles são também personagens que conseguem demonstrar uma certa humanidade e em muitos momentos dava para entender as motivações deles, mesmo sem concordar.

Deste modo, o título escolhido para a edição brasileira não poderia ter sido melhor. Tanto Victor quanto Eli são personagens que se encaixariam perfeitamente na definição de vilão, mas ao mesmo tempo, em alguns momentos um parece estar assumindo o papel de herói e depois esses papéis se invertem. Assim, são personagens ambíguos, cheios de conflitos internos e que se tornam quase compreensíveis para os leitores, mesmo que estejam longe de serem heróis ou mesmo carismáticos.



Mas, além de Victor e Eli, o livro ainda conta com personagens secundários que também foram bem construídos pela autora, alguns que inclusive roubaram a cena, na minha opinião. Estou falando da Sidney e do Mitch, personagens que Victor conhece em sua jornada e que estão ao lado dele na caçada contra Eli. Sidney é uma personagem que me encantou pela bondade em um universo tão cruel e por trazer um olhar inocente em meio a personagens tão frios. Já o Mitch é um personagem misterioso, mas que ficou claro para mim desde o início que tinha muito a dizer. Ele é um homem que parece ser bastante bruto, até por sua aparência física, mas talvez seja o mais humano do livro.
Com relação ao desenvolvimento da trama, como já mencionei, eu gostei muito do fato da autora ter intercalo o presente e o passado, criando um mistério em torno dos personagens. Mas, mais do que isso, eu adorei como ela conseguiu criar o clima de tensão que a história pedia, deixando o leitor tão envolvido naquele jogo de gato e rato quanto seus personagens. Além disso, a segunda metade do livro é simplesmente de tirar o fôlego, com muita ação e momentos de conflito, deixando a leitura muito dinâmica.
Porém, nem tudo são flores e eu tive duas ressalvas. Uma é que gostaria que ela tivesse explorado um pouco mais a questão dos EOs e do motivo de todo mundo saber sobre eles, mas ninguém ter certeza de que eles existem de fato. E a outra, é que eu queria que o laço entre Eli e Victor tivesse ficado mais evidente. Os dois são tão egoístas e competitivos que foi difícil acreditar que havia realmente uma amizade entre eles e por isso não me causou tanto impacto a rivalidade que surgiu entre os dois. Acredito que se tivesse um vínculo mais concreto entre eles, a ruptura teria causado um choque muito maior.
No entanto, mesmo que Vilão não tenha me conquistado da mesma forma que os outros dois livros que li da V. E. Schwab (Um tom mais escuro de magia e Um encontro de sombras), foi uma leitura deliciosa. Ela criou uma história bem diferente, com personagens instigantes e uma trama bem amarrada. O final é o suficiente para encerrar bem o livro e de uma maneira impactante. Porém, o gancho que a autora deixa faz com que, mesmo não sendo obrigatório ler a continuação, o leitor fique curioso. Eu, pelo menos, fiquei muito, e não vejo a hora da Record lançar o segundo aqui no Brasil.
E vocês, já leram algum livro da Victoria Schwab? Me contem aí nos comentários se conhecem a escrita da autora e qual a expectativa de vocês em relação a Vilão. Caso já tenham lido ele, comentem comigo o que acharam. Vou adorar saber a opinião de vocês!