[Resenha] Os números do amor

6 de dez de 2018



Quem nunca assistiu ou, pelo menos ouviu falar do filme Uma linda mulher, estrelado por Julia Roberts e Richard Gere? Duvido muito encontrar alguém que não conheça a clássica história do milionário solitário que contrata uma prostituta para ser sua acompanhante e acaba se apaixonando por ela. Mas vocês já imaginaram se a história fosse invertida? Se, ao invés de um homem rico e solitário pagando pela companhia de uma prostituta, fosse uma jovem bonita e bem-sucedida que contratasse um acompanhante?
Bom, a autora Helen Hoang pensou nisso e escreveu o livro Os números do amor, publicado no Brasil pela Editora Paralela esse ano. Trata-se de uma comédia romântica tão fofa e divertida quanto o filme que a inspirou, mas que conseguiu ser uma leitura surpreendente, apesar do enredo clichê.

Autora: Helen Hoang
Tradução: Alexandre Boide
Editora: Paralela
Páginas: 280
Classificação: +18 anos
Onde comprar: Amazon
Sinopse: “Um romance que prova que o amor muitas vezes supera a lógica. Já passou da hora de Stella se casar e constituir família — pelo menos é isso que sua mãe acha. Mas se relacionar com o sexo oposto não é nada fácil para ela: talentosa e bem-sucedida, a econometrista é portadora de Asperger, um transtorno do espectro autista caracterizado por dificuldades nas relações sociais. Se para ela a análise de dados é uma tarefa simples, lidar com os embaraços que uma interação cara a cara podem trazer parece uma missão impossível. Diante desse impasse, Stella bola um plano bem inusitado: contratar um acompanhante para ensiná-la a ser uma boa namorada. Enfrentando uma pilha cada vez maior de contas, Michael Phan usa seu charme e sua aparência para conseguir um dinheiro extra. O acompanhante de luxo tem uma regra que segue à risca: nada de clientes reincidentes. Mas ele se rende à tentação de quebrá-la quando Stella entra em sua vida com uma proposta nada convencional. Quanto mais tempo passam juntos, mais Michael se encanta com a mente brilhante de Stella. E ela, pela primeira vez, vai se sentir impelida a sair de sua zona de conforto para descobrir a equação do amor.”

Em Os números do amor, Stella é uma jovem econometrista, extremamente competente na sua profissão. Para ela, lidar com números e dados é algo natural e tranquilizador. Por outro lado, ter que interagir com as pessoas é desesperador, especialmente em encontros amorosos. O problema é que a mãe dela não vê a hora de Stella se casar e ter filhos, algo que ela, intimamente, também quer. Mas como ter filhos se ela sequer consegue manter um relacionamento?
Depois de uma conversa extremamente constrangedora com um colega de trabalho, Stella decide que talvez seja hora de começar a praticar e aprender a interagir melhor com os homens. E quem melhor do que um profissional para ensiná-la? Após procurar em uma agência, Stella marca um encontro com Michael Phan, um homem atraente e que, há dois anos, usa sua beleza para conseguir um dinheiro extra trabalhando como acompanhante.

“Quero que me ensine a manter um relacionamento. Não a parte sexual, mas a da companhia. Como hoje à noite. Conversar, compartilhar, andar de mãos dadas. Novidades são sempre assustadoras para mim, mas com você consigo lidar com isso e até gostar. Quero contratar você como namorado em tempo integral.”


Com várias contas se acumulando em casa, Michael viu no seu charme uma forma de conseguir pagá-las. No entanto, ele tem regras bastante rígidas que o ajudam a manter a vida pessoal longe da profissional, sendo a principal delas não repetir clientes. Mas ele acaba caindo em tentação quando Stella faz uma proposta inesperada. E, à medida que eles começam a conviver mais, vai se tornando cada vez mais difícil manter essa divisão entre as duas partes de sua vida.


Preciso confessar que, quando recebi esse livro, não sabia o que esperar. Não li a sinopse e nem conhecia a autora, então, iniciei a leitura completamente no escuro mesmo. Por essa capa linda, eu imaginei um romance clichê e leve de se ler. E, embora eu tenha acertado nesse sentido, não imaginava encontrar personagens tão cativantes e bem construídos. Além disso, me surpreendi ao perceber que a autora conseguiu transformar um enredo tão previsível em uma história única.
Um dos grandes méritos do livro é, sem dúvida, o casal principal. Ambos foram bem desenvolvidos pela autora e, mesmo que Michael possa parecer um mocinho perfeito (sério, onde eu encontro um desses?), eles têm conflitos que os tornam mais reais para os leitores. São questões bastante concretas e que foram bem exploradas pela autora, conferindo complexidade para os personagens ao mesmo tempo que conquistavam a empatia do leitor.
Stella é uma protagonista incrível e que me conquistou logo nas primeiras páginas. Ela inteligente, determinada e divertida, mas também tem suas inseguranças que fazem com que a gente queira colocá-la em um pontinho para proteger do mundo. No entanto, não pensem que Stella é uma personagem frágil. Ela é uma personagem muito forte e que vai aprendendo ao longo do livro a lidar com os seus medos e superá-los.                             
   
“Garotas como eu intimidam e afugentam namorados. Garotas como eu nunca são chamadas para sair. Garotas como eu precisam encontrar sua própria solução, inventar seu próprio destino. Precisei lutar para conseguir tudo na vida, e vou lutar por isso também.’

É preciso destacar também que Stella tem a síndrome de Asperger, um transtorno do espectro autista. Por esse motivo, a interação com outras pessoas, especialmente nas relações amorosas, é um grande desafio para ela. Para meu grande alívio, o assunto não foi abordado de maneira leviana ou caricata no livro. Pelo contrário, a autora soube construir muito bem a sua protagonista, de modo que o leitor conseguisse entender como a síndrome de Asperger afetava a vida de Stella, mas sem deixar que a personagem fosse definida unicamente pelo fato de ser autista.
Já o Michael é aquele personagem que entra para a lista de crushs literários logo nas primeiras páginas. Para começar, é lindo a delicadeza, o respeito e o carinho com que ele trata Stella, muito antes de perceber que ela tem Asperger. Além disso, adorei o fato de que Michael não a subestima em nenhum momento. Pelo contrário, ele a admira e valoriza pela mulher inteligente, talentosa e generosa que é, e muitas vezes se considera indigno dela.

“Ela não o provocara ou fora irônica. Na verdade, ficara impressionada com seu trabalho e com ele – com quem Michael era de verdade. Ninguém mais queria quem ele era de verdade. Só Stella. Num momento de fraqueza, ele deixara de lado suas preocupações e fora imprudente. Dissera sim só porque queria passar mais tempo com ela.”

Outro aspecto que fez com que eu gostasse muito do Michael é que, assim como Stella, os problemas de Michael são completamente compreensíveis. Ele tem questões familiares muito complicadas e que explicam muito o fato dele se sentir inferior a Stella. Além disso, adorei a relação dele com a mãe, as irmãs e a avó. A devoção que ele demonstra em relação a elas diz muito sobre seu caráter e fez com que eu me encantasse ainda mais por esse personagem. Deu para perceber que ele entrou para a minha lista de crushs literários?



Não posso deixar de mencionar também o quanto eu gostei da relação entre Stella e Michael. Ao contrário do que costuma acontecer em muitos livros do gênero, o romance não é apressado e, apesar de contar com muitas cenas de sexo, não é nada vulgar ou fora de tom. Apesar da forma inusitada que eles se conhecem, a aproximação entre Stella e Michael foi gradual e convincente, fazendo com que eu torcesse muito pelo casal desde o começo.

“Ele a fazia rir e a escutava, mesmo quando ela não dizia nada de muito interessante. Stella se sentia confortável ao seu lado, até demais. Às vezes, ela até se convencia de que os rótulos atribuídos a ela não importavam. Eram apenas palavras.”

Com relação aos personagens secundários, apesar de não serem muito desenvolvidos, conquistam a simpatia do leitor nos momentos que aparecem. A família de Michael, em especial, é maravilhosa. São personagens muito carismáticos e que conquistam ainda mais por serem tão amorosos e leais. Mas preciso dizer que dois se destacaram muito a irmã mais nova de Michael, Janie, e o primos dele, Quan. Já estou torcendo para ver mais desses dois nos próximos livros.
Já a escrita de Helen Hoang não poderia ser mais envolvente. A trama é leve e com um bom equilíbrio entre romance, humor e um pouquinho de drama. Além disso, ela soube desenvolver questões importantes de uma maneira delicada, fazendo com que, apesar do enredo clichê, essa leitura se destacasse. A minha única ressalva é que, ao invés de dar destaque para um personagem desnecessário (e muito irritante), a autora poderia ter explorado um pouco mais uma decisão que Michael toma mais para o final. Isso não chegou a ser um problema, pois acredito que essa questão receberá mais destaque em algum dos próximos livros. No entanto, gostaria que tivesse sido um pouco mais explicado já nesse primeiro.
Assim, Os números do amor foi um livro que se mostrou uma leitura tão leve quanto eu imaginava, mas ainda mais encantadora. Com personagens bem construídos e cativantes, Helen Hoang conseguiu trazer uma versão de Uma linda mulher que saiu do óbvio e me surpreendeu positivamente. Não vejo a hora de ler as continuações e recomendo esse primeiro volume para todo mundo que ama uma boa comédia romântica.


Sorteio - Natal Literário

1 de dez de 2018

Final de ano é uma época boa, não é? Como já é tradição, para comemorar o ano que passamos juntos, nada melhor que um sorteio super recheado! O Natal Literário acontece desde 2016 e neste terceiro ano conseguimos reunir mais de 40 blogueiros e bookstagrammers. Nós pensamos nos prêmios com muito carinho e esperamos que gostem do que preparamos para vocês! Preparados?


5 romances de época que eu recomendo

30 de nov de 2018



Novembro está chegando ao fim e, com isso, é hora de encerrar a segunda edição do Novembro de Época. E, para finalizar bem o projeto, vou indicar alguns dos meus romances de época favoritos e que eu recomendo para todo mundo.
Porém, antes de mais nada, quero agradecer a Mary do blog Leituras da Mary pelo convite para participar de mais essa edição. Eu adorei poder falar um pouco sobre romances de época que eu adoro e também conhecer novos títulos. Foi um mês bastante especial e já estou ansiosa pela terceira edição.
Mas agora, sem mais delongas, vamos à minha lista com aqueles romances de época que eu recomendo de olhos fechados:

Série As Quatro Estações do Amor, da Lisa Kleypas:
Essa série foi meu primeiro contato com a escrita da Lisa Kleypas e eu não poderia ter começado melhor. Os livros são apaixonantes, divertidos e com personagens totalmente apaixonantes. Meu favorito é o quarto da série, Escândalos na primavera, mas eles devem ser lidos na ordem correta e todos valem muito a pena.
Sinopse do primeiro volume, Segredos de uma noite de verão: “Apesar de sua beleza e de seus modos encantadores, Annabelle Peyton nunca foi tirada para dançar nos eventos da sociedade londrina. Como qualquer moça de sua idade, ela mantém as esperanças de encontrar alguém, mas, sem um dote para oferecer e vendo a família em situação difícil, amor é um luxo ao qual não pode se dar. Certa noite, em um dos bailes da temporada, conhece outras três moças também cansadas de ver o tempo passar sem ninguém para dividir sua vida. Juntas, as quatro dão início a um plano: usar todo o seu charme e sua astúcia feminina para encontrar um marido para cada, começando por Annabelle. No entanto, o admirador mais intrigante e persistente de Annabelle, o rico e poderoso Simon Hunt, não parece ter interesse em levá-la ao altar – apenas a prazeres irresistíveis em seu quarto. A jovem está decidida a rejeitar essa proposta, só que é cada vez mais difícil resistir à sedução do rapaz. As amigas se esforçam para encontrar um pretendente mais apropriado para ela. Mas a tarefa se complica depois que, numa noite de verão, Annabelle se entrega aos beijos tentadores de Simon... e descobre que o amor é um jogo perigoso. No primeiro livro da série As Quatro Estações do Amor, Annabelle sai em busca de um marido, mas encontra amizades verdadeiras e desejos intensos que ela jamais poderia imaginar.”

Seduzida por um guerreiro escocês, da Maya Banks:
Já cansei de falar o quanto esse livro me surpreendeu e não poderia deixar de mencioná-lo aqui. Eu não esperava nada desta leitura, mas encontrei um romance bem construído, com uma protagonista feminina realmente forte e corajosa, e um mocinho daqueles que fazem qualquer uma se apaixonar. Sem dúvida, recomendo de olhos fechados.
Sinopse: “Conheça uma mulher extraordinária cujos dons irão ajudar um rude guerreiro a ouvir o próprio coração Eveline Armstrong é imensamente amada e protegida por seu clã, mas as pessoas a consideram diferente, pois apesar de ser linda e encantadora, a moça sofreu um acidente que lhe causou sequelas não só psicológicas, mas também físicas, visto que ela ficou surda. Satisfeita com sua vida reclusa, ela aprendeu a ler lábios e permitiu que o mundo a enxergasse como uma tola. Contudo, quando um casamento arranjado a torna esposa de Graeme Montgomery, integrante de um clã rival, Eveline aceita seu destino – despreparada para os deleites que viriam. Enredado pelos mistérios de Eveline, cujos lábios silenciosos são cheios de tentação, Graeme vê seu casamento ameaçado devido às rivalidades entre clãs e agora deverá enfrentar inúmeras adversidades para salvar a mulher que lhe despertou tanto amor.”


Como agarrar uma herdeira, da Julia Quinn
Eu adoro os livros da Julia Quinn, mas esse é, sem dúvida, um dos meus favoritos. Ele foge um pouco do padrão dos romances de época que já li, com um enredo repleto de ação e aventura. Além disso, os diálogos são muito engraçados e o casal principal é totalmente cativante. Recomendo muito para quem quer um romance de época com boas doses de humor e ação. Resenha aqui.
Sinopse: “Como agarrar uma herdeira inaugura a série Agentes da Coroa. Quando Caroline Trent é sequestrada por engano por Blake Ravenscroft, não faz o menor esforço para se libertar das garras do agente perigosamente sedutor. Afinal, está mesmo querendo escapar do casamento forçado com um homem que só se interessa pela fortuna que ela herdou. Blake a confundiu com a famosa espiã espanhola Carlotta De Leon, e Caroline não vai se preocupar em esclarecer nada até completar 21 anos, dali a seis semanas, quando passará a controlar a própria herança milionária. Enquanto isso, é muito mais conveniente ficar escondida ao lado desse sequestrador misterioso. A missão de Blake era levar “Carlotta” à justiça, e não se apaixonar por ela. Depois de anos de intriga e espionagem a serviço da Coroa, o coração dele ficou frio e insensível, mas essa prisioneira se prova uma verdadeira tentação que o desarma completamente.”

Volte para mim, da Paola Aleksandra
Uma das minhas leituras favoritas do ano, esse livro não poderia ficar de fora. É um livro que vai muito além do romance, trazendo uma protagonista em uma jornada muito bonita de autodescoberta e dramas familiares realmente tocantes. Fiquei encantada com a escrita da Paola e não vejo a hora de ler outros livros dela. Resenha aqui.
Sinopse: "Aos dezesseis anos, Brianna Hamilton fugiu da Inglaterra para a Escócia, abandonando sua família e as obrigações como herdeira de um duque. Em meio aos prados escoceses, a ovem encontrou refúgio e descobriu mais sobre a mulher que desejava ser. Mas, onze anos após a fuga, uma dolorosa verdade fará com que ela deseje nunca ter partido. Voltar será como relembrar o passado, a fuga, o medo e as escolhas que precisou fazer. E, enquanto luta para reconquistar seu lugar junto à família, Brianna precisará superar Desmond Hunter, melhor amigo e primeiro amor, que anos atrás ela escolheu deixar para trás. Volte para mim é um romance arrebatador sobre recomeços, sentir-se inteira e, acima de tudo, confiar no amor."

Cilada para um marquês, da Sarah MacLean:
Esse foi o primeiro livro que eu li da Sarah MacLean e já bastou para querer ler outros livros dela. Apesar do enredo ser clichê, a autora conseguiu desenvolvê-lo de uma maneira única e apaixonante. Os personagens são bem construídos e os diálogos entre eles são hilários. É um daqueles livros que combinam os melhores elementos dos romances de época em uma leitura leve, envolvente e cativante. Resenha aqui.
Sinopse: “Sophie Talbot é conhecida pela Sociedade como uma das Irmãs Perigosas – mulheres Talbot que fazem de tudo para se arranjar com algum aristocrata. O apelido chega a ser engraçado, pois se existe algo que Sophie abomina é a aristocracia. Mas parece que mesmo não sendo uma irmã tão perigosa assim, o perigo a persegue por todos os lugares.Quando a mais “desinteressante” das irmãs Talbot se torna o centro de um escândalo, ela decide que chegou a hora de partir de Londres e voltar para o interior, onde vivia antes de seu pai conquistar um título. Em Mossband, ela pretende abrir sua própria livraria e encontrar Robbie, um jovem que não vê há mais de uma década, mas que jura estar esperando por ela.No entanto, ao fugir de Londres, seu destino cruza com o de Rei, o Marquês de Eversley e futuro Duque de Lyne, um homem com a fama de dissolver noivados e arruinar as damas da Sociedade. Rei está a caminho de Cumbria para visitar o odioso pai à beira da morte e tomar posse de seu ducado. Tudo o que ele menos precisava era de uma Irmã Perigosa em seu encalço.O Marquês de Eversley está convicto de que Lady Sophie Talbot invadiu sua carruagem para forçá-lo a se casar com ela e conquistar um título de futura duquesa. Já Sophie tenta provar que não se casaria com ele nem que fosse o último homem da cristandade. Mas e quando o perigo tem olhos verdes, cabelos claros e a língua afiada? Essa viagem será mais longa do que eles imaginavam...”

Menção honrosa: Série Os Bridgertons, da Julia Quinn. Acredito que a maioria das pessoas já tenha, pelo menos, ouvido falar dessa série. Por esse motivo, não inclui esses livros na lista. No entanto, O duque e eu foi o primeiro romance de época que eu li e O visconde que me amava é o meu romance de época favorito. Portanto, não poderia deixar mencioná-los aqui e dizer que eu recomendo para aqueles que amam o gênero ou querem começar a ler.

Mas agora quero saber as indicações de vocês. Quais romances de época vocês recomendam de olhos fechados? Algum desses que eu citei também estaria na lista de favoritos de vocês? Me contem aí nos comentários.

[Resenha] Arte & Alma

26 de nov de 2018



Sabe aquele livro que já te conquista pela capa? Definitivamente, este é o caso de Arte & Alma, da Brittainy C. Cherry, que foi lançado no Brasil pela Galera Record. Assim que eu vi essa capa, já sabia que queria ler o livro. Como eu já tinha lido outro livro e um conto da autora e gostado muito, a expectativa foi maior ainda.
Para quem não sabe, a Brittainy C. Cherry é autora do best-seller Sr. Daniels e da série ElementosO ar que ele respira, A chama dentro de nós, O silêncio das águas e A força que nos atrai. Lançado no Brasil em outubro, Arte & Alma é um romance Young Adult que, contando a história de dois adolescentes que se encontraram no pior momento de suas vidas, vai mostrar a importância de seguir o coração para se reencontrar.

Autora: Brittainy C. Cherry
Editora: Galera Record
Tradução: Priscila Catão
Páginas: 308
Onde comprar: Amazon
Exemplar cedido pela editora
Sinopse: “O novo livro de Brittainy C. Cherry mostra a necessidade de encontrar-se e valorizar o que tem mesmo quando as coisas parecem desmoronar ao redor. Aria Watson era considerada invisível na escola, mesmo com todo seu talento para arte; em casa era uma boa filha e irmã. Mas tudo mudou quando ela anunciou, aos 16 anos, que estava grávida. E a notícia caiu como uma bomba. Agora ela está aterrorizada e se sentindo mais sozinha do que nunca. Levi Myers mudou-se para Wisconsin para ficar com o pai, que não via desde os 11 anos. Ele precisava se afastar um pouco da mãe e passar um ano com o pai parecia uma boa ideia, mas agora Levi não tem mais certeza. Se a mãe tem problemas, o pai é pior. Dois adolescentes passando por momentos difíceis e que, sem querer, encontram um no outro alguém que compreenda o que estão passando. Os dois estão despedaçados por dentro, cheios de cicatrizes. Mas, nas manhãs no bosque, enquanto tentam alimentar cervos, ou esperando o ônibus para escola, eles compartilham seus medos e incertezas. Levi está dividido entre o pai e a mãe e Aria precisa decidir o futuro do bebê que está gerando. Em palavras, e até mesmo no silêncio, os dois fazem um ao outro um pouco mais fortes. Apaixonar-se não era o plano, mas às vezes é difícil resistir quando alguém parece entender tão bem sua dor e solidão.”

Em Arte & Alma, vamos acompanhar a trajetória de dois adolescentes que se encontraram no pior momento de suas vidas, mas, contrariando as expectativas, vão descobrir um no outro a força para seguirem em frente. Aria tem 16 anos sempre foi a filha perfeita, com um comportamento irrepreensível e notas impecáveis. Na escola, ela era invisível para a maioria dos colegas, mas estava feliz com a amizade de seu amigo de infância, Simon. Porém, tudo estava prestes a mudar e ela sabia que se tornaria alvo da hostilidade dos outros alunos, além de decepcionar seus pais.
Já Levi acabou de se mudar para a cidade a fim de passar um tempo com o pai. Ele tem sido criado pela mãe desde o divórcio deles, mas decidiu se mudar tanto para fugir um pouco dos problemas que enfrentava em casa quanto para tentar resgatar sua relação com o pai. Por traz de uma fachada sorridente e alegre, ele escondia um peso e uma tristeza grandes demais para alguém ainda tão jovem.
Quando os caminhos de Aria e Levi se cruzam, suas coisas os aproximam: o reconhecimento de alguém que também está com o coração cheio de marcas e inseguranças, e o amor pela arte. Aria se encontra quando está pintando, e Levi se expressa através das músicas. Surge, então, uma amizade baseada na compreensão, companheirismo e amor pela arte. Mas quando outro sentimento começa a surgir, eles se perguntam se daria certo se apaixonar quando tudo à volta deles está desmoronando.
“Tínhamos nos tornado as obras-primas das almas mais solitárias do mundo. As cores em nossos olhos morreram de tanto sangrar. E naquele momento percebemos que, às vezes, as obras de arte mais lindas eram criadas pelas almas mais sombrias.”


Como eu já tinha mencionado no início da resenha, esse livro despertou meu interesse por essa capa maravilhosa. No entanto, preciso dizer que a história foi ainda mais linda e me conquistou completamente. A trama pode até parecer clichê, mas os dramas vivenciados pelos personagens são muito reais e isso contribuiu muito para que eu me envolvesse com a leitura. Foi fácil compreender as dificuldades que ambos enfrentavam e, com isso, ter empatia por eles.
A Aria foi uma protagonista que me surpreendeu muito, tanto pela maturidade que demonstrou ao lidar com questões realmente sérias, quanto pelo fato de ter conflitos com os quais muitas pessoas podem se identificar. Além disso, gostei de perceber que, apesar de estar enfrentando uma situação realmente difícil, ela não se deixa abater e tem seus momentos divertidos também. Assim, apesar de ter seus medos e suas dúvidas, Aria está longe de ser uma personagem excessivamente dramática.
“Eu não estava pronta para o amanhecer. Não estava pronta para voltar para casa. Não estava pronta para o fato de que o dia seguinte seria o primeiro dia de aula, e eu seria aquela garota. [...] Aquela que passaria a ser notada não pelo seu jeito artístico, mas por suas más decisões.”
Já o Levi eu queria colocar em um potinho e proteger do mundo. Que personagem mais fofo! Assim como Aria, ele também tem um coração bastante machucado e por motivos muito reais. No entanto, ele tem uma capacidade tão grande olhar para além dos seus problemas e enxergar o próximo que é impossível não se encantar com ele. E, se não bastasse tudo isso, Levi ainda é inteligente e com um senso de humor afiado. Alguma dúvida de quem foi meu personagem favorito da série?
“Pela primeira vez, eu mostrei a Aria quem eu realmente era. Eu lhe mostrei a minha verdade. Em meus olhos, ela viu o isolamento que eu nunca mostrava para ninguém. Ela viu o sofrimento em minha alma que eu escondia por trás de sorrisos e mentiras.”
Mas não pensem que os dois protagonistas foram os únicos personagens importantes no livro. Tanto a família de Aria quanto a de Levi desempenham papeis importantes e tiveram conflitos bem construídos. Em especial, gostei muito do desenvolvimento do pai do Levi. Ele não é um personagem muito carismático, mas foi interessante ir descobrindo mais informações sobre ele ao longo do livro até entender os motivos que o levaram a ser como era.



E o que dizer da escrita da Brittainy C. Cherry? Em meus primeiros contatos com obras da autora, eu já havia considerado a leitura muito envolvente e os personagens bem construídos. No entanto, achei que em Arte & Alma ela conseguiu equilibrar melhor os momentos dramáticos, deixando a leitura mais leve. Além disso, ela teve muita sensibilidade tanto na construção dos personagens individualmente quanto no desenvolvimento do romance, o que deixou a história ainda mais tocante.
“Tantas palavras, mas no fim do dia havia apenas uma que se destacava. Uma palavra que significava céu e inferno, dia de sol e de chuva, o lado bom e o lado ruim das coisas. Era a única palavra que fazia sentido quando tudo ao redor estava confuso, sofrido e implacável.”
Já a edição da Galera Record está impecável. A capa é soft touch e tem uma ilustração lindíssima, que tem tudo a ver com a história do livro. Internamente, é mais simples, mas as páginas são amareladas e a fonte utilizada é bastante confortável para leitura. Além disso, não encontrei erros de revisão.
Deste modo, Arte & Alma foi uma leitura que me surpreendeu por ser mais do que um romance entre dois adolescentes. É um livro sobre o amor em suas diferentes formas, e, principalmente, sobre se encontrar em meio a dor. Brittainy C. Cherry conseguiu escrever um romance Young Adult que, apesar de ser uma leitura leve, é sensível e apaixonante, contando com personagens bem construídos e conflitos muito reais. Para quem ama uma leitura emocionante e apaixonante, não pode deixar de conferir esse livro.


[Cinema] Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald

20 de nov de 2018


Hoje, finalmente, vou falar sobre um dos filmes mais aguardados do ano – Animas Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald. Sendo uma potterhead assumida, a minha ansiedade para esse filme estava enorme. Eu adorei o primeiro, Animais Fantásticos e Onde Habitam (falei sobre ele aqui), e não via a hora de saber o que a J. K. Rowling preparou para essa sequência.

Mas, antes de contar o que achei, tenho dois avisos importantes. O primeiro é o de que essa resenha não tem nenhum spoiler do filme Os Crimes de Grindelwald (ou seja, comentarei apenas o que já havia sido revelado nos trailers e na sinopse oficial), porém, contém informações sobre o anterior. Então, não recomendo a leitura deste post para quem não assistiu Animais Fantásticos e Onde Habitam. Já o segundo aviso é que essa análise será simplesmente os comentários de uma fã, que não tem conhecimento técnico nenhum sobre cinema. Ou seja, vai ser uma opinião de uma espectadora e não uma crítica do filme.

Elenco: Eddie Redmayne, Jude Law, Johnny Deep, Katherine Waterston, Erza Miller, Dan Floger, Alison Sudol, Zoë Kravitiz, Callum Turner, Claudia Kim, Jamie Campbell Bower e Toby Regbo.
Duração: 2 h 15 min
Direção: David Yates
Roteiro: J. K. Rowling
Sinopse: “No final do primeiro filme, o poderoso bruxo das trevas Gerardo Grindelwald (Johnny Depp) foi capturado pela MACUSA (Congresso Mágico dos Estados Unidos da América) com a ajuda de Newt Scamander (Eddie Redmayne). Mas, cumprindo sua ameaça, Grindelwald escapou da custódia e começou a reunir seguidores, a maioria desavisada de sua verdadeira intenção: criar magos de sangue puro para dominar todos os seres não-mágicos. Em um esforço para frustrar os planos de Grindelwald, Alvo Dumbledore (Jude Law) recruta seu ex-aluno Newt Scamander, que concorda em ajudar, desconhecendo os perigos que estão por vir. As linhas são desenhadas à medida que o amor e a lealdade são testados, mesmo entre os mais verdadeiros amigos e familiares, em um mundo bruxo cada vez mais dividido.”

Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald começa alguns meses após o final do filme anterior. Gellerd Grindelwald continua preso e está prestes a ser transferido dos EUA para a Inglaterra. Tendo se mostrado um prisioneiro muito persuasivo e eloquente, foram usados todos os meios possíveis para mantê-lo isolado. No entanto, não demora para que ele consiga escapar e se reunir a alguns dos seus seguidores. Ele parte para a França a fim de encontrar Creedence e usar os poderes dele em seus planos contra os não-mágicos e os bruxos que os defendem.

Enquanto isso, Newt Scamander conseguiu publicar seu livro e agora tenta se livrar da proibição para viagens internacionais. Mesmo sem conseguir a autorização que esperava, ele acaba viajando clandestinamente para a França, a pedido de Dumbledore, e leva junto o não-bruxo, Jacob Kowaski. Em Paris, eles encontram a auror Tina Goldstein, enquanto Jacob procura pela irmã dela, Queenie. Paralelamente, Teseu Scamander (irmão mais velho do Newt) e sua noiva Leta Lestrange trabalham para o Ministério da Magia tentando deter Grindewald, enquanto lidam com questões do passado da família Lestrange que estavam voltando à tona.

Warner Bros. Entertainment Inc. All Rights Reserved / Jaap Buitendijk

Confesso que enquanto escrevo esse texto, ainda não consegui processar tudo que aconteceu nesse filme. Como já dá para ver pela própria sinopse, há vários personagens novos e muitas subtramas, o que implica em um filme com muitas informações. No entanto, quero deixar claro que isso não se mostrou um problema (pelo menos para mim), porque as tramas dos diferentes núcleos do filme foram interessantes de se acompanhar e se conectaram de maneira satisfatória no final. Só teve um personagem que, para mim, não acrescentou nada na história e poderia ter sido facilmente retirado. Porém, não foi algo que chegou a me incomodar.
Achei esse filme bem mais dinâmico que seu antecessor, tanto que mal vi o tempo passar enquanto estava no cinema. Para mim, isso se deveu em grande parte à habilidade de J. K. Rowling tanto em apresentar as motivações e os dramas dos personagens, fazendo com que eu me envolvesse com as jornadas de cada um deles, quanto em equilibrar bem ação, comédia, mistério, drama e, até mesmo, um pouco de romance. Com isso, fiquei com a atenção presa à história durante todo o filme.
Por se tratar de um filme de transição da franquia, o roteiro é bem menos amarrado do que o antecessor. Assim, ele não responde muitas questões e traz várias outras que deixam o espectador desesperado pela continuação. Vi muitas pessoas reclamando disso, mas, sinceramente, já era algo que eu esperava. Apesar de alguns tropeços aqui e ali, o roteiro do filme cumpriu bem o que se propôs: apresentou os personagens que serão importantes nos próximos filmes, desenvolveu melhor aqueles que já conhecíamos e definiu o rumo que a história irá seguir.

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Com relação às atuações, eu saí do cinema muito satisfeita. Eddie Redmayne está ainda mais seguro como Newt Scamander, mostrando a mesma inocência e idealismo do que havíamos visto no filme anterior, mas trazendo outras camadas para o personagem. Em especial, adorei ver a relação dele com o irmão Teseu e com Leta Lestrange e o modo como, apesar de sua quase ingenuidade, Newt é um personagem sábio e muito forte. Além dele, Erza Miller se destacou mais uma vez como Creedence, e Dan Fogler conseguiu transformar o Jacob em um personagem ainda mais carismático do que já era ao proporcionar não apenas momentos muito divertidos, mas outros com uma carga dramática um pouco maior.

No entanto, Animais Fantásticos: Os crimes de Grindelwald tem dois donos: Jude Law e Johnny Deep. Considero que Jude tinha uma responsabilidade maior, pois seu personagem já estava associado há dois outros atores brilhantes, Richard Harris e Michael Gambom. No entanto, ele conseguiu trazer a essência do famoso bruxo e, desde a primeira cena, não tive dúvida de que estava vendo o Dumbledore em toda sua sabedoria, carisma e sensibilidade. Já o Johnny Deep como Grindelwald foi a atuação mais impressionante do filme, conseguindo passar a perversidade e inteligência de seu personagem em todas as cenas em que aparece. Trata-se de um vilão que inspira medo em todas as suas ações, mas que ainda se mostra extremamente sedutor, tanto por seu discurso muito lógico (por mais terrível que seja), quanto por sua habilidade de entender os desejos e vulnerabilidades das pessoas à sua volta e usar isso para atraí-las. Que Lord Voldemort me perdoe, mas Geller Grindelwald é o grande vilão desse universo.

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E por falar em discurso sedutor, considero que o grande mérito deste filme seja seu teor político e como ele evidencia o fato de que, muitas vezes, as maiores atrocidades podem parecer razoáveis quando ditas por um bom orador. Não que isso seja uma novidade no universo de Harry Potter, afinal, já era possível identificar muitas reflexões políticas e sociais nos livros da série. No entanto, em Os Crimes de Grindelwald, elas foram feitas de uma maneira muito mais aberta e contundente.
Preciso dizer ainda que, antes de assistir ao filme, tinha visto muitas críticas afirmando que este filme é confuso, que o roteiro é fraco e, até mesmo, que J. K. Rowling não sabia o que estava fazendo. Com relação ao roteiro, tem alguns problemas sim, especialmente no desenvolvimento de alguns personagens. No entanto, foram tropeços pequenos e nada que tornasse a história confusa.
Há muitas reviravoltas na trama e algumas surpresas que desagradaram parte dos fãs por, supostamente, entrarem em conflito com as informações que já tínhamos do universo de Harry Potter. Na minha opinião, o gancho que a autora deixou para os próximos filmes funcionou muito bem e abriu possibilidade para várias interpretações. Eu, sinceramente, estou mais do que disposta a esperar o que J. K. Rowling fará nos próximos três filmes. A história de Animais Fantásticos só começou e como, até hoje, eu nunca tive motivos para duvidar da habilidade da autora, acredito que ela saberá responder às questões que foram levantadas em Os Crimes de Grindelwald de maneira satisfatória e na hora certa. 
Nesse sentido, não posso deixar de comentar uma coisa: gostar ou não gostar do filme é um direito de cada um. O que não pode é o absurdo que tem acontecido nas últimas semanas, com muitas pessoas atacando e ofendendo a J. K. Rowling e as pessoas que gostaram do filme. Não gostar do rumo que a franquia está seguindo, questionar as escolhas da autora, ou até sua capacidade como roteirista, não dá a ninguém o direito de desrespeitá-la ou àqueles que aprovaram o filme. 
Dito isso, considero que Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald cumpriu muito bem seu papel e me deixou ainda mais ansiosa para assistir à continuação. Foi um filme que me fez revisitar a história que tanto amei e definiu um caminho para a franquia. Já estou completamente apegada ao nosso querido magizoologista, Newt Scamander, e não vejo a hora de ver mais da história de Dumbledore e Grindelwald. E, se ainda faltassem motivos para querer continuar acompanhando a franquia, já foi confirmado que o próximo filme se passará no Brasil, e eu não vejo a hora de saber como nosso país vai se encaixar nesse universo.
E vocês, já assistiram Animas Fantásticos: Os crimes de Grindelwald? Me contem aí nos comentários o que acharam. Mas sem dar spoilers hein? Ainda tem muitas pessoas que não viram o filme.



[Resenha] Um acordo e nada mais

15 de nov de 2018


Aproveitando que hoje é feriado e amanhã é sexta-feira, nada melhor do que uma dica de leitura envolvente e apaixonante para aproveitar esses dias, não? Por isso, a resenha de hoje é sobre Um acordo e nada mais, da Bary Balogh, segundo volume da série O Clube dos Sobreviventes. Para que não leu o primeiro livro, as tramas desta série são independentes e eles podem ser lidos separadamente, porém, como há uma ligação entre os personagens de ambos os livros e o casal do livro anterior aparece nesse, recomendo a leitura na sequência (tem resenha do primeiro aqui).
Quando li Uma proposta e nada mais, senti que Mary Balogh trouxe uma trama mais séria do que estamos acostumados a ver em romances de época, com personagens mais complexos e maduros. Em Um acordo e nada mais, essa sensação foi confirmada. Nesse livro, mesmo com uma trama leve, fiquei feliz por encontrar novamente uma profundidade maior do que o padrão deste gênero.

Autora: Mary Balogh
Editora: Arqueiro
Tradução: Livia de Almeida
Páginas: 304
Onde comprar: Amazon
Sinopse: “Embora Vincent, o visconde Darleigh, tenha ficado cego no campo de batalha, está farto da interferência da mãe e das irmãs em sua vida. Por isso, quando elas o pressionam a se casar e, sem consultá-lo, lhe arranjam uma candidata a noiva, ele se sente vítima de uma emboscada e foge para o campo com a ajuda de seu criado. No entanto, logo se vê vítima de outra armadilha conjugal. Por sorte, é salvo por uma jovem desconhecida. Quando a Srta. Sophia Fry intervém em nome dele e é expulsa de casa pelos tios sem um tostão para viver, Vincent é obrigado a agir. Ele pode estar cego, mas consegue ver uma solução para os dois problemas: casamento. Aos poucos, a amizade e o companheirismo dos dois dão lugar a uma doce sedução, e o que era apenas um acordo frio se transforma em um fogo capaz de consumi-los. No segundo volume da série Clube dos Sobreviventes, você vai descobrir se um casamento nascido do desespero pode levar duas pessoas a encontrarem o amor de sua vida.”

Em Um acordo e nada mais, Vincent, o visconde de Darleigh está cansado do controle e da proteção excessiva de sua mãe e irmãs. Quando tinha 18 anos, ele sofreu um grave ferimento em batalha e acabou ficando cego. Por causa disso, sua família passou a tentar protegê-lo de todas formas, mesmo depois dele ter herdado o título e a fortuna. No entanto, quando descobre que sua mãe e suas irmãs estavam tentando armar para que ele se casasse, Vincent sente que era hora de fugir.
No entanto, quando retorna para a cidade onde havia crescido, Vincent acaba quase sendo vítima de uma armadilha de casamento. Ele só consegue escapar graças a interferência de Sophia Fry, que sabia que os tios estavam tentando se aproveitar da deficiência visual dele para colocá-lo em uma situação comprometedora com sua filha, Henrietta March, e forçá-lo a se casar. O problema é que, após ajudá-lo, Sophia é expulsa de casa pelos tios.
Quando fica sabendo da situação da jovem, Vincent decide ajudá-la e acaba tendo uma ideia. Ele propõe que os dois se casem, o que faria com que Sophia ficasse amparada financeira e socialmente, enquanto Vincent poderia se livrar da proteção excessiva da família. Mas será que a convivência poderia fazer com que, de um simples acordo de conveniência, surgissem sentimentos verdadeiros?
“Talvez não tivesse sido tão precipitado assim, afinal de contas. Tinha a forte sensação de que poderia vir a gostar dela – não apenas porque estava determinado a gostar, mas porque... Bem, porque ela era uma pessoa digna de ser amada.”



Esse livro foi uma surpresa muito agradável. Apesar de ter gostado de Uma proposta e nada mais, senti que o romance demorou a me convencer. Eu gostava dos protagonistas individualmente, mas como casal não sentia a ligação entre eles. Já em Um acordo e nada mais encontrei um romance daqueles em que torcemos pelo casal desde o primeiro momento. É uma relação muito bonita, que vai se desenvolvendo aos poucos e com naturalidade, o que contribui muito para que o leitor se envolva com a leitura.
Sophia é uma personagem que me apeguei muito, porque faz o leitor exercer sua capacidade de empatia. Ela cresceu sem a mãe, sendo negligenciada por todos os parentes que cuidaram dela desde a infância, incluindo os tios com quem passou a viver após a morte do pai. Assim, ela se acostumou a não ser vista, ouvida e, até mesmo, respeitada. Se via como uma ratinha invisível e tinha sérios problemas de autoestima e confiança. No entanto, nem mesmo os anos de sofrimento tiraram de Sophia sua inteligência, seu senso de humor afiado e sua criatividade.
“Sua vida havia mudado de repente e de forma drástica. E ela ainda se comportava como uma ratinha assustada. Às vezes, é preciso esforço e determinação para não se deixar simplesmente levar pela vida, sem mudar. A mudança tinha chegado e ela tinha a chance de mudar – ou não.”
Trata-se de uma protagonista cativante, mas reconheço que, às vezes, pode ser cansativo ver o quanto ela se desmerece. No entanto, a questão aqui é tentar se colocar no lugar de Sophia e entender os danos que anos de maus tratos e abandono poderiam causar nos sentimentos de uma pessoa, especialmente alguém tão jovem como ela. Entendo esse lado da personagem e adorei vê-la se descobrindo e aprendendo a se valorizar.
Já o Vicent é um personagem que chamou minha atenção desde o livro anterior. Tendo perdido a visão com apenas 18 anos, seria natural se ele tivesse se amargurado ou se fechado para o mundo. Porém, Vincent não perdeu seu senso de humor e sua natureza determinada e corajosa. Além disso, ele é generoso, justo e demonstra uma gentileza para com os outros que me encantou. No entanto, é claro que o que aconteceu na guerra deixaria traumas e conflitos com os quais Vincent precisaria lidar, especialmente a culpa por ter provocado o próprio acidente e a perda de autonomia devido ao controle da família.
“Não corroboraria a loucura juvenil permitindo que a luz de dentro dele se extinguisse. Viveria a sua vida. E a viveria plenamente. Faria algo dela e de si mesmo. Não se renderia à depressão ou ao desespero.”
Assim, um dos aspectos que mais gostei nesse livro é o fato de que ele não foca exclusivamente no romance. Tão importante quanto a relação que surge entre Sophia e Vincent é o desenvolvimento pessoal deles. Os dois têm feridas que precisavam ser cicatrizadas e é muito interessante acompanhá-los nessa jornada de autodescoberta e superação.



Mas é claro que o romance acontece e é lindo de se acompanhar. Apesar de ser um casamento de conveniência, Vincent e Sophia se respeitaram desde o começo, pois um conseguia entender a dor do outro. Com isso, eles acabaram desenvolvendo uma cumplicidade grande antes de se apaixonarem. Além disso, ambos são personagens criativos, inteligentes, com um senso de humor afiado e que despertam o melhor um do outro, o que os torna ainda mais cativantes e contribui para que o leitor torça por eles durante todo o livro.
“Apesar de sua beleza quase inacreditável, era apenas um homem. Apenas uma pessoa. Como ela, era vulnerável. Como ela, vinha levando uma vida em muitos aspectos passiva. Como ela, sentia a necessidade, o intenso desejo de viver. De levar a melhor sobre a vida em vez de simplesmente suportá-la. De ser livre e independente... Não eram tão diferentes quanto ela pensara.”
Com relação aos personagens secundários, esse livro é mais centrado no casal principal do que o anterior. No entanto, isso não significa que outros personagens não tenham espaço ou relevância na trama. Os outros membros do Clube dos Canalhas aparecem nesse livro e desempenham um papel importante, especialmente na adaptação de Sophia. Além disso, há Martin, o criado de Vincent, que se mostra um amigo extremamente leal e que me conquistou por sua dedicação a ele.
A trama é bastante simples e não possui grandes reviravoltas, mas o que fez com que esse livro se tornasse uma leitura tão especial foi o envolvimento tanto com a jornada pessoal dos protagonistas quanto com o desenvolvimento do romance. Além disso, Mary Balogh tem uma escrita envolvente e muito sensível, que torna a leitura bastante fluida. Ela sabe dosar os momentos de humor, drama e romance, deixando a história interessante mesmo quando não há acontecimentos marcantes.
Não posso deixar de dizer também o quanto essa edição está linda. A capa segue o mesmo padrão do livro anterior, que, apesar de simples, é muito bonito. As folhas são amareladas, e achei a fonte e o espaçamento muito bons, o que deixa a leitura bastante confortável.
Deste modo, Um acordo e nada mais foi uma leitura que teve os mesmos elementos que me agradaram no volume anterior, mas com um romance ainda mais encantador. O livro conta com personagens bem construídos e muito humanos, que cativam o leitor e conquistam a nossa torcida. Estou começando a conhecer a escrita da Mary Balogh, mas esse livro me deu a certeza de que não apenas quero continuar essa série, como pretendo conhecer outras obras da autora. Para quem procura um romance de época mais profundo e, ainda assim apaixonante, não pode deixar de conhecer os livros de O Clube dos Sobreviventes.

Sorteio de Aniversário - Leituras da Mary


Em comemoração ao aniversário do blog Leituras da Mary, organizamos um sorteio mega especial para os amantes de romances de época. Confira e participe!!
Quero agradecer a todos que nos acompanharam durante esses 5 anos, que estão sempre interagindo nas nossas redes sociais e nos enchendo de carinho aqui no blog.
Fique ligadinho no blog e nas redes sociais, pois teremos muitas novidades, dicas, resenhas, tags e várias outras coisas relacionadas à esse universo de época que tanto amamos. Também estão rolando outros sorteios incríveis lá no Instagram, vou deixar linkado no final do post os outros sorteios do #NovembrodeÉpoca.

Confira o Regulamento


- Para participar, basta preencher as entradas obrigatórias do formulário. O participante que não estiver seguindo as entradas obrigatórias serão desclassificados, caso seja sorteado na promoção.

- O participante que for sorteado deverá estar segundo todas as redes sociais presentes no formulário e não apenas uma, o aplicativo do sorteio sorteará apenas uma das entradas, mas o participante precisa estar seguindo todas para ser desclassificado.

- É necessário Curtir (e não apenas visitar) as páginas dos Blogs.

- Os participantes devem residir em território nacional.

- Será sorteado um kit 4  livros e mimos para 1 único vencedor.

- O sorteio será finalizado dia 30/11 e o resultado sairá nesse mesmo post até o dia 02/12.

- Os ganhadores receberão um e-mail e precisam respondê-lo com seus dados em até 72 horas, ou serão desclassificados.

- Cada Blog, autor e editora são responsáveis pelo envio de seu respectivo prêmio.

- Os blogs e editoras não se responsabilizam por possíveis extravios ou danos por parte dos correios.

- O prazo para envio é de até 45 dias após a confirmação dos dados do vencedor.


Confira quem está disponibilizando os prêmios do sorteio


1- Um acordo e nada mais – Mary Balogh. (cedido pela editora Arqueiro)

2- A torre do amor – Eloisa James. (cedido pela editora Arqueiro)

3- Sob os acordes dos anjos - Chirlei Wandekoken + marcadores (cedido pela editora Pedrazul)

4- A Casa das enhoras distintas- Lis Wey (cedido pela autora)

5- Kit Aline Galeote, copo, conto, marcadores e boton. (cedido pela autora)

6- Kit de marcadores da autora Silvana Barbosa. (cedido pela autora)



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Sorteios que estão rolando no Instagram 

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