[Resenha] Alguém para amar

10 de dez. de 2019


Olá, pessoal! Como vocês estão? A resenha de hoje será sobre um livro que venho enrolando um pouco para comentar com vocês: Alguém para amar, da Judith McNaught. Esse é o último livro da trilogia, que começou com os livros Agora e Sempre e Algo Maravilho. E, para quem ainda não conferiu, tem resenha dos dois aqui e aqui.
Para quem leu minha resenha sobre Agora e Sempre no começo do ano, sabe que não foi o melhor dos começos e, por vários motivos, terminei a leitura decepcionada e indignada. Porém, escolhi dar uma segunda chance para a autora e tive uma surpresa incrível quando li Algo Maravilhoso. Terminei de ler completamente apaixonada e com altas expectativas para o último livro.

Então, claro que assim que recebi Alguém para amar, dei um jeito de correr para incluí-lo nas minhas leituras. E, agora, vou poder contar para vocês o que achei e se valeu a pena ter continuado com essa trilogia.

Autora: Judith McNaught
Editora: Bertrand Brasil
Páginas: 518
Onde comprar: Amazon
Exemplar recebido de parceria com a editora
Sinopse: “Nova edição de um dos clássicos de Judith McNaught. Com orelha assinada por Carina Rissi. Em toda a Inglaterra, não há beleza que se compare à de Elizabeth Cameron, a Condessa de Havenhurst. Criada longe dos salões londrinos, ela não sabia que ligações afetivas e financeiras frequentemente se entrelaçam em sutis arranjos de interesses. Quando Ian Thornton, um homem atraente, de origem misteriosa e perigosamente hábil nos jogos sociais aparece, a ingenuidade de Elizabeth a impede de suspeitar de seu comportamento. Os dois embarcam numa relação permeada de intrigas, escândalos e irrefreável sensualidade... mas será amor verdadeiro? “Judith McNaught consegue dosar irreverência e sensualidade de maneira magistral em seus romances. Em Alguém para amar, ela cria personagens encantadores, intrigantes, e os envolve ― e ao leitor ― em uma inesquecível história de amor, sobre duas pessoas muito diferentes, mas com o mesmo desejo de encontrar seu lugar no mundo.” – Carina Rissi.”

No livro Alguém para amar, iremos acompanhar a jovem condessa Lady Elizabeth Cameron. Depois de se tornar a sensação da temporada em seu debut, Elizabeth recebeu diversas propostas de casamento. Porém, ao conhecer o misterioso e atraente Ian Thornton, Elizabeth acaba se vendo envolvida em algumas intrigas que destroem sua reputação e a transformam em uma pária para a sociedade.
Dois anos depois, ela estava vivendo isolada em sua propriedade, tentando sobreviver após aqueles tristes acontecimentos e o abandono de seu irmão, que fugiu para evitar as dívidas. Para conseguir se manter, Elizabeth dependia da ajuda de seu tio avarento, que estava constantemente reclamando de ter que auxiliá-la. Para resolver a questão, ele decidiu escrever a todos os antigos pretendentes de Elizabeth oferecendo a mão dela em casamento. Apenas três responderam afirmativamente, incluindo Ian.

Com isso, o caminho de Elizabeth e Ian se encontra novamente e eles precisam encarar os acontecimentos do passado. Seria possível perdoar todas as mágoas desses dois anos? E será que o que eles sentiram quando se conheceram era uma atração passageira ou um sentimento capaz de superar tudo que passaram? 


Aviso: Os livros dessa trilogia são independentes. No entanto, os personagens deste livro têm relação com os de Algo maravilhoso. Por isso, recomendo que esses dois sejam lidos na ordem.

A primeira coisa que preciso dizer sobre Alguém para amar é o quanto a escrita da Judith McNaught é envolvente. Senti isso desde o primeiro livro da trilogia, em que, mesmo querendo matar o protagonista, não conseguia parar de ler. E mais uma vez me vi completamente presa na leitura, mergulhada nas páginas e ansiosa para saber o que aconteceria com os personagens.
E uma das principais razões para o meu envolvimento com o livro foi justamente o carisma da protagonista e dos demais personagens. Não foi difícil me apegar à Elizabeth, pois trata-se de uma personagem gentil, generosa e com uma inocência cativante, mas que também se mostra madura e muito inteligente. Além disso, é impossível não se solidarizar com a situação triste em que ela se vê envolvida e adorei ver o quanto ela cresce e se fortalece a partir disso. A evolução da Elizabeth é notável ao longo do livro e fez com que eu gostasse ainda mais da leitura.
Já o Ian é um mocinho muito interessante e bem construído, e acho que a autora conseguiu um ótimo equilíbrio com ele. Por um lado, é um personagem atraente e misterioso, que faz com que a gente se apaixone por ele logo de cara. Por outro, ele apresenta muitas camadas e comete muitos erros ao longo da trama. O passado o tornou um homem mais rancoroso e isso o leva a muitas atitudes que não concordei. Porém, acredito que a autora conseguiu mostrar o quanto ele aprendeu e se arrependeu com seus erros. Assim como Elizabeth, Ian evolui muito ao longo do livro e amei acompanhar esse processo de amadurecimento.

Com relação aos personagens secundários, não tenho do que reclamar. Adorei Duncan, tio do Ian, e Lucinda, a acompanhante de Elizabeth. Eles proporcionaram ótimos momentos na história e foram fundamentais para o crescimento dos protagonistas. Além disso, nesse livro alguns personagens de Algo maravilhoso aparecem e têm papel de destaque. Adorei rever esses personagens, que já haviam me cativado tanto no segundo livro, e acredito que eles contribuíram muito para aumentar meu envolvimento emocional com esse terceiro volume. Aliás, aproveito para reforçar que, apesar de se tratarem de livros independentes, recomendo que leiam pelo menos Algo maravilhoso antes de ler esse, já que os personagens têm relação.



Outro ponto que não posso deixar de destacar é, claro, o romance. Adorei ver como se deu a aproximação entre o Ian e a Elizabeth e ver tudo que precisaram enfrentar depois. Mesmo que a atração entre os dois tenha sido rápida, dá para entender as razões que levaram a que um se sentisse atraído pelo outro. Além disso, os sentimentos deles passam por várias provações depois e ambos precisam amadurecer muito individualmente para que essa relação fosse possível. Assim, é um relacionamento bem construído e convincente, que faz com que o leitor consiga acreditar nos sentimentos do casal e torcer para que eles consigam superar todos os obstáculos que surgem.
Não posso negar que, em relação à trama, senti que a autora enrolou em alguns momentos e o livro poderia ser um pouco melhor. Porém, os personagens são tão cativantes e a escrita da autora flui tão bem que em nenhum momento senti a leitura arrastada. Fiquei completamente envolvida com a trama e pelos sentimentos intensos que esta história despertou.
De um modo geral, eu comecei e terminei essa trilogia com sentimentos praticamente opostos. Mas, por mais críticas que eu tenha a Agora e Sempre, foi impossível não ficar feliz por ter lido os dois livros seguintes. Algo maravilhoso resgatou minha confiança nessa trilogia e o terceiro livro veio para provar que valeu muito a pena continuar. Alguém para amar encerra a trilogia de uma maneira brilhante, que emociona o leitor com personagens apaixonantes e uma trama que vai além do romance, trazendo uma história de amadurecimento e perdão. Para quem procura um romance de época que foge do padrão e que é capaz de aquecer o coração, não pode deixar de conferir.

[Resenha] Amor sob encomenda

19 de nov. de 2019


Olá, pessoal! Hoje eu vim trazer a resenha de um livro que era um dos lançamentos mais aguardados do ano – pelo menos para mim hehe. Estou falando de Amor sob encomenda, da Carina Rissi. E por que eu estava tão ansiosa? Poderia começar do óbvio e dizer que é por se tratar de um livro da Carina. Porém, mais do que isso, é mais um livro envolvendo a família Cassani e eu já estava ansiosa para saber se esse também iria me conquistar.

Para quem não sabe, Amor sob encomenda é mais um spin-off do livro Procura-se um marido. Naquele primeiro livro, Carina nos apresentou ao Max Cassani, um dos mocinhos mais encantadores que já li. Depois dele, veio o livro Mentira Perfeita, sobre o Macus, irmão caçula do Max. E agora, temos Amor sob encomenda, que apresenta mais um membro dessa família maravilhosa. Então, está na hora de contar para vocês o que achei da leitura.

Autora: Carina Rissi
Editora: Verus
Páginas: 546
Onde comprar: Amazon
Exemplar recebido em parceria com a editora
Sinopse: “Novo romance da autora do best-seller Perdida. Melissa Gouvêa está totalmente focada na profissão. Responsável pela situação financeira da família, incluindo o caro tratamento médico da mãe, a determinada assistente sonha em se tornar a produtora de eventos da Allure. Como se casar não faz parte de seus planos no momento, ela se assusta ao saber que o namorado foi visto comprando um anel de noivado.Mas Mel não devia ter se preocupado tanto, já que o anel não era para ela e, pior ainda, a Allure foi contratada para o cerimonial do canalha. Mesmo assim, Melissa aceita o maior desafio de todos: produzir o casamento do ex.A bagunça em sua vida aumenta quando ela se vê dividindo o apartamento com o cara mais irritante, cínico, atrevido ― e muito lindo, infelizmente ― que conhece.Melissa devia se concentrar em manter o que resta de seu coração a salvo e sobreviver ao casamento do ex. O problema é que o novo colega de apartamento confunde sua razão e seus batimentos cardíacos, despertando desejos avassaladores até então desconhecidos. Tarde demais, Mel se dá conta de que seu coração nunca correu tanto perigo...Amor sob encomenda vem cheio de humor, amor e emoção e apresenta uma história que nos fará refletir a respeito do que realmente é importante na vida.”

Em Amor sob encomenda, Carina Rissi traz como protagonista Melissa, uma organizadora de casamento brilhante no que faz e muito, muito determinada. Tudo na vida dela é planejado, porque Melissa não pode se dar ao luxo de errar e perder o emprego que é tão importante para ela. E, no campo amoroso, também não há motivo para se preocupar: ela namora há um ano com um cara tranquilo e compreensivo, que entende os horários malucos dela e sua dedicação ao trabalho.
Porém, tudo vira de cabeça para baixo quando Melissa consegue a maior oportunidade da sua carreira e organizar o casamento dos seus sonhos. O problema? O noivo é ninguém mais ninguém menos do que seu namorado. Então, para manter seu emprego, Melissa terá que superar a traição e se esforçar para fazer o casamento mais incrível que já planejou.

E, como tudo sempre pode piorar, uma série de confusões acabam fazendo com que Melissa precise dividir apartamento com Nicolas Cassani, o irritante, mulherengo, insuportável e extremamente charmoso primo de um dos noivos que ela organiza o casamento. Tudo deveria ser só um acordo entre duas pessoas que precisavam muito de um lugar para morar, mas será que a convivência poderia mostrar à Melissa um Nicolas capaz de derrubar as barreiras que ela construiu ao redor de si mesma? 


Observação: Os livros dessa série são independentes e esta resenha NÃO tem nenhum spoiler dos anteriores. Porém, deixo a sugestão de que os livros sejam lidos na ordem, porque acontecimentos dos anteriores são mencionados nesse livro.

O que dizer de Amor sob encomenda, gente? Eu nunca escondi que Procura-se um marido e Mentira Perfeita são os meus favoritos da Carina Rissi, e claro que minhas expectativas estavam lá no alto para esse novo livro. Mas não é que a Carina conseguiu fazer eu me apaixonar mais ainda? Tem tantas coisas que eu quero comentar sobre esse livro que é até difícil começar.
Com relação aos personagens, achei Melissa e Nicolas dois protagonistas cativantes e bem construídos. A Melissa já me conquistou logo no começo pelas situações hilárias em que se meteu e também porque foi impossível não me solidarizar com a sua situação. Se não bastasse a traição do namorado, a chefe megera e o fato de ter que organizar o casamento do ex, Melissa ainda carrega grandes responsabilidades em relação à sua família.
E esse foi o ponto determinante para que eu me apegasse a Melissa. A relação dela com os pais é linda e torna compreensível muitas escolhas que ela faz ao longo do livro. Teve momentos que eu tive vontade de bater nela por algumas situações? Com certeza! Mas os problemas que ela carrega, os traumas do passado e todo o estresse do presente fizeram com que eu conseguisse entender (mesmo não concordando) e ainda querer abraça-la.
Já o Nicolas foi amor à primeira aparição! Sério, eu já tinha ficado encantada quando ele apareceu no livro anterior, mas ele terminou de me conquistar já no primeiro diálogo que teve em Amor sob encomenda. Sabe aquele mocinho que vai ficando mais maravilhoso a cada página? É o próprio Nicolas Cassani. Ele é divertido, irônico, inteligente e muito sedutor. Mas, mais do que isso, é dedicado, atencioso e com uma incrível habilidade de enxergar a dor do outro. E essas características fizeram com que eu quisesse entrar no livro e proteger o Nicolas de tudo.
Com dois protagonistas tão maravilhosos, torcer pelo casal foi inevitável. Para sem bem sincera, eu já queria ver esses dois juntos desde Mentira Perfeita. Sim, a Melissa e o Nicolas aparecem brevemente naquele livro e, por isso, eu recomendo ler na ordem (Procura-se um marido, Mentira Perfeita, Amor sob encomenda). No entanto, vendo a aproximação dos dois e eles se descobrindo com a convivência foi ainda mais especial. Apesar da atração ser óbvia desde o início, a relação dos dois foi construída aos poucos, passando por uma relutante amizade até evoluir para algo mais.

Outro aspecto importante para mim foi o fato da família ser um ponto central nessa trama. Tanto Melissa quanto Nicolas têm um amor profundo por suas famílias e se dedicam muito àqueles que amam. Os dois têm dores e cicatrizes por algumas questões familiares e achei importante a forma como a Carina falou sobre isso. 



Não posso deixar de mencionar também os personagens secundários. Todos eles têm espaço dentro da trama e foram bem construídos pela autora. Os que mais me comoveram foram, sem dúvida, os pais da Melissa, mas me diverti muito com os amigos dela. Além disso, vemos alguns personagens de outros livros da Carina e confesso que morri de amores pela participação de um membro da família Cassani, em especial. Há ainda uma nova personagem que eu realmente me apeguei e gostaria muito que ela ganhasse o próprio livro (não, não vou contar quem é para não estragar a leitura de ninguém).
Com relação ao desenvolvimento da trama, senti que foi um pouco maior do que deveria e, em alguns momentos, ficou um pouco repetitivo. Porém, apesar de acreditar que poderia ter algumas páginas a menos, não cheguei a achar a leitura arrastada em momento algum. Pelo contrário, estava tão envolvida com a história e os personagens, que nem vi o tempo passar.
Senti que desta vez, a trama teve um pouco menos de humor do que a média dos livros da Carina, mas isso não me incomodou. Tanto a Melissa quanto o Nicolas carregam algumas questões dolorosas, que deram um tom mais sério ao livro, mas também tornaram a história mais sensível e tocante. Me emocionei vendo os dois superando seus traumas e amadurecendo, e acredito que esse foi o grande diferencial desse livro.
De um modo geral, eu só posso dizer que os livros da Carina Rissi sempre me envolvem e me encantam, mas ela se supera quando o assunto é a família Cassani. Desde Procura-se um marido, cada livro dessa série supera minhas expectativas e faz eu desejar que apareça um novo membro para ter um novo livro. Acredito que nunca vou me cansar dos Cassani (já fica meu apelo para aparecer mais algum, porque eu preciso de mais livros).
Amor sob encomenda foi tudo que eu esperava e mais um pouco. Amei cada momento dessa leitura e me encantei com a história da Melissa e do Nicolas como se estivesse acompanhando amigos muito queridos e especiais. Encontrei nesse livro todos os elementos que sempre gostei na escrita da Carina Rissi, mas seguindo por um caminho que me surpreendeu e renovou minha admiração por ela. Recomendo muito para quem já é fã da autora. E, quem ainda não leu, precisa conhecer esses livros maravilhosos.

Outros livros da família Cassani:
Procura-se um marido: Resenha aqui / Comprar – Amazon
Mentira Perfeita: Resenha aqui / Comprar – Amazon

[Resenha] À beira da eternidade

15 de nov. de 2019


Olá, pessoal! A resenha de hoje é especialmente para quem ama ficção científica, thriller e romance YA. Sim, isso tudo em um livro só. Estou falando de À beira da eternidade, da Melissa E. Hurst. Lançado esse ano pela Galera Record, esse livro despertou minha atenção imediatamente não só pela capa, mas por essa combinação de gêneros.
Primeiro volume de uma duologia, À beira da eternidade já entrou para a minha lista de desejados assim que li a sinopse. Com um enredo que mistura viagens no tempo, um grande mistério e um romance adolescente, como não sentir curiosidade? Por esse motivo, fiquei muito feliz quando meu exemplar chegou e já não via a hora de começar a ler.

Demorei um pouco para conseguir trazer a resenha para vocês, mas hoje finalmente vou contar o que achei desta leitura. Será que ela superou minhas expectativas? 

Autora: Melissa E. Hurst
Tradução: Glenda Oliveira
Editora: Galera Record
Páginas: 322
Onde comprar: Amazon
Exemplar recebido de parceria com a editora
Sinopse: “Mistério, romance, drama e viagem no tempo no primeiro livro de Melissa E. Hurst. 2146. Bridger é uma das poucas pessoas com a habilidade de viajar de volta ao passado. Uma habilidade que lhe foi passada pelo pai, cuja morte – envolta em mistério – o garoto tenta superar. Aos poucos, sua vida parece voltar ao normal... Até que o garoto encontra o pai em uma de suas viagens no tempo com a turma. Ele só tem tempo de lhe passar uma mensagem: Salve Alora. Bridger não tem ideia de quem seja a garota, nem de onde ela está ou em que tempo vive, mas está determinado a realizar o último pedido do pai. 2013. Alora Walker tem apagões inexplicáveis. Ela acorda toda vez em um lugar diferente, e não tem ideia de como chegou lá. A única coisa de que tem certeza é que está sendo seguida. Mas por quem?”

 Em 2146, Bridger é um manipulador do tempo, ou seja, é uma das poucas pessoas com a habilidade de viajar no tempo. Ele puxou essa habilidade do seu pai, morto há pouco tempo, em uma de suas missões. Bridger tem tentado superar e seguir em frente, mas o mistério que cerca a morte do pai tem tirado sua concentração. E tudo se torna ainda pior quando, em uma viagem no tempo com a sua turma, ele encontra o pai, que só lhe dá um recado: Salve Alora.
Bridger não tem ideia de quem é Alora, por que seu pai quer salvá-la e o que aconteceu com ele. Porém, o inesperado encontro acaba levando à consequências terríveis, que ameaçam a carreira do garoto e aumentam o mistério em torno da morte de seu pai. Determinado a cumprir o que o pai pediu e tentar descobrir o que de fato aconteceu com ele, Bridger arrisca tudo para encontrar Alora e salvá-la.
Enquanto isso, em 2013, Alora tem tido misteriosos apagões. Ela acorda em lugares sem saber como chegou lá e sem saber quanto tempo se passou. Somado a isso, vem a constante sensação de estar sendo constantemente observada e o fato de que, de repente, um dos caras mais populares da escola decidiu que ela seria seu novo alvo. Estaria Alora enlouquecendo ou algo de muito estranho estava acontecendo com ela?




Eu já comentei aqui o quanto amo livros que envolvam viagens no tempo, então, não preciso nem dizer que esse foi o primeiro ponto que despertou meu interesse em ler À beira da eternidade. Juntando isso com todos os mistérios que a trama envolve, é claro que minha curiosidade estava a mil. E, com relação a isso, não tive do que reclamar. Amei como as viagens no tempo se inseriram na história e senti que a autora soube conduzir a trama sem se perder nas diferentes linhas temporais.
No entanto, preciso confessar que no início da leitura a história não se mostrou tão envolvente quanto eu esperava. Não que o começo seja lento; ao contrário, o livro já começa com ação. Porém, foram muitas informações no começo e eu fiquei confusa e sem conseguir me conectar com a trama. Felizmente, isso durou só nas primeiras cinquenta páginas. Daí para frente, eu consegui absorver melhor o que estava acontecendo e a leitura se tornou bem mais interessante.
Me apeguei rapidamente ao Bridger e consegui entender o estado de conflito em que ele se encontrava. Por um lado, ele estava sofrendo pela perda do pai e por não saber o que tinha acontecido realmente com ele. Por outro, há os conflitos com a mãe e a cobrança para seguir em frente, sob risco de arruinar sua carreira. E, o encontro inesperado com o pai deixa a vida de Bridger ainda mais complicada, o que torna compreensível a determinação dele em ir atrás de Alora e descobrir o que aconteceu.
Achei o Bridger o personagem mais interessante da história justamente porque seus dramas são os mais concretos e compreensíveis. Além disso, achei impossível não ser cativada pela senso de justiça e integridade dele, além da sua inteligência e senso de humor afiado. Bridger não é perfeito e comete erros ao longo da história, mas suas qualidades superaram isso e terminei a leitura realmente apegada a ele.
Com relação a Alora, eu tive um pouco mais de dificuldade de me conectar. Ela é uma personagem muito passiva em alguns momentos, se deixando influenciar por amigas pouco confiáveis e aguentando humilhações na escola sem nunca se defender. Confesso que me irritei em muitos momentos por sua falta de atitude, principalmente em algumas situações em que ela claramente deveria ter se manifestado. No entanto, mesmo assim, consegui simpatizar com ela por entender alguns de seus conflitos.

Para começar, que é muito compreensível o desespero que Alora sente quando começa a ter apagões. Afinal, imagina ir parar em lugares sem saber como chegou ou quanto tempo se passou? Além disso, toda a história dela é um mistério. Alora mora com a tia desde os 6 anos, quando foi entregue na casa dela por seu pai. Não sabe o que aconteceu com ele e não tem lembranças dele ou da mãe, e a tia se recusa a contar o que sabe. Então, não dá para condená-la pela angústia que sente pelos segredos do seu passado e o medo que tem em relação aos acontecimentos do presente.



Os demais personagens não são muito aprofundados, mas são peças importantes para o desenvolvimento da trama. Eles são peças importantes tanto para o mistério da trama quanto para a evolução dos protagonistas. Em especial, é importante destacar a tia de Alora e o professor March, amigo do pai do Bridger que desempenha um papel importante para o garoto e, ao mesmo tempo, tem um ar de mistério que deixa o leitor com o pé atrás.
E, como não poderia de ser, ainda há espaço para romance nessa trama. Com personagens adolescentes, isso já era esperado e confesso que gostei muito de como essa parte foi construída na história. No começo, tive medo de que o romance ganhasse mais espaço do que deveria e atrapalhasse a trama, mas felizmente isso não aconteceu. Senti que aconteceu de maneira natural e sem tirar o foco, exatamente como deve ser.
Com relação à escrita da Melissa E. Hurst, achei leve e bastante envolvente. Tive um pouco de dificuldade de me conectar no começo, mas isso passou logo e depois fiquei totalmente presa na leitura. Adorei a forma como ela construiu a trama, intercalando os pontos de vista do Bridger e da Alora e dando personalidade a eles, de modo que ficava claro as mudanças na narração de um e de outro.
O único ponto que, para mim, deixou a desejar foi o final. Há algumas revelações importantes, mas foi tudo tão rápido que acabou perdendo o impacto para mim. Além disso, confesso que algumas coisas foram previsíveis e fiquei decepcionada por isso. Acredito que a autora poderia ter trabalhado melhor algumas situações para que o desfecho não fosse tão abrupto, com tantas informações sendo lançadas de uma vez. Por outro lado, a autora deixou um gancho enorme para o segundo volume, então, tenho esperança que algumas coisas sejam explicadas na continuação.
De um modo geral, À beira da eternidade é uma leitura envolvente e dinâmica, com um bom equilíbrio entre ficção científica, suspense, ação e romance YA. O enredo criado por Melissa E. Hurst é interessante e conta com um universo e personagens muito bem construídos. Acredito que há muito a ser explorado no segundo volume e já estou curiosa para saber o rumo que a autora irá seguir com essa história.

[Resenha] Mortos não contam segredos

11 de nov. de 2019


Olá, pessoal! Como vocês estão? Eu andei sumida daqui, mas é que as últimas semanas foram bastante corridas e eu não estava conseguindo preparar os posts. Tentei manter o instagram atualizado, mas já estava com muita saudade daqui. Para compensar, nos próximos dias vou postando as resenhas que estavam atrasadas e escolhi começar com a de um livro que era um dos mais aguardados por mim esse ano.
Mortos não contam segredos, da autora Karen M. McManus, foi publicado recentemente pela Galera Record no Brasil e eu já estava ansiosa por ele. Para quem não sabe, ela é a mesma autora de Um de nós está mentindo, um thriller YA que eu adorei (tem resenha dele aqui). Já aviso que não se trata de uma continuação e nem um spin-off, mas eu gostei tanto da escrita dela no outro livro que estava com altas expectativas para esse lançamento.
Então, hoje, vou poder contar para vocês o que achei da leitura. Será que minhas expectativas foram atendidas?


Autora: Karen M. McManus
Editora: Galera Record
Tradução: Petê Rissatti
Páginas: 352
Exemplar recebido de parceria com a editora
Onde comprar: Amazon
Sinopse: “O segundo romance ainda mais irresistível da autora best-seller de um de nós está mentindo. Por trás das cercas brancas e dos gramados perfeitos da pacata cidadezinha de Echo Ridge, há segredos de natureza obscura. Ellery conhece as histórias a respeito da cidade natal de sua mãe e sabe que ali garotas desaparecidas não voltam para casa. Cinco anos atrás, a rainha do baile foi assassinada e o culpado jamais foi preso. Sua tia também foi uma das vítimas quando ainda era adolescente, mas a mãe pouco fala sobre isso, preferindo mascarar o luto com bebidas e remédios. Quando o vício culmina em uma internação na clínica de reabilitação, Ellery e seu irmão gêmeo, Ezra, se mudam para a casa da avó em Echo Ridge e passam a testemunhar em primeira mão a sinistra fama da cidade. Antes mesmo do início das aulas, novas ameaças surgem em forma de pichações. Alguém deixa bem claro que a temporada de caça às rainhas do baile está aberta, e o nome de Ellery surge entre as possíveis vítimas. Poucos dias depois, outra garota desaparece e, desta vez, Ellery está determinada a descobrir quem está por trás de tudo isso. Mas quanto mais a menina se envolve com os segredos dos moradores, mais se põe na mira do responsável pelas mortes. Ellery está prestes a descobrir que segredos são perigosos, e é por isso que, em Echo Ridge, é melhor guardá-los para si.”

Em Mortos não contam segredos, a pequena cidade Echo Ridge tem tudo para parecer um lugar tranquilo e aconchegante. Porém, segredos perturbadores se escondem ali e a adolescente Ellery sempre se interessou em saber mais sobre eles. Afinal, é a cidade natal de sua mãe e o local onde sua tia, Sarah, desapareceu. Porém, a mãe dela sempre se recusou a falar sobre o sumiço da irmã gêmea e qualquer coisa que se relacionasse ao passado.
No entanto, quando Sadie precisa se internar em uma clínica de reabilitação, Ellery e seu irmão gêmeo, Ezra, precisam ir morar com a avó em Echo Ridge. Lá, Ellery espera descobrir mais sobre o desaparecimento de sua tia e outro mistério que atormenta a cidade: o assassinato da jovem Lacey Kilduff, cinco anos atrás. O problema é que um novo acontecimento coloca Ellery no centro de um novo mistério: alguém está ameaçando as princesas do baile de boas-vindas da escola e, mesmo nova na cidade, Ellery está entre elas.
Quando outra garota some misteriosamente, Ellery acredita que esse desaparecimento e as ameaças têm relação com o sumiço de Sarah e o assassinato de Lacey. Assim, ela se vê cada vez mais presa nos segredos de Echo Ridge e não vai descansar enquanto não encontrar as respostas, mesmo que isso a coloque em perigo.


Como vocês já devem ter percebido, mistério é o que não falta na trama de Mortos não contam segredos. Há o desaparecimento da tia de Ellery e Ezra, o assassinato de uma garota 5 anos atrás e, agora, as ameaças às princesas do baile e o desaparecimento de outra garota. Se não bastasse tudo isso, a própria mãe deles tem seus segredos, especialmente em relação à identidade do pai deles. Então, com tantas dúvidas permeando a história, é praticamente impossível não ficar curioso e instigado a ler.
A trama se desenvolve em um ritmo dinâmico, com um bom equilíbrio entre a apresentação dos personagens e a inserção dos mistérios. A autora foi esperta em já ir inserindo algumas dúvidas e segredos enquanto o leitor vai conhecendo os personagens e a cidade em que a trama é ambientada, pois isso deixou a leitura muito mais instigante e envolvente. Eu fui rapidamente atraída pelos segredos de Echo Ridge e não queria parar de ler até descobrir o que aconteceu.
Outro ponto que merece destaque é o carisma dos personagens. Ellery, a protagonista, é sem dúvida a mais interessante. Para começar, adorei a inteligência dela e o fato de ser uma personagem tão fora do padrão. Ao invés de se entregar aos dramas adolescentes comuns, ela está sempre querendo remexer o passado e entender o que existe por trás dos crimes que marcaram a cidade. Porém, isso não significa que ela não tenha seus momentos de vulnerabilidade, como qualquer pessoa.
Aliás, a autora soube explorar muito bem os dramas da Ellery, até para que o leitor possa compreender melhor essa quase obsessão que ela tem em desvendar os crimes ocorridos na cidade. Por também ter um irmão gêmeo, Ellery sempre se questionou como o fato de ter sua gêmea desaparecida abalou sua mãe e afetou o comportamento dela. Além disso, ela guarda muitas mágoas como o fato de não saber quem é seu pai e não ter convivido com a avó. Assim, essas questões acabaram sendo motivadoras para ela e ajudam o leitor a se apegar e compreender as ações dela.

Já o Ezra é um personagem que eu gostaria que tivesse sido mais desenvolvido na história, mas que mesmo assim me apeguei muito. Ele tem um jeito mais contido e tranquilo que a Ellery, mas é visível o quanto ele é leal à irmã. Achei muito bonito ver a relação dos dois e o quanto são apegados um ao outro. Além disso, é um personagem muito maduro e observador, mas também gentil e atencioso. Confesso que terminei o livro querendo ser amiga dele. 



Mas não pensem que os gêmeos são os únicos personagens em destaque nesse livro. Há também Malcom, irmão caçula do principal suspeito de assassinar Lacey. Quando começam as ameaças e outra garota desaparece, Malcom se torna o suspeito da vez. E é interessante ver o ponto de vista dele de tudo isso, bem como o quanto as acusações feitas ao seu irmão repercutiram na sua vida e na da sua família. Confesso que foi o personagem que eu mais me apeguei, justamente por toda a carga que sua situação envolve.
Com relação aos personagens secundários, eles não são aprofundados, mas são fundamentais para a construção da trama. Todos estão envolvidos de alguma forma nos mistérios da cidade, e toda hora surgia uma revelação ou acontecimento que me fazia desconfiar de alguma pessoa diferente.
Outro aspecto que gostei muito foi a forma como a história foi narrada: em primeira pessoa, intercalando os pontos de vista da Ellery e do Malcom. Isso foi interessante por permitir conhecer mais sobre esses dois personagens e dar a oportunidade de o leitor acompanhar núcleos diferentes dentro da trama. Além disso, adorei a habilidade que a autora demonstrou em dar personalidade aos personagens. Desde o começo do livro, fica evidente se estamos acompanhando a perspectiva da Ellery ou do Malcom, não só por ter isso identificado no início de cada capítulo, mas pela mudança clara no estilo de narrativa.
De um modo geral, eu me surpreendi com a evolução da escrita da Karen M. McManus. Eu já havia amado Um de nós está mentindo, mas senti que em Mortos não contam segredos ela conseguiu entregar uma história muito mais complexa e bem construída. Adorei ver tanto o crescimento dos personagens quanto a construção do mistério. Talvez quem esteja mais acostumado a ler thrillers possa considerar algumas coisas previsíveis, mas confesso que eu criei várias teorias ao longo da leitura e errei todas. Além disso, é inegável o mérito da autora em amarrar muito bem a trama, juntando os pontos até o final da história.
Eu ainda preciso responder se Mortos não contam segredos atendeu às minhas expectativas? Por mais que eu estivesse aguardando ansiosa por esse livro, ele conseguiu ser ainda melhor do que eu esperava. A escrita da Karen M. McManus é simplesmente viciante e a trama foi muito bem desenvolvida, com mistérios interessantes, personagens carismáticos e um bom equilíbrio entre suspense e romance YA. Para quem gostou de Um de nós está mentindo, certamente irá gostar dessa leitura também. E, se você ainda não leu nada da autora, já passou da hora de conhecer sua escrita.

[Resenha] As três partes de Grace

24 de out. de 2019


Olá, pessoal! Como vocês estão? Hoje eu vim trazer uma resenha muito especial, porque vou falar de um livro que já ganhou me coração no momento em que chegou para mim. Estou falando de As três partes de Grace, da Robin Benway, que recebi na VIB – Very Important Book – do Grupo Editorial Record, junto com uma cartinha que me deixou emocionada e louca para começar a leitura.
O livro ainda não foi lançado, mas recebi uma prova para leitura antecipada e claro que ele tinha que furar a fila né? Então, chegou a hora de contar aqui o que achei dessa história e, quem sabe, dar para vocês alguns motivos para conferirem esse livro assim que ele for lançado.

Então, sem mais delongas, vamos à história de As três partes de Grace e o que eu achei dessa leitura. Será que ele me fez acabar com a caixa de lenços? Só conferindo a resenha para saber.

Autora: Robin Benway
Editora: Galera Record
Páginas: 322
Exemplar cedido pela editora para leitura antecipada
Onde comprar: Pré-venda na Amazon
Sinopse: “Grace acabou de ter uma filha. E a entregou para adoção. Não foi uma decisão fácil, já que a própria Grace é adotada. Como escolher uma família para sua bebê? Como ter certeza de que ela terá bons pais? Era de esperar que tudo isso fosse emoção suficiente na vida de uma adolescente, mas ela também acabou de descobrir que tem dois irmãos. Maya é a única integrante de cabelos escuros naquela família de ruivos. As fotos pela casa mostram como ela é diferente de seus pais e de sua irmã Lauren, filha biológica do casal. Quando a família começa a passar por problemas e tudo parece prestes a desmoronar, Maya não consegue parar de se perguntar se aquele é o seu lugar. Quem é sua família biológica? Onde está seu lar? Joaquin é o irmão mais velho. Ele nunca foi adotado. Chegou muito perto por muitas vezes, mas algo sempre acabava dando errado. Agora ele vive com uma boa família acolhedora, cheia de amor e vontade de adotá-lo, mas o garoto, prestes a completar dezoito anos, não sabe se deve mesmo acreditar que o destino está lhe dando chances de ser filho de alguém. Criar laços afetivos não é fácil quando se passou a vida inteira sendo abandonado. Mas talvez suas irmãs possam lhe ajudar a vencer essa barreira. Em vista por amor familiar, companheirismo e, no fim das contas, por não se sentir sozinho no mundo, Grace, Maya e Joaquin vão contar uns com os outros na procura pela mãe biológica. E por si próprios.”

No dia em que deveria estar no baile da escola com o namorado e as amigas, Grace estava no hospital dando a luz à filha que entregaria para adoção. A vida dela já havia começado a mudar quando descobriu que estava grávida. Seu então namorado e a família dele deixaram claro que não tinham a menor intenção de apoiá-la e, na escola, os colegas se voltaram contra ela.
Porém, nada poderia preparar Grace para o vazio que sentiu ao entregar sua bebê para outra família. Por causa disso, ela tentou encontrar a pessoa que poderia entender o que estava sentindo: a mãe biológica que a entregou para adoção quando ela nasceu. Mas, na busca por essa mãe, Grace acaba se surpreendendo ao descobrir dois irmãos que não sabia ter: Joaquin, o mais velho, e Maya, a caçula dos três.
Maya também foi adotada por uma boa família ao nascer. Ela vivia com os pais adotivos e a filha biológica deles, nascida pouco tempo depois que Maya foi adotada. Mas, mesmo tendo sido criada com muito amor, ela tinha dificuldade em se sentir parte da família e saber onde se encaixava. Já Joaquin não teve a sorte de encontrar um lar. Desde que foi levado para adoção, passou por vários lares temporários e se acostumou a ideia de que nunca seria adotado. Mesmo estando vivendo há dois anos com um casal que realmente se importa com ele e quer adotá-lo, Joaquin ainda não acredita que algum dia terá uma família.
Grace, Maya e Joaquin têm seus dramas e traumas individuais, mas também têm dores que só eles podem entender. E quando o caminho dos três finalmente se encontra, eles vão tentar entender onde realmente se encaixa. Um caminho que vai leva-los a descobrir muito mais do que esperavam.


Quando comecei a ler As três partes de Grace já estava me preparando para esgotar toda a água do meu corpo de tanto chorar. Felizmente, isso não aconteceu e eu permaneci bem plena ao longo da leitura, com poucas lágrimas derramadas. No entanto, isso não significa que essa não tenha sido um livro tocante. É quase impossível não se sensibilizar com essa história devido aos dramas tão profundos e reais que eles enfrentam.
Cada um dos três irmãos tem uma história sofrida e conflitos pessoais tão compreensíveis, mesmo para quem não viveu nada parecido, que é fácil se apegar e se emocionar com eles. Para mim, a história mais tocante foi a da Grace, até pelo tema que envolvia. Nunca tinha lido um livro que abordasse o tema adoção pela perspectiva de quem entrega o bebê e mexeu muito comigo ver o quanto foi difícil para Grace não apenas tomar essa decisão, mas lidar com ela depois. Além disso, ela ainda precisou enfrentar toda a hostilidade das pessoas que a julgaram por ter ficado grávida na adolescência, enquanto o pai do bebê seguia como se nada tivesse acontecido (porque, claro, a sociedade sempre dá um jeito de jogar a culpa na mulher né?).
Além dela, me encantei muito pelo Joaquin e pelo coração generoso dele. Dos três irmãos, ele é o que teve uma vida mais difícil e isso deixou marcas profundas nele. Por ter sido abandonado e rejeitado tantas vezes, Joaquin deixou de acreditar no seu próprio valor e na possibilidade de um dia ter um lar de verdade. Ele não se sentia digno do casal que queria adotá-lo e sequer da sua namorada. Mesmo sendo doloroso ver o quanto ele se depreciava e auto sabotava, mas também foi bonito ver a capacidade dele de amar outras pessoas e se importar com o próximo. Além disso, adorei acompanhar a evolução dele e seu caminho para superar os traumas do passado.



Dos três, eu confesso que a Maya foi quem menos me cativou e tive mais dificuldade de entender seus dramas. Em alguns momentos, achei seu comportamento bastante egoísta. Porém, aos poucos fui entendendo seus conflitos de identidade e a dificuldade que ela tinha de se sentir parte do lar onde cresceu. Mesmo não tendo me tocado como os outros dois fizeram, consegui entender essa personagem e torcer por ela.
E, além dos dramas individuais deles, foi lindo acompanhar a trajetória deles como irmãos. Três jovens que cresceram sem saber exatamente onde pertenciam e que, de repente, descobriam que tinham irmãos. Juntos, eles entraram em um caminho de autodescoberta, mas também foram aprendendo a alegria de ter alguém para apoiar e dividir os bons e os maus momentos. E, nesse sentido, foi lindo ver a relação entre eles se transformando de completos estranhos a irmãos.
Sempre gostei de livros que trazem dramas familiares, mas As três partes de Grace me surpreendeu ao trazer esse tema de maneira mais intensa e com questões muito tocantes. Além disso, a sensibilidade da autora tornou a leitura ainda mais encantadora. Por mais dolorosos que fossem os temas abordados, ela soube escrever de uma maneira delicada e sensível, deixando a leitura leve e fluída. Assim, não preciso nem dizer que esse é um livro capaz de despertar muitas emoções e que dificilmente algum leitor irá passar por essa leitura de maneira indiferente.
Não posso falar muito sobre a edição, porque recebi uma cópia antecipada e não revisada. Porém, preciso muito comentar sobre a capa que, além de linda, combinou completamente com a sensibilidade da história. Amei a escolha e tenho certeza que a edição final ficará linda.
O que me resta dizer é que As três partes de Grace não trouxe o tipo de emoção que eu esperava, mas foi um livro que me envolveu e encantou do começo ao fim. Foi uma leitura tocante tanto pelos personagens quanto pelas lições que a autora passou através de cada um deles. É um livro sobre adoção e família, mas também sobre perda, superação, perdão e recomeços, daqueles que conseguem acertar em cheio nosso coração e fazer refletir sobre a vida. Recomendo muito para quem busca uma leitura leve, mas sensível e profunda.

[Resenha] A Rainha Aprisionada

1 de out. de 2019


Olá, pessoal! Como vocês estão? Quem tem o hábito de ler séries provavelmente já deve ter se deparado com a decepção de amar um primeiro livro e se decepcionar com a continuação. Mas já pararam para pensar na possibilidade de acontecer o oposto? Quem sabe se uma série que o primeiro livro não foi bom, o segundo não pode surpreender?
Eu confesso que, normalmente, não costumo dar chance quando não gosto do primeiro volume. Por esse motivo, não estava nos meus planos ler A Rainha Aprisionada, da autora Kirsten Ciccarelli. Ele é a continuação de A Caçadora de Dragões, livro que me decepcionou bastante no ano passado. Porém, acabei recebendo esse segundo livro e pensei por que não dar uma chance, não é mesmo?

E agora, depois de ter concluído a leitura, vim contar para vocês o que achei. Será que valeu a pena ter insistido na série? Para saber o que achei, só conferindo a resenha.

Autora: Kirsten Ciccarelli
Tradução: Eric Novello
Editora: Seguinte
Páginas: 376
Exemplar recebido de cortesia da editora
Onde comprar: Amazon
Sinopse: “No segundo volume da trilogia Iskari, uma nova heroína entra em cena para lutar pela liberdade de seu povo ― e de sua irmã ― em meio a um conflito que apenas começou. Firgaard foi governada durante décadas por um rei tirano e manipulador, capaz de condenar povos inteiros apenas para aumentar seu poder. Depois de uma grande batalha, Asha, sua filha, conseguiu derrotá-lo. E, assim, Dax, o primogênito, assumiu o poder ao lado de Roa, sua esposa. Roa é uma forasteira vinda das savanas ― um território sob o domínio de Firgaard, que há anos é oprimido e está prestes a entrar em colapso. O maior desejo da nova rainha, mesmo sabendo que não é bem-vinda em seu novo lar, é mudar a vida de seu povo. O que ela não esperava era encontrar uma chance de alterar o curso do destino e trazer de volta à vida sua irmã gêmea, Essie, morta quando criança em um terrível acidente. O único obstáculo? O novo rei.”

Dando continuidade aos eventos de A caçadora de dragões, A Rainha Aprisionada irá focar em outros protagonistas. Após a revolução, Dax se tornou o rei de Firgaard e Roa a sua rainha. Porém, o clima no reino é instável. Dax é visto como um rei fraco e muitos parecem estar esperando a primeira oportunidade para se aproveitar disso. Além disso, Roa é vista com desconfiança por se tratar de uma nativa e, por conta disso, uma inimiga para muitos.
Porém, os problemas não são apenas externos ao palácio. Roa e Dax não conseguem se entender e ela mesma começa a desconfiar da capacidade dele de cumprir todas as promessas de mudança que fez. Preocupada com o bem-estar do seu povo, Roa começa a questionar sua decisão de se casar com Dax. Mas não demora para preocupações ainda mais sérias surgirem em sua mente.

Anos antes, ela havia perdido sua querida irmã, Essie. Porém, a garota nunca a deixou de fato. E agora Roa descobriu haver uma possibilidade de trazê-la de volta à vida. Porém, o preço a pagar poderia ser alto demais. Seria ela capaz de arriscar tudo o que tinha e colocar outros em perigo, incluindo seu marido, para mudar o triste destino de Essie?


A primeira coisa que preciso dizer sobre A Rainha Aprisionada é que esse segundo volume se beneficia muito da mudança de protagonistas. Apesar de continuar os eventos do livro anterior, esse segundo volume muda o foca e, felizmente, o casal principal é muito mais carismático que o antecessor. Quem leu minha resenha sobre A caçadora de dragões sabe que eu adorei o Torwin e que ele e os dragões fizeram a leitura valer a pena para mim, mas a Asha era simplesmente insuportável. É uma das protagonistas mais irritantes que já li e isso prejudicou muito a leitura para mim.
Já a Roa é uma personagem mais interessante e complexa, e infinitamente mais cativante. Ela é determinada, justa e tem princípios muito fortes, mas também tem muitas vulnerabilidades. Trata-se de uma personagem muito humana e que comete muitos erros (sim, tem hora que dá vontade de entrar no livro só para impedir ela de cometer burradas), mas as motivações dela são tão compreensíveis que, apesar de todas as mancadas, foi impossível não me apegar a ela.
Além disso, achei linda a relação que Roa tem com seu povo e, principalmente, sua irmã. Ela dá tudo de si para garantir que os nativos passem a ser tratados com justiça e para protege-los. Mas o que me cativou mesmo foi o amor dela pela irmã. As duas tinham uma relação muito especial e a dor pela morte de Essie fica quase palpável durante todo o livro. Então, por mais que algumas atitudes de Roa tenha sido questionáveis, a motivação era muito compreensível.

Mas o dono do livro é mesmo o Dax. Já tinha gostado dele no primeiro livro, mas nesse eu fiquei completamente encantada. Gosto de ver como esse personagem se adapta as diferentes situações e vai se moldando de acordo com a necessidade. Ele é forte, inteligente e íntegro, mas sabe jogar dentro da corte e é interessante ver ele como lida com o fato das pessoas estarem constantemente o subestimando. Além disso, adorei o senso de humor dele e a maneira como enfrentou as adversidades que surgiram.



Outro ponto positivo de A rainha aprisionada é que a trama é bem mais dinâmica que do livro anterior. Senti uma evolução da escrita da autora e a leitura fluiu muito melhor. O livro conta com várias intrigas e conspirações, que deixam a trama mais instigante, e também não faltou ação. Além disso, o romance contribuiu muito para que a leitura ficasse mais envolvente, principalmente devido ao carisma dos protagonistas.
Normalmente, não gosto de livros de fantasia que dão muito destaque ao romance. Porém, nesse caso funcionou muito bem. O casal é carismático e os conflitos entre eles estão diretamente ligados com as questões políticas e os conflitos de interesses dos dois, fazendo com que não se resumissem a problemas bobos de casal. Além disso, foi um dos poucos casos em que eu realmente temi que o casal não fosse conseguir se resolver e isso me prendeu ainda mais na leitura, porque queria saber o que iria acontecer.
Com relação aos personagens secundários, não teve nenhum grande destaque ou algum que me cativou mais. Porém, eles foram importantes na trama e cada um cumpriu seu papel dentro da história. Em especial, a Essie foi determinante para que eu me apegasse tanto à Roa, pois me ajudou a compreender o luto e a dor dessa personagem.
Já sobre a escrita de Kirsten Ciccarelli, como eu já mencionei, senti uma grande evolução em relação ao primeiro livro. Aqui não tem muita enrolação e a trama se desenvolve com mais agilidade. Os personagens foram mais desenvolvidos e achei que ela encontrou um bom equilíbrio entre fantasia, ação, romance e um pitadinha de drama.
Minhas únicas ressalvas são o fato de que, novamente, senti que a autora teve dificuldade ao escrever as cenas de ação. Embora elas não sejam tão confusas quanto as do primeiro livro, ainda achei difícil visualizar o que estava acontecendo em alguns momentos e em outros senti que tudo aconteceu muito rápido. Aliás, o final foi novamente um problema por causa disso. Achei apressado e algumas coisas não ficaram tão claras ou amarradas quanto deveriam.
No entanto, mesmo com essas ressalvas, A rainha aprisionada foi uma boa surpresa. Me envolvi completamente com a leitura e me apeguei à Roa e ao Dax como não esperava que fosse acontecer. Gostei de ver a evolução dela e o modo como ele vai mostrando sua força ao longo do livro. O romance ganhou minha torcida desde o início e deixou a leitura ainda mais encantadora.
Para quem gosta de uma fantasia leve e com boas doses de aventura e romance, A Rainha Aprisionada se mostrará uma boa leitura. Kirsten Ciccarelli conseguiu se aprofundar mais no universo que criou e trazer uma trama mais envolvente e dinâmica. Fiquei muito satisfeita de ter dado uma segunda chance para essa série e por finalmente ter conseguido me envolver com o universo e os personagens criados pela autora.
Mas agora quero saber a opinião de vocês. Quem já leu A Rainha Aprisionada ou o seu antecessor? Quero muito saber a opinião de vocês, então, me contem aí nos comentários.