Autoras que conheci em 2018 e quero ler mais em 2019

11 de fev de 2019



Olá, meus amores! Como vocês estão? Eu ando um pouco sumida aqui, mas é que esses últimos dias foram meio corridos e eu confesso que o calor me atrapalhou bastante. Porém, estou me organizando e acho que as coisas vão voltar ao normal por aqui.
Para o post de hoje, eu vim compartilhar com vocês uma meta que eu tenho esse ano e, de quebra, indicar alguns livros maravilhosos que li no ano passado. Eu fiz uma lista com alguns autores que conheci no ano passado e que pretendo ler mais livros esse ano. O ano que passou me trouxe algumas descobertas bem legais, mas eu quis trazer aqueles que mais me marcaram mesmo e que estou mais ansiosa para ler outras obras.

Jenn Bennet
No ano passado, eu li O cara dos meus sonhos (ou quase), que foi uma leitura deliciosa e que me surpreendeu bastante. Apesar de ter um enredo um tanto clichê, os personagens foram tão bem construídos e o romance se desenvolveu de uma maneira tão encantadora que é impossível não se apaixonar. Não preciso nem dizer que amei a escrita da autora né? Já anotei alguns livros dela que fiquei curiosa para ler, começando por Anatomia de um coração, também publicado no Brasil pela Plataforma21.

Sarah MacLean
Ano passado, eu finalmente conheci a escrita da Sarah MacLean e já li logo dois livros de uma vez. Deu para perceber que eu amei né? O primeiro livro que li dela foi Cilada para um marquês (tem resenha aqui) e fiquei tão apaixonada pela forma como ela construiu os personagens e o romance, que já corri para ler outro dela, Nove regras a ignorar antes de se apaixonar. Agora, para 2019, eu pretendo ler as 3 séries dela que foram publicadas no Brasil, incluindo as duas que eu já iniciei.

Lisa Maxwell
Ano passado, eu li O último dos magos, da Lisa Maxwell, que foi meu primeiro contato com a escrita da autora e eu não poderia ter gostado mais. É uma das fantasias mais originais que eu já li e com um desfecho que me deixou desesperada pela continuação. Além disso, eu tive a oportunidade de ter contato com a autora e até trouxe uma entrevista com ela aqui para o blog (confira aqui). Então, em 2019, eu quero muito ler não apenas a continuação dessa série, como outros livros que ela já tem publicados.

Suzanne Enoch
Outra autora de romances de época que conheci no ano passado e não vejo a hora de ler outros livros. Dela, eu li apenas Como se vingar de um cretino, porém, foi um dos meus favoritos de 2018 e me deixou curiosa para ler outros livros escritos por ela. Eu li os contos que ela escreveu nos livros Lady Whistldown Contra-Ataca e Nada Escapa à Lady Whistledown, porém, esse ano eu pretendo ler mais romances escritos por ela. Inclusive, já tenho alguns na minha lista de desejados.

Carrie Elks
Quem me acompanha aqui no blog sabe que no ano passado eu recebi alguns livros antecipadamente no VIB, do Grupo Editorial Record. Meu favorito foi, sem dúvida alguma, Um verão na Itália, da Carrie Elks. Eu nunca tinha lido nada da autora, mas foi uma leitura tão envolvente e divertida, que me fez desejar ler outros livros dela. Claro que as continuações da série As Irmãs Shakespeare estão no topo dessa meta, mas quero também conhecer outros trabalhos da autora.

Antes de encerrar o post, preciso dizer que não era minha intenção inicial fazer um post só com autoras. No entanto, analisando as minhas leituras do ano passado, eu percebi que li muito mais livros escritos por mulheres do que por homens. Isso não foi intencional, mas confesso que fiquei muito satisfeita, especialmente por terem sido leituras tão boas.
E vocês, já leram algum dos livros que citei ou alguma outra obra dessas autoras da lista? Me contem aí nos comentários o que acharam e quais autoras (ou autores) vocês conheceram em 2018 e que pretendem ler outros livros nesse ano.

[Resenha] Um marido de faz de conta

4 de fev de 2019


Olá, pessoal! Recentemente, saiu resenha sobre um romance de época muito cativante que li no ano passado, Uma dama fora dos padrões, da Julia Quinn. Aquele livro foi o primeiro volume da nova série da autora, Os Rokesbys. Para alegria dos fãs, a continuação foi publicada agora em janeiro pela Editora Arqueiro e é claro que eu não perdi tempo para ler.

Um marido de faz de conta é o segundo livro da série e, mesmo já tendo lido muitos livros da autora, confesso que esse foi uma experiência diferente de todos os outros. Mas, não se preocupem que não digo isso de um jeito ruim. Ao contrário, é um romance que me surpreendeu muito e me emocionou de formas que eu não esperava, renovando minha admiração pela escrita da autora.
Mas, antes de continuar, um aviso: esta resenha não contém spoiler desse livro e nem do seu antecessor. As histórias são independentes, apesar de ser preferível ler na ordem, pois personagens do primeiro volume aparecem/são mencionados neste.

Autora: Julia Quinn
Editora: Arqueiro
Tradução: Thaís Paiva
Páginas: 304
Onde comprar: Amazon
Sinopse: “Enquanto você dormia… Depois de perder o pai e ficar sabendo que o irmão Thomas foi ferido durante uma batalha, Cecilia Harcourt tem duas opções: se mudar para a casa de uma tia ou se casar com um vigarista. Para fugir desses destinos, ela cruza o Atlântico, determinada a cuidar do irmão. Após uma semana sem conseguir localizá-lo, ela encontra o melhor amigo dele, Edward Rokesby, inconsciente e precisando desesperadamente de cuidados. Mas, para permanecer a seu lado, Cecilia precisa contar uma pequena mentira... Eu disse a todos que era sua esposa. Quando Edward recobra a consciência, não entende nada. A pancada na cabeça o fez esquecer tudo que aconteceu nos últimos três meses, mas ele certamente se lembraria de ter se casado. Apesar de saber que Cecilia é irmã de Thomas, eles nunca foram apresentados. Mas, já que todo mundo a trata como esposa dele, deve ser verdade. Quem dera fosse verdade…Cecilia coloca o próprio futuro em risco ao se entregar ao homem que ama. Mas, quando a verdade vem à tona, Edward também pode ter algumas surpresas guardadas para a nova Sra. Rokesby.”

Em Um marido de faz de conta, conhecemos Cecilia Harcourt, uma jovem que se encontrava prestes a perder tudo, desde a morte de seu pai. Thomas, o irmão dela e herdeiro da propriedade, estava lutando em nome da coroa inglesa na América, na guerra de independência dos EUA. Se algo acontecesse com ele, a propriedade iria para um primo deles, que não perde tempo em começar a assediar Cecilia.
Assim, quando ela recebe uma carta comunicando o desaparecimento de Thomas, não restam muitas possibilidades em seu lar e, em desespero, Cecilia acaba embarcando para a América disposta a procura-lo. Ao chegar lá, ela tem dificuldade em conseguir informações sobre o paradeiro do irmão, mas descobre que o melhor amigo dele, Edward Roskeby, estava desacordado no hospital.
Apesar de nunca ter conhecido Edward pessoalmente, Cecilia já tinha se comunicado com ele muitas vezes através das cartas que mandava para o irmão e, por isso, decidiu cuidar dele. Mas, para isso, teve que inventar uma pequena mentira: dizer que era esposa de Edward.
Quando ele acordou sem memória dos últimos meses de sua vida, não teve motivos para duvidar que ela fosse mesmo sua esposa. Afinal, Cecilia era irmã de seu melhor amigo e os dois já vinham trocando mensagens nas correspondências dela para o irmão. Cecilia, por sua vez, tinha toda intenção de revelar a verdade assim que ele acordasse, mas as coisas não saíram como ela esperava e contar seu segredo foi se tornando cada vez mais difícil.
“– Eu a conheço. E conhecia mesmo. Por mais que só tivessem se conhecido pessoalmente houvesse poucos dias, ele sentia que já fazia muito tempo que conhecia o coração dela. Não duvidava dela. Jamais duvidaria.”



Ah, gente, como falar sobre esse livro? Um marido de faz de conta traz diversos elementos que eu amo em romances de época, mas em uma trama que foge bastante do padrão que estamos acostumados a ver e com personagens cativantes e bem construídos. Confesso que me apaixonei desde a primeira página e, mesmo com alguns aspectos que não me agradaram tanto, eu terminei a leitura completamente encantada por essa história.
Começando pelos protagonistas, que com certeza já estão na minha lista de casais favoritos. Cecilia é uma mocinha forte, determinada e com um coração tão generoso que é impossível não torcer por ela. Mesmo nos momentos mais desesperadores, Cecilia se mostrou corajosa e decidida, enfrentando situações para as quais não estava preparada. Além disso, mesmo sem ter tentado tirar vantagem do Edward ou se aproveitar da amnésia dele para benefício próprio, ela se sente culpada por não contar a verdade e tenta fazer o máximo para ajudá-lo. Claro que ela não é perfeita e erra em alguns momentos, mas suas razões são compreensíveis e é palpável o quanto ela se responsabiliza por suas ações (até mais do que deveria).
Já o Edward, eu não tenho palavras para descrever. Sabe aquele mocinho que já aparece roubando nosso coração e a cada página nos apaixonamos mais? Pois é, o próprio Edward Rokesby. Ele é um homem íntegro, justo, gentil e muito responsável. Mas, além disso, ainda é carinhoso e dono de um senso de humor cativante, que rendeu ótimos diálogos com Cecília. Eu poderia ficar o resto da resenha falando sobre ele, mas ainda tenho muitos aspectos a destacar sobre esse livro e acho que já deu para vocês perceberem o quanto ele é maravilhoso né?
“Por baixo de sua aparência respeitável, Edward Rokesby era dono de um pronunciado senso de humor. Ela não deveria ter ficado tão surpresa com isso, considerando todos os indícios que vira nas cartas dele. Um pingo de alegria fora o suficiente para despertar todo o bom humor dele.”
E quanto ao romance, é impossível não torcer desde o começo. Não só os dois protagonistas são carismáticos, como eles têm uma ótima dinâmica juntos. Mesmo se conhecendo pessoalmente há pouco tempo, os dois já tinham uma conexão devido às correspondências que trocavam. Além disso, Cecília e Edward conseguiam se entender nos bons e nos maus momentos: ambos possuem um ótimo senso de humor e os seus diálogos eram sempre carregados de brincadeiras e alfinetadas; porém, eles também conseguiam entender as dores um do outro, se apoiando nas horas mais difíceis. Deste modo, a relação deles acabou se desenvolvendo de uma maneira leve e doce, baseada em muito carinho e compreensão.
“– Com Edward era tão fácil ser feliz, tão fácil ser ela mesma. Mas aquilo não era a vida dela. Ela não era a esposa dele. Aquele papel era emprestado e, no fim das contas, ela teria que devolvê-lo.”



Com relação aos personagens secundários, eles não ganham muito espaço, porém, a maioria tem um papel bem definido dentro da trama. No entanto, há uma exceção que precisa ser destacado: Thomas, o irmão de Cecilia. Julia Quinn conseguiu fazer com que eu me apegasse a esse personagem e me preocupasse com ele desde o início do livro, pelo amor que Cecilia e Edward tinham por ele. Além disso, todos os capítulos começam com trechos de cartas que Cecilia escreveu para o irmão e vice-versa, fazendo que o leitor já pudesse conhece-lo mesmo antes de saber se ele seria encontrado ou não.
Outro aspecto que não posso deixar de mencionar é a ambientação bem diferente da maioria dos romances de época que já li. Geralmente, os livros deste gênero são ambientados na Inglaterra, em meio aos bailes e reuniões da alta sociedade. Porém, nesse livro, Julia Quinn levou a história para os EUA em meio à guerra pela independência. E, por mais que isso não seja aprofundado, ainda temos no pano de fundo um pouco sobre como foi o conflito e como era a vida das pessoas ali, durante um período tão difícil.
“Esta carta é para vocês dois. Fico muito feliz que tenham a companhia um do outro. O mundo vira um lugar muito menos inclemente quando se tem alguém para dividir os fardos.”
Já quanto a trama, foi um dos melhores da Julia Quinn. Tem romance, humor, drama e até um toque de mistério, tudo na medida certa e desenvolvido de uma maneira que saiu do comum. Assim, fui envolvida desde o começo da leitura e não conseguia parar o livro. Minha única ressalva é que algumas coisas ficaram mal explicadas e alguns participações dentro da história ficaram esquecidas, sem um desfecho adequado. No entanto, confesso que nem essa ressalva foi o suficiente para diminuir meu amor pelo livro.
Com relação à edição, eu não posso deixar de parabenizar a editora Arqueiro. Para começar, considero essa capa uma das mais lindas que já vi em romances de época e combina perfeitamente com o livro. Além disso, as páginas são amareladas, a fonte tem um ótimo tamanho para a leitura e eu não encontrei nenhum erro de revisão enquanto lia. Ou seja, trabalho impecável da editora.
Assim, Um marido de faz de conta conseguiu superar todas as minhas expectativas e entrar para a minha lista de favoritos. Quem diz que o segundo volume de uma série é sempre inferior ao antecessor, é porque ainda não leu esse livro. O romance de Edward e Cecília é leve e encantador, com uma construção muito bonita de se acompanhar e ainda o humor característico da autora contrabalançando momentos de mais emoção. Fiquei realmente satisfeita com a forma como esse livro me surpreendeu e agora estou sofrendo com a ansiedade para ler a continuação.
E vocês, já leram Um marido de faz de conta? Me contem aí nos comentários se estão acompanhando a série Os Rokesbys ou se ainda querem ler.

Lendo com Malu: Filha das Trevas

1 de fev de 2019


Olá, pessoal! Começo de mês a gente sempre aproveita para planejar novas leituras e, por isso, eu quero apresentar um projeto que vou colocar em prática a partir de fevereiro. Para 2019, eu quero diversificar mais as minhas leituras e uma das metas que tracei para alcançar esse objetivo é ler autores que eu ainda não conheço.
Então, eu quero ler pelo menos 1 livro por mês de um autor que eu ainda não tenha lido. E, para começar bem esse projeto, escolhi Filha das Trevas, da autora Kiersten White. Ele faz parte de uma trilogia, A Saga da Conquistadora, cujo terceiro livro será publicado pela Plataforma21 agora no começo de fevereiro. Então, não poderia ter incentivo melhor né?
Ao longo do mês, eu pretendo trazer alguns posts especiais sobre o livro e tentar fazer um diário de leitura no instagram do blog (quem ainda não me acompanha por lá, não deixe de seguir @dicas_de_malu). E, claro que quando concluir a leitura vai sair resenha por aqui com a minha opinião sobre a obra e falando se estou animada para ler as continuações. No final do mês, vai acontecer um sorteio por lá também, então, fiquem de olho para não perder.
Eu montei um cronograma de leitura para me organizar de modo a conciliar com outros compromissos, mas para quem quiser ler também, vou deixar a divisão no final do post. E, para quem ainda não conhece o livro, confiram a sinopse:


Sinopse: “Lada Dragwlya e o irmão mais novo, Radu, foram arrancados de seu lar em Valáquia e abandonados pelo pai – o famigerado Vlad Dracul – para crescer na corte otomana. Desde então, Lada aprendeu que a chave para a sobrevivência é não seguir as regras. E, com uma espada invisível ameaçando os irmãos a cada passo, eles são obrigados a agir como peças de um jogo: a mesma linhagem que os torna nobres também os torna alvo. Lada despreza os otomanos. Em silêncio, planeja o retorno a Valáquia para reclamar aquilo que é seu. Radu, por outro lado, quer apenas se sentir seguro, seja onde for. E quando eles conhecem Mehmed, o audacioso e solitário filho do sultão, Radu acredita ter encontrado uma amizade verdadeira – e Lada vislumbra alguém que, por fim, parece merecedor de sua devoção. Mas Mehmed é herdeiro do mesmo império contra o qual Lada jurou vingança – e que Radu tomou como lar. Juntos, Lada, Radu e Mehmed formam um tóxico e inebriante triângulo que tensiona ao limite os laços do amor e da lealdade. Sombrio e devastador, este é o primeiro livro da mais nova série de Kiersten White. Cabeças vão rolar, corpos serão empalados… e corações serão partidos.” Comprar: Amazon


[Resenha] Graça e Fúria

26 de jan de 2019


Olá, pessoal! Hoje eu vim trazer uma resenha um pouco diferente, porque vou falar sobre um livro que me deixou completamente dividida: Graça e Fúria, da Tracy Banghart. Lançado no passado pela Editora Seguinte, Graça e Fúria entrou na minha lista de desejados desde que foi anunciado. E, depois de meses de ansiedade, eu finalmente consegui ler no começo do mês.
No entanto, foi uma leitura que despertou tantos sentimentos em mim que até demorei um pouco para colocar os pensamentos em ordem e tentar passar a minha opinião para vocês. Mas, passados alguns dias, vou finalmente contar o que achei e minhas expectativas para a continuação. Mas não se preocupem que, como todas as resenhas aqui do blog, não haverá spoiler.

Autora: Tracy Banghart
Editora: Seguinte
Tradução: Isadora Prospero
Páginas: 304
Onde comprar: Amazon
Exemplar recebido de cortesia da editora
Sinopse: “Duas irmãs lutam para mudar o próprio destino no primeiro volume de uma série de fantasia repleta de romance, ação e intrigas políticas. Em Viridia, as mulheres não têm direitos. Em vez de rainhas, os governantes escolhem periodicamente três graças ― jovens que viveriam ao seu dispor. Serina Tessaro treinou a vida inteira para se tornar uma graça, mas é Nomi, sua irmã mais nova, quem acaba sendo escolhida pelo herdeiro. Nomi nunca aceitou as regras que lhe eram impostas e aprendeu a ler, apesar de a leitura ser proibida para as mulheres. Seu fascínio por livros a levou a roubar um exemplar da biblioteca real ― mas é Serina quem acaba sendo pega com ele nas mãos. Como punição, a garota é enviada a uma ilha que serve de prisão para mulheres rebeldes. Agora, Serina e Nomi estão presas a destinos que nunca desejaram ― e farão de tudo para se reencontrar.”
 
Em Graça e Fúria, somos apresentados a um reino onde as mulheres não têm muitos direitos ou voz. Ela têm sempre três opções: casar, trabalhar como operárias ou aias, ou se tornar uma graça. As graças eram mulheres escolhidas pelo superior, o governante do reino de Viridia, para servirem a ele, mais ou menos como em um harém. A cada três anos, mais três mulheres eram escolhidas por ele.
“As mulheres não podiam ler. Não podiam escolher seus maridos, empregos, futuros. Não podiam mergulhar em busca de pérolas ou vender produtos para ajudar a família. Não podia cortar o cabelo sem que um homem ordenasse. Não podiam pensar por si mesmas. Não podiam escolher. Mas por quê?”
Nesse contexto, conhecemos Serina e Nomi, duas irmãs que, apesar de unidas, não poderiam ser mais diferentes. Serina é a mais velha e, desde pequena, chamava atenção por sua beleza, o que levou sua mãe a treiná-la para se tornar uma graça. Assim, ela teve lições de boas maneiras, etiqueta e dança, e, principalmente, aprendeu a não questionar e se mostrar sempre doce e submissa. Por outro lado, Nomi tinha uma aparência mais comum e não poderia se importar menos. Ela é uma pessoa extremamente questionadora e não se conformava com a falta de liberdade que as mulheres tinham. Tanto que acabou convencendo seu irmão gêmeo, Renzo, a ensiná-la a ler e escrever, algo que era totalmente proibido para as mulheres.

Quando foi anunciado que, ao invés do superior, seu filho mais velho escolheria suas três primeiras graças, Serina foi a escolhida para representar a cidade onde vivia. Assim, Nomi precisa acompanhá-la para servir como sua acompanhante, deixando para trás seu irmão gêmeo e o sonho de um dia escapar daquele lugar. O problema é que, ao contrário do que se esperava, Nomi é a escolhida pelo herdeiro do superior e Serina se torna a sua aia. Nenhuma das duas estava preparada para o papel que passariam a desempenhar, porém, a situação se torna ainda pior quando Serina é flagrada com um livro que Nomi havia roubado. Agora, Nomi acaba ficando sozinha em uma corte que não estava preparada para enfrentar, enquanto sua irmã é enviada para uma ilha onde as prisioneiras precisavam lutar por comida e pela própria sobrevivência.


Quando eu li essa sinopse, já pensei em uma história cheia de reviravoltas, intrigas e personagens femininas empoderadas. De um modo geral, posso dizer que não me decepcionei. A trama é bastante dinâmica e já prende a atenção do leitor desde o início. Além disso, mesmo sendo o primeiro de uma trilogia, Graça e Fúria tem muita ação e acontecimentos relevantes.
O universo apresentado pela autora é cruel e, ao mesmo tempo, interessante pelas reflexões que levanta. No reino de Virídia, as mulheres praticamente não tinham voz ou liberdade de escolhas. Elas deviam aceitar trabalhos pesados ou se submeter a um casamento no qual deveriam obedecer aos seus maridos. Além disso, não podiam aprender a ler e escrever e, obviamente, não tinham nenhuma participação política. Assim, ao longo de todo o livro são feitos questionamentos sobre a posição das mulheres naquela sociedade e os reflexos do machismo e da tirania.
“– Em todas as histórias, as mulheres desistem de tudo. Nunca devemos lutar por nada. Por que acha que é assim? [...] – Porque todos têm medo do que aconteceria se resolvêssemos lutar.”
Outro aspecto interessante do livro é, sem dúvida, ver a trajetória das irmãs Serina e Nomi. Inicialmente, Serina é submissa e passiva, aceitando calada o sistema daquela sociedade e sem questionar a falta de opção que as mulheres tinham. Por outro lado, Nomi é questionadora e não se conforma com o destino que era reservado para ela e sua irmã. Assim, seria fácil classificar Serina como tola e frágil, e Nomi como uma pessoa mais sábia e corajosa. No entanto, as aparências engam e as duas acabam surpreendendo.
Serina foi a minha favorita, porque ela cresce muito na adversidade. Por mais que se mostre submissa inicialmente, não dá para deixar de levar em consideração que ela foi criada para isso. No entanto, quando é mandada para a prisão e precisa lutar por sua vida, Serina descobre sua força e, pela primeira vez, se vê livre para pensar por conta própria e questionar a crueldade daquela sociedade. Já a Nomi, por mais que se mostre uma personagem questionadora desde o início, também é bastante ingênua e sonhadora. Quando se vê em um ambiente desconhecido e cheio de intrigas, ela acaba ficando perdida e tomando algumas decisões bastante equivocadas.

“Naquele instante, Serina fez sua escolha. Monte Ruína não podia ficar com ela. E com a certeza do fogo que devorara aquela ilha de dentro para fora, não deixaria o herdeiro ficar com Nomi. Ela escaparia. De alguma forma, escaparia. E salvaria a irmã.”



Com relação aos personagens secundários, eles são interessantes, apesar de não terem sido tão aprofundados. Ao longo do livro, eles vão desempenhando papéis muito importantes na trama e na jornada das duas protagonistas. Mesmo que esses personagens não sejam tão desenvolvidos, fica claro sua relevância na história e já foi possível perceber que alguns deles ganharão destaque na continuação. Em especial, eu adorei Malachi (o herdeiro do superior), as mulheres que Serina conheceu na prisão e Val, um dos guardas da prisão.
No entanto, como eu mencionei no começo da resenha, Graça e Fúria me deixou com sentimentos conflitantes. Por um lado, eu adorei a trajetória da Serina e o quanto ela amadurece ao longo do livro. É muito interessante ver essa personagem se transformando e se tornando muito mais empoderada. No entanto, não posso deixar de mencionar que me decepcionei com o caminho que a autora deu para Nomi. Eu gostei dessa personagem também, mas a parte dela na trama é muito similar a um outro livro bem famoso (não vou contar qual para não ser spoiler), inclusive com cenas muito parecidas, o que fez com que o caminho dela fosse totalmente previsível para mim e o que deveria ter sido a grande reviravolta, foi algo que eu já tinha previsto logo no começo.
“Não é uma escolha quando você não tem liberdade de dizer não. Um ‘sim’ não tem nenhum valor quando você é a única resposta que se pode dar!”
Com relação a escrita da Tracy Banghart, eu gostei por ter achado muito envolvente. Não dá vontade de lagar o livro e eu acabei lendo em um dia. Além disso, ela consegue descrever bem o universo e os personagens, sem tirar o ritmo da trama ou se exceder nas descrições. Se não fosse ter sentido uma repetição de outro livro em uma parte do livro, eu acredito que já estaria procurando outras obras dela para ler, porque sua escrita realmente me prendeu.
Não posso deixar de mencionar também que, quanto à edição, a Editora Seguinte caprichou mais uma vez. Adorei o fato do livro ter duas capas, mostrando uma irmã em cada uma. Achei que isso faz todo o sentido, pois as tramas das irmãs são separadas durante praticamente todo o livro. Além disso, as páginas são amareladas e a fonte tem um tamanho excelente para leitura. Minha única ressalva é que senti falta de um mapa que mostrasse Viridia e outro para a ilha onde Serina foi enviada. Sempre defendo mapas em todos os livros de fantasia, mas nesse caso acredito que teria ajudado muito.
De um modo geral, Graça e Fúria é um livro envolvente e que apresenta um universo muito interessante. Poderia ter sido mais original? Com certeza! Mas adorei as reflexões feitas a partir de uma sociedade tão cruel e opressiva, e já estou ansiosa para ver esse sistema sendo desafiado. Por esse motivo, mesmo terminando a leitura com sentimentos divididos, estou muito curiosa para ler a continuação e espero que a autora leve a história por caminhos que consigam me surpreender.

[Resenha] Literalmente Amigas

23 de jan de 2019



Sabe quando você se identifica com um livro mesmo antes de ter lido? Foi o que aconteceu comigo quando Literalmente amigas, das autoras mineiras Laura Conrado e Marina Carvalho, foi anunciado. O livro conta a histórias de duas amigas que foram unidas pelo amor aos livros e que há anos mantinham um blog literário chamado Literalmente Amigas, mas que viram sua amizade ameaça por uma oportunidade inesperada.

Então, pensem comigo um livro sobre amizade, blogs literários, muitas referências à livros e escrito por duas autoras do meu estado. Tinha como eu não ficar curiosa para ler? Lógico que não! E quando surgiu a oportunidade de solicitar para a editora, eu não perdi tempo. Agora, vou poder contar para vocês o que achei e se consegui me identificar com essas duas Literalmente Amigas como eu imaginava.

Autoras: Laura Conrado e Marina Carvalho
Editora: Bertrand Brasil
Páginas: 336
Onde comprar: Amazon
Exemplar recebido de parceria com a editora
Sinopse: “Duas das mais populares autoras brasileiras da nova geração, as mineiras Laura Conrado e Marina Carvalho se juntaram pela primeira vez para escrever Literalmente amigas. Quando Gabi e Lívia, duas apaixonadas por livros, se conheceram em uma comunidade sobre literatura em uma extinta rede social, não imaginavam que se tornariam melhores amigas e que criaram um blog de resenhas literárias, o Literalmente Amigas. Desde então, elas são inseparáveis, apesar das personalidades muito diferentes! Gabi é um pouco avoada, desorganizada financeiramente, de riso fácil e vive uma história de conto de fadas com o namorado de longa data. Já Lívia é assertiva, firme e possui planos bem delineados para seu futuro, embora ainda não tenha encontrado o emprego dos sonhos nem um romance arrebatador como o de seus livros favoritos. Juntas, elas enfrentam as dificuldades da juventude, seja na profissão, seja no amor, até tudo começar a mudar quando ambas são selecionadas para a mesma vaga ― para a qual as duas se inscrevem, sem contar uma para outra ― na principal editora do país. Será que a paixão pelos livros, que antes unia as amigas, agora se tornará o motivo do término da amizade?”

Em Literalmente Amigas, Gabi e Lívia são duas BFFs – Book Friends Forever – que se conheceram em um fórum sobre literatura quando ainda estava no Ensino Médio. A amizade que começou no mundo virtual, passou para a vida real e as duas não se desgrudaram mais. Criaram juntas o blog Literalmente Amigas e acompanharam todas as conquistas e tristezas uma da outra. Ou seja, tinham aquela amizade que era para todos os momentos mesmo.
Mesmo estando em momentos muito diferentes da vida, tanto profissional quanto amorosa, Gabi e Lívia nunca deixaram de se apoiar e nem de acompanhar os acontecimentos relevantes da vida uma da outra. No entanto, quando surge uma oportunidade de emprego na editora favorita das duas, elas se veem disputando uma vaga. E o que tinha tudo para ser a busca pelo emprego dos sonhos, acaba representando uma ameaça àquela amizade de anos e a tudo que tinham construído juntas.
“Céus, como foi que chegamos até aqui? Como o pior de nós emergiu e como pudemos ser tão grosseiras? Em que página do livro a história mudou?”


Acho que já dá para perceber pela sinopse que a amizade será o tema central desse livro e eu gostei muito disso. Por mais que sejam apresentados outros aspectos da vida das duas protagonistas, em especial os problemas na vida profissional e nos relacionamentos amorosos, em nenhum momento essas questões tiram o foco da amizade. Gabi e Lívia eram aquelas amigas que já tinham se tornado quase irmãs, superando as diferenças de personalidade e gostos, e ao longo do livro vamos acompanhando todos os percalços que elas enfrentam e percebendo o quanto esse tipo de relação é única.
Nesse sentido, achei que foi um grande acerto das autoras trazer duas protagonistas tão diferentes uma da outra. Acredito que isso tenha tornado a amizade delas mais especial, pois evidenciou o respeito que elas tinham uma pela outra. Afinal, para serem amigas, elas não precisavam pensar agir e pensar igual ou gostar das mesmas coisas.
“Todo processo de criação tem algum erro e as coisas podem se quebrar, deixando defeito no objeto. Não devemos esconder as imperfeições, mas aceitá-las como parte da peça.”
Aliás, vou aproveitar para mencionar aqui uma das coisas que mais gostei nesse livro: a Gabi e a Lívia torcem para times de futebol rivais, Atlético e Cruzeiro, respectivamente. E eu achei muito legal que, além de mostrarem como é possível ser rival no futebol e manter a amizade, as autoras ainda abordaram a questão da participação das mulheres no futebol. Principalmente através da Gabi, uma torcedora super engajada, elas mostraram não apenas que mulheres gostam e entendem de futebol sim, mas também os preconceitos e dificuldades que ainda encontramos para ir aos estádios. Além disso, como atleticana apaixonada, confesso que deu um quentinho no coração ver as várias menções ao meu time do coração.
Mas, as diferenças entre a Gabi e a Lívia não ficam apenas no campo do futebol. As duas têm personalidades bastante distintas e estão em momentos da vida profissional e pessoal muito distantes. Na vida amorosa, Gabi não poderia estar melhor. Ela tem um namorado incrível, daquele tipo companheiro para todas as horas e que sempre a incentiva. No entanto, profissionalmente ela está vivendo um momento de crise. Sem emprego fixo, ela tem dificuldade para pagar as contas e não tem ideia do que fazer quando terminar o mestrado. Apesar de ser muito talentosa, Gabi ainda tem dificuldade para acreditar no próprio potencial e também para definir que rumo seguir na carreira.
“Então me dou conta do quão me sinto só. E talvez seja ilusória a sensação de completude. Tenho bons familiares e amigos, mas ninguém pode dar passos por mim num caminho que eu mesma tenho que abrir. Muitas pessoas podem me incentivar e aplaudir seu voo, mas o esforço em abrir as asas é particular.”

Já a Lívia vive uma situação quase oposta. Ela tem um bom emprego, que, apesar de não a deixar completamente realizada, permite que trabalhe com sua grande paixão, a literatura, e tenha uma vida estável. No campo amoroso, por outro lado, ela acumula fracassos. E, com a sorte que lhe é característica, um cara maravilhoso se muda para o apartamento ao lado. Mas, apesar de ficar completamente encantada com Santiago, Lívia tem certeza que ele é homossexual e tem uma relação mal resolvida com Fred, amigo dela e dono do apartamento onde ele foi morar.



Tanto Gabi quanto Lívia vinham se apoiando nas dificuldades da vida adulta e nos momentos de crise. No entanto, quando a oportunidade para um emprego que aparentemente seria perfeito para qualquer uma delas, essa união começa a ser posta à prova. E uma das coisas que eu achei mais bacana é que, durante o processo de seleção para a vaga, elas começam a refletir não apenas sobre a amizade delas, mas sobre quem eram. Assim, acaba sendo uma reavaliação de tudo que passaram juntas, mas também uma jornada de autoconhecimento.
“Às vezes um sonho antigo, depois de ser muito almejado, pode acabar se transformando num fardo. Será que quero de verdade ser editora do selo jovem da Espaçonave? Por que de repente sinto como se estivesse fazendo algo errado?”
Preciso destacar também que, apesar dos personagens secundários ficarem bem em segundo plano (o foco é mesmo nas duas protagonistas, eles são muito importantes na história. Em especial, o Leo (namorado da Gabi), o Santiago e o Fred. Os três acabam trazendo para a Gabi e a Lívia uma visão externa da situação delas e, muitas vezes, ajudam as duas a manter os pós no chão no meio da confusão que estavam enfrentando.
Por fim, não posso deixar de mencionar às várias referências ao universo dos blogs literários. As autoras mostram muito da rotina de quem tem um blog, incluindo o processo de preparação dos posts e a interação com os leitores. Além disso, elas abordaram também alguns problemas desse nicho, especialmente algumas rivalidades que infelizmente acontecem. Há ainda muitas menções a livros famosos, então, dá para pegar outras dicas de leitura também.
“Talvez os livros suprimam a necessidade de fala porque eles têm o poder de sempre dizer algo por nós.”
Minha ressalva em relação a Literalmente Amigas é que terminei a leitura com a sensação de que o livro poderia ter sido menor. Por mais que ele esteja longe de ser um calhamaço, algumas tramas foram desnecessárias e não acrescentaram em nada da leitura, além de quebrar o ritmo da história. Além disso, senti que as autoras prolongaram muito algumas situações, principalmente o final. Acho que essa parte poderia ter sido bem mais enxuta, sem deixar o desfecho apressado ou mal amarrado.
No entanto, mesmo com essa pequena ressalva, Literalmente Amigas foi uma leitura cativante e que deixou um quentinho no meu coração tanto pelas referências literárias (e de futebol), quanto pela linda amizade das protagonistas. Gostei muito de ver o quanto elas amadureceram ao longo do livro e como foram enfrentando os obstáculos que surgiram entre sua amizade. Para quem ama o universo dos livros ou tem uma grande amizade de anos, com certeza vai se identificar com essa leitura.

Sorteio de Aniversário - 3 Anos do Dicas de Malu

21 de jan de 2019


Olá, pessoal! A semana já vai começar com tudo por aqui, porque hoje é o aniversário de 3 anos do Dicas de Malu. E é claro que a data não poderia passar em branco né? Afinal, desde que o blog foi criado, tem sido uma fonte de alegria e de realização. Então, para comemorar esse período que tem sido tão especial e retribuir tudo de bom que tenho vivido com o blog, resolvi organizar um sorteio muito especial para vocês.

Confiram as regras e não deixem de participar!




Regras:
Será sorteado um exemplar do livro O guia do cavalheiro para o vício e a virtude e Bruxa Akata, para um único vencedor.
Para participar, é necessário preencher as entradas obrigatórias no formulário. Participantes que não seguirem as entradas serão desclassificados.
É necessário seguir e não apenas visitar as páginas no Facebook.
O participante deverá residir em território nacional.
As participações vão até o dia 12/02 e o sorteio será realizado no dia 13/02
O vencedor será avisado por e-email e tem 72h para entrar em contato com os dados para envio do prêmio, ou será desclassificado.
O prazo para envio é de até 35 dias após a confirmação dos dados do vencedor.

                                    
a Rafflecopter giveaway Boa sorte a todos os participantes!

[Resenha] Sob a luz da escuridão

20 de jan de 2019


Olá, pessoal! No final do ano passado, tive a felicidade de ser selecionada para participar da Leitura Coletiva do livro Sob a luz da escuridão, da Ana Beatriz Brandão, organizada pela LC Agência de Comunicação. Já tinha algum tempo que eu tinha curiosidade de ler algo da autora e esse era o livro que tinha me deixado mais curiosa para conferir e, portanto, fiquei muito animada com a oportunidade.
Ao longo do último mês, eu pude ler Sob a luz da escuridão e trocar opiniões com outros leitores, o que tornou a experiência bem diferente. Agora, com a leitura concluída, vim contar para vocês o que achei do livro e como foi esse meu primeiro contato com a escrita da Ana Beatriz Brandão.


Autora: Ana Beatriz Brandão
Editora: Verus
Páginas: 336
Onde comprar: Amazon
Exemplar cedido pela LC Agência de Comunicação
Sinopse: “O mundo não está a salvo dos humanos... Da autora de O garoto do cachecol vermelho. Guerras e destruição, causadas pela ganância de um homem, quase levaram a raça humana à extinção. Com a radiação das bombas nucleares, o DNA humano sofreu mutações e uma nova espécie surgiu: os metacromos, seres especiais, com poderes extraordinários. Em meio ao caos de um mundo pós-apocalíptico, Lollipop e Jazz são resgatadas do instituto onde eram mantidas prisioneiras. Com as memórias apagadas, elas não sabem por que estavam ali nem quem as libertou. E, enquanto buscam respostas sobre suas origens, só lhes resta lutar pela sobrevivência. Evan, um vampiro milenar, lidera com mãos de ferro uma das mais poderosas áreas do planeta. Mas quando, por obra do destino, ele reencontra a mulher que pensou estar morta há décadas, tudo desmorona e ele é obrigado a enfrentar o passado. Ana Beatriz Brandão apresenta um mundo totalmente novo ao leitor em Sob a luz da escuridão. A raça humana não é mais a mesma, novas espécies foram criadas e agora é cada um por si. Uma históriaeletrizante, cheia de ação, tensão e romance, que vai provocar fortes emoções no leitor. Prepare-se e escolha seu lado nessa guerra: você é um metacromo ou um Deles?”

Em Sob a luz da escuridão, Ana Beatriz Brandão apresenta um futuro pós-apocalíptico cruel e devastador. O mundo já enfrentou mais duas Guerras Mundiais e a sociedade como conhecemos foi destruída. Faltam recursos como água, comida e eletricidade, e matar e roubar se tornaram coisas comuns. Aqueles humanos que ainda querem viver civilizadamente tentam se organizar em clãs, mas ainda estão longe de ser uma sociedade organizada.
“Eu sabia que era exagero da minha parte ficar ali porque ainda não confiava nas pessoas, mas, se não vivesse num mundo em que se matava por qualquer coisa, poderia ser diferente. Se eu não vivesse. Mas eu vivia.”
Experiências genéticas fizeram com que uma nova raça com poderes especiais surgisse, os metacromos. Lollipop e Jazz fazem parte dessa raça, mas não sabem nada sobre seu passado e não têm muita noção dos seus poderes, até serem resgatadas do Instituto. Após saírem de lá, elas passaram 2 anos sob a proteção do homem que as ajudou a fugir, aprendendo a caçar e se defender. No entanto, quando o esconderijo deles é atacado, as duas precisam fugir novamente e acabam indo parar em um dos clãs mais poderosos e desenvolvidos daquele mundo.

O clã é liderado por Evan, um vampiro com séculos de experiência e que parece estar, de alguma forma, ligado ao passado de Lollipop. Ao longo do livro, segredos envolvendo os dois vão sendo revelados e Lollipop começa a montar o quebra-cabeça sobre seu passado. Enquanto isso, ela e Jazz começam a treinar seus poderes e tentar se encaixar naquele lugar, que é diferente de tudo que elas estavam acostumadas.


Uma das coisas que mais gostei em Sob a luz da escuridão foi o universo criado pela Ana Beatriz Brandão. Ela trouxe uma realidade em que o mundo foi totalmente destruído pela arrogância e desejo de poder do ser humano, o que proporciona várias reflexões interessantes. Além disso, é interessante ir compreendendo aos poucos no que o mundo havia se transformado e como as pessoas estavam tentando se organizar para sobreviver. Em especial, adorei o clã do Evan e começar a conhecer um pouco dos outros grupos.
“Digamos que o mundo não é mais o que a gente pensava que era. As civilizações, apesar de tudo, estão se reconstruindo. Só não de forma tão pacífica quanto deveria ser, até porque os recursos são escassos, e todo mundo anda com as armas na mão, pronto para matar em defesa própria.”
Outro ponto positivo do livro é a facilidade com que a autora descreve esse mundo. Ela tem uma escrita direta e muito clara, que permite ao leitor entender com facilidade aquela ambientação e a crueldade desse universo pós-apocalíptico. Com isso, as descrições são suficientes para fazer o leitor compreender aquele mundo, mas sem deixar a leitura cansativa ou arrastada.
A trama do livro já começa bastante dinâmica, portanto, não é difícil se envolver com a leitura. O enredo é cheio de mistérios e logo no início eu já fiquei curiosa para saber mais sobre o passado da Lollipop e da Jazz, o que era o Instituto onde elas estavam presas e sobre o funcionamento daquele mundo como um todo. Algumas dessas coisas foram sendo respondidas ao longo do livro, mas outras permaneceram como mistérios a serem explorados nos próximos livros. Mas o mais importante é que as revelações que foram feitas contribuíram para aumentar o envolvimento com a leitura e o interesse em saber mais sobre aqueles personagens e o universo retratado.
“Será certo vivermos o agora pelo agora, sem pensar nem por um segundo em como nossos atos podem afetar nossa vida – e nossa morte. Não era algo que eu podia afirmar, mas talvez, se tivéssemos menos medo de aproveitar as chances e oportunidades antes do fim chegar, pudéssemos curtir um pouco mais a vida. Ou ter menos medo de vive-la.”
E por falar nos personagens, o quarteto principal é muito carismático. De um lado, temos Lollipop e Jazz, que já conquistaram minha simpatia logo no início pela situação em que se encontravam e pela amizade bonita que as une. Elas têm personalidades muito diferentes, mas se respeitam e se entendem como ninguém. E, complementando o quarteto, temos Evan e Sam. Os dois também são muito diferentes um do outro, mas com um vínculo muito bonito. Evan praticamente criou o Sam e isso fez com que eles desenvolvessem uma relação quase de pai e filho.
De um modo geral, eu gostei dos quatro individualmente. Lollipop é determinada e independente, mas também tem um bom coração e uma enorme capacidade de amar. Já a Jazz é mais quieta e tem uma grande dificuldade de lidar com sentimentos, mas gostei muito de ver ela amadurecendo ao longo do livro e se tornando uma pessoa mais forte. O Sam é a personificação da fofura, daqueles que a gente tem vontade de guardar em potinho. Além disso, ele é leal e justo, e sempre age como a voz na consciência do Evan, mesmo tendo sido criado por ele. E o Evan é, simplesmente, o melhor personagem do livro (e olha que eu não costumo gostar de livros com vampiros rsrs). Dono de uma personalidade forte e um senso de humor bem sarcástico, ele também é muito altruísta e se dá tudo de si para proteger aqueles que ama e seu clã.

“Quem dera eu pudesse ter vivido uma coisa dessas. Amor jovem. Amor. Juventude. Com vinte anos, eu sabia que não chegava a ser velha, mas num mundo como aquele era difícil não amadurecer muito cedo.”



No entanto, por mais que eu tenha gostado do universo criado pela autora e dos personagens, algumas coisas me incomodaram. A principal delas foi o fato de que o romance tira muito o foco da história e, na metade do livro, os casais que se formam passam a ser o centro da trama. Por mais que eu adore um romance e até tenha torcido pelos casais que se formaram, acredito que essa parte acabou ocupando mais espaço na trama que deveria.
Também me incomodou o fato de que os conflitos dos personagens foram se tornando repetitivos. A dificuldade da Jazz em lidar com seus sentimentos era compreensível no início, mas ela permaneceu por praticamente todo o livro e foi chegando um ponto em que eu já estava revirando os olhos de impaciência. O mesmo aconteceu com a Lollipop e o Evan, cujos problemas foram se repetindo ao longo da trama. Com isso, fiquei com a sensação de que os personagens não saíam do lugar e que o livro poderia ter sido menor.
“Era mais fácil fechar os olhos e fingir não dar a mínima para o resto do mundo, quando no fundo nos importávamos sim, e sabíamos que precisávamos das pessoas amadas para sermos felizes.”
Mas, apesar dos problemas, as revelações que foram feitas ao longo da trama foram me deixando cada vez mais instigada a conhecer mais daquele universo. Além disso, o final, apesar de não ter me surpreendido, é um ótimo gancho para o próximo livro e me deixou curiosa para saber quais serão os desdobramentos dele.
Deste modo, Sob a luz da escuridão foi uma boa introdução a esse mundo pós-apocalíptico criado pela Ana Beatriz Brandão e me deixou curiosa para conferir os próximos livros. Acredito que é um universo que ainda tem muito a ser explorado e, caso o romance seja mais dosado na trama, a leitura do segundo livro tem tudo para ser muito interessante. Assim, estou ansiosa para que ele seja publicado e eu possa descobrir os rumos que a autora dará para essa história.
E vocês, já leram esse ou outros livros da Ana Beatriz Brandão? Me contem aí nos comentários o que acharam ou se ainda querem ler algo dela.