[Resenha] Uma proposta e nada mais

24 de mai de 2018

 Autora: Mary Balogh
Editora: Arqueiro
Páginas: 272
Onde comprar: Amazon
Sinopse: “Após ter tido sua cota de sofrimentos na vida, a jovem viúva Gwendoline, lady Muir, estava mais que satisfeita com sua rotina tranquila, e sempre resistiu a se casar novamente. Agora, porém, passou a se sentir solitária e inquieta, e considera a ideia de arranjar um marido calmo, refinado e que não espere muito dela. Ao conhecer Hugo Emes, o lorde Trentham, logo vê que ele não é nada disso. Grosseirão e carrancudo, Hugo é um cavalheiro apenas no nome: ganhou seu título em reconhecimento a feitos na guerra. Após a morte do pai, um rico negociante, ele se vê responsável pelo bem-estar da madrasta e da meia-irmã, e decide arranjar uma esposa para tornar essa nova fase menos penosa.Hugo a princípio não quer cortejar Gwen, pois a julga uma típica aristocrata mimada. Mas logo se torna incapaz de resistir a seu jeito inocente e sincero, sua risada contagiante, seu rosto adorável. Ela, por sua vez, começa a experimentar com ele sensações que jamais imaginava sentir novamente. E a cada beijo e cada carícia, Hugo a conquista mais – com seu desejo, seu amor e a promessa de fazê-la feliz para sempre.”

Olá, leitores e leitoras! Vocês que acompanham o blog sabem que eu tenho me rendido cada dia mais aos romances de época. E, quando se trata desses livros, a editora Arqueiro é uma especialista no assunto. Por esse motivo, sempre fico curiosa para conferir os livros do gênero publicados por ela e não foi diferente com Uma proposta e nada mais, da Mary Balogh, que foi lançado no Brasil esse ano.
Primeiro volume da série O Clube dos Sobreviventes, este livro contará história de Gwendoline, a jovem viúva de um lorde inglês, que passou sete anos após a morte de seu marido sem planejar se casar novamente. No entanto, depois de tanto tempo sozinha, ela começa a cogitar encontrar um marido calmo, gentil, com quem possa ter uma vida tranquila e agradável, diferente de seu primeiro casamento.
No entanto, em um dia de caminhada onde se sente especialmente sozinha, Gwendoine sofre um acidente e é resgatada por Hugo Ernes, lorde de Trentham, um cavalheiro que não poderia estar mais distante do marido que ela imaginava. Tendo recebido o seu título por conquistas que teve em batalha, Hugo não é um nobre de nascença e nunca procurou ser um cavalheiro. Sempre carrancudo e com maneiras muito grosseiras, ele deseja encontrar uma esposa para ajudá-lo com sua irmã e atender o desejo de seu pai que queria que ele se casasse e deixasse os negócios da família para seu futuro filho.
“– Que diabo tenho que fazer? Não sei nada sobre fazer a corte. Ela sorriu, divertindo-se pela primeira vez em muito tempo. – Tem mais de 30 anos. Já era hora de ter aprendido.”
Como ambos estavam considerando a possibilidade de casar, seria de se imaginar que veriam um no outro uma possibilidade. Porém, tudo que Hugo não quer é se casar com uma aristocrata. Ele quer uma esposa de seu próprio meio, que possa aceitar sua família e uma vida mais tranquila, sem a agitação da alta sociedade. Por ouro lado, Gwen deseja um cavalheiro gentil e tranquilo, tudo o que Hugo está longe de ser. Mas e se, contrariando o bom senso de ambos, uma inesperada atração surgisse entre ele. Será que seriam estariam dispostos a superar as diferenças entre seus mundos para encontrar uma possibilidade de felicidade juntos?


A primeira coisa que preciso dizer sobre esse livro é que, por mais que a sinopse não deixe isso claro, esse não é um romance de época igual a muitos que vemos por aí. E, o principal motivo para isso são os próprios protagonistas. São dois personagens densos, cheios de traumas e marcas da vida que os tornam muito mais reais. Aliás, ambos foram construídos de uma forma que foge bastante dos padrões de romances de época.
Tanto a Gwen quanto o Hugo são personagens mais maduros do que estamos acostumados a ver nesses livros, não só por sua idade (os dois já têm mais que 30 anos), mas por um passado difícil que acabou moldando a personalidade deles. Além disso, é interessante ver como cada um deles lida com seus demônios e a forma como a autora deixa claro que, mesmo com o tempo, eles ainda tinham muito que superar.
Assim, vemos em Gwen uma mulher que tem marcas físicas e emocionais de seu passado, mas que aparenta ter lidado bem com isso e se mantido otimista. No entanto, ao longo do livro, é possível perceber que o sofrimento que ela carregava ainda era grande demais. Assim, é interessante vê-la aprendendo a olhar para si mesma e encarando seus traumas para poder seguir em frente de verdade. Além disso, mesmo quando se sente mais frágil e solitária, Gwen não deixa de se mostrar uma mulher forte, determinada e que vai em busca de sua felicidade.

“– Mas e a solidão? Por quanto tempo ficaria à espreita, esperando o momento certo para o ataque? Sua vida era mesmo tão vazia quanto parecia naquele momento? Tão vazia quanto aquela praia vasta e inóspita?”


E o que dizer do Hugo, que com seu jeito grosseiro e emburrado esconde um coração gentil e marcado pela guerra e pela culpa? A postura rígida e pouco cavalheiresca de Hugo se deve tanto aos arrependimentos que tem quanto às memórias dos horrores que viu e fez na guerra. Ele ainda é assombrado pela culpa e pelo senso de responsabilidade, o que acabou se refletindo em sua personalidade e no modo como ele se enxerga e às pessoas a sua volta. Assim, apesar de querer bater nele por sua insistência em não querer se envolver com alguém da aristocracia, eu tinha vontade de colocá-lo no colo quando pensava em tudo que ele passou.
“Ele tinha um título. Era rico. Porém trabalhava na fazenda e cultivava a própria horta. Porque gostava. E também porque oferecia alguma redenção pelo fato de ter passado anos na guerra matando e permitindo que os próprios homens fossem mortos. Não era o ex-oficial endurecido e frio que ela imaginara quando se conheceram. Ele era... um homem.”
No entanto, preciso confessar que, por mais que tenha amado os dois protagonistas, o romance demorou a me convencer. Eu gostava muito dos diálogos entre Gwen e Hugo, porque eram conversas maduras e que refletiam todo o peso que esses personagens carregavam na alma. Mas parecia que não havia química entre eles e as primeiras cenas mais sensuais acabaram não me convencendo. Porém, apesar de demorar, eu acabei acreditando e torcendo por eles; com a convivência e a forma como ambos foram se ajudando a lidar com seus traumas, o sentimento entre eles foi se tornando mais concreto e real.
Por outro lado, fui rapidamente conquistada pelos amigos de Hugo. Ele faz parte de um grupo composto por outros cinco homens e uma mulher que, de maneiras diferentes, tiveram suas vidas transformadas pela guerra, o Clube dos Sobreviventes que dá origem ao nome da série. À primeira vista, eles têm pouco em comum e apresentam personalidades muito diferentes, mas foram unidos pela dor e se ajudaram nos momentos mais difíceis de suas vidas, formando um vínculo muito bonito de acompanhar. – Sofremos neste lugar – explicou ele.
“– Nós nos curamos neste lugar. Desnudamos nossas almas uns para os outros. Deixar esta casa foi uma das coisas mais difíceis que já fizemos. Mas era necessário para que nossas vidas voltassem a fazer sentido. Uma vez por ano, porém, voltamos para recuperar nossa integridade ou para nos fortalecermos com a ideia de que estamos inteiros.”

Com relação à trama, ela se desenvolve de forma mais lenta do que costuma acontecer em romances de época, mas isso não é algo ruim. Este é um livro que foca mais no desenvolvimento dos personagens do que no romance, permitindo que o leitor vá descobrindo suas camadas aos poucos. A leitura flui bem e se torna envolvente pelos diálogos inteligentes e pelo carisma dos protagonistas.



A escrita de Mary Balogh é leve e eficiente. Gostei do ritmo que ela imprimiu na trama e o modo como ela consegue apresentar a sociedade e os costumes da época, sem exagerar nas descrições. Além disso, ela conseguiu dar profundidade aos seus personagens, até mesmo os secundários, e trazer reflexões a partir das situações vividas por eles.
Não posso deixar de falar também da edição, que está incrível. Achei a capa linda e com um tom mais sobreo, que combina com a história. Além disso, como sempre a Arqueiro adotou páginas amareladas e um bom tamanho de fonte e espaçamento, que deixam a leitura mais confortável. E, com relação à revisão, está impecável.
Deste modo, Uma proposta e nada mais é um romance de época diferente da maioria dos livros do gênero, mas que não deixa de ser uma leitura leve e envolvente. Com personagens mais complexos do que eu esperava, me encantei pela jornada pessoal deles ainda mais do que pelo romance. Assim, terminei a leitura apaixonada pelo casal principal, mas tocada pelas reflexões que encontrei. Recomendo para todos que adoram o gênero, mas que estejam procurando uma leitura diferente e mais madura.

[Dica de Filme] A Barraca do Beijo

21 de mai de 2018



Olá, pessoal! Como vocês estão? Na cidade de vocês o friozinho já começou? Na minha, as temperaturas caíram bastante e eu resolvi aproveitar o tempinho preguiçoso nesse domingo para fazer algo que eu não fazia há muito tempo: assistir a um filme. Nos últimos dias, vinha reparando que várias pessoas estavam indicando um lançamento da Netflix chamado A Barraca do Beijo e ontem resolvi finalmente dar uma chance. Então, aproveitando que já vinha querendo trazer mais indicações de filmes e séries aqui no blog, resolvi começar a semana já contando o que achei deste.


Elenco: Joey King, Joe Courtney, Jacob Elordy, Molly Ringwald
Direção: Vince Marcello
Ano: 2018
Duração: 1h 45 min
Gênero: Comédia Romântica
Sinopse: Ellie (Joey King) se encontra em um romance proibido depois do seu primeiro beijo com o menino mais bonito da escola. Esse segredo coloca sua relação com seu melhor amigo em risco.

Confesso que eu não esperava muito devido ao seu enredo totalmente clichê. Inspirado no livro A Barraca do Beijo, da autora Bethe Reekles (que publicou o livro no Wattpad quando tinha apenas 15 anos), o filme conta a história de Elle e Lee, dois adolescentes de 16 anos que são melhores amigos praticamente desde o dia que nasceram. A amizade dos dois tinha várias regras, sendo uma das mais importantes delas que Elle nunca se envolvesse com o irmão mais velho de Lee, o Noah. Porém, quando organiza uma Barraca do Beijo para uma festa da escola, Elle não poderia imaginar que acabaria dando o seu primeiro beijo com o menino mais popular da escola e que isso colocaria sua amizade com Lee em risco.
Tem como ser mais clichê? Não, não tem. Porém, a curiosidade por esse filme ter se tornado o mais comentado do momento (juro que tenho visto mais comentários sobre ele do que sobre Vingadores – Guerra Infinita) acabou falando mais alto. E, pasmem, eu entrei para o time dos que amaram e que estão recomendando A Barraca do Beijo para todo mundo.
Há muito tempo eu não via uma comédia romântica adolescente que funcionasse tão bem. Apesar da trama ser batida, a forma como ela foi construída é muito mais interessante do que pensei. Os personagens são extremamente carismáticos e, surpreendentemente reais. Mesmo que alguns estereótipos típicos de filmes adolescentes estejam presentes, eles ainda apresentam uma humanidade que não costumamos ver. Em especial, gostei de perceber que há mais camadas nos três protagonistas do que pensamos a princípio.
Além disso, o filme é muito ajudado pelo elenco. Não são atores tão conhecidos, mas acredito que isso ajuda na construção deles como adolescentes comuns, já que não estão marcados por papéis em outros filmes. Joey King, Joe Courtney e Jacob Elordy vivem, respectivamente, Elle, Lee e Noah, e fazem isso de maneira convincente e cativante. Terminei o filme totalmente encantada por eles e espero vê-los em outros trabalhos.
Vale mencionar também que o filme conta com uma participação especial da atriz Molly Ringwald. Apesar de não fazer tanto sucesso atualmente, ela é mais conhecia por seus papéis em A garota de rosa-shocking, Gatinhas e gatões e O Clube dos Cinco, um dos meus filmes favoritos. Então, para quem também ama esses filmes, foi muito legal vê-la em A Barraca do Beijo.
No entanto, o que me cativou de fato nesse novo sucesso da Netflix é o clima leve e o humor natural na trama. Não se trata de uma daquelas comédias românticas tolas, cheias de piadas sem graça e com um senso de humor cansativo. Ao contrário, A Barraca do Beijo dosa muito bem os momentos mais engraçados dentro da história, fazendo com que eles apareçam de maneira orgânica na trama e sem situações forçadas só para fazer o espectador rir.
De um modo geral, A barraca do beijo não é um filme que vá mudar minha vida ou me trazer reflexões, mas se mostrou uma excelente opção de entretenimento. Consegui entender o motivo de tantas pessoas estarem se rendendo a ele e confesso que terminei de assistir compartilhando do mesmo sentimento. Seus 105 minutos de duração passam rápido, mas acabam deixando o espectador com o coração quentinho e um gosto de quero mais. Sem dúvida, o final em aberto permite a possibilidade de uma continuação e confesso que já estou ansiosa.
E, para quem também se encantou por esse filme ou ainda quer assisti-lo, a editora Astral Cultural ainda deu mais um motivo para aumentar o interesse em torno dele: em junho, o livro A Barraca do Beijo será publicado no Brasil. Assim, além de assistir ao filme, em breve, poderemos conferir a obra que o inspirou. Mas, para quem gosta de ler em inglês, já pode comprar a edição americana aqui.
E vocês, já se renderam ao mais novo queridinho da Netflix? Me contem aí nos comentários se assistiram A Barraca do Beijo e o que acharam. Para quem ainda não viu, vou deixar o trailer desse amorzinho de filme. 


[Resenha] É assim que acaba

17 de mai de 2018


Autora: Colleen Hoover
Editora: Galera Record
Páginas: 368
Onde comprar: Amazon
Exemplar recebido de parceria com a editora
Sinopse: “Um romance sobre a força necessária para fazer as escolhas corretas nas situações mais difíceis. Da autora das séries Slammed e Hopeless Lily nem sempre teve uma vida fácil, mas isso nunca a impediu de trabalhar arduamente para conquistar a vida tão sonhada. Ela percorreu um longo caminho desde a infância, em uma cidadezinha no Maine: se formou em marketing, mudou para Boston e abriu a própria loja. Então, quando se sente atraída por um lindo neurocirurgião chamado Ryle Kincaid, tudo parece perfeito demais para ser verdade. Ryle é confiante, teimoso, talvez até um pouco arrogante. Ele também é sensível, brilhante e se sente atraído por Lily. Porém, sua grande aversão a relacionamentos é perturbadora. Além de estar sobrecarregada com as questões sobre seu novo relacionamento, Lily não consegue tirar Atlas Corrigan da cabeça — seu primeiro amor e a ligação com o passado que ela deixou para trás. Ele era seu protetor, alguém com quem tinha grande afinidade. Quando Atlas reaparece de repente, tudo que Lily construiu com Ryle fica em risco. Com um livro ousado e extremamente pessoal, Colleen Hoover conta uma história arrasadora, mas também inovadora. Uma narrativa inesquecível sobre um amor que custa caro demais.”

Não é segredo para ninguém que me encantei pela escrita da Colleen Hoover logo no primeiro livro dela que eu li. No entanto, toda a experiência que tive com as obras dela não me preparou para o que encontraria em É assim que acaba, publicado recentemente no Brasil pela Galera Record. Mais denso, complexo e doloroso, esse livro vai muito além do que eu poderia imaginar e traz um tema tão relevante que torna sua leitura praticamente obrigatória.
Escrito com muita sensibilidade, É assim que acaba toca o dedo em uma ferida muito presente na nossa sociedade e faz com que o leitor saia de sua zona de conforto para rever suas opiniões e, principalmente, seus julgamentos. É daquelas leituras em que, quando você termina o livro, não é mais o mesmo que começou a ler. Acredito ser impossível concluir essa leitura sem se colocar ao menos um pouquinho no lugar do outro e perceber que o mundo não é tão simples como nós imaginamos e que algumas escolhas não são óbvias e nem fáceis.
Nesse livro, acompanhamos a história de Lilly, uma jovem que acabou de perder o pai, com quem nunca teve uma boa relação, e seu discurso no funeral foi um completo fracasso. Vivendo o que considera ser o pior dia de sua vida, ela sobe no telhado de um prédio em busca de ar fresco e de clarear seus pensamentos. É aí que ela conhece Ryle, um lindo neurocirurgião, que também estava tendo um péssimo dia.
Apesar de se sentirem atraídos, os dois percebem que tinham objetivos muito diferentes. Ele está totalmente focado em sua carreira e não quer relacionamentos que o distraiam. Já Lilly sonha com uma relação estável e uma família. No entanto, é claro que os dois irão se reencontrar e os sentimentos vão falar mais alto.
E, antes que vocês pensem que É assim que acaba é o livro mais clichê de todos os tempos, esse foi apenas o pontapé inicial de um enredo muito mais denso do que se supõe a princípio. Entre as mudanças na vida de Lilly e o desenvolvimento da relação dela com Ryle, temos diários que narram acontecimentos de sua adolescência, incluindo os motivos para sua péssima relação com o pai e o romance que ela viveu com Atlas, um jovem sem-teto que ela nunca esqueceu completamente.
Quando Atlas ressurge em sua vida, Lilly fica dividida entre os sentimentos que nunca foram superados e a força do romance que estava vivendo com Ryle. Porém, ele não é o único fantasma do seu passado que retorna para assombrá-la. Lilly passará por situações que irão fazê-la reviver alguns dos piores momentos de sua infância e adolescência, porém, com uma nova perspectiva que poderá destruir todas as convicções que sempre teve, inclusive sobre si mesma.


Eu poderia falar sobre É assim que acaba por horas e em detalhes, porém, prefiro não contar mais nada sobre o enredo e deixar que vocês tenham a mesma experiência que eu tive ao ler esse livro pela primeira vez. Sei que já têm muitas resenhas por aí que falam abertamente sobre o tema do livro e as grandes reviravoltas que ele apresenta, mas eu acho que isso estraga grande parte do cuidado que a autora teve ao construir a história. Quanto menos o leitor souber sobre o enredo é melhor, pois não fará julgamentos antecipados e conseguirá se colocar no lugar da protagonista.
Com relação aos personagens, Lilly é uma das personagens mais humanas e fáceis de se conectar que eu já li. Mesmo que eu nunca tenha passado por nada remotamente parecido com as situações que ela vivenciou, Lilly é uma protagonista tão real que é impossível não entender suas dúvidas e não querer confortá-la nos momentos difíceis. Além disso, foi uma personagem que cresceu na adversidade e foi se mostrando mais forte e madura ao longo do livro, mesmo nos momentos em que ela parecia desabar.
“A maioria das plantas precisa de muito cuidado para sobreviver.  Mas algumas coisas, como as árvores, são fortes o bastante para sobreviver ao que quer que tivesse acontecido em sua vida.”
Já Ryle e Atlas são dois mocinhos que encantam desde o primeiro momento em que aparecem. Apesar de vê-los, incialmente, em momentos diferentes da vida da Lilly, é fácil entender os motivos que a levaram a se apaixonar pelos dois. Inclusive, cheguei a me perguntar como ela poderia escolher entre um deles. No entanto, se tem uma coisa que esse livro faz é quebrar estereótipos e esses dois personagens vão surpreender e mostrar como os rótulos que colocamos nas pessoas podem estar errados.
Quinze segundos. Só isso já basta para mudar completamente tudo sobre uma pessoa. Quinze segundos que nunca teremos de volta.”
Os personagens secundários não são tão explorados, mas apresentam grande relevância na jornada da protagonista. Em especial, se destacaram a mãe dela e Allysa, irmã do Ryle e funcionária de Lilly. Aliás, Allysa foi uma das minhas personagens preferidas, tanto por sua personalidade divertida e positiva, quando por sua amizade sincera com a Lilly. Ela mostra, de várias maneiras, o verdadeiro significado da empatia e da sororidade, e é bonito ver o laço que se forma entre elas.
Com relação à escrita da Colleen, acho que não é surpresa para ninguém dizer o quanto é fluída e envolvente. Além disso, É assim que acaba demonstra, mais uma vez, a grande capacidade que a autora tem de fazer com que os leitores sintam as mesmas coisas que os seus personagens. No entanto, talvez por se tratar de seu romance mais pessoal, essa habilidade dela foi potencializada nesse livro. Aqui, nós nos sentimos realmente no lugar da Lilly; temos os mesmos medos e dúvidas que ela, e a sua dor se torna a nossa, o que deixa a leitura mais real e brutal.
“Apesar do ressentimento que guardo no coração, minhas emoções continuam presentes. Não paramos de amar uma pessoa só porque ela nos magoou. Não são suas ações que magoam mais. É o amor. Se não houvesse amor ligado à ação, a dor seria um pouco mais fácil de suportar.”

O enredo foi muito bem construído pela autora, de modo que o leitor consiga conhecer e se apegar aos personagens e que o impacto dos acontecimentos seja ainda maior. A reviravolta do livro é um verdadeiro soco no estômago e, inicialmente, não queria acreditar que aquilo estava acontecendo. A partir daí a leitura se torna mais dolorosa, mas também intensa e ágil, fazendo com que o leitor não consiga parar até concluir o livro e descobrir quais foram as escolhas feitas pela protagonista.



Vi algumas críticas relacionadas ao desfecho, mas, apesar de concordar que os eventos do epílogo poderiam ter acontecido de outra forma, achei que foi um final bastante coerente. Acho que ele representou bem a jornada de Lilly durante todo o livro e as lições que ela tirou de todas as situações que viveu. Assim, acredito que a ressalva feita acabou ficando pequena demais, para mim, quando comparada com a grandiosidade e a importância da história que foi contada. Além disso, algumas pessoas reclamaram que um determinado personagem não foi muito explorado no livro. Porém, é preciso ter em mente que, por mais cativante e importante que seja na jornada de Lilly, ele nunca foi e nem deveria ser o foco. Então, não foi algo que chegou a me incomodar.
“Ciclos existem porque é doloroso acabar com eles. Interromper um padrão familiar é algo que requer uma quantidade astronômica de sofrimento e de coragem. Às vezes, parece mais fácil simplesmente continuar nos mesmos círculos familiares em vez de enfrentar o medo de saltar e talvez não fazer uma boa aterrissagem.”
Com relação à edição, foi mantida a capa original, que é maravilhosa. As páginas são amareladas e a fonte tem um bom tamanho. A minha única ressalva é que, como li o livro ano passado em inglês, achei que a tradução deixou um pouquinho a desejar e passaram alguns errinhos de revisão. No entanto, não é nada que chegue a prejudicar a leitura ou tirar o impacto da história contada.
Deste modo, É assim que acaba é um livro forte e difícil de ser lido, mas que toca pela empatia que desperta e pela sensibilidade da autora na construção da trama. É uma leitura que me fez sair da minha zona de conforto e olhar com mais cuidado para uma realidade que pode não ser a minha, mas é a de milhares de pessoas. Assim, mais do que um romance, é um livro importante para mostrar que devemos pensar antes de julgar e que, ao invés de apontar o dedo, é preciso entender e se colocar no lugar do outro. Não é uma leitura fácil, especialmente por conter cenas pesadas e muito reais, mas que é capaz de arrebatar, emocionar e, até mesmo, transformar o leitor.
Aproveito também para destacar que, ao final do livro, há uma nota da Colleen Hoover que nos permite entender melhor sua inspiração ao escrever essa história. Essa nota, que deve ser lida apenas após terminar a leitura do livro por explicar o desfecho, é extremamente emocionante e dá ainda mais significado para tudo que foi narrado na obra. Além disso, os agradecimentos que vêm depois da nota são muito bonitos e confesso que também arrancaram mais algumas lágrimas minhas.
E vocês, já leram esse ou algum outro livro da Colleen Hoover? Me contem aí nos comentários o que acharam ou se ainda querem ler este livro. E, para quem se interessou, deixo o link de compra na Amazon aqui.

[Resenha] Um verão da Itália

14 de mai de 2018

 Autora: Carrie Elks
Editora: Verus
Onde comprar: Amazon
Exemplar cedido pela editora para leitura antecipada
Sinopse: “Férias de verão gratuitas em uma bela villa na Itália. A condição? Dividir a casa com seu maior inimigo... Cesca Shakespeare chegou ao fundo do poço. Depois de escrever uma peça de teatro premiada que acabou em desastre, o bloqueio criativo se instalou, sem previsão de ir embora. Seis anos mais tarde, ela acabou de perder mais um emprego pavoroso e está prestes a ser despejada de seu apartamento. Pior ainda, suas irmãs não fazem ideia de como sua vida vai mal. Assim, quando seu padrinho lhe arruma uma temporada de verão em uma villa italiana, sem ter de pagar nada por isso, Cesca concorda, meio a contragosto, em ir para lá e tentar escrever uma nova peça. Isto é, antes de descobrir que a casa pertence a seu arqui-inimigo, Sam Carlton. Tendo acabado de ver seu nome em todas as manchetes pelas razões erradas — mais uma vez —, o galã de Hollywood Sam Carlton precisa de um lugar para se esconder. Que opção melhor do que a linda villa desocupada de sua família à beira do lago de Como? Só que, quando ele chega, descobre que a casa não está tão desocupada quanto ele esperava. Ao longo do quente verão italiano, Cesca e Sam terão de confrontar o passado. E o que começa como uma hesitante amizade rapidamente se torna uma atração intensa. À medida que seus mundos colidem, uma escolha terá de ser feita: o que está acontecendo entre eles é apenas um caso de verão, ou um amor capaz de enfrentar até a família Shakespeare: quatro irmãs, quatro histórias... quatro maneiras de encontrar o amor verdadeiro.”

Semana passada, recebi mais uma caixinha muito especial do VIB – Very Importante Book – do Grupo Editorial Record. O livro da vez é Um verão na Itália, da autora Carrie Elks, e eu preciso confessar que foi amor à primeira vista. Assim que li a cartinha que veio junto, senti que precisava pular a fila e começar esse livro imediatamente. Resultado: leitura concluída em menos de dois dias e uma sensação maravilhosa de coração quentinho quando terminei.
Um verão na Itália inaugura a série As irmãs Shakespeare, que será publicada no Brasil pela Editora Verus. Nesse primeiro livro, que tem previsão de lançamento para o mês que vem, acompanhamos a trajetória de Cesca, uma jovem que vinha há alguns anos pulando de emprego em emprego e que não dava nenhum sinal de que iria se encontrar em algum deles. Seis anos antes, ela era uma promissora roteirista de teatro, mas um enorme fracasso em sua primeira peça fez com que ela nunca mais conseguisse escrever nada.
Cansado de ver Cesca mudando toda hora de emprego e com uma vida financeira e pessoal cada dia pior, o padrinho dela propõe que ela passe o verão tomando conta da casa de um casal de amigos dele, na Itália. Seria uma oportunidade para ela espairecer e, quem sabe, voltar a se dedicar ao seu grande sonho que era ser uma roteirista de teatro. Sem nada a perder, Cesca decide ir para a Itália e tentar se reencontrar.
O que ela não esperava é que, nessa viagem, acabaria reencontrando também o ator que foi responsável pelo fracasso de sua peça anos atrás. Surpreendentemente, Sam Carlton acabou se tornando um ator de sucesso e fez fama em Hollywood. No entanto, após um grande escândalo, ele decidiu se refugiar em sua casa, na Itália. Lá, Sam esperava encontrar um pouco de paz, mas precisou lidar com toda a raiva que Cesca acumulou ao longo dos anos por ter destruído sua vida – mesmo que ele não tivesse a menor ideia de que tinha feito isso.


Sabe aquele livro aquele livro que tem cara de final de semana, daqueles que a gente senta para ler e esquece da vida? Um verão na Itália é exatamente esse tipo de livro. Uma leitura fluida, divertida e apaixonante, que envolve desde a primeira página e com um enredo que, mesmo sendo um pouco clichê, é bem construído e surpreende pelo desenvolvimento dos personagens. 
Cesca é daquelas protagonistas que conquistam a empatia do leitor logo nas primeiras páginas. Como qualquer pessoa, ela passa por uma fase difícil e demonstra várias inseguranças. No entanto, isso não é apresentado no livro por meio daquela típica mocinha atrapalhada, que vive se metendo em confusões e chega a ser caricata. Ao contrário, Cesca é uma personagem muito humana, com sentimentos compreensíveis e com a qual o leitor consegue se identificar. Claro que ela se envolve em algumas situações engraçadas, mas não é nada que não possa acontecer na vida real. Além disso, seu desenvolvimento durante a história permite que o leitor perceba o quanto Cesca amadureceu e realmente acredite nessa mudança, pois não é algo que acontece de uma hora para outra.
E o que dizer do Sam? Assim, como Cesca, ele não é um personagem perfeito e, em muitos momentos, eu sentia vontade de sacudi-lo para que percebesse as besteiras que estava fazendo. No entanto, ele é humano até mesmo em suas imperfeições e apresenta conflitos muito compreensíveis. Aliás, achei interessante o fato de que, mesmo se tratando de um astro do cinema, ainda é fácil perceber em Sam uma pessoa comum, que comete erros, tem sonhos e frustrações, e demonstra uma enorme capacidade de sentir. E, se não bastasse tudo isso, ele ainda é um personagem carismático, divertido e capaz de conquistar o leitor.


Os demais personagens não aparecem tanto, mas foram suficientemente desenvolvidos para contribuir com a trama. Em especial, amei o padrinho da Cesca e a Gabi, funcionária da casa onde Cesca vai trabalhar na Itália. Nos breves momentos em que apareceram, esses dois me conquistaram com seu senso de humor e ajudaram muito a impulsionar a protagonista.  
Com relação à trama, achei que a autora soube desenvolvê-la muito bem. Apesar do enredo parecer clichê, a maneira como ele foi construído me surpreendeu bastante. Além do amadurecimento gradual dos personagens, o romance acontece de maneira natural na história. Não há aquele amor à primeira vista que sempre me irrita, mas a antipatia que Cesca e Sam sentem quando se conhecem também não é forçada. Todas as etapas da convivência deles são compreensíveis e, até mesmo críveis, deixando a leitura ainda mais interessante. Além disso, achei que a autora soube dosar bem o ritmo, sem deixar que os acontecimentos fossem muito abruptos, mas também não pecando pelo excesso de descrições.
Outro ponto que achei interessante no livro é a importância que o teatro tem na obra. É bonito ver o quanto Cesca é apaixonada por essa arte e sofremos ao perceber o quão doloroso foi para ela se afastar do seu sonho de escrever uma peça. Então, vê-la se reencontrando e tentando colocar em prática seu talento novamente foi um dos aspectos que mais contribuíram para tornar esse livro encantador. Além disso, o começo de cada capítulo conta com uma citação de alguma obra de William Shakespeare, o que não só tem tudo a ver com a história do livro, como ainda deu um toque bastante especial para a leitura.



Já sobre a edição, não tenho como falar, pois li uma prova para leitura antecipada, então, pode ser que muita coisa mude até a versão final. No entanto, não posso deixar de comentar que eu gostei bastante da capa e acho que tem tudo a ver com o tom descontraído e apaixonante do livro.
Assim, quero agradecer muito ao Grupo Editorial Record pela oportunidade de ler Um verão da Itália antecipadamente. O livro foi meu primeiro contato com a escrita da Carrie Elks e a impressão não poderia ter sido melhor. É uma leitura leve, apaixonante e envolvente, com personagens que conquistam a empatia do leitor e uma trama que se desenrola com naturalidade. O desenvolvimento romance é lindo de acompanhar, mas o que conquista mesmo no livro é a boa construção dos personagens e o fato de conseguirmos nos identificar com eles e ainda nos orgulharmos por sua evolução. Acredito que não preciso nem ressaltar aqui o quanto eu amei essa leitura, que me deixou com o coração alegre do começo ao fim. Então, só me resta dizer que recomendo muito Um verão na Itália e que não vejo a hora de poder ler as histórias das outras irmãs Shakespeare.

Atualização: O livro já está disponível para pré-venda e pode ser adquirido aqui.

[Resenha] Um reino de sonhos

10 de mai de 2018

Autora: Judith McNaught
Editora: Bertrand Brasil
Páginas: 378
Onde comprar: Amazon
Classificação: +18 anos
Exemplar recebido de cortesia da editora
Sinopse: “Um romance da Dinastia Westmoreland Royce Westmoreland, o “Lobo Negro”, é enviado pelo rei da Inglaterra para invadir a Escócia. Quando seu irmão, Stefan, sequestra Jennifer e Brenna Merrick, filhas de um lorde escocês, do convento onde vivem, as vidas de Royce e Jennifer se entrelaçam. Ele, um poderoso guerreiro que já ganhou muitas batalhas, não vê a hora de encontrar uma mulher que o amará pelo homem que é, não pelo medo inspirado por sua lenda. Ela, uma jovem rebelde em busca do amor e da aceitação de seu clã, mesmo na condição de prisioneira, não se deixa abalar pela fama de seu arrogante captor. Conforme os conflitos entre os dois se tornam mais frequentes, a urgência de se entregarem um ao outro só aumenta. Certa noite, quando ele a toma apaixonadamente nos braços, desperta nela um desejo irresistível. Mas, se Jennifer seguir seu coração, perderá tudo aquilo pelo que vem lutando e jurou honrar.”

Se você acompanha o blog, sabe que romances de época têm sido cada vez mais presentes nas minhas leituras. É um estilo que veio me conquistando aos poucos e, hoje, eu fico sempre de olho nos lançamentos. Por esse motivo, fiquei muito feliz quando recebi de cortesia do Grupo Editorial Record o livro Um reino de sonhos, da Judith McNaught, que foi lançado esse semestre pela Bertrand Brasil. 
Primeiro volume de uma trilogia, trata-se de um romance de época ambientado em um dos contextos históricos que acho mais interessantes: o Reino Unido no século XV, início da Dinastia Tudor. Para quem não sabe, eu sou apaixonada por história e sempre gostei de filmes e séries que se passavam nesse período específico. Então, esse já foi um dos elementos que me deixaram imediatamente curiosa para ler Um reino de sonhos.
Além disso, o próprio enredo me cativou de cara e me deixou ansiosa para iniciar a leitura. Nele, temos a jovem Jennifer Merrick, filha de um importante lord escocês que vive em um convento, afastada de seu clã, devido ao seu comportamento mais forte do que o das mulheres da época. O maior sonho de Jennifer era retornar para seu lar e ser reconhecida pelas pessoas do seu clã.
“Eu só queria ser amada por aqueles que amo; ser vista e não ser considerada imperfeita por aqueles que me conhecem.”
No entanto, esse desejo se torna mais complicado quando ela e sua irmã, Brenna, são capturadas por Stefan Westmoreland e levadas diretamente para o irmão mais velho dele, Royce, conhecido como o “Lobo Negro”. Royce é o mais implacável guerreiro do rei da Inglaterra e foi enviado para invadir a Escócia. Quando seu irmão aparece com as duas filhas de lord Merrick, Royce vê uma oportunidade de fazê-lo se render. Porém, um guerreiro acostumado a batalhas terríveis não poderia esperar que o seu maior desafio estaria justamente naquela jovem aparentemente indefesa. 


Vou confessar para vocês que esse livro me deixou com uma mistura de sentimentos que tornam difícil falar para vocês o que achei da leitura, mas acredito que ao longo da resenha vocês irão me entender melhor. Algumas coisas me incomodaram bastante durante o livro, porém, eu ainda fui envolvida pela trama e terminei com uma sensação gostosa. Sei que isso parece contraditório, mas vou explicar.
Começando pelos personagens, eu gostei muito de ambos os protagonistas. Eu admirei a força e a perspicácia da Jennifer desde o início, bem como a sua determinação nas situações adversas. Ela não é aquele tipo de personagem que simplesmente aceita seu destino e abre mão de seus sonhos sem lutar, e eu confesso que amei vê-la sempre tentando encontrar soluções, sem esperar que alguém fosse resgatá-la. Porém, como diz o ditado que “tudo que é demais passa”, quando a determinação dela chegou no ponto da teimosia e da irresponsabilidade, fiquei bastante incomodada. Inclusive, teve um momento específico que tive vontade de entrar no livro e esganá-la pelas consequências que suas atitudes tiveram em um inocente.
“E, apesar de todo o seu medo e culpa pelo que sentiu, tudo o que queria naquele momento era que ele a chamasse de “Jenny” novamente com aquele mesmo tom rouco e carinhoso. Ou que dissesse, com qualquer tom, ‘eu te amo’.”
Já o Royce é um mocinho que eu amei quase na mesma proporção que odiei. Por um lado, ele é um guerreiro que inspira admiração por sua habilidade e pela lealdade que tem com seus companheiros. É um homem que, apesar de sua fama de terrível, sabe ser justo e generoso. No entanto, ele tem um temperamento forte e mandão que me incomodou demais. Apesar de estar de acordo com o padrão da época, me irritou a forma como ele tratou Jennifer algumas vezes. Como eu já disse, ela sabe ser irritante em alguns momentos e teve uma cena específica que ela ultrapassou todos os limites, mas ainda assim não justifica o jeito autoritário dele.
Assim, o romance também teve seus problemas. Em algumas situações, eu achei que a forma como Royce tentava manter Jennifer perto era bastante questionável, o que sempre acendia um alerta na minha cabeça e impedia que eu torcesse por esse casal de todo coração. No entanto, preciso ressaltar que, mesmo que não com a empolgação que eu costumo ter em romances, ainda torci muito por eles. Tirando algumas cenas em que tinha vontade de esganar um dos dois (ou ambos), eu achei a aproximação deles compreensível e a atração entre eles natural. Jennifer é uma mulher que sempre quis ser amada e reconhecida por quem era e Royce queria alguém que o visse como ele era e não como a lenda do Lobo Negro. Assim, um acabou sendo exatamente o que o outro precisava.
“A resposta do conde tocou o coração sensível de Jenny e o fez doer um pouco, pois ela sabia melhor do que ninguém como era humilhante e doloroso sentir-se deslocado no meio das pessoas pelas quais mais se deseja ser aceito. Parecia errado, injusto, que aquele homem que arriscava a vida todos os dias pela Inglaterra fosse evitado por seu próprio povo.”

Com relação aos personagens secundários, eu fiquei completamente apaixonada por eles. Os amigos de Royce são incríveis e muito divertidos, e é bonito ver o companheirismo e a lealdade que existem entre eles. Em especial, eu amei o Stefan, irmão mais novo do Royce. Ele é carismático, esperto e com um ótimo senso de humor. Já a Brenna, irmã da Jennifer, parecia ser um pouco insossa no começo, mas ao longo do livro se mostra uma personagem encantadora e muito mais determinada do que se imaginaria a princípio. 



A trama foi bem desenvolvida pela autora e gostei de como ela ambientou a história. Ela conseguiu explicar o contexto histórico de maneira natural na trama e nós realmente nos sentimos transportados para a Escócia e a Inglaterra do século XV. Até mesmo as diferenças e as hostilidades existentes entre os dois países (que muitas pessoas cometem o erro de considerarem similares) foram bem explicados pela autora. O único ponto que deixou um pouco a desejar, foi o final um tanto acelerado. No entanto, apesar de sentir que poderia ter sido construído com mais detalhes e menos pressa, o desfecho ainda consegue amarrar tudo sem deixar pontas soltas.
“– Eu não estava falando de um reino real com terras e castelos, mas de um reino de sonhos, um lugar no qual as coisas seriam exatamente como eu quisesse.”
Como eu disse no começo, o romance deixou um pouquinho a desejar e demorou a conquistar minha torcida. Grande parte da responsabilidade disso foi o comportamento mandão e quase abusivo de Royce, em alguns momentos, porém, chegou um ponto em que senti que faltou sustentação para eles demorarem a se acertar. Eu queria que eles se entendessem logo, mas comecei a me incomodar com a teimosia dos dois. Parecia que a única coisa que impedia os dois de ficarem juntos era a falta de diálogo e a pouca convicção de Jennifer em seus próprios sentimentos. Embora fosse compreensível, no início, o fato de ela se sentir dividida entre a lealdade ao seu clã e o amor que sentir por Royce, mais para o fim isso já estava soando como uma justificativa tola para enrolar a história.
Quanto à edição, eu fiquei encantada com a capa. Achei linda e totalmente compatível com a história. Apesar de achar que o título deveria estar maior do que o nome da autora, achei que de um modo geral o resultado ficou muito bonito. Além disso, as páginas são amareladas e a fonte tem um bom tamanho para leitura. Só tenho uma ressalva que é em relação à tradução. Eu não gosto quando nomes são traduzidos para o português, especialmente de pessoas que existiram de verdade. Nesse livro, há nomes de reis importantes da história da Inglaterra e da Escócia e que foram traduzidos, o que, além de desnecessário, soou estranho e ainda me deixou um pouco confusa no começo.
De toda forma, posso dizer que Um reino de sonhos foi uma leitura agradável e que, apesar de demorar um pouco, acabou conseguindo me conquistar. Os dois protagonistas estão longe de serem perfeitos, mas, apesar dos muitos tropeços, conseguimos acreditar nos sentimentos que surgem entre eles, porque não é um romance que acontece de uma hora para outra. Com uma ambientação história interessante, bons diálogos e uma escrita envolvente, Judith McNaught escreveu um romance capaz de fazer o leitor viajar no tempo e se encantar com a leitura. Para quem ama romances históricos com uma boa dose de aventuras, conspirações e batalhas, é uma ótima indicação.
                                                                                                                   

Dicas de títulos disponíveis no Kindle Unlimited

7 de mai de 2018



Olá, leitores e leitoras! O que vocês acham de começar a semana com várias indicações de livro? Hoje eu vim falar com vocês sobre alguns títulos que estão disponíveis em ebook no programa Kindle Unlimited.
Para quem não sabe, esse programa funciona mais ou menos pelo mesmo princípio da Netflix. Paga-se uma mensalidade de R$ 19,90 para ter acesso a todo o acervo disponível no programa. É possível pegar emprestado até 10 títulos de uma vez e, para pegar outros, basta retornar um deles. Além disso, tem a possibilidade de fazer uma assinatura de teste na qual o assinante pode utilizar o serviço gratuitamente por 30 dias, podendo cancelar a qualquer momento. Ou seja, vocês podem experimentar por um mês e ver se acham que o Kindle Unlimited compensa.
Mas, vocês devem estar se perguntando: eu preciso ter um aparelho Kindle para usar o Kindle Unlimited? A resposta é não. Para utilizar esse serviço basta ter uma conta na Amazon e baixar o aplicativo Kindle no celular, tablet ou computador. E, o melhor de tudo, esse aplicativo é gratuito. Mas, para quem quiser adquirir o dispositivo, eu recomendo muito, pois a leitura é bem mais confortável.
Agora que já expliquei como funciona o Kindle Unlimited, vamos às indicações. Fiz uma lista com cinco livros que eu amei e estão disponíveis no catálogo do serviço e outros cinco que eu ainda quero ler. Então, vamos às indicações.

Um tom mais escuro de magia, da V. E. Schwad
Eu recebi de cortesia um exemplar desse livro e, por isso, não li pelo Kindle. Porém, é um dos meus livros de fantasia favoritos da vida e está disponível no Kindle Unlimited. Sinopse: “Um universo de aventuras audaciosas. Kell é um dos últimos Viajantes — magos com uma habilidade rara e cobiçada de viajar entre universos paralelos conectados por uma cidade mágica. Existe a Londres Cinza, a Londres Vermelha, a Londres Branca e... a Londres Negra. Mas ninguém mais fala sobre ela. Oficialmente, Kell é o Viajante Vermelho, embaixador do império Maresh, encarregado das correspondências mensais entre a realeza de cada Londres. Extraoficialmente, Kell é um contrabandista, atendendo pessoas dispostas a pagar por mínimos vislumbres de um mundo que nunca verão. Fugindo para a Londres Cinza, ele esbarra com Delilah Bard, uma ladra com grandes aspirações. Primeiro ela o assalta, depois o salva de um inimigo mortal e finalmente o obriga a levá-la para outro mundo a fim de experimentar uma aventura de verdade.”

Métrica, da Colleen Hoover
Esse foi livro foi meu primeiro contato com a escrita da Colleen Hoover e eu li toda a trilogia através do Kindle Unlimited. Sinopse: “Após a morte do pai, a ausência torna-se a maior companheira de Lake. A responsabilidade pela mãe e pelo irmão caçula a congelam num limbo de luto e dor. Por fora, ela parece corajosa e tenaz; por dentro, está perdendo as esperanças. E se mudar do único lar que conheceu não ajuda em nada. Agora em uma nova casa, em uma nova cidade, ela precisa achar seu caminho. E um rapaz apaixonado por poesia pode ser o guia perfeito. Quando conhece o novo vizinho, Layken imediatamente sente uma intensa conexão. Algo que finalmente parece desanuviar um pouco sua realidade. Mas o caminho da verdadeira felicidade não é feito de tijolos dourados, e logo uma revelação atordoante faz o novo relacionamento ser bruscamente interrompido. O dia a dia vai se tornando cada vez mais doloroso à medida que eles se esforçam para encontrar um equilíbrio entre os sentimentos que os aproximam e as forças que os separam. Layken e Will precisam decidir se o amor é mesmo a maior das recompensas. E se estão dispostos a tudo para vivê-lo. Até mesmo magoar um ao outro. Na poesia dos dois, talvez a estrofe perfeita seja solitária e ímpar. E amor rime com dor.

Minha vida mora ao lado, da Huntley Fitzpatrick.
Imagine um livro fofo, com um romance bem construído, personagens cativantes e uma trama que vai além do que se espera. É isso que irá encontrar em Minha vida mora ao lado, um Young Adult encantador que está disponível no catálogo do Kindle Unlimited. Sinopse: “Os Garrett são tudo que os Reed não são. Barulhentos, caóticos e afetuosos. São de verdade. E, todos os dias, de seu cantinho no telhado, Samantha sonha ser uma deles, ser da família. Até que, numa noite de verão, Jase Garrett vai até lá e... Quanto mais os adolescentes se aproximam, mais real esse amor genuíno vai se tornando. Contudo, precisam aprender a lidar com as estranhezas e maravilhas do primeiro amor. A família de Jase acolhe Samantha, apesar dela ter que esconder o namorado da própria mãe. Até que algo terrível acontece, o mundo de Samantha desmorona e ela é repentinamente forçada a tomar uma decisão quase impossível, porém definitiva. A qual família recorrer? Ou, quem sabe, Sam já é madura o bastante para assumir suas próprias escolhas? Será que está pronta para abraçar a vida e encarar desafios? Quem você estaria disposto a sacrificar pela coisa certa a se fazer? O que você estaria disposto a sacrificar pela verdade? É um livro encantador sobre a família, o amadurecimento, a lealdade, o primeiro amor e, principalmente, sobre como ser sincero com alguém que amamos demais sem trair grandes verdades. Cada escolha uma renúncia. Cada escolha uma consequência: bem-vindos à vida!”

Seduzida por um guerreiro escocês, da Maya Banks
Confesso que eu tinha um grande preconceito com esse livro e que só li porque estava disponível no Kindle Unlimited. A leitura acabou sendo uma surpresa muito positiva e se tornou um dos meus romances de época favoritos. Sinopse: “Eveline Armstrong é imensamente amada e protegida por seu clã, mas as pessoas a consideram diferente, poisapesar de ser linda e encantadora, a moça sofreu um acidente que lhe causou sequelas não só psicológicas, mas também físicas, visto que ela ficou surda. Satisfeita com sua vida reclusa, ela aprendeu a ler lábios e permitiu que o mundo a enxergasse como uma tola. Contudo, quando um casamento arranjado a torna esposa de Graeme Montgomery, integrante de um clã rival, Eveline aceita seu destino – despreparada para os deleites que viriam. Enredado pelos mistérios de Eveline, cujos lábios silenciosos são cheios de tentação, Graeme vê seu casamento ameaçado devido às rivalidades entre clãs e agora deverá enfrentar inúmeras adversidades para salvar a mulher que lhe despertou tanto amor.”

Dama da meia-noite, da Cassandra Clare.
Primeiro volume da trilogia Os Artifícios das Trevas, Dama da meia-noite é o meu livro favorito da Cassandra Clare. Eu fiz a leitura na edição física em inglês, mas a edição brasileira está disponível no Kindle Unlimited e eu não preciso nem dizer que recomendo muito né? Sinopse: “O primeiro livro da nova série da Cassandra Clare, autora de Os Instrumentos Mortais. Cinco anos após os acontecimentos na Cidade do Fogo Celestial, acompanhamos os Caçadores de Sombras do Instituto de Los Angeles enquanto tentam descobrir os responsáveis por uma série de assassinatos que vitimam tanto humanos quanto fadas. Emma Carstairs é a melhor guerreira de sua geração e luta ao lado de Julian Blackthorn. Juntos, eles patrulham as ruas de Los Angeles, onde vampiros fazem a festa na Sunset Strip, e fadas — as mais poderosas das criaturas sobrenaturais — tentam se manter na linha depois de uma guerra com os Caçadores de Sombras. Quando corpos de fadas e de humanos assassinados começam a aparecer com as mesmas marcas encontradas nos pais de Emma, anos antes, uma aliança preocupante se forma. É a chance de Emma se vingar, mas também a oportunidade de Julian recuperar o irmão mais velho, Mark, prisioneiro do Povo das Fadas e integrante da Caçada Selvagem desde a Guerra Maligna. Tudo que Emma, Mark e Julian precisam fazer é resolver o mistério dos assassinatos em duas semanas...”

Agora, falando sobre os títulos que eu ainda não li mas quero ler, a lista é enorme. No entanto, selecionei os cinco que eu estou mais ansiosa e, se vocês desejarem, futuramente eu faço uma lista com outros títulos do Kindle Unlimited que quero ler.

O lado feio do amor, da Colleen Hoover.
Sinopse: “Quando Tate Collins se muda para o apartamento de seu irmão, Corbin, a fim de se dedicar ao mestrado em enfermagem, não imaginava conhecer o lado feio do amor. Um relacionamento onde companheirismo e cumplicidade não são prioridades. E o sexo parece ser o único objetivo. Mas Miles Archer, piloto de avião, vizinho e melhor amigo de Corbin, sabe ser persuasivo... apesar da armadura emocional que usa para esconder um passado de dor. O que Miles e Tate sentem não é amor à primeira vista, mas uma atração incontrolável. Em pouco tempo não conseguem mais resistir e se entregam ao desejo. O rapaz impõe duas regras: sem perguntas sobre o passado e sem esperanças para o futuro. Será um relacionamento casual. Eles têm a sintonia perfeita. Tate prometeu não se apaixonar. Mas vai descobrir que nenhuma regra é capaz de controlar o amor e o desejo.”

Para sempre minha garota, Heidi McLaughlin
Sinopse: “Não era para eu ser um rock star. Minha vida já tinha sido toda planejada para mim. Jogar futebol americano na faculdade. Entrar para a NFL. Me casar com minha namorada do colégio e viver feliz para sempre com ela. Parti o coração de nós dois quando falei que estava indo embora. Eu era jovem. Tomei a decisão certa para mim, mas a decisão errada para nós. Coloquei toda a minha alma na minha música, mas nunca a esqueci. Seu cheiro, seu sorriso. E agora eu vou voltar. Depois de dez anos. Espero que possa explicar tudo isso, depois de tanto tempo. Ainda quero que ela seja para sempre minha garota.”

Fúria Vermelha, do Pierce Brown
Sinopse: “O romance se passa em um futuro não tão distante, no qual o homem domina a tecnologia das viagens interplanetárias e começa a colonizar outros planetas. Marte é uma das primeiras colônias instaladas, e possui uma sociedade estratificada, em que o papel de cada indivíduo é definido pela hereditariedade e a ascensão social é impossível. Um regime arcaico, de castas, contrasta com a tecnologia do período. Darrow é um dos jovens nascidos em Marte e sua vida está bem longe da felicidade. Ele é um Vermelho, faz parte da base da pirâmide social, composta por operários. Passa seus dias escavando túneis subterrâneos a mando das autoridades, pois essa seria a única forma de, um dia, as próximas gerações habitarem a superfície do planeta. Dia após dia, ele cava, pensando em um futuro melhor e sem jamais ver a luz do sol. Até que Darrow percebe que o mundo em que vive é uma mentira, e decide desvendar o que há por trás daquele sistema opressor. Com a ajuda de um misterioso grupo de rebeldes, ele descobre a verdade: que a superfície de Marte já havia sido habitada, porém o privilégio de viver ao sol é permitido apenas aos Ouros, a classe dominante. Os Vermelhos, na verdade, são usados como escravos. Tomado pela vingança e com a ajuda de outros rebeldes, Darrow vai para a superfície e se infiltra entre os Ouros. Lá, ele tem que ser forte o suficiente para não se deixar levar pelos prazeres fáceis de uma vida confortável, enquanto tenta proteger sua identidade, além de se envolver em intrigas que darão início a uma guerra muito maior do que ele poderia esperar.”

O gerente noturno, do John Le Carré
Sinopse: “Um dos romances mais aclamados de John le Carré, O gerente noturno, narra a história de Jonathan Pine, o gerente noturno de um luxuoso hotel em Zurique. Mas, quando uma simples tentativa de passar informações para as autoridades britânicas sobre um hóspede suspeito tem consequências devastadoras, pessoas próximas a Pine começam a morrer, e ele se vê envolvido em uma perigosa trama. Com um thriller de espionagem sobre agências de inteligência, bilhões de dólares e o comércio ilegal de armas, John le Carré cria um universo claustrofóbico no qual não é possível confiar em ninguém.”

O conde de Monte Cristo, do Alexandre Dumas
Sinopse: “Traições, denúncias anônimas, tesouros fabulosos, envenenamentos, vinganças e muito suspense. A trama de "O Conde de Monte Cristo" traz uma emoção diferente a cada página e talvez isso explique a razão de a obra do escritor francês Alexandre Dumas ter se transformado em um clássico da literatura mundial, mexendo com a imaginação dos leitores há mais de 150 anos. No romance, o marinheiro Edmond Dantés é preso injustamente, vítima de um complô. Anos depois, consegue escapar da prisão, enriquece e planeja uma vingança mirabolante. A galeria de personagens criada por Dumas faz um retrato fiel da França do século XIX, um mundo em transformação, em que passou a ser possível a mudança de posições sociais. As aventuras de Dantés ainda ganharam diversas versões cinematográficas que colaboraram para o sucesso da trama. Com texto integral e a mesma tradução premiada da Edição Comentada e Ilustrada, vencedora do Jabuti, a versão Bolso de Luxo ainda tem capa dura. E tudo com um preço mais que acessível.”

Esses são apenas alguns dos títulos disponíveis no catálogo do Kindle Unlimited e que despertaram meu interesse. No entanto, ainda há milhares de outras opções e que prometem agradar a todos os gostos, incluindo clássico, fantasia, romance, chick-lit, infanto-juvenil, etc. Ou seja, vale a pena pelo menos experimentar para conferir. Para quem quiser aproveitar os 30 dias de teste grátis, pode fazer a assinatura aqui.
E, caso vocês queiram adquirir um dispositivo também, a Amazon está com uma promoção de R$ 80,00 de desconto nos modelos Kindle, Kindle Paperwhite e Kindle Oasis. Não dá para perder né? Então, corre para aproveitar aqui.