[Resenha] Como sair com homens quando você odeia homens: O guia de uma garota hétero para namoro em tempos feministas

2 de set. de 2020

 


Acredito que toda mulher que já viveu alguma situação em que se sentiu oprimida pelos homens. É o resultado de vivermos em uma sociedade patriarcal. Então, quando vi o livro Como sair com homens quando você odeia homens – O guia de uma garota hétero para namoro em tempos feministas, da autora Blythe Roberson, já fiquei curiosa para ver como seriam retratadas as situações que vivemos diariamente.

Com muito humor, a autora retrata situações cotidianas e que demonstram como às vezes ficamos no dilema entre gostar de homens e entender que, muitas vezes, eles podem ser bem babacas. Seriam eles realmente os inimigos? É possível questionar o patriarcado e ainda gostar de homens? É isso que a autora busca discutir nesse livro.

Sem procurar oferecer respostas prontas ou dicas de relacionamento, a autora traz situações da sua própria vida para conversar com as leitores e refletir sobre essas questões. E, por se tratar de um assunto tão necessário, é claro que fiquei ansiosa para conferir.

 

Autora: Blythe Roberson

Editora: Galera Record

Tradução: Adriana Fidalgo

Páginas: 288

Onde comprar: Amazon

Sinopse: “Às vezes um encontro não é apenas um encontro...Será que no menu daquele inofensivo jantar romântico a autonomia e a personalidade que você fortaleceu com muita teoria feminista e ativismo não estão sendo servidas de bandeja para o patriarcado? Como se já não fosse suficientemente difícil definir se aquele barzinho com o crush caracteriza um encontro, vivemos em uma sociedade em que o relacionamento entre homens e mulheres é mais vantajosos para eles – a ciência comprova, mas todas nós já sabíamos disso! Reunindo toda a experiência adquirida em anos de solteirice, saindo com homens e assistindo incontáveis vezes a Mens@gem para você, a comediante Blythe Roberson oferece este bem-humorado ensaio filosófico sobre mulheres que saem com homens, mesmo sem gostar tanto assim deles. As histórias de Blythe são excelente companhia para atravessar o campo minado por boys lixo dos relacionamentos contemporâneos.”

 

Uma das coisas mais interessantes sobre Como sair com homens quando você odeia homens é que tive medo de que ele se tornasse um livro de auto-ajuda, com fórmulas simples para resolver problemas de relacionamento. Mas isso não aconteceu. É realmente um relato da autora sobre situações que viveu e alguns questionamentos a partir disso. Ela não propõe soluções, mas traz discussões para as leitoras se questionarem. E isso, para mim, foi o grande mérito do livro.

Outro aspecto interessante é que Blythe Roberson não procura provar a existência do patriarcado. Ela entende que o machismo e a desigualdade de gênero estão presentes na sociedade e todo mudo sabe disso, e o oprimido não deveria ter que provar para o opressor. Assim, as situações que ela retrata não são para provar que vivemos em uma sociedade machista, mas para que as pessoas reflitam sobre a masculinidade tóxica e como questionar isso e ainda se relacionar com os homens que estão nessa situação de privilégio.

Além disso, gostei muito do fato de que é ressaltado no livro que não são todos os homens que são abusivos ou opressores, e que até entre os homens não há uma igualdade, sendo que homens brancos, héteros, cis e saudáveis se encontraram em uma posição muito mais privilegiada. Ela ainda  reconhece logo na introdução que por ser uma mulher branca, hétero e cis, ainda está em uma posição privilegiada. Ela entende que por mais que também sofra com o machismo e não esteja imune à discriminação de gênero, outras mulheres sofrem com isso de forma muito mais intensa.



E não posso deixar de mencionar que amei a mensagem que a autora quis passar. Ao contrário do que o título sugere, Blythe Roberson não odeia homens e o livro não é uma sucessão de motivos para odiá-los. Ela quis mostrar que, apesar do machismo presente de diversas formas, das opressões que sofremos e da desigualdade de gênero, ainda é possível ter um relacionamento, se apaixonar por um homem. Muitas vezes é difícil manter nossas críticas à masculinidade tóxica e ao patriarcado e ainda acreditar que podemos nos apaixonar e ter um relacionamento saudável com um homem, mas a autora busca mostrar através das situações que retrata, e das reflexões levantadas a partir delas, que é possível sim questionar a sociedade patriarcal e ainda se relacionar com homens.

Porém, apesar de enxergar os méritos do livro, não consegui gostar da leitura. Acredito que o principal motivo para isso foi a escrita da autora. Achei extremamente repetitiva e monótona. Além disso, ela tentou trazer humor e leveza para os eventos que narrava, mas achei forçado e muito exagerado. Definitivamente, não é o tipo de humor que funciona comigo e não consegui rir em momento algum.

Além disso, algumas situações que ela retratou me pareceram mais de uma adolescente extremamente sem noção do que de uma mulher adulta. Não me convenceram e não me senti representada por elas. Ao contrário, fiquei profundamente incomodada. Um exemplo disso é um momento do livro em que ela diz ter feito uma planilha ranqueando os homens pela plausabilidade do beijo. Achei uma atitude sem noção e imatura, e infelizmente não foi a única que me incomodou.

Deste modo, por mais que eu entendesse a mensagem que a autora quis passar e até visse situações muito reais de machismo, masculinidade tóxica e desigualdade de gênero sendo retratadas, não consegui me conectar com o livro e nem me divertir com a leitura. Então, para mim, Como sair com homens quando você odeia homens – O guia de uma garota hétero para namoro em tempos feministas foi um livro com uma ótima proposta, mas que para mim não funcionou. Mas quero deixar claro que é apenas a minha opinião, baseada nas minhas experiências. Talvez, você consiga se ver nas situações que a autora viveu ou aprecie o tipo de humor adotado por ela. Então, vale a pena ler e tirar suas próprias conclusões.


5 comentários:

  1. Olá, tudo bem? Poxa, uma pena a leitura não ter funcionado. Fiquei contente em saber que a leitura foi muito mais do que uma temática auto-ajuda mas os pontos que levantou podem realmente também me incomodar. Tenho também essa questão de achar que algumas coisas podem soar forçadas quando estão inseridas onde não deveria. Gosto da proposta do livro trazer várias temáticas relevantes, e enfim, ainda quero ler para ter minha opinião. Irei com expectativas mais amenas. Ótima e sincera resenha!

    ResponderExcluir
  2. Ando vendo varias resenhas dessa obra e a maioria possitiva.
    Não é meu estilo literario, mas accho que realmente eu vou precisar ler para ter minha propria opinião ...Estou bem curiosa porque livros assim, onde divide opiniões, sempre me deixam curiosa.
    Adorei sua resenha e sua dica.
    beijinho!

    ResponderExcluir
  3. Olá,
    Eu li essa sinopse (e depois algumas resenhas) eu realmente achei que pudesse ser um quase livro de auto-ajuda, e também acho que o livro não é para mim. Tanto por achar que não existe um padrão para este tipo de coisa, como por cada pessoa ser única. Gostei da resenha!

    ResponderExcluir
  4. Eu já vi esse livro por ai mas achei o nome muito frase de efeito e acabei deixando pra lá.
    Interessante suas considerações e a forma como a autora falou sobre isso também é bem interessante, mas acho que em alguns pontos eu me sentiria incomodada, porém é justificavel porque o livro nem é pra mim HAHAHAHAHAHAHAHAHA
    Uma pena que não rolou tão bem assim, é muito triste wuando o livro tem uma proposta bacana e não é bem desenvolvido. Amei suas fotos!!

    ResponderExcluir
  5. Isso é meio que leitura obrigatória pra toda mulher hétero. Adorei a premissa do livro e acho que vou andar com ele na bolsa quando comprar.... tio sempre!
    Beijos

    ResponderExcluir