[Resenha] Se não fosse você

30 de nov. de 2020

 


Quando lemos muitos livros de um mesmo autor, é normal que as histórias comecem a se tornar mais previsíveis ou repetitivas, vamos descobrindo a famosa “fórmula do bolo”. Por isso, acho incrível como, mesmo depois de ler tantos livros da Colleen Hoover, eu sempre encontro algo novo, que me surpreende e mexe com a minhas emoções. E não foi diferente com o mais recente lançamento dela aqui no Brasil.

Se não fosse você foi publicado recentemente pela Galera Record e entrou na minha lista de desejados logo que foi anunciado. Fiz questão de ler sem saber nada sobre ele antes de começar a ler, esperando para ver se Colleen Hoover me surpreenderia. E não é que ela conseguiu de novo?

Então, depois de concluir a leitura, vim aqui comentar o que achei. Mas vou focar no que senti com esse livro e falar o mínimo possível sobre a trama. Quero que vocês descubram essa história à medida que forem lendo o livro. Então, podem ficar tranquilos porque esta resenha é totalmente livre de spoilers. 


Autora: Colleen Hoover

Editora: Galera Record

Tradução: Carolina Simmer

Páginas: 400

Onde comprar: Amazon 

Sinopse: “Morgan e Clara Grant são mae e filha, e aparentemente não têm nada em comum. Morgan engravidou muito nova, com dezesseis anos, e está determinada a evitar que sua filha passe pelas mesmas dificuldades que enfrentou. Colocando sempre a família em primeiro plano, Morgan deixou os próprios sonhos de lado para dedicar-se à filha e ao marido. Clara, por sua vez, não quer seguir os passos da mãe - ela não consegue enxergar nada de espontâneo na personalidade de Morgan. No auge dos seus dezesseis anos, seu maior desejo é ir para a universidade estudar teatro, mesmo que os pais não incentivem a carreira. Com personalidades incompatíveis e objetivos divergentes, a convivência entre Morgan e Clara está cada dia mais insustentável. A única pessoa capaz de criar um ambiente de paz é Chris - marido de Morgan, pai de Clara, o porto seguro da família. Mas essa paz é quebrada após um trágico acidente que muda completamente a vida das duas. Enquanto Morgan luta para reconstruir tudo que desabou ao seu redor e encontra conforto na última pessoa que esperava, Clara só aumenta sua lista de rebeldias. Com o passar dos dias, novos segredos, ressentimentos e mal-entendidos fazem com que mãe e filha se afastem ainda mais... e a distância aumenta tanto ao ponto de uma reaproximação se tornar improvável. Depois de tanto tempo distantes e com muita coisa não dita, será que ainda há chances de que tudo fique bem?

 

Morgan e sua filha Clara parecem ser muito diferentes. Aos dezessete anos, uma gravidez inesperada virou o mundo de Morgan de cabeça para baixo. Ela abriu mão dos seus e dedicou sua vida a cuidar da filha e do marido, colocando a família sempre em primeiro lugar.

Já Clara não quer a previsibilidade da vida da mãe e está cansada da superproteção dos pais, que fazem de tudo para que ela não repita os mesmos erros deles. Ela quer estudar teatro e ir atrás dos seus sonhos na imprevisível carreira de atriz, e sofre com a resistência dos pais em aceitar a sua escolha.

Com personalidades aparentemente tão diferentes, Morgan e Clara têm uma convivência difícil e que se torna pior quando uma tragédia abala a vida das duas. Enquanto tentam lidar com o fato de que o mundo delas virou de cabeça para baixo, as mágoas, os segredos e o sentimento de culpa fazem com que elas se afastem cada vez mais. Clara se torna mais rebelde e impulsiva, sempre procurando confronto com a mãe. Já Morgan se sente cada dia mais confusa, perdendo o controle sobre a filha e encontrando apoio na pessoa que menos esperava.

À medida que lidam com tanta dor e tantas coisas não ditas, Morgan e Clara precisam encontrar uma forma de reconstruir suas vidas e salvar o que resta da relação entre mãe e filha.



Novamente, Colleen Hoover me surpreendeu trabalhando assuntos que eu não esperava. Para começar, eu amei o fato de que Se não fosse você não foca no relacionamento de um casal, mas sim na história de uma mãe e uma filha. Além disso, apesar de já estar acostumada com a habilidade da autora de mexer com a emoções dos leitores, eu não esperava que isso pudesse acontecer em um livro com personagens tão diferentes de mim. Mas esse livro veio para provar que eu nunca devo duvidar da capacidade da Colleen Hoover de me emocionar.

Como uma pessoa que não tem filhos e já passou há algum tempo da adolescência, pensei teria dificuldade em me conectar com as protagonistas dessa história. Mas Colleen Hoover parece ter um dom para fazer o leitor sentir as emoções dos seus personagens e isso aconteceu novamente nesse livro. Então, por mais distante que Morgan e Clara estivessem da minha realidade, eu consegui me conectar a elas e entender os seus conflitos.

Não que isso seja fácil, porque ambas conseguiram me irritar em vários momentos. Em especial, a Clara teve momentos que eu queria entrar no livro e dar uns tapas na cara dela por causa de toda sua rebeldia. Mas estamos falando de uma personagem adolescente (o que já é um indício de personagem irritante) que teve seu mundo virado de cabeça para baixo da pior forma possível. Então, por mais que algumas atitudes me incomodassem muito, eu conseguia entender a situação e os sentimentos que a levaram a agir assim.

Além das duas, a trama conta ainda com outros personagens que foram fundamentais. No entanto, não pretendo falar muito sobre eles, para não revelar mais do que o estritamente necessário. Por isso, basta dizer que Miller e Jonah foram os meus favoritos da história. Já outros dois não me convenceram desde o início e só consegui sentir ranço. 



Com relação à trama, como todos os livros da Colleen Hoover que já li, foi muito dinâmica e envolvente. Me vi presa logo nas primeiras páginas e não queria parar de ler. Acho que ela soube inserir muito bem os conflitos das duas protagonistas, tanto os individuas quanto aqueles que foram surgindo no relacionamento delas.

Não esperem uma trama com grandes revelações e surpresas, porque acredito que esse nunca foi o foco da autora. Ela se concentrou em desenvolver os dramas familiares que surgiram por causa dos segredos que ambas escondiam, além de mostrar as jornadas individuais delas. E isso foi feito de uma forma muito real e sensível, com a dose certa de drama, o que deixou a leitura muito fluida e envolvente.

Porém, por mais que o livro dê ênfase na relação de mãe e filha, não seria um livro da Colleen Hoover se não tivesse uma pitada de romance, não é mesmo? Então, nessa história temos dois casais para acompanhar. E mesmo que a história não gire em torno desses relacionamentos, eles são importantes na trama e foram muito bem desenvolvidos pela autora. Confesso que gostei mais de um deles, por ser uma relação mais madura e que me tocou mais. Mas ambos os casais têm histórias bonitas e conquistaram minha torcida.

Minha única ressalva foi que um dos segredos da história levanta algumas de dúvidas e Colleen optou por não responder. Há uma justificativa para essa decisão e consegui entender, porque são questão que não interferem no final e nem deixam a trama em aberto. No entanto, eu sou uma pessoa extremamente curiosa e queria muito saber as respostas para essas questões. É algo que atrapalhou o livro? Definitivamente não. Mas como uma gemiana que não se aguenta de curiosidade, eu fiquei um pouco desapontada, mesmo que entendendo a decisão.

De todas os livros que já li da Colleen Hoover, Se não fosse você talvez seja um dos mais diferentes e reais que já li, porque ele foca em um dos relacionamentos mais especiais que existem: o de mãe e filha. Acompanhar Morgan e Clara foi ver como essa relação nem sempre é fácil, mas que ainda há espaço para amor e respeito. Esse é um livro sobre maternidade, perda, recomeços, sonhos e perdão. A história de uma mãe e uma filha que tinham sonhos e personalidades diferentes, mas que no momento mais difícil de suas vidas tiveram que descobrir se o amor que as unia era maior que as mágoas e as diferenças que as separam. Foi uma leitura que me deixou com o coração apertado em muitos momentos, mas que trouxe também um sopro de esperança, empatia e amor que me confortaram e me emocionaram.


9 comentários:

  1. Oi Malu!!

    Ai, eu li poucos livros da Coho na vida, mas eu adoro os que eu li e eu sempre choro quando leio algo dela, não tem jeito, eu sempre acabo chorando HAHAHAHAH Espero que com Verity não seja assim!
    Eu vi bastante gente falando desse livro e achei muito legal isso do livro abordar a relção entre mãe e fila, com toda certeza eu vou chorar. Já quero pra ontem! Adorei a resenha!

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  2. Oi Malu.

    Eu sou uma das poucas leitoras que ainda não conhece a escrita da autora e olha que tenho dois livros dela aqui em casa. Preciso muita isso rapidamente, porque sempre leio resenhas maravilhosas falando sobre suas escritas. E confesso que fiquei bem curiosa pela história deste livro. Adorei sua resenha.

    Bjos
    https://historiasexistemparaseremcontadas.blogspot.com/

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  3. Oi Malu, sua linda, tudo bem?
    Esse livro parece ser lindo apesar desse relacionamento difícil entre mãe e filha. Histórias de relações familiares sempre me tocam, de alguma forma, é sempre possível nos colocar no lugar dos personagens, ou pelo menos de olharmos para os nossos próprios dramas, a partir dos problemas dos personagens. Dica mais do que anotada. Sua resenha ficou ótima!!!
    beijinhos.
    cila.

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  4. Olá,
    Eu realmente não consigo ler os livros dessa autora, até tem uns temas interessantes, mas tudo parece ser muito igual para mim. Ao menos achei interessante que esse tem relacionamento de mãe e filha.

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  5. Olá, tudo bem? Eu gostei bastante desse livro da CoHo, que traz todas as conhecidas características da escrita dela que eu amo e adoro, porém assim como você me incomodei com o "final" em aberto sobre uma das questões levantadas. Eu me revoltei bastante dela não ter respondido sobre pois acho que é um tipo de assunto relevante dentro de um relacionamento, e isso foi um fator que não me fez gostar tanto do livro como queria. O meu fato nem é de ser curiosa, mas não acredito que tenha sido um desfecho satisfatório por todo o decorrer, ainda mais que envolve família. Enfim, eu acho que poderia ter tido um cuidado melhor sobre, mas isso não tira o brilho do livro. É bom, só não torna-se um dos meus favoritos dela haha Adorei a resenha!
    Beijos

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  6. Oi Malu, tudo bem? Confesso que a autora estava na minha lista desse ano mas infelizmente não consegui ler (uma pena). Mas lendo algumas resenhas fica evidente porque os leitores gostam tanto da autora. Mesmo muitas de suas histórias fazerem chorar, serem intensas, prendem de tal forma que é impossível não querer ler seu próximo lançamento. Compreendo muito sua expectativa. Relacionamentos são muitas vezes complicados, ainda mais se tratando dos pais. Quem nunca foi rebelde quando adolescente não é mesmo? Mas sabemos que os pais são nosso porto seguro em todos os momentos. Um abraço, Érika =^.^=

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  7. Oi Malu. :)
    Tenho "namorado" com esse livro há semanas, mas o preço não ajuda muito.
    Vi esse livro no insta da editora record e fiquei super interessada, a sinopse é ótima e adoro as estórias da Hoover.
    Parabéns pela resenha, ficou ótima.

    Beijos.
    Manuscrito de Cabeceira

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  8. Sempre vejo elogios em relação às obras dessa autora, mas ainda não li nada dela. Tenho um livro dela separado no meu Kindle pra ler, mas até agora está lá juntando teias. Gostei do fato de saber que esse livro foca em uma relação mãe e filha e não no mesmo de sempre, na relação de um casal. Adorei conhecer o livro!

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  9. Olá, da autora só li uma obra até hoje, e gostei muito da leitura, fiquei bem curiosa com essa nova história criada por ela desde seu lançamento, achei a proposta da escrita diferente e fiquei bem curiosa para conhecer mais do trabalho da autora!

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