segunda-feira, 13 de novembro de 2017

[Dica da Malu] Tartarugas até lá embaixo

Sinopse: “Depois de seis anos, milhões de livros vendidos, dois filmes de sucesso e uma legião de fãs apaixonados ao redor do mundo, John Green, o autor do inesquecível A culpa é das estrelas , lança o mais pessoal de todos os seus livros: Tartarugas até lá embaixo . A história acompanha a jornada de Aza Holmes, uma menina de 16 anos que sai em busca de um bilionário misteriosamente desaparecido – quem encontrá-lo receberá uma polpuda recompensa em dinheiro – enquanto tenta lidar com o próprio transtorno obsessivo-compulsivo (TOC). Repleto de referências da vida do autor – entre elas, a tão marcada paixão pela cultura pop e o TOC, distúrbio mental que o afeta desde a infância –, Tartarugas até lá embaixo tem tudo o que fez de John Green um dos mais queridos autores contemporâneos. Um livro incrível, recheado de frases sublinháveis, que fala de amizades duradouras e reencontros inesperados, fan-fics de Star Wars e – por que não? – peculiares répteis neozelandeses.” Autor: John Green / Editora: Intrínseca / Páginas: 256 / Skoob / Comprar: Amazon

Dentre todos os grandes lançamentos de 2017, sem dúvida Tartarugas até lá embaixo foi um dos mais aguardados. Em outubro deste ano, depois de seis anos, John Green finalmente publicou um novo livro e a expectativa era enorme. Afinal, ele é o autor de livros como A culpa é das estrelas, Cidades de Papel e Quem é você, Alasca?, que venderam milhares de cópias no mundo todo. Para mim, a espera valeu a pena, pois encontrei nesse livro o melhor trabalho de John Green, até agora.

Mas eu estava começando a entender que a vida é uma história que contam sobre nós, não uma história que escolhemos contar.

Em Tartarugas até lá embaixo, conhecemos a adolescente Aza Holmes, uma menina que nunca pensou em se tornar um detetive, mas acaba sendo induzida por sua melhor amiga, Daisy, a investigar o desaparecimento do bilionário Russell Picket. Há uma recompensa de cem mil dólares para quem tiver alguma notícia sobre o paradeiro dele e Daisy não está disposta a perder. Então, para começar a investigação, elas vão atrás de Davis, o filho de Russell, de quem Aza foi amiga na infância.
O problema é que Aza nem sempre consegue manter o foco no que está acontecendo a sua volta. Algumas vezes, ela se perde em espirais de pensamento que começam a consumi-la e fica muito difícil para que ela se concentre em qualquer outra coisa, muito menos em um mistério a ser desvendado. Será que com tantos pensamentos em sua mente, Aza vai conseguir bancar a detetive?



O que mais me surpreendeu em Tartarugas até lá embaixo foi como, a partir de um enredo simples, John Green construiu uma história tocante e cheia de reflexões. Confesso que no início não tinha muita noção de onde ele queria chegar, mas à medida que a trama foi se desenvolvendo, me senti cada vez mais envolvida com os dramas de cada um daqueles personagens e acompanhar a jornada deles me emocionou muito mais do que eu imaginava.
A Aza é uma protagonista incrível e diferente de qualquer outra que já li. Ela é uma adolescente muito real, com inseguranças e atitudes completamente compatíveis com sua idade. No entanto, já adianto que não é fácil gostar dessa personagem. Aza sofre com Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC), o que faz com que ela se sinta presa em espirais de pensamentos contínuos e não consiga focar a atenção no mundo à sua volta, nem mesmo nas pessoas que ama. Para quem não está familiarizado com esse transtorno, é muito difícil entender por que ela age assim, mas é aí que entra a capacidade do leitor de sentir empatia. Se você não conseguir se colocar no lugar do outro, talvez seja difícil mesmo gostar dela.

No fundo ninguém entende o que se passa com o outro. Está todo mundo preso dentro de si mesmo.

Aliás, preciso ressaltar aqui que muitas pessoas pensam que TOC é apenas a agonia de ver um objeto fora do lugar ou uma mania de limpeza, por exemplo, mas é algo muito mais complexo e sofrido do que isso. Trata-se de um distúrbio mental que leva a pessoa a ter pensamentos obsessivos que a apavoram e os quais ela não deseja, mas também não consegue evitar. Através da protagonista Aza, John Green procura mostrar para o leitor como uma pessoa que tem TOC se sente e o quanto esse distúrbio pode ser desesperador. E ele conseguiu: eu me senti totalmente dentro da mente e das emoções dela, de um modo que chegava a ser angustiante e me dava vontade de entrar no livro para abraçar essa menina que estava sofrendo tanto.
No entanto, o livro também tem vários momentos leves e divertidos. A maioria deles são proporcionados por Daisy, a melhor amiga de Aza, uma menina inteligente, divertida, com uma língua muito afiada e que escreve fanfics inspiradas em Star Wars. Admito que algumas vezes ela me irritou um pouco e eu a achei quase egoísta, mas sua evolução na trama me fez entender melhor seu comportamento e enxerga-la sob outra perspectiva.
Há também o Davis, filho do bilionário desaparecido e amigo de infância da Aza. Assim como os demais personagens do livro, só vamos entende-lo completamente ao longo da leitura, mas ele me conquistou desde o primeiro momento em que apareceu por seu jeito gentil e atencioso. No entanto, foi só quando entendi como era a vida do Davis, e todos os problemas que ele tinha que enfrentar, é que percebi o quanto ele é um personagem admirável.

O verdadeiro terror não é ter medo, é não ter escolha se não senti-lo.

Aliás, para mim, o grande mérito de Tartarugas até lá embaixo é a brilhante construção de personagens feita pelo John Green. Nenhum deles são apenas o que aparentam a princípio. Ao longo da leitura, vão sendo reveladas várias camadas em todos eles, aspectos que os tornam mais humanos e complexos, e fazem com que a trama seja mais impactante e real.


Achei que John Green acertou também ao desenvolver os relacionamentos dos personagens. O romance que surge na história é sutil e vai sendo construído aos poucos, sem nunca tirar o foco da trama. Além disso, a amizade entre a Aza e a Daisy é uma das mais verdadeiras que já vi em um livro. Elas não são perfeitas e falham muito uma com a outra, mas isso não torna o laço entre elas menos verdadeiro. Afinal, quem nunca brigou com a melhor amiga? Além disso, acho que a Daisy tem um papel importante na vida da Aza de trazê-la para a realidade e mostrar a vida sob uma perspectiva diferente.

Não dá para saber como é a dor de outra pessoa, da mesma forma que tocar o corpo de alguém não é o mesmo que viver naquele corpo.

A narrativa de John Green é leve e bastante envolvente, e, para quem já está familiarizado com suas outras obras, fica bastante óbvio o quanto ele evoluiu nesses seis anos que se passaram. Achei muito interessante o fato de que em momento algum ele conduz a trama por um caminho óbvio e o desfecho, apesar de não ser o que eu imaginava, foi perfeito e totalmente condizente com os acontecimentos do livro.
Com relação à edição, eu amei a capa. Além de bonita, ela faz todo sentido dentro do livro. Além disso, as páginas amareladas e a fonte de um bom tamanho facilitam muito a leitura. A única coisa que me incomodou um pouco foi o fato de que minha edição parece ter tido algum problema na impressão, pois algumas páginas estavam com as marcas de tinta da página anterior. Além disso, eu reparei em um pequeno erro de revisão. No entanto, são erros que às vezes passam na primeira edição e não chegaram a prejudicar a leitura.
O que me resta dizer é que John Green me conquistou mais uma vez e recomendo esse novo livro tanto para os fãs do autor como para aqueles que não gostavam muito de seu trabalho, pois é diferente de tudo que ele já escreveu. Trata-se de uma leitura que mistura momentos leves e divertidos, com outros dolorosos e mais reflexivos, e que faz com que o leitor realmente se conecte com os personagens, seja por se identificar com eles ou por sentir empatia. Tartarugas até lá embaixo é, claramente, o romance mais pessoal do autor e, talvez por isso, tenha sido o livro dele que mais me tocou.
E vocês, já leram Tartarugas até lá embaixo ou algum outro livro do John Green? Me contem aí nos comentários o que acharam ou se  estão curiosos para ler.
Para quem quiser comprar o livro, deixo o link de compra na Amazon. Aproveitem que, essa semana, Tartarugas até lá embaixo e outros livros da editora Intrínseca estão em promoção na Amazon.
Tartarugas até lá embaixo: Aqui

Livros da Intrínseca em promoção: Aqui

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18 comentários:

  1. Oi tudo bem?
    Esse foi o último livro que eu li e posso dizer que assim como você eu adorei a leitura acredito que o John Green acertou em cheio em todo o enredo apenas o lado romântico que para mim não funcionou.

    Beijos

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  2. oi, no geral, não curto a escrita do autor, mas não vou mentir, fiquei numa ENOOOOORME vontade de ler esse livro, é a primeira resenha que leio e honestamente, a vontade aumentou e essa sua fala 'como para aqueles que não gostavam muito de seu trabalho' me deu a certeza que tem algo aí pra mim ^^

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  3. Oie. Em teoria os livros do John Green não fazem o meu perfil, então eu não leria essa obra. Mas, diante de tantos elogios que as pessoas tem dado estou sentindo vontade de dar uma chance, e gostei de saber quando você falou que é o melhor trabalho do autor bem como de sua evolução. Achei o tema abordado muito pertinente e intrigante.

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  4. Essa sem dúvida é uma jornada que quero ver de perto e espero que ele me conquiste como A culpa é da Estrelas me conquistou.
    Estou mega curiosa sim rsrs e tomara que mate essa curiosidade logo.

    Beijos.
    https://cabinedeleitura0.blogspot.com.br/

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  5. Eu preciso desse livro, preciso mesmo! Ainda não completei a coleção do John, mas é algo que tenho urgência em fazer. Agora, com essa resenha, tenho certeza de que vou amar. Mal posso esperar para ler!

    Carolina Gama

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  6. Ola,por mais que eu não tenha o livro eu sei da importancia dessa leitura o livro tras o toc como uma doenca mental como ela é e nao uma mania de organização e limpeza.

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  7. Acho que é o romance mais pessoal do autor porque ele também tem TOC, né? E porque para escrevê-lo, tinha recem saido de uma forte crise de depressão que durou um certo período, eu estou muito entusiasmada para ler Tartarugas Até lá embaixo porque sei que quando o assunto é empatia e sentimentos, esse autor nunca erra.

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  8. Olá Malu, tuco bem?
    Menina que resenha linda, suas fotos também estão maravilhosas.
    Fiquei curiosa em ler esse livro, falou Jhon Green, falou emoção, surpresa e leitura maravilhosa. Gostei de saber desse misto de emoções no livro, eu certamente irei realizar a leitura.
    Beijos

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  9. olha, pra ser sincera eu até tentei J.Green mas acho a escrita dele muito rasa, apesar de fluir a leitura... os que li dele me deixaram entediada.. bacana vc ter gostado e notado uma evolução no autor ao longo desses seis anos sem uma nova publicação, mas realmente pra mim não dá...=T

    bjs...

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  10. Estou muito curiosa com o livro porque amo John Green e porque só tenho lido elogios para com este lançamento, então, claro quero muito conhecer esta trama também. Amei a resenha e as fotos que você inseriu na resenha agregaram muito valo.
    MEU AMOR PELOS LIVROS
    Beijos

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  11. Olá Malu!
    Finalmente a espera acabou né, depois de anos mais um livro do Green. E estou beem curiosa com esse livro, ando lendo comentários maravilhosos sobre essa história, sobre os personagens, e isso me motiva ainda mais a ler. Espero poder ler em breve!

    beijos!
    https://blogdatahis.blogspot.com.br/

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  12. oii tudo bem ?

    estou louca pra ler esse livro ele esta na minha lista de leitura espero conseguir logo. gostei muito da resenha.

    bjsss

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  13. Oii,
    estou cada vez mais curiosa para ler este livro, mesmo que já tenha tido contato com outros livros do John Green antes e não tenha me envolvido tanto. Mas acredito que com essa evolução que o autor teve e por tratar de um assunto que ele conhece muito bem, eu vá me surpreender positivamente. Espero conseguir fazer essa leitura logo!

    http://anneandcia.blogspot.com.br/

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  14. Olá, tudo bom?

    Eu, quando li na época que foi publicado, havia amado A Culpa é das Estrelas, por isso estava ansiosa para o lançamento de um novo livro dele e, pelo visto, a espera valeu a pena. Eu não li os seus outros livros por não ter gostado da premissa, mas desde que soube sobre o que se tratava este, fiquei animada.
    É ótimo que ele tenha criado uma personagem que tenha TOC, pois, pelo que soube, é algo que ele também sofre. Dessa forma, é uma grande oportunidade de nos mostrar, com realidade, como é esse transtorno e desmitificar algumas coisas. E uma personagem que também é fã de Star Wars? Estou dentro, rs.
    É incrível saber que ele evoluiu e conseguiu melhorar a sua escrita nesses seis anos em que ficou sem escrever. Criar um bom livro, que mostra amizade verdade, que tenha momentos leves e divertidos, porém ainda consegue construir bem os seus personagens, é algo que me incentiva ainda mais a começar a leitura. Estou com expectativas tão altas que estou esperando um pouco para inicar essa aventura, senão capaz de me decepcionar.

    Enfim, adorei a resenha e agradeço a indicação :)
    Abraços.

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  15. Olá, tudo bem?
    Ainda não li esse livro, mas já li muitas coisas obre ele e, inclusive, vi um vídeo do John que fala sobre a trama. Achei tudo muito interessante, principalmente, porque eu pensava que TOC era isso: obsessão em relação a um objeto fora do lugar. Fiquei em choque quando descobri que não é e o quão ingênua eu era.
    Estou tentando fazer uma ligação entre a capa e a trama, vou anotar a dica.
    Beijos

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  16. Oi!
    Estou vendo tantas resenhas positivas desse livro que estou morrendo de vontade de lê-lo também.
    Pelo jeito o autor acertou em tudo dessa vez, e trouxe um tema muito importante a tona que quase nenhum livro fala, e por ele sofrer disso deixa tudo ainda mais real.
    Espero poder ler em breve

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  17. Oii! :))
    Eu terminei de ler semana passada esse livro e estou chocada com o quanto gostei dele!
    Concordo com você que foi o melhor trabalho do autor até agora! Eu admito que não era muito fã dele até então, mas achei que ele teve um cuidado e sinceridade ao escrever esse livro que ficam visíveis para os leitores.
    Adorei muito também a relação de amizade das meninas, achei ela muito sincera e super possível de acontecer de verdade, principalmente por não ser perfeita o tempo inteiro!
    E sobre a capa, eu vi algumas pessoas dizendo que acharam feia, mas eu gostei MUITO mesmo dela e achei que combinou perfeitamente com tudo o que é passado no livro! :))
    Beijos!

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  18. Oi, Maria

    Realmente o TOC não é uma doença qualquer. Existem vários níveis e, consequentes, vários efeitos. Aparentemente a personagem sofre de uma forma mais agressiva e é interessante essa abordagem, até mesmo para as pessoas verem o quão complicada a doença pode ser.
    Eu achei sua resenha muito bem escrita e fiquei contente por você ter aproveitado tanto e ter tirado tantas lições valiosas da história. Eu não lerei pois não gosto da escrita do autor, então seria contraproducente.

    Beijocas
    - Tami
    http://www.meuepilogo.com

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