[Resenha] É inverno

14 de fev de 2018

Autora: Cecilia Mouta
Editora: Chiado
Páginas: 346
Skoob
Exemplar cedido pela agência Oasys Cultural
Sinopse: “Izzy é fascinada pela neve, o inverno é sua estação do ano preferida. Todos os dias, na escola, ela se diverte com seus melhores amigos: Lil, Sam e Mat. Porém, Lil sofre de pesadelos e toda vez que os tem, algo ruim acontece em seguida. Naquele ano o inverno estava diferente, intenso. E, certo dia, Lil tem um pesadelo que muda completamente a vida dos quatro amigos. Os episódios seguintes levam o leitor a viver momentos emocionantes nas descobertas que Izzy faz sobre a própria vida. Até que chega o momento crucial em que ela tem que fazer uma escolha que poderá colocar um ponto final em toda a sua história até ali, inclusive na amizade com sua melhor amiga Lil.”

No final do ano passado, recebi da agência Oasys Cultural o livro É inverno, da autora Cecilia Mouta. Como sou fascinada pelo inverno, fiquei imediatamente interessada por essa capa e pela sinopse. Terminei de ler recentemente e confesso que a leitura me surpreendeu em alguns aspectos, mas decepcionou em outros.
O livro conta a história de Izzy, uma menina de apenas 8 anos e que tem uma vida como a de qualquer outra criança de sua idade. Ela tem pais amorosos, estuda em uma boa escola e conta com amigos incríveis. Junto com Lil, Mat e Sam, Izzy tem daquelas amizades lindas da infância, com muitas aventuras, sonhos e brincadeiras.
No entanto, quando está prestes a completar 9 anos, a vida de Izzy começa a mudar. Pela primeira vez, ela não está animada para seu aniversário, pois tem um mal pressentimento. Além disso, sua amiga Lil tinha sonhos que sempre acabavam se confirmando e, depois de muito tempo, ela sonhou novamente. Esse sonho, no entanto, foi diferente de todos os outros que já teve e promete mudar para sempre a vida dos quatro amigos.

Um acontecimento realmente transforma a vida dessas crianças, mas quase dez anos depois Izzy e Lil tinham seguido suas vidas e mantido a amizade inseparável. Se tornaram alunas populares na escola, líderes de torcida e estavam prestes a concluir o Ensino Médio. Os sonhos de Lil pararam e elas conseguiram ter a vida normal de qualquer adolescente. No entanto, coisas estranhas começam a acontecer com Izzy que a levarão a descobertas sobre si mesma e a uma escolha que poderá mudar toda sua história.


Falando primeiro sobre o que me surpreendeu positivamente nesse livro, a temática e a mensagem transmitida pela autora foram muito interessantes. Confesso que, a princípio, pensei que o livro focaria nos misteriosos sonhos de Lil e na amizade dos quatro jovens, ficando mais voltado para uma aventura adolescente. Porém, é um livro sobre amadurecimento, luto, amizade, escolhas difíceis e a importância de viver o presente.
À medida que os personagens vão passando pelos acontecimentos que transformam suas vidas, a autora leva o leitor a refletir sobre o crescimento e as mudanças pelas quais todos passamos. Além disso, ela fala com muita sensibilidade sobre como devemos valorizar todos os momentos do presente, pois a vida passa rápido e é impossível saber com certeza o que o futuro reserva.
O livro tem alguns momentos tocantes, pelos temas que aborda. Algumas situações são muito dolorosas, ainda mais quando consideramos a idade dos personagens. No entanto, a autora soube dosar os momentos mais difíceis com alguns mais alegres, além de incluir momentos de mistério e tensão, que tornam a leitura fluida e rápida.
Porém, como eu disse no início da resenha, algumas coisas me decepcionaram na leitura. A primeira delas é a narração. Todo o livro é contado pela perspectiva de Izzy, que durante a maior parte da história, tem apenas oito anos. Normalmente, não me incomodo com livros narrados por crianças e até gosto, porque acredito que eles trazem uma perspectiva mais sensível. Porém, faltou um pouco de equilíbrio nessa narração. Em alguns momentos, ela é feita de forma muito infantil, apesar de condizente com a idade da protagonista; em outros, Izzy tem diálogos e pensamentos complexos para sua idade e que fazem com que ela pareça ser mais velha. Por esse motivo, até aparecer de maneira clara no livro que ela tinha 8 anos, eu ficava em dúvida se era uma criança mesmo quem narrava os acontecimentos.  
Além disso, achei que o excesso de descrições quebrou o ritmo da leitura, especialmente na primeira metade. Em diversos momentos, a narração é interrompida para o relato de fatos passados ou descrição de lugares que não influenciam em nada no desenrolar da trama. Isso fez com que eu demorasse um pouco para conseguir me conectar com a história e chegou a me irritar em alguns momentos.


Com relação à trama, achei que a proposta e a mensagem transmitidas eram muito boas. Há momentos sensíveis e tocantes, situações em que sofremos com os protagonistas e nos preocupamos com os eles. Porém, a história foi construída de uma maneira muito simples e até mesmo a grande reviravolta do final se mostrou bastante previsível.
Esse foi meu primeiro contato com a escrita de Cecília Mouta, mas admito que esperava mais. Apesar de ter me emocionado em alguns momentos, não consegui me conectar o suficiente com a história e os personagens. Além disso, esperava um final bem mais surpreendente. No entanto, preciso ressaltar que a autora demonstrou um bom potencial. O livro tem muitos problemas, porém, a premissa é muito boa, traz reflexões interessantes e Cecília demonstrou sensibilidade para abordar temas difíceis.   
A edição da Chiado é simples, mas bonita. Adorei a capa, que já ajuda o leitor a mergulhar nesse clima de inverno do livro. Além disso, as páginas são amareladas e a fonte e o espaçamento estão em ótimo tamanho para leitura.
Deste modo, É inverno foi uma leitura que me deixou com sentimentos contraditórios. Por um lado, esperava mais e acabei me decepcionando com a forma como a história foi narrada e com o final. Porém, gostei dos temas abordados e achei que a autora transmitiu uma mensagem bonita, que faz o leitor refletir sobre a vida e o quanto devemos valorizar o presente. Assim, recomendo o livro para quem procura uma leitura leve e sensível, mas sem esperar um grande mistério ou uma história muito complexa e marcante. 

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