[Resenha] A garota que bebeu a lua

26 de jul de 2018


Sempre gostei de histórias infantis, por acreditar que elas carregam mensagens importantes, que devemos levar por toda a vida. Por esse motivo, fiquei imediatamente curiosa desde que a Galera Record anunciou o lançamento de A garota que bebeu a lua, da autora Kelly Barnhill. Além de uma capa maravilhosa, o enredo apresenta uma história lúdica, mas cheia de significado e reflexões.
Acompanhando a jornada de uma menina que, ainda bebê, foi alimentada com a luz da lua por uma bruxa, A garota que bebeu a lua é um livro sobre amadurecimento, opressão, amor e a importância de superar as tristezas para seguir em frente. É um livro infantil, mas que traz lições para os adultos também.



Autora: Kelly Barnhill
Editora: Galera Record
Tradução: Natalie Gerhardt
Páginas: 308
Onde comprar: Amazon
Exemplar recebido em parceria com a editora
Sinopse: “Todo ano o povo do Protetorado deixa um bebê como oferenda para a Bruxa que vive na floresta, na esperança de que o sacrifício a impeça de aterrorizar sua pequena cidade protegida pelos muros e pela Torre das Irmãs da Guarda. Mas, Xan, a Bruxa na floresta, ao contrário do que eles acreditam, é bondosa. Ela vive em paz com um Monstro do Pântano muito inteligente e um Dragão Perfeitamente Minúsculo. Todo ano ela resgata o bebê deixado pelos Anciãos e o leva em segurança para uma família adotiva em uma das Cidades Livres do outro lado da floresta. Durante a longa viagem, quando a comida acaba, Xan alimenta os bebês com luz estelar. Em uma dessas ocasiões ela acidentalmente oferece a um deles a luz do luar, dotando a menininha de uma magia extraordinária. A bruxa então decide criar a menina “embruxada”, a quem chama de Luna. Conforme o aniversário de treze anos da menina se aproxima, sua magia começa a aflorar – e pode colocar em perigo a própria Luna e todos à sua volta.”

Em A garota que bebeu a lua, é apresentado um universo lúdico, mas carregado de sofrimento e opressão. Todo ano, o povo do protetorado precisa deixar o bebê mais jovem da aldeia na floresta para ser entregue à Bruxa, a fim de evitar que ela destrua a cidade. As famílias que perdem seus bebês sofrem pelo sacrifício feito, já as outras vivem aterrorizadas pela possibilidade de um dia serem elas a terem um filho levado.
“Deixaria a menina ali sabendo que certamente não existia bruxa alguma. Nunca existira uma bruxa. Havia apenas a floresta perigosa e uma única estrada e um controle tênue de uma vida da qual os Anciãos gozaram por gerações. A Bruxa – ou melhor, a crença de que ela existia – tornou o povo aterrorizado e subjugado, um povo submisso, que vivia a vida em um nevoeiro de tristeza, e as nuvens de sua tristeza adormeciam seus sentidos e encharcavam suas mentes. Era terrivelmente conveniente para um governo livre desimpedido dos Anciãos.”
O que eles não imaginavam é que a Bruxa realmente existia, mas, na verdade, era boa e não entendia o motivo de abandonarem todo ano um bebê. Ela carregava as crianças e entregava para boas famílias que viviam nas Cidades Livres, do outro lado da Floresta. No caminho, quando o alimento acabava, ela alimentava as crianças com luz das estrelas. Porém, um dia ela se distrai e, acidentalmente, alimenta uma bebê com luz da lua, o que confere à menininha uma magia extraordinária. A Bruxa não poderia entregar uma criança com tal magia para viver entre os humanos, por isso, passa a criá-la como se fosse sua neta. 
No entanto, as pessoas no Protetorado não sabiam de nada disso e continuavam chorando pela perda de suas crianças. Até que um jovem decide pôr fim a esse sacrifício e caçar a Bruxa. Mas será que a verdadeira maldade vivia na floresta ou estava escondida dentro dos muros do Protetorado?


A Garota que bebeu a lua foi um livro que me deixou com sentimentos conflituosos. Por um lado, gostei muito das reflexões que a autora trouxe ao longo da trama. Por outro, o desenvolvimento da história é muito lento e, em alguns momentos, repetitivo. Com isso, a leitura acabou se mostrando um pouco maçante e não me cativou como eu esperava.
Assim como o universo é infinito. É luz e escuridão em movimentos eternos; é espaço e tempo, e tempo dentro do espaço. E ela soube: não há limites para o que um coração consegue carregar.”
O primeiro ponto que me incomodou foi a construção dos personagens. O fato de estarem divididos em tantos núcleos diferentes fez com que a jornada deles ficasse um pouco truncada e eu sentisse mais dificuldade para me apegar a eles. A história vai se intercalando entre Luna sendo criada pela bruxa Xan, com a ajuda do monstro Glerk e do dragão minúsculo (que pensa ser imenso), Fyrian; a mulher que vive trancada na Torre após ter enlouquecido pela perda da filha; o jovem Antain lidando com seus conflitos desde que presenciou uma bebê sendo retirada da mãe e abandonada na floresta; e os Anciãos e as Irmãs da Guarda manipulando a vida das pessoas do Protetorado. Com tantos núcleos separados e o foco mudando constantemente, senti que nenhum foi suficientemente aprofundado.
Além disso, confesso que faltou uma boa dose de carisma para a maioria dos personagens, especialmente a protagonista, Luna. Quando aparece criança, Luna é uma menina inquieta, desobediente e um tanto egoísta. Depois que fica um pouco maior, seu comportamento se torna um pouco mais compreensível, mas continua sendo uma personagem sem graça e que, ao longo do livro, me incomodou mais do que agradou. Porém, preciso destacar que adorei a bruxa Xan, o Glerk e o Fyrian, personagens que proporcionaram alguns dos momentos mais divertidos e cativantes da história.



Com relação à trama, eu achei o enredo original e complexo. Gostei muito da proposta da autora, que traz reflexões importantes em uma história aparentemente simples. Através da jornada de cada um dos personagens, são trabalhados temas importantes como a perda, o amadurecimento, a necessidade de lidar com a tristeza, a fé e, principalmente, a opressão e o controle social.
“Uma história podia contar a verdade, ela sabia, mas uma história também podia contar uma mentira. As histórias podiam ser dobradas e retorcidas e obscurecidas. Quem poderia se beneficiar de tal poder?”
No entanto, apesar de ter gostado muito das reflexões que são feitas ao longo do livro, achei que o desenvolvimento da trama deixou muito a desejar. O ritmo é muito lento, com boa parte do livro se passando sem grandes acontecimentos, e a história acaba se tornando repetitiva. Apenas da metade para o final, a leitura se torna mais interessante, com acontecimentos importantes dando mais dinamismo para a trama.
A escrita de Kelly Darnhill é bastante poética e sensível, fazendo com que alguns momentos do livro fossem muito bonitos. Porém, achei que o excesso de descrições deixou a leitura cansativa e repetitiva. Além disso, há momentos que considerei muito confusos, especialmente capítulos que eram intercalados com a trama e que eu não entendi muito bem sua relevância ou o que a autora quis dizer com eles.
De um modo geral, A garota que bebeu a lua foi uma leitura que me surpreendeu pelos temas abordados e pelas reflexões que proporciona. Apesar de ser um livro infantil, ele traz mensagens muito importantes e que acredito serem dirigidas muito mais aos adultos do que às crianças. Com isso, mesmo que a forma como a trama foi desenvolvida tenha deixado a leitura bastante cansativa, ainda recomendo o livro por sua mensagem e por todas as lições que ele deixa.  Apesar de não me encantado como eu esperava, me deixou reflexões que fizeram a leitura valer a pena.

20 comentários:

  1. Olá, tudo bem? Caramba, que título mais diferente e interessante, hehe. Não conhecia esse livro ainda, mas achei a capa e o título bem interessantes e, após ler tua resenha, minha curiosidade de ler a obra só aumentou.

    Beijos,
    Duas Livreiras

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Oie, tudo bom? Achei a capa maravilhosa, o enredo parece ser muito interessante, adoro livros que são reflexivos. O único ponto negativo para mim seria a trama arrastada e repetitiva, mas seus comentários me deixaram muito empolgada para lê-lo.

    Beijos!!

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  4. Oi Malu!
    Sabe que eu amei tudo nesse livro? A capa, a premissa, tudo me agradou e eu já estou louca pra lê-lo. Além de amar histórias de bruxa eu também sou super fã de histórias infantis então acho que seria uma leitura muito agradável pra mim :)
    Abraços

    Leituras de Ana

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  5. No momento em que vi a capa, já me senti apaixonada. Também sou super fã de histórias infantis e esse com certeza já entrou para minha lista de leitura, mesmo com algumas considerações negativas. Esse gênero é fácil de me cativar. Beijos

    Nara Dias
    Viagens de Papel

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  6. Livros infantis costumam, às vezes, ser bem inteligentes, o mesmo vale para alguns filmes quando não são destruídos pela indústria. Como gosto de literatura infantil, vou procurar o livro para ler ^^

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  7. Olá!
    Acho essa capa linda e está na minha lista de leituras.
    Espero que o desenrolar com os personagens e o fato da narrativa ser um pouco mais arrastada por conter muitas informações não seja um empecilho pra me fazer gostar da trama.
    Beijos!

    Camila de Moraes

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  8. Oiii Malu

    Apesar de ser original e tratar diversos temas inesperados, não acho que seria um livro pra mim nesse momento, essa narrativa mais arrastada provavelmente me cansaria demais, já que ando na maior ressaca literária. Por enquanto, dessa vez acho que deixarei a dica passar.

    Beijos

    www.derepentenoultimolivro.com

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  9. Olá
    Essa é a primeira resenha com tantos pontos negativos que leio, peguei a indicação em um canal no youtube, e depois disso sempre li resenhas possitivas sobre o livro, mas mesmo assim o pedi de presente de aniversário, pois cada um tem uma opinião e espero muito gostar do livro.
    Bjus

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  10. Oi Malu, sua linda, tudo bem?
    Eu vi a capa desse livro recentemente e tinha me encantado, também gosto muito de leituras infantis, as mensagens geralmente são lindas. Mas confesso que por apresentar uma narrativa lenta sem muitos acontecimentos que nos prendam e personagens que nos cative, desanimei um pouco. Uma pena. Gostei muito da sua resenha esclarecedora.
    beijinhos.
    cila.
    http://cantinhoparaleitura.blogspot.com/

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  11. Olá,
    Já li algo da autora e sinceramente não gostei, e nem fiquei com tanta vontade de ler este. No que eu li ela se perdeu bastante. O que me atrapalhou a gostar da história, parece ter acontecido o mesmo neste, o que é uma pena porque até é uma boa ideia a da história.

    Debyh
    Eu Insisto

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  12. Olá!
    Nossa, é tão bom quando um livro nos surpreende de qualquer forma, não?

    Confesso que não conhecia a história, mas achei a sua resenha além de muito bem feita, extremamente sincera. Pra mim, acredito que esse livro não funcionaria para mim, pois não gosto de livros com uma pegada mais infantil e também estou evitando leituras lentas.

    Beijos

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  13. Oi, Malu!
    Eu acho essa capa linda demais! Esse livro estava na minha listinha ampliada da Bienal e acabei esquecendo de comprá-lo no meio de tanta coisa acontecendo lá haha. Eu acho que por ter uma proposta tão interessante ao trazer temas mais adultos para as crianças, essa história precisava ser um pouco mais lenta para que pudesse se fazer entender - isso faz sentido? De qualquer jeito, gostei muito da sua resenha, me deixou com os pés mais no chão para quando eu for ler hehe
    Beijos!

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  14. Oi Malu, a impressão que tenho é que o livro ficou precisando de mais páginas, sabe? A história tinha tudo para ser bem bacana mas me faltou aprofundamento, principalmente na personalidade de Luna, a transição dela aconteceu de uma maneira não muito linear e isso prejudicou demais o enredo.

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  15. Olá, Malu!

    Eu fiquei muito interessada nesse livro quando ouvi falar dele pela primeira vez, mas agora já não sei se quero ler.kkkkkk... A capa é belíssima e encanta! Desperta nossa atenção. Todavia, não gosto de livros arrastados e repetitivos, tramas que cansam. Com tantos livros na lista de futuras leituras é melhor deixar esse passar, por enquanto.

    Bjs!

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  16. Oi, Malu! Uma pena que o desenrolar da história não tenha sido o forte da leitura, mas pelo menos você conseguiu aproveitá-la e ainda recomendar o livro. Fico mto indecisa nessas horas, mas acho que vou arriscar ler esse livro em breve.
    bjs
    Lucy - Por essas páginas

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  17. Oi Malu!
    Eu não conhecia o livro nem a autora. Acho importante termos histórias mais infantis e juvenis que tragam essas reflexões. Não sei se leria, mas talvez para a minha irmã daqui a alguns anos pode ser interessante.
    Só pela sua resenha, já gostei da bruxa, rsrs. E esse título é muito bonito!
    Bjss

    http://umolhardeestrangeiro.blogspot.com/

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  18. Acho a premissa desse livro muito bacana, especialmente por termos uma bruxa que na verdade é boa. Uma pena que a leitura tenha sido um pouco maçante para você.

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  19. Oie.

    Infelizmente se os personagens não tem carisma, mas também nãao tem aquela vibe de anti herói, a história fica complicada para mim. Eu não gosto dessa divisão de núcleos, porque também acho que a história fica truncada. Olha, eu achava que essa história era sobre algo haha mas lendo sua resenha, tive uma impressão diferente. Não sei se leria por agora, mas quem sabe mais para frente? A premissa é até legal, mas não me cativou muito.

    beijos!

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  20. Pelo nome do livro e pela capa, eu jamais imaginaria todos estes temas no enredo. Já quero ler e tenho quase certeza que será uma leitura que vai me agradar bastante.
    valeu pela dica
    beijos

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