[Resenha] O Príncipe Cruel

6 de nov de 2018


Olá, leitores! Como vocês estão? Eu preciso dizer que esse texto foi iniciado, apagado e começado de novo mais vezes do que eu consigo contar. Sempre achei que as resenhas mais difíceis de escrever são aquelas sobre livros que foram extremos, ou seja, aqueles que eu amei muito ou aqueles que eu detestei. Acredito que os sentimentos mais intensos sejam os mais difíceis de serem explicados. Felizmente, no caso da resenha de hoje, a dificuldade vem do fato de que o livro superou todas as minhas expectativas e foi um dos meus favoritos do ano.
Estou falando sobre O Príncipe Cruel, da Holly Black, que foi lançado esse semestre no Brasil pela Galera Record. Sabem aqueles livros que te prendem desde a primeira página, te deixam sem fôlego e, quando terminam, fazem você contar os dias para poder ler a continuação? Pois é, foi exatamente isso que essa leitura fez comigo. E, agora, estou aqui tentando encontrar as palavras para explicar os motivos que me levaram a gostar tanto desse livro.

Autora: Holly Black
Editora: Galera Record
Tradução: Regiane Winarski
Páginas: 322
Onde comprar: Amazon
Exemplar recebido de parceria com a editora.
Sinopse: “Jude tinha 7 anos quando seus pais foram assassinados e foi forçada a viver no Reino das Fadas. Dez anos depois, tudo o que ela quer é ser como eles – lindos e imortais – e realmente pertencer ao Reino das Fadas, apesar de sua mortalidade. Mas muitos do povo das Fadas desprezam os humanos. Especialmente o Príncipe Cardan, o filho mais jovem, mais bonito e mais cruel do Grande Rei. Para ganhar um lugar na Alta Corte, ela deve desafiá-lo... e enfrentar as consequências. Envolvida em intrigas e traições do palácio, Jude descobre sua própria capacidade para truques e derramamento de sangue. Mas, com a ameaça de uma guerra civil e o Reino das Fadas por um fio, Jude precisará arriscar sua vida em uma perigosa aliança para salvar suas irmãs, e o próprio Reino. Com personagens únicos, reviravoltas inesperadas, e uma traição de tirar o fôlego, este livro vai deixar o leitor querendo mergulhar de cabeça na continuação deste universo.”

Em O príncipe cruel, o mundo das fadas é real e Jude passou a fazer parte dele quando ainda era uma criança. Quando ela tinha apenas sete anos, sua casa foi invadida e seus pais mortos na frente dela e das irmãs, Viviane e Taryn. O assassino era Madoc, um feérico e pai da Viviane, a quem a mãe das garotas havia abandonado anos antes. Após matar os pais das meninas, Madoc decide levá-las ao mundo das fadas.
Dez anos depois, Viviane ainda se recusava a aceitar o pai e sonhava em voltar ao mundo dos humanos, mas Jude e Taryn esperavam se encaixar e encontrar um lugar para elas naquela corte. Para Taryn, a melhor forma de conseguir isso seria através no casamento. Jude, por outro lado, queria mostrar que tem habilidade o suficiente para garantir um lugar naquela corte, sem precisar de ninguém para isso. Porém, isso implicava em desafiar o Príncipe Cardan, o filho mais novo e mais cruel do Grande Rei de Elfhame.
“O que eles não sabem é que sim, eles me dão medo, mas eu sempre senti medo, desde o dia em que cheguei aqui. Fui criada pelo homem que assassinou meus pais, cresci em uma terra de monstros. Convivo com este medo, deixo que se assente nos meus ossos e o ignoro.”

Enquanto tenta provar seu talento, Jude acaba se vendo cada vez mais envolvida nas intrigas da Corte, descobrindo os perigos do Reino das Fadas e também uma grande habilidade para trapaças e derramamento de sangue. Com isso, Jude precisaria aprender rapidamente a entender os jogos de poder, não apenas para conseguir um lugar na Corte, mas para salvar a si mesma e aqueles que ama.



O Príncipe Cruel é um daqueles livros que conseguem capturar a atenção do leitor logo nas primeiras páginas. Com um início bastante intenso (para não dizer brutal), é impossível não ser impactado por essa história e querer descobrir o que irá acontecer com as três irmãs no Reino das Fadas. E, à medida que esse universo vai sendo apresentado, a leitura se torna cada vez mais envolvente. Quanto mais fundo a protagonista entra nos mistérios e intrigas daquele reino, mais dinâmica a trama se torna.
E por falar na protagonista, confesso que fui surpreendida por ela. Jude não é uma personagem fácil de se gostar e tive bastante dificuldade para entender a necessidade que ela sentia de se encaixar naquele reino e ser aceita pelos feéricos. No entanto, não nego que o fato de ser uma personagem imperfeita fez com que ela se tornasse uma protagonista muito mais interessante. Jude não é totalmente boa e nem totalmente má; tem virtudes e falhas que vão ficando evidente ao longo do livro, e demonstram o quão complexa e humana ela é.
“Eis por que não gosto dessas histórias: elas mostram que sou vulnerável. Por mais cuidadosa que eu seja, vou acabar cometendo outro erro. Sou fraca. Sou frágil. Sou mortal. E odeio isso mais que tudo. Mesmo que por algum milagre eu seja melhor que eles, jamais serei um deles.”
Já em relação aos demais personagens, me encantei por alguns, detestei outros e caí do cavalo algumas vezes. Porém, todos eles foram bem construídos e me surpreenderam em algum ponto da história. Meus favoritos foram, sem dúvida, a Viviane e o príncipe Cardan. Ela por ser uma personagem muito leal, que ama profundamente suas irmãs e que demonstra uma força e uma maturidade surpreendentes. Já o Cardan, é aquele típico anti-herói que sempre me agrada: com um humor ácido e, por vezes cruel, desde o início fica claro que esse personagem é mais do que aparenta. Assim como Jude, ele é um personagem interessante e complexo, que não se limita aos estereótipos de herói ou vilão, mas ainda possui o carisma que algumas vezes falta à protagonista.
“Claro que quero ser como eles. Eles são lindos como lâminas forjadas em fogo divino. [...] E Cardan é ainda mais bonito que o restante, com cabelos negros resplandecentes como a asa de um corvo e as maças do rosto angulosas o suficiente para partir o coração de uma garota. Eu o odeio mais do que a todos os outros. Eu o odeio tanto que, às vezes, quando olho para ele, mal consigo respirar.”

Preciso destacar também que, apesar de ser um livro protagonizado por adolescentes, ele não se perde em dilemas bobos e o romance não tira o foco da história. Por outro lado, a autora não comete o erro de trazer personagens maduros demais para sua idade. Ela conseguiu construí-los com conflitos e inseguranças que são tão típicas da adolescência, mas sem deixar que essas questões tivessem mais espaço do que o necessário. 



Além de personagens bem construídos, outro ponto alto do livro é a trama bem desenvolvida. O Príncipe Cruel não sobre de um mal comum em primeiros livros de série, que é a monotonia. Por mais que ele seja um livro de apresentação dos personagens e do universo, a autora consegue fazer isso sem tirar o ritmo da história. Os segredos sobre aquela Corte e sobre os próprios personagens contribuem muito para deixar a trama interessante e fazer com que a leitura se torne fluida.
“Tentei ser melhor do que todos eles e fracassei. Que tipo de pessoa eu poderia me tornar caso parasse de me preocupar com a morte, com a dor, com tudo? Caso eu parasse de tentar me encaixar nesse mundinho?”
Com relação à escrita da Holly Black, achei que, além de envolvente, ela foi bastante objetiva e clara. A autora não se perde em descrições excessivas ou explicações desnecessárias, mas consegue descrever os personagens, o universo e os acontecimentos com clareza o suficiente para que o leitor consiga imaginá-los.
Não posso deixar de mencionar também a edição, que está maravilhosa. A capa é linda, com detalhes em dourado e mantendo a ilustração do original. Além disso, na parte interna da capa, há um mapa relacionado ao universo da história. Já as folhas são amareladas, e a fonte tem um tamanho muito confortável para leitura. No geral, a Galera Record caprichou bastante nesse livro e eu fiquei absolutamente encantada.
Assim, O Príncipe Cruel foi uma grata surpresa que tive esse ano. Meu primeiro contato com a escrita da Holly Black não havia sido muito positivo e, por isso, me surpreendi por ter gostado tanto deste. É uma fantasia original, bem construída, com um universo cheio de mistérios e intrigas, e personagens complexos. Já estou ansiosa para ler os próximos volumes e descobrir o que irá acontecer. Recomendo muito para quem ama o gênero e está procurando uma nova série para iniciar.


7 comentários:

  1. Olá, tudo bem? Não tinha conhecimento desse livro ainda, mas depois de ler tua resenha é impossível não ficar doida para ler a obra. Parece ser uma história maravilhosa, já quero!

    Beijos,
    Duas Livreiras

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  2. Oi. Não conhecia o livro, que capa extraordinária, hein.... A sinopse também é bastante convidativa, que bom que você deu uma segunda oportunidade ao autor, já que não gostou do primeiro contato com o autor, às vezes, a segunda impressão é a que fica. Acho que vou gostar de conhecer esse livro, adoro Fantasia

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  3. Oi Malu,

    Essa capa é simplesmente linda e quando vi ela a primeira vez tinha me apaixonado. Não sabia nada do enredo, então saber que ele lhe arrebatou e lhe proporcionou uma das melhores leituras do ano, me deixa animada. Gosto quando os livros já começam frenéticos e essa brutalidade que você citou me instiga. O fato de ser um livro com personagens adolescentes e mesmo assim, não ser uma história boba já ganha muitos pontos. Com certeza já quero ler e irá para a minha listinha. Adorei sua resenha!

    Beijos!

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  4. Eu já estava louca por este livro, agora estou ainda mais! Fico feliz que apesar do livro ter personagens adolescentes, ele não se perca em dialetos bobos, pois foi este o motivo que me fez abandonar um livro da Holly há algum tempo atras. Porém, estou doida para ler este livro e sua resenha me deixou mais curiosa ainda!

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  5. Olá,
    Eu nunca li nada da autora, mas estou com este aqui para ler. Eu realmente amei a capa e a história parece ter a dose certa de fantasia. Me empolguei em começar depois da sua resenha.

    Debyh
    Eu Insisto

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  6. Eu tive uma boa experiência no meu primeiro contato com a Holly Black, mas essa história também parece ser bem interessante, com todas essas nuances de um mundo das fadas, algumas querendo se encaixar, quem poderia se encaixar querendo voltar ao mundo dos humanos...
    Beijos
    Mari
    Pequenos Retalhos

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  7. Olá!
    Eu nunca tinha ouvido falar sobre esse livro até então, mas só o fato de ele ser "contos de fadas" já me deixou curiosa, pois eu amo histórias desse tipo. Gostei muito também de como apresentou os fatos e os personagens, isso me deixou mais curiosa para conhecê-los e espero o fazer em breve, pois já anotei a dica.
    Abraços

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