Mostrando postagens com marcador Literatura Estrangeira. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Literatura Estrangeira. Mostrar todas as postagens

Sorteio de Aniversário - 3 Anos do Dicas de Malu


Olá, pessoal! A semana já vai começar com tudo por aqui, porque hoje é o aniversário de 3 anos do Dicas de Malu. E é claro que a data não poderia passar em branco né? Afinal, desde que o blog foi criado, tem sido uma fonte de alegria e de realização. Então, para comemorar esse período que tem sido tão especial e retribuir tudo de bom que tenho vivido com o blog, resolvi organizar um sorteio muito especial para vocês.

Confiram as regras e não deixem de participar!




Regras:
Será sorteado um exemplar do livro O guia do cavalheiro para o vício e a virtude e Bruxa Akata, para um único vencedor.
Para participar, é necessário preencher as entradas obrigatórias no formulário. Participantes que não seguirem as entradas serão desclassificados.
É necessário seguir e não apenas visitar as páginas no Facebook.
O participante deverá residir em território nacional.
As participações vão até o dia 12/02 e o sorteio será realizado no dia 13/02
O vencedor será avisado por e-email e tem 72h para entrar em contato com os dados para envio do prêmio, ou será desclassificado.
O prazo para envio é de até 35 dias após a confirmação dos dados do vencedor.

                                    
a Rafflecopter giveaway Boa sorte a todos os participantes!

[Resenha] Uma dama fora dos padrões


Começo de ano é sempre uma ótima oportunidade de colocar as pendências em dia e, por isso, quero aproveitar para trazer indicação de alguns livros que li o ano passado e não comentei aqui. E, para hoje, escolhi fazer a resenha de Uma dama fora dos padrões, da Julia Quinn, cuja continuação acabou de ser lançada pela Editora Arqueiro.

Nesse livro, que inaugura a série Os Rokesbys, Julia Quinn apresenta uma nova família, mas que tem uma forte ligação com outra bem famosa entre os seus leitores. Se você pensou em os Bridgertons, acertou. Muito antes dos amados irmãos Bridgertons, as duas famílias estiveram intimamente ligadas, e agora é a vez de Julia Quinn apresentar a história dos Rokesbys. Será que iremos nos encantar novamente por irmãos escritos pela autora?

Autora: Julia Quinn
Editora: Arqueiro
Páginas: 272
Tradução: Viviane Diniz
Onde comprar: Amazon
Sinopse: “Primeiro livro da nova série de Julia Quinn, Os Rokesbys. Julia Quinn já vendeu mais de 850 mil livros pela Editora Arqueiro. Às vezes você encontra o amor nos lugares mais inesperados... Esta não é uma dessas vezes. Todos esperam que Billie Bridgerton se case com um dos irmãos Rokesbys. As duas famílias são vizinhas há séculos e, quando criança, a levada Billie adorava brincar com Edward e Andrew. Qualquer um deles seria um marido perfeito... algum dia. Às vezes você se apaixona exatamente pela pessoa que acha que deveria... Ou não. Há apenas um irmão Rokesby que Billie simplesmente não suporta: George. Ele até pode ser o mais velho e herdeiro do condado, mas é arrogante e irritante. Billie tem certeza de que ele também não gosta nem um pouco dela, o que é perfeitamente conveniente. Mas às vezes o destino tem um senso de humor perverso... Porque quando Billie e George são obrigados a ficar juntos num lugar inusitado, um novo tipo de faísca começa a surgir. E no momento em que esses adversários da vida inteira finalmente se beijam, descobrem que a pessoa que detestam talvez seja a mesma sem a qual não conseguem viver.”

A jovem e impulsiva Billie Bridgerton sempre foi próxima dos irmãos Rokesbys. Suas famílias eram vizinhas e muito amigas, fazendo com que os filhos e filhas crescessem todos juntos. À medida que se tornaram adultos, começaram as expectativas de que Billie se casasse com algum dos irmãos, e ela ficaria perfeitamente satisfeita em aceitar Andrew ou Edward. O único que ela não conseguia se imaginar tendo um diálogo educado e, muito menos, casando, era George, o mais velho dos irmãos Rokesby. Os dois não se suportavam e ninguém que os conhecesse poderia imaginar um casamento entre eles. Porém, o amor nunca teve muita lógica, não é mesmo?
“Aquela deveria ser a atração mais inconveniente da história. Billie Bridgerton, pelo amor de Deus. Ela era tudo             que ele nunca quisera em uma mulher. Era teimosa, estupidamente imprudente e, se ela tivera um momento feminino na vida, ele nunca tinha visto. E ainda assim... Ele a queria.”

Quando George e Billie ficam presos em uma situação bastante inusitada, acabam sendo levados a se aproximarem. E, de uma grande confusão, surgiu uma inesperada cumplicidade e a percepção de que, mesmo tendo crescido juntos, talvez eles não se conhecessem tão bem quanto esperavam. E, quando finalmente se beijam, Billie e George começam a se perguntar se é possível se apaixonar pela pessoa que mais detesta. 


Minha experiência com Uma dama fora dos padrões, foi bem diferente dos outros livros que já li da Julia Quinn. Para começar, pela primeira vez, eu não me vi envolvida logo de cara. No começo, a história não estava me prendendo e eu tive medo de ser uma decepção. Porém, tive que interromper a leitura por alguns dias e, quando recomecei, simplesmente devorei o livro.
Uma Dama fora dos padrões é um livro bem leve e, para minha surpresa, com uma trama mais simples do que estamos acostumados a ver nos livros da Julia Quinn. Assim, trata-se de uma trama sem grandes acontecimentos ou dramas. No entanto, isso não é um aspecto ruim. Ao contrário, achei uma leitura ideal para um dia tranquilo, daquelas que envolvem o leitor com um enredo simples e divertido.
Aliás, apesar das diferenças desse livro, o senso de humor característico das obras da Julia Quinn está presente também. Com dois protagonistas que não se suportam, é claro que os clássicos diálogos cheios de ironias e alfinetadas não poderiam. Além disso, assim como nos livros da série Os Bridgertons, esse também é repleto de momentos engraçados em família, com muitas implicâncias e discussões divertidas.
“Billie tinha essa coisa – não era exatamente charme, mas uma confiança louca e imprudente – que fazia as pessoas ficarem ao seu lado. A família dela, a família dele, todo o maldito vilarejo – todo mundo a adorava. Ela era dona de um sorriso largo e uma risada contagiante, e Deus do céu, como era possível que ele fosse a única pessoa na Inglaterra que parecia perceber o perigo que ela representava para a humanidade?”
Com relação aos personagens, Billie é uma mocinha que faz jus ao título do livro. Se tem uma personagem que não segue o padrão, é ela. Billie não se importa muito com vestidos ou festas, ela gosta de aproveitar a vida no campo e sempre acompanhou o pai nas tarefas relativas à administração da propriedade. Confesso que ela pode ser um pouco irritante algumas vezes, devido ao seu jeito teimoso e impulsivo. No entanto, ela tem uma inocência e uma espontaneidade que acabam conquistando a simpatia do leitor.
Já o George não poderia ser mais diferente de Billie e, ainda assim, também é muito carismático. Ele é mais sério e controlado, seguindo perfeitamente os padrões e normas da sociedade. Porém, acabou me conquistando por dois motivos. O primeiro deles é o amor que ele demonstra pela família, especialmente os irmãos. É uma relação de tanta lealdade e afeto, que é impossível não admirar.
“Porque durante anos nada tivera significado, ao menos não para aqueles que tinham sido deixados para trás. George estava cansado de ser inútil, de fingir que era mais valioso do que os irmãos por ser o primogênito.”

Além disso, George é uma pessoa muito solitária. Por sua posição de filho mais velho, ele foi criado se preparando paras responsabilidade que iria assumir e, portanto, mais afastado dos seus irmãos e das crianças da família Bridgerton. Deste modo, George sempre se sentiu isolado dos demais e sentia falta da cumplicidade que existia entre os outros. E, mais do que isso, ele ainda se sentia um pouco inferior aos irmãos caçulas, que serviam a Inglaterra durante a guerra, enquanto ele permanecia no campo.



Com dois personagens tão diferentes, já dá para imaginar aquela típica relação de cão e gato, né? Mas o que eu mais gostei desse livro é que, por mais que os dois se detestassem no início, ainda se preocupavam um com o outro por causa da ligação entre suas famílias. George não deixa de estender a mão quando Billie precisa e ela, por sua vez, também se preocupa com o bem-estar dele. Assim, por baixo de toda aquela aparente hostilidade, já existia um carinho genuíno entre eles.
“Ela estava em apuros, portanto ele não tinha escolha. Precisava ajudá-la por mais irritante que a achasse.’
O romance acontece, então, de maneira muito natural na trama. Os dois passam por uma situação bem inusitada (e hilária) e acabam percebendo coisas um sobre o outro que nunca tinham imaginado. A partir daí a relação deles se transforma de uma maneira gradual, à medida que eles passam a se conhecer de verdade e compreender melhor o comportamento um do outro.
“Era tudo tão louco, tão errado e ainda assim tão perfeito... Era todas as sensações do mundo envoltas em uma mulher.”
Não posso deixar de mencionar também os personagens secundários. Assim como aconteceu na série Os Bridgertons, em que a família tem um grande destaque, tanto os parentes de Billie como o de George são fundamentais na trama e me cativaram. Em especial, eu amei o Andrew, irmão do George, e a Georgiana, irmã mais nova de Billie. Acredito que os dois vão ganhar mais espaço nos próximos livros e estou bastante ansiosa para isso.
Com relação à escrita de Julia Quinn, acho que nem preciso falar muito né? Ela tem o dom para escrever histórias leves, envolventes e com personagens muito carismáticos. E, por mais que essa trama não tenha grandes acontecimentos, a leitura não se tornou maçante pela facilidade com que a autora desenvolve a história, com muitos diálogos divertidos e protagonistas que são carismáticos o suficiente para que o leitor se importe com o que irá acontecer com eles.
Deste modo, Uma dama fora dos padrões foi uma leitura um pouco diferente do que eu imaginava, mas que me envolveu e divertiu como costuma acontecer com os livros da Julia Quinn. É um romance de época bem tranquilo, ideal para ler em um final de semana, e que inaugura muito bem a série Os Rokesbys. Assim, eu não só recomendo esse livro, como estou ansiosa para ler a continuação, Um marido de faz de conta, que acaba de ser publicado pela editora Arqueiro e já está à venda (aqui).

[Resenha] As mil partes do meu coração


Não é segredo para ninguém que me acompanha aqui no blog que a Collen Hoover é uma das minhas autoras favoritas, daquelas que eu leria até a lista de supermercado, caso ela resolvesse publicar. No entanto, quando soube do lançamento de As mil partes do meu coração, fiquei um pouco receosa. Não que eu duvidasse da capacidade de escrita da Colleen, mas é que os lançamentos mais recentes dela foram romances New Adult, com personagens mais maduros e assuntos pesados. Então, sendo esse lançamento um Young Adult, eu tive medo de não me envolver com a história ou não sentir a mesma emoção que tive com outros livros da autora.
No entanto, meu medo acabou se mostrando bastante infundado. As mil partes do meu coração é tão envolvente quanto todos os outros livros da Colleen que eu já li e acabou me surpreendendo bastante. Com um enredo e personagens pouco convencionais, esse é um dos livros mais diferentes que eu já li da autora e me fez a certeza de que eu não posso duvidar nunca da capacidade dela de criar histórias que mexem com o leitor.


Autora: Colleen Hoover
Editora: Galera Record
Tradução: Ryta Vinagre
Páginas: 336
Onde comprar: Amazon
Exemplar recebido de parceria com a editora
Sinopse: “Autora best-seller do New York Times aborda relacionamentos e transtornos mentais em uma narrativa que discute os limites do que é normal. Para Merit Voss, a cerca branca ao redor da sua casa é a única coisa normal quando o assunto é sua família, peculiar e cheia de segredos. Eles moram em uma antiga igreja, batizada de Dólar Voss. A mãe, curada de um câncer, mora no porão, e o pai e o restante da família, no andar de cima. Isso inclui sua nova esposa, a ex-enfermeira da ex-mulher, o pequeno Moby, fruto desse relacionamento, o irmão mais velho, Utah, e a gêmea idêntica de Merit, Honor. E, como se a casa não tivesse cheia o bastante, ainda chegam o excêntrico Luck e o misterioso Sagan. Mas Merit sente que é o oposto de todos ali. Além de colecionar troféus que não ganhou, Merit também coleciona segredos que sua família insiste em manter. E começa a acreditar que não seria uma grande perda se um dia ela desaparecesse. Mas, antes disso, a garota decide que é hora de revelar todas as verdades e obrigá-los a enfim encarar o que aconteceu. Mas seu plano não sai como o esperado e ela deve decidir se pode dar uma segunda chance não apenas à sua família, mas também a si mesma. As mil partes do meu coração mostra que nunca é tarde para perdoar e que não existe família perfeita, por mais branca que seja a cerca.”

Em As mil partes do meu coração, conhecemos a adolescente Merit Voss. Ela tem uma família nada convencional, que atrai os comentários dos habitantes na pequena cidade em que moram. Para começar, eles moram em uma igreja que foi comprada pelo pai, após ele se desentender com o pastor. Mas isso nem é o mais estranho. Na casa, vivem Merit, sua irmã gêmea Honor, seu irmão mais velho Utah, seu meio-irmão caçula Moby, seu pai, sua madrasta Victoria e, no porão, sua mãe Victoria. Sim, não apenas a mãe e a madrasta de Merit têm o mesmo nome, como ainda moram na mesma casa.
E, se essa simples descrição da família já é estranha, na prática, é uma convivência ainda mais disfuncional do que parece. Claro que isso acaba afetando a todos de alguma forma e, no caso de Merit, faz com que ela sinta como se ninguém na família notasse sua existência. Para compensar suas frustrações, ela começa a adquirir troféus toda vez que algo dá errado. E é quando está comprando um desses troféus, depois de ter decidido abandonar a escola, que Merit conhece o misterioso e charmoso Sagan. Pela forma como ele a olha, Merit se sente especial pela primeira vez, até descobrir que ele a confundiu com sua irmã gêmea.
“Ninguém seria capaz de determinar, vendo de fora, que nossa família de sete inclui um ateu, um destruidor de lares, uma ex-mulher que sofre de uma grave agorafobia e uma adolescente cuja estranha obsessão beira a necrofilia. Ninguém poderia supor nada disso nem mesmo de dentro de nossa casa. Sabemos guardar segredos nessa família.”

Mas quando ela pensava que nada poderia ser pior, dois novos moradores chegam para mudar ainda mais a vida da família Voss. E Merit, que guardava os segredos de todos da família, começa a se sentir cada vez mais sobrecarregada por eles. Com a crescente sensação de isolamento e o peso de tudo que guardava para si, ela começa a se perguntar se alguém dentro daquela casa realmente notaria sua ausência e o que aconteceria se, antes de partir, ela decidisse contar tudo que sempre escondeu.


Logo na sinopse, já dá para perceber que As mil partes do meu coração é um livro bem diferente do que estamos acostumados a ver nas histórias da Colleen Hoover. Para começar, é evidente que esses não são personagens comuns. Todos eles têm algum comportamento que reforça a sensação de que a família Voss é bastante disfuncional. Além da protagonista Merit, com sua compulsão por troféus que não conquistou, sua irmã gêmea parece ter uma obsessão em se envolver com garotos que estão doentes em fase terminal, seu irmão mais velho é excessivamente preocupado com controle e organização, sua madrasta é neurótica com relação à alimentação do filho, e sua mãe sofre de agorafobia (transtorno de ansiedade associado ao medo de ambientes desconhecidos ou onde não se sinta confortável), razão pela qual não sai do porão da casa do ex-marido.
“Essa família é o horror que todos dessa cidade acreditam. Talvez ainda pior. Estou enojada. Farta dos segredos e das mentiras. Cansada de ser a pessoa que guarda todos os segredos deles! (...) Talvez, se eu soltar todos os segredos, eles não me deem mais a sensação de que estou me afogando.”
Deste modo, não é difícil entender o quanto Mérit se sente sobrecarregada e se conectar com essa personagem. Além disso, o fato do livro ser narrado em primeira pessoa pela protagonista contribui muito para que o leitor a compreenda e perceba o quanto essa menina precisa de ajuda. Apesar de ela não falar com todas as letras, todos os sinais de depressão estão lá e vai se tornando cada vez mais angustiante ver que a família dela não percebe.
Aliás, me surpreendi muito como a Colleen conseguiu abordar com delicadeza e seriedade um assunto tão importante. O fato de termos acesso aos pensamentos e sentimentos da protagonista faz com que o leitor tenha uma noção de como uma pessoa com depressão se sente e perceba a gravidade desta doença. Assim, a autora deixa claro o quanto questões relacionadas à saúde mental precisam ser levadas a sério, e a necessidade de estarmos sempre atento aos sinais de que algo não está bem.
“O único sentimento de que tenho certeza é que estou completa e inteiramente deprimida. Eu já devia estar acostumada com ele, mas não estou. Acho que é uma coisa com que ninguém consegue se acostumar.”
O fato de termos um livro narrado todo pela perspectiva da Merit foi fundamental também para que a Colleen conseguisse desenvolver outros assuntos. Como só temos a visão dela o tempo todo, a imagem que formamos dos outros personagens e dos segredos da família Voss são totalmente influenciados pela visão dela. Porém, ao longo do livro, vamos percebendo que toda história tem dois lados e foi muito interessante ir descobrindo que os demais personagens também tinham suas próprias questões.
“– Nem todo erro merece uma consequência. Às vezes, a única coisa que ele merece é o perdão.”



Nesse sentido, um dos aspectos que mais gostei é que fui surpreendida em vários momentos por revelações que mudavam tudo que eu tinha sido levada a acreditar até ali, fazendo com que eu percebesse camadas nos personagens que antes eu não tinha visto. E isso foi algo muito positivo não somente por deixar a trama mais interessante, mas também por conferir maior complexidade aos demais personagens, além da protagonista.
“Não são os problemas com que as pessoas ficam obcecadas por tanto tempo. É que ninguém tem a coragem de dar o primeiro passo para falar desses problemas.”
Com isso, mesmo que a família Voss tivesse tantos membros, todos eles tiveram espaço na trama para que seus conflitos fossem desenvolvidos. Não vou dizer que gostei de todos igualmente, mas gostei de poder conhecê-los e entender suas histórias. Mas claro que alguns se destacaram mais e eu não posso deixar de mencionar aqui: Sagan e Luck, os dois novos moradores de Dolar Voss, a casa da família, que foram os catalizadores das mudanças que ocorreram ali. Eles foram meus favoritos não só pela relevância que tiveram na trama, como por terem sido os primeiros a realmente enxergarem a Mérit e perceberem que ela precisava de ajuda.
Mas vocês devem estar se perguntando, e o romance? Afinal, estamos falando de um livro da Colleen Hoover. É claro que ele está presente no livro e é muito fofo. Porém, já aviso que é uma questão que fica em segundo plano. O centro da história é a Mérit e como os segredos da família a afetaram, e o romance é mais uma peça desse caos em que os sentimentos dela se encontram. Mas não se preocupem que, nos momentos em que o romance ganha destaque, é muito bonito de se acompanhar e eu torci pelo casal o tempo todo.
“Mas agora, sem saber nada a respeito dele além da intensidade da sua expressão, permito-me imaginar que ele é perfeito. Finjo que ele é inteligente, respeitoso e artístico. Porque ele seria todas essas coisas se fosse perfeito.”
Com relação à escrita da Colleen Hoover, acho que eu não preciso nem dizer nada né? Ela tem um dom de prender a atenção do leitor de um jeito que você não sente vontade de largar o livro em momento algum. Eu realmente me conectei com os personagens e me envolvi com seus dramas, e não queria parar de ler até descobrir o que aconteceria. Além disso, achei que ela foi extremamente habilidosa em trabalhar assuntos difíceis e dolorosos de uma maneira delicada, sem deixar que a leitura se tornasse pesada. Pelo contrário, mesmo que aborde assuntos tão sérios, eu achei esse um dos livros mais leves que já li da autora.
Não posso deixar de mencionar também a edição que está linda. Eu adorei a capa, que é simples e combina com o livro. Além disso, as páginas amareladas e o tamanho da fonte deixam a leitura muito confortável. E, para completar, no final do livro, tem algumas páginas com ilustrações bem legais que são mencionadas na história.
De um modo geral, As mil partes do meu coração foi um livro que me surpreendeu por ter um enredo que foge do padrão que me acostumei a ver nas obras da Colleen Hoover, mas com a mesma habilidade de me emocionar que todos os outros livros dela tiveram. É uma história que vai muito além do romance, trazendo dramas familiares e pessoais muito atuais e importantes. É um livro sobre superação, perdão e recomeços, que encanta por ser uma leitura leve, mas capaz de tocar o leitor como só os livros da Colleen conseguem.

[Resenha] Em pedaços


Olá, leitores! Vocês, como eu, também amam um bom romance? Um dos meus favoritos do ano passado foi o livro Mais que amigos, da autora Lauren Layne. E, no finalzinho de dezembro, eu resolvi ler outro livro da autora também publicado pela Editora Paralela em 2018: Em pedaços, o primeiro volume da série Recomeços.
Depois de ter sido conquistada pela leveza de Mais que amigos, me surpreendi ao encontrar um romance com mais drama e personagens cheios de cicatrizes emocionais. No entanto, isso não foi um problema. Mesmo tendo um tom bem diferente do que eu esperava, Em pedaços mantém muito do que admirei na escrita da Lauren Layne no outro livro e acabou me conquistando também.


Autora: Lauren Layne
Editora: Paralela
Tradução: Lígia Azevedo
Páginas: 176
Classificação: + 18 anos
Onde comprar: Amazon
Exemplar recebido de cortesia da editora
Sinopse: Nessa recontagem moderna de A Bela e a Fera, Lauren Layne nos traz uma história irresistível de perdão, cura e, acima de tudo, amor.Aos 22 anos, Olivia Middleton tem Nova York aos seus pés. Por fora, ela é a garota perfeita ― linda, inteligente e caridosa. Mas por dentro ela guarda um segredo terrível: um erro que a afastou das duas únicas pessoas que realmente importavam na sua vida. Determinada a esquecer o passado, ela deixa Manhattan e vai trabalhar como cuidadora de um soldado recém-chegado da guerra. Mas o que ela não esperava era que seu paciente fosse um jovem enigmático de 24 anos tão amargurado quanto cativante.Paul Landon está furioso ― com o mundo, com a vida, com o seu pai e, acima de tudo, consigo mesmo. Depois de sofrer na pele os horrores da guerra do Afeganistão, a última coisa que ele quer é a companhia de uma princesa nova-iorquina linda, mimada e irritante. A presença de Olivia parece tóxica para Paul, mas ele não consegue afastá-la, mesmo tentando muito.Por mais que lutem contra uma atração intoxicante, Paul e Olivia não conseguem se manter distantes. Agora, precisam decidir: eles vão ajudar um ao outro a curar as feridas do passado ou vão se manter, para sempre, em pedaços?

Primeiro volume da trilogia Recomeços, Em Pedaços apresenta ao leitor a personagem Olivia Middleton, uma jovem de 22 anos que parece ter uma vida perfeita: bonita, rica, estudante da NYU e com uma vida social agitada, frequentando os lugares mais caros de Manhattan. No entanto, ela cometeu um erro grave e acabou magoando as duas pessoas que mais amava. Querendo fugir desse segredo, Olivia decide largar tudo e se tornar cuidadora de um ex-soldado que foi ferido durante a Guerra do Afeganistão.
No entanto, diferente do que ela imaginava, Paul Landon era um homem jovem e muito atraente. Ele passou por muitos horrores na guerra, que o deixaram com marcas físicas e emocionais. Com isso, Paul vive amargurado e faz o que pode para afastar as pessoas. Todas as cuidadoras que seu pai contratou, acabaram desistindo. Porém, com Olivia é diferente e Paul percebe que não será fácil se livrar dela. E, quanto mais convivem, menos certeza ele tem de que não a quer ali.
“Eu me tornei um especialista em afastar as pessoas, agindo da forma mais desagradável possível até levá-las ao limite. Mas com ela é diferente. (...) Suspeito que, de todas as pessoas, ela talvez saque que minha hostilidade não é descabida. Que meu interior está completamente podre.”
            


Como eu disse no começo, o que mais me surpreendeu no livro Em pedaços foi o fato da trama ter um tom mais dramático do que eu esperava. No entanto, apesar de diferente do que imaginei a princípio, acabou sendo um aspecto que me agradou porque veio acompanhado de uma complexidade maior dos personagens. Ambos possuem conflitos a serem trabalhados, fazendo com que a história não se limite ao romance e mostre também as jornadas individuais deles.
“É que, lá no fundo, sei que a razão pela qual vim pra cá foi a noção inocente de que ajudar Paul acabaria me ajudando. Que, de alguma forma, eu poderia consertar o que estivesse quebrado e podre dentro de mim.”
Confesso que o grande segredo de Olívia, que foi o motivo dela deixar tudo para cuidar de um estranho, foi um tanto exagerado. Ela cometeu um erro grave, mas não o suficiente para motivar uma mudança tão radical em sua vida. Porém, deixando a motivação dela de lado, a transformação que ela sofre foi algo bem legal de acompanhar. Ao cuidar de Paul, Olívia acaba sendo levada a olhar para além de seu próprio umbigo e isso fez com que ela amadurecesse.
No entanto, meu personagem favorito foi o Paul. No início, é difícil gostar dele, devido ao seu comportamento grosseiro. Porém, não é necessário muito tempo para perceber que se trata apenas de uma forma de afastar as pessoas e evitar as cicatrizes físicas e emocionais dos horrores que viveu. Assim, Paul é um personagem mais complexo e com traumas que são muito mais compreensíveis que os de Olivia. E, mesmo não concordando com grande parte de suas ações, eu conseguia entendê-lo e acabei me apegando bastante a esse personagem.

“Amo a pessoa que Paul é. A escuridão e as sombras. Seu sorriso e a bondade que faz tanto esforço para esconder. O jovem quarterback por baixo do veterano de guerra. Amo mais o lado direito de seu rosto, cheio de cicatrizes, que a perfeição do esquerdo.”



Outro aspecto que gostei muito foi o fato de que o romance não é imediato. Logo que se conhecem, Paul e Olívia se sentem atraídos. Porém, os sentimentos vão surgindo aos poucos, com a convivência. No início, eles brigam o tempo todo, mas são essas discussões que levam os dois a encararem seus traumas e começarem a se abrir. Paul e Olívia conseguem realmente enxergar um ao outro, com suas qualidades e defeitos, e isso traz uma cumplicidade entre eles que é muito bonita.
“Deveria ser um alívio, mas não consigo afastar um pressentimento sombrio. Não importa para onde olhe, as paredes estão caindo. E essa garota continua despertando em mim a coisa mais perigosa do mundo. Esperança.”
Com relação à trama, achei que a Lauren Blakely soube dosar bem o drama, o romance e até um toque de humor. A relação de Olivia e Paul é bem construída e cativante, no melhor estilo A Bela e a Fera. No entanto, isso não é o centro do livro, e temos espaço para ver o desenvolvimento pessoal dos dois. E, por mais que eu tenha achado os conflitos da Olivia um pouco exagerados, a autora não deixou que isso se tornasse algo pesado ou cansativo dentro da história. Além disso, os diálogos afiados entre os dois protagonistas contribuem não apenas para deixar a leitura mais fluida, mas também para trazer um pouco de humor para a trama.
É importante destacar que o livro tem algumas cenas de sexo e, por isso, não é uma leitura indicada para menores. Porém, gostei muito do fato de que a autora conseguiu inseri-las de maneira natural na trama, sem deixar que se tornassem apelativas. Assim, para quem tem mais de 18 anos e não gosta de livros com uma pegada muito hot, não precisa se preocupar, porque as cenas mais quentes não são excessivas.
Assim, Em pedaços é um romance new adult com mais doses de drama, mas que se mostrou uma leitura tão fluida quanto eu esperava. A escrita de Lauren Layne continua tão envolvente quanto no livro Mais que amigos e ela mantém sua habilidade para construir o romance de maneira natural e cativante, fazendo com que eu me encantasse com mais um livro dela. Agora, não vejo a hora de ler o prequel que foi publicado no ano passado, Como num filme, e o terceiro livro que ainda não saiu no Brasil.

[Resenha] Diário de uma ansiosa ou como parei de me sabotar


A ansiedade tem sido um tema cada vez mais frequente nos dias de hoje. Afinal, quem nunca se desesperou com a perspectiva de chegar em um novo ambiente e conhecer outras pessoas? Ou, pior ainda, quem nunca ficou se cobrando por sentir que os outros estavam progredindo enquanto a sua vida não saiu como o esperado? Com as redes sociais, esse sentimento tem sido ainda mais presente na vida das pessoas.
Por esse motivo, fiquei imediatamente curiosa desde que vi Diário de uma ansiosa ou como parei de me sabotar, que foi lançado no Brasil pela Galera Record. Com uma escrita leve e muito bom humor, a autora Beth Evans traz situações do cotidiano para falar sobre as dificuldades que muitos enfrentam ao chegar na vida adulta e ainda abordar temas como ansiedade, depressão e TOC.

Autora: Beth Evans
Editora: Galera Record
Tradução: Giu Alonso
Páginas: 192
Onde comprar: Amazon
Exemplar recebido de parceria com a editora.
Sinopse: “Com ilustrações bem-humoradas, Beth Evans escreve sobre depressão, ansiedade, formulário, boletos e outros desafios para se tornar um adulto. A vida adulta não é fácil. E quem nunca fuxicou as redes sociais de amigos bem-sucedidos, só para se comparar, e acabou se sentindo pior ainda, que atire a primeira pedra. Contando suas próprias histórias vergonhosas, e outras mais sérias como depressão e TOC, a autora consegue extrair lições valiosas, sem perder a leveza diante da seriedade de diversos assuntos. Este livro é repleto de conselhos amigáveis sobre como cuidar de si mesmo, como procurar ajuda (não importa quais sejam seus problemas) e agarrar-se aquilo que te faz feliz – seja uma banda, seja uma maratona da Netflix. Beth Evans é uma contadora de histórias supercriativa, e seus desenhos complementam suas palavras com um humor único. Diário de uma ansiosa ou como parei de me sabotar é como um abraço do seu melhor amigo naqueles dias sofríveis. E, como melhor amigo, está aqui para dizer: ‘Você consegue!’.”

Com uma narrativa bem fluida, Beth Evans traz em Diário de uma ansiosa ou como parei de me sabotar relatos bem sinceros de momentos diferentes da sua vida, com os quais os leitores poderão se identificar muito. Ela fala com muito bom humor de situações da adolescência e, principalmente, da fase adulta que podem parecer aterrorizantes quando vivemos. Assim, os relatos vão desde o pavor de quando aparece um bicho em casa e precisamos lidar com isso, até questões relacionadas com a nossa saúde mental.
“Errar faz parte da experiência de ser adulto, embora muitas vezes a gente veja os outros como sendo excelentes nisso, sem nunca dar uma mancada. A verdade é mais assim: as pessoas falham, e é falhando que elas aprendem a evitar essas falhas no futuro.”


Sem propor soluções mágicas, Beth Evans se dedicou nesse livro a abordar as dificuldades dessa transição para a vida adulta e como cada pessoa irá lidar de uma maneira diferente com as mudanças desse período e com as expectativas que ele envolve. Além disso, ela procura desmistificar questões relacionadas à saúde mental e, principalmente, tirar o estigma de assuntos como depressão e ansiedade. Deste modo, é um livro para mostrar ao leitor que ele não está sozinho e que é normal não se sentir bem o tempo todo.


Todo mundo que está ou já passou pela fase dos 20 e poucos anos sabe que essa transição não é fácil. Temos muitas expectativas e quando nos deparamos com a realidade ela dificilmente se encaixa no que imaginamos. O problema é que, muitas vezes, achamos que todos estão se saindo muito bem e só nós ficamos para traz. E é isso que Diário de uma ansiosa ou como parei de me sabotar vem para desmistificar.
Com uma escrita bem leve e divertida, Beth Evans mostra que essa transição para a vida adulta é realmente complicada e que é normal darmos alguns tropeços nesse caminho. Além disso, ela destaca o fato de que não somos obrigados a estar bem o tempo todo e nem a seguir o mesmo ritmo de amigos e familiares. Afinal, cada pessoa tem sua própria forma de lidar com as mudanças da vida e não dá para nos medirmos pela vida dos outros.
“Sempre vai haver alguém, em algum lugar, se dando melhor que você. Também tem alguém pior que você. É um ciclo sem fim de competição totalmente desnecessário. [...] Mas a boa notícia é que você pode criar a sua própria definição de sucesso e progresso.”

Outro aspecto que achei interessante é o fato de que, por mais que eu não tenha me visto em todas as situações narradas pela autora, já que são relatos bem pessoais, consegui me identificar com muitas questões que ela levanta sobre a vida adulta. Além disso, mesmo aqueles casos em que eu nunca vivi nada parecido, a autora descreveu de uma maneira tão habilidosa que consegui entender o que ela sentia.
Nesse sentido, um sentimento que me acompanhou durante a leitura foi a empatia. Não apenas eu me senti confortada por ver situações que demonstravam que eu não sou a única a estar tropeçando nessa vida adulta, como parei para me colocar no lugar dos outros também. A autora fala muito sobre como muitas vezes pensamos que as pessoas a nossa volta estão muito bem (algo que as redes sociais reforçam muito), mas elas podem estar passando por problemas que nem imaginamos.

“Pedir ajuda pode ser uma das coisas mais difíceis que uma você ou qualquer pessoa pode fazer. Para pedir ajuda, você precisa ficar vulnerável e parecer menos forte do que gostaria que as pessoas pensassem que é. Significa deixar alguém entrar em seu mundo e ver o quão complicado você é”.



É importante destacar ainda que o livro não aborda apenas os problemas da vida cotidiana de um jovem adulto, mas de questões ainda mais complicadas como depressão, TOC e ansiedade. A autora falou de maneira bem honesta sobre saúde mental e a importância de discutirmos o assunto. Além disso, sem tentar trazer soluções mágicas ou diminuir o sofrimento de quem tem distúrbios psicológicos, ela passa uma mensagem de esperança e de que é possível seguir em frente.
“Já é bem difícil lidar com a ansiedade sozinha, e bem pior quando as pessoas tentam sacanear você. Encontrar o equilíbrio é uma luta diária. (...) Mas cada passo em direção a dominar esses temores é positivo, e um passo atrás não significa que todo o seu trabalho não serviu de nada.”

Sobre a escrita de Beth Evans, foi uma ótima surpresa. Ela conseguiu escrever com muita leveza e bom humor, mas sem diminuir a importância de questões sérias. Além disso, a maneira como o livro foi narrado parecia mais uma conversa entre amigos, o que deixou a leitura ainda mais envolvente. Minha única ressalva, é que o livro poderia ser um pouco menor, pois no final já estava começando a soar repetitivo. No entanto, isso não chegou a comprometer, pois a importância do assunto e o humor presente no livro contribuíram para manter meu envolvimento com a leitura.
“Naquele momento, nos tornamos adultas – mas que não sabiam como matar uma centopeia gigante. Então a gente se apertou atrás de um sofá para observá-la. Era fato consumado que não daria para se livrar do bicho, então chegamos à conclusão de que era melhor em paz se ele fizesse o mesmo com a gente. Às vezes, coisas de adulto são muito assustadoras, então você lida com elas da melhor forma possível.”

Com relação à edição, está muito caprichada. O livro conta com ilustrações muito divertidas, feitas pela própria autora, e que agregam bastante à leitura. Além disso, a fonte tem um ótimo tamanho para leitura e a revisão está impecável.
Assim, Diário de uma ansiosa ou como parei de me sabotar foi uma leitura que me divertiu e confortou ao mesmo tempo. Enquanto lia, me identifiquei com várias situações relatadas por Beth Evans, mas também me solidarizei com outras que eu nunca vivi. É um livro que fala com bom humor sobre as dificuldades da vida adulta, mas que também fala de maneira muito delicada sobre saúde mental e a importância de sabermos que não estamos sozinhos. Em uma sociedade em que as pessoas são cada vez mais cobradas e que as redes sociais mostram uma vida perfeita que (quase) nunca condiz com a realidade, é bom ter um lembrete de que somos apenas humanos e, às vezes, as coisas não estarão tão bem assim. O importante é seguirmos em frente, um dia de cada vez.



[Resenha] Interferências


Olá, leitoras e leitores! Hoje vim falar sobre a maior surpresa que tive em 2018, o livro Interferências, da autora Connie Willis. Lançado pela Suma de Letras, esse livro chamou minha atenção por ter uma sinopse bem diferente e que parecia ser uma leitura muito divertida.
Para quem ainda não conhece, Connie Willis é uma aclamada autora de ficção científica. No entanto, o livro Interferências, publicado no Brasil no começo deste ano, tem um enredo que foge do que eu esperaria para o gênero, se aproximando mais de uma comédia romântica. Confesso que foi esse o motivo que me deixou mais curiosa para ler a obra e o escolhi para ser meu primeiro contato com a escrita da autora.
Agora, depois de um bom tempo com ele na minha meta de leitura, finalmente consegui ler e vou poder contar para vocês o que achei.


Autora: Connie Willis
Editora: Suma de Letras
Tradução: Viviane Diniz Lopes
Páginas: 464
Onde comprar: Amazon
Exemplar recebido de cortesia da editora
Sinopse: “Em um futuro não muito distante, um simples procedimento cirúrgico é capaz de aumentar a empatia entre os casais, e ele está cada vez mais na moda. Por isso, Briddey Flannigan fica contente quando seu namorado, Trent, sugere que eles façam a cirurgia antes de se casarem ― a ideia é que eles desfrutem de uma conexão emocional ainda maior, e que o relacionamento fique ainda mais completo. Bem, essa é a ideia. Mas as coisas acabam não acontecendo como o planejado: Briddey acaba se conectando com outra pessoa, totalmente inesperada. Conforme a situação vai saindo do controle, Briddey percebe que nem sempre muita informação é o melhor, e que o amor ― e a comunicação ― são bem mais complicados do que ela esperava.”

Ambientado em um futuro não muito distante, Interferências traz uma realidade em que a tecnologia permitiu um nível de conexão muito elevado. Por meio de um procedimento cirúrgico, o EED, casais poderiam se conectar e passar a sentir as emoções de seus parceiros. Por esse motivo, a protagonista Briddey fica muito empolgada quando seu namorado Trent propõe que eles façam o EED antes de casarem. Afinal, quem não gostaria de saber o que seu namorado sente e se ele realmente te ama?
O problema é que a notícia logo vaza e chega aos ouvidos das irmãs e da tia de Briddey, que não perdem tempo em deixar claro que não aprovam a ideia. Mas elas não são as únicas; até mesmo C. B. Schwartz, o nerd esquisitão do trabalho, tenta alertar Briddey de que a cirurgia poderia trazer consequências indesejáveis. Mas ela está confiante que o procedimento seria um sucesso e sua conexão emocional com Trent daria certo.

Mas é claro que nem tudo sai como o esperado e Briddey acaba se conectando não com outra pessoa que não o Trent. Mas, se o procedimento requeria envolvimento emocional, por que ela iria se conectar com alguém que não era seu namorado? E como explicar ao Trent o que havia acontecido? Assim, Briddey precisa encontrar respostas rapidamente e tentar resolver a situação. Mas, para isso, precisará se esquivar das perguntas do namorado e da constante intromissão de sua família.


Preciso confessar que um dos motivos que fizeram com que eu demorasse a ler esse livro foi o fato de ter visto muitas críticas negativas sobre ele. As opiniões que vi me deixaram com receio que fosse uma leitura arrasta. No entanto, provando que cada um sente a leitura de uma maneira diferente e é sempre bom ler para tirar suas próprias conclusões, eu adorei o livro e fiquei envolvida desde o começo.
O ponto que considero determinante para ter gostado da leitura é o humor presente na história. A trama já começa com muitas confusões e situações divertidas, em um estilo que me lembrou muito os livros da Sophie Kinsella (que eu adoro). No entanto, ela vai além e não se prende aos problemas amorosos e familiares de sua protagonista. Na verdade, o livro traz uma sátira da sociedade atual e a preocupação das pessoas em estarem sempre conectadas buscando novas tecnologias e mais informações. Deste modo, é possível perceber nas entrelinhas muitas críticas que são feitas através de um humor irônico e inteligente.
Os personagens também contribuíram para o meu envolvimento, mas confesso que tive meus problemas com alguns. A protagonista Briddey é uma personagem um tanto imatura e passiva, o que normalmente teria me irritado muito. No entanto, as confusões em que ela se mete foram tão divertidas que eu acabei conseguindo passar por cima disso. Além disso, ela é muito beneficiada por dois coadjuvantes que interagiram bem com ela e que foram fundamentais para que eu me envolvesse com a história.
Um desses personagens é o colega de trabalho de Briddey, C. B. Schwartz. Ele é inteligente, carismático e com um senso de humor afiado que eu adorei. Os melhores momentos do livro foram com C. B, e eu confesso que preferia que ele aparecesse mais do que a própria protagonista. Já a outra personagem que roubou a cena foi Maeve, a sobrinha de 9 anos da Briddey. Ela é uma criança prodígio impressionante, com uma personalidade muito forte e uma determinação surpreendentes. Confesso que, em alguns momentos, a esperteza de Maeve foi quase inacreditável para uma criança tão nova. No entanto, o carisma dela é tão grande que acabei deixando isso de lado e simplesmente me divertindo com as coisas que ela aprontava.



Já os demais personagens são realmente complicados e foi difícil simpatizar com eles. Desde o começo, fica evidente que Trent é um cara egoísta e totalmente voltado para o trabalho. Ele não merece Briddey e passei o livro inteiro torcendo para que ela percebesse isso. Já as irmãs e a tia dela são irritantes, já que não demonstram nenhum respeito pela privacidade de Briddey e estão sempre se intrometendo na vida dela ou despejando seus problemas. Porém, é inegável que elas tiveram um papel importante na trama tanto por representarem comportamentos que muitas vezes acontecem na realidade quanto por mostrarem o quanto o excesso de conexão muitas vezes pode ser ruim.
Com relação à trama, preciso avisar que é preciso ir de mente aberta. Não espere explicações detalhadas e lógicas sobre os acontecimentos, pois não se trata de um livro de ficção científica como muitos imaginaram. Como eu disse, esse livro é uma sátira dos tempos modernos e, por esse motivo, ele está muito mais próximo da comédia. As situações vividas pelos personagens são bastante absurdas e o interessante não é entender por que ou como elas ocorrem, mas perceber as críticas e ironias que estão por trás.
Assim, achei que a autora conseguiu desenvolver a trama com fluidez, porque tudo foi retratado com muito humor. Eu me diverti muito enquanto lia e fui rapidamente envolvida pela história. No entanto, acredito que a segunda parte do livro poderia ser reduzida, pois tem vários acontecimentos que não são tão relevantes assim. Embora eu não tenha achado maçante, senti que a leitura perdeu um pouco o ritmo. Mas a boa notícia é que isso não se prolongou muito e do meio para o final o livro fica bastante dinâmico.
De um modo geral, Interferências é um livro leve e divertido, que traz críticas bastante pertinentes sobre o modo como temos sido afetados pela tecnologia. Fiquei muito feliz por ter decidido dar uma chance para este livro e gostei bastante da escrita da autora. É uma obra bastante polêmica, que desagradou algumas pessoas, mas acabou sendo uma ótima surpresa para mim. Então, recomendo para quem se interessou pela sinopse ir com a mente aberta e disposto a tirar suas próprias conclusões. Quem sabe vocês também não se surpreendem com a leitura?

[Resenha] O Príncipe Cruel


Olá, leitores! Como vocês estão? Eu preciso dizer que esse texto foi iniciado, apagado e começado de novo mais vezes do que eu consigo contar. Sempre achei que as resenhas mais difíceis de escrever são aquelas sobre livros que foram extremos, ou seja, aqueles que eu amei muito ou aqueles que eu detestei. Acredito que os sentimentos mais intensos sejam os mais difíceis de serem explicados. Felizmente, no caso da resenha de hoje, a dificuldade vem do fato de que o livro superou todas as minhas expectativas e foi um dos meus favoritos do ano.
Estou falando sobre O Príncipe Cruel, da Holly Black, que foi lançado esse semestre no Brasil pela Galera Record. Sabem aqueles livros que te prendem desde a primeira página, te deixam sem fôlego e, quando terminam, fazem você contar os dias para poder ler a continuação? Pois é, foi exatamente isso que essa leitura fez comigo. E, agora, estou aqui tentando encontrar as palavras para explicar os motivos que me levaram a gostar tanto desse livro.

Autora: Holly Black
Editora: Galera Record
Tradução: Regiane Winarski
Páginas: 322
Onde comprar: Amazon
Exemplar recebido de parceria com a editora.
Sinopse: “Jude tinha 7 anos quando seus pais foram assassinados e foi forçada a viver no Reino das Fadas. Dez anos depois, tudo o que ela quer é ser como eles – lindos e imortais – e realmente pertencer ao Reino das Fadas, apesar de sua mortalidade. Mas muitos do povo das Fadas desprezam os humanos. Especialmente o Príncipe Cardan, o filho mais jovem, mais bonito e mais cruel do Grande Rei. Para ganhar um lugar na Alta Corte, ela deve desafiá-lo... e enfrentar as consequências. Envolvida em intrigas e traições do palácio, Jude descobre sua própria capacidade para truques e derramamento de sangue. Mas, com a ameaça de uma guerra civil e o Reino das Fadas por um fio, Jude precisará arriscar sua vida em uma perigosa aliança para salvar suas irmãs, e o próprio Reino. Com personagens únicos, reviravoltas inesperadas, e uma traição de tirar o fôlego, este livro vai deixar o leitor querendo mergulhar de cabeça na continuação deste universo.”

Em O príncipe cruel, o mundo das fadas é real e Jude passou a fazer parte dele quando ainda era uma criança. Quando ela tinha apenas sete anos, sua casa foi invadida e seus pais mortos na frente dela e das irmãs, Viviane e Taryn. O assassino era Madoc, um feérico e pai da Viviane, a quem a mãe das garotas havia abandonado anos antes. Após matar os pais das meninas, Madoc decide levá-las ao mundo das fadas.
Dez anos depois, Viviane ainda se recusava a aceitar o pai e sonhava em voltar ao mundo dos humanos, mas Jude e Taryn esperavam se encaixar e encontrar um lugar para elas naquela corte. Para Taryn, a melhor forma de conseguir isso seria através no casamento. Jude, por outro lado, queria mostrar que tem habilidade o suficiente para garantir um lugar naquela corte, sem precisar de ninguém para isso. Porém, isso implicava em desafiar o Príncipe Cardan, o filho mais novo e mais cruel do Grande Rei de Elfhame.
“O que eles não sabem é que sim, eles me dão medo, mas eu sempre senti medo, desde o dia em que cheguei aqui. Fui criada pelo homem que assassinou meus pais, cresci em uma terra de monstros. Convivo com este medo, deixo que se assente nos meus ossos e o ignoro.”

Enquanto tenta provar seu talento, Jude acaba se vendo cada vez mais envolvida nas intrigas da Corte, descobrindo os perigos do Reino das Fadas e também uma grande habilidade para trapaças e derramamento de sangue. Com isso, Jude precisaria aprender rapidamente a entender os jogos de poder, não apenas para conseguir um lugar na Corte, mas para salvar a si mesma e aqueles que ama.



O Príncipe Cruel é um daqueles livros que conseguem capturar a atenção do leitor logo nas primeiras páginas. Com um início bastante intenso (para não dizer brutal), é impossível não ser impactado por essa história e querer descobrir o que irá acontecer com as três irmãs no Reino das Fadas. E, à medida que esse universo vai sendo apresentado, a leitura se torna cada vez mais envolvente. Quanto mais fundo a protagonista entra nos mistérios e intrigas daquele reino, mais dinâmica a trama se torna.
E por falar na protagonista, confesso que fui surpreendida por ela. Jude não é uma personagem fácil de se gostar e tive bastante dificuldade para entender a necessidade que ela sentia de se encaixar naquele reino e ser aceita pelos feéricos. No entanto, não nego que o fato de ser uma personagem imperfeita fez com que ela se tornasse uma protagonista muito mais interessante. Jude não é totalmente boa e nem totalmente má; tem virtudes e falhas que vão ficando evidente ao longo do livro, e demonstram o quão complexa e humana ela é.
“Eis por que não gosto dessas histórias: elas mostram que sou vulnerável. Por mais cuidadosa que eu seja, vou acabar cometendo outro erro. Sou fraca. Sou frágil. Sou mortal. E odeio isso mais que tudo. Mesmo que por algum milagre eu seja melhor que eles, jamais serei um deles.”
Já em relação aos demais personagens, me encantei por alguns, detestei outros e caí do cavalo algumas vezes. Porém, todos eles foram bem construídos e me surpreenderam em algum ponto da história. Meus favoritos foram, sem dúvida, a Viviane e o príncipe Cardan. Ela por ser uma personagem muito leal, que ama profundamente suas irmãs e que demonstra uma força e uma maturidade surpreendentes. Já o Cardan, é aquele típico anti-herói que sempre me agrada: com um humor ácido e, por vezes cruel, desde o início fica claro que esse personagem é mais do que aparenta. Assim como Jude, ele é um personagem interessante e complexo, que não se limita aos estereótipos de herói ou vilão, mas ainda possui o carisma que algumas vezes falta à protagonista.
“Claro que quero ser como eles. Eles são lindos como lâminas forjadas em fogo divino. [...] E Cardan é ainda mais bonito que o restante, com cabelos negros resplandecentes como a asa de um corvo e as maças do rosto angulosas o suficiente para partir o coração de uma garota. Eu o odeio mais do que a todos os outros. Eu o odeio tanto que, às vezes, quando olho para ele, mal consigo respirar.”

Preciso destacar também que, apesar de ser um livro protagonizado por adolescentes, ele não se perde em dilemas bobos e o romance não tira o foco da história. Por outro lado, a autora não comete o erro de trazer personagens maduros demais para sua idade. Ela conseguiu construí-los com conflitos e inseguranças que são tão típicas da adolescência, mas sem deixar que essas questões tivessem mais espaço do que o necessário. 



Além de personagens bem construídos, outro ponto alto do livro é a trama bem desenvolvida. O Príncipe Cruel não sobre de um mal comum em primeiros livros de série, que é a monotonia. Por mais que ele seja um livro de apresentação dos personagens e do universo, a autora consegue fazer isso sem tirar o ritmo da história. Os segredos sobre aquela Corte e sobre os próprios personagens contribuem muito para deixar a trama interessante e fazer com que a leitura se torne fluida.
“Tentei ser melhor do que todos eles e fracassei. Que tipo de pessoa eu poderia me tornar caso parasse de me preocupar com a morte, com a dor, com tudo? Caso eu parasse de tentar me encaixar nesse mundinho?”
Com relação à escrita da Holly Black, achei que, além de envolvente, ela foi bastante objetiva e clara. A autora não se perde em descrições excessivas ou explicações desnecessárias, mas consegue descrever os personagens, o universo e os acontecimentos com clareza o suficiente para que o leitor consiga imaginá-los.
Não posso deixar de mencionar também a edição, que está maravilhosa. A capa é linda, com detalhes em dourado e mantendo a ilustração do original. Além disso, na parte interna da capa, há um mapa relacionado ao universo da história. Já as folhas são amareladas, e a fonte tem um tamanho muito confortável para leitura. No geral, a Galera Record caprichou bastante nesse livro e eu fiquei absolutamente encantada.
Assim, O Príncipe Cruel foi uma grata surpresa que tive esse ano. Meu primeiro contato com a escrita da Holly Black não havia sido muito positivo e, por isso, me surpreendi por ter gostado tanto deste. É uma fantasia original, bem construída, com um universo cheio de mistérios e intrigas, e personagens complexos. Já estou ansiosa para ler os próximos volumes e descobrir o que irá acontecer. Recomendo muito para quem ama o gênero e está procurando uma nova série para iniciar.


Apaixonada por literatura desde pequena, nunca consegui ficar muito tempo sem um livro na mão. Assim, o Dicas de Malu é o espaço onde compartilho um pouco desse meu amor pelo mundo literário.




Facebook

Ofertas na Amazon

Instagram

Seguidores

Tecnologia do Blogger.

Mais lidos

Twitter

Newsletter

Arquivos

Editoras parceiras