A ansiedade tem sido um tema cada vez mais
frequente nos dias de hoje. Afinal, quem nunca se desesperou com a perspectiva
de chegar em um novo ambiente e conhecer outras pessoas? Ou, pior ainda, quem
nunca ficou se cobrando por sentir que os outros estavam progredindo enquanto a
sua vida não saiu como o esperado? Com as redes sociais, esse sentimento tem
sido ainda mais presente na vida das pessoas.
Por esse motivo, fiquei imediatamente curiosa
desde que vi Diário de uma ansiosa ou
como parei de me sabotar, que foi lançado no Brasil pela Galera Record. Com
uma escrita leve e muito bom humor, a autora Beth Evans traz situações do
cotidiano para falar sobre as dificuldades que muitos enfrentam ao chegar na
vida adulta e ainda abordar temas como ansiedade, depressão e TOC.
Autora: Beth Evans
Editora: Galera Record
Tradução: Giu Alonso
Páginas: 192
Onde comprar: Amazon
Exemplar recebido de parceria com a editora.
Sinopse: “Com ilustrações bem-humoradas, Beth Evans escreve sobre depressão, ansiedade, formulário, boletos e outros desafios para se tornar um adulto. A vida adulta não é fácil. E quem nunca fuxicou as redes sociais de amigos bem-sucedidos, só para se comparar, e acabou se sentindo pior ainda, que atire a primeira pedra. Contando suas próprias histórias vergonhosas, e outras mais sérias como depressão e TOC, a autora consegue extrair lições valiosas, sem perder a leveza diante da seriedade de diversos assuntos. Este livro é repleto de conselhos amigáveis sobre como cuidar de si mesmo, como procurar ajuda (não importa quais sejam seus problemas) e agarrar-se aquilo que te faz feliz – seja uma banda, seja uma maratona da Netflix. Beth Evans é uma contadora de histórias supercriativa, e seus desenhos complementam suas palavras com um humor único. Diário de uma ansiosa ou como parei de me sabotar é como um abraço do seu melhor amigo naqueles dias sofríveis. E, como melhor amigo, está aqui para dizer: ‘Você consegue!’.”
Com uma narrativa bem fluida, Beth Evans traz
em Diário de uma ansiosa ou como parei
de me sabotar relatos bem sinceros de momentos diferentes da sua vida, com
os quais os leitores poderão se identificar muito. Ela fala com muito bom humor
de situações da adolescência e, principalmente, da fase adulta que podem
parecer aterrorizantes quando vivemos. Assim, os relatos vão desde o pavor de
quando aparece um bicho em casa e precisamos lidar com isso, até questões
relacionadas com a nossa saúde mental.
“Errar faz parte da experiência de ser adulto, embora muitas vezes a gente veja os outros como sendo excelentes nisso, sem nunca dar uma mancada. A verdade é mais assim: as pessoas falham, e é falhando que elas aprendem a evitar essas falhas no futuro.”
Sem propor soluções mágicas, Beth Evans se
dedicou nesse livro a abordar as dificuldades dessa transição para a vida
adulta e como cada pessoa irá lidar de uma maneira diferente com as mudanças
desse período e com as expectativas que ele envolve. Além disso, ela procura
desmistificar questões relacionadas à saúde mental e, principalmente, tirar o estigma
de assuntos como depressão e ansiedade. Deste modo, é um livro para mostrar ao
leitor que ele não está sozinho e que é normal não se sentir bem o tempo todo.
Todo mundo que está ou já passou pela fase dos
20 e poucos anos sabe que essa transição não é fácil. Temos muitas expectativas
e quando nos deparamos com a realidade ela dificilmente se encaixa no que
imaginamos. O problema é que, muitas vezes, achamos que todos estão se saindo
muito bem e só nós ficamos para traz. E é isso que Diário de uma ansiosa ou como parei de me sabotar vem para
desmistificar.
Com uma escrita bem leve e divertida, Beth
Evans mostra que essa transição para a vida adulta é realmente complicada e que
é normal darmos alguns tropeços nesse caminho. Além disso, ela destaca o fato
de que não somos obrigados a estar bem o tempo todo e nem a seguir o mesmo
ritmo de amigos e familiares. Afinal, cada pessoa tem sua própria forma de
lidar com as mudanças da vida e não dá para nos medirmos pela vida dos outros.
“Sempre vai haver alguém, em algum lugar, se dando melhor que você. Também tem alguém pior que você. É um ciclo sem fim de competição totalmente desnecessário. [...] Mas a boa notícia é que você pode criar a sua própria definição de sucesso e progresso.”
Outro aspecto que achei interessante é o fato
de que, por mais que eu não tenha me visto em todas as situações narradas pela
autora, já que são relatos bem pessoais, consegui me identificar com muitas
questões que ela levanta sobre a vida adulta. Além disso, mesmo aqueles casos em
que eu nunca vivi nada parecido, a autora descreveu de uma maneira tão
habilidosa que consegui entender o que ela sentia.
Nesse sentido, um sentimento que me acompanhou
durante a leitura foi a empatia. Não apenas eu me senti confortada por ver
situações que demonstravam que eu não sou a única a estar tropeçando nessa vida
adulta, como parei para me colocar no lugar dos outros também. A autora fala
muito sobre como muitas vezes pensamos que as pessoas a nossa volta estão muito
bem (algo que as redes sociais reforçam muito), mas elas podem estar passando
por problemas que nem imaginamos.
“Pedir ajuda pode ser uma das coisas mais difíceis que uma você ou qualquer pessoa pode fazer. Para pedir ajuda, você precisa ficar vulnerável e parecer menos forte do que gostaria que as pessoas pensassem que é. Significa deixar alguém entrar em seu mundo e ver o quão complicado você é”.
É importante destacar ainda que o livro não
aborda apenas os problemas da vida cotidiana de um jovem adulto, mas de
questões ainda mais complicadas como depressão, TOC e ansiedade. A autora falou
de maneira bem honesta sobre saúde mental e a importância de discutirmos o
assunto. Além disso, sem tentar trazer soluções mágicas ou diminuir o
sofrimento de quem tem distúrbios psicológicos, ela passa uma mensagem de
esperança e de que é possível seguir em frente.
“Já é bem difícil lidar com a ansiedade sozinha, e bem pior quando as pessoas tentam sacanear você. Encontrar o equilíbrio é uma luta diária. (...) Mas cada passo em direção a dominar esses temores é positivo, e um passo atrás não significa que todo o seu trabalho não serviu de nada.”
Sobre a escrita de Beth Evans, foi uma ótima
surpresa. Ela conseguiu escrever com muita leveza e bom humor, mas sem diminuir
a importância de questões sérias. Além disso, a maneira como o livro foi
narrado parecia mais uma conversa entre amigos, o que deixou a leitura ainda
mais envolvente. Minha única ressalva, é que o livro poderia ser um pouco
menor, pois no final já estava começando a soar repetitivo. No entanto, isso
não chegou a comprometer, pois a importância do assunto e o humor presente no
livro contribuíram para manter meu envolvimento com a leitura.
“Naquele momento, nos tornamos adultas – mas que não sabiam como matar uma centopeia gigante. Então a gente se apertou atrás de um sofá para observá-la. Era fato consumado que não daria para se livrar do bicho, então chegamos à conclusão de que era melhor em paz se ele fizesse o mesmo com a gente. Às vezes, coisas de adulto são muito assustadoras, então você lida com elas da melhor forma possível.”
Com relação à edição, está muito caprichada. O
livro conta com ilustrações muito divertidas, feitas pela própria autora, e que
agregam bastante à leitura. Além disso, a fonte tem um ótimo tamanho para
leitura e a revisão está impecável.
Assim, Diário de uma ansiosa ou como parei de
me sabotar foi uma leitura que me divertiu e confortou ao mesmo tempo. Enquanto
lia, me identifiquei com várias situações relatadas por Beth Evans, mas também
me solidarizei com outras que eu nunca vivi. É um livro que fala com bom humor
sobre as dificuldades da vida adulta, mas que também fala de maneira muito
delicada sobre saúde mental e a importância de sabermos que não estamos
sozinhos. Em uma sociedade em que as pessoas são cada vez mais cobradas e que
as redes sociais mostram uma vida perfeita que (quase) nunca condiz com a
realidade, é bom ter um lembrete de que somos apenas humanos e, às vezes, as
coisas não estarão tão bem assim. O importante é seguirmos em frente, um dia de
cada vez.


















