[Resenha] Agora e sempre

6 de jun de 2019


Olá, pessoal! Como você estão? Hoje eu venho trazer uma resenha que venho enrolando há bastante para escrever, porque ainda não me sentia preparada. O livro Agora e Sempre, da Judith McNaught me despertou emoções muito fortes e foi difícil encontrar palavras para expressar bem o que senti enquanto lia e explicar o que despertou esses sentimentos.
Ouvi muitos comentários de que Agora e Sempre era um romance de época bem diferente do que estamos acostumados a ver e eu é mesmo. Porém, ele é também muito mais polêmico e eu não passei imune a isso. Portanto, se preparem que eu tenho muito a falar sobre essa leitura. Mas não se preocupem que eu não vou contar quais acontecimentos causaram tanta discórdia.

Autora: Judith McNaught
Tradução: Cristina Laguna Sangiuliano Boas
Editora: Bertrand Brasil
Páginas: 350
Classificação: + 18 anos
Onde comprar: Amazon
Exemplar recebido de parceria com a editora
Sinopse: “O premiado romance histórico da autora best-seller Judith McNaught com orelha assinada por Carina Rissi. Após perder os pais em um trágico acidente, Victoria Elizabeth Seaton é enviada para a Inglaterra, onde se espera que reivindique seu lugar de direito na sociedade inglesa. Assim que chega à suntuosa propriedade de Jason Fielding, ela é vista por seu tio Charles como a mulher perfeita para o sobrinho. Assustada com a má fama do marquês de Wakefield, Tory jamais pensaria que sob a frieza e a amargura de Jason haveria lembranças de um passado doloroso a atormentá-lo. Ele, por sua vez, acredita ser incapaz de amar de verdade, quem quer que seja. Juntos, Victoria e Jason descobrirão até que ponto se pode conter um coração que quer se entregar e todos os obstáculos que só um amor verdadeiro é capaz de vencer.” 
Em Agora e Sempre, a jovem Victoria Sealton precisa se mudar com a irmã para a Inglaterra após a morte dos pais em um acidente. Elas deverão viver com parentes da mãe, porém, precisarão ficar separadas. Enquanto a irmã é recebida pela bisavó, Victoria acaba indo viver na casa de um primo distante, o lorde Jason Fielding.
O que ela não esperava é que o primo pudesse se mostrar tão hostil com ela. Porém, sem ter para onde, ela acaba se vendo forçada a conviver com Jason e começa a perceber que, por mais que ele a irritasse e confundisse, também despertava nela uma inesperada atração. E o lorde, por sua vez, também não estava imune a personalidade e ao carisma da menina. Assim, com um grande empurrãozinho do tio dele, Victoria e Jason começam a descobrir sentimentos que não imaginavam que poderiam sentir.

Porém, será que isso seria o suficiente para apagar um passado de traumas e decepções?


A primeira coisa que eu preciso dizer sobre esse livro é que, para mim, ele se divide em dois. Na primeira metade, eu me diverti muito com a leitura e realmente me encantei com a escrita da autora. Da metade para frente, apesar de continuar com um bom ritmo, foi uma sequência de decepções que fizeram com que eu me irritasse mais a cada página. Portanto, vou apresentar primeiro os motivos que me fizeram gostar e depois o que me decepcionou (sem spoilers, não se preocupem).
O que fez com que eu me envolvesse de cara com o livro foi a escrita envolvente da autora e a forma direta com que ela apresenta os personagens e a realidade dos casamentos da época. Além disso, ela desenvolve a história de uma maneira muito dinâmica, dosando bem os momentos mais leves, com o romance e os dramas dos personagens. Assim, a leitura flui muito bem e não dá nem para sentir as páginas passando.
Outro ponto que foi fundamental para o meu envolvimento com o livro logo no início foi o carisma da protagonista. Victoria, ou simplesmente Tory, é uma personagem sensível e cativante, mas também forte, determinada e muito franca. Ela não tem medo de expor sua opinião e não abaixa a cabeça para ninguém, mantendo sua dignidade e suas convicções. Isso fez com que eu me encantasse com ela logo nas primeiras páginas e passasse a torcer muito por sua felicidade.
Já sobre o mocinho, Jason, não dá para dizer o mesmo. Ele é cínico, amargurado e grosso, tendo raros momentos em que se tornava um pouco mais agradável. Isso normalmente não me incomoda em livros, já me encantei por vários personagens que faziam o tipo ranzinza, mas que dava para ver que no fundo eram boas pessoas. Infelizmente, o Jason não me convenceu e eu não simpatizei com ele em momento nenhum.
No entanto, na primeira metade do livro o carisma da Victoria acabou me levando a torcer pelo casal. Ela é tão cativante e tem um jeito tão determinado de colocar o Jason no lugar dele que eu realmente acreditei que isso acabaria tornando o romance convincente e, principalmente, capaz de me cativar. Além disso, os diálogos entre os dois são divertidos e a relação é desenvolvida de um jeito muito natural, o que é um ponto muito positivo do livro.
O problema é da metade para a frente do livro. Há uma cena muito forte (e, na minha opinião, desnecessária), que muda tudo na história dali para frente. Por si só, ela já seria um ponto negativo do livro, ainda mais que acabou com qualquer possibilidade de eu vir a tolerar o Jason. Porém, o desenrolar do livro a partir daí foi extremamente problemático, com outra cena igualmente forte, o que fez com que eu me irritasse mais a cada página.
O que eu vi na segunda metade do livro foi uma sucessão de revelações, nem um pouco surpreendentes, que vieram só para justificar ações do Jason que não podem ser perdoadas. E o pior é que, para romantizar esse personagem, a autora acaba sacrificando todos os pontos que me fizeram gostar da Tory. Ela que era tão determinada e franca no começo do livro, se torna uma personagem passiva, manipulável e que fica se arrastando atrás do macho babaca.
São páginas e mais páginas de vitimização de um personagem que não é a vítima e distorção dos fatos para colocar a culpa na mulher. E isso ainda é justificado com frases do tipo “ah, mas era a sociedade da época”, “era uma cultura muito machista mesmo”, “a autora só estava retratando o período”. Primeiro que retratar uma época é muito diferente de romantiza-la. É possível mostrar o que acontecia em um determinado período sem tentar justificar ações injustificáveis. 



Além disso, o que mais me deixou inconformada foi ver pessoas falando que não tinha problema romantizar as situações retratadas porque era uma outra época, com uma cultura diferente da nossa. Que bom saber que o machismo e as relações abusivas acabaram e a gente pode encarar isso como algo do passado né? Seria tão triste se as mulheres ainda vivessem isso hoje em dia... Ah não, pera! Para quem não sabe, machismo ainda é real e mulheres morrem todos os dias nas mãos dos companheiros.
Não preciso nem dizer que, da metade para frente, é óbvio que eu já não conseguia torcer pelo casal. E, pior ainda, sequer tinha qualquer simpatia por eles. Por mais trágico que seja o passado do Jason, eu só conseguia sentir ranço por ele. E a Victória se revelou tão fraca e manipulável que foi impossível manter qualquer admiração por ela. E se, em um romance, você não gosta do casal principal e não torce para eles ficarem juntos, fica bem difícil aproveitar a leitura né?
Para completar, os demais personagens da trama são tão manipuladores que simplesmente não conseguia simpatizar com eles também. Com exceção dos criados do Jason, que apesar de fofoqueiros eram bastante divertidos, todos os outros tiveram pelo menos algum comportamento no mínimo questionável ao longo trama – o que obviamente foi justificado e romantizado pela autora também.
Com relação à escrita dela, o que eu posso dizer de bom é que é fluida, mantém um bom ritmo para a trama e retrata muito bem o período. As descrições foram muito bem-feitas por ela e não deixaram a leitura cansativa. Porém, ela pecou ao romantizar situações que não poderia e acrescentar situações que não contribuíram em nada para o livro e ainda trouxeram uma mensagem muito negativa.
E não posso deixar de mencionar também a edição da Bertrand Brasil. A capa é lindíssima; para mim, uma das mais bonitas de romances de época. Além disso, as páginas amareladas e o bom tamanho da fonte contribuem muito para uma leitura bastante confortável. Minha ressalva é a ausência de um aviso de que esse livro contém gatilhos. As cenas são fortes e explícitas, portanto, deveria haver algum tipo de alerta.
De um modo geral, Agora e Sempre tinha tudo para ser um romance de época incrível. Ele foge dos padrões e traz um retrato muito mais realista da época do que estamos acostumados a ver. Uma pena que o realismo tenha sido só nos momentos mais chocantes e o restante seja uma sucessão de romantização e tentativas de justificar o absurdo. Me decepcionei ao ver a mensagem de que o amor é capaz de transformar usada de uma maneira tão distorcida e, francamente, perigosa. Porém, sempre defendo que cada um leia e tire suas próprias conclusões. A escrita da autora é boa e certamente vocês não encontrarão uma leitura monótona.

13 comentários:

  1. Olá, tudo bem? Caramba, eu estava louca para ler esse livro, imaginando que seria uma leitura incrível; é realmente uma pena que a obra deixe a desejar em certos pontos. Adorei tua resenha sincera!

    Beijos,
    Duas Livreiras

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  2. Só vejo elogios sobre este livro mas agora fiquei pensando sobre o acontecimento que você falou na metade do livro que te deixou tão irritada assim. Acho que deve ser uma coisa bem intolerável mesmo para acabar fazendo desgostar do personagem e eu sou como você, tem coisas que não tem como tolerar.

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  3. Oi Malu! Poxa, que pena que acabou que o romance se perdeu! Comecei lendo a resenha achando que você ia se derramar em elogios e me deparo com isso! Odeio também começar uma leitura gostando e terminar detestando! E tudo estava indo tão bem até a metade como você disse.. Sinto muito!

    Bjoxx ~ Aline ~ www.stalker-literaria.com ♥

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  4. Oi, Malu!
    FINALMENTE ALGUÉM QUE ENTENDE O QUE PASSEI COM ESSA AUTORA!
    Mas no meu caso foi com Whitney, meu amor (argh! argh! argh! >.<').
    Eu até imagino o que foi que Jason fez que foi imperdoável e como ele é na verdade uma vítima de seu passado sofrido, isso justifica a mer** toda que fez e no final o amor vence tudo.
    Já vi isso em mais de um livro (não lembro se dessa mesma autora), mas eu simplesmente criei ranço desse tipo de situação que algumas autoras colocam em livros de época e justificam com um "naquela época foi assim" e romantizam a coisa toda! Se é pra colocar algo escabroso, coloca, mas não romantiza, não faz a mocinha super legal se arrastar atrás do escroto do "mocinho"... Meu, que raiva que me dá disso. Ótimo saber que esse livro tem esse elemento, passarei longe dele.
    E não leia Whitney, meu amor. De boas, segue a vida com alguma leitura que não te faça jogar o livro na parede.
    Muito amor pela sua resenha sincera ♥. São essas resenhas que me fazem não me arrepender de ter largado mão dos livros dessa autora.
    Bjos
    Lucy - Por essas páginas

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  5. Olá!
    Eu sou apaixonada por romances de época e, normalmente, os que leio sempre tem uma mocinha forte, decidida e até que "peita" sua sociedade, indo contra os costumes da época. Lendo sua resenha, percebo que eu não iria gostar desse livro por ter essa romantização. Uma pena mas dessa vez passo a dica mesmo.
    Abraços

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  6. Oi Malu, tudo bem? Antes de mais nada quero elogias essas fotos, pois estão lindas.
    Admito que a história não me atraiu, mesmo achando a capa desse livro linda hahaha. No entanto, entendo sua frustração sobre a mudança de história hahaha. Odeio iniciar uma leitura toda empolgada, gostando de tudo e na metade vir as decepções O.O hahahahah

    Sai da Minha Lente

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  7. Ooi,
    Acho que os romances de época estão em uma região muito complicada do pondo de vista social, super concordo com você que não podemos normalizar os comportamentos só por que eles eram aceitos na época. E muitas vezes os livros do gênero trazem situações e aspectos de relacionamentos que não são mais aceitos na nossa sociedade (graças a deus). Alguns acho que podemos considerar que são importantes pra manter a verossimilhança histórica, mas outros são realmente um desserviço. Apesar da sua resenha ter sido negativa, fiquei curiosa pra ler o livro como um exercício, pra tentar entender o que nos romances de época que eu tanto gosto, é realmente pertinente e o que deixa de ser saudável.


    Beijoos

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  8. Olá,
    Eu leio bem pouco de romance de época, então nunca li nada da autora, mas já ouvi tanto que ela escreve bem e que era escreve mal hahahaha. Então nem tenho tantos parametros pra julgar os livros dela, quem sabe mais pra frente não leio.

    Debyh
    Eu Insisto

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  9. Eu sou muito fã da Judith McNaught e este é um dos meus livros preferidos da autora, apesar do Jason. Sei que o que ele fez é imperdoável, não tem justificativa possível e sim a Judith romantiza algumas coisas, mas não acho que a Victoria se arrastou atrás dele ou que ele considerou o que fez como algo normal, aceitável. Todavia, entendo seus motivos para desprezar o livro. Hoje em dia eu também não tenho mais tolerância com certas coisas nos livros, mas na época que li eu consegui me apaixonar por esta história.

    Mas se tem uma história na qual a autora passou de todos os limites foi Whitney, Meu Amor. Acontece que se você ler as versões mais recentes publicadas do livro (uma em versão de bolso e outra a que foi lançada no ano passado) não encontrará mais tais cenas. Isso porque a própria autora censurou seu livro. Ela removeu uma das cenas e alterou o sentido da outra, anos mais tarde, porque ela própria se sentia incomodada com o que tinha escrito, mas isso porque ela própria era influenciada por escritores de sua época, que colocavam e romantizavam tais situações em seus livros.

    Espero que você não desista da Judith por causa da decepção com esta história. Ela tem livros realmente muito lindos e Alguém para Amar é um que possivelmente te apaixonaria, te envolveria por completo.

    Bjs!

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  10. Olá!

    Infelizmente os pontos negativos pesaram mais do os positivos, mesmo adorando romance de época acredito que deva existir um critério entre relatar e romantizar e se é para passar raiva durante a leitura eu prefiro passar. Por outro lado adorei seu ponto de vista e sua sinceridade, você realmente se expressa muito bem e sabe apresentar seu ponto de vista sem ofender, parabéns.

    Beijos

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  11. Malu, ainda bem que li sua resenha. Nossa tenho lidos tantos elogios desse livro. Eu tinha ficado interessada, pois a capa é linda. Agora quero distancia. Não suporto mais romantização de abusos, sejam eles sexuais ou psicológicos. Esse tipo de história é tão desnecessário no dias atuais. Não sei quando as aturas vão tomar consciência.

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  12. Estou com esse livro na fila e nunca tinha lido nada da autora, então foi bom ler sua resenha! É importante saber tanto as partes boas quanto as que deixam a desejar. Adorei sua resenha! Vou iniciar a leitura com o pé mais no chão.
    beijos

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  13. Eu li este livro tem muito tempo em uma edição de bolso e na época eu achei exatamente o que você expôs da resenha: romantização de relacionamento abusivo. Gostei da escrita da autora, mas não gostei do enredo.
    beijos

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