[Resenha] Na mesa do lobo

 


Recentemente, comentei aqui o quanto gosto de romances históricos, principalmente aqueles ambientados na II Guerra Mundial. Por isso, fiquei imediatamente interessada quando vi Na mesa do lobo, da autora Rosella Postorino, entre os lançamentos da Planeta da Livros.

Além de me interessar por ser um romance histórico, fiquei curiosa porque ele aborda um tema que nunca tinha visto em outro livro antes: as mulheres que trabalhavam provando a comida que seria servida ao Hitler para garantir que não estivesse envenenada. É um assunto que normalmente não é tão comentado e fiquei interessada em saber mais, especialmente porque a autora se inspirou na história de uma mulher que realmente existiu (mas o livro é uma obra de ficção).

Então, agora que já li Na toca do lobo, vim contar para vocês o que achei da leitura e do tema abordado.

 

Autora: Rosella Postorino

Tradução:Flavia Baggio

Editora: Planeta de Livros

Páginas: 272

Onde comprar: AmazonSubmarino

Exemplar recebido de parceria com a editora

Sinopse: “Best-seller internacional, inspirado na história de Margot Wölk e de outras mulheres obrigadas a provarem a comida antes que os grandes oficiais nazistas (e o próprio Hitler) a comessem “Chamavam-na de Wolfsschanze, Toca do Lobo. Lobo era o seu apelido. Ingênua como a Chapezinho Vermelho, vim parar na sua barriga. Uma legião de caçadores procuravam pelo Führer. Se o tivessem em mãos, acabariam comigo também.” Alemanha, 1943: Os pais de Rosa Sauer, uma jovem de 26 anos, se foram. Seu marido Gregor está longe de casa, lutando pelo Reich na linha de frente da Segunda Guerra Mundial. Pobre e sozinha, ela toma a difícil decisão de deixar Berlim, cidade devastada pela guerra, para morar com seus sogros no campo, pensando que lá encontraria refúgio. Mas, uma manhã, Rosa é procurada pela SS, a polícia militar do regime nazista: ela fora recrutada para ser uma das provadoras de comida de Hitler. Três vezes por dia, ela e outras mulheres são levadas à Toca do Lobo, o bunker do Führer, para experimentar suas refeições – potencialmente envenenadas. Forçadas a comer o que pode até mesmo matá-las, as provadoras começam a se dividir em aquelas leais a Hitler e mulheres que, como Rosa, insistem não serem nazistas... mesmo que arrisquem sua sobrevivência todos os dias pela vida do Führer.”

 

Em Na toca do lobo, vamos acompanhar a trajetória de Rosa Sauer, uma alemã que deixou a vida em Berlim buscando a segurança do campo. Ela havia perdido os pais e o marido tinha partido para lutar na guerra, então, ela decidiu fugir dos bombardeios e viver com os sogros em uma cidade pequena no interior. Mas quando chegou lá, foi recrutada pela SS (a polícia militar nazista) para trabalhar como uma das provadoras de comida de Hitler.

Junto com outras mulheres, Rosa era levada três vezes ao dia para comer a comida que seria servida a ele para garantir que não estivesse envenenada. Sendo forçadas a comer alimentos que poderiam mata-las, essas mulheres logo se dividem em dois grupos: aqueles leais a Hitler e aquelas que, como Rosa, diziam não serem nazistas. Assim, vamos acompanhando os conflitos de Rosa por tudo que acredita e o fato de estar se arriscando para salvar a vida de um homem que odeia, enquanto os últimos anos da guerra servem como pano de fundo.




Como mencionei, o que me atraiu em Na mesa do lobo foi a oportunidade de ver um lado da história sobre o qual eu conhecia muito pouco. Até então, eu não sabia praticamente nada sobre essas mulheres que arriscaram a vida comendo refeições que seriam servidas ao Hitler e fiquei muito curiosa para ver mais sobre o assunto. Nesse ponto, posso dizer que o livro não me decepcionou em nada.

Desde o começo fica claro que a autora, Rosella Postorino, fez um excelente trabalho de pesquisa. E ao longo do livro isso fica cada vez mais evidente. A autora explica em detalhes como era o trabalho dessas mulheres como provadoras e, especialmente, o quanto essa era uma tarefa arriscada. Não apenas pelo fato óbvio de que a comida poderia estar envenenada, mas também por serem mulheres à mercê de soldados nazistas.

Além disso, a autora fala sobre o lugar que elas trabalhavam, que era conhecido como a Toca do Lobo. Lá foi o principal esconderijo de Hitler e autora conta um pouco sobre como era a estrutura do local, como era feita a proteção e a forma que as pessoas que trabalhavam ali se organizavam. Porém, ao invés de se limitar ao que acontecia ali, a autora trouxe ainda como pano de fundo uma descrição dos últimos anos da guerra e as transformações ocorridas tanto na vida de pessoas comum, quanto daqueles que eram próximos ao Hitler. 



Já em relação à trama, senti que o ritmo oscilou em muitos momentos e a leitura acabou ficando um pouco cansativa. A primeira parte mais arrastada e depois alguns acontecimentos foram trazendo mais dinamismo para a história. Porém, os constantes flashbacks quebraram o ritmo e prejudicaram meu envolvimento com a leitura. Além disso, a escrita mais poética da autora não me conquistou. Em muitos momentos ela traz reflexões e divagações da protagonista que me deixaram confusa e tornaram a leitura mais lenta.

 Com relação aos personagens, confesso que não me conectei muito com nenhum. Porém, gostei de algumas mulheres que trabalhavam com a Rosa e de um dos soldados nazistas. Apesar de não serem personagens muito cativantes, eles trouxeram alguns conflitos interessantes para a trama e gostaria que tivessem sido mais explorados pela autora. Inclusive, achei que a última parte do livro deixou a desejar porque esses personagens acabaram sendo deixados de lado e eu gostaria de saber o desfecho deles.

De um modo geral, Na mesa do lobo foi uma leitura fascinante do ponto de vista histórico. A autora abordou muito bem o assunto e trouxe uma ambientação interessante e bem feita, que deixou claro todo o trabalho de pesquisa envolvido. A escrita dela não funcionou bem para mim e tive dificuldade para me envolver com a leitura, mas isso não diminuiu minha admiração pelo trabalho envolvido no livro. Então, para quem gosta de história e tem interesse em saber mais sobre a II Guerra Mundial, é uma leitura que vale a pena.


Apaixonada por literatura desde pequena, nunca consegui ficar muito tempo sem um livro na mão. Assim, o Dicas de Malu é o espaço onde compartilho um pouco desse meu amor pelo mundo literário.




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