[Resenha] Uma tocha na escuridão

19 de out. de 2020

 


Oi, pessoal! Andei um pouco sumida nos últimos dias, porque estava com a mente totalmente ocupada pela série Uma chama entre as cinzas. Então, o que eu vim fazer hoje? Trazer a resenha do segundo volume desta série.

Quando eu reli Uma chama entre as cinzas pude perceber mais detalhes que tinha deixado passar da primeira vez (resenha aqui) e isso aumentou minha ansiedade para a continuação, Uma tocha na escuridão. E, gente, mesmo tendo relido o primeiro recentemente, eu não estava pronta para esse livro. A Sabaa Tahir não me deu um minuto de paz, é tiro atrás de tiro.

Então, para quem quer uma leitura com fortes emoções, vem conferir esta resenha porque eu acho que esse livro é para você. E, não se preocupe, a resenha NÃO tem spoilers de Uma tocha na escuridão. Mas como se trata de uma continuação, recomendo que quem não leu Uma chama entre as cinzas, pare de ler a resenha agora.

 

Autora: Sabaa Tahir

Editora: Verus

Tradução: Jorge Ritter

Páginas: 434

Exemplar recebido de parceria com a editora

Onde comprar: Amazon | Submarino

Sinopse: O segundo livro da história épica e eletrizante sobre liberdade, coragem e esperança. Na continuação de Uma chama entre as cinzas, Laia e Elias estão em fuga, lutando pela vida. Após os eventos da quarta Eliminatória, os soldados marciais saem à caça dos dois enquanto eles escapam de Serra e partem em uma arriscada jornada pelo coração do Império. Laia está determinada a invadir Kauf, a prisão mais segura e perigosa do Império, para salvar seu irmão. E Elias está determinado a ficar ao lado dela — mesmo que isso signifique abrir mão da própria liberdade. Eles terão de lutar a cada passo do caminho se quiserem derrotar seus inimigos: o sanguinário imperador Marcus, a cruel comandante, o sádico diretor de Kauf e, o mais doloroso de todos, Helene — a ex-melhor amiga de Elias e nova Águia de Sangue do Império. A missão de Helene é terrível, porém clara: encontrar Elias Veturius e a escrava erudita que o ajudou a escapar... E acabar com os dois. Mas como matar alguém que você ama desesperadamente?

 

Uma tocha na escuridão começa exatamente onde paramos nos primeiro livro. Depois da Quarta Eliminatória, Laia e Elias fugiram de Blackcliff em direção à prisão de Kauf. Eles querem invadir a mais perigosa prisão do Império e libertar Darin, o irmão da Laia. Mas o caminho deles não será fácil. Além de serem procurados por ordens do novo Imperador, vão precisar enfrentar ataques de forças sombrias que querem impedi-lo e lidar com os horrores de tudo que viveram e fizeram.

Enquanto isso, Helene, a nova Águia de Sangue do Imperado, precisa cumprir sua missão: encontrar Elias e matá-lo. Mas ela é capaz de matar seu melhor amigo? Mas, em seu conflito sobre o que fazer e a quem ser leal, Helene vai descobrir que há muito mais em jogo. Suas ações vão refletir em todos aqueles que ama e até no destino do próprio Império.

 


Posso resumir essa resenha em “LEIAM ESSE HINO. SABAA PERFEITA, NUNCA ERROU”? Preciso dizer que vontade não me falta, mas vamos falar sobre Uma tocha na escuridão e por que ele é incrível.

Quando li Uma chama entre as cinzas, uma das minhas únicas ressalvas foi que achei que a maior parte do livro tem um ritmo um tanto lento. Já esse segundo volume é um verdadeiro teste para o coração. A trama tem um ritmo intenso desde a primeira página e me prendeu rapidamente. Eu simplesmente não conseguia largar o livro para nada.

Partindo de onde Uma chama entre as cinzas parou, Sabaa Tahir não perdeu tempo e já mostrou rapidamente como a situação dos personagens era difícil e perigosa. Com isso, já temos um clima de tensão desde as primeiras páginas que torna a leitura muito mais instigante e aumenta a nossa preocupação com o que irá acontecer a seguir.

Além disso, fica perceptível o crescimento dos personagens no primeiro livro e foi muito bom ver o quão bem a autora conseguiu desenvolvê-los. Os acontecimentos do livro anterior claramente transformaram os protagonistas e outros personagens ligados a eles, e podemos acompanhar as consequências dessas mudanças nesse livro. Eles se tornaram muito mais sofridos e carregam cicatrizes mais fundas, mas também estão mais maduros e aptos a enfrentar os desafios maiores que virão. 

Laia se tornou uma personagem muito mais determinada e forte. Tendo sobrevivido a tudo que a Comandante fez com ela, a menina que tinha fugido dos marciais no início do primeiro livro se tornou uma mulher mais consciente da sua força e do seu objetivo. Não que ela de uma hora tenha perdido seus medos e inseguranças, porque eles continuam lá. Mas seu amadurecimento foi evidente e gostei de ver como ela começou a lidar com a culpa e os temores que sentia.

Já o Elias continua sendo meu queridinho e senti ainda mais admiração por ele nesse livro. A forma como ele questiona as atrocidades cometidas pelo Império já demonstrava o seu senso de justiça e caráter forte. E, nesse livro, isso se torna ainda mais evidente. Elias está sempre disposto a proteger aqueles à sua volta, mesmo quando precisa se sacrificar para isso. Além disso, é impossível não se comover com a culpa e a dor que ele carrega por tudo que precisou fazer como máscara do Império e durante as Eliminatórias.  

Mas, nesse livro, temos um terceiro ponto de vista e alguns capítulos serão narrados pela Helene. Confesso que isso foi um dos motivos para eu demorar a ler Uma tocha na escuridão, porque eu realmente não gosto dessa personagem. Porém, preciso reconhecer que o ponto de vista dela foi fundamental para entendermos o que estava acontecendo no Império e o que estava por trás das ações do Imperador, da Comandante e do Portador da Noite. Além disso, no núcleo ao qual ela faz parte, são inseridos novos personagens que fizeram muita diferença no livro e tornaram a leitura ainda mais interessante. 



Outro ponto positivo desse livro é que a Sabaa Tahir expandiu ainda mais o universo da história e mostrou aspectos do Império que ainda não tinham recebido destaque. Com isso, conhecemos mais sobre a mitologia, principalmente as criaturas mágicas como djinis, efrits, etc, e sobre os outros povos que vivem ali, além dos eruditos e marciais. Então, se no primeiro livro a ambientação era limitada a Serra e a Academia de Blackcliff, agora conseguimos entender a vastidão do Império e sua complexidade e quão rico é o universo que a autora criou.

E o que eu posso dizer sobre a escrita da autora? A Sabaa Tahir me impressionou muito nesse livro com a forma brilhante com que desenvolveu essa história. Tudo que acontece tem um propósito e ela vai inserindo pequenas pistas que o leitor só vai entender na hora certa. A trama se desenrola com um ritmo intenso e não falta ação, mistério e romance, mas eu ficava o tempo todo pensando: onde isso vai dar? E quando as revelações finalmente chegaram, eu fiquei destruída e embasbacada com a capacidade da autora de me surpreender. Ela deixou pistas desde o primeiro livro, mas a gente só percebe quando ela quer. E isso é genial!

Deste modo, Uma tocha na escuridão é daquelas continuações que, por mais altas que fossem as nossas expectativas, elas ainda conseguem superar. Com um ritmo alucinante e revelações que me deixaram desmaiada no chão, esse livro foi uma verdadeira montanha-russa de emoções que me deixou sedenta pela continuação. O universo criado pela Sabaa Tahir é brutal e chocante, mas também é fascinante, cheio de magia e mistério. Já a jornada que os personagens embarcaram, se mostra cada vez mais perigosa e interessante, e eu não vejo a hora de saber onde ela irá leva-los.

E vocês, já leram a série Uma chama entre as cinzas ou têm curiosidade? Me contem aí nos comentários. E, para quem não leu ainda, aproveitem que o terceiro volume acabou de sair e agora vocês já podem comprar os dois primeiros também com a nova identidade visual. Vou deixar os links no final do post.

 

Uma chama entre as cinzas: Compre aqui

Uma tocha na escuridão: Compre aqui

Um assassino nos portões: Compre aqui 


Meus favoritos da Colleen Hoover + Próximos lançamentos

10 de out. de 2020

 


Se tem uma autora que eu fico curiosa sempre que vejo um novo lançamento, é a Colleen Hoover. Os livros dela sempre mexem comigo e mesmo não tendo lido todos que ela escreveu (ainda), estou sempre de olho para ver o que vem por aí.

Então, hoje vim falar um pouco sobre os meus livros favoritos dela e os lançamentos que estão vindo. Até o momento, já li 11 livros da autora, incluindo os três volumes da trilogia Métrica e seu primeiro thriller psicológico, Verity. Desses, eu gosto de praticamente todos, mas 2 se destacaram para mim:


É assim que acaba

Publicado pela Galera Record em 2019, esse é provavelmente o livro mais pessoal da autora, pois ela se inspirou um pouco no relacionamento dos pais. Ele me emocionou muito por abordar um assunto muito importante e que mexeu comigo. Acho que a Colleen me fez compreender um pouco melhor como é difícil sair de um relacionamento abusivo e a importância de falarmos sobre esse assunto. Tem resenha aqui, onde falo um pouco mais sobre como esse livro me tocou.

 

Editora: Galera Record

Páginas: 368

Onde comprar: Amazon - Submarino

Sinopse: O romance mais pessoal da carreira de Colleen Hoover, É assim que acaba discute temas como violência doméstica e abuso psicológico de forma sensível e direta.Em É assim que acaba, Colleen Hoover nos apresenta Lily, uma jovem que se mudou de uma cidadezinha do Maine para Boston, se formou em marketing e abriu a própria floricultura. E é em um dos terraços de Boston que ela conhece Ryle, um neurocirurgião confiante, teimoso e talvez até um pouco arrogante, com uma grande aversão a relacionamentos, mas que se sente muito atraído por ela.Quando os dois se apaixonam, Lily se vê no meio de um relacionamento turbulento que não é o que ela esperava. Mas será que ela conseguirá enxergar isso, por mais doloroso que seja?É assim que acaba é uma narrativa poderosa sobre a força necessária para fazer as escolhas certas nas situações mais difíceis. Considerada a obra mais pessoal de Hoover, o livro aborda sem medo alguns tabus da sociedade para explorar a complexidade das relações tóxicas, e como o amor e o abuso muitas vezes coexistem em uma confusão de sentimentos.


Todas as suas (im)perfeições

Outro livro da Colleen Hoover que deu um tapa na minha cara e me fez ver um assunto difícil por uma perspectiva totalmente diferente. Confesso que não esperava que ele pudesse me emocionar tanto, até por ser algo bem distante da minha realidade, mas foi o livro da autora que mais me abalou. Chorei horrores e considero um dos romances mais lindos que já li. Já postei resenha sobre ele também e vocês podem conferir aqui.


Editora: Galera Record

Páginas: 304

Onde comprar: Amazon - Submarino

Sinopse: Um inesquecível drama da autora de Verity e É assim que acaba sobre um casamento conturbado e uma promessa esquecida que pode ser capaz de salvá-lo.Todas as suas imperfeições narra a história de Quinn e Graham. Eles se conhecem no pior dia de suas vidas; ela chega mais cedo de uma viagem para surpreender o noivo, ele testemunha a traição da namorada. E é assim que ambos acabam no corredor de um prédio, trocando confidências, biscoitos da sorte e palavras de conforto.Fim da dança... se o destino não tivesse outros planos para os dois. Meses mais tarde, os acordes tocam para o casal mais uma vez e eles se reencontram. Graham está convencido de que são almas gêmeas. Quinn jamais se sentiu dessa forma antes. A intensidade do sentimento os assusta, mas eles mergulham de cabeça mesmo assim.O casamento é tudo o que sonhavam, a parceria perfeita. Mesmo nos momentos difíceis, sabem que podem contar com o outro. Nenhum deles desiste do amor que sentem. Até que a primeira nota dissonante abala a sinfonia do casal. Até que Quinn parece estar disposta a trocar tudo o que é pela única coisa que não consegue ser: mãe.A luta do casal por um filho arrisca os alicerces da relação. Quinn não pode engravidar. Graham não é um candidato para adoção por conta de um erro do passado. O impasse os deixa parados no salão, no silêncio. A orquestra está em suspenso. Os dois parecem surdos para a música do amor.

 

Além desses dois, tem outros dois que se aproximam muito deles na minha preferência. Um deles, surpreendentemente, é Verity. O polêmico thriller psicológico da autora foi uma leitura completamente perturbadora, mas que superou minhas expectativas e me deixou ansiosa para que ela publique mais livros deste gênero. Já o outro, também divide opiniões, mas tem um lugar cativo no meu coração: Talvez um dia. Eu amo tanto esse livro e a forma como ele mexeu comigo que nem sei explicar, por isso não vejo a hora de ler um dos próximos lançamentos da autora que chegarão no Brasil.

A Galera Record vai publicar dois novos livros da autora em breve, Talvez agora e Se não fosse você. Isso mesmo, teremos uma continuação para Talvez um dia e eu mal posso esperar para ler Talvez agora. Já o outro lançamento, Se não fosse você, é um new adult que foi bastante elogiado quando saiu nos EUA e eu estou mais do que ansiosa. Os dois já estão em pré-venda e vou deixar as sinopses e links para compra no final do post.

Agora quero saber: qual o seu livro favorito da Colleen Hoover? Tem algum livro dela que você ainda não leu mas quer muito? Me conta aí nos comentários.

 

Pré-venda

 

Se não fosse você

Editora: Galera Record

Páginas: 400

Comprar: Amazon

Sinopse: Em Se não fosse você, a autora #1 do New York Times Colleen Hoover fala sobre família, primeiro amor, luto e traição. Uma história emocionante que tocará os corações tanto de mães quanto de filhas. Edição limitada acompanhada de card + marcador. Morgan e Clara Grant são mãe e filha, e aparentemente não têm nada em comum. Morgan engravidou muito nova, com dezesseis anos, e está determinada a evitar que sua filha passe pelas mesmas dificuldades que enfrentou. Colocando sempre a família em primeiro plano, Morgan deixou os próprios sonhos de lado para dedicar-se à filha e ao marido. Clara, por sua vez, não quer seguir os passos da mãe – ela não consegue enxergar nada de espontâneo na personalidade de Morgan. No auge dos seus dezesseis anos, seu maior desejo é ir para a universidade estudar teatro, mesmo que os pais não incentivem a carreira. Com personalidades incompatíveis e objetivos divergentes, a convivência entre Morgan e Clara está cada dia mais insustentável. A única pessoa capaz de criar um ambiente de paz é Chris – marido de Morgan, pai de Clara, o porto seguro da família. Mas essa paz é quebrada após um trágico acidente que muda completamente a vida das duas. Enquanto Morgan luta para reconstruir tudo que desabou ao seu redor e encontra conforto na última pessoa que esperava, Clara só aumenta sua lista de rebeldias. Com o passar dos dias, novos segredos, ressentimentos e mal-entendidos fazem com que mãe e filha se afastem ainda mais... e a distância aumenta tanto ao ponto de uma reaproximação se tornar improvável. Depois de tanto tempo distantes e com muita coisa não dita, será que ainda há chances de que tudo fique bem? Em Se não fosse você, Colleen Hoover mais uma vez entrega aos leitores uma trama rica em desenvolvimento de personagens, fortes e complexas emoções e, principalmente, situações tão cruas quanto reais.




Talvez agora

Editora: Galera Record

Páginas: 352

Comprar: Amazon

Sinopse: Talvez agora – Sequência de Talvez um dia – coloca em evidência a vida dos personagens apresentados no livro anterior após Ridge e Sydney terem, finalmente, oficializado seu relacionamento. Agora que o relacionamento de Ridge com Maggie terminou, ele e Sydney estão explorando completamente essa nova liberdade de expressar seus sentimentos. No entanto, ele e Warren são o único suporte de Maggie... e devem aprender a lidar com a situação nesse novo contexto. Enquanto isso, Maggie está desfrutando da nova etapa de sua vida, embora ainda sinta algum ressentimento por tudo o que aconteceu. Após tantos anos vivendo uma relação já estável – e morna – com Ridge, Maggie não consegue prever o que a aguarda. A insegurança com relação a sua doença, o desejo de independência e a ânsia de viver novas e empolgantes experiências É nesse meio que entra Jake, o rapaz que a ajudou a cumprir o primeiro item em sua lista de coisas para fazer: pular de paraquedas. Ele está tão interessado nela quanto ela nele, mas Maggie arriscará viver um novo relacionamento e deixar o passado para trás? Por outro lado, Sydney, ao finalmente engatar a relação com Ridge, se vê realizada... Ridge representa tudo o que sempre sonhou em alguém e a química entre os dois é evidente. No entanto, a constante proximidade de Maggie a preocupa... E, mais uma vez, ela deverá ser forte para lidar com o assunto com o equilíbrio e maturidade que ele exige. Embalado por uma atmosfera musical e tratando de temas como amizade, lealdade e, principalmente, o real significado de união, Colleen Hoover retorna com a continuação de uma – ou várias? – história de amor, situações-limite e, principalmente, personagens perfeitamente imperfeitos. Talvez agora é contada não só sob um, mas vários prismas – e, como um bom romance, não podem faltar as boas doses de risos e as lágrimas.


[Resenha] A verdade segundo Ginny Moon

8 de out. de 2020

 


Sabe quando você lê a sinopse de um livro e sente que ele será diferente de tudo que já leu? Foi exatamente isso que senti quando conheci A verdade segundo Ginny Moon, do autor Benjamin Ludwig. Lançado esse ano no Brasil pela Verus Editora, esse livro tem uma premissa diferente e instigante, que despertou meu interesse logo de cara.

Terminei a leitura dele hoje mesmo e precisei vir contar o que achei. Como eu previa, foi um livro realmente diferente de tudo que já li. Tão diferente que é até difícil conseguir explicar o que senti lendo, mas vou tentar nessa resenha.

Então, se preparem para conhecer um pouco sobre Ginny Moon e como me senti acompanhando sua jornada. Mas não se preocupem, os segredos dessa história continuarão bem guardados e essa resenha é totalmente sem spoilers ok?



Autora: Benjamin Ludwig

Editora: Verus

Tradução: Débora Isidoro

Páginas: 336

Onde comprar: Amazon

Exemplar recebido de parceria com a editora

Sinopse: “A realidade é que todo mundo sabe o quanto Ginny Moon é espetacular ― seus amigos na escola, os colegas do time de basquete e, especialmente, seus novos pais adotivos. Eles amam a menina, portadora de autismo, mesmo sem entendê-la realmente. E querem, do fundo do coração, que ela se sinta incluída. O fato é que as coisas não são tão simples quanto parecem, e tentar fazer Ginny entender a realidade para ser incluída talvez não seja uma tarefa tão fácil. Porém o que eles não sabem é que Ginny não tem intenção nenhuma de ser incluída. Ela encontrou sua mãe biológica pela internet e está determinada a voltar para casa ― ainda que isso signifique roubar, mentir e retornar a um lugar extremamente perigoso. Porque Ginny deixou algo crucial para trás e está desesperada para recuperar aquilo que falta em sua vida. E não descansará enquanto não encontrar o que tanto procura. Brilhante e inesquecível, A verdade segundo Ginny Moon narra a jornada de uma garota para encontrar o caminho de casa. Um dos romances mais originais dos últimos anos, este livro vai arrancar lágrimas do leitor e fazê-lo torcer pela teimosa, impulsiva e heroica Ginny Moon.”

 

Ginny Moon é uma garota extraordinária. Há cinco anos ela foi resgatada de um lar onde sofria maus tratos e agora ela tem sua Família Para Sempre, pessoas que a amam e que fazem de tudo para protegê-la. Mas ela deixou algo para traz na sua antiga casa e precisa voltar para encontrar, mas ninguém quer levá-la. A sua nova família quer protegê-la e não entende a necessidade que Ginny tem de voltar para um lugar onde foi tão mau tratada.

Além disso, a chegada de um novo bebê mexe com os sentimentos de Ginny e afeta sua dinâmica com a nova família. Ela sente uma estranha necessidade de proteger o bebê, mas seus pais adotivos ficam receosos com a quase obsessão da menina. O relacionamento entre eles vai se tornando cada vez mais difícil, devido a dificuldade que os pais sentem de compreender as atitudes de Ginny e a ansiedade cada vez maior da garota em ir resgatar o que deixou para trás quando foi resgatada da casa de sua mãe biológica.

 



Acredito que a melhor forma para descrever A verdade segundo Ginny Moon é como uma leitura única. É uma história bastante original, que aborda assuntos importantes de uma forma que não tinha visto antes e que tem uma protagonista realmente especial.

Ginny Moon é adolescente de quatorze anos, autista. Ela tem uma grande dificuldade para lidar com seus sentimentos e expressá-los. Para Ginny, é muito importante ter uma rotina e estabilidade, tudo que não teve por grande parte da sua vida. Conviveu com maus tratos por anos e depois foi movida de lar em lar até ser adotada por seus Pais para sempre (como ela chama seus pais adotivos). Mas com a chegada de um novo bebê na família, Ginny sente uma necessidade cada vez mais intensa de ir em busca do que deixou na casa da mãe biológica, sua boneca bebê.

Mas o que é o grande diferencial do livro, na minha opinião, é o fato de que toda a história é narrada pela própria Ginny. Então, o leitor tem acesso a tudo que passa pela cabeça dela e acompanha toda sua angústia por não ser compreendida pelas outras pessoas e tentar lidar sozinha com seus sentimentos. Confesso que estar tão imerso na cabeça de Ginny pode ser angustiante e um pouco confuso muitas vezes. Como ela mesma tem dificuldade para processar tudo que está acontecendo ao seu redor, o leitor muitas vezes se sente tão perdido quanto ela. Isso tornou a leitura muito mais intensa e permitiu uma conexão maior entre o leitor e a protagonista, o que é algo muito especial.

No entanto, a conexão com os demais personagens foi bem mais difícil. Como só tinha a perspectiva da Ginny da história, muitas vezes tive dificuldade para entender as ações dos outros personagens. O pai adotivo foi o que me conectei com mais facilidade, porque foi quem eu senti que mais se esforçou para cativar a Ginny e entender a menina. A mãe adotiva por outro lado me irritou bastante e, por mais que eu buscasse compreender suas atitudes para proteger seu novo bebê, não consegui simpatizar com ela. Há também a psicóloga de Ginny, que me cativou por demonstrar uma real preocupação em garantir o bem estar da garota, mas também me irritou por não ver situações que eram muito óbvias. 



Com relação à escrita do autor, eu tive meus altos e baixos. Por um lado, gostei de como ele conseguiu me fazer sentir realmente dentro da cabeça da Ginny. Esse estilo de narrativa não é fácil, mas o autor conseguiu realmente construir a voz de uma garota de quatorze anos. Além disso, ele não caiu no erro de limitar Ginny ao fato de ela ser autista. Ao longo de todo o livro, vemos que apesar de sua mente funcionar de uma forma mais retraída e ela ter uma grande dificuldade para lidar com sentimentos e situações que fujam da sua rotina, ela é uma garota esperta, corajosa e muito determinada (além de tão teimosa quanto qualquer adolescente).

Por outro lado, senti que ele deu muitas voltas na trama e demorou a desenvolver algumas questões importantes. Com isso, a leitura se tornou bastante cansativa e eu tive dificuldade para me envolver com a leitura. A sensação que tive é que ele gastou um grande tempo da história dando voltas no mesmo ponto, e no final acabou deixando algumas questões mal resolvidas.

Porém, apesar das ressalvas, o livro tem muitas virtudes. O Benjamin Ludwig abortou temas muito importantes como autismo, violência contra crianças, adoção e família. Além disso, a mensagem deixada ao final da leitura foi muito bonita e trouxe a confirmação de que valeu a pena acompanhar a jornada de Ginny Moon. Cada momento dessa história, mesmo com seus autos e baixos, foi importante para um desfecho que trouxe lições sobre amadurecimento, família e amor.

De um modo geral, A verdade segundo Ginny Moon foi uma leitura realmente única. Com uma protagonista muito especial, esse livro leva a uma jornada intensa e muito original, que proporciona ao leitor reflexões e ensinamentos tocantes. E, mesmo que a leitura não tenha me envolvido como eu esperava, foi impossível não ser tocada pelo final dessa história e pelas mensagens que o autor passou.

Agora, quero saber quem aqui já leu ou quer ler A verdade segundo Ginny Moon. Me contem aí nos comentários o que acharam e se ficaram curiosos por esse livro.


[Resenha] Uma chama entre as cinzas

4 de out. de 2020

 

Reler um livro é sempre uma experiência interessante, que nos trás uma nova perspectiva sobre a história. Pode ser que a gente se decepcione ou que passe a amar o livro ainda mais, mas nunca saímos sem perceber algo novo. E não foi diferente comigo, quando reli Uma chama entre as cinzas, da Sabaa Tahir.

Eu li esse livro pela primeira vez em 2016 e ele foi o meu favorito daquele ano. Então, fiquei ansiosa quando decidi reler, com medo de não gostar. Porém, foi uma experiência tão interessante que eu decidi escrever novamente uma resenha sobre ele.

Digo novamente, porque já tem resenha sobre Uma chama entre as cinzas aqui, que eu postei lá em 2016. Mas senti necessidade de falar o que achei da leitura agora, estando alguns anos mais velha e tendo uma nova perspectiva da leitura. Será que eu gostei da experiência?

E, já aviso, que esta resenha NÃO tem spoiler do livro, ok? Podem ler tranquilos.


Autora: Sabaa Tahir

Editora: Verus

Tradução: Jorge Ritter

Páginas: 434

Onde comprar: Amazon

Sinopse: “ Uma história épica e eletrizante sobre liberdade, coragem e esperança Laia é uma escrava. Elias é um soldado. Nenhum dos dois é livre. No Império Marcial, a resposta para o desacato é a morte. Aqueles que não dão o próprio sangue pelo imperador arriscam perder as pessoas que amam e tudo que lhes é mais caro. É neste mundo brutal que Laia vive com os avós e o irmão mais velho. Eles não desafiam o Império, pois já viram o que acontece com quem se atreve a isso. Mas, quando o irmão de Laia é preso acusado de traição, ela é forçada a tomar uma atitude. Em troca da ajuda de rebeldes que prometem resgatar seu irmão, ela vai arriscar a própria vida para agir como espiã dentro da academia militar do Império. Ali, Laia conhece Elias, o melhor soldado da academia ― e, secretamente, o mais relutante. O que Elias mais quer é se libertar da tirania que vem sendo treinado para aplicar. Logo ele e Laia percebem que a vida de ambos está interligada ― e que suas escolhas podem mudar para sempre o destino do próprio Império.”

 

Laia é uma erudita. Seu povo foi dominado pelos marciais e desde então precisam seguir as leis tiranas do Império. Laia vive com seus avós e seu irmão mais velho em relativa paz. Não ousam desafiar o Império, porque já viram de perto o que acontece com quem faz isso. Os pais de Laia eram rebeldes e foram presos, torturados e mortos. Desde então, a família de Laia se manteve distante dos rebeldes.

Porém, tudo muda com uma batida dos máscaras – soldados do Império – na casa deles. O irmão mais velho de Laia é preso, acusado de traição, e se aliar aos rebeldes pode ser a única alternativa dela para libertá-lo. Mas, para receber ajuda, ela terá que cumprir uma missão para os rebeldes, se infiltrando como escrava na academia militar o do império.

É lá que o caminho de Laia vai cruzar com o de Elias, um máscara que está prestes a se formar na academia. Ele é o melhor soldado da sua turma, mas também o mais relutante. Elias não quer aquela vida e planeja fugir para bem longe do Império. Mas uma revelação faz com que ele precise reavaliar todos os seus planos.

Laia e Elias não poderiam ser mais diferentes, mas seus destinos parecem estar interligados de alguma forma. E as decisões que eles tomarem, irão afetar não só as suas vidas, mas o futuro do Império. 


Reler Uma chama entre as cinzas foi uma experiência cheia de emoções. Eu tinha altas expectativas porque, apesar de lembrar pouco da história, lembrava o quanto tinha amado esse livro. E confesso que, em alguns momentos, o medo de me decepcionar foi grande.

O início é bem instigante e dá a dimensão da brutalidade do universo que estava sendo apresentado. Logo nas primeiras páginas, vemos Laia ter a sua vida virada de cabeça para baixo pela maldade dos Máscaras, os soldados de elite do Império. E, se isso não fosse suficiente para demonstrar a crueldade desse mundo, vemos Elias, o melhor soldado de Blackcliff, planejando sua fuga por não suportar as atrocidades que precisaria cometer em nome do Império.

Mas, apesar do início de tirar o fôlego, o livro logo entra em um ritmo mais lento de que eu não me lembrava. Confesso que em alguns momentos, eu pensei até em abandonar a releitura e já partir logo para o segundo livro. Mas, ainda bem que não fiz isso, porque pude recordar muitos detalhes da trama e perceber como a Sabaa Tahir foi inteligente ao construir essa história. Acreditem, até mesmo os momentos que pareceram mais irrelevantes, demonstraram ser importantes depois.

Além disso, foi incrível me encantar novamente com esses personagens. Laia é uma personagem que me cativou rapidamente por toda a situação que enfrentou e pela coragem que demonstra. Ela está consumida pela culpa de ter abandonado o irmão e, muitas vezes, não percebe sua própria força. Mas, mesmo que ela se julgue uma covarde pelos momentos que demonstra medo, é impossível não ver a força em uma menina que enfrenta a crueldade da comandante, os ataques dos máscaras e todas as ameaças que seu povo sofre dentro do Império, e segue determinada a arriscar a vida para salvar o irmão. Se isso não é coragem, não sei mais o que é.

Já o Elias é dono do meu coração todinho. Novamente me encantei por ver a integridade e o senso de justiça dele. Ao invés de se deixar corromper pelo “poder” de ser um máscara, ele se sente cada vez mais oprimido pelas coisas que precisa fazer e pelas barbaridades que ocorrem com quem ousa desafiar o Império. Ele comete erros, faz algumas escolhas ruins, mas é impossível não admirar a generosidade dele e como preservou sua bondade, mesmo em um mundo tão cruel.

Tem também outros personagens que se destacam ao longo do livro e vão influenciando a trajetória da Laia e do Elias. A que mais se destaca é Helene, melhor amiga do Elias e personagem que mais me irritou durante o livro, mas que tem papel fundamental na trama e ganhará mais protagonismo nos próximos. Há ainda alguns bem misteriosos e que escondem segredos fundamentais para a história, como a cozinheira de Blackcliff, o ferreiro Spiro Teluman, o adivinho Cain e o líder rebelde, Mazen; e personagens carismáticos, como a escrava Izzy. Mas claro que um bom livro precisa de bons vilões e nesse temos a cruel Comandante de Blackcliff, o desprezível colega do Elias, Marcus, e um outro vilão que é apresentado e promete causar muitos problemas ao longo da série. 



Com relação ao universo criado por Sabaa Tahir, sua estrutura tem fortes inspirações no Império Romano, mas há também elementos da mitologia árabe que o tornam ainda mais fascinante. É um mundo muito brutal, baseado na força e na opressão, mas a autora aproveita isso para trazer reflexões e passar uma mensagem de esperança. É um livro que fala sobre tiraria, crueldade, sofrimento, mas também sobre resistência, fé, amizade e a crença de que o mundo pode ser melhor.

O ritmo da trama é lento por boa parte do livro, mas são momentos importantes para conhecermos os personagens e começarmos a entender aquele universo e o que está em jogo na história. Além disso, a Sabaa tem uma escrita envolvente e sabe exatamente o momento exato de trazer as revelações. Aliás, quando chega a hora das reviravoltas, o ritmo ganha um ritmo alucinante e fica impossível largar.

Não posso deixar de mencionar também que é uma série com muita representatividade. Sabaa fez questão de escrever uma história em que todos pudessem se ver e, por isso, temos muitos personagens não brancos. Inclusive, as capas da série ganharam uma nova identidade nos EUA, para evidenciar esta representatividade. A Verus Editora vai seguir essa mudança e o terceiro livro já será lançado seguindo a nova identidade, mas o primeiro e o segundo serão relançados com as novas capas (vocês podem conferir no final do post).

Quando li Uma chama entre as cinzas pela primeira vez, não esperava me encantar tanto. Agora que reli, me surpreendi ao encontrar ainda mais motivos para me encantar com essa série. O ritmo é mesmo mais lento do que eu me lembrava, mas os personagens são mais complexos também e o universo muito mais rico e fascinante. É um livro com uma brutalidade que eu vi poucas vezes, mas que mostra que, mesmo nos momentos mais cruéis, é possível encontrar esperança e uma razão para lutar.

E vocês, já conheciam essa série? Me contem aí nos comentários se já leram ou querem ler. E, para quem quiser conferir, o primeiro está disponível no Kindle Unlimited. Se você não assina ainda, pode experimentar por 30 dias grátis nesse link. 


Conheça as novas capas da série Uma chama entre as cinzas:



Uma chama entre as cinzas – Comprar: Amazon / Submarino

Uma tocha na escuridão – Comprar: Amazon / Submarino

Um assassino nos Portões – Comprar: Amazon / Submarino


[Resenha] As garras da desejo

28 de set. de 2020

 


Desde o primeiro livro que li da Elizabeth Hoyt, eu sabia que ela seria uma forte candidata a entrar na minha lista de favoritas da vida. E a caca livro, essa certeza se reforça. Meu contato mais recente com a escrita dela foi As garras do desejo, o aguardado terceiro volume da série A lenda dos quatro soldados.

Eu li os dois primeiros livros, O gosto da tentação e O sabor do pecado, e foram leituras maravilhosas e que me deixaram extremamente curiosa pelas continuações. E agora que a Record lançou o terceiro volume, por enquanto no formato digital, é claro que eu não ia perder tempo para ler né?

Então, hoje eu vim contar um pouco sobre o livro e o que achei da leitura. Mas não se preocupem porque esta resenha NÃO tem spoilers. Os livros da série são independentes, por isso, não vou comentar nada sobre os dois primeiros. Mas já deixo avisado que eu recomendo muito que vocês leiam a série na ordem, porque há uma subtrama que permeia os quatro livros e envolve os mocinhos destas histórias.

 

Autora: Elizabeth Hoyt

Editora: Record

Tradução:

Páginas: 358

Onde comprar: Amazon (e-book)

Sinopse: “A vida do soldado do livro As garras do desejo, Sir Alistair Munroe, era viajar exaustivamente para estudar, catalogar e publicar livros sobre a fauna e a flora. Porém, ele precisou lutar pela sua sobrevivência como soldado na guerra entre franceses e britânicos em suas colônias na América. Depois de retornar com muitas cicatrizes físicas e emocionais, o recluso naturalista se esconde em seu castelo na Escócia. No entanto, quando uma bela e misteriosa mulher bate à sua porta, os sentimentos que tanto reprimia vêm à tona novamente. Famosa por sua beleza, Helen Fitzwilliam viveu os últimos anos desfrutando do luxo da alta sociedade. Disposta a fugir dos erros do passado, aceita trabalhar em um castelo como governanta em troca de abrigo. Helen está determinada a começar uma nova vida e não vai deixar que nada a afaste de seu propósito. Alistair logo descobre que Helen é muito mais que uma mulher bonita. Corajosa e sensual, ela não se deixa intimidar pela hostilidade dele nem pelas cicatrizes em sua pele, e fica intrigada com a ferocidade do misterioso homem. Mas, quando Alistair começa a acreditar no amor verdadeiro, o passado secreto de Helen ameaça separá-los. Agora, os dois precisam lutar pela única coisa que nunca acreditaram que encontrariam: um final feliz. As garras do desejo é o terceiro livro da cativante série A lenda dos quatro soldados e uma releitura do clássico conto de fada A bela e a fera.”

 

Sir Alistair Munroe estava acostumado com a solidão e abandono de seu castelo. Ele vivia isolado em sua propriedade na Escócia desde que retornou da guerra dos EUA, com muitas cicatrizes físicas e emocionais. Sem esperança de algum dia conseguir voltar a ser feliz, ele se dedica a escrever o seu livro de botânica e evitar ao máximo o contato com outras pessoas. Por isso, quando uma mulher aparece em sua porta com os dois filhos, Alistair faz de tudo para mandá-los embora.

Mas Helen Fitzwilliam está determinada a ficar e dar um jeito naquela propriedade tão abandonada. Considerada uma beldade em Londres e sendo conhecida pela vida luxuosa que levava com a amante de um lorde importante, ela decidiu deixar tudo isso para trás e tentar mudar sua vida, pelo bem dos filhos. Helen não esperava encontrar uma propriedade tão descuidada, nem que o novo patrão seria tão amargo. Mas isso não fará com que ela desista, pois ali é o lugar ideal para fugir de seus antigos erros e garantir um futuro melhor para ela e sua família.

As discussões entre os dois são inevitáveis, mas não demora para os dois perceberem que há muito mais por trás das aparências. Aquela mulher insolente e que invadiu a cada dele, pode dar a Alistair algo que ele não se permitia há muito tempo: esperança. Já Helen, pouco a pouco, descobre que por trás de toda a amargura existe um homem solitário e que precisa desesperadamente de afeição. Mas quando Alistair começa a acreditar que a felicidade é possível para ele, o passado de Helen ressurge lançando uma sombra nessa esperança.



Se você também ama contos de fadas, deve ter percebido pela sinopse que As garras do desejo se trata de uma releitura de A Bela e a Fera. E posso dizer com tranquilidade, que foi uma das melhores que já li. A boa construção dos personagens e do romance tornaram única, uma história que poderia parecer já comum.

Sir Alistair se mostrou um personagem muito mais interessante e carismático do que eu esperava. Confesso que ando um pouco cansada de mocinhos que têm um passado triste e por isso se tornam amargurados e grosseiros, até encontrarem o verdadeiro amor, e tive medo que esse fosse o caso de Alistair. No entanto, ele vai tão além desse estereótipo que foi impossível não me encantar.

O que enfrentou enquanto esteve nos EUA e as cicatrizes que mudaram sua aparência, fizeram com que Alistair se tornasse um homem amargo e sem esperança, mas não mudaram sua essência. Não demora a ficar claro que se trata de um homem generoso, íntegro e justo, que só se isolou por medo do julgamento e por não acreditar que é possível voltar a ser feliz. Foi triste ver sua falta de esperança e o quanto ele se vê como um monstro, quando não poderia estar mais distante disso.

Além disso, gostei muito do fato de que Alistair não é perfeito. Ele é um personagem com muitas qualidades, que fazem com que o leitor se apegue e consiga admirá-lo, mas também tem seus defeitos e momentos de fraqueza. Isso contribuiu para torná-lo ainda mais humano e real para mim, o que fez com que eu me importasse e me comovesse mais com sua história.

Já a Helen é uma protagonista extremamente cativante, mas também inspiradora. É fácil pensar que a vida dela foi mais fácil que a de Alistair, afinal, ela não viu a barbárie de perto, não teve o rosto desfigurado e viveu por anos cercado por luxo e conforto. Porém, através dessa personagem vemos o quanto beleza e riqueza podem ser mais uma prisão, do que uma fonte de felicidade.

Ela nunca foi vista para além da sua aparência, sendo alvo de cobiça dos homens e julgamento das mulheres. Um erro que cometeu quando era jovem, determinou todo seu futuro, fazendo que a sociedade a condenasse e aos seus filhos também. E foi difícil ver isso, como as mulheres eram deixadas com tão poucas opções e sempre foram condenadas pela sociedade, enquanto os homens eram livres para agir como quisessem. Porém, amei ver a força de Helene para compensar o seu erro e dar uma vida melhor para os seus filhos. Sem dúvida, é uma personagem forte, determinada e muito corajosa, que enfrenta seus medos para ir em busca da felicidade. 



Com dois protagonistas assim, não preciso nem dizer que foi fácil torcer pelo casal. Mas a autora melhorou ainda mais com um bom desenvolvido. Eles começam com aquela típica troca de farpas divertidíssima, e adorei ver como a Helen sabe enfrentar Alistair sem medo algum. Mas os dois também aos poucos começam a ver além das aparências e enxergar as cicatrizes emocionais que carregam. Isso fez com que a evolução do romance fosse natural e trouxe um vínculo muito mais intenso e crível.

Outro ponto que amei na leitura foram os personagens secundários. Os filhos de Helene são crianças absolutamente adoráveis, muito carentes de afeto, mas também muito esperta. Os dois acrescentaram muitas doses de fofura ao livro que tornaram a leitura ainda mais especial. Há ainda a irmã de Alistair, que é uma personagem inteligente, muito a frente do seu tempo e que roubou a cena quando apareceu.

Com relação a trama, Elizabeth Hoyt se superou. O romance se desenvolve em um ritmo muito bom, mas também deixa espaço para momentos divertidos, ação e até um pouco de mistério. Aliás, existe um grande segredo que permeia a série e aqui são lançadas mais algumas pistas. Confesso que tenho as minhas teorias e não vejo a hora de a continuação para descobrir se acertei.

As garras do desejo foi, provavelmente, a maior surpresa que tive com essa série. Estava pronta para um romance sensual e com toques de mistério, como nos livros anteriores. Mas encontrei uma história sensível, encantadora e muito doce. Claro que tem a sensualidade característica dos livros da autora, mas isso fica em segundo plano quando comparado com tudo que os personagens enfrentam e com a mensagem de esperança e amor que o livro traz. Sem dúvida, é um daqueles livros que deixam um quentinho no coração e a sensação de ter lido uma história familiar, mas ao mesmo tempo única.

E vocês, já conheciam a série A lenda dos quatro soldados? Ficaram curiosos para conferir As garras do desejo? Me contem aí nos comentários.

 

Conheça a série

O gosto da tentação - Resenha aqui / Comprar: Amazon

O sabor do pecadoResenha aqui / Comprar: Amazon


[Resenha] Enola Holmes: O caso do marquês desaparecido + Filme

24 de set. de 2020

 


Ontem, chegou na Netflix um dos filmes mais aguardados e comentados do momento: Enola Holmes. Tendo nomes como Millie Bobby Brown, Henry Cavill, Sam Cafflin e Helena Boham Carter no elenco, não é surpresa que o filme tenha chamado tanta atenção. Mas vocês sabiam que ele é inspirado em um livro? Isso mesmo, Enola é uma adaptação e o livro está sendo relançado pela Editora Verus.

Enola Holmes: O caso do marquês desaparecido é o primeiro volume de uma série e já está em pré-venda, com previsão de lançamento para outubro. Eu recebi ele antecipadamente, em uma ação da editora, e já li. Então, hoje eu vim contar para vocês sobre o que é Enola Holmes e o que achei da leitura.

E, como já assisti o filme ontem mesmo, vou comentar o que achei da adaptação. Mas não se preocupem que a resenha é totalmente sem spoilers, tanto do livro quanto do filme, ok?


Autora: Nancy Springer

Editora: Verus

Tradução: Lívia Koeppl

Páginas: 179

Onde comprar: Amazon 

Exemplar recebido de cortesia da editora

Sinopse: Em Enola Holmes: O caso do marquês desaparecido, Enola Holmes ― irmã do famoso detetive Sherlock Holmes ― descobre no dia de seu aniversário de catorze anos que sua mãe desapareceu. Por conta dessa descoberta, ela embarca em uma viagem a Londres em busca de pistas que indiquem o paradeiro da mãe. Mas nada poderia preparar Enola para o que a espera na cidade grande. Ao chegar, ela se vê envolvida no sequestro de um jovem marquês. E, no meio de toda a trama, ainda é obrigada a fugir de vilões assassinos e tentar se esquivar de seus astutos irmãos mais velhos ― tudo isso enquanto reúne pistas sobre o estranho desaparecimento de sua mãe. Porém, nessa busca por sua mãe, ela conta com aliado muito importante: um caderno de mensagens cifradas deixado pela mãe. Ele será seu companheiro em todas as aventuras e confusões em que a astuta Enola irá se meter. Enola Holmes: O caso do marquês desaparecido deixa claro que a busca por aquilo que amamos nunca é em vão e os caminhos que devemos percorrer nessa jornada nem sempre serão suaves.

 

Enola Holmes vivia muito bem na sua casa no campo, com a mãe e poucos criados. Mas, quando no dia de seu aniversário de quatorze anos, a mãe desaparece sem deixar rastros, Enola sabe que precisa encontrá-la. Só que seus irmãos mais velhos – Mycroft e o famoso detetive, Sherlock Holmes – não pensam da mesma forma. Tudo indica que a mãe foi embora porque quis, então, a maior preocupação deles é garantir que a irmã receba a educação apropriada para uma dama. Algo que, na opinião deles, tem faltado na vida dela.

Porém, Enola está determinada a seguir as poucas pistas que sua mãe deixou e ir em busca de resposta para suas dúvidas. Assim, ela foge de casa e parte para Londres. Mas, no meio do caminho, Enola se depara com outro caso de desaparecimento: o sequestro de um jovem marquês.   Então, ela agora precisa achar a mãe, ajudar o marquês, fugir de assassinos e se esconder dos irmãos que estão tentando encontrá-la de qualquer forma.



Como uma pessoa que ama acompanhar as histórias de Sherlock Holmes, assim que soube do lançamento de Enola Homes – O caso do marquês desaparecido, já fiquei curiosa para ler. Uma menina tão jovem e que parece ser tão genial quanto seu irmão detetive já é uma protagonista que chama a atenção. Por esse motivo, assim que o livro chegou aqui, eu já corri para ler.

No entanto, já quero deixar claro que este é um livro bem diferente das histórias que Sir Arthur Conan Doyle criou. O foco aqui é a Enola, que só tem quatorze anos. Portanto, trata-se de um livro mais infanto-juvenil e com uma trama mais simples do que as histórias do famoso detetive. Porém, não pensem que isso seja algo ruim. Ao contrário, foi uma leitura que me surpreendeu, pois há muito tempo eu não ficava tão envolvida e cativada por um livro infanto-juvenil.

Enola é uma personagem totalmente cativante. Por um lado, ela tem suas inseguranças que foram resultado da perda precoce do pai, a fuga da mãe e os anos de negligência dos irmãos. Confesso que minha vontade era de entrar no livro, dar um abraço nela e dizer que ia ficar tudo bem. Porém, Enola também é uma personagem extremamente inteligente e determinada a provar seu talento. Mesmo tão jovem, ela tem uma personalidade forte e questionadora, que desafia os padrões da época.

Desse modo, foi impossível não me apegar a Enola e ver seu crescimento ao longo do livro foi algo muito cativante. Aliás, preciso destacar que a trajetória de amadurecimento desta personagem foi o aspecto que mais gostei no livro e que tornou a leitura mais especial para mim.

Mas e o famoso Sherlock Holmes aparece? Sim, mas de uma forma um pouco diferente do que estamos acostumados a ver. Tanto ele quanto Mycroft se mostram muitas vezes arrogantes e até mesmo machistas. Esses traços da personalidade do Sherlock talvez não ficassem tão evidentes nas histórias do detetive, porque o livro foi escrito por um homem e Sherlock era o personagem principal. Mas eu amei como a autora explorou mais esse lado dele e do irmão, e aproveitou para trazer vários questionamentos sobre o machismo na época e a forma como as mulheres eram (e ainda são) sufocadas pela sociedade. 



Com relação à trama, por ser um livro voltado para o público mais jovem, ela é bem simples e leve. Os dois mistérios da trama não são tão complexos ou elaborados, mas são coerentes com a idade da protagonista e com o tom mais lúdico da trama. Mas não pensem que a isso deixa a história boba ou muito infantil. É um livro que funciona para leitores de qualquer idade, pelas lições que transmite.

De um modo geral, Enola Holmes me encantou pela leveza da trama e pela força da sua protagonista. Amei ver Enola embarcando em uma jornada de autoconhecimento, enquanto tentava solucionar não apenas um, mas dois mistérios. Ela é uma personagem incrivelmente real e que tem suas inseguranças naturais da idade, mas que com muita inteligência e um espírito questionador foi enfrentando as limitações que eram impostas às mulheres e descobrindo quem ela realmente era. Sem dúvida, uma personagem que pode inspirar tantas outras meninas pelo mundo e mostrar que elas podem ser o que quiserem.


Copyright Alex Bailey
Copyright Alex Bailey

E o que eu achei do filme?

A adaptação que saiu ontem na Netflix é bem diferente do livro, mas eu amei isso. No filme, Enola é um pouco mais velha e ainda mais decidida que no livro. Além disso, ao mesmo tempo que desenvolve mais os mistérios da trama, o filme tem mais personagens e mais empoderamento feminino.

O elenco escolhido não poderia ser melhor e funcionou muito bem no filme. Millie Bobby Brown está incrível como a Enola, demonstrando um ótimo timing para o humor, mas também conseguindo trazer muita sensibilidade quando necessário. O Henry Cavill foi um Sherlock surpreendente e eu quero ver alguém terminar o filme sem amar esse homem. Já o Sam Cafflin conseguiu o feito de me fazer odiar um personagem dele, trazendo um Mycroft ainda mais insuportável que no livro.

E o que dizer da Helena Boham Carter? Ela aparece pouco no filme, mas suas cenas são as melhores. Cada flashback da Enola com a mãe derretia meu coração um pouco mais e confesso que uma cena em específico me deixou com lágrimas nos olhos.

De um modo geral, tanto o filme quanto o livro me encantaram, mas de maneiras diferentes. Enquanto o livro tem um tom mais lúdico e leve, a adaptação é mais dinâmica e intensa. Vale a pena conferir os dois e confesso que já aguardo continuações e estou torcendo tanto para a Netflix providenciar um segundo filme, quanto para a Verus publicar o segundo livro. Eu definitivamente quero ver mais aventuras de Enola Holmes.

Mas e vocês, já viram o filme? Me contem aí nos comentários o que acharam e se querem ler o livro. Enola Holmes: O caso do marquês desaparecido está em pré-venda na Amazon e vocês já podem comprá-lo com um pôster lindo através desse link