Imagine acordar em um hospital após sofrer
um acidente e não se lembrar de nada. Pior ainda, ser informado que estava
dirigindo em alta velocidade em um bairro que você nunca andaria? Pois é isso
que acontece no livro Uma estranha em
casa, da Shari La Pena, lançado pela Editora Record e que foi uma das
minhas leituras de junho. E que leitura, gente!
Sabe aqueles livros que prendem a atenção
do leitor e não dão vontade de largar por nada? É o caso de Uma estranha em casa! Thriller policial
escrito pela mesma autora de O casal que
mora ao lado, esse livro prendeu a minha atenção da primeira à última
página com uma trama ágil, bem construída e envolvente.
Autora: Shari Lapena
Tradutor: Márcio El-Jaick
Editora: Record
Páginas: 266
Onde comprar: Amazon
Livro recebido de cortesia da editora
Sinopse: “Karen Krupp acorda no hospital, sem ter a menor ideia de como foi parar nele. Tom, seu marido, diz que a porta estava destrancada quando ele entrou em casa, as luzes acesas, e que a esposa provavelmente saiu às pressas quando estava preparando o jantar, pelo que ele viu na cozinha. Karen perdeu o controle do carro enquanto dirigia a toda a velocidade e bateu de frente num poste. O mais estranho: o acidente aconteceu num dos bairros mais perigosos da cidade. A polícia suspeita de que Karen esteja envolvida em algo obscuro, mas Tom tem certeza de que não. Ele está casado com ela há dois anos, conhece muito bem a mulher. Será mesmo? Vai perguntar tudo a Karen quando chegar ao hospital, depois de dizer que a ama e que está feliz por ela ter sobrevivido, é claro. Mas Tom não obtém resposta nenhuma. Porque ela não se lembra de absolutamente nada.”
“Por que você fugiria de casa se tem uma vida feliz?”
Em Uma estranha em casa, o leitor irá se deparar com
um mistério logo nas primeiras páginas. Tom Krupp chegou em casa ansioso para
ver sua esposa, mas Karen não estava. Ela saiu deixando a porta aberta e sem
levar o celular e nenhum documento. Logo, um policial chega avisando que Karen
sofreu um acidente enquanto em alta velocidade em um bairro
perigoso da cidade.
A princípio, Tom não acredita que seja
mesmo sua esposa. Karen nunca dirige em alta velocidade, e o que ela estaria
fazendo em um bairro como aquele? Porém, era ela mesmo e, agora, ele e a
polícia precisavam de respostas. O problema é que Karen não se lembra de nada
daquela noite, nem mesmo o que a levou a sair de casa tão rapidamente que nem
trancou a porta. O que teria acontecido naquela noite?
Esse é o meu segundo contato com a escrita
de Shari La Pena e, mais uma vez, ela conseguiu construir uma trama instigante
e que prende o leitor desde o início. Já nas primeiras páginas ficamos
intrigados pela situação estranha em que Karen se envolveu. Porque uma mulher que, aparentemente, tem uma vida tranquila e regrada estaria dirigindo a uma velocidade elevada em um bairro tão perigoso e tão distante de sua casa. Mas, à medida que a
história avança, vão surgindo mais motivos para desconfiar dos personagens e muitas
teorias vão passando pela mente do leitor, o que torna a leitura ainda mais
interessante.
“Tom também está incomodado, uma questão tem lhe preocupado: será que ela não se lembra mesmo daquela noite? Ou simplesmente está escondendo algo dele? Desconfiança é um negócio insidioso: as dúvidas começaram a surgir, coisas que antes ele conseguia ignorar.”
No entanto, o suspense não é o ponto mais
forte do livro. Confesso que, lá pela metade do livro, eu já tinha percebido
muitas pistas e desvendado boa parte do mistério. Mas não pensem que isso deixou a leitura menos interessante. Tem dois aspectos que deixaram
a trama instigante e a leitura envolvente. O primeiro deles é o destaque dado
ao processo de investigação. Ao longo do livro, vemos a polícia coletando
provas, interrogando suspeitos e testemunhas e procurando pistas. Com isso,
mesmo quando já temos noção do que fato aconteceu naquela noite, podemos ver
todo o trabalho dos detetives e como eles vão juntando os pontos, o que é algo muito interessante de se acompanhar.
Somado a isso, há a ótima construção dos
personagens, que faz com que o leitor se envolva na leitura querendo conhecer
mais sobre eles. Karen e Tom são muito humanos e complexos, com camadas e
conflitos que vão sendo revelados ao longo do livro. Acaba sendo difícil não se apegar aos dois e se solidarizar ao perceber as dúvidas e as desconfianças se instalando entre eles e ameaçando seu casamento. Além disso, os personagens
secundários também são bem desenvolvidos e desempenham papéis relevantes na
trama. Em especial, eu adorei os investigadores do caso e confesso que adoraria
vê-los em outros livros.
Outro ponto que contribuiu muito para que
a leitura se mostrasse tão envolvente é a escrita fluida e direta da Shari Lapena. Ela conseguiu manter o ritmo da trama intenso e soube inserir elementos na
história que fizeram com que o livro continuasse interessante, mesmo quando supúnhamos
já saber todo o mistério. A todo momento, foram mostradas mais facetas dos personagens
ou alguma nova etapa da investigação que ajudaram a manter o envolvimento com o
livro.
“Tom quer que ela diga que é inocente. É tudo o que ele deseja. Para poder abraça-la e então decidir o que fazer. Quer defendê-la se for possível. É apaixonado por ela e isso não mudou. Fica surpreso com o fato de ainda poder amá-la mesmo sem confiar nela. Quer voltar a confiar.”
Além disso, achei que a autora foi muito
inteligente no desfecho. Quando eu tinha certeza de que já sabia tudo que
poderia descobrir sobre o mistério e os personagens, veio uma revelação que me
pegou de surpresa e mudou toda a minha percepção sobre o livro. Talvez, para
quem tenha o hábito de ler thrillers, não seja algo surpreendente. Porém, para
mim, acabou sendo o toque de mestre.
Deste modo, Uma estranha em casa acabou se mostrando um thriller bem construído,
com uma trama inteligente e personagens complexos e interessantes. Quem
não tem o hábito de ler o gênero, certamente será envolvido pela escrita ágil
de Shari Lapena e irá se surpreender com as revelações que ela preparou. No
entanto, mesmo para quem já está acostumado com livros de suspense e ache a trama
previsível, acredito que a leitura ainda valerá a pena por ter um enredo tão
dinâmico e gostoso de se acompanhar.