terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Dica da Malu: O Doador de Memórias

Autora: Lois Lowry
Editora: Arqueiro
Páginas: 224
As distopias estão na moda, tanto na literatura quanto no cinema. No entanto, esta não é uma ideia recente. A minha dica de hoje é uma prova disso. Publicado em 1994, o livro O Doador de Memórias, da escritora Lois Lowry, apresenta uma sociedade que aparentemente é utópica, mas, na verdade, se trata de um futuro pós-apocalíptico.
Neste universo que parece ser ideal, não existe sofrimento, dor, guerra ou desigualdade. As pessoas são totalmente conformadas com suas vidas e com a função que desempenham. No entanto, também não há emoções verdadeiras, nem sentimentos como amor e alegria. Além disso, apenas o presente é conhecido. O passado é ignorado por quase todos, exceto o Doador. Ele é encarregado de guardar todas as memórias do mundo, a fim de poupar as outras pessoas do sofrimento, mas manter a sabedoria para conduzir a sociedade em momentos difíceis.
Aos doze anos, todas as crianças são designadas para a profissão que deverão exercer. Jonas, o protagonista da história, é o escolhido para ser o próximo guardião. Ele passa a ser orientado, então, pelo Doador atual para a nova função. No entanto, a medida que vai seguindo com seu treinamento, Jonas conhece a realidade sobre aquele o mundo e percebe como o modo de vida daquela sociedade aparentemente perfeita era cruel e opressor.
Comparado com outras distopias, como Jogos Vorazes e Divergente, o universo criado por Lois Lowry parece ser mais simples. Inicialmente, não há desigualdade, nem um governo opressor e as pessoas não são divididas em facções. Aquela parece ser uma sociedade pacífica e sem problemas. No entanto, é justamente na simplicidade deste mundo retratado que são feitas importantes reflexões.
Como classificar aquele universo como um modelo de vida ideal, se as pessoas são privadas de suas emoções? É justificável, para manter a ordem e a paz na sociedade, privar as pessoas do que as torna humanas? É possível dizer que esse é um mundo mais justo se as pessoas são privadas de sua liberdade de sonhar, de sentir e de pensar por conta própria? Foram essas questões que mais me cativaram ao ler este livro.
Outra coisa que gostei é o fato de ser narrado em terceira pessoa. Tem sido cada vez mais comum o uso de narrador-personagem para contar uma história. Porém, em muitos casos, isso me incomoda por limitar o desenvolvimento dos demais personagens e do universo em que a trama se situa. Assim, o modo como O Doador de Memórias é narrado me agradou muito, pois deu uma visão mais completa da história, sem ficar limitado à visão do protagonista.
A história começa em um ritmo mais lento, mas se torna mais dinâmica à medida que o treinamento de Jonas avança e ele começa a questionar aquela realidade. Gostei da escrita de Lois Lowry, especialmente o modo como o  leitor vai conhecendo a realidade daquela sociedade junto com Jonas, à medida que ele avança em seu treinamento. E é a partir das descobertas dele sobre o passado, que começam os questionamentos sobre a “perfeição” daquele modo de vida. Assim, fica fácil para compreender a decepção e a angústia do garoto. 
Com um desfecho totalmente envolvente, O Doador de Memórias deixa o leitor ansioso por sua continuação. Felizmente, o segundo livro da série, A Escolhida, já está disponível no Brasil desde 2014, também publicado pela Editora Arqueiro. 

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