[Resenha] Trono de Vidro 3 - Herdeira do Fogo

Sinopse: “No terceiro livro da saga, Celaena ressurge das cinzas ainda mais forte e letal. E parte em uma jornada em busca de uma obscura verdade: uma informação sobre sua herança e seus antepassados que pode mudar sua vida e o futuro de dois reinos para sempre. Enquanto isso, forças sinistras começam a despontar no horizonte e têm planos malignos para dominar o seu mundo. Agora, depende de Celaena encontrar coragem para enfrentar tais perigos, além de seus próprios demônios, e fazer a escolha mais difícil da sua vida.”Autora: Sarah J. Maas / Editora: Galera Record / Páginas: 518 / Skoob / Comprar: Amazon


ATENÇÃO! A partir do segundo parágrafo desta resenha, há informações importantes sobre o desfecho de Coroa da meia-noite. Assim, não recomendo a leitura para quem não tenha lido os dois primeiros volumes da série.

Era a herdeira das cinzas e do fogo, e não se curvaria para ninguém.

Sabe aquela maldição do segundo livro, em que o primeiro volume de uma série é incrível, mas a continuação só te decepciona? No caso da série Trono de Vidro, achei que isso não aconteceria, uma vez que Coroa da meia-noite é ainda melhor do que o livro anterior. Porém, o terceiro livro “Herdeira do Fogo” foi um verdadeiro balde de água fria nas minhas expectativas e, se não fosse pelas últimas cem páginas totalmente eletrizantes, eu teria desistido da série.
Depois dos acontecimentos do livro anterior, achei que a história iria pegar fogo (trocadilho totalmente não intencional com o título), porém, alguns personagens que mudaram para pior e o excesso de tramas paralelas fizeram com que a narrativa perdesse o ritmo e a leitura se tornasse muito arrastada.


O livro começa alguns meses depois de Coroa da meia-noite, com Celaena já em Wendlyn. Assim, serão intercalados os pontos de vista de Celaena, Chaol e o príncipe Dorian. Há ainda um novo núcleo que foi o que quase me fez abandonar a leitura: as bruxas. Elas entram na trama se aliando ao rei de Adarlan em seus planos sombrios, mas não contribuíram em nada para o andamento da história.
Ainda de luto após o assassinato de Nehemia e sofrendo com o rompimento traumático com Chaol, Celaena precisa conseguir informações sobre as chaves de Wyrd com a rainha dos feéricos, Maeve. No entanto, para isso, ela precisará aceitar suas origens, incluindo sua verdadeira identidade como Aelin Galathynius e seus poderes, que ela nunca quis usar. Então, Celaena será treinada pelo príncipe feérico, Rowan, e somente quando ele a considerar pronta é que ela poderá falar com Maeve e conseguir as respostas de que precisa.

“Encheria o mundo com aquela luz, com a luz dela – o dom dela. (...) Não seria preciso um monstro para destruir outro monstro, mas luz, luz para guiá-la e afastar a escuridão.”

Enquanto isso, Chaol procura reunir informações que possam manter Dorian em segurança enquanto se prepara para cumprir sua parte no acordo que havia feito com seu pai e retornar para seu antigo lar. Já o Dorian se sente cada vez mais distante de seu amigo, mas começa a procurar sozinho uma maneira de conseguir controlar seu poder e evitar que seu pai o descubra.

– Não pode escolher quais partes vai amar. (...) – Assim como não pode escolher quais partes de mim aceitar.

Há ainda uma parte do livro que irá focar em Manon, uma bruxa do clã das Bico Negro. Três clãs diferentes haviam concordado em se aliar ao rei e cumprir uma missão dada por ele. Para isso, elas devem aprender a voar em criaturas monstruosas e muito perigosas, com as quais poderão realizar ataques mortais. Com isso, há uma competição sobre quem irá liderar a missão, e Manon, incentivada por sua avó, a líder das Bico Negro, faz de tudo para vencer esta disputa.
O primeiro, e maior, problema deste livro é justamente a parte focada nas bruxas. São capítulos que quebram o ritmo da história, e toda vez que o foco retornava para Manon eu já ficava com preguiça de continuar a leitura. Ela é uma personagem que não é carismática o suficiente para conquistar a simpatia do leitor e nem uma vilã forte o suficiente para despertar algum tipo de temor ou respeito. Assim, acrescentou pouco e sua jornada foi entediante.
Infelizmente, esse não foi o único problema do livro. Celaena, que havia se tornado uma das minhas personagens favoritas nos primeiros volumes, parece outra pessoa em Herdeira do Fogo. Eu tinha certeza de que ela surgiria forte, com sangue nos olhos e desejo de se vingar do rei e libertar seu povo da escravidão. Mas o que encontrei em boa parte do livro foi uma personagem apática, que se faz de vítima e desconta sua raiva em pessoas que não têm culpa nenhuma. Claro que não é assim o tempo todo e ela tem seus momentos em que vemos aquela personagem que tanto admirei nos dois primeiros volumes, especialmente nas últimas cem páginas. Mas, ela foi muito inconstante durante a leitura e mais me irritou do que agradou.


O Chaol também não está no seu melhor momento, apesar de ser mais interessante do que Celaena. Ao descobrir quem ela é de verdade e o poder de Dorian, ele fica dividido entre aqueles que ama e tudo que sempre acreditou ser o certo. Mas, mesmo irritada com essa relutância dele em se posicionar, gostei de acompanhar a jornada do capitão. Em especial, achei bonito que, mesmo afastado de Dorian, Chaol ainda é leal ao amigo e procura defende-lo de todas as maneiras.

O capitão olhou para o amigo, talvez pela última vez, e disse o que sempre soubera, desde que se conheceram, quando entendeu que o príncipe era seu irmão de alma. – Amo você.

No entanto, o livro também tem aspectos positivos e o maior deles atende por Dorian Havilliard. É impressionante ver o quanto ele amadureceu e se tornou mais forte. Aliás, do trio principal, ele é de longe o mais equilibrado e cativante, e o mais digno de um desfecho feliz.
Há ainda novos personagens que agregam bastante à trama. Rowan, o príncipe feérico responsável pelo treinamento de Celaena, é um personagem forte e sábio, que divide com o Dorian o posto de melhor pessoa do livro. Outro grande destaque é Aedion Ashryver, personagem sobre o qual não posso falar muito para não estragar a leitura de vocês, mas que foi muito bem construído pela autora.
Com relação a escrita de Sarah J. Maas, achei que nesse livro foi muito mais inconstante que nos anteriores. Em alguns momentos, a leitura se tornou excessivamente arrastada e foi difícil ter paciência com as atitudes de alguns personagens. No entanto, ela conseguiu se recuperar e criar momentos que realmente envolvem e surpreendem o leitor.
Assim, apesar de ter me decepcionado com a leitura de Herdeira do Fogo, é um livro que ainda recomendo pela série da qual ele faz parte e por tudo que acontece no final. A autora Sarah J. Maas construiu um universo rico e uma trama cheia de reviravoltas, e os tropeços não são fortes o suficiente para apagar os pontos positivos. Além disso, o desfecho é impactante e já adianto que comecei a ler Rainha das Sombras, quarto volume da série, e está incrível. Em breve, vou trazer a resenha sobre ele para vocês.

Agora, quero saber de quem já leu este livro o que acharam da leitura e se estão animados pelos próximos volumes da série. 

Apaixonada por literatura desde pequena, nunca consegui ficar muito tempo sem um livro na mão. Assim, o Dicas de Malu é o espaço onde compartilho um pouco desse meu amor pelo mundo literário.




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