Sinopse:
“Uma nova vida. Um novo amor. Um perigo real. A nova série da autora de A
garota do calendário “Eu te amo. Eu te quero. Eu nunca vou te deixar.” Gillian
Callahan entra em pânico só de ouvir esse tipo de frase. Por anos ela viveu uma
relação abusiva com seu ex-namorado violento. Agora ela está livre e segura,
trabalhando para uma fundação de apoio a mulheres vítimas de violência — a
mesma que a resgatou e salvou sua vida. Gillian não quer saber de homem nenhum.
Até conhecer Chase Davis, o presidente da fundação. O bilionário é tão sexy e
sedutor que Gillian fica sem chão. Chase sempre consegue o que quer — e ele
quer Gillian. Agora ela terá de enfrentar a batalha entre o desejo e o medo.
Gillian vai conseguir confiar em Chase? Ela está segura com ele? E quão
perigoso pode ser um passado sombrio... não só o dela, mas o do homem que ela
aprendeu a amar?”Autora:
Audrey Carlan / Editora: Verus / Páginas: / Skoob / Comprar: Amazon
Quem acompanha as listas de livros mais
vendidos deve ter visto que a série A
garota do calendário apareceu em quase todas o ano passado. Recentemente, a
editora Verus publicou Corpo, o
primeiro volume de Trinity, a nova
série da mesma autora. Confesso que nunca tive muita curiosidade pelos livros
da Audrey Carlan, mas quando recebi esse livro de cortesia do Grupo Editorial
Record resolvi fazer uma tentativa e conhecer a escrita dela.
Em Corpo,
o leitor é apresentado à protagonista Gillian Callahan. Ela vivenciou por anos
um relacionamento abusivo, mas foi resgatada por uma fundação que ajudava
mulheres vítimas de violência doméstica. Agora, ela trabalha nessa mesma
organização e tem uma vida segura e estável, rodeada por amigas que são como
irmãs para ela. Seu foco está totalmente voltado para o trabalho e as amigas, e
romance não faz parte dos seus planos.
No entanto, quando seu caminho cruza com o
do bilionário Chase Davis, a vida de Gillian vai virar de cabeça para baixo.
Eles se conhecem por acaso no bar de um hotel, porém, logo ela descobre que
evitá-lo não será tão fácil. Afinal, ele é o presidente da fundação onde ela
trabalha.
A fórmula já é bem conhecida em romances
eróticos e, normalmente, não me interessaria por este enredo. No entanto, achei
interessante a autora falar sobre a violência doméstica e essa foi minha maior
motivação para realizar essa leitura. Não é um tema muito comum nesses livros e
fiquei curiosa para saber como ele seria trabalhado.
Assim, o aspecto que mais gostei em Corpo é que a autora reforça o tempo
todo que a violência nunca é culpa da vítima. Audrey Carlan não suaviza as
agressões sofridas por Gillian e nem os efeitos que eles tiveram, tanto físicos
quanto psicológicos. Além disso, ela mostra o quanto esse tipo de relação é
tóxica e muitas vezes a própria vítima tem dificuldade em reconhecer que aquilo
é errado. Deste modo, ao invés de julgar mulheres que passam por essa situação,
é importante apoiá-las e tentar dar apoio para que elas possam se reerguer.
No entanto, se a abordagem que a autora
faz sobre relações abusivas e violência doméstica é o ponto positivo do livro,
ele foi perdido na construção do romance. Além de ser mais um caso daqueles em
que o casal tem uma paixão imediata e incontrolável, Chase é um homem mandão,
controlador e, muitas vezes, invasivo e Gillian aceita. Uma mulher que viveu
por anos em uma relação onde era constantemente sufocada, que se orgulha de ter
se libertado e se tornado independente, simplesmente concorda em ter um homem
controlando a vida dela, desde sua roupa até os lugares onde vai. Cadê a coerência, miga?
Anuo, sem saber ao certo como continuar lutando. Toda
a sua essência emana confiança e controle, e eu estou murchando sob a pressão
de estar perto dele. Ele é o sexy Super-Homem, mas parece estar se tornando
minha kriptonita.
Chase passa o tempo todo afirmando sua
posse sobre Gillian e, apesar de levemente incomodada, ela sempre acaba cedendo
e falando que é dele. É uma submissão cega, como se a atração física
justificasse isso. Além disso, me incomoda o fato de que o tempo todo ele
compra roupas para ela, escolhe o que ela vai comer, e chega ao absurdo de
mexer na conta bancária dela sem autorização; tudo isso com a justificativa de
que ele pode pagar. E, mais uma vez, Gillian aceita sem impor resistência.
Isso acaba me levando a outro problema do
livro: o romance de Gillian e Chase se resume a atração e ao dinheiro. Não há
convivência suficiente, não há diálogos interessantes e nem troca de opinião. Eles mal se
conhecem e simplesmente não conseguem ficar longe um do outro. Além disso,
Chase está constantemente usando ou a atração que Gillian sente por ele ou o
deslumbramento que ela tem pelo luxo que ele oferece para controlá-la. Mas isso
é colocado no livro como algo muito romântico e não abusivo.
– Agora, diga de novo que você não é minha mulher –
ele exige. Fecho os olhos e aceito meu destino. – Não posso – respondo,
percebendo que nunca houve outra opção. Desde o minuto em que conheci Chase,
ele me teve.
Com relação à construção dos personagens, achei
que foi muito rasa, sem quase nenhuma evolução ao longo do livro. No entanto, ainda consegui simpatizar mais com as amigas de
Gillian do que com o casal principal. Apesar de não aparecerem tanto, Maria,
Bree e Kat são divertidas e é bonito ver o laço sincero que as une. É uma
amizade para todos os momentos, o que significa que elas se apoiam na
dificuldade e vibram juntas nas alegrias.
No entanto, não preciso nem dizer que não
gostei do casal principal, né? Gillian tinha tudo para ser uma personagem que
eu iria admirar. Ela superou um passado muito difícil e conseguiu se tornar uma
pessoa independente, construir uma boa carreira e ajudar mulheres que passaram
por situações parecidas. No entanto, não dá para desculpar uma pessoa que viveu
a experiência de um relacionamento tão tóxico aceitar um homem agindo como se
fosse seu dono só porque ele é rico e incrivelmente bonito.
Já o Chase é um homem machista e
controlador, apesar da autora tentar justificar isso o livro inteiro. E eu sei
que vão ter pessoas que vão falar que ele faz isso porque está totalmente
apaixonado por ela e quer protege-la, que na verdade ele é um homem carinhoso e
atencioso. Mas não é. Ninguém se apaixona em duas semanas e, mesmo se fosse
esse o caso, nada dá a ele o direito invadir a privacidade dela daquela forma e
agir de maneira tão possessiva.
Quero estar louca da vida com ele. Eu estou louca da
vida, mas, quando suas mãos estão sobre mim, eu me derreto.
A escrita da
autora é bastante envolvente, o que torna a leitura muito fluida. Tudo se desenvolve
rapidamente no livro, o que faz com que o leitor não sinta o tempo passar. Porém, em alguns momentos isso foi um defeito, pois não há o desenvolvimento apropriado de alguns aspectos. Além disso, as cenas mais quentes me cansaram porque, apesar de bem escritas,
são excessivas. Como o relacionamento do casal principal é baseado quase que
exclusivamente na atração, tem cenas de sexo praticamente o livro inteiro.
Com relação à edição, achei que a Verus
acertou mais uma vez. A capa ficou muito bonita; mais sensual, por se tratar de
um romance erótico, mas não é nada vulgar. Além disso, as páginas são amareladas
e a fonte e o espaçamento têm um bom tamanho para leitura.
Apesar de ser meio óbvio, não posso deixar
de avisar que este livro é totalmente
inadequado para menores de 18 anos. Não só pelas cenas muito detalhadas de
sexo, mas também por ter momentos de muita violência.
Corpo
é uma leitura fluida e envolvente, e, se você leu a série A garota do calendário e gostou, provavelmente irá apreciar esse livro. Para mim, não funcionou tanto, pois vi muitos estereótipos que me
incomodaram, os personagens são superficiais e não gostei do desenvolvimento do
romance. Além disso, a proposta da autora de falar sobre relações abusivas e violência doméstica ficou totalmente perdida quando ela romantizou um relacionamento que é quase tão tóxico quanto. No entanto, vou levar os títulos em consideração e esperar que nos
próximos livros haja um desenvolvimento maior e que pelo menos parte dos
problemas. Afinal, se o primeiro livro chama Corpo e foca mais no aspecto físico dos personagens, espero que a
continuação, chamada Mente, trará um
desenvolvimento maior do lado emocional.
Agora, quero saber se você já conhece o
trabalho de Audrey Carlan e se leu ou pretende ler sua nova série. Me contem aí
nos comentários e deixem a opinião de vocês, caso já tenham lido.