Sinopse:
“A cada geração na ilha de Fennbirn nascem rainhas trigêmeas: três herdeiras da
coroa, cada uma com um poder mágico especial. Mirabella é uma elemental, capaz
de produzir chamas e tempestades com um estalar de dedos. Katharine é uma envenenadora, com o poder de
manipular os venenos mais mortais. E Arsinoe é uma naturalista, que tem a
capacidade de fazer florescer a rosa mais vermelha e também controlar o mais
feroz dos leões. Mas para coroar-se rainha, não basta ter nascido na família
real. Cada irmã deve lutar por esse posto, no que não é apenas um jogo de ganhar
ou perder: é uma batalha de vida ou morte. Na noite em que completam dezesseis
anos, a batalha começa.” Autora:
Kendare Blake / Editora: GloboAlt / Páginas: 304 Comprar:
Aqui.
Eu
conheci o livro “Três coroas negras” quando ele foi lançado no exterior e
fiquei imediatamente apaixonada pela capa (antes de ler a sinopse, confesso).
Então, quando a GloboAlt anunciou que iria publicá-lo no Brasil eu fiquei
extremamente ansiosa para ler. Primeiro, por ter visto comentários positivos
sobre ele. Segundo que, depois de ler a sinopse, imaginei se tratar um livro
cheio de ação, com uma sociedade cruel e bárbara, e protagonistas muito fortes, que iriam se rebelar contra essas regras absurdas,
quase uma mistura de Jogos Vorazes com A Rainha Vermelha. O que eu encontrei foi
bem diferente do que eu esperava, porém, isso não é exatamente ruim.
Neste
livro, temos três rainhas, Katherine, Arsinoe e Mirabella, irmãs trigêmeas que,
a partir da comemoração do seu aniversário de 16 anos, terão um ano para lutar
pelo trono até que apenas uma delas sobreviva e se torne a rainha da Ilha de
Fennbirn. Cada uma dessas rainhas pertence a uma espécie de clã daquela
sociedade: os envenenadores, os naturalistas e os elementais. Assim, os poderes
delas estão associados ao núcleo a que pertencem.
Os
envenenadores vêm controlando o trono há várias gerações, o que significa que a
pressão em cima da rainha que os representará na competição é enorme. Katherine
tem a responsabilidade de manter os envenenadores no poder. No entanto, ela é considerada a mais
fraca envenenadora em muitas gerações e nem ela mesma acredita em sua
capacidade de vencer as outras irmãs. Por outro lado, o templo elegeu a rainha Mirabella, a
elemental, como sua favorita na disputa. Ela é extremamente forte e considerada
a grande esperança de afastar os envenenadores do trono. Há ainda a rainha
naturalista, Arsinoe, que, apesar de ser considerada tão fraca quanto Katherine,
conta com o apoio de amigos leais. Assim a trama é permeada por intrigas e manipulações. Os envenenadores fazem de tudo para se manter no poder.
Mas
vocês devem estar pensando que se a trama conta com intrigas, disputas pelo poder
e três irmãs com poderes sobrenaturais competindo pelo trono, em que sentido o
livro não foi o que eu esperava? A resposta é que nada disso foi desenvolvido com
a intensidade e profundidade que eu desejava, nem mesmo as três protagonistas.
O
universo da história é complexo, cheio de regras e tradições, que além da
divisão entre elementais, envenenadores e naturalistas, ainda tem uma grande
disputa por influência entre o conselho, dominado pelos envenenadores, e o
templo, liderado pela sacerdotisa Luca. No entanto, demorou mais do que o
desejável para que eu conseguisse me situar naquele mundo que a autora estava
apresentando e isso me incomodou um pouco. Claro que, ao longo do livro, muitas
coisas foram sendo explicadas e eu comecei a entender melhor como aquele
universo funcionava. Porém, foi tudo abordado de uma maneira um tanto superficial
e que me deixou ainda com muitas dúvidas.
Com
relação aos personagens, às três protagonistas são bem diferentes do que eu imaginava.
Antes de ler, eu tinha certeza que uma delas seria muito mais digna do trono do
que as outras, facilitando a minha torcida. No entanto, a autora me surpreendeu
apresentando três personagens que possuem virtudes e defeitos, tornando difícil
dizer qual delas mereceria mais vencer.
Em
especial, gostei muito do arco da Katherine e da Mirabella durante a história.
Katherine provavelmente teve a infância e adolescência mais difícil das três, e
é fácil identifica-la como a mais frágil. No entanto, ela evolui ao longo do
livro e acabou me surpreendendo. Já a Mirabella tinha tudo para ser uma
personagem insuportável, cheia de si por ser a única das três que tem realmente
um dom, mas ela não é. Na verdade, ela tem sentimentos conflituosos, é pressionada
pelas expectativas que as outras pessoas depositaram nela e se vê constantemente
dividida entre o dever e o que deseja para si, o que acaba atraindo a simpatia
do leitor.
A
Arsinoe também é uma personagem interessante e que tem qualidades que a tornam
tão digna do trono quanto suas irmãs. Ela tem uma personalidade forte e não
fica se lamentando o tempo todo por seu dom não ter se manifestado ainda e vai
procurar maneiras de sobreviver. No entanto, ela acaba sendo um pouco ofuscada
por outra personagem, sua amiga Jules, o que prejudicou um pouco seu
desenvolvimento na história.
Com
relação aos personagens secundários, são muitos e confesso que tive dificuldade
para guardar o nome de todos, porém, alguns merecem destaque: Jules, a amiga de
Arsinoe; Luca, a sacerdotisa; e Nathália, a líder dos envenenadores e
responsável pelo treinamento de Katherine. Jules, se destaca pela coragem e
lealdade à Arsinoe (embora tenha me irritado com um comportamento infantil em
muitos momentos); já Luca e Nathália são mulheres muito fortes e inteligentes, que
sabem jogar muito bem quando o assunto é poder.
No
entanto, apesar de ter gostado dos personagens que citei, não posso deixar de
mencionar alguns problemas. O primeiro deles é, justamente, a grande quantidade
de personagens em um livro tão curto. Muitos deles foram pouco explorados e,
como consequência, eu não conseguia me conectar com eles. Além disso, senti
falta de uma construção mais elaborada da personalidade e dos conflitos de
quase todos os personagens, mesmo aqueles com um destaque maior na história.
Por
outro lado, não posso deixar de destacar o papel das mulheres em Três Coroas Negras.
Vocês devem ter reparado que eu não citei nenhum personagem masculino até
agora. Isso é porque as mulheres realmente dominam esse universo. São três
rainhas disputando o trono, quem as treina e defende são outras mulheres, e quem
controla o templo é a sacerdotisa Luca. Não que não tenham personagens
masculinos, porém, eles têm um papel bem menor na história. E, considerando que a
maioria dos livros de fantasia é dominado por homens, essa é uma mudança muito
bem-vinda.
No
que se refere à trama, a autora dedicou a maior parte do livro a apresentar as
três protagonistas e o universo em que a história se situa. Isso foi bom no
sentido de que me permitiu conhecer melhor e entender como funcionava aquela sociedade
e o que estava em jogo. Por outro lado, prejudicou um pouco o ritmo da leitura, pois a maior parte da ação se concentrou no final.
Quanto
à edição da GloboAlt, eu achei visualmente linda. Para começar, a editora optou
por manter a capa original, o que achei uma ótima escolha. As páginas são
amareladas e a diagramação e tamanho da fonte estão muito bons. Além disso, no
começo de cada capítulo há o símbolo de cada rainha, ajudando a identificar
qual será a perspectiva mostrada naquele momento. Sei que isso é só um detalhe,
mas eu achei que valorizou a edição. Os únicos pontos negativos é que passaram
alguns erros de revisão e, no meu exemplar, algumas páginas vieram com as
letras um pouco desbotadas, dificultando um pouco a leitura.
De
um modo geral, eu esperava mais de Três Coroas Negras, porém, não é uma leitura que eu
tenha me arrependido ou que não recomende. Há alguns problemas, porém, a
premissa ainda é muito boa e há elementos que tornam o livro interessante. Além
disso, cabe lembrar que este é apenas o primeiro volume de uma série, então,
ainda há muito a ser explorado. Destaco também que o desfecho é muito
bom e levou a trama para um rumo que eu realmente não esperava, abrindo um
ótimo gancho para o próximo livro, que, com certeza, deverá ter muito mais
ação. Assim, é uma leitura que eu indico para quem gosta de fantasia e que
queira se aventurar em um universo realmente diferente.
Agora,
quero saber de quem já leu o que achou do livro e se também achou diferente do
que tinham imaginado a princípio. E, quem não leu, me conta aí nos comentários
se tem vontade de ler.