[Resenha] Torre do Alvorecer - Trono de Vidro #6

13 de set de 2018


Não é segredo para ninguém que eu adoro a escrita da Sarah J. Maas e que, em pouquíssimo tempo, ela se tornou uma das minhas autoras favoritas. Mas, das duas séries dela que eu acompanho, nunca escondi minha preferência por Trono de Vidro (mas eu amo Corte de Espinhos e Rosas também, tá? Não precisam me odiar). E, entre tantos personagens maravilhosos presentes nesses livros, o meu queridinho sempre foi o Chaol.
Por esse motivo, vocês já devem imaginar o quanto eu estava ansiosa para ler Torre do Alvorecer, sexto volume da série Trono de Vidro, e que é centrado no Chaol. E, mais uma vez, a Sarah J. Maas deixou o meu coração de fã bem quentinho com um livro que torna o universo da série ainda mais rico e interessante, e ainda desenvolve maravilhosamente um personagem que eu amo desde o primeiro livro. Então, podem se preparar que essa resenha contará com altas doses de reverência à Sarah J. Maas e de amor ao Chaol.


Aviso importante: Torre do Alvorecer é o sexto volume da série, não um spin-off, então, é preciso ter lido todos os livros anteriores antes de ler esse. Assim, não recomendo a leitura desta resenha por quem ainda não tiver lido os demais volumes da série, principalmente Rainha das Sombras e os dois tomos de Império de Tempestades.

Autora: Sarah J. Maas
Editora: Galera Record
Tradução: Mariana Kohnert
Páginas: 644
Onde comprar: Amazon
Exemplar recebido de parceria com a editora
Sinopse: “No novo volume da série best-seller do The New York Times acompanhamos Chaol em uma tortuosa viagem a um império distante Chaol Westfall sempre se definiu por sua lealdade inquebrável, sua força e sua posição como capitão da Guarda. Mas tudo mudou desde que o Castelo de Vidro se quebrou, seus homens foram abatidos e o rei de Adarlan o poupou de um golpe de morte, mas deixou seu corpo quebrado. Sua única chance de recuperação reside nos lendários curandeiros da Torre Cesme em Antica — a fortaleza do poderoso império do continente do sul. E é para lá que ruma Chaol, acompanhado de Nesryn, única mulher na Guarda Real e sua nova capitã, depois de Chaol ter sido nomeado Mão do Rei. Mas com a guerra se aproximando de Dorian e com Aelin lutando por seu trono de direito, Chaol pode ser uma peça-chave para a sobrevivência dos dois jovens monarcas, convencendo outros governantes a se aliarem a eles. O que Chaol e Nesryn descobrem na Antica, no entanto, vai mudar os dois — e ser mais vital para salvar Erilea do que eles poderiam ter imaginado.”

Para quem não se lembra, no quarto volume da série Trono de Vidro, Rainha das Sombras, os personagens principais se dividiram. Aelin partiu com Rowan, Aedion e Lysandra para Terrassen; Dorian, agora rei, ficou com em Adarlan e Chaol partiu com Nesryn para o continente sul a fim de encontrar uma cura que o permitisse voltar a andar e também conseguir um exército para apoiar Aelin e Dorian na guerra que se aproximava. Em Império de Tempestades, vimos tudo que aconteceu com o grupo da Aelin e com o Dorian, então, Torre do Alvorecer apresenta a jornada do Chaol e da Nesryn no mesmo período.
Chaol tem dois objetivos claros e importantes: descobrir se há uma cura para sua coluna que o permita voltar a andar e conseguir um exército para ajudar Aelin e Dorain na batalha. Porém, nada disso seria fácil. Quando chega em Antica, Chaol encontra uma corte em luto pela morte de sua princesa mais jovem, um khagan pouco receptivo à ideia de se envolver em uma guerra quando sua terra é um lugar tão pacífico e evoluído, e membros da realeza que poderiam ser mais manipuladores do que qualquer um que ele conhecia.

Além disso, a cura para Chaol também seria um processo complicado. Para começar, a curandeira designada a ele não se mostra muito feliz com a perspectiva de curar um lorde de Adarlan. Além disso, mesmo com a ajuda dela, o tratamento dependeria da capacidade dele de combater seus próprios demônios e encarar memórias que ele não está disposto a reviver. 


A primeira coisa que eu preciso dizer sobre Torre do Alvorecer é que esse livro é um tapa na cara de quem criticava o Chaol ou que julgou a Sarah J. Maas pela decisão de dar um livro só para ele. A Sarah sabe o que faz, gente. Através deste livro ela conseguiu explorar melhor esse personagem e mostrar muitas camadas que ainda não tinham ficado claras nos livros anteriores, além de expandir ainda mais o universo da série, mostrando um mundo totalmente diferente do que tinha sido mostrado até então.
Antes de tudo, é preciso ter em mente que o Chaol foi se transformando ao longo da série. Nos dois primeiros livros, era um homem convicto de suas ideias e dos seus deveres. Com todas as descobertas que fez nos livros que se seguiram, tudo que ele sempre acreditou começou a ruir e Chaol se viu perdido e confuso. Algumas pessoas podem se irritar com essa indecisão dele, mas acredito que isso o tornou um personagem mais humano. Ele erra, magoa pessoas que ama, tem medos e carrega a culpa por suas ações, mas também demonstra uma profunda capacidade de sentir e de se transformar que o tornam o personagem mais complexo da série, na minha opinião.
“Chaol estivera afundando e se afogando desde então. Muito antes do ferimento na coluna. E não tinha certeza se sequer tentara nadar. Não desde que aquela espada fora parar no rio. Não desde que deixara Dorian naquele quarto com o pai e dissera ao amigo – ao irmão – que ele o amava, sabendo que era uma despedida. Chaol... tinha partido. Em todos os sentidos da palavra.”

Em Torre do Alvorecer, Chaol aparece mais amargurado por tudo que viveu e por se sentir impotente e incapaz de ajudar aqueles que ama na guerra que está por vir. Porém, não pensem que isso o tornou um personagem chato, porque foi justamente o contrário. É nesse livro que conseguimos entender completamente a dor, física e emocional, dele e o quanto ele se culpa por suas escolhas. Assim, acompanhar o processo de cura e o fato dele ser forçado a enfrentar seus conflitos e todos os sentimentos que tentou abafar ao longo dos anos, permite ao leitor compreender melhor as camadas que compõem esse personagem e admirá-lo mais.
Além disso, é uma verdadeira jornada de amadurecimento. Ao finalmente encarar seus demônios de frente, Chaol começa a definir quem ele realmente é e o papel que irá desempenhar. Confesso que poucas vezes fiquei tão orgulhosa ao notar a transformação de um personagem e me surpreendi ao terminar este livro o amando mais do que já amava nos livros anteriores.


Como boa parte do livro se concentra no tratamento do Chaol, a curandeira responsável por ele tem um grande destaque. Yrene Towers é uma das curandeiras da Torre, lugar onde as jovens com o dom da cura eram treinadas. Tendo uma evolução surpreendentemente rápida dentro da Torre e sendo a pessoa mais cotada para substituir a alta-curandeira, Yrene Towers recebeu a missão de cuidar do Chaol e tentar curar a lesão em sua coluna. Porém, conviver com um lorde de Adarlan trará para ela lembranças de um passado doloroso, o que não a deixa muito satisfeita com a missão.
“Não entendia – como ela poderia ser tão delicada, tão pequena, quando havia lhe virado a vida completamente de ponta-cabeça. Fizera milagres com aquelas mãos e aquela alma, essa mulher que atravessara montanhas e mares.”
O relacionamento de Yrene e Chaol é complicado desde o início, mas é interessante ver como a convivência acaba trazendo novas perspectivas para ela, fazendo com que algumas de suas convicções sejam abaladas. Além disso, gostei do fato de que, por mais que Yrene fosse a curandeira, ela também tinha seus próprios conflitos para enfrentar. Trata-se de uma personagem que conquistou minha admiração ao longo de todo o livro tanto por sua personalidade forte, quanto pelo fato de que ela também se mostra disposta a aprender com seus erros e amadurecer.
Por outro lado, eu tive uma certa dificuldade para me apegar à Nesryn. Ela foi uma muleta para o Chaol em muitos momentos e acho que demorou um pouco para se firmar no livro. Porém, aos poucos Nesryn vai ganhando espaço e mostrando mais da sua personalidade e da sua força. Ela desempenha um papel fundamental na trama desse livro, o que fez com que eu acabasse me apegando a ela no decorrer do livro e passasse a admirá-la.
“Nesryn viveria uma aventura. Para si mesma. Essa única vez. Ela iria ver a sua terra natal, e a cheirar, e respirar. Veria do alto, veria correndo tão rápido quanto o vento. Ela devia isso a si mesma. E devia a Chaol também.”

Há uma grande quantidade de novos personagens nesse livro, o que pode ser um pouco confuso no início. No entanto, é interessante ir percebendo o papel que cada um deles desempenha naquele reino e tentando identificar como eles podem interferir na missão do Chaol. É aquele tipo de livro em que você desconfia de todos os personagens e fica tentando decifrar as verdadeiras intenções deles. Minha dica é: não confie em ninguém.



Com relação à trama, boa parte do livro decorre sem grandes acontecimentos. Porém, não pensem que a leitura é maçante. Ao contrário, eu fui completamente envolvida tanto por esse novo reino que estava sendo apresentado quanto pelo desenvolvimento dos personagens. Além disso, quando a ação começa, é impossível parar de ler. São reveladas informações nesse livro que não apenas são fundamentais para a continuação da série, como foram totalmente surpreendentes. Uma delas, em especial, me deixou estirada no chão completamente em choque e sem saber como viver até o próximo livro ser publicado.
“Cada passo. Cada curva na escuridão. Cada momento de desespero e ódio e dor. Aquilo o levara até precisamente onde tinha de estar. Onde queria estar.”
Outro ponto que eu não posso deixar de destacar é o quanto o universo deste livro me surpreendeu. Quando eu pensei que Sarah J. Maas já tinha expandido essa série ao máximo, ela apresenta um reino muito mais forte do que aqueles que já haviam sido mostrados, com uma política muito mais avançada e uma ambientação muito rica. Eu tive muito medo antes de ler de que sair da ambientação dos livros anteriores poderia tornar Torre do Alvorecer cansativo e muito descritivo, mas, ao contrário, esse novo mundo apresentado foi um dos aspectos que mais gostei na leitura.
Assim, eu não preciso nem dizer nada sobre a escrita da Sarah né? Mesmo em um livro que demora um pouco a ter grandes acontecimentos, a leitura é muito fluida graças a habilidade que a autora tem de prender o leitor. Ela compensa a falta de ação com um ótimo desenvolvimento dos personagens e um universo muito interessante de se conhecer.
Com relação à edição, eu achei impecável. Algumas pessoas criticaram o fato da capa fugir do padrão das primeiras, mas achei totalmente compreensível já que esse livro não tem a mesma protagonista (ou vocês queriam a Aelin na capa de um livro do Chaol?). Além disso, ela tem elementos muito importantes e que fazem total sentido depois que terminamos a leitura.
Só me resta dizer, então, que esse livro foi um presente para o meu coração de fã. Adorei poder conhecer mais de um personagem que eu já admirava nos livros anteriores e ver sua evolução em uma jornada muito bonita. Além disso, adorei o modo como a Sarah conseguiu expandir e enriquecer todo o universo criado por ela, de um modo que eu não julgava possível. Agora, a ansiedade está a mil para saber o que ela está preparando para o desfecho da série em Kingdom of Ash, que será lançado mês que vem nos EUA. Como a única sobrevivência que a autora já garantiu é a da Ligeirinha, acho que podemos esperar um livro com fortes emoções.

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6 comentários:

  1. Oi Malu!! Que capa linda! Eu nunca li nada da autora, mas sempre leio críticas positivas dela, o pessoal parece gostar muito das séries. Que bom que vc curtiu a obra, que tem novos personagens e todos são bem desenvolvidos, dá até animo pra conferir esse universo!

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

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  2. Olá, mas que bela resenha!
    Eu ainda não li os livros dessa série, mas tenho muita vontade. São livros que eu sei que vou virar muito fã. Adorei saber que esse volume não decepciona e que o Chaol amadureceu tanto assim e o fato de você se orgulhar em alguns momentos me deixou ainda mais curiosa para ver como foi essa mudança.

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  3. Oi, Malu.
    Apesar de ter os primeiros livros dessa série na estante, nunca encontrei tempo para começar a lê-la. Uma pena! Sempre vejo excelentes críticas sobre a série e morro de vontade de conhecer essa história. Já li o primeiro livro da outra série dela e adorei a escrita! Quem sabe consigo fazer uma maratona quando o último livro for publicado?!
    beijos
    Camis - blog Leitora Compulsiva

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  4. Oi Maluzinha, pulei grande parte da sua resenha porque essa é uma série que quero muito acompanhar, a maneira como você fala tão bem dessa autora, me deixa extremamente curiosa para saber o que ela possui de tão especial. Fico feliz que você como fã, tenha tido uma experiência tão agradável.

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  5. Oi Malu, é tão bom quando a gente gosta de tudo o que a(o) autora(r) escreve e melhor ainda, o amor que desenvolvemos por certos personagens. Eu quero muito ler esta série, mas acho que vou começar por "Corte" que já tenho o primeiro livro. Eu só dei uma passada de olhos na tua resenha, fiquei com medo de pegar um spoiler muito cabeludo hahaha, mas vou lá ler a resenha do primeiro livro da série.
    Bjos
    Vivi

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  6. Olá, Malu!

    Por causa do aviso de spoiler sobre os livros anteriores eu não li a resenha. Tenho intenção de ler a série e como não é romance (de romance eu aceito spoilers sempre. Geralmente amo spoiler!kkkkkk) achei melhor não ler.

    Eu ouço falar muito da autora. Muito mesmo! E as pessoas geralmente falam mais de Corte de Espinhos e Rosas razão pela qual, movida por pura curiosidade, resolvi adquirir a trilogia. Aproveitei uma promoção na Saraiva alguns meses atrás e comprei o box. Os livros são lindos, com capas de arrancar suspiros! Só estou aguardando o momento certo para lê-los.

    Trono de Vidro por ser uma série maior precisarei de uma baita promoção para adquirir.kkkkkkk... E isso depois que tiver lido Corte de Espinhos e Rosa. Não vou ser doida de comprar sei saber se apreciarei a escrita da autora como os outros fãs.rs

    Bjs!

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