[Resenha] Rainha do Ar e da Escuridão


Olá, pessoal! O ano está quase acabando, mas eu não podia deixar 2019 terminar sem eu falar sobre o livro que era um dos mais aguardados por mim: Rainha do Ar e da Escuridão, da Cassandra Clare, o último volume da trilogia Os Artifícios das Trevas. A ansiedade era tão grande que acabei lendo duas vezes, a primeira em inglês e, depois, na edição incrível da Galera Record.
No entanto, eu acabei demorando para conseguir escrever essa resenha. Eu sou muito apegada a essa trilogia e por tudo que a Cassandra Clare construiu nela, por isso, acho difícil expressar tudo que senti enquanto lia. Porém, chegou o momento de falar o que achei e se esse foi um encerramento digno dessa trilogia maravilhosa.
Por se tratar de um terceiro volume, é claro que esta resenha vai conter informações importantes dos outros dois livros. Portanto, se você ainda não leu Dama da meia-noite e Senhor das Sombras, é melhor não continuar lendo essa resenha. Porém, podem ler as resenhas deles aqui e aqui.


Autora: Cassandra Clare
Editora: Galera Record
Tradução: Rita Sussekind, Ana Resende
Páginas: 742
Onde comprar: Amazon
Exemplar recebido de parceria com a editora
Sinopse: “Rainha do Ar e da Escuridão é a conclusão épica para outra grande trilogia do universo de Instrumentos Mortais da autora best-seller Cassandra Clare. Sangue inocente foi derramado nos degraus do Salão do Conselho, e o mundo dos Caçadores de Sombras se encontra à beira de uma guerra civil. Parte da família Blackthorn foge para Los Angeles, em uma tentativa de descobrir a origem da doença que está acabando com os bruxos. Enquanto isso, Julian e Emma tomam medidas desesperadas e embarcam em uma perigosa missão para o Reino das Fadas a fim de recuperar o Volume Negro dos Mortos. O que encontram é um segredo capaz de destruir o Mundo das Sombras e abrir um caminho tenebroso para um futuro que nunca poderiam ter imaginado. Em uma corrida contra o tempo, Emma e Julian devem salvar o mundo dos Caçadores de Sombras antes que o poder mortal da maldição parabatai destrua tudo o que amam.”

Depois dos acontecimentos de Senhor das Sombras, o mundo dos caçadores de sombras está cada vez mais próximo de uma guerra civil. Sangue inocente foi derramado e tem pessoas querendo de aproveitar disso para destruir os integrantes do submundo, dando início a uma disputa dentro da Clave. E, enquanto a situação fica cada vez mais complicada dentro de Idris, parte da família Blacktorn retorna a Los Angeles. Eles vão tentar descobrir a causa da doença que tem afetado diversos bruxos, incluindo Magnus Bane.
Já Emma e Julian acabam se vendo obrigados a partir em uma perigosa missão no Reino das Fadas. Eles devem recuperar o Volume Negro dos Mortos que havia sido roubado por Anabelle Blackthorn. Porém, ao entrar nesse mundo tão perigoso para os caçadores de sombras, eles descobrem uma ameaça muito maior do que imaginavam. Os dois precisam correr contra o tempo para impedir que o Mundo das Sombras sejam destruídos, enquanto ainda tentam descobrir uma maneira de deter a maldição parabatai, antes que esta destrua tudo que eles amam.



É sempre difícil encerrar uma série ou trilogia com a qual nos envolvemos com o universo e os personagens. E eu não poderia ter ficado mais apegada a trilogia Os Artifícios das Trevas. Eu já era fascinada pelo universo dos caçadores de sombras desde que a série Instrumentos Mortais e fui completamente conquistada pela família Blackthorn desde Dama da meia-noite. Então, após o final devastador de Senhor das Sombras, não é difícil imaginar o quanto eu estava ansiosa por Rainha do Ar e da Escuridão. E como foi difícil falar sobre ele depois de ler.
Eu já li esse livro duas vezes esse ano; a primeira em inglês, e depois na edição da Galera Record. Demorei a trazer a resenha, por que aconteceu tanta coisa nessa história e ela mexeu tanto comigo, que foi complicado reunir tudo isso em palavras.  Porém, vou fazer o meu melhor. E, para começar, preciso dizer que a trama de Rainha do Ar e da Escuridão é simplesmente eletrizante.
Após os acontecimentos do livro anterior, o mundo dos caçadores de sombras estava muito próximo do caos. O clima de tensão é constante e o ritmo em que a trama se desenvolve faz com que o leitor praticamente não sinta vontade de largar o livro. Os personagens se dividem em diferentes missões, todas elas importantes e perigosas, o que contribui muito para que a leitura se torne ainda mais envolvente.
Em especial, adorei a jornada do Julian e da Emma no Reino das Fadas. Não só são momentos com muita ação e perigo, como foi uma oportunidade da Cassandra Clare expandir ainda mais esse universo. Esse é um mundo tão rico e complexo, que adorei ver como foi mais explorado nesse livro e gostaria que aparecesse mais em outras séries da Cassandra.
Outro aspecto que gostei muito foi ver os irmãos do Julian participando mais da ação. Desta vez, eles têm suas próprias missões e foi muito importante ver eles ganhando mais destaque na trama. Não que nos livros anteriores eles não fossem importantes, mas senti que nesse houve um desenvolvimento maior. Em especial, notei um amadurecimento da Dru e gostei de vê-la tendo mais voz e espaço na ação.

Além disso, ao contrário dos livros anteriores, senti que em Rainha do Ar e da Escuridão o perigo é algo muito mais palpável dentro da trama. Não é difícil perceber as ameaças dentro da Clave e o perigo iminente de uma guerra civil. E a medida que a trama avança, fica cada vez mais nítido o que estava em jogo e tudo que poderia ser perdido, o que dá uma sensação de urgência muito maior. Sabe aquele livro que você vai lendo e só consegue pensar que vai dar ruim? Pois é, foi exatamente o que aconteceu aqui.



Confesso que muitas coisas que aconteceram nesse livro foram uma surpresa para mim. E não estou falando somente em termos de reviravoltas. Mas os caminhos que ela escolheu para conduzir a trama foram coisas realmente diferentes do que vi em outros livros dela e que nunca teriam passado pela minha cabeça. Porém, não pensem que isso foi algo ruim. Pelo contrário, acredito que abriu novas possibilidades e me deixou ainda mais ansiosa para as próximas séries dela que também vão se passar no universo dos caçadores de sombras.
E estou muito feliz por ver o quanto a escrita da Cassandra Clare está se tornando cada vez mais madura. Os personagens dessa série foram mais complexos e bem construídos e a evolução deles ao longo dos livros foi algo muito perceptível. Além disso, é interessante ver como os livros dela têm apresentado um tom cada vez mais político e não foi diferente com Rainha do Ar e da Escuridão. Aqui não faltam críticas a regimes de governo opressores, que se guiam por ideias preconceituosas, retrógradas e intolerantes. Não poderia ser mais atual, não é mesmo?
Outro aspecto que gosto muito nos livros dela e que foi mais uma vez abordado de maneira brilhantes é a representatividade. A autora deu espaço para diversas minorias dentro de seus livros e isso é feito de uma maneira completamente natural. Eu adoro a preocupação que a Cassandra tem com que as pessoas realmente se sintam representadas nos seus livros e, mais importante, a forma como ela fala sobre a tolerância e o respeito com as diferenças. Mesmo se passando em um universo completamente fantástico, a mensagem que ela passa é muito necessária no mundo em que estamos vivendo.
Mas vocês já devem estar se perguntando: e o romance? Claro que não poderia faltar romance nesse livro e devo dizer que amo todos os casais que se formaram. A relação entre o Julian e a Emma ocupa uma parte significativa da trama, mas o fato de serem parabatais e as implicações desse envolvimento deles torna isso justificável. Além disso, os dois são tão carismáticos e enfrentam tantos problemas que para mim foi impossível não torcer por eles.
No entanto, quem roubou meu coração mesmo foram Mark, Cristina e Kieran. São três personagens que eu admiro muito individualmente e que funcionam muito bem juntos. Sinceramente, todos os momentos deles foram tão lindos que eu estava desde o livro anterior sem saber quem eu queria que ficasse com quem. Já a Diana e o Gwyn me encantaram pelo companheirismo e pela compreensão que um tinha pelo outro. Achei o casal mais maduro da trilogia e adorei ver a forma como eles se amavam, com um respeito profundo e um apoio incondicional de um para o outro.
No geral, tive apenas duas ressalvas nesse livro. Tem uma parte do livro que senti que quebrou um pouco o ritmo da trama por ter se estendido mais do que o necessário. É uma parte importante e que tem momentos muito bons, mas poderia ser um pouquinho menor. Já a outra foi uma cena da Emma e do Julian mais para o final que foi um tanto bizarra (quem leu, vai saber qual é) e tive uma certa dificuldade de aceitar. Entendi o que a autora quis fazer, mas... não ficou legal. Porém, nem mesmo essas questões estragaram o livro para mim.
Rainha do Ar e da Escuridão é o desfecho épico que a trilogia Os Artifícios das Trevas merecia e uma ótima ligação para o que está por vir no mundo dos caçadores de sombras. Amei acompanhar a trajetória de cada um dos personagens apresentados e, por mais difícil que seja me despedir deles, acho que não poderiam ter um final mais apropriado. A Cassandra Clare segue sem decepcionar e demonstra cada vez mais segurança sobre o universo que criou. Agora, já estou aqui contando os dias para saber quais serão as próximas aventuras dos caçadores de sombras. 

Cinco motivos para ler As quatro rainhas mortas




Olá, pessoal! Como vocês estão? O ano está acabando, mas as leituras seguem por aqui. Por isso, agora que estou colocando a vida em ordem, vou conseguir comentar mais com vocês a respeito dos livros que estou lendo. E, hoje, vim falar sobre um super lançamento desse ano que recebi de parceria com a Galera Record: As quatro rainhas mortas, da Astrid Scholte.
Esse livro tem despertado a atenção de muita gente, tanto pela capa (que está maravilhosa) quanto pela sinopse, que combina fantasia e mistério. E, embora eu tenha ficado com algumas ressalvas quanto ao final um tanto apressado, eu gostei muito da leitura e acho que vale a pena conferir. Por esse motivo, listei 5 razões para dar uma chance e conferir As quatro rainhas mortas.

Combinação mistério e fantasia
Para mim, um dos aspectos que tornou essa leitura mais interessante foi, sem dúvida, essa mistura de fantasia com suspense. Acredito que isso deixou a trama mais instigante e a leitura muito mais envolvente. Acho que a parte fantástica poderia ter sido um pouquinho mais explorada, mas isso não comprometeu porque eu adorei o universo criado pela autora.
Além disso, gostei do mistério que cerca a trama e fiquei realmente curiosa para saber como iria se desenrolar. Foi um ponto que me prendeu muito na leitura e que gostei muito como foi desenvolvido.

Escrita envolvente
Outro ponto que gostei muito é que a escrita da Astrid Scholte é muito envolvente. Ela soube apresentar e desenvolver tanto os personagens quanto o universo, sem deixar a leitura cansativa. Pelo contrário, achei um livro muito gostoso de ler, daqueles que a gente não vê o tempo passando, e muito disso se deveu à escrita clara da autora e à forma dinâmica que ela desenvolveu a trama.  

O livro é volume único
Para quem está cansado de ter que esperar por uma continuação para saber as respostas, esse é o livro ideal. Trata-se de um volume único e todas as respostas são dadas nele mesmo. Eu até acho que, devido ao universo interessante, a autora poderia escrever continuações ou spin-offs. Porém, a trama é muito bem amarrada e não fica nenhuma questão pendente.
Achei o final meio apressado sim, mas isso não significa que a autora tenha deixado alguma ponta solta. Me surpreendi ao ver que todos os pontos foram ligados e que obtive respostas para cada uma das dúvidas que tive enquanto lia. Então, é aquele tipo de livro que pode até ter uma continuação algum dia, mas não é algo necessário e ninguém vai ficar remoendo dúvidas enquanto espera um segundo livro.

Personagens femininas fortes
Para quem ama um livro bem girl power, essa é uma ótima opção de leitura. As personagens femininas desse livro estão em destaque o tempo todo e gostei de como a autora construiu cada uma delas. Não só elas demonstram poder, como isso não vem apenas do fato de que quatro são rainhas responsáveis por governar o reino e a protagonista é uma ladra habilidosa.
Acredito que a maior força das personagens femininas desse livro vem da própria personalidade de cada uma delas. São mulheres reais, com conflitos e inseguranças, e que mostram que esses sentimentos não são sinais de fraqueza. Além disso, todas elas possuem personalidades bem distintas e cada uma demonstra sua força à sua maneira.

Trama dinâmica e universo bem construído:
Por se tratar de um livro volume único, fiquei com medo que a autora não conseguisse apresentar o universo de maneira satisfatória ou que a leitura se tornasse cansativa pelo excesso de explicações. Porém, felizmente, nada disso aconteceu. Com relação ao universo, achei que a autora conseguiu construí-lo muito bem e torna-lo rico, interessante e complexo. Consegui entender rapidamente a ambientação e as questões políticas do reino apresentado, e me vi querendo saber cada vez mais sobre esse universo.
Já a trama não se mostrou cansativa em momento algum. A autora conseguiu inserir as informações necessárias para que o leitor consiga compreender o mundo em que a história está inserida rapidamente e sem quebrar o ritmo. Além disso, as reviravoltas, e o bom equilíbrio de ação e suspense deixaram a trama dinâmica e envolvente. Há ainda espaço para um pouco de romance, mas ele não tira o foco e nem se tornou exagerado.

De um modo geral, As quatro rainhas mortas foi uma leitura divertida e que me prendeu do começo ao fim. Pelos aspectos que citei, fiquei interessada em ler outras obras da autora futuramente. Ela sem dúvida demonstrou potencial e terminei esse livro realmente satisfeita com o que encontrei. Algumas coisas poderiam ter sido mais aprofundadas e algumas respostas foram um pouco simplistas. No entanto, isso não diminui o quanto me envolvi com a história, os personagens e o universo apresentados. Recomendo para quem gosta de fantasia, mistério e uma boa dose de aventura.

E, para quem ficou interessado em ler, vocês podem adquirir As quatro rainhas mortas na Amazon, nesse link. (Lembrando que, comprando nesse link, vocês ajudam o Dicas de Malu, sem nenhum acréscimo na compra de vocês.


[Resenha] Todas as suas (im)perfeições


Oi, pessoal! Quem me acompanha sabe que sempre sinto dificuldade em escrever resenhas sobre os livros da Colleen Hooover. Primeiro porque acredito que quanto menos o leitor souber sobre os livros dela antes de ler, melhor será a experiência de leitura. Segundo, e mais importante, porque Colleen Hoover tem um talento especial para despertar um misto de sentimentos em mim que é sempre difícil de explicar.
Porém, Todas as suas (im)perfeições, publicado no Brasil esse ano pela Galera Record, conseguiu ser o mais difícil de todos eles. Para vocês terem uma noção, eu li este livro assim que foi lançado nos Estados Unidos, no meio do ano passado, e não consegui escrever sobre ele na época. Agora, depois de ler a edição brasileira, senti que chegou a hora de parar de enrolar e contar para vocês o que achei da leitura.

No entanto, já aviso que essa resenha vai ter o mínimo possível de informações sobre a trama. Acho que ir descobrindo aos poucos a história dos protagonistas é uma parte importante desta leitura e não pretendo estragar a experiência de vocês. Então, vou focar mesmo nas minhas impressões sobre a obra.

Autora: Colleen Hoover
Tradução: Adriana Fidalgo
Editora: Galera Record
Páginas: 304
Onde comprar: Amazon
Exemplar recebido de parceria com a editora
Sinopse: “Uma história de amor perfeita é suficiente para manter vivo o casamento entre duas pessoas imperfeitas? Quando a dança começa, a sincronia é perfeita, os passos seguem o ritmo, as mãos não se soltam, os olhos jamais se deixam. Mas a música pode acabar a qualquer momento... É possível valsar no silêncio? Quinn e Graham se conhecem no pior dia de suas vidas; ela chega mais cedo de uma viagem para surpreender o noivo, ele testemunha a traição da namorada. E é assim que ambos acabam no corredor de um prédio, trocando confidências, biscoitos da sorte e palavras de conforto. Fim da dança... se o destino não tivesse outros planos para os dois. Meses mais tarde, os acordes tocam para o casal mais uma vez e eles se reencontram. Graham está convencido de que são almas gêmeas. Quinn jamais se sentiu dessa forma antes. A intensidade do sentimento os assusta, mas, ainda assim, eles mergulham de cabeça.O casamento é tudo o que sonhavam, a parceria perfeita. Mesmo nos momentos difíceis, sabem que podem contar com o outro. Nenhum deles desiste do amor que sentem. Até que a primeira nota dissonante abala a sinfonia do casal. Quinn parece estar disposta a trocar tudo o que é pela única coisa que não consegue ser: mãe.”

Quinn e Graham se conheceram em circunstâncias no mínimo inusitadas, porém, quem os conhece sabe que não poderiam ser mais perfeitos um para o outro. No entanto, após alguns anos de casamento, o viveram felizes para sempre não é tão fácil quanto imaginavam. Os dois estão cada dia mais distantes e a falta de comunicação faz com que eles já não se reconheçam mais.
No entanto, o amor que sentem ainda é real. Será possível que uma relação com tantos anos de mágoa e sentimentos aguardados consiga sobreviver? Como Quinn e Graham poderia ainda se amar tanto, quando estão cada vez mais distantes? Chega um ponto em que eles precisarão decidir se o que sentem um pelo outro é forte o bastante para superar tudo isso. Mas, para isso, precisam falar sobre todos os problemas que eles passaram a fingir que não existiam.




“Se você iluminar apenas suas imperfeições, todas as suas qualidades ficarão na sombra”

Eu sempre falei aqui que a Colleen Hoover tem um dom para fazer com que os leitores sintam exatamente o que seus personagens estão sentindo. Por mais que você nunca tenha passado algo similar, ela tem a capacidade de fazer com que sinta as mesmas emoções que estão sendo descritas. E, em Todas as suas (im) perfeições acredito que ela atingiu o ápice. Nada descrito no livro é remotamente próximo da minha realidade e confesso que boa parte das questões abordadas eu sempre encarei de uma forma distante e com uma certa indiferença (ou pelo menos, nunca entendi como uma grande preocupação). Porém, a Colleen mais uma vez fez sua mágica e eu senti a angústia da Quinn durante toda a leitura, com uma intensidade que eu nunca tinha sentido antes.

“Nosso casamento não desmoronou. Não ruiu de súbito. Tem sido um processo muito mais lento. Ele vem se desgastando, digamos assim.”

Nas duas vezes que li esse livro, senti toda a dor daquele casal e me vi olhando as questões abordadas por uma perspectiva que nunca tinha enxergado antes. Durante toda a leitura fiquei envolvida pelos sentimentos dos personagens e confesso que esse foi um processo doloroso. Eu só queria entrar no livro, abraçar a Quinn e o Graham e falar que que tudo ficaria bem. Porém, os conflitos deles são tão reais que era difícil acreditar que tudo daria certo. Então, foi realmente angustiante ir vendo as coisas ficando cada vez piores e não saber como aquilo tudo iria terminar.
Aliás, esse é o grande mérito do livro para mim: tudo ali é muito real. Estamos acostumados a ver os personagens se apaixonando, passando por conflitos e casando no final, como se o casamento fosse mesmo o “felizes para sempre”. Porém, Colleen nos mostra nesse livro o que vem depois: os planos que não dão certo, os problemas, as crises, as expectativas que são frustradas... situações que qualquer casal pode enfrentar. Até as pessoas mais apaixonadas vão passar por crises. E isso é mostrado no livro de uma forma muito convincente, com conflitos que são reais e muito humanos.
“No momento, estamos tão cheios de dor que nem sei o que fazer. Não importa o quanto você ame alguém... a força desse amor nada significa se supera sua capacidade de perdoar.”

Grande parte disso se deve aos próprios protagonistas que são personagens muito críveis e bem construídos. Quinn é uma mulher cheia de conflitos, inseguranças, mágoas, que erra muito ao longo do livro. E confesso que é fácil apontar o dedo e julgá-la por seu comportamento. Mas sua dor é palpável e basta ter empatia para entender suas ações. E eu que, no comecinho, menosprezei um pouco as questões que ela enfrenta, não demorei a sofrer junto com ela e perceber a extensão da sua dor. 
Já o Graham eu passei boa parte do livro querendo colocar num potinho e proteger do mundo. Porém, ele também é um personagem muito humano e que comete erros. E, gente, ele erra feio mesmo. Mas a situação dos dois é tão complexa, eles se magoam tanto, estão tão perdidos e feridos, que sinceramente não consegui apontar o dedo para ele também. É justificável o que Graham fez? Para mim não. Mas também não é o suficiente para odiá-lo. Ele errou como todo ser humano erra, mas reconhece o que fez, aprende com isso e procura ser alguém melhor.



Por tudo que falei até aqui, acredito que esse seja o romance que já li que retrata o amor da maneira mais real e profunda. É sempre bonito ver o amor surgindo e crescendo. Porém, foi muito mais tocante ver o amor que permanece na adversidade, quando nada é leve ou fácil. Acompanhar duas pessoas que estão sofrendo, que estão se distanciando, mas que o amor entre elas ainda é palpável, foi o que mais me emocionou nessa leitura.
“Mas também vamos ter dias ruins e dias que testarão nossa determinação. É nesses dias que quero que sinta todo o peso de meu amor por você. Prometo que vou amá-la mais durante as tempestades do que vou amá-la nos dias perfeitos.”
Mas não pensem que tudo nesse livro é dor e sofrimento. Colleen Hoover mais uma vez provou ser uma autora que sabe mexer com as emoções dos seus leitores, alternando os capítulos entre o passado e o presente. E, enquanto no presente vemos a relação entre a Quinn e o Graham está desmoronando, o passado deles é cheio de momentos divertidos e fofos, daqueles que deixam o leitor com o coração bem quentinho. E isso foi uma ótima sacada da autora, não só por deixar mais evidente o quão doloroso é distanciamento que o casal sofreu ao longo do tempo, mas também para permitir ao leitor ter momentos de alívio de todo o sofrimento dos protagonistas.
Com relação à edição da Galera Record, achei a tradução impecável. Tendo lido primeiro em inglês, fiquei muito satisfeita por ver que a tradutora conseguiu captar bem os trocadilhos e as referências que a autora inseriu. Minha única ressalva é que achei que a capa, apesar de linda, passa a imagem de uma leitura mais leve e juvenil. Também não entendi o fato de ter sido publicado pela Galera Record, quando se trata de um romance voltado para o público mais adulto. Porém, é claro que nada disso tira o brilho da obra ou diminui o meu amor por esta história.
Só posso dizer que Colleen Hoover mais uma vez me surpreendeu e me emocional. No que, provavelmente, é um dos retratos mais bonitos e tocantes do que é amar, Todas as suas (im) perfeições foi uma leitura que me emocionou, me fez rir, chorar e principalmente ter empatia. Trata-se de um romance maduro, com momentos muito difíceis, mas que mostra de uma maneira sensível como é a vida. Nem sempre tudo é como esperamos, todos temos nossos momentos difíceis; o que importa é não esquecer daqueles que são realmente perfeitos.

[Resenha] Alguém para amar


Olá, pessoal! Como vocês estão? A resenha de hoje será sobre um livro que venho enrolando um pouco para comentar com vocês: Alguém para amar, da Judith McNaught. Esse é o último livro da trilogia, que começou com os livros Agora e Sempre e Algo Maravilho. E, para quem ainda não conferiu, tem resenha dos dois aqui e aqui.
Para quem leu minha resenha sobre Agora e Sempre no começo do ano, sabe que não foi o melhor dos começos e, por vários motivos, terminei a leitura decepcionada e indignada. Porém, escolhi dar uma segunda chance para a autora e tive uma surpresa incrível quando li Algo Maravilhoso. Terminei de ler completamente apaixonada e com altas expectativas para o último livro.

Então, claro que assim que recebi Alguém para amar, dei um jeito de correr para incluí-lo nas minhas leituras. E, agora, vou poder contar para vocês o que achei e se valeu a pena ter continuado com essa trilogia.

Autora: Judith McNaught
Editora: Bertrand Brasil
Páginas: 518
Onde comprar: Amazon
Exemplar recebido de parceria com a editora
Sinopse: “Nova edição de um dos clássicos de Judith McNaught. Com orelha assinada por Carina Rissi. Em toda a Inglaterra, não há beleza que se compare à de Elizabeth Cameron, a Condessa de Havenhurst. Criada longe dos salões londrinos, ela não sabia que ligações afetivas e financeiras frequentemente se entrelaçam em sutis arranjos de interesses. Quando Ian Thornton, um homem atraente, de origem misteriosa e perigosamente hábil nos jogos sociais aparece, a ingenuidade de Elizabeth a impede de suspeitar de seu comportamento. Os dois embarcam numa relação permeada de intrigas, escândalos e irrefreável sensualidade... mas será amor verdadeiro? “Judith McNaught consegue dosar irreverência e sensualidade de maneira magistral em seus romances. Em Alguém para amar, ela cria personagens encantadores, intrigantes, e os envolve ― e ao leitor ― em uma inesquecível história de amor, sobre duas pessoas muito diferentes, mas com o mesmo desejo de encontrar seu lugar no mundo.” – Carina Rissi.”

No livro Alguém para amar, iremos acompanhar a jovem condessa Lady Elizabeth Cameron. Depois de se tornar a sensação da temporada em seu debut, Elizabeth recebeu diversas propostas de casamento. Porém, ao conhecer o misterioso e atraente Ian Thornton, Elizabeth acaba se vendo envolvida em algumas intrigas que destroem sua reputação e a transformam em uma pária para a sociedade.
Dois anos depois, ela estava vivendo isolada em sua propriedade, tentando sobreviver após aqueles tristes acontecimentos e o abandono de seu irmão, que fugiu para evitar as dívidas. Para conseguir se manter, Elizabeth dependia da ajuda de seu tio avarento, que estava constantemente reclamando de ter que auxiliá-la. Para resolver a questão, ele decidiu escrever a todos os antigos pretendentes de Elizabeth oferecendo a mão dela em casamento. Apenas três responderam afirmativamente, incluindo Ian.

Com isso, o caminho de Elizabeth e Ian se encontra novamente e eles precisam encarar os acontecimentos do passado. Seria possível perdoar todas as mágoas desses dois anos? E será que o que eles sentiram quando se conheceram era uma atração passageira ou um sentimento capaz de superar tudo que passaram? 


Aviso: Os livros dessa trilogia são independentes. No entanto, os personagens deste livro têm relação com os de Algo maravilhoso. Por isso, recomendo que esses dois sejam lidos na ordem.

A primeira coisa que preciso dizer sobre Alguém para amar é o quanto a escrita da Judith McNaught é envolvente. Senti isso desde o primeiro livro da trilogia, em que, mesmo querendo matar o protagonista, não conseguia parar de ler. E mais uma vez me vi completamente presa na leitura, mergulhada nas páginas e ansiosa para saber o que aconteceria com os personagens.
E uma das principais razões para o meu envolvimento com o livro foi justamente o carisma da protagonista e dos demais personagens. Não foi difícil me apegar à Elizabeth, pois trata-se de uma personagem gentil, generosa e com uma inocência cativante, mas que também se mostra madura e muito inteligente. Além disso, é impossível não se solidarizar com a situação triste em que ela se vê envolvida e adorei ver o quanto ela cresce e se fortalece a partir disso. A evolução da Elizabeth é notável ao longo do livro e fez com que eu gostasse ainda mais da leitura.
Já o Ian é um mocinho muito interessante e bem construído, e acho que a autora conseguiu um ótimo equilíbrio com ele. Por um lado, é um personagem atraente e misterioso, que faz com que a gente se apaixone por ele logo de cara. Por outro, ele apresenta muitas camadas e comete muitos erros ao longo da trama. O passado o tornou um homem mais rancoroso e isso o leva a muitas atitudes que não concordei. Porém, acredito que a autora conseguiu mostrar o quanto ele aprendeu e se arrependeu com seus erros. Assim como Elizabeth, Ian evolui muito ao longo do livro e amei acompanhar esse processo de amadurecimento.

Com relação aos personagens secundários, não tenho do que reclamar. Adorei Duncan, tio do Ian, e Lucinda, a acompanhante de Elizabeth. Eles proporcionaram ótimos momentos na história e foram fundamentais para o crescimento dos protagonistas. Além disso, nesse livro alguns personagens de Algo maravilhoso aparecem e têm papel de destaque. Adorei rever esses personagens, que já haviam me cativado tanto no segundo livro, e acredito que eles contribuíram muito para aumentar meu envolvimento emocional com esse terceiro volume. Aliás, aproveito para reforçar que, apesar de se tratarem de livros independentes, recomendo que leiam pelo menos Algo maravilhoso antes de ler esse, já que os personagens têm relação.



Outro ponto que não posso deixar de destacar é, claro, o romance. Adorei ver como se deu a aproximação entre o Ian e a Elizabeth e ver tudo que precisaram enfrentar depois. Mesmo que a atração entre os dois tenha sido rápida, dá para entender as razões que levaram a que um se sentisse atraído pelo outro. Além disso, os sentimentos deles passam por várias provações depois e ambos precisam amadurecer muito individualmente para que essa relação fosse possível. Assim, é um relacionamento bem construído e convincente, que faz com que o leitor consiga acreditar nos sentimentos do casal e torcer para que eles consigam superar todos os obstáculos que surgem.
Não posso negar que, em relação à trama, senti que a autora enrolou em alguns momentos e o livro poderia ser um pouco melhor. Porém, os personagens são tão cativantes e a escrita da autora flui tão bem que em nenhum momento senti a leitura arrastada. Fiquei completamente envolvida com a trama e pelos sentimentos intensos que esta história despertou.
De um modo geral, eu comecei e terminei essa trilogia com sentimentos praticamente opostos. Mas, por mais críticas que eu tenha a Agora e Sempre, foi impossível não ficar feliz por ter lido os dois livros seguintes. Algo maravilhoso resgatou minha confiança nessa trilogia e o terceiro livro veio para provar que valeu muito a pena continuar. Alguém para amar encerra a trilogia de uma maneira brilhante, que emociona o leitor com personagens apaixonantes e uma trama que vai além do romance, trazendo uma história de amadurecimento e perdão. Para quem procura um romance de época que foge do padrão e que é capaz de aquecer o coração, não pode deixar de conferir.

Apaixonada por literatura desde pequena, nunca consegui ficar muito tempo sem um livro na mão. Assim, o Dicas de Malu é o espaço onde compartilho um pouco desse meu amor pelo mundo literário.




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