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[Resenha] Desaparecidos em Luz da Lua


Olá, pessoal! Como vocês estão? Eu ando um pouco ausente por aqui, mas pelo menos voltei com uma resenha mais do que especial. Quem acompanha o blog deve ter lido a minha resenha sobre Os noivosdo inverno, da Christelle Dabos. Ele foi o primeiro livro que li esse ano e eu não poderia ter começado melhor.
Então, vocês já podem imaginar o quanto minhas expectativas para a continuação estavam altas né? Eu bem que tentei me controlar, porque levei alguns tombos em relação a continuações de séries esse ano. Porém, quando editora Morro Branco anunciou o lançamento de Desaparecidos em luz da lua, ele já foi direto para a minha lista de desejados e eu fiquei contando os dias para poder ler.

No final de agosto, eu finalmente recebi meu exemplar e pude ler esse livro. E agora, será que minhas expectativas foram atendidas? Vou contar para vocês agora. Porém, já aviso que, por se tratar de uma continuação, aconselho que quem não leu o primeiro livro não leia o restante da resenha.

Autora: Christelle Dabos
Editora: Morro Branco
Tradução: Sofia Soter
Páginas: 480
Onde comprar: Amazon
Sinopse: “Quando Ophélie é promovida a vice-contista, ela se vê inesperadamente jogada aos holofotes e escrutínio da corte. Seu dom, a habilidade de ler a história secreta dos objetos, é descoberto por todos, e não há maior ameaça aos nefastos habitantes de seu novo lar gélido do que isso. Sob os arcos dourados da capital do Polo, ela descobre que a única pessoa em que talvez possa confiar é Thorn, seu enigmático e frio noivo. À medida que influentes pessoas da corte começam a desaparecer, Ophélie se encontra novamente envolvida em uma investigação que a levará além das muitas ilusões do Polo e a uma temível verdade.”

Em Os noivos do inverno, a jovem Óphelie foi forçada a aceitar um casamento arranjado e largar tudo que sempre amou na sua terra, Amina, para seguir seu noivo ao distante Polo. Lá, ela encontrou um território completamente diferente de tudo que conheceu e muito mais hostil. Além disso, Óphelie descobriu da pior maneira o quanto seu dom como leitora – pessoa com a capacidade de “ler” a história dos objetos pelo toque – despertava o interesse de outros, fazendo dela um alvo.
Nessa continuação, Óphelie está muito mais consciente dos perigos da corte no Polo e das ilusões que ela esconde. Porém, não demora para que ela perceba que o deverá tomar ainda mais cuidado do que imaginava. Não só os membros dos outros clãs não escondem a hostilidade em relação a ela, como a chegada de cartas a ameaçando caso não desistisse do casamento com Thorn e abandonasse o Polo, deixou bem claro que Ophélie não era bem-vinda ali e que sua vida estava em perigo.

Quando misteriosos desaparecimentos acontecem em Luz da Lua, supostamente o local mais seguro do Polo, fica ainda mais claro para Óphelie que as ameaças que sofreu eram reais. Ainda mais que todos os desaparecidos receberam cartas muito parecidas com as que ela recebeu. Com o perigo podendo vir de qualquer lugar, logo fica evidente que a sua única alternativa seria confiar em Thorn e tentar descobrir quem estava por trás das cartas e dos desaparecimentos.


Ah gente, eu não sei nem por onde começar a falar sobre esse livro. Minha vontade era de resumir em: PERFEITO, ZERO DEFEITOS. Porém, eu preciso explicar o quanto ele é maravilho e o quanto amei essa leitura. Para mim, ele desbancou o primeiro volume e se tornou a minha leitura favorita do ano, até aqui.
Quando li Os noivos do inverno, me encantei com a originalidade do universo criado pela autora. Como comentei na resenha aqui, é um livro muito diferente de qualquer outra fantasia que eu já tenha lido. E, em Desaparecidos em Luz da Lua, isso fica ainda mais evidente. A cada momento, a autora vai expandido mais o universo que criou, trazendo informações que o tornam ainda mais complexo e interessante.
Conhecer mais sobre os meandros da corte do Polo e especialmente o seu espírito familiar foi um dos aspectos mais envolventes dessa leitura. As intrigas entre os clãs e os mistérios aumentaram a tensão e sensação de perigo, aumentando a minha curiosidade para entender melhor aquele universo e funcionava a dinâmica da corte.
Mas não foi só o universo que ganhou em complexidade. Foi notável a evolução da Óphelie e o quanto ela amadureceu após todos os acontecimentos do primeiro livro. Ela já se mostrava uma personagem fascinante e totalmente fora dos padrões desde o volume anterior. Porém, em Desaparecidos em Luz da Lua, Ophélise se mostra mais madura e determinada. Além disso, gostei de ver como ela aprendeu a olhar mais para si mesma e encarar seus sentimentos. Lógico que essa evolução não se deu de uma hora para outra, mas foi uma transformação interessante de se acompanhar.

E os personagens secundários não ficam para trás. Cada um deles vai revelando novas camadas que permitem entender melhor a personalidade deles. Em especial, adorei ver mais por traz da fachada fria do Thorn. Ele é um personagem que se mostra quase imperturbável, mas vamos encontrando as vulnerabilidades dele aos poucos e todos os sentimentos que tenta esconder. Foi um personagem que me cativou mais a cada página e que eu realmente queria colocar em um potinho e proteger do mundo. E, além dele, me encantei ainda mais com a tia de Óphelie, Roseline, a tia de Thorn, Berenilde, e o sarcástica e cativante Archibald.


Outro aspecto interessante foi o desenvolvimento da trama. A autora conseguiu encontrar um equilíbrio entre expandir o universo, desenvolver mais os personagens e acrescentar novos elementos. Assim, a trama se mostrou dinâmica, com todo o mistério e tensão envolvendo os desaparecimentos e as revelações sobre a corte e o mundo apresentado. Além disso, a autora soube mesclar bem a aventura, a fantasia e o mistério com uma dose de romance, que não tirou o foco, mas deixou a história ainda mais cativante.
E, mais uma vez, me rendi a delicadeza e a criatividade de Christelle Dabos. Não só o universo criado por ela é único, como foi descrito de uma maneira clara e apaixonante. É um mundo que, apesar de todos os perigos que apresenta, ainda consegue ser lúdico e encantador. As diversas ilusões que Óphelie encontra pelo caminho e as descrições ricas da autora me deixaram realmente com a sensação de estar entrando em um universo completamente novo e mágico, do qual eu não sentia a menor vontade de sair.
E, se não bastasse toda a magia da história em si, a editora Morro Branco trouxe uma edição simplesmente impecável, em todos os sentidos. A capa é tão linda quanto a do primeiro livro, assim como a parte interna. O livro conta ainda com um mapa daquele universo, explicações sobre os clãs e uma ilustração da estrutura do Polo. Além disso, as páginas são amareladas e a fonte tem um tamanho bom para leitura. Sendo bem sincera, não encontrei um único defeito nessa edição e só posso parabenizar a editora pelo trabalho impecável.
Deste modo, acredito que não preciso nem dizer que Desaparecidos em Luz da Lua conseguiu superar todas as minhas expectativas e me encantar ainda mais que o livro anterior. Trata-se de um dos livros mais interessantes e originais que já li, com um universo rico e completamente fascinante. Christelle Dabos tem uma escrita única, que me conquistou desde o primeiro livro, e agora só me resta aguardar ansiosamente pela continuação. Para quem procura uma fantasia diferente e envolvente, não pode deixar de conferir essa série.

[Resenha] Os noivos do inverno


Tem coisa melhor que começar o ano adicionando um livro aos favoritos? Dá uma sensação de iniciar com o pé direito. Felizmente, foi o que aconteceu comigo. O primeiro livro que terminei em 2019 foi Os noivos do inverno, da autora francesa Christelle Dabos, e eu não poderia ter começado o ano com uma leitura melhor.
Eu admito que a primeira coisa que despertou minha curiosidade foi a capa, que achei lindíssima, mas a sinopse e os comentários positivos me deixaram muito animada a ler. No entanto, por mais que eu tivesse boas expectativas, Os noivos do inverno conseguiu ser uma leitura surpreendente por ter se mostrado diferente de qualquer coisa que já li. E é claro que uma leitura tão especial precisava ser a primeira resenha aqui do blog em 2019 né?

Autora: Christelle Dabos
Editora: Morro Branco
Tradução: Sofia Soter
Páginas: 416
Onde comprar: Amazon
Sinopse: “Vencedor do Grand Prix de l'Imaginaire. Honesta e cabeça-dura, Ophélie não se importa com as aparências. Mas, por baixo de seus óculos de aros largos e cachecol desgastado, a garota esconde poderes únicos: ela pode ler o passado dos objetos e atravessar espelhos. A vida tranquila que leva em Anima se transforma quando Ophélie é prometida em casamento à Thorn, herdeiro de um distante e poderoso clã. Agora, ela terá que deixar para trás tudo o que conhece e seguir seu noivo até Cidade Celeste, a capital flutuante de uma gelada arca conhecida como Polo. Ali, o perigo espreita em cada esquina, e não se pode confiar em ninguém. Sem se dar conta, Ophélie torna-se um peão em um jogo político mortal, capaz de mudar tudo para sempre”.

Em Os Noivos do Inverno, Ophélie leva uma vida tranquila e confortável trabalhando no museu de Anima. Ao contrário das outras mulheres de sua família, ela não tem a menor intenção de se casar e não se preocupa com sua aparência. Usando óculos de aro e um velho cachecol, ela parece uma jovem sem graça e comum. No entanto, Ophélie está bem longe dessa descrição: além de teimosa e muito sincera, ela tem dons especiais que permitem que leia o passado dos objetos que toca e atravesse espelhos, ou seja, ela é uma leitora e passa-espelhos.
“– Nada disso! Ler um objeto exige esquecer-se um pouco de si para dar espaço ao passado dos outros. Passar por espelhos exige enfrentar a si mesmo. É preciso ter estômago, sabe, parasse olhar bem nos olhos, se ver como é, mergulhar no próprio reflexo. Aqueles que escondem o rosto, que mentem para si, que se veem melhores do que são, nunca conseguiriam. Então, acredite, não é a coisa mais comum por aí!”

No entanto, toda a tranquilidade dela acaba quando Ophélie é prometida em casamento a Thorn, herdeiro de um dos clãs do Polo, uma arca distante. A partir de então, ela precisa deixar a vida que conhecia para traz, incluindo o trabalho que amava, para viver em um lugar onde tudo é diferente, desde o clima até as pessoas. E Ophélie logo descobre que, diferente de Anima, as pessoas no Polo não são confiáveis e ela precisa ter cuidado pois se tornou uma peça importante em um jogo político cujas regras não conhece. 


São tantos aspectos que quero destacar sobre esse livro que acho até difícil saber por onde começar. Foi uma leitura que superou minhas expectativas por vários motivos, mas acredito que o maior deles seja a sua originalidade. A autora criou uma história diferente de tudo que já li e isso me surpreendeu muito. Mesmo que a trama tenha alguns elementos que sejam relativamente comuns, ela usou isso com personalidade e deu um ar diferente para a história.
Em grande parte, a originalidade de Os noivos do inverno reside no universo apresentado. Nele, o mundo foi dividido não em países, mas em arcas. Cada uma delas tem suas próprias leis, costumes, poderes e o seu próprio líder, o espírito familiar de cada arca. É uma organização de mundo muito diferente de tudo que já li e que se torna mais interessante à medida que a história avança.
Ambas as arcas apresentadas possuem suas peculiaridades e foram bem construídas pela autora. De um lado, Anima é uma sociedade bem estruturada e pacífica, mas com costumes que parecem saídos do século XIX, especialmente no que se refere ao papel das mulheres. De outro, o Polo se mostra uma sociedade muito mais brutal, com uma divisão muito conflituosa e permeada por conspirações políticas. E foram esses aspectos que tornaram o universo do livro tão rico e fascinante.
“A ideia de ser privada da liberdade de se deslocar a horrorizava. Primeiro a enjaulavam por proteção, mas um dia a jaula viraria uma prisão. A transformariam em uma mulher confinada em casa com a única missão de dar filhos ao marido se não tomasse seu destino pelas rédeas de imediato.”

Outro aspecto fundamental para que eu gostasse tanto da leitura foi a excelente construção dos personagens. Ophélie é uma personagem única e que me cativou desde o início. Ela tinha tudo para ser limitada pelo estereótipo da mocinha desastrada e com baixa autoestima, mas surpreende pela força que demonstra e pelo amadurecimento que vai tendo ao longo do livro. Ela não é perfeita e comete alguns erros ao longo do livro, especialmente pela teimosia e uma certa ingenuidade, mas é tão carismática que é impossível não torcer por sua felicidade. 


Com relação aos demais personagens, todos eles cumprem seu papel na trama e tiveram um bom desenvolvimento. É um livro introdutório, mas a autora conseguiu apresentar o suficiente de cada um deles para que o leitor possa começar a entendê-los. Em especial, três tiveram um papel relevante e chamaram minha atenção. Roseline, a tia de Ophélie, é um pouco fútil e preocupada demais com as convenções, mas ama profundamente a sobrinha e isso me cativou. Há também a tia de Thorn, Berenilde, que me deixou com sentimentos conflituosos (tendendo mais para a raiva), mas que é uma personagem complexa e cheia de nuances. Porém, o grande destaque é mesmo o próprio Thorn: frio e muito rude no início, eu tinha certeza que ele era mais do que aparentava e não me enganei. Ele é um personagem com muitas camadas e que acredito que irá se desenvolver ainda mais nos próximos livros.
“Devia falar um pouco do noivo e da relação dos dois? Não fazia ideia de quem ele era realmente. Um grosseirão? Um funcionário importante? Um assassino vil? Um homem de honra? Um bastardo desonrado desde o berço? Eram muitas facetas para um homem só e ela não sabia com qual delas, finalmente, acabaria casada.”
Para minha surpresa, o livro não seguiu um caminho óbvio de um romance clichê. Apesar de ter torcer muito para que Ophélie e Thorn fiquei juntos, acho que os dois ainda têm muito a caminhar para chegar nesse ponto. Ela tem uma grande dificuldade de lidar com sentimentos e se apaixonar ainda é algo distante dos planos dela. Além disso, Thorn ainda é um personagem muito fechado e, assim como Ophélie, precisa aprender a lidar com seus sentimentos. Assim, o romance em nenhum momento se tornou algo concreto dentro da história e não tirou o foco da trama.
Outro grande mérito da trama, é a escrita da autora. Me impressionou muito a habilidade que Christelle Dabos tem para descrever as cenas, os personagens e os ambientes com riqueza de detalhes. São descrições tão bem feitas que fazem o leitor ter a sensação de estar enxergando a história, o que torna a leitura ainda mais fascinante.
“Suspensa no meio da noite, suas torres afogadas na Via Láctea, uma formidável cidadela flutuava sobre a floresta sem    que qualquer coisa a prendesse ao resto do mundo. Era um espetáculo completamente louco, uma enorme colmeia expulsa pela terra, um entrelaçado tortuoso de masmorras, pontes, nichos, escadas, arcobotantes e chaminés.”



A trama não é muito dinâmica, mas, nos momentos em que ela perde um pouco o ritmo, a boa construção do universo e dos personagens manteve meu interesse na leitura. Em nenhum momento senti que o livro se torna cansativo ou enfadonho, porque estava adorando entender aquele universo e tentar descobrir o que tinha por trás das conspirações políticas. Além disso, é uma trama que foi bem amarrada pela autora e apresentou o suficiente para deixar o leitor curioso pelas continuações.
Preciso mencionar também o capricho da editora Morro Branco nessa edição. Além dessa capa linda, que foi a primeira coisa que chamou minha atenção para esse livro, a parte interna conta com ilustrações muito bonitas no início que são importantes para a trama. Além disso, as páginas são amareladas e eu achei que a fonte tinha um bom tamanho para leitura.
Deste modo, Os Noivos do Inverno foi uma surpresa maravilhosa e ideal para começar o ano bem. É uma leitura leve, mas com um universo complexo e bem construído, que me conquistou completamente. Fui arrebatada pela originalidade desta história e, por isso, não vejo a hora de ler os próximos livros desta série. Para quem está procurando uma fantasia que sai do padrão que estamos acostumados a ver por aí, sem dúvida, é uma ótima opção.

Apaixonada por literatura desde pequena, nunca consegui ficar muito tempo sem um livro na mão. Assim, o Dicas de Malu é o espaço onde compartilho um pouco desse meu amor pelo mundo literário.




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