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[Resenha] Uma loucura e nada mais


Olá, pessoal! Hoje vim trazer a resenha de mais um romance de época que li recentemente. Deu para ver que o gênero tem dominado as minhas leituras né? Mas o de hoje é Uma loucura e nada mais, da Mary Balogh, continuação da série O clube dos sobreviventes, a qual comecei a ler no ano passado. Então, já dá para imaginar que eu estava bastante curiosa né?
Apesar dos livros dessa série serem independentes (cada um foca em um casal), eu estava ansiosa por esse terceiro volume por ter simpatizado muito com o protagonista quando ele apareceu no primeiro livro. Além disso, a forma como ele foi citado no volume anterior me deixou realmente curiosa para saber o que tinha acontecido com ele.

Agora que já li, vim contar para vocês o que achei da leitura. Mas, não se preocupem que esta resenha não contém spoilers desse livro e nem dos anteriores. Podem ler tranquilos.

Autora: Mary Balogh
Tradução: Lúcia Brito
Editora: Arqueiro
Páginas: 291
Onde comprar: Amazon
Sinopse: “Depois de sobreviver às guerras napoleônicas, Sir Benedict Harper está lutando para seguir em frente e retomar as rédeas de sua vida. O que ele nunca imaginou era que essa esperança viesse na forma de uma bela mulher, que também já teve sua parcela de sofrimento. Após a morte do marido, Samantha McKay está à mercê dos sogros opressores, até que planeja uma fuga para o distante País de Gales para reivindicar uma casa que herdou. Como o cavalheiro que é, Ben insiste em acompanhá-la em sua jornada. Ben deseja Samantha tanto quanto ela o deseja, mas tenta ser prudente. Afinal, o que uma alma ferida pode oferecer a uma mulher? Já Samantha está disposta a ir aonde o destino a levar, a deixar para trás o convívio com a alta sociedade e até mesmo a propriedade que é sua por direito, por esse belo e honrado soldado. Mas será que, além de seu corpo, ela terá coragem de lhe oferecer também seu coração ferido? As respostas a todas as perguntas talvez estejam em um lugar improvável: nos braços um do outro.”

Em Uma loucura e nada mais, é a vez de focar em sir Benedict Harper. Durante o tempo que esteve lutando nas guerras napoleônicas, ele se feriu gravemente e muitos acharam que ele sequer sobreviveria. Porém, surpreendendo a todos, ele não morreu e até mesmo conseguiu voltar a andar, embora com muita dificuldade e precisando do apoio de muletas. O que ele não conseguiu recuperar foi sua carreira no exército, o que o deixou perdido e sem saber o que fazer da sua vida.
É quando Benedict decide visitar sua irmã que acaba conhecendo lady Samantha McKay, uma jovem viúva, cujo marido morreu há pouco tempo, após passar anos sofrendo com ferimentos de guerra. Durante todo aquele tempo, Samantha cuidou do marido sem reclamar, mesmo ele demandando toda sua atenção e se queixando o tempo todo. Porém, o período de luto tem sido demais para ela suportar. Sua insuportável cunhada a sufoca o tempo todo ditando regras absurdas para o período de luto e a isolando de qualquer convívio social.

Quando Samantha chega ao seu limite e decide fugir em busca de uma propriedade que herdou no País de Gales, Benedict acaba se oferecendo para ir com ela. Os dois partem em uma aventura que irá levá-los a um caminho de autodescoberta, mas também deixará ainda mais evidente a forte atração que existe entre. 


Ah gente, o que dizer desse casal? Sabe quando você lê um livro e só quer abraçar e proteger os personagens? Foi exatamente assim que me senti em relação ao Ben e à Samantha. Eu amei muito esses personagens, tanto individualmente quanto como casal, e isso foi fundamente para que eu me envolvesse com a leitura.
Tanto o Benedict quanto a Samantha tiveram suas vidas marcadas pela guerra: ele em um grave acidente no campo de batalha, que lhe deixou com sequelas físicas e destruiu seus sonhos; já ela passou anos cuidando do marido que foi gravemente ferido na guerra, sendo sufocada pelas constantes demandas e o péssimo temperamento dele. Assim, foi impossível não me solidarizar com o sofrimento de ambos ou admirar a força e a determinação dos dois em superar as adversidades.
Falando especificamente sobre a Samantha, achei uma das protagonistas femininas mais admiráveis que já li. Para começar, achei linda a generosidade que ela demonstrou ao cuidar com tanto zelo de um marido que não merecia nada dela. Além disso, adorei a determinação dela e o fato de que não aceita perder sua essência ou sua liberdade para seguir as convenções sociais. Samantha é autêntica, justa e corajosa, demonstrando muita força nas adversidades. Como não admirar né?

Já o Benedict eu não sei nem por onde começar a descrever. Só a determinação que ele demonstrou ao desafiar todos os prognósticos e voltar a andar, mesmo que com imensa dificuldade, já seria um motivo para admirá-lo. Mas além de tudo Ben é integro, sensível, inteligente e dono de um senso de humor maravilhoso. Ele foge daquele padrão de mocinho forte, perfeito e viril, mas encanta justamente pelos seus conflitos, por sua perseverança em superar as adversidades e pela forma como encara a vida.



Mas o que deixou a leitura ainda mais cativante para mim foi a forma como a relação entre os dois protagonistas se desenvolveu. Apesar da óbvia atração entre eles, isso não é a base do relacionamento. Os dois se aproximam por compreenderem a dor um do outro, o que leva a uma cumplicidade e amizade bonitas de se acompanhar. Além disso, os diálogos entre eles são ótimos e cheios de reflexões, deixando a leitura ainda mais interessante.
Com relação à trama, na primeira metade, não tem grandes acontecimentos. Porém, isso não significa que tenha sido uma leitura lenta. A aproximação entre Benedict e Samantha foi tão gostosa de acompanhar que me prendeu desde o início. Já da metade para frente, os dois embarcam em uma aventura que deixou a história mais dinâmica e interessante, fazendo com que fosse impossível largar o livro.
Deste modo, não preciso nem dizer que me encantei novamente com a escrita de Mary Balogh. Mais uma vez ela trouxe personagens mais maduros e complexos, e desenvolveu um romance tocante e delicado. Achei que ela soube dosar muito bem o drama, o romance e o humor, deixando a leitura leve e fluida do começo ao fim.
Minha única ressalva é que gostaria que os conflitos de Benedict tivessem sido um pouco mais aprofundados. O foco da trama foi praticamente todo na história da Samantha e senti que havia muito a ser explorado da parte dele. Porém, os pontos positivos da trama foram mais do que suficientes para compensar isso e garantir que eu me encantasse com a leitura.
De um modo geral, Uma loucura e nada mais não conseguiu superar meu amor pelo segundo volume da série, mas chegou bem próximo dele. Foi um livro que me envolveu desde a primeira página e que me deixou ainda mais animada para continuar essa série. À cada novo volume, eu me encanto mais pelos integrantes do Clube dos Sobreviventes, tanto pela força quanto pela maturidade deles. Já estou ansiosa para ler o próximo e contar para vocês o que achei.
Mas quem aí já leu esse e os outros livros dessa série? Me contem aí o que acham da escrita da Mary Balogh e se também estão se encantando com o Clube dos Sobreviventes.

[Resenha] Um acordo e nada mais


Aproveitando que hoje é feriado e amanhã é sexta-feira, nada melhor do que uma dica de leitura envolvente e apaixonante para aproveitar esses dias, não? Por isso, a resenha de hoje é sobre Um acordo e nada mais, da Bary Balogh, segundo volume da série O Clube dos Sobreviventes. Para que não leu o primeiro livro, as tramas desta série são independentes e eles podem ser lidos separadamente, porém, como há uma ligação entre os personagens de ambos os livros e o casal do livro anterior aparece nesse, recomendo a leitura na sequência (tem resenha do primeiro aqui).
Quando li Uma proposta e nada mais, senti que Mary Balogh trouxe uma trama mais séria do que estamos acostumados a ver em romances de época, com personagens mais complexos e maduros. Em Um acordo e nada mais, essa sensação foi confirmada. Nesse livro, mesmo com uma trama leve, fiquei feliz por encontrar novamente uma profundidade maior do que o padrão deste gênero.

Autora: Mary Balogh
Editora: Arqueiro
Tradução: Livia de Almeida
Páginas: 304
Onde comprar: Amazon
Sinopse: “Embora Vincent, o visconde Darleigh, tenha ficado cego no campo de batalha, está farto da interferência da mãe e das irmãs em sua vida. Por isso, quando elas o pressionam a se casar e, sem consultá-lo, lhe arranjam uma candidata a noiva, ele se sente vítima de uma emboscada e foge para o campo com a ajuda de seu criado. No entanto, logo se vê vítima de outra armadilha conjugal. Por sorte, é salvo por uma jovem desconhecida. Quando a Srta. Sophia Fry intervém em nome dele e é expulsa de casa pelos tios sem um tostão para viver, Vincent é obrigado a agir. Ele pode estar cego, mas consegue ver uma solução para os dois problemas: casamento. Aos poucos, a amizade e o companheirismo dos dois dão lugar a uma doce sedução, e o que era apenas um acordo frio se transforma em um fogo capaz de consumi-los. No segundo volume da série Clube dos Sobreviventes, você vai descobrir se um casamento nascido do desespero pode levar duas pessoas a encontrarem o amor de sua vida.”

Em Um acordo e nada mais, Vincent, o visconde de Darleigh está cansado do controle e da proteção excessiva de sua mãe e irmãs. Quando tinha 18 anos, ele sofreu um grave ferimento em batalha e acabou ficando cego. Por causa disso, sua família passou a tentar protegê-lo de todas formas, mesmo depois dele ter herdado o título e a fortuna. No entanto, quando descobre que sua mãe e suas irmãs estavam tentando armar para que ele se casasse, Vincent sente que era hora de fugir.
No entanto, quando retorna para a cidade onde havia crescido, Vincent acaba quase sendo vítima de uma armadilha de casamento. Ele só consegue escapar graças a interferência de Sophia Fry, que sabia que os tios estavam tentando se aproveitar da deficiência visual dele para colocá-lo em uma situação comprometedora com sua filha, Henrietta March, e forçá-lo a se casar. O problema é que, após ajudá-lo, Sophia é expulsa de casa pelos tios.
Quando fica sabendo da situação da jovem, Vincent decide ajudá-la e acaba tendo uma ideia. Ele propõe que os dois se casem, o que faria com que Sophia ficasse amparada financeira e socialmente, enquanto Vincent poderia se livrar da proteção excessiva da família. Mas será que a convivência poderia fazer com que, de um simples acordo de conveniência, surgissem sentimentos verdadeiros?
“Talvez não tivesse sido tão precipitado assim, afinal de contas. Tinha a forte sensação de que poderia vir a gostar dela – não apenas porque estava determinado a gostar, mas porque... Bem, porque ela era uma pessoa digna de ser amada.”



Esse livro foi uma surpresa muito agradável. Apesar de ter gostado de Uma proposta e nada mais, senti que o romance demorou a me convencer. Eu gostava dos protagonistas individualmente, mas como casal não sentia a ligação entre eles. Já em Um acordo e nada mais encontrei um romance daqueles em que torcemos pelo casal desde o primeiro momento. É uma relação muito bonita, que vai se desenvolvendo aos poucos e com naturalidade, o que contribui muito para que o leitor se envolva com a leitura.
Sophia é uma personagem que me apeguei muito, porque faz o leitor exercer sua capacidade de empatia. Ela cresceu sem a mãe, sendo negligenciada por todos os parentes que cuidaram dela desde a infância, incluindo os tios com quem passou a viver após a morte do pai. Assim, ela se acostumou a não ser vista, ouvida e, até mesmo, respeitada. Se via como uma ratinha invisível e tinha sérios problemas de autoestima e confiança. No entanto, nem mesmo os anos de sofrimento tiraram de Sophia sua inteligência, seu senso de humor afiado e sua criatividade.
“Sua vida havia mudado de repente e de forma drástica. E ela ainda se comportava como uma ratinha assustada. Às vezes, é preciso esforço e determinação para não se deixar simplesmente levar pela vida, sem mudar. A mudança tinha chegado e ela tinha a chance de mudar – ou não.”
Trata-se de uma protagonista cativante, mas reconheço que, às vezes, pode ser cansativo ver o quanto ela se desmerece. No entanto, a questão aqui é tentar se colocar no lugar de Sophia e entender os danos que anos de maus tratos e abandono poderiam causar nos sentimentos de uma pessoa, especialmente alguém tão jovem como ela. Entendo esse lado da personagem e adorei vê-la se descobrindo e aprendendo a se valorizar.
Já o Vicent é um personagem que chamou minha atenção desde o livro anterior. Tendo perdido a visão com apenas 18 anos, seria natural se ele tivesse se amargurado ou se fechado para o mundo. Porém, Vincent não perdeu seu senso de humor e sua natureza determinada e corajosa. Além disso, ele é generoso, justo e demonstra uma gentileza para com os outros que me encantou. No entanto, é claro que o que aconteceu na guerra deixaria traumas e conflitos com os quais Vincent precisaria lidar, especialmente a culpa por ter provocado o próprio acidente e a perda de autonomia devido ao controle da família.
“Não corroboraria a loucura juvenil permitindo que a luz de dentro dele se extinguisse. Viveria a sua vida. E a viveria plenamente. Faria algo dela e de si mesmo. Não se renderia à depressão ou ao desespero.”
Assim, um dos aspectos que mais gostei nesse livro é o fato de que ele não foca exclusivamente no romance. Tão importante quanto a relação que surge entre Sophia e Vincent é o desenvolvimento pessoal deles. Os dois têm feridas que precisavam ser cicatrizadas e é muito interessante acompanhá-los nessa jornada de autodescoberta e superação.



Mas é claro que o romance acontece e é lindo de se acompanhar. Apesar de ser um casamento de conveniência, Vincent e Sophia se respeitaram desde o começo, pois um conseguia entender a dor do outro. Com isso, eles acabaram desenvolvendo uma cumplicidade grande antes de se apaixonarem. Além disso, ambos são personagens criativos, inteligentes, com um senso de humor afiado e que despertam o melhor um do outro, o que os torna ainda mais cativantes e contribui para que o leitor torça por eles durante todo o livro.
“Apesar de sua beleza quase inacreditável, era apenas um homem. Apenas uma pessoa. Como ela, era vulnerável. Como ela, vinha levando uma vida em muitos aspectos passiva. Como ela, sentia a necessidade, o intenso desejo de viver. De levar a melhor sobre a vida em vez de simplesmente suportá-la. De ser livre e independente... Não eram tão diferentes quanto ela pensara.”
Com relação aos personagens secundários, esse livro é mais centrado no casal principal do que o anterior. No entanto, isso não significa que outros personagens não tenham espaço ou relevância na trama. Os outros membros do Clube dos Canalhas aparecem nesse livro e desempenham um papel importante, especialmente na adaptação de Sophia. Além disso, há Martin, o criado de Vincent, que se mostra um amigo extremamente leal e que me conquistou por sua dedicação a ele.
A trama é bastante simples e não possui grandes reviravoltas, mas o que fez com que esse livro se tornasse uma leitura tão especial foi o envolvimento tanto com a jornada pessoal dos protagonistas quanto com o desenvolvimento do romance. Além disso, Mary Balogh tem uma escrita envolvente e muito sensível, que torna a leitura bastante fluida. Ela sabe dosar os momentos de humor, drama e romance, deixando a história interessante mesmo quando não há acontecimentos marcantes.
Não posso deixar de dizer também o quanto essa edição está linda. A capa segue o mesmo padrão do livro anterior, que, apesar de simples, é muito bonito. As folhas são amareladas, e achei a fonte e o espaçamento muito bons, o que deixa a leitura bastante confortável.
Deste modo, Um acordo e nada mais foi uma leitura que teve os mesmos elementos que me agradaram no volume anterior, mas com um romance ainda mais encantador. O livro conta com personagens bem construídos e muito humanos, que cativam o leitor e conquistam a nossa torcida. Estou começando a conhecer a escrita da Mary Balogh, mas esse livro me deu a certeza de que não apenas quero continuar essa série, como pretendo conhecer outras obras da autora. Para quem procura um romance de época mais profundo e, ainda assim apaixonante, não pode deixar de conhecer os livros de O Clube dos Sobreviventes.

[Resenha] Uma proposta e nada mais

 Autora: Mary Balogh
Editora: Arqueiro
Páginas: 272
Onde comprar: Amazon
Sinopse: “Após ter tido sua cota de sofrimentos na vida, a jovem viúva Gwendoline, lady Muir, estava mais que satisfeita com sua rotina tranquila, e sempre resistiu a se casar novamente. Agora, porém, passou a se sentir solitária e inquieta, e considera a ideia de arranjar um marido calmo, refinado e que não espere muito dela. Ao conhecer Hugo Emes, o lorde Trentham, logo vê que ele não é nada disso. Grosseirão e carrancudo, Hugo é um cavalheiro apenas no nome: ganhou seu título em reconhecimento a feitos na guerra. Após a morte do pai, um rico negociante, ele se vê responsável pelo bem-estar da madrasta e da meia-irmã, e decide arranjar uma esposa para tornar essa nova fase menos penosa.Hugo a princípio não quer cortejar Gwen, pois a julga uma típica aristocrata mimada. Mas logo se torna incapaz de resistir a seu jeito inocente e sincero, sua risada contagiante, seu rosto adorável. Ela, por sua vez, começa a experimentar com ele sensações que jamais imaginava sentir novamente. E a cada beijo e cada carícia, Hugo a conquista mais – com seu desejo, seu amor e a promessa de fazê-la feliz para sempre.”

Olá, leitores e leitoras! Vocês que acompanham o blog sabem que eu tenho me rendido cada dia mais aos romances de época. E, quando se trata desses livros, a editora Arqueiro é uma especialista no assunto. Por esse motivo, sempre fico curiosa para conferir os livros do gênero publicados por ela e não foi diferente com Uma proposta e nada mais, da Mary Balogh, que foi lançado no Brasil esse ano.
Primeiro volume da série O Clube dos Sobreviventes, este livro contará história de Gwendoline, a jovem viúva de um lorde inglês, que passou sete anos após a morte de seu marido sem planejar se casar novamente. No entanto, depois de tanto tempo sozinha, ela começa a cogitar encontrar um marido calmo, gentil, com quem possa ter uma vida tranquila e agradável, diferente de seu primeiro casamento.
No entanto, em um dia de caminhada onde se sente especialmente sozinha, Gwendoine sofre um acidente e é resgatada por Hugo Ernes, lorde de Trentham, um cavalheiro que não poderia estar mais distante do marido que ela imaginava. Tendo recebido o seu título por conquistas que teve em batalha, Hugo não é um nobre de nascença e nunca procurou ser um cavalheiro. Sempre carrancudo e com maneiras muito grosseiras, ele deseja encontrar uma esposa para ajudá-lo com sua irmã e atender o desejo de seu pai que queria que ele se casasse e deixasse os negócios da família para seu futuro filho.
“– Que diabo tenho que fazer? Não sei nada sobre fazer a corte. Ela sorriu, divertindo-se pela primeira vez em muito tempo. – Tem mais de 30 anos. Já era hora de ter aprendido.”
Como ambos estavam considerando a possibilidade de casar, seria de se imaginar que veriam um no outro uma possibilidade. Porém, tudo que Hugo não quer é se casar com uma aristocrata. Ele quer uma esposa de seu próprio meio, que possa aceitar sua família e uma vida mais tranquila, sem a agitação da alta sociedade. Por ouro lado, Gwen deseja um cavalheiro gentil e tranquilo, tudo o que Hugo está longe de ser. Mas e se, contrariando o bom senso de ambos, uma inesperada atração surgisse entre ele. Será que seriam estariam dispostos a superar as diferenças entre seus mundos para encontrar uma possibilidade de felicidade juntos?


A primeira coisa que preciso dizer sobre esse livro é que, por mais que a sinopse não deixe isso claro, esse não é um romance de época igual a muitos que vemos por aí. E, o principal motivo para isso são os próprios protagonistas. São dois personagens densos, cheios de traumas e marcas da vida que os tornam muito mais reais. Aliás, ambos foram construídos de uma forma que foge bastante dos padrões de romances de época.
Tanto a Gwen quanto o Hugo são personagens mais maduros do que estamos acostumados a ver nesses livros, não só por sua idade (os dois já têm mais que 30 anos), mas por um passado difícil que acabou moldando a personalidade deles. Além disso, é interessante ver como cada um deles lida com seus demônios e a forma como a autora deixa claro que, mesmo com o tempo, eles ainda tinham muito que superar.
Assim, vemos em Gwen uma mulher que tem marcas físicas e emocionais de seu passado, mas que aparenta ter lidado bem com isso e se mantido otimista. No entanto, ao longo do livro, é possível perceber que o sofrimento que ela carregava ainda era grande demais. Assim, é interessante vê-la aprendendo a olhar para si mesma e encarando seus traumas para poder seguir em frente de verdade. Além disso, mesmo quando se sente mais frágil e solitária, Gwen não deixa de se mostrar uma mulher forte, determinada e que vai em busca de sua felicidade.

“– Mas e a solidão? Por quanto tempo ficaria à espreita, esperando o momento certo para o ataque? Sua vida era mesmo tão vazia quanto parecia naquele momento? Tão vazia quanto aquela praia vasta e inóspita?”


E o que dizer do Hugo, que com seu jeito grosseiro e emburrado esconde um coração gentil e marcado pela guerra e pela culpa? A postura rígida e pouco cavalheiresca de Hugo se deve tanto aos arrependimentos que tem quanto às memórias dos horrores que viu e fez na guerra. Ele ainda é assombrado pela culpa e pelo senso de responsabilidade, o que acabou se refletindo em sua personalidade e no modo como ele se enxerga e às pessoas a sua volta. Assim, apesar de querer bater nele por sua insistência em não querer se envolver com alguém da aristocracia, eu tinha vontade de colocá-lo no colo quando pensava em tudo que ele passou.
“Ele tinha um título. Era rico. Porém trabalhava na fazenda e cultivava a própria horta. Porque gostava. E também porque oferecia alguma redenção pelo fato de ter passado anos na guerra matando e permitindo que os próprios homens fossem mortos. Não era o ex-oficial endurecido e frio que ela imaginara quando se conheceram. Ele era... um homem.”
No entanto, preciso confessar que, por mais que tenha amado os dois protagonistas, o romance demorou a me convencer. Eu gostava muito dos diálogos entre Gwen e Hugo, porque eram conversas maduras e que refletiam todo o peso que esses personagens carregavam na alma. Mas parecia que não havia química entre eles e as primeiras cenas mais sensuais acabaram não me convencendo. Porém, apesar de demorar, eu acabei acreditando e torcendo por eles; com a convivência e a forma como ambos foram se ajudando a lidar com seus traumas, o sentimento entre eles foi se tornando mais concreto e real.
Por outro lado, fui rapidamente conquistada pelos amigos de Hugo. Ele faz parte de um grupo composto por outros cinco homens e uma mulher que, de maneiras diferentes, tiveram suas vidas transformadas pela guerra, o Clube dos Sobreviventes que dá origem ao nome da série. À primeira vista, eles têm pouco em comum e apresentam personalidades muito diferentes, mas foram unidos pela dor e se ajudaram nos momentos mais difíceis de suas vidas, formando um vínculo muito bonito de acompanhar. – Sofremos neste lugar – explicou ele.
“– Nós nos curamos neste lugar. Desnudamos nossas almas uns para os outros. Deixar esta casa foi uma das coisas mais difíceis que já fizemos. Mas era necessário para que nossas vidas voltassem a fazer sentido. Uma vez por ano, porém, voltamos para recuperar nossa integridade ou para nos fortalecermos com a ideia de que estamos inteiros.”

Com relação à trama, ela se desenvolve de forma mais lenta do que costuma acontecer em romances de época, mas isso não é algo ruim. Este é um livro que foca mais no desenvolvimento dos personagens do que no romance, permitindo que o leitor vá descobrindo suas camadas aos poucos. A leitura flui bem e se torna envolvente pelos diálogos inteligentes e pelo carisma dos protagonistas.



A escrita de Mary Balogh é leve e eficiente. Gostei do ritmo que ela imprimiu na trama e o modo como ela consegue apresentar a sociedade e os costumes da época, sem exagerar nas descrições. Além disso, ela conseguiu dar profundidade aos seus personagens, até mesmo os secundários, e trazer reflexões a partir das situações vividas por eles.
Não posso deixar de falar também da edição, que está incrível. Achei a capa linda e com um tom mais sobreo, que combina com a história. Além disso, como sempre a Arqueiro adotou páginas amareladas e um bom tamanho de fonte e espaçamento, que deixam a leitura mais confortável. E, com relação à revisão, está impecável.
Deste modo, Uma proposta e nada mais é um romance de época diferente da maioria dos livros do gênero, mas que não deixa de ser uma leitura leve e envolvente. Com personagens mais complexos do que eu esperava, me encantei pela jornada pessoal deles ainda mais do que pelo romance. Assim, terminei a leitura apaixonada pelo casal principal, mas tocada pelas reflexões que encontrei. Recomendo para todos que adoram o gênero, mas que estejam procurando uma leitura diferente e mais madura.

Apaixonada por literatura desde pequena, nunca consegui ficar muito tempo sem um livro na mão. Assim, o Dicas de Malu é o espaço onde compartilho um pouco desse meu amor pelo mundo literário.




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