Mostrando postagens com marcador Laura Conrado. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Laura Conrado. Mostrar todas as postagens

[Resenha] Literalmente Amigas



Sabe quando você se identifica com um livro mesmo antes de ter lido? Foi o que aconteceu comigo quando Literalmente amigas, das autoras mineiras Laura Conrado e Marina Carvalho, foi anunciado. O livro conta a histórias de duas amigas que foram unidas pelo amor aos livros e que há anos mantinham um blog literário chamado Literalmente Amigas, mas que viram sua amizade ameaça por uma oportunidade inesperada.

Então, pensem comigo um livro sobre amizade, blogs literários, muitas referências à livros e escrito por duas autoras do meu estado. Tinha como eu não ficar curiosa para ler? Lógico que não! E quando surgiu a oportunidade de solicitar para a editora, eu não perdi tempo. Agora, vou poder contar para vocês o que achei e se consegui me identificar com essas duas Literalmente Amigas como eu imaginava.

Autoras: Laura Conrado e Marina Carvalho
Editora: Bertrand Brasil
Páginas: 336
Onde comprar: Amazon
Exemplar recebido de parceria com a editora
Sinopse: “Duas das mais populares autoras brasileiras da nova geração, as mineiras Laura Conrado e Marina Carvalho se juntaram pela primeira vez para escrever Literalmente amigas. Quando Gabi e Lívia, duas apaixonadas por livros, se conheceram em uma comunidade sobre literatura em uma extinta rede social, não imaginavam que se tornariam melhores amigas e que criaram um blog de resenhas literárias, o Literalmente Amigas. Desde então, elas são inseparáveis, apesar das personalidades muito diferentes! Gabi é um pouco avoada, desorganizada financeiramente, de riso fácil e vive uma história de conto de fadas com o namorado de longa data. Já Lívia é assertiva, firme e possui planos bem delineados para seu futuro, embora ainda não tenha encontrado o emprego dos sonhos nem um romance arrebatador como o de seus livros favoritos. Juntas, elas enfrentam as dificuldades da juventude, seja na profissão, seja no amor, até tudo começar a mudar quando ambas são selecionadas para a mesma vaga ― para a qual as duas se inscrevem, sem contar uma para outra ― na principal editora do país. Será que a paixão pelos livros, que antes unia as amigas, agora se tornará o motivo do término da amizade?”

Em Literalmente Amigas, Gabi e Lívia são duas BFFs – Book Friends Forever – que se conheceram em um fórum sobre literatura quando ainda estava no Ensino Médio. A amizade que começou no mundo virtual, passou para a vida real e as duas não se desgrudaram mais. Criaram juntas o blog Literalmente Amigas e acompanharam todas as conquistas e tristezas uma da outra. Ou seja, tinham aquela amizade que era para todos os momentos mesmo.
Mesmo estando em momentos muito diferentes da vida, tanto profissional quanto amorosa, Gabi e Lívia nunca deixaram de se apoiar e nem de acompanhar os acontecimentos relevantes da vida uma da outra. No entanto, quando surge uma oportunidade de emprego na editora favorita das duas, elas se veem disputando uma vaga. E o que tinha tudo para ser a busca pelo emprego dos sonhos, acaba representando uma ameaça àquela amizade de anos e a tudo que tinham construído juntas.
“Céus, como foi que chegamos até aqui? Como o pior de nós emergiu e como pudemos ser tão grosseiras? Em que página do livro a história mudou?”


Acho que já dá para perceber pela sinopse que a amizade será o tema central desse livro e eu gostei muito disso. Por mais que sejam apresentados outros aspectos da vida das duas protagonistas, em especial os problemas na vida profissional e nos relacionamentos amorosos, em nenhum momento essas questões tiram o foco da amizade. Gabi e Lívia eram aquelas amigas que já tinham se tornado quase irmãs, superando as diferenças de personalidade e gostos, e ao longo do livro vamos acompanhando todos os percalços que elas enfrentam e percebendo o quanto esse tipo de relação é única.
Nesse sentido, achei que foi um grande acerto das autoras trazer duas protagonistas tão diferentes uma da outra. Acredito que isso tenha tornado a amizade delas mais especial, pois evidenciou o respeito que elas tinham uma pela outra. Afinal, para serem amigas, elas não precisavam pensar agir e pensar igual ou gostar das mesmas coisas.
“Todo processo de criação tem algum erro e as coisas podem se quebrar, deixando defeito no objeto. Não devemos esconder as imperfeições, mas aceitá-las como parte da peça.”
Aliás, vou aproveitar para mencionar aqui uma das coisas que mais gostei nesse livro: a Gabi e a Lívia torcem para times de futebol rivais, Atlético e Cruzeiro, respectivamente. E eu achei muito legal que, além de mostrarem como é possível ser rival no futebol e manter a amizade, as autoras ainda abordaram a questão da participação das mulheres no futebol. Principalmente através da Gabi, uma torcedora super engajada, elas mostraram não apenas que mulheres gostam e entendem de futebol sim, mas também os preconceitos e dificuldades que ainda encontramos para ir aos estádios. Além disso, como atleticana apaixonada, confesso que deu um quentinho no coração ver as várias menções ao meu time do coração.
Mas, as diferenças entre a Gabi e a Lívia não ficam apenas no campo do futebol. As duas têm personalidades bastante distintas e estão em momentos da vida profissional e pessoal muito distantes. Na vida amorosa, Gabi não poderia estar melhor. Ela tem um namorado incrível, daquele tipo companheiro para todas as horas e que sempre a incentiva. No entanto, profissionalmente ela está vivendo um momento de crise. Sem emprego fixo, ela tem dificuldade para pagar as contas e não tem ideia do que fazer quando terminar o mestrado. Apesar de ser muito talentosa, Gabi ainda tem dificuldade para acreditar no próprio potencial e também para definir que rumo seguir na carreira.
“Então me dou conta do quão me sinto só. E talvez seja ilusória a sensação de completude. Tenho bons familiares e amigos, mas ninguém pode dar passos por mim num caminho que eu mesma tenho que abrir. Muitas pessoas podem me incentivar e aplaudir seu voo, mas o esforço em abrir as asas é particular.”

Já a Lívia vive uma situação quase oposta. Ela tem um bom emprego, que, apesar de não a deixar completamente realizada, permite que trabalhe com sua grande paixão, a literatura, e tenha uma vida estável. No campo amoroso, por outro lado, ela acumula fracassos. E, com a sorte que lhe é característica, um cara maravilhoso se muda para o apartamento ao lado. Mas, apesar de ficar completamente encantada com Santiago, Lívia tem certeza que ele é homossexual e tem uma relação mal resolvida com Fred, amigo dela e dono do apartamento onde ele foi morar.



Tanto Gabi quanto Lívia vinham se apoiando nas dificuldades da vida adulta e nos momentos de crise. No entanto, quando a oportunidade para um emprego que aparentemente seria perfeito para qualquer uma delas, essa união começa a ser posta à prova. E uma das coisas que eu achei mais bacana é que, durante o processo de seleção para a vaga, elas começam a refletir não apenas sobre a amizade delas, mas sobre quem eram. Assim, acaba sendo uma reavaliação de tudo que passaram juntas, mas também uma jornada de autoconhecimento.
“Às vezes um sonho antigo, depois de ser muito almejado, pode acabar se transformando num fardo. Será que quero de verdade ser editora do selo jovem da Espaçonave? Por que de repente sinto como se estivesse fazendo algo errado?”
Preciso destacar também que, apesar dos personagens secundários ficarem bem em segundo plano (o foco é mesmo nas duas protagonistas, eles são muito importantes na história. Em especial, o Leo (namorado da Gabi), o Santiago e o Fred. Os três acabam trazendo para a Gabi e a Lívia uma visão externa da situação delas e, muitas vezes, ajudam as duas a manter os pós no chão no meio da confusão que estavam enfrentando.
Por fim, não posso deixar de mencionar às várias referências ao universo dos blogs literários. As autoras mostram muito da rotina de quem tem um blog, incluindo o processo de preparação dos posts e a interação com os leitores. Além disso, elas abordaram também alguns problemas desse nicho, especialmente algumas rivalidades que infelizmente acontecem. Há ainda muitas menções a livros famosos, então, dá para pegar outras dicas de leitura também.
“Talvez os livros suprimam a necessidade de fala porque eles têm o poder de sempre dizer algo por nós.”
Minha ressalva em relação a Literalmente Amigas é que terminei a leitura com a sensação de que o livro poderia ter sido menor. Por mais que ele esteja longe de ser um calhamaço, algumas tramas foram desnecessárias e não acrescentaram em nada da leitura, além de quebrar o ritmo da história. Além disso, senti que as autoras prolongaram muito algumas situações, principalmente o final. Acho que essa parte poderia ter sido bem mais enxuta, sem deixar o desfecho apressado ou mal amarrado.
No entanto, mesmo com essa pequena ressalva, Literalmente Amigas foi uma leitura cativante e que deixou um quentinho no meu coração tanto pelas referências literárias (e de futebol), quanto pela linda amizade das protagonistas. Gostei muito de ver o quanto elas amadureceram ao longo do livro e como foram enfrentando os obstáculos que surgiram entre sua amizade. Para quem ama o universo dos livros ou tem uma grande amizade de anos, com certeza vai se identificar com essa leitura.

[Resenha] Heroínas


Vocês já pensaram para pensar nas grandes histórias que já leram e em como a maioria delas era protagonizada por homens? Desde a lenda do Rei Arthur até Harry Potter, quase sempre vemos nas histórias os heróis salvando o mundo. Até mesmo nos contos de fadas, onde as personagens femininas são as protagonistas, elas acabam muitas vezes ficando com o papel de donzela em perigo enquanto cabe aos mocinhos resgatá-las.

Mas, e se as clássicas histórias de heróis fossem recontadas com protagonistas femininas? É isso que aconteceu no livro Heroínas, publicado pela Galera Record esse ano. Ele é composto por três contos que trazem versões modernas e empoderadoras das histórias de Os três mosqueteiros, O Rei Arhur e Robin Hood, escritas respectivamente por Laura Conrado, Pam Gonçalves e Ray Tavares. 

Autoras: Laura Conrado, Pam Gonçalvez e Ray Tavares
Editora: Galera Record
Páginas:
Onde comprar: Amazon
Sinopse: “Três escritoras brasileiras — Laura Conrado, Pam Gonçalves e Ray Tavares — reinventam clássicos para inspirar cada vez mais heroínas. Não faltam heróis. Dos clássicos às histórias contemporâneas os meninos e homens estão por todo lugar. Empunhando espadas, usando varinhas mágicas, atirando flechas ou duelando com sabres de luz. Mas os tempos mudam e já está mais do que na hora de as histórias mudarem também. Com discussões feministas cada vez mais empoderadas e potentes, meninas e mulheres exigem e precisam de algo que sempre foi entregue aos meninos de bandeja: se enxergar naquilo que consomem. Este é o livro de um tempo novo, um tempo que exige que as mulheres ocupem todos os espaços, incluindo a literatura. Laura Conrado imaginou as Três mosqueteiras como veterinárias de uma ONG, que de repente contam com a ajuda de uma estudante que não hesita em levantar seu escudo para defender os animais. A Távola Redonda de Pam Gonçalves é liderada por Marina, que diante do sumiço do dinheiro que os alunos de sua escola pública arrecadaram para a formatura, desembainha a espada e reúne um grupo de meninas para garantirem a festa que planejaram. E Roberta é a Robin Hood de Ray Tavares. Indignada com a situação da comunidade em que vive, a garota usa sua habilidade como hacker para corrigir algumas injustiças. Este é um livro no qual as meninas salvam o dia. No qual elas são o que são todos os dias na vida real: heroínas. Finalmente.”

O livro começa com o conto de Laura Conrado, “Uma por todas e todas por uma”. Nessa releitura de Os três mosqueteiros, a jovem Daniela D’Artagnan está ansiosa para conseguir um estágio em veterinária na ONG Mosqueteiros, que resgata animais das ruas e oferece atendimento aos animais de pessoas carentes. Apesar de ainda estar no Ensino Médio, ela sempre ajudou sua mãe na clínica veterinária que mantém e sonhava em poder ajudar a ONG que sempre admirou.
Inicialmente, ela é recusada quando se candidata à vaga de estágio. Porém, quando defende um cachorro que estava sendo maltratado, Daniela acaba conhecendo Agnes, uma das veterinárias da ONG, e se juntando a ela e suas amigas para organizar uma feira de adoção para os animais da Mosqueteiros. No entanto, Daniela percebe que a ONG não ia tão bem quanto parecia e que ela e as amigas teriam que agir se quisessem salvar um projeto tão bonito.


A trama desse conto é bem simples, mas traz um tema importante e atual: a proteção dos animais. Nele, a autora mostra um pouco sobre o trabalho de ONGS que resgatam animais vítimas de violência, a importância da adoção responsável (aliás, fica a dica: não compre, adote) e as dificuldades que essas organizações enfrentam.
Gostei muito também da personalidade forte e cativante da protagonista e a amizade que surge entre ela e as outras veterinárias da ONG. É uma relação muito bonita de acompanhar, marcada pela lealdade e pelo apoio. Além disso, a trama ainda tem espaço para um romance muito fofo e só lamentei a história não ser maior porque queria ver mais sobre o Samuel, amigo da Daniela por quem ela sempre foi apaixonada.
De um modo geral, a leitura de Uma por todas e todas por uma foi bem fluida e envolvente. Gostei da escrita da Laura Conrado e da maneira leve como ela desenvolveu a trama. Foi meu primeiro contato com o trabalho dela, mas foi o suficiente para me deixar curiosa para ler seus livros.

O segundo conto, Formandos da Távola Redonda, foi escrito pela Pam Gonçalves e conta a história de um grupo de alunas que se reúne para salvar a formatura do Ensino Médio. Faltando dois meses para a festa, o dinheiro foi roubado e a responsabilidade de encontrar uma solução acabou recaindo sobre a protagonista, Marina. Junto com outras cinco meninas das turmas do terceiro ano, ela precisa recuperar o dinheiro e organizar a formatura.
Paralelamente, ela tem que lidar com seu namoro que anda cada vez pior. Seu namorado, Guilherme, estava insistindo para que ela transasse com ele, mas Marina não se sente pronta para isso. Quanto mais o tempo passa, menos certeza ele tem de seus sentimentos por ele. Por outro lado, enquanto o relacionamento ia mal, surgia uma inesperada amizade entre Marina e as demais meninas da comissão de formatura.
Confesso que esse conto me decepcionou bastante. A Pam escolheu temas muito interessantes para abordar no livro, incluindo relacionamentos abusivos e empoderamento feminino. No entanto, achei que faltou foco e os assuntos mais relevantes só foram abordados da metade para frente do conto. Com isso, senti falta de um maior desenvolvimento de algumas questões, e aspectos que poderiam ser realmente positivos, acabaram sendo mal trabalhados.
Além disso, comparado com os outros dois contos do livro, esse traz o enredo menos interessante. Por mais que eu consiga me relacionar com as dificuldades da organização de uma festa de formatura do Ensino Médio, não chega a ser um assunto relevante, especialmente se considerarmos os outros dois contos do livro. Com isso, a leitura só foi começar a me prender já na metade e quando estava começando a me interessar pela história e os personagens, o conto estava praticamente no final.  



Já Robin, a proscrita encerra o livro com chave de ouro. Nesse conto, conhecemos Roberta, uma jovem hacker que quer vingar a morte de seus pais, mas também tornar o mundo mais justo. Com isso, ela começa a desviar dinheiro da conta de políticos e religiosos corruptos e distribuir para instituições de caridade sérias, a fim de ajudar pessoas que realmente precisavam.
Com a ajuda de amigos, Roberta atua como uma verdadeira Robin Hood na internet. No entanto, seu maior alvo é o pastor Felizzi, um homem inescrupuloso que esteve ligado a morte do pai dela e ainda desviava o dinheiro do dízimo dos fiéis para sua própria conta, se aproveitando da boa-fé das pessoas. Quando surge a oportunidade de fazer justiça, Roberta não poderia desperdiça-la. Porém, ela também precisaria aprender a lidar com as consequências de suas escolhas.
Além de um tema muito atual e que foi bem explorado pela autora, o conto tem personagens bem desenvolvidos e interessantes. Não apenas a protagonista, Roberta, mas todos tiveram suas personalidades bem construídas e acabaram conquistando minha simpatia. Em especial, adorei Willa e Pequeno, duas amigas da Roberta que ajudam em seus planos e foram responsáveis pelos momentos mais divertidos conto.
Ainda não tinha lida nada da Ray Tavares, mas adorei a forma como ela desenvolveu a trama. Apesar das poucas páginas, ela conseguiu escrever uma história muito dinâmica, com personagens bem construídos e cativantes, além de abordar bem um tema muito importante. De um modo geral, esse foi o meu conto favorito da autora e me deixou realmente curiosa para ler outro trabalho dela, o livro Os doze signos de Valentina, que também foi publicado pela Galera Record.
Assim, Heroínas veio com uma proposta muito interessante e cumpriu bem seu papel. Por mais que não tenha gostado de todos os contos igualmente, os três mostraram bem personagens femininas fortes e a importância da amizade entre as mulheres. Acredito que seja uma leitura muito válida, especialmente para o público mais jovem. Afinal, é imprescindível mostrar às meninas que elas têm voz e que podem lutar pelo que acreditam, juntas, sem depender de um mocinho para salvá-las.
E vocês, já leram esse livro? Me contem nos comentários o que acharam e outros livros que vocês indicam com protagonistas femininas inspiradoras. 

Apaixonada por literatura desde pequena, nunca consegui ficar muito tempo sem um livro na mão. Assim, o Dicas de Malu é o espaço onde compartilho um pouco desse meu amor pelo mundo literário.




Facebook

Ofertas na Amazon

Instagram

Seguidores

Tecnologia do Blogger.

Mais lidos

Twitter

Newsletter

Arquivos

Editoras parceiras