Autora: Jessica Cluess
Editora: Galera Record
Páginas: 336
Skoob
Onde comprar: Amazon
Exemplar
recebido em parceria com a editora
Sinopse: “O primeiro livro da série de Jéssica Cluess, perfeito para surpreender fãs de fantasias já bem habituados com magia, profecias e triângulos amorosos. Henrietta Howel tem o poder de explodir em chamas. Quando é obrigada a expor suas habilidades ela tem certeza de que será executada. Apenas os feiticeiros podem usar magia, e nenhum deles é mulher. Ela se surpreende quando não só é poupada da guilhotina, mas também nomeada a primeira feiticeira em séculos. Ela é a garota profetizada, aquela que derrotará os Ancestrais – seres sanguinários que aterrorizam a humanidade. Henrietta então passa a treinar dia e noite com um grupo de feiticeiros ansiosos para testar as habilidades – e o coração – da garota da profecia. Mas será que Henrietta é mesmo a garota da profecia?”
“Eu sou Henrietta Howel. A primeira feiticeira em séculos. A garota que consegue controlar o fogo. Aquela que derrotará os Ancestrais. A escolhida. Sou mesmo?”
A série “livros de fantasia que me conquistaram pela capa” ganhou um novo
capítulo: Uma sombra ardente e brilhante,
da Jessica Cluess, que foi lançado no final do ano passado pela Galera Record.
Quando eu olhei essa capa, não precisei nem ler a sinopse para saber que se
tratava de um livro de fantasia e que eu já queria ler. Felizmente, meu palpite
se mostrou correto e gostei bastante da leitura.
Primeiro volume de uma trilogia, Uma sobra
ardente e brilhante tem como protagonista Henrietta Howell, uma jovem
professora em uma escola para garotas que não tem grandes perspectivas de algum
dia conseguir ir embora dali, mas que esconde um grande segredo. Ela tem uma
misteriosa habilidade mágica associada ao fogo e é conjurar chamas do nada.
Porém, em uma Inglaterra vitoriana machista, mulheres não eram autorizadas a
usar magia e esse talento da garota poderia acabar significando uma passagem só
de ida para a cadeia.
No entanto, quando, em uma situação de
desespero, Henrietta usa seu poder na frente de um poderoso feiticeiro e acaba
descobrindo que vinha sendo procurada há muito tempo. Existia uma profecia que
dizia que uma feiticeira iria surgir e derrotar os Sete Ancestrais – demônios
que haviam sido libertados anos antes por um casal de magos e atavam a
Inglaterra, levando caos e destruição. Quando mestre Aggripa descobre o poder
Henrietta, fica claro que ela era a garota da profecia e que deveria ser levada
para Londres a fim de ser treinada juntamente com outros Iniciantes que, em
breve, receberiam a comenda da Rainha e se tornariam feiticeiros.
O problema é que não seria tão fácil para
Henrietta conquistar a aceitação dos demais feiticeiros. Muitos não viam com
bons olhos uma garota feiticeira e até mesmo duvidavam que a profecia estivesse
correta. Além disso, durante seu treinamento, Henrietta percebe que ela poderia
realmente não ser mesmo a garota que todos esperavam, o que a colocaria em uma
posição extremamente perigosa.
Uma das coisas que mais gostei nesse livro
foi como a autora usa a proibição das mulheres de usar magia para mostrar o
machismo da era vitoriana e que, infelizmente, persiste até hoje (mesmo que em
menor grau). Além disso, é quando Henrietta, uma garota negra, chega em uma
Londres totalmente dominada por homens brancos, que o preconceito daquela
sociedade fica mais evidente. Os outros feiticeiros custam a aceita-la como um
deles e, além de estar bem atrasada em termos de treinamento, Henrietta precisa
se esforçar muito mais para provar seu valor.
“Às vezes, parece que moças são treinadas desde o nascimento para jamais contribuírem com nada de original numa conversa.”
No entanto, ela é uma protagonista que se
mostra à altura dos desafios. Apesar das dificuldades em se adaptar a uma
realidade que era totalmente nova para ela em um ambiente que, muitas vezes, se
apresenta hostil, Henrietta demonstra uma personalidade forte e uma
determinação impressionante. Lógico que, sendo uma garota de apenas dezesseis
anos, órfã e sem nunca ter conhecido o carinho da família, ela tem seus
momentos de fraqueza e vulnerabilidade. No entanto, isso acaba fazendo com que
ela seja mais humana e real para o leitor.
Outro ponto que gostei bastante nesta
personagem é o quanto ela se mostra leal. Seu melhor amigo, Rook, é considerado
um Impuro, por ter sido atacado por um dos ancestrais. No entanto, em momento
algum ela considera abandoná-lo. O laço entre eles é bonito, apesar de ficar
balançando entre o amor e a amizade; e, mesmo com as dúvidas em relação aos
seus sentimentos e as mudanças que ocorrem na vida dos dois quando vão para
Londres, eles se esforçam para continuarem se apoiando e se protegendo.
“Os feiticeiros eram diferentes de todos os outros, irremediavelmente diferentes. (...) Meu caminho atual estava me levando para longe de pessoas como Lilly, Charley e Rook, os tipos com quem eu havia crescido. O tipo de pessoa que eu havia sido.”
Além de Rook, há outros personagens que
vão ganhando destaque na trama e que acabaram se tornando importantes na vida
de Henrietta. Começando com Julian Magnus, o primeiro aprendiz a reconhecê-la
como uma igual e aceita-la no grupo treinado pelo mestre Aggripa. Por outro
lado, George Blackwood, o jovem Conde de Sorrow-Fell, não parece acreditar nem
um pouco que ela seja a garota da profecia e se mostra sempre disposto a
criticá-la. Mas, acreditem ou não, ele acabou se mostrando um dos personagens
mais complexos do livro e se tornou o meu favorito. Há ainda um misterioso
mago, Hargrove, que se mostra fundamental na jornada de Henrietta e que, com um
jeito prático e um humor bastante ácido, me lembrou o Haymitch da trilogia
Jogos Vorazes (inclusive, já quero um filme com o Woody Harrelson interpretando
esse personagem).
É claro que em um livro que com tantos
adolescentes não poderia faltar romance, né? No entanto, felizmente, ele
aparece de maneira sutil e não tira o foco da trama principal. Com exceção de
um único personagem, cujos sentimentos ficam mais claros a partir de um
determinado ponto, todos os outros ficam mais nas entrelinhas e é realmente
difícil apontar qual casal ficará junto. No entanto, confesso que apenas uma
das possibilidades me empolgou e torço muito para que ela se concretize nos
próximos livros.
Com relação ao universo, Jessica Cluess
foi muito habilidosa em inserir o leitor nesse mundo mágico. Não tive
dificuldade nenhuma para me adaptar àquele ambiente ou entender como ele
funcionava. Além disso, achei muito interessante o fato da autora ter misturado
elementos fantásticos com um período histórico real. No livro, vemos a rainha
Victória presente na história, assim como muitos aspectos da sociedade inglesa
da Era Vitoriana, mas também magos, feiticeiros e bruxos, além de criaturas
terríveis que ameaçavam a segurança da Inglaterra. É possível perceber também
como até entre aqueles com habilidades mágicas estavam refletidos os
preconceitos e os padrões rígidos de comportamento daquela época.
“– Não podemos confiar neles, Nettie. – Ele estava resoluto. – Não deveríamos ter que fingir para sermos aceitos.”
A minha única ressalva é que achei o ritmo
morno na maior parte do livro. Como vemos Henrietta em uma fase de adaptação à
sua nova vida, não há tanta ação no começo. Além disso, acredito que os
Ancestrais acabaram ficando como uma ameaça um tanto abstrata. Eu tive
dificuldade em enxergá-los como algo realmente temível e, por isso, achei que
faltou um certo senso de urgência para deixar a leitura mais envolvente.
No entanto, da metade para o fim, esse
aspecto melhora consideravelmente e a trama ganha um ritmo mais intenso. O
desfecho conta com algumas reviravoltas que deixaram a trama mais interessante
e terminei a leitura com a expectativa de que, neste volume, encontrei apenas a
apresentação de uma trama que se tornará muito maior nos próximos volumes.
Apesar de não ser um final totalmente aberto, a autora deixou pontas a serem
exploradas e foi habilidosa para escrever isso de um jeito que realmente motive
o leitor a ler as continuações.
Com relação à edição, como eu já disse no
início da resenha, adorei esta capa desde que a vi. Depois de concluir a
leitura, gostei ainda mais, pois combina perfeitamente com o livro. As páginas
amareladas e o tamanho da fonte também estão ótimos para leitura e achei que a
revisão estava muito boa. Só senti falta de um mapa que permitisse ao leitor
visualizar melhor como estavam espalhados os ataques dos Ancestrais no território
inglês, mas não foi algo que tenha dificultado a compreensão da história.
Em resumo, Uma sombra ardente e brilhante
pode ter sido uma leitura que começou a me conquistar pela capa, mas certamente
o conteúdo não me decepcionou. Adorei o universo criado pela Jessica Cluess, bem
como os personagens e a forma como a trama foi desenvolvida. Mesmo faltando um
pouco de ação no começo, a leitura não foi cansativa em momento algum graças a
escrita fluida e envolvente da autora. É um livro que deve agradar aqueles que
amam fantasia e romances históricos, inaugurando muito bem a trilogia. Ele
certamente despertou o interesse pelas continuações e já estou ansiosa para que
o segundo seja publicado no Brasil.

















