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[Resenha] A Ladra Amaldiçoada


Acredito que todo leitor já passou pelo menos uma vez pela sensação de ver a capa de um livro e saber imediatamente que precisa ler. Isso já aconteceu algumas vezes comigo e uma delas foi com um lançamento desse ano da Editora Seguinte: A ladra amaldiçoada, da Margaret Owen.

Primeiro volume de uma trilogia, esse livro traz uma combinação de folclore nórdico, romance e muita aventura. Ou seja, eu realmente não conseguiria resistir à essa história.

Então, hoje eu vim contar um pouco sobre A ladra amaldiçoada e o que eu achei da leitura. Será que ele entrega mais do que uma capa bonita?


 

Autora: Margaret Owen

Tradução: Laura Pohl

Editora: Seguinte

Páginas: 464

Onde comprar: Amazon

Exemplar recebido de parceria com a editora

Sinopse: “Este livro não é um conto de fadas. Esta não é a história da princesa. Esta é a história que ninguém contou: a da criada malvada. Vanja é uma criada, e desde cedo aprendeu que nenhum presente é de graça. Quando suas madrinhas, as deusas Morte e Fortuna, exigem um preço alto por sua ajuda, a garota decide tomar as rédeas do seu futuro… e roubar a identidade de Gisele, a princesa que deveria servir. Agora, ela tem um álibi para frequentar as festas da nobreza e roubar as joias que vão financiar sua grande fuga. Até que, perto de conquistar sua liberdade, a jovem cruza o caminho da deusa errada e sofre uma maldição: seu corpo vai, aos poucos, se transformar nas pedras preciosas que ela tanto ama. Vanja tem duas semanas para descobrir como quebrar a maldição e escapar. O que já seria bem difícil sem um jovem detetive no seu encalço. Será que Vanja finalmente encontrou alguém páreo para sua inteligência ― e capaz de mexer com seu coração?”

 

Em A ladra amaldiçoada, acompanhamos uma jovem criada que desde sempre precisou aprender a sobreviver. Afilhada das deusas da Fortuna e da Morte, Vanja sabe que nada vem de graça e que, quando suas madrinhas exigem que escolha uma delas para servir, isso virá com um preço que ela não está disposta a pagar. Por isso, Vanja recorre a um plano arriscado: ela rouba identidade de Gisele, a princesa a quem deveria servir, e usa como desculpa para entrar em casas da alta sociedade e pegar joias que financiariam sua fuga.

Mas tudo muda com dois eventos: a maldição de uma deusa que ameaça aos poucos transformá-la nas pedras preciosas que ela cobiça e a chegada do certinho (e charmoso) prefeito mirim para investigar os roubos das joias. Assim, já dá para imaginar que a vida de Vanja não vai ser fácil. E realmente não é. Ela se envolve em muitas confusões e perigos, além de um inesperado romance que pode abalar seus planos.

 

Como já dá para imaginar só pela premissa, A ladra amaldiçoada traz uma trama cheia de aventuras e com uma protagonista um tanto duvidosa. E o melhor de tudo é que Vanja é uma personagem tão esperta e sarcástica, que deixa as confusões em que ela se envolve ainda mais divertidas de acompanhar. Mas o que mais gostei é que a autora conseguiu trazer a inteligência dela e sua esperteza para se livrar de situações complicadas sem exagerar ou deixar forçado.

Pelo contrário, Vanja é uma personagem muito humana e cheia de vulnerabilidades. Então, apesar de ter vários momentos em que ela é esperta e ardilosa para se safar das confusões que cria, ela também tem seus momentos de fraqueza e insegurança que a tornam ainda mais cativante.

Outro ponto que amei na leitura foi a parte fantástica. A influência do folclore nórdico é bem evidente e dá um clima de conto de fadas que deixou a leitura ainda mais envolvente e aconchegante. Além disso, autora soube explorar muito bem os elementos fantásticos da trama, construindo um universo que realmente instiga o leitor e faz com que a gente se sinta dentro daquele mundo mágico.

Preciso destacar também para os personagens secundários, em especial o prefeito mirim, Emeric. Além de totalmente apaixonante, ele tem um jeito certinho que contrasta totalmente com os trambiques da Vanja, ao melhor estilo opostos que se atraem. O romance não é o foco da trama e fica totalmente em segundo plano, mas o pouco que tem na trama já é o suficiente para cativar e fazer com que a gente torça para que esses personagens tão diferentes acabem se entendendo.

De um modo geral, A ladra amaldiçoada me conquistou e surpreendeu. Tive algumas ressalvas, especialmente com a perda de ritmo em alguns momentos, mas isso não chegou a comprometer. É um livro leve, envolvente e divertido, que traz uma combinação deliciosa de fantasia, romance e aventura. Além disso, traz lições importantes e personagens cativantes. Amei esse primeiro volume e já estou ansiosa pelos próximos.

E você, já conheciam A ladra amaldiçoada? Gostam de histórias com toque de contos de fadas?


[Dica da Malu] A Rebelde do Deserto

Sinopse: “O deserto de Miraji é governado por mortais, mas criaturas míticas rondam as áreas mais selvagens e remotas, e há boatos de que, em algum lugar, os dijinis ainda praticam magia. De toda maneira, para os humanos o deserto é um lugar impiedoso, principalmente se você é pobre, órfão ou mulher. Amani Al’Hiza é as três coisas. Apesar de ser uma atiradora talentosa, dona de uma mira perfeita, ela não consegue escapar da Vila da Poeira, uma cidadezinha isolada que lhe oferece como futuro um casamento forçado e a vida submissa que virá depois dele. Para Amani, ir embora dali é mais do que um desejo – é uma necessidade. Mas ela nunca imaginou que fugiria galopando um cavalo mágico com o exército do sultão na sua cola, nem que um forasteiro misterioso seria responsável por revelar a ela o deserto que ela achava que conhecia e uma força que ela nem imaginava possuir”.
Autora: Alwyn Hamilton / Editora: Seguinte / Páginas: 312
Comprar: Amazon

Sabe qual é o resultado da mistura de fantasia, faroeste, mitologia árabe e uma protagonista feminina incrível? Se você pensou “um livro maravilhoso”, acertou. Estou falando, claro, de A Rebelde do Deserto, da escritora Awyn Hamilton e publicado no Brasil pela Editora Seguinte.
Confesso que a primeira coisa que me chamou a atenção nesse livro foi a capa, que é lindíssima. Mas quando soube que se tratava de uma fantasia ambientada no deserto e que misturava faroeste e mitos árabes, fiquei muito curiosa para ler. Tudo isso associado a muitas críticas positivas me fizeram criar expectativas muito altas em torno do livro. Felizmente, todas elas foram atendidas com folga.
Na trama, conhecemos Amani, uma jovem órfã que mora com os tios em uma pequena cidade chamada Vila da Poeira. Tudo que ela via ali eram as mulheres tendo sua voz sufocada e suas vidas colocadas nas mãos dos homens. Por esse motivo, o sonho dela era partir para a capital, onde sua mãe costumava dizer que elas poderiam ser livres e não teriam seus destinos determinados pelos homens.

“Pela primeira vez o deserto não parecia se estender para sempre. O horizonte acelerava na minha direção.”

Com dezesseis anos, Amani está ainda mais decidida a ir embora. Desde pequena ela treinava para se defender sozinha e se tornou uma excelente atiradora. Agora, era hora de usar suas habilidades. O marido de sua tia acredita que ela deveria se casar e, se não aparecesse nenhum pretendente, ele mesmo pretendia tê-la como esposa. Como na cultura árabe um homem pode ter mais de uma esposa, isso não seria problema.             Mas Amani não tinha a menor intenção de seguir o caminho que haviam traçado para ela. O que ela queria mesmo, era fugir dali o mais rápido possível.
Por este motivo, Amani se disfarça de homem e vai participar de uma competição de tiro ao alvo em uma cidade próxima à sua, pensando em usar o prêmio para fugir de casa. Lá, ela conhece um forasteiro misterioso que parece ter tanto a esconder quanto ela. A noite acaba em uma grande confusão e a menina acaba tendo que retornar para casa. Porém, no dia seguinte, o seu caminho cruza novamente com o do forasteiro e, para sua surpresa, surge a oportunidade que ela tanto queria para fugir dali. O que ela não esperava era que teria companhia, ou que o exército iria atrás deles.
Para começar a falar sobre esse livro, preciso ressaltar como o universo criado pela Alwyn é interessante e muito bem construído. Aliás, posso afirmar com tranquilidade que ele é diferente de tudo que eu já havia lido antes. Ambientado no deserto, o livro tem um clima de faroeste, com competições clandestinas de tiro, perseguições, e forasteiros misteriosos. Há ainda a mitologia árabe, que traz a parte fantástica do livro. A autora trouxe para a trama lendas e mitos árabes que enriqueceram o universo criado por ela e o tornaram ainda mais fascinante.
No começo, ficamos presos à pequena vila onde Amani cresceu e aos seus costumes. Mas, à medida que ela se distância de lá, vemos que aquele universo é muito mais amplo e complicado do que se supunha. A própria protagonista percebe que há muito ali que ela não conhecia ou não entendia completamente. Assim, o leitor vai descobrindo e juntando as peças junto com ela, o que torna a leitura ainda mais interessante e envolvente.
Outro aspecto que destaco é que, por mais fantástico que seja o universo criado, é evidente que a autora está fazendo ali uma crítica à nossa sociedade e ao pensamento que, infelizmente, ainda persiste de que as mulheres estão em uma posição inferior aos homens ou que a nossa opinião não precisa ser levada em consideração. Aliás, o que não falta neste livro são críticas sociais relevantes. Além do machismo, a autora fala sobre intolerância religiosa, conflitos políticos causados pela ideia de que uma cultura deve se sobrepor às demais, preconceito, e desigualdade social.

“As pessoas neste deserto deveriam ter um país que pertencesse a elas, não a um homem. Todos aqui nascem como se alguém ateasse fogo neles quando nascem.”

Com relação aos personagens, gostei muito do modo como eles foram construídos. O foco principal é Amani e o forasteiro, Jin, e toda a trama gira em torno deles. No entanto, isso não significa que os personagens secundários não sejam relevantes ou interessantes o suficiente para fazer o leitor se importar com eles. Ao contrário, vemos em todos eles conflitos e sentimentos que os tornam mais humanos e complexos. Me surpreendi quando cheguei ao final do livro e percebi o quanto estava me importando com aqueles personagens e desejava saber o que aconteceria com eles nos próximos livros.
Mas falando especificamente sobre os dois principais, já vou deixar claro que eu amei os dois. A Amani é uma protagonista que realmente conquista e faz por merecer a admiração do leitor. Ela não está lutando por uma causa ou para transformar aquele país, mas isso não significa que ela aceita tudo calada. Ao contrário, Amani não aceita ficar em uma posição de submissão e deixar que os homens determinem seu destino. Tudo que ela quer é a liberdade para fazer suas próprias escolhas e decidir os rumos da sua vida, e ela luta para conseguir isso com todas as suas forças.
Além disso, por mais que tenha personalidade forte e seja determinada, Amani não apresenta aquela teimosia burra que algumas personagens demonstram. Ela é esperta, mas tenha plena consciência que tem muito naquele mundo que ela não conhece ou não entende completamente, e, por isso, está sempre disposta a aprender e ouvir o que os outros têm a dizer. Ela é humana e falha em muitos momentos, mas está disposta a reconhecer seus erros e tirar lições deles.
Já o Jin é misterioso e, ao mesmo tempo, apaixonante. É evidente desde o começo que ele esconde um grande segredo, mas algo nele fez com que conquistasse minha confiança desde o começo. Ele é inteligente, corajoso e tão determinado com Amani. Além disso, tem um senso de justiça e de honra que chega a ser surpreendente, considerando que ele é um foragido perseguido pelo exército. É um personagem complexo, com sentimentos conflitantes e que vai sendo construído aos poucos, fazendo com que o leitor demore a conseguir entende-lo de fato
Claro que há romance no livro e, desde o começo, o leitor pode sentir que haverá um envolvimento que será mais do que amizade. No entanto, isso não é prejudicial ao livro por dois motivos: o primeiro é que a ligação entre eles é plausível, o leitor consegue realmente entender por que eles se aproximam e ver o sentimento sendo construído aos poucos; o segundo é que, em momento algum, o romance assume o foco da história e nem se torna o objetivo principal dos personagens, ficando totalmente em segundo plano e aparecendo de maneira natural na trama.
Por fim, não posso deixar de comentar como me surpreendi com a escrita da autora. Esse é não apenas o primeiro volume da trilogia, mas é também o romance de estreia da Alwyn Hamilton. E fiquei realmente surpresa ao perceber a habilidade e segurança que ela demonstrou nesse livro. A escrita da autora é muito envolvente e ela soube construir um universo rico e fascinante, com muitos elementos diferentes de outros livros do gênero que eu já li.
Assim, só posso dizer que recomendo A Rebelde do Deserto para todos que amam fantasia ou que procuram algo diferente dentro deste gênero. Sem dúvida, esse livro traz muitos elementos novos que o diferenciam de outros de fantasia. Além disso, é uma leitura envolvente, com personagens carismáticos, um universo rico, muitas críticas sociais, e uma trama dinâmica, cheia de aventura, mistérios e reviravoltas surpreendentes. Sem dúvida, uma das melhores leituras que fiz esse ano e que já entrou para minha lista de favoritos.
Agora quero saber a opinião de vocês aí nos comentários. Se vocês já leram ou pretendem ler esse livro, o que acharam, se também são apaixonados por essa capa... me contem tudo aí. E, para quem se interessou pelo livro, aproveitem o link para compra na Amazon que eu deixei no início do post.


Observação: Apesar de ter amado a capa, ainda não tenho o livro físico e li em e-book. Por isso, não poderei comentar muito sobre a edição. Mas, quando fizer a resenha do segundo, conto o que achei da diagramação, tamanho da fonte, etc. 

Apaixonada por literatura desde pequena, nunca consegui ficar muito tempo sem um livro na mão. Assim, o Dicas de Malu é o espaço onde compartilho um pouco desse meu amor pelo mundo literário.




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