[Dica da Malu] A Rebelde do Deserto

Sinopse: “O deserto de Miraji é governado por mortais, mas criaturas míticas rondam as áreas mais selvagens e remotas, e há boatos de que, em algum lugar, os dijinis ainda praticam magia. De toda maneira, para os humanos o deserto é um lugar impiedoso, principalmente se você é pobre, órfão ou mulher. Amani Al’Hiza é as três coisas. Apesar de ser uma atiradora talentosa, dona de uma mira perfeita, ela não consegue escapar da Vila da Poeira, uma cidadezinha isolada que lhe oferece como futuro um casamento forçado e a vida submissa que virá depois dele. Para Amani, ir embora dali é mais do que um desejo – é uma necessidade. Mas ela nunca imaginou que fugiria galopando um cavalo mágico com o exército do sultão na sua cola, nem que um forasteiro misterioso seria responsável por revelar a ela o deserto que ela achava que conhecia e uma força que ela nem imaginava possuir”.
Autora: Alwyn Hamilton / Editora: Seguinte / Páginas: 312
Comprar: Amazon

Sabe qual é o resultado da mistura de fantasia, faroeste, mitologia árabe e uma protagonista feminina incrível? Se você pensou “um livro maravilhoso”, acertou. Estou falando, claro, de A Rebelde do Deserto, da escritora Awyn Hamilton e publicado no Brasil pela Editora Seguinte.
Confesso que a primeira coisa que me chamou a atenção nesse livro foi a capa, que é lindíssima. Mas quando soube que se tratava de uma fantasia ambientada no deserto e que misturava faroeste e mitos árabes, fiquei muito curiosa para ler. Tudo isso associado a muitas críticas positivas me fizeram criar expectativas muito altas em torno do livro. Felizmente, todas elas foram atendidas com folga.
Na trama, conhecemos Amani, uma jovem órfã que mora com os tios em uma pequena cidade chamada Vila da Poeira. Tudo que ela via ali eram as mulheres tendo sua voz sufocada e suas vidas colocadas nas mãos dos homens. Por esse motivo, o sonho dela era partir para a capital, onde sua mãe costumava dizer que elas poderiam ser livres e não teriam seus destinos determinados pelos homens.

“Pela primeira vez o deserto não parecia se estender para sempre. O horizonte acelerava na minha direção.”

Com dezesseis anos, Amani está ainda mais decidida a ir embora. Desde pequena ela treinava para se defender sozinha e se tornou uma excelente atiradora. Agora, era hora de usar suas habilidades. O marido de sua tia acredita que ela deveria se casar e, se não aparecesse nenhum pretendente, ele mesmo pretendia tê-la como esposa. Como na cultura árabe um homem pode ter mais de uma esposa, isso não seria problema.             Mas Amani não tinha a menor intenção de seguir o caminho que haviam traçado para ela. O que ela queria mesmo, era fugir dali o mais rápido possível.
Por este motivo, Amani se disfarça de homem e vai participar de uma competição de tiro ao alvo em uma cidade próxima à sua, pensando em usar o prêmio para fugir de casa. Lá, ela conhece um forasteiro misterioso que parece ter tanto a esconder quanto ela. A noite acaba em uma grande confusão e a menina acaba tendo que retornar para casa. Porém, no dia seguinte, o seu caminho cruza novamente com o do forasteiro e, para sua surpresa, surge a oportunidade que ela tanto queria para fugir dali. O que ela não esperava era que teria companhia, ou que o exército iria atrás deles.
Para começar a falar sobre esse livro, preciso ressaltar como o universo criado pela Alwyn é interessante e muito bem construído. Aliás, posso afirmar com tranquilidade que ele é diferente de tudo que eu já havia lido antes. Ambientado no deserto, o livro tem um clima de faroeste, com competições clandestinas de tiro, perseguições, e forasteiros misteriosos. Há ainda a mitologia árabe, que traz a parte fantástica do livro. A autora trouxe para a trama lendas e mitos árabes que enriqueceram o universo criado por ela e o tornaram ainda mais fascinante.
No começo, ficamos presos à pequena vila onde Amani cresceu e aos seus costumes. Mas, à medida que ela se distância de lá, vemos que aquele universo é muito mais amplo e complicado do que se supunha. A própria protagonista percebe que há muito ali que ela não conhecia ou não entendia completamente. Assim, o leitor vai descobrindo e juntando as peças junto com ela, o que torna a leitura ainda mais interessante e envolvente.
Outro aspecto que destaco é que, por mais fantástico que seja o universo criado, é evidente que a autora está fazendo ali uma crítica à nossa sociedade e ao pensamento que, infelizmente, ainda persiste de que as mulheres estão em uma posição inferior aos homens ou que a nossa opinião não precisa ser levada em consideração. Aliás, o que não falta neste livro são críticas sociais relevantes. Além do machismo, a autora fala sobre intolerância religiosa, conflitos políticos causados pela ideia de que uma cultura deve se sobrepor às demais, preconceito, e desigualdade social.

“As pessoas neste deserto deveriam ter um país que pertencesse a elas, não a um homem. Todos aqui nascem como se alguém ateasse fogo neles quando nascem.”

Com relação aos personagens, gostei muito do modo como eles foram construídos. O foco principal é Amani e o forasteiro, Jin, e toda a trama gira em torno deles. No entanto, isso não significa que os personagens secundários não sejam relevantes ou interessantes o suficiente para fazer o leitor se importar com eles. Ao contrário, vemos em todos eles conflitos e sentimentos que os tornam mais humanos e complexos. Me surpreendi quando cheguei ao final do livro e percebi o quanto estava me importando com aqueles personagens e desejava saber o que aconteceria com eles nos próximos livros.
Mas falando especificamente sobre os dois principais, já vou deixar claro que eu amei os dois. A Amani é uma protagonista que realmente conquista e faz por merecer a admiração do leitor. Ela não está lutando por uma causa ou para transformar aquele país, mas isso não significa que ela aceita tudo calada. Ao contrário, Amani não aceita ficar em uma posição de submissão e deixar que os homens determinem seu destino. Tudo que ela quer é a liberdade para fazer suas próprias escolhas e decidir os rumos da sua vida, e ela luta para conseguir isso com todas as suas forças.
Além disso, por mais que tenha personalidade forte e seja determinada, Amani não apresenta aquela teimosia burra que algumas personagens demonstram. Ela é esperta, mas tenha plena consciência que tem muito naquele mundo que ela não conhece ou não entende completamente, e, por isso, está sempre disposta a aprender e ouvir o que os outros têm a dizer. Ela é humana e falha em muitos momentos, mas está disposta a reconhecer seus erros e tirar lições deles.
Já o Jin é misterioso e, ao mesmo tempo, apaixonante. É evidente desde o começo que ele esconde um grande segredo, mas algo nele fez com que conquistasse minha confiança desde o começo. Ele é inteligente, corajoso e tão determinado com Amani. Além disso, tem um senso de justiça e de honra que chega a ser surpreendente, considerando que ele é um foragido perseguido pelo exército. É um personagem complexo, com sentimentos conflitantes e que vai sendo construído aos poucos, fazendo com que o leitor demore a conseguir entende-lo de fato
Claro que há romance no livro e, desde o começo, o leitor pode sentir que haverá um envolvimento que será mais do que amizade. No entanto, isso não é prejudicial ao livro por dois motivos: o primeiro é que a ligação entre eles é plausível, o leitor consegue realmente entender por que eles se aproximam e ver o sentimento sendo construído aos poucos; o segundo é que, em momento algum, o romance assume o foco da história e nem se torna o objetivo principal dos personagens, ficando totalmente em segundo plano e aparecendo de maneira natural na trama.
Por fim, não posso deixar de comentar como me surpreendi com a escrita da autora. Esse é não apenas o primeiro volume da trilogia, mas é também o romance de estreia da Alwyn Hamilton. E fiquei realmente surpresa ao perceber a habilidade e segurança que ela demonstrou nesse livro. A escrita da autora é muito envolvente e ela soube construir um universo rico e fascinante, com muitos elementos diferentes de outros livros do gênero que eu já li.
Assim, só posso dizer que recomendo A Rebelde do Deserto para todos que amam fantasia ou que procuram algo diferente dentro deste gênero. Sem dúvida, esse livro traz muitos elementos novos que o diferenciam de outros de fantasia. Além disso, é uma leitura envolvente, com personagens carismáticos, um universo rico, muitas críticas sociais, e uma trama dinâmica, cheia de aventura, mistérios e reviravoltas surpreendentes. Sem dúvida, uma das melhores leituras que fiz esse ano e que já entrou para minha lista de favoritos.
Agora quero saber a opinião de vocês aí nos comentários. Se vocês já leram ou pretendem ler esse livro, o que acharam, se também são apaixonados por essa capa... me contem tudo aí. E, para quem se interessou pelo livro, aproveitem o link para compra na Amazon que eu deixei no início do post.


Observação: Apesar de ter amado a capa, ainda não tenho o livro físico e li em e-book. Por isso, não poderei comentar muito sobre a edição. Mas, quando fizer a resenha do segundo, conto o que achei da diagramação, tamanho da fonte, etc. 

Tag: Disney em Dobro


Para quem não sabe, na semana passada estreiou nos cinemas a versão live action do clássico “A Bela e a Fera”. Eu ainda não assisti ao filme, mas já estou completamente dominada pelo clima da Dinsey. Por causa disso, eu resolvi responder aqui no blog uma tag incrível que vi no canal da Maidy Larcerda, o Dear Mady. A tag é a “Disney em Dobro” e foi criada por ela, pelo Sgrig e pelo Fogs, do canal 3Dudes.
São oito perguntas super diferentes criadas a partir de filmes dos desenhos clássicos da Disney. Para cada desafio, serão dois livros como resposta. Então, vamos às minhas respostas.

1 – A Bela e a Fera: Dois livros com propostas diferentes, mas que daria certo juntos.
Para essa pergunta, escolhi os livros “O Duque e Eu”, da Julia Quinn, e “A Seleção”, da Kiera Cass. Apesar de se tratarem de um romance histórico e uma distopia, respectivamente, eu acho que esses livros combinariam muito, devido aos seus protagonistas. Tanto a Daphine, de “O Duque e Eu”, quanto a América, de “A Seleção”, são tão teimosas e de personalidade forte, que acho que elas seriam ótimas amigas. Além disso, acho que o Simon e o Príncipe Maxon poderiam se entender bem, afinal, ambos têm traumas do passado muito semelhantes.

2 – Tazan: Dois livros diferentes que se passam no mesmo lugar.
Para mim, foi impossível não pensar logo de cara em dois livros: “A Geografia de Nós Dois”, da Jennifer E. Simth, e “Cidade dos Ossos”, da Cassandra Clare. Apesar de serem dois livros totalmente diferentes, o primeiro é um romance jovem adulto e o segundo é o volume inicial da série de fantasia “Os Instrumentos Mortais”, ambos se passam em Nova York.

3 – Branca de Neve: um livro que teria inveja do outro, porque têm propostas parecidas, mas um é muito melhor do que o outro.
Acho muito difícil comparar dois livros desta maneira, mas acabei escolhendo “A Joia”, da Amy Ewing, e “A Rainha Vermelha”, da Victoria Aveyard. Ambos são distopias, que se passam em uma sociedade dividida e controlada pela nobreza, e contam com protagonistas mulheres que se vêm no meio das intrigas e conspirações dos nobres. No entanto, considero “A Rainha Vermelha” muito superior, com um universo que foi melhor desenvolvido e uma trama muito mais interessante.

4 – A Pequena Sereia: Um livro cauda e um livro perna, que você trocaria um pelo outro.
Apesar de não me arrepender de nenhuma leitura, mesmo as que não gostei, eu com certeza deixaria “Eleanor e Park” para depois e teria lido “Três coisas sobre você” antes. O primeiro foi uma leitura que eu estava com uma expectativa muito alta e quanto li, não era isso tudo. Já o outro, como vocês podem ver na resenha aqui, foi um livro que eu amei e superou todas as minhas expectativas.

5 – Cinderela: Um livro que te fez perder a hora e um livro que, quando bateu a meia-noite, não era o que parecia.
Vários livros me fizeram perder a hora, mas vou citar o que aconteceu isso mais recentemente: “Espada de Vidro”, da Victoria Aveyard. Apesar de muitas pessoas não terem gostado, eu amei esse livro e não conseguia largar para nada. Com certeza, ele me fez perder a noção do tempo. Por outro lado, um livro que eu estava com uma expectativa alta, mas que não era o que eu esperava, foi “O Erro”, da Elle Kennedy. Eu amei quando li “O Acordo”, mas achei a trama do segundo volume muito fraca, apesar de ser uma leitura agradável.

6 – O Rei Leão: dois dos seus livros favoritos, que você quer junto de você para toda vida, igual Timão e Pumba.
Para quem me conhece ou me acompanha há mais tempo aqui no blog, vai saber que a resposta foi bem fácil. Os dois livros que eu escolhi foram, claro, “Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban”, representando a série toda, e “Fazendo meu filme”, da Paula Pimenta. São dois livros que marcaram muito a minha adolescência e que eu amo até hoje.

7 – Mulan: um herói ou heroína de um livro que ajudaria a salvar o mundo de outro.
Aqui foi impossível não escolher a Katniss Everdeen, protagonista de Jogos Vorazes. Ela com certeza ajudaria os irmãos Baudelaire, de “Desventuras em Série”. Já consigo até imaginar ela invadindo a casa do Conde Olaf e salvando os três irmãos dos maus tratos que sofriam nas mãos dele.

8 – Moana: dois personagens que você escolheria para te acompanhar se fosse ficar perdido no oceano.
Tem muitos personagens que eu acho que seriam ótimas companhias em situações extremas, porém, nesse caso específico, tentei escolher dois que se sairiam melhor no oceano. Assim, optei pela Sybil, de “A Ilha dos Dissidentes” e o Kilorn de “A Rainha Vermelha”. O motivo pela escolha da Sybil é claro: ela tem uma mutação que lhe conferiu uma incrível capacidade de sobreviver na água, então, com certeza seria uma ótima ajuda. Já o Kilorn, apesar de não ter nenhuma mutação, é pescador e nada muito bem, além de ser divertido e uma boa companhia.

            Essas foram minhas respostas para a Tag Disney em Dobro. Não deixem de ver os vídeos dos criadores originais aqui e aqui, cujas respostas são ótimas e muito criativas. Para quem quiser responder, não deixem de dar os créditos para a Maidy, o Sgrig e o Fogs, e me contar aqui nos comentários quais foram as respostas de vocês.
E, para quem se interessou por algum dos livros citados aqui, pode comprar no site da Amazon: aqui.

Apaixonada por literatura desde pequena, nunca consegui ficar muito tempo sem um livro na mão. Assim, o Dicas de Malu é o espaço onde compartilho um pouco desse meu amor pelo mundo literário.




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