[Dica da Malu] Lola e o garoto da casa ao lado

Sinopse: “A designer-revelação Lola Nolan não acredita em moda... ela acredita em trajes. Quanto mais expressiva for a roupa — mais brilhante, mais divertida, mais selvagem — melhor. Mas apesar de o estilo de Lola ser ultrajante, ela é uma filha e amiga dedicada com grandes planos para o futuro. E tudo está muito perfeito (até mesmo com seu namorado roqueiro gostoso) até os gêmeos Bell, Calliope e Cricket, voltarem ao seu bairro.  Quando Cricket — um inventor habilidoso — sai da sombra de sua irmã gêmea e volta para a vida de Lola, ela finalmente precisa conciliar uma vida de sentimentos pelo garoto da porta ao lado.”             Autora: Stephanie Perkins / Editora: Novo Conceito / Páginas: 288 Comprar: Aqui 
            Ano passado, depois de ouvir vários comentários positivos, eu li Ana e o beijo francês, da Stephanie Perkins. O livro atendeu a todas as minhas expectativas e se tornou um dos meus queridinhos, por ser daqueles livros que deixam a gente com um quentinho no coração quando termina de ler. Então, é claro que eu tinha expectativas enormes para a continuação do livro, Lola e o garoto da casa ao lado. Infelizmente, desta vez eu não fiquei totalmente satisfeita.
Nesse livro, somos apresentados à Lola, uma garota de dezessete anos que sempre teve uma quedinha por Cricket Bell, o vizinho da casa ao lado. Porém, as coisas não deram muito certo e Cricket acabou se mudando com a família para acompanhar a irmã gêmea dele, Callíope, que estava se dedicando aos treinos de patinação artística. Dois anos depois, Lola acredita já ter superado qualquer sentimento que teve por ele e está muito bem com seu namorado, o vocalista de uma banda e cinco anos mais velho do que ela.
No entanto, a situação não é tão simples assim. Os pais de Lola são totalmente contrários ao namoro, devido à diferença de idade entre os dois. Além disso, Cricket e a família voltaram a viver na casa ao lado, o que significa que agora Lola terá que lidar com todas os sentimentos mal resolvidos que tinha por ele e ainda voltar a conviver com Callíope, uma pessoa que ela admira e detesta, ao mesmo tempo.
O primeiro aspecto que quero deixar claro nesta resenha é que não detestei o livro. Só me decepcionei por não sentir o mesmo envolvimento que tive quando li Ana e o beijo francês. Lola é uma personagem na maior parte do tempo mimada e infantil, o que tornou difícil me envolver com a história dela. Além disso, achei que faltou desenvolver melhor alguns personagens que agregariam muito à história. No entanto, vou falar primeiro das coisas que gostei no livro e, depois, eu explico melhor as ressalvas que eu tive.
Para começar, eu simplesmente amei a família da Lola. É incrível ver o quanto eles se amam e se apoiam em tudo. Ela é criada por um casal homossexual, mas o fato de ter dois pais nunca foi um problema, pois Lola sabe que recebeu todo amor que uma filha pode desejar. Os conflitos que surgem entre eles são os comuns em qualquer família com filhos adolescentes. Lola quer mais liberdade, principalmente no que se refere ao namorado, e não entende as proibições impostas pelos pais. Já Nathan e Andy se preocupam com o fato da filha melhor de idade estar namorando com um rapaz de 22 anos, que tem uma banda e, consequentemente, uma rotina totalmente diferente da dela.
Um outro aspecto que gostei bastante, aliás, foi que a autora fugiu dos estereótipos ao construir a personalidade de Nathan e Andy. Algumas vezes vemos autores errando na construção de personagens homossexuais justamente por exagerar nos clichês, ou por fazer o casal parecer uma pessoa só, sem individualidade nenhuma. Felizmente, Stephanie Perkins soube construir esses dois personagens muito bem. Ambos são muito humanos e carismáticos, mas têm personalidade forte, cada um com suas particularidades. Além disso, eles não são pais perfeitos e erram algumas vezes com a Lola, mas isso só os tornou mais reais. Afinal, que pai ou mãe que não erra em algum momento, né?
Outro ponto positivo do livro é, sem dúvida, o Cricket. Sabe aquele personagem que mal aparece e já faz você se apaixonar? É o Cricket Bell. Ele é atencioso, inteligente, romântico, sensível e tudo mais que se espera de um mocinho de romance. Além disso, é lindo ver o quanto ele ama a irmã e tudo que sacrificou para que ela pudesse seguir o sonho dela. Aliás, mesmo a Callíope sendo irritante em vários momentos, a relação dos dois é outro aspecto que gostei nesse livro.
E adivinhem quem aparece nesse livro sendo a ligação com Ana e o Beijo Francês? Isso mesmo: a Ana e o St Clair! Os dois aparecem em vários momentos do livro e, claro, roubam a cena totalmente. Especialmente o St. Clair, que proporcionou vários momentos muito divertidos na história.
Apesar de ter aprovado tantas coisas no livro, alguns problemas fizeram com que ele não tivesse o mesmo encanto do primeiro. A Lola tinha tudo para ser uma personagem que eu adoraria, por ter uma personalidade forte, ser extremamente criativa e ter um jeito irreverente e espontâneo. No entanto, ela acabou me cansando por agir de uma maneira infantil e irresponsável em vários momentos. Eu sei que ela é uma adolescente e que isso é normal nessa fase, mas algumas atitudes de “rebelde sem causa” me fizeram perder a paciência várias vezes.
Outra coisa que senti falta foi um maior desenvolvimento de alguns personagens. Os pais da Lola são maravilhosos e queria que aparecessem muito mais no livro. Além disso, queria que a relação com a mãe biológica dela também fosse mais desenvolvida. Senti que a autora poderia ter explorado temas muito legais com esses personagens, mas que acabou optando por uma abordagem mais superficial. O mesmo aconteceu com a Callíope, uma personagem que tinha um potencial muito grande, mas que só ganhou um destaque maior no final do livro. 
O romance também deixou um pouquinho a desejar. Mesmo não gostando tanto da Lola, me encantei pelo Cricket e torci pelo casal. Porém, os motivos que afastam os dois durante o livro me pareceram meio fracos, como se só estivessem ali para mover a trama. Assim, o casal é fofo e conquista a torcida do leitor, mas faltou uma construção melhor para o relacionamento dos dois, com obstáculos mais críveis.
No entanto, apesar dessas ressalvas, a escrita da autora continua extremamente fluida. A Stephanie Perkins consegue fazer o leitor realmente mergulhar na leitura e querer descobrir qual será o desfecho daqueles personagens. Além disso, ela sabe construir aqueles momentos românticos que deixam a gente com um sorriso bobo no rosto.
Apesar de não ter despertado o mesmo encantamento que o livro anterior, Lola e o garoto da casa ao lado é uma leitura leve, rápida e cativante. O livro proporciona momentos engraçados e românticos, que realmente cativam o leitor. Assim, para quem está querendo ler algo divertido e envolvente, é uma boa opção. Para mim, foi uma leitura agradável, de modo geral, e que manteve a minha curiosidade pelo terceiro livro da série, Isla e o final feliz.
Agora que já sabem o que eu achei desta leitura, me contem nos comentários se já leram esse e os outros dois livros da série e quais foram as impressões de vocês.


Observação: Mesmo sendo histórias no mesmo universo ficcional, não é necessário ler “Ana e o beijo francês” para compreender “Lola e o garoto da casa ao lado”. No entanto, eu recomendo que leiam na ordem para evitar spoilers do livro anterior. 

[Dica da Malu] O sol também é uma estrela

Sinopse: Natasha: Sou uma garota que acredita na ciência e nos fatos. Não acredito na sorte. Nem no destino. Muito menos em sonhos que nunca se tornarão realidade. Não sou o tipo de garota que se apaixona perdidamente por um garoto bonito que encontra numa rua movimentada de Nova York. Não quando minha família está a 12 horas de ser deportada para a Jamaica. Apaixonar-me por ele não pode ser a minha história. Daniel: Sou um bom filho e um bom aluno. Sempre estive à altura das grandes expectativas dos meus pais. Nunca me permiti ser o poeta. Nem o sonhador. Mas, quando a vi, esqueci de tudo isso. Há alguma coisa em Natasha que me faz pensar que o destino tem algo extraordinário reservado para nós dois. O universo: Cada momento de nossas vidas nos trouxe a este instante único. Há um milhão de futuros diante de nós. Qual deles se tornará nossa realidade?”
Autora: Nicola Yoon / Editora: Arqueiro /         Páginas: 288 / Comprar: Amazon

Para começar bem a semana, escolhi trazer a resenha de um livro que foi a minha melhor leitura do ano, até agora: O sol também é uma estrela, da Nicola Yoon. Eu já tinha sido surpreendida pela escrita da autora quando li “Tudo e todas as coisas”, romance de estreia dela (resenha aqui). No entanto, não poderia imaginar que este novo lançamento da autora poderia me deixar tão encantada. Eu terminei a leitura apaixonada pelos personagens, pela história e, principalmente, pelas mensagens que a Nicola transmitiu ao longo do livro.
Em “O sol também é uma estrela”, o leitor é apresentado a dois personagens completamente diferentes: Natasha, uma adolescente jamaicana que vive ilegalmente nos Estados Unidos com a família desde que tinha oito anos, e Daniel, um garoto que nasceu e cresceu nos Estados Unidos, mas é filho de pais coreanos. Ela é pragmática e de personalidade forte, já ele é romântico e sonhador. Em um dia decisivo, eles se conhecem e esse encontro inesperado pode mudar a vida deles.
A Natasha é uma jovem prática, que não acreditava em coisas como destino ou amor à primeira vista. Para ela, só faz sentido o que pode ser explicado e comprovado cientificamente. Por este motivo, ela já tinha planejado toda a sua vida de maneira prática e racional, sem pensar em sonhos ou idealizações. O problema é que, devido à um ato imprudente de seu pai, ela e sua família foram descobertos pela imigração e devem deixar os EUA. No último dia em solo americano, ela vai fazer mais uma tentativa desesperada de permanecer no país onde cresceu, podendo até começar a acreditar em milagres.

“Fato Observável: a gente nunca deveria tentar uma possibilidade remota. Melhor estudar as chances e tentar a possibilidade provável. Mas, se a remota é a única, é preciso tentar.”

Já o Daniel é romântico e idealista. Ele acredita no amor e sonha em ser escritor. O problema é que seu pai já tem todo o seu futuro planejado, e não envolve nada ligado às artes. Ele quer que o filho estude medicina na universidade de Yale, construa um brilhante futuro profissional e depois se case com uma garota coreana. Então, no dia de sua entrevista para a universidade, a vida dele será traçada.
O primeiro aspecto que destaco é o quanto esses personagens foram bem construídos. Ambos são cativantes em suas particularidades e o encontro entre duas pessoas tão diferentes provoca ótimos diálogos, que conquistam ainda mais o leitor. Além disso, é interessante ver como o ambiente em que cresceram influenciou a vida deles e moldou suas personalidades.
Muito do carisma se deve ao fato de que as situações vividas por eles são muito reais, tornando fácil para o leitor se identificar com eles ou, pelo menos, sentir empatia. Natasha é jamaicana, mas não tem nenhum vínculo emocional com seu país de origem. Ela cresceu nos Estados Unidos e todas as suas referências (amigos, escola, cultura, planos para o futuro, etc) estão ligados a este país. A Jamaica é uma lembrança distante para ela, com a qual ela não sente a menor identificação. É compreensível, então, o desejo desesperado que ela tem de impedir a deportação.
E como não simpatizar com um menino tão cheio de sonhos, mas que precisa sacrificá-los para atender aos planos que os pais têm para ele? Daniel tem uma personalidade doce e se vê dividido entre às expectativas dos pais e ao que ele realmente quer fazer da vida. Por mais que não deseje ser médico, ele entende os motivos que levaram o pai a planejar essa carreira para ele e tem medo desapontá-lo.
Aliás, um outro ponto que gostei muito deste livro foi justamente que, através das histórias da Natasha e Daniel, a autora trabalhou um tema extremamente importante e atual. Ela fala sobre a imigração, o sentimento de pertencimento e a dificuldade para os filhos de imigrante de definirem sua identidade cultural. Natasha é jamaicana, mas se sente americana e está sendo forçada a deixar os Estados Unidos, o lar que ela reconhece, para voltar à Jamaica, lugar com o qual ela não tem nenhuma identificação cultural. Já o Daniel é americano, mas seus pais insistem que ele seja educado como coreano. Assim, os americanos o consideram “muito coreano”, mas os pais acham que ele se desviou muito dos valores coreanos, o que significa que ele se sente deslocado tanto no país onde nasceu, quanto dentro de sua própria família.

“Por fim, escolheu as duas coisas. Coreano e americano. Americano e coreano.Para que eles soubessem de onde vinham.Para que soubessem para onde iam.”

No entanto, o que me fez amar esse livro mesmo foi a forma como a Nicola mostra o quanto as pessoas estão conectadas e influenciam as vidas umas das outras. Assim, apesar de focar na história do casal principal, ela também deu voz aos personagens secundários e àqueles que são praticamente invisíveis na maior parte do tempo. Sabe aquele desconhecido que você esbarra sem querer na rua? O funcionário que te atende no caixa da loja? A recepcionista no consultório médico? Enfim, todas aquelas pessoas que você não conhece, mas que encontra em algum momento da vida? A Nicola nos mostra a história de algumas dessas pessoas que cruzam o caminho da Natasha e do Daniel, e isso tornou o livro muito mais especial.
Claro que, falando de um Young Adult, não podia faltar romance também. E esse foi outro aspecto que me surpreendeu. A história toda se passa em um dia e, como vocês já devem ter me visto falando diversas vezes, eu detesto romances apressados. No entanto, a interação entre eles foi tão bem construída pela autora que se tornou totalmente crível. Mais do que isso, é impossível ler e não torcer pelos dois. É aquele típico romance adolescente, intenso, meio dramático, mas totalmente cativante. E quem foi adolescente e falar que nunca se apaixonou por alguém que acabou de conhecer, não viveu essa fase da vida direito.
Com relação a escrita da Nicola Yoon, só posso dizer que ela conseguiu superar todas as minhas expectativas, mais uma vez. A leitura é fluida e faz com que o leitor se envolva completamente. Além disso, através de uma história simples e personagens muito reais, a autora trouxe reflexões muito interessantes. Em especial, ela nos faz pensar sobre como estamos conectados e o quanto podemos influenciar, com os mais simples gestos, na vida uns dos outros, mesmo daqueles que não conhecemos.
A edição está maravilhosa e faz justiça à beleza do livro. A editora manteve a capa original (ótima decisão), e as páginas são amareladas. A fonte e o espaçamento estão de um tamanho adequado para leitura, sem letras pequenas demais que dificultam a leitura.
Assim, se ainda tiver alguma dúvida, esta é uma leitura que eu indico muito. Adorei a construção dos personagens, a forma como a história foi conduzida e as reflexões que o livro trouxe. Além de me apaixonar pela história de um casal encantador, ele me fez pensar sobre a vida e a forma como, às vezes, nossas escolhas e ações podem repercutir até em quem sequer imaginávamos. Só me resta dizer que, quando concluí a leitura, eu estava assim:


Então, agora quero saber de quem já leu “O sol também é uma estrela” o que acharam e se o livro correspondeu às expectativas de vocês. E, quem ainda leu, ficou interessado? Me contem aí nos comentários.
E, para quem quiser adquirir o livro, deixo o link de compra na Amazon. Comprando por ele, vocês ajudam o Dicas de Malu a continuar crescendo. Comprar: aqui.

Apaixonada por literatura desde pequena, nunca consegui ficar muito tempo sem um livro na mão. Assim, o Dicas de Malu é o espaço onde compartilho um pouco desse meu amor pelo mundo literário.




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