[Dica da Malu] Minha Vida Mora ao Lado

Sinopse: “Minha mãe nunca ficou sabendo de uma coisa, algo que ela reprovaria radicalmente: eu observava os Garrett. O tempo todo.” Os Garrett são tudo que os Reed não são. Barulhentos, caóticos e afetuosos. São de verdade. E, todos os dias, de seu cantinho no telhado, Samantha sonha ser uma deles, ser da família. Até que, numa noite de verão, Jase Garrett vai até lá e... Quanto mais os adolescentes se aproximam, mais real esse amor genuíno vai se tornando. Contudo, precisam aprender a lidar com as estranhezas e maravilhas do primeiro amor. A família de Jase acolhe Samantha, apesar dela ter que esconder o namorado da própria mãe. Até que algo terrível acontece, o mundo de Samantha desmorona e ela é repentinamente forçada a tomar uma decisão quase impossível, porém definitiva. A qual família recorrer? Ou, quem sabe, Sam já é madura o bastante para assumir suas próprias escolhas? Será que está pronta para abraçar a vida e encarar desafios? Quem você estaria disposto a sacrificar pela coisa certa a se fazer? O que você estaria disposto a sacrificar pela verdade?
Autora: Huntley Fitzpatrick / Editora: Valentina / Páginas: 320 / Comprar: aqui.

Em Minha vida mora ao lado, romance de estreia da autora Huntley Fitzpatrick, conhecemos a jovem Samantha Reed, uma adolescente que tem tudo, mas sonha com a vida da família que vive na casa vizinha à sua. Porém, o livro vai além de um romance adolescente, abordando temas importantes como a família, o amadurecimento, a honestidade e a importância das escolhas que fazemos.

“Minha mãe nunca ficou sabendo de uma coisa, algo que ela reprovaria radicalmente: eu observava os Garrett. O tempo todo.”

Samantha é uma adolescente de 17 anos que mora com a mãe e a irmã mais velha e tem uma vida totalmente controlada. A mãe, Grace, é uma mulher metódica e organizada, que tenta passar essa disciplina para a vida das filhas, enquanto se dedica a carreira política. Tracy, a mais velha, era a mais rebelde e conseguiu escapar do controle materno. Sam, por outro lado, via toda sua vida sendo cuidadosamente planejada pela mãe, sem nunca a contestar.
Contrastando com a rigidez de Grace, a família que vivia na casa ao lado era desorganizada e barulhenta. Os Garretts tinham muitos filhos, mais do que seria aconselhável, segundo Grace, e viviam de um modo que ela desaprovada completamente. Tanto, que proibiu as duas filhas de terem qualquer contato com eles. No entanto, Sam passou anos observando-os de seu esconderijo e imaginando como seria a vida deles, que, apesar de bagunçada, parecia ser feliz e cheia de amor.

“Mesmo antes da família se mudar, era ali que me sentava, pensava e refletia. Mas, depois, era onde sonhava. [...] Era como assistir a um filme mudo, um filme muito diferente da minha vida.”

Tudo muda quando Sam conhece Jase, um dos filhos dos Garrett. A maneira simples e franca do garoto faz com que ela rapidamente se sinta à vontade com ele. Os dois acabam se aproximando e, com isso, ela passa a conviver com toda a família dele. O contraste com a sua própria vida é imediato. A condição financeira da sua mãe faz com que Samantha tenha uma vida muito confortável, enquanto que os Garrett precisam se esforçar para criar os oito filhos. No entanto, o que falta em luxo e conforto na casa deles, sobra em união, amor e carinho. Tudo que falta na vida de Samantha.

“Nossa casa tem todas as novidades, tudo é high tech e incrivelmente limpo. E abriga três pessoas que preferiam estar em qualquer outro lugar”.

A medida que se aproxima dos vizinhos, a menina precisa lidar com o distanciamento cada vez maior da mãe. Grace começa a namorar Clay, um homem ambicioso que está ajudando em sua campanha para reeleição como deputada. Envolvida com o novo relacionamento e com a campanha, Grace participa cada dia menos da vida da filha. Assim, sem o controle constante da mãe, Sam passa a ter liberdade para fazer suas próprias escolhas, que a levam cada vez para mais perto dos Garrett.
Um dos pontos que me encantaram nesse livro foi o desenvolvimento dos personagens, especialmente do casal principal. A autora consegue trazer personagens com qualidades e defeitos, o que contribui para torná-los mais humanos e reais. Isso contribui para torna-los complexos e interessantes, fazendo com que o leitor compreenda seus medos, suas dúvidas e suas escolhas. Em especial, é impossível não sentir empatia pela Sam e entender as razões que a fazem se sentir tão fascinada por aquela família.
O modo como a autora constrói os dois núcleos principais da trama também é muito interessante. A família da Sam é fria, formal e desunida. Mas isso não significa que não exista um vínculo de amor entre ela, a mãe e a irmã. É um relacionamento complexo, permeado por mágoas, medos e cobranças. Já a família Garrett tem uma convivência cheia de amor e união, onde todos têm liberdade para expressar suas opiniões e participar das decisões importantes. No entanto, a vida deles também não é perfeita. O grande número de filhos acaba sacrificando bastante os mais velhos, além de fazer com que a família precise conviver com problemas financeiros.
A história é bastante simples, mas me surpreendeu com a sensibilidade que assuntos importantes foram tratados. O romance entre Samantha e Jase se desenvolve de uma maneira muito cativante, mas está longe de ser o ponto principal desse livro. As reflexões sobre família, amizade e a importância de fazer o que é certo são, para mim, o aspecto mais interessante dessa história, que é ainda beneficiada por personagens cativantes, momentos divertidos e uma trama bem amarrada.
Gostei muito da escrita de Huntley Fitzpatrick. Achei que a autora soube dar um bom ritmo para a história, fazendo com que a leitura seja fluida e gostosa. Além disso, ela conseguiu dosar com competência o clima de romance com os momentos mais sérios e dramáticos.
Com relação à edição, não posso falar muito, porque li em ebook. No entanto, gostei da tradução e não encontrei nenhum erro de revisão durante a leitura. Além disso, acho a capa muito linda e totalmente condizente com a história.

Deste modo, o livro foi o romance leve e divertido que eu imaginava, mas me surpreendeu pelas reflexões que trouxe. Os personagens realmente me cativaram e fiquei feliz em ver o modo como eles amadurecem ao longo da trama. Recomendo Minha vida mora ao lado por ser uma leitura simples, mas também encantadora. 

[Dica da Malu] Três Coroas Negras

Sinopse: “A cada geração na ilha de Fennbirn nascem rainhas trigêmeas: três herdeiras da coroa, cada uma com um poder mágico especial. Mirabella é uma elemental, capaz de produzir chamas e tempestades com um estalar de dedos.  Katharine é uma envenenadora, com o poder de manipular os venenos mais mortais. E Arsinoe é uma naturalista, que tem a capacidade de fazer florescer a rosa mais vermelha e também controlar o mais feroz dos leões. Mas para coroar-se rainha, não basta ter nascido na família real. Cada irmã deve lutar por esse posto, no que não é apenas um jogo de ganhar ou perder: é uma batalha de vida ou morte. Na noite em que completam dezesseis anos, a batalha começa.”                    Autora: Kendare Blake / Editora: GloboAlt / Páginas: 304                                           Comprar: Aqui.

Eu conheci o livro “Três coroas negras” quando ele foi lançado no exterior e fiquei imediatamente apaixonada pela capa (antes de ler a sinopse, confesso). Então, quando a GloboAlt anunciou que iria publicá-lo no Brasil eu fiquei extremamente ansiosa para ler. Primeiro, por ter visto comentários positivos sobre ele. Segundo que, depois de ler a sinopse, imaginei se tratar um livro cheio de ação, com uma sociedade cruel e bárbara, e protagonistas muito fortes, que iriam se rebelar contra essas regras absurdas, quase uma mistura de Jogos Vorazes com A Rainha Vermelha. O que eu encontrei foi bem diferente do que eu esperava, porém, isso não é exatamente ruim.
Neste livro, temos três rainhas, Katherine, Arsinoe e Mirabella, irmãs trigêmeas que, a partir da comemoração do seu aniversário de 16 anos, terão um ano para lutar pelo trono até que apenas uma delas sobreviva e se torne a rainha da Ilha de Fennbirn. Cada uma dessas rainhas pertence a uma espécie de clã daquela sociedade: os envenenadores, os naturalistas e os elementais. Assim, os poderes delas estão associados ao núcleo a que pertencem.
Os envenenadores vêm controlando o trono há várias gerações, o que significa que a pressão em cima da rainha que os representará na competição é enorme. Katherine tem a responsabilidade de manter os envenenadores no poder. No entanto, ela é considerada a mais fraca envenenadora em muitas gerações e nem ela mesma acredita em sua capacidade de vencer as outras irmãs. Por outro lado, o templo elegeu a rainha Mirabella, a elemental, como sua favorita na disputa. Ela é extremamente forte e considerada a grande esperança de afastar os envenenadores do trono. Há ainda a rainha naturalista, Arsinoe, que, apesar de ser considerada tão fraca quanto Katherine, conta com o apoio de amigos leais. Assim a trama é permeada por intrigas e manipulações. Os envenenadores fazem de tudo para se manter no poder.
Mas vocês devem estar pensando que se a trama conta com intrigas, disputas pelo poder e três irmãs com poderes sobrenaturais competindo pelo trono, em que sentido o livro não foi o que eu esperava? A resposta é que nada disso foi desenvolvido com a intensidade e profundidade que eu desejava, nem mesmo as três protagonistas.
O universo da história é complexo, cheio de regras e tradições, que além da divisão entre elementais, envenenadores e naturalistas, ainda tem uma grande disputa por influência entre o conselho, dominado pelos envenenadores, e o templo, liderado pela sacerdotisa Luca. No entanto, demorou mais do que o desejável para que eu conseguisse me situar naquele mundo que a autora estava apresentando e isso me incomodou um pouco. Claro que, ao longo do livro, muitas coisas foram sendo explicadas e eu comecei a entender melhor como aquele universo funcionava. Porém, foi tudo abordado de uma maneira um tanto superficial e que me deixou ainda com muitas dúvidas.
Com relação aos personagens, às três protagonistas são bem diferentes do que eu imaginava. Antes de ler, eu tinha certeza que uma delas seria muito mais digna do trono do que as outras, facilitando a minha torcida. No entanto, a autora me surpreendeu apresentando três personagens que possuem virtudes e defeitos, tornando difícil dizer qual delas mereceria mais vencer. 
Em especial, gostei muito do arco da Katherine e da Mirabella durante a história. Katherine provavelmente teve a infância e adolescência mais difícil das três, e é fácil identifica-la como a mais frágil. No entanto, ela evolui ao longo do livro e acabou me surpreendendo. Já a Mirabella tinha tudo para ser uma personagem insuportável, cheia de si por ser a única das três que tem realmente um dom, mas ela não é. Na verdade, ela tem sentimentos conflituosos, é pressionada pelas expectativas que as outras pessoas depositaram nela e se vê constantemente dividida entre o dever e o que deseja para si, o que acaba atraindo a simpatia do leitor.
A Arsinoe também é uma personagem interessante e que tem qualidades que a tornam tão digna do trono quanto suas irmãs. Ela tem uma personalidade forte e não fica se lamentando o tempo todo por seu dom não ter se manifestado ainda e vai procurar maneiras de sobreviver. No entanto, ela acaba sendo um pouco ofuscada por outra personagem, sua amiga Jules, o que prejudicou um pouco seu desenvolvimento na história.
Com relação aos personagens secundários, são muitos e confesso que tive dificuldade para guardar o nome de todos, porém, alguns merecem destaque: Jules, a amiga de Arsinoe; Luca, a sacerdotisa; e Nathália, a líder dos envenenadores e responsável pelo treinamento de Katherine. Jules, se destaca pela coragem e lealdade à Arsinoe (embora tenha me irritado com um comportamento infantil em muitos momentos); já Luca e Nathália são mulheres muito fortes e inteligentes, que sabem jogar muito bem quando o assunto é poder.
No entanto, apesar de ter gostado dos personagens que citei, não posso deixar de mencionar alguns problemas. O primeiro deles é, justamente, a grande quantidade de personagens em um livro tão curto. Muitos deles foram pouco explorados e, como consequência, eu não conseguia me conectar com eles. Além disso, senti falta de uma construção mais elaborada da personalidade e dos conflitos de quase todos os personagens, mesmo aqueles com um destaque maior na história.
Por outro lado, não posso deixar de destacar o papel das mulheres em Três Coroas Negras. Vocês devem ter reparado que eu não citei nenhum personagem masculino até agora. Isso é porque as mulheres realmente dominam esse universo. São três rainhas disputando o trono, quem as treina e defende são outras mulheres, e quem controla o templo é a sacerdotisa Luca. Não que não tenham personagens masculinos, porém, eles têm um papel bem menor na história. E, considerando que a maioria dos livros de fantasia é dominado por homens, essa é uma mudança muito bem-vinda.
No que se refere à trama, a autora dedicou a maior parte do livro a apresentar as três protagonistas e o universo em que a história se situa. Isso foi bom no sentido de que me permitiu conhecer melhor e entender como funcionava aquela sociedade e o que estava em jogo. Por outro lado, prejudicou um pouco o ritmo da leitura, pois a maior parte da ação se concentrou no final.
Quanto à edição da GloboAlt, eu achei visualmente linda. Para começar, a editora optou por manter a capa original, o que achei uma ótima escolha. As páginas são amareladas e a diagramação e tamanho da fonte estão muito bons. Além disso, no começo de cada capítulo há o símbolo de cada rainha, ajudando a identificar qual será a perspectiva mostrada naquele momento. Sei que isso é só um detalhe, mas eu achei que valorizou a edição. Os únicos pontos negativos é que passaram alguns erros de revisão e, no meu exemplar, algumas páginas vieram com as letras um pouco desbotadas, dificultando um pouco a leitura.
De um modo geral, eu esperava mais de Três Coroas Negras, porém, não é uma leitura que eu tenha me arrependido ou que não recomende. Há alguns problemas, porém, a premissa ainda é muito boa e há elementos que tornam o livro interessante. Além disso, cabe lembrar que este é apenas o primeiro volume de uma série, então, ainda há muito a ser explorado. Destaco também que o desfecho é muito bom e levou a trama para um rumo que eu realmente não esperava, abrindo um ótimo gancho para o próximo livro, que, com certeza, deverá ter muito mais ação. Assim, é uma leitura que eu indico para quem gosta de fantasia e que queira se aventurar em um universo realmente diferente.
Agora, quero saber de quem já leu o que achou do livro e se também achou diferente do que tinham imaginado a princípio. E, quem não leu, me conta aí nos comentários se tem vontade de ler.

Apaixonada por literatura desde pequena, nunca consegui ficar muito tempo sem um livro na mão. Assim, o Dicas de Malu é o espaço onde compartilho um pouco desse meu amor pelo mundo literário.




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