[Resenha] Um acordo e nada mais

15 de nov de 2018


Aproveitando que hoje é feriado e amanhã é sexta-feira, nada melhor do que uma dica de leitura envolvente e apaixonante para aproveitar esses dias, não? Por isso, a resenha de hoje é sobre Um acordo e nada mais, da Bary Balogh, segundo volume da série O Clube dos Sobreviventes. Para que não leu o primeiro livro, as tramas desta série são independentes e eles podem ser lidos separadamente, porém, como há uma ligação entre os personagens de ambos os livros e o casal do livro anterior aparece nesse, recomendo a leitura na sequência (tem resenha do primeiro aqui).
Quando li Uma proposta e nada mais, senti que Mary Balogh trouxe uma trama mais séria do que estamos acostumados a ver em romances de época, com personagens mais complexos e maduros. Em Um acordo e nada mais, essa sensação foi confirmada. Nesse livro, mesmo com uma trama leve, fiquei feliz por encontrar novamente uma profundidade maior do que o padrão deste gênero.

Autora: Mary Balogh
Editora: Arqueiro
Tradução: Livia de Almeida
Páginas: 304
Onde comprar: Amazon
Sinopse: “Embora Vincent, o visconde Darleigh, tenha ficado cego no campo de batalha, está farto da interferência da mãe e das irmãs em sua vida. Por isso, quando elas o pressionam a se casar e, sem consultá-lo, lhe arranjam uma candidata a noiva, ele se sente vítima de uma emboscada e foge para o campo com a ajuda de seu criado. No entanto, logo se vê vítima de outra armadilha conjugal. Por sorte, é salvo por uma jovem desconhecida. Quando a Srta. Sophia Fry intervém em nome dele e é expulsa de casa pelos tios sem um tostão para viver, Vincent é obrigado a agir. Ele pode estar cego, mas consegue ver uma solução para os dois problemas: casamento. Aos poucos, a amizade e o companheirismo dos dois dão lugar a uma doce sedução, e o que era apenas um acordo frio se transforma em um fogo capaz de consumi-los. No segundo volume da série Clube dos Sobreviventes, você vai descobrir se um casamento nascido do desespero pode levar duas pessoas a encontrarem o amor de sua vida.”

Em Um acordo e nada mais, Vincent, o visconde de Darleigh está cansado do controle e da proteção excessiva de sua mãe e irmãs. Quando tinha 18 anos, ele sofreu um grave ferimento em batalha e acabou ficando cego. Por causa disso, sua família passou a tentar protegê-lo de todas formas, mesmo depois dele ter herdado o título e a fortuna. No entanto, quando descobre que sua mãe e suas irmãs estavam tentando armar para que ele se casasse, Vincent sente que era hora de fugir.
No entanto, quando retorna para a cidade onde havia crescido, Vincent acaba quase sendo vítima de uma armadilha de casamento. Ele só consegue escapar graças a interferência de Sophia Fry, que sabia que os tios estavam tentando se aproveitar da deficiência visual dele para colocá-lo em uma situação comprometedora com sua filha, Henrietta March, e forçá-lo a se casar. O problema é que, após ajudá-lo, Sophia é expulsa de casa pelos tios.
Quando fica sabendo da situação da jovem, Vincent decide ajudá-la e acaba tendo uma ideia. Ele propõe que os dois se casem, o que faria com que Sophia ficasse amparada financeira e socialmente, enquanto Vincent poderia se livrar da proteção excessiva da família. Mas será que a convivência poderia fazer com que, de um simples acordo de conveniência, surgissem sentimentos verdadeiros?
“Talvez não tivesse sido tão precipitado assim, afinal de contas. Tinha a forte sensação de que poderia vir a gostar dela – não apenas porque estava determinado a gostar, mas porque... Bem, porque ela era uma pessoa digna de ser amada.”



Esse livro foi uma surpresa muito agradável. Apesar de ter gostado de Uma proposta e nada mais, senti que o romance demorou a me convencer. Eu gostava dos protagonistas individualmente, mas como casal não sentia a ligação entre eles. Já em Um acordo e nada mais encontrei um romance daqueles em que torcemos pelo casal desde o primeiro momento. É uma relação muito bonita, que vai se desenvolvendo aos poucos e com naturalidade, o que contribui muito para que o leitor se envolva com a leitura.
Sophia é uma personagem que me apeguei muito, porque faz o leitor exercer sua capacidade de empatia. Ela cresceu sem a mãe, sendo negligenciada por todos os parentes que cuidaram dela desde a infância, incluindo os tios com quem passou a viver após a morte do pai. Assim, ela se acostumou a não ser vista, ouvida e, até mesmo, respeitada. Se via como uma ratinha invisível e tinha sérios problemas de autoestima e confiança. No entanto, nem mesmo os anos de sofrimento tiraram de Sophia sua inteligência, seu senso de humor afiado e sua criatividade.
“Sua vida havia mudado de repente e de forma drástica. E ela ainda se comportava como uma ratinha assustada. Às vezes, é preciso esforço e determinação para não se deixar simplesmente levar pela vida, sem mudar. A mudança tinha chegado e ela tinha a chance de mudar – ou não.”
Trata-se de uma protagonista cativante, mas reconheço que, às vezes, pode ser cansativo ver o quanto ela se desmerece. No entanto, a questão aqui é tentar se colocar no lugar de Sophia e entender os danos que anos de maus tratos e abandono poderiam causar nos sentimentos de uma pessoa, especialmente alguém tão jovem como ela. Entendo esse lado da personagem e adorei vê-la se descobrindo e aprendendo a se valorizar.
Já o Vicent é um personagem que chamou minha atenção desde o livro anterior. Tendo perdido a visão com apenas 18 anos, seria natural se ele tivesse se amargurado ou se fechado para o mundo. Porém, Vincent não perdeu seu senso de humor e sua natureza determinada e corajosa. Além disso, ele é generoso, justo e demonstra uma gentileza para com os outros que me encantou. No entanto, é claro que o que aconteceu na guerra deixaria traumas e conflitos com os quais Vincent precisaria lidar, especialmente a culpa por ter provocado o próprio acidente e a perda de autonomia devido ao controle da família.
“Não corroboraria a loucura juvenil permitindo que a luz de dentro dele se extinguisse. Viveria a sua vida. E a viveria plenamente. Faria algo dela e de si mesmo. Não se renderia à depressão ou ao desespero.”
Assim, um dos aspectos que mais gostei nesse livro é o fato de que ele não foca exclusivamente no romance. Tão importante quanto a relação que surge entre Sophia e Vincent é o desenvolvimento pessoal deles. Os dois têm feridas que precisavam ser cicatrizadas e é muito interessante acompanhá-los nessa jornada de autodescoberta e superação.



Mas é claro que o romance acontece e é lindo de se acompanhar. Apesar de ser um casamento de conveniência, Vincent e Sophia se respeitaram desde o começo, pois um conseguia entender a dor do outro. Com isso, eles acabaram desenvolvendo uma cumplicidade grande antes de se apaixonarem. Além disso, ambos são personagens criativos, inteligentes, com um senso de humor afiado e que despertam o melhor um do outro, o que os torna ainda mais cativantes e contribui para que o leitor torça por eles durante todo o livro.
“Apesar de sua beleza quase inacreditável, era apenas um homem. Apenas uma pessoa. Como ela, era vulnerável. Como ela, vinha levando uma vida em muitos aspectos passiva. Como ela, sentia a necessidade, o intenso desejo de viver. De levar a melhor sobre a vida em vez de simplesmente suportá-la. De ser livre e independente... Não eram tão diferentes quanto ela pensara.”
Com relação aos personagens secundários, esse livro é mais centrado no casal principal do que o anterior. No entanto, isso não significa que outros personagens não tenham espaço ou relevância na trama. Os outros membros do Clube dos Canalhas aparecem nesse livro e desempenham um papel importante, especialmente na adaptação de Sophia. Além disso, há Martin, o criado de Vincent, que se mostra um amigo extremamente leal e que me conquistou por sua dedicação a ele.
A trama é bastante simples e não possui grandes reviravoltas, mas o que fez com que esse livro se tornasse uma leitura tão especial foi o envolvimento tanto com a jornada pessoal dos protagonistas quanto com o desenvolvimento do romance. Além disso, Mary Balogh tem uma escrita envolvente e muito sensível, que torna a leitura bastante fluida. Ela sabe dosar os momentos de humor, drama e romance, deixando a história interessante mesmo quando não há acontecimentos marcantes.
Não posso deixar de dizer também o quanto essa edição está linda. A capa segue o mesmo padrão do livro anterior, que, apesar de simples, é muito bonito. As folhas são amareladas, e achei a fonte e o espaçamento muito bons, o que deixa a leitura bastante confortável.
Deste modo, Um acordo e nada mais foi uma leitura que teve os mesmos elementos que me agradaram no volume anterior, mas com um romance ainda mais encantador. O livro conta com personagens bem construídos e muito humanos, que cativam o leitor e conquistam a nossa torcida. Estou começando a conhecer a escrita da Mary Balogh, mas esse livro me deu a certeza de que não apenas quero continuar essa série, como pretendo conhecer outras obras da autora. Para quem procura um romance de época mais profundo e, ainda assim apaixonante, não pode deixar de conhecer os livros de O Clube dos Sobreviventes.

8 comentários:

  1. Ola Malu, que resenha mais linda!
    Sou apaixonada por romance de epoca, mas faz um tempo que nao leio nada desse estilo, por isso nao conheço a escrita da Mary, mas pelo que pude ver, é um livro totalmente diferente do que estamos acostumados a encontrar, porem ainda sim, diferente. Gostei das caracteristicas dos protagonistas e da relação entre eles.

    Dica anotada

    beijos

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  2. Oi, tudo bem? Não tenho mais interesse nesse tipo de livro, acho as tramas tão parecidas, parecem que usam as mesmas fórmulas, sei lá. Foi desanimando e me irritando, especialmente por causa do machismo e da insustentabilidade das personagens femininas. Já tinha lido outras resenhas desse livro e, igualmente, não me fez querer ler. Mas não desmereço a sua, tá muito boa e bem delineada, só que não é uma dica para mim, sabe? Tenho também um pé atrás com personagens que se desmerecem, apesar de saber que, no mundo real, nós, mulheres, sofremos o tempo inteiro com a síndrome de impostora. Mas, como essas personagens parecem ser todas parecidas, acabo não me interessando por elas. Suas fotos ficaram lindas! <333


    Love, Nina.
    www.ninaeuma.blogspot.com

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  3. Olá
    Eu sou muito suspeita para falar de resenhas de obras da Mary Balogh porque sou apaixonadíssima pela escrita e pelo modo como a leitura me envolve e eu me sinto apaixonada pelos personagens.
    Adorei a dica, pretendo começar essa nova série de livros após terminar um romance nacional que estou lendo, sinto que vou ficar caidinha por Vicent <3
    Beijos

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  4. Oi Malu, sua linda, tudo bem?
    Você não foi a primeira, acho que em grande maioria, todos que começaram a acompanhar essa série estão preferindo esse segundo livro. Eu sou fã do gênero e fico feliz por saber que a autora se diferencia com personagens mais maduros e fortes e com um texto mais intenso. Não vejo a hora de ler. Sua resenha ficou ótima!!!
    beijinhos.
    cila.

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  5. Oi, Maria

    Eu amei esse livro. O Vincent também tinha chamado minha atenção desde o primeiro livro, neste eu me apaixonei ainda mais por ele. A Sophia se desmerece muito mesmo, e confesso que me irritei com a quantidade de vezes que a "feiura" dela é mencionada, mas essa foi apenas uma pequema ressalvas.
    No livro anterior realmente o romance demora a engrenar, mas acho que é por conta da idade dos personagens, eles eram bem mais velhos e ressabiados.

    Beijocas
    - Tami
    https://www.meuepilogo.com

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  6. Olá!
    Eu amo a escrita da Mary Balogh. Esse clube é incrível, tem os amigos e todos são personagens com características e dramas diferentes.
    Vincent é aquele personagem que chama atenção desde o primeiro livro e estava bem curiosa por essa história, gostei demais em como o casal foi formado e aguardo ansiosa o próximo livro.
    Beijos!

    Camila de Moraes

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  7. Olá, amei sua resenha. Eu amo romances de época e estou bem curiosa para ler esse livro e o anterior da série. Muito interessante o crescimento pessoal dos protagonistas e essa cumplicidade que eles parecem desenvolver no romance, ambos já tendo histórias de vida bem complicadas.

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  8. Oi, tudo bem?
    Eu não leio romances de época com muita frequência, mas gosto de ver algumas dicas desse gênero e fiquei bem animada ao ver que essa autora costma trazer histórias com mais profundidade do que esse gênero geralmente traz.
    A premissa é muito bacana e o casal parece ser muito cativante. Eu gostei muito da descrição dos dois, eles parecem ser bem construídos.
    Enfim, parece ser uma leitura bem interessante e gostei principalmente de saber que a autora não foca exclusivamente no romance.

    Beijos :*

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