[Resenha] Mais que amigos

Autora: Lauren Layne
Editora: Paralela
Páginas: 269
Classificação: +18 anos
Skoob
Onde comprar: Amazon
Exemplar recebido de cortesia da editora
Sinopse: “Aos vinte e dois anos, a jovem Parker Blanton leva a vida que sempre sonhou. Tem um namorado inteligente e responsável, um emprego promissor e a companhia de seu melhor amigo, Ben Olsen, com quem divide um lindo apartamento. Parker e Ben são tão grudados que muita gente duvida que eles morem sob o mesmo teto sem nunca ter vivido um caso, mas eles não se importam com o que as pessoas pensam. Sabem que não foram feitos um para o outro — pelo menos não para se envolver. Por isso, quando um acontecimento inesperado faz com que Parker se veja sem namorado e com o coração partido, ela sabe que pode contar com Ben para ajudá-la a sacudir a poeira e partir para outra. Afinal, ninguém seria mais ideal do que seu melhor amigo para lhe mostrar os prazeres da vida de solteiro… certo? Mais que amigos é uma comédia romântica irresistível!”

Quem me conhece sabe que eu não resisto à uma boa comédia romântica, tanto em filmes, quanto em livros. Apesar dos clichês, acho que quando a trama e o personagem são bem construídos, é possível se envolver com a leitura e se apaixonar com a história contada. E é exatamente isso que aconteceu com o livro Mais que amigos, da autora Lauren Layne, lançado recentemente pela editora Paralela.
Nesse romance, conhecemos Bem e Parker, dois melhores amigos que há alguns anos provam para todos que homens e mulheres podem ser apenas bons amigos, sem nunca se sentirem atraídos um pelo outro. Morando juntos desde a faculdade, os dois se conhecem melhor do que ninguém e convivem muito bem, com exceção de assuntos como quem vai usar o banheiro primeiro e quem controla a televisão.
“Como é que eu sei disso? Como sei que homens e mulheres podem ser melhores amigos sem qualquer envolvimento romântico? Porque sou o lado feminino desta equação há seis anos. Seis anos!”
No entanto, eles não poderiam ser mais diferentes. A Parker é mais responsável, sempre foi focada nos seus estudos e agora tem um emprego promissor. Além disso, ela tem um relacionamento estável e duradouro, e tem planos de um dia se casar e construir sua família. Já o Ben, nunca levou a faculdade muito a sério e se surpreende por também ter sucesso na profissão que escolheu. Porém, tudo que ele não quer é uma relação mais série. A única mulher constante em sua vida é sua melhor amiga, com quem ele nunca consideraria ter um caso.

Mas, quando o namorado de Parker decide terminar o relacionamento, a única alternativa que ela vê para superar o coração partido é aproveitar ao máximo a vida de solteiro. O problema é que ela não tem nenhuma experiência em ir para cama com quem não conhece. Então, ela decide que a melhor pessoa para ajudá-la é seu melhor amigo, Ben. Afinal, eles são perfeitamente capazes de fazerem sexo sem compromisso sem deixar que isso afetasse sua amizade. Mas será que nada mudaria mesmo?


Mais que amigos é aquele tipo de livro que, mesmo já sabendo o que vai acontecer, ainda conseguimos nos encantar com a jornada. A relação dos protagonistas é bonita e bem construída, cheia de cumplicidade e carinho. Ben e Parker se conhecem melhor do que ninguém e estão sempre ali quando o outro precisa, mesmo nos piores momentos. No entanto, eles também têm seus momentos de brincadeira e de implicância, como em qualquer amizade. Isso dá um tom mais natural para a trama e torna o vínculo entre os dois crível.
Aliás, um dos aspectos que mais gostei nesse livro é o modo como tudo ocorre com naturalidade. A autora não cai no erro de trazer um casal de protagonistas que são amigos, mas que é óbvio que são apaixonados, porém, também não traz uma mudança brusca de sentimentos. Desde o começo fica muito claro que a amizade entre eles é real e que nenhum dos dois nutre um amor secreto pelo outro. Mas as mudanças de sentimentos vão acontecendo aos poucos, de uma maneira crível e espontânea. Assim, por mais previsível que seja, não deixa de ser encantador vê-los se apaixonando.
“E se o cara certo para aplacar meu desejo sexual for alguém que me faz rir? Alguém com quem consigo conversar. E se o cara certo... estiver bem na minha cara?”
E o que dizer desses dois personagens que me cativaram desde a primeira página? Ben e Parker são tão espontâneos e divertidos juntos que é impossível gostar deles logo de cara. Mas, mais do que isso, os dois me surpreenderam ao longo da leitura. Confesso que eu tinha certeza que o Ben seria um babaca em algum momento e que seria ele o teimoso da relação. No entanto, acabou sendo meu personagem favorito. Ele é carismático, divertido e inteligente, mas me conquistou mesmo por sua lealdade à Parker e por demonstrar outras camadas que não ficam óbvias a princípio. Ben tem alguns conflitos e vulnerabilidades que o tornam mais humano e cativante.
Já a Parker, é uma personagem que eu amei, mas tive vontade de sacudir em vários momentos. Ela tem senso de humor e uma personalidade forte, mas é também muito humana e apresenta fraquezas que são compreensíveis e podem despertar a empatia do leitor. No entanto, em alguns momentos eu senti que ela subestimava o Ben e não confiava nele como merecia. Apesar de não ser nada grave ao ponto de me impedir de gostar dela, me incomodou em alguns momentos.
“Porque a ideia maluca que domina a minha cabeça é que não consigo aceitar o fato de que Ben estava esperando pela garota certa... Porque isso significa que não sou eu.”

Com relação à trama, gostei muito de como a autora a desenvolveu. Mesmo sendo um livro mais curto, ela conseguiu desenvolver bem os personagens e construir o romance de uma maneira convincente e apaixonante. Além disso, o ritmo com que a história se desenvolve é fluido, sem que os acontecimentos sejam muito apressados. Tudo transcorre de maneira natural e permitindo que o leitor se apegue aos personagens e acredite na relação deles.



Preciso destacar também que este é um livro new adult e contém algumas cenas de conteúdo adulto. Aliás, já tem um aviso logo no verso do livro. Porém, para quem não gosta de romances mais picantes, pode ficar tranquilo que esse livro contém poucas cenas assim e são todas de bom gosto. Não há nada vulgar ou apelativo em nenhum momento.
Não posso deixar de mencionar também o quanto gostei da edição, começando pela capa. Normalmente, não gosto de capas com os personagens, porém, esta é tão fofa e combina tão bem com os personagens que acabei adorando. Além disso, a diagramação está excelente para leitura e a Paralela caprichou na revisão.
Em resumo, só posso dizer que Mais que amigos é aquele new adult clichê, mas que consegue cativar o leitor graças ao carisma dos seus personagens e a maneira crível como a autora conduz a trama. Esse foi o meu primeiro contato com a escrita da Lauren Layne e, sem dúvida, vou querer outros livros dela. Foi uma leitura apaixonante, leve e divertida, que superou minhas expectativas e me conquistou desde a primeira página. Para quem ama um romance fofo e cheio de humor, é uma ótima opção para ler em uma tarde tranquila.
E vocês, já leram ou querem ler Mais que amigos? Não deixem de me contar aí nos comentários. E, caso tenham se interessado por esse livro ou outros da autora, vou deixar o link de compra na Amazon aqui. Fazendo suas compras através dele, vocês ajudam o Dicas de Malu sem ter nenhum custo a mais.

Tag SIM SIM SIM



Olá, pessoal! Como vocês estão? Hoje eu vim trazer uma tag que eu já estava querendo responder aqui há algum tempo e que, essa semana, a Quel do @queliivro me marcou. É a tag SIM SIM SIM, que foi criada pela booktuber Melina Souza. Para quem ainda não conhece, vou deixar o vídeo original da tag no canal da Melina aqui.
Basicamente, essa tag consistem em falar livros ou aspectos relacionados a livros que você gosta muito. Por isso, já podem ficar despreocupados que hoje não terá polêmica (eu espero) e não vou falar de nenhum livro que não gosto. É, em resumo, uma tag cheia de amor.

1 – Final de livro SIM SIM SIM: Um final de livro que você amou muito, ou que te deixou inspirada.
Para essa pergunta, eu escolhi um livro que teve um dos finais mais completos e bem construídos que já li: A heroína da alvorada, da Alwyn Hamilton. Como eu disse na resenha aqui, gostei do livro como um todo, desde a primeira página, mas o final foi lindo, bem amarrado, escrito com muita sensibilidade e que fez jus a tudo que tinha sido construído desde o primeiro volume da trilogia.

2 – Protagonista SIM SIM SIM: Um personagem principal que você adora
Eu poderia citar uma lista enorme de protagonistas que eu adoro ou que admiro por algum motivo, mas tem uma que se destacou esse ano: a Nix, de The girl fromeverywhere. Ela é uma protagonista esperta, determinada, corajosa e que, apesar de carregar uma carga pesada para sua idade, se mostra generosa e altruísta.

3 – Série de livros SIM SIM SIM: Uma série de livros que você adora
Acho impossível escolher só uma, porque tenho várias séries que moram no meu coração. No entanto, para não responder Harry Potter que é a escolha mais óbvia, então, vou para a minha segunda favorita: Os Instrumentos Mortais, da Cassandra Clare. Foi através desses livros que eu me encantei com a escrita da Cassandra e com o universo que ela criou.

4 – Casal SIM SIM SIM: Um casal que você gostou tanto que torceu para eles existirem no mundo real.
Eu arrumo casais para torcer em quase todos os livros que eu leio, então, dá para imaginar o quanto essa escolha é difícil. Porém, se tem um casal que eu queria muito que existisse na vida real é a Fani e o Leo, de Fazendo meu filme. Essa série foi uma das que mais me marcaram justamente por causa da fofura desses dois protagonistas. É impossível não torcer por eles.

5 – Plot Twist SIM SIM SIM: Uma virada de mesa que te agradou muito
Se tem uma coisa que eu amo, é uma boa reviravolta e poderia citar várias que me deixaram de queixo caído. No entanto, duas foram muito especiais, porque me emocionaram e deram um toque muito especial à trama. Óbvio que não vou dar spoiler e contar aqui quais foram, então, basta dizer que foram nos livros A Traidora do Trono e A Heroína da Alvorada.

6 – Decisão de protagonista SIM SIM SIM: Uma escolha que você viu a personagem fazer e que você teria feito igual.
Não sei por que, sempre me marcam mais as atitudes de protagonistas que me irritam. No entanto, eu gostei muito das decisões da Lia em The beauty of darkness. Aliás, eu admirei essa personagem durante toda a trilogia As Crônicas de Amor e Ódio. Mas teve uma decisão específica no terceiro livro que me deixou muito orgulhosa e que eu teria feito exatamente a mesma coisa no lugar dela.

7 – Gênero SIM SIM SIM: Um gênero que você ama ler
Mesmo se você não acompanha o blog, acho que só de prestar atenção nas minhas respostas já dá para saber qual é o meu gênero favorito: fantasia. Por mais que eu goste de romances de época, chick-lits e, às vezes, até suspense, são os livros de fantasia que reinam absolutos nas minhas leituras.

8 – Um clichê de trama SIM SIM SIM: aquela coisinha que está em tudo que é história e mesmo assim você ama.
Eu sempre acreditei que não há problema em um livro ser clichê, desde que ele seja bem construído. E se tem um que aparece em vários livros e eu adoro é o do casal que se odeia desde o início, mas com a convivência vão se apaixonando. Para começar, esse clichê é o oposto do “instalove” (que me irrita profundamente). Além disso, geralmente, esses romances envolvem muitas discussões hilárias entre os protagonistas, tornando a leitura muito mais divertida.

9 – Recomendações SIM SIM SIM: Uma recomendação que você recebe muito e que quer muito ler.
Eu quase respondi aqui Corte de Espinhos e Rosas, porque já perdi as contas de quantas pessoas me recomendaram esse livro. Porém, eu já comecei a ler, então, não conta. Então, resolvi citar uma outra recomendação que eu sempre recebo e que pretendo ler em breve: A fúria e a aurora, da Renée Ahdieh.

10 – SIM SIM SIM. Mania de escrita: Algum autor que um autor ou autores fazem que você adora.
Essa é a pergunta mais difícil para mim, porque eu nunca parei para pensar muito nas manias de escrita dos autores. Porém, eu adoro quando eles colocam trechos de músicas/ filmes/ séries/ livros no início de cada capítulo. Acho que sempre dá um toque especial no livro e já peguei várias indicações em livros assim. Por exemplo, comecei a assistir Gilmore Girls por causa do livro Minha vida fora de série, da Paula Pimenta.

11 – Livro SIM SIM SIM: Um livro que você acha que todo mundo deveria ler
Não preciso nem explicar muito, mas acho que todo mundo deveria ler O ódio que você semeia, da Angie Thomas. Postei resenha sobre ele aqui no blog e é um livro que eu não perco a oportunidade de recomendar. Ele traz um tema extremamente importante e que precisa ser discutido, tirando o leitor de sua zona de conforto e trazendo uma perspectiva muito realista de um problema muito sério da nossa sociedade.

12 – Vilão SIM SIM SIM: Um vilão que você gostou tanto que torceu por ele
Eu nunca cheguei a torcer por um vilão, porém, o mais perto que já cheguei disso foi com o Sebastian, de Os Instrumentos Mortais. Ele é um personagem que, por mais perturbada que seja a sua mente, ainda consegue ser carismático e até divertido, e roubando a cena sempre que aparece. 

13 – Autor SIM SIM SIM: Um autor que você se encantou logo no primeiro livro lido.
Aqui não tem como, vou trapacear e citar cinco autoras, porque todas elas me conquistaram logo no primeiro livro delas que eu li e, hoje em dia, eu leria até a lista de supermercado delas, caso resolvessem publicar. Estou falando, obviamente, de J. K. Rowling, Cassandra Clare, Colleen Hoover, Sarah J. Maas e Alwyn Hamilton.

E aí, o que acharam das minhas escolhas? Foi uma delícia responder essa tag, porque me permitiu relembrar várias leituras que eu amei e características que eu sempre gostei em livros. Mas agora, quero saber a opinião de vocês e o quais seriam as suas escolhas. Então, não deixem de me contar aí nos comentários.
E, caso tenham se interessado por algum dos livros citados, não deixem de usar este link de compra na Amazon, pois ajudam muito o Dicas de Malu.

[Resenha] Uma proposta e nada mais

 Autora: Mary Balogh
Editora: Arqueiro
Páginas: 272
Onde comprar: Amazon
Sinopse: “Após ter tido sua cota de sofrimentos na vida, a jovem viúva Gwendoline, lady Muir, estava mais que satisfeita com sua rotina tranquila, e sempre resistiu a se casar novamente. Agora, porém, passou a se sentir solitária e inquieta, e considera a ideia de arranjar um marido calmo, refinado e que não espere muito dela. Ao conhecer Hugo Emes, o lorde Trentham, logo vê que ele não é nada disso. Grosseirão e carrancudo, Hugo é um cavalheiro apenas no nome: ganhou seu título em reconhecimento a feitos na guerra. Após a morte do pai, um rico negociante, ele se vê responsável pelo bem-estar da madrasta e da meia-irmã, e decide arranjar uma esposa para tornar essa nova fase menos penosa.Hugo a princípio não quer cortejar Gwen, pois a julga uma típica aristocrata mimada. Mas logo se torna incapaz de resistir a seu jeito inocente e sincero, sua risada contagiante, seu rosto adorável. Ela, por sua vez, começa a experimentar com ele sensações que jamais imaginava sentir novamente. E a cada beijo e cada carícia, Hugo a conquista mais – com seu desejo, seu amor e a promessa de fazê-la feliz para sempre.”

Olá, leitores e leitoras! Vocês que acompanham o blog sabem que eu tenho me rendido cada dia mais aos romances de época. E, quando se trata desses livros, a editora Arqueiro é uma especialista no assunto. Por esse motivo, sempre fico curiosa para conferir os livros do gênero publicados por ela e não foi diferente com Uma proposta e nada mais, da Mary Balogh, que foi lançado no Brasil esse ano.
Primeiro volume da série O Clube dos Sobreviventes, este livro contará história de Gwendoline, a jovem viúva de um lorde inglês, que passou sete anos após a morte de seu marido sem planejar se casar novamente. No entanto, depois de tanto tempo sozinha, ela começa a cogitar encontrar um marido calmo, gentil, com quem possa ter uma vida tranquila e agradável, diferente de seu primeiro casamento.
No entanto, em um dia de caminhada onde se sente especialmente sozinha, Gwendoine sofre um acidente e é resgatada por Hugo Ernes, lorde de Trentham, um cavalheiro que não poderia estar mais distante do marido que ela imaginava. Tendo recebido o seu título por conquistas que teve em batalha, Hugo não é um nobre de nascença e nunca procurou ser um cavalheiro. Sempre carrancudo e com maneiras muito grosseiras, ele deseja encontrar uma esposa para ajudá-lo com sua irmã e atender o desejo de seu pai que queria que ele se casasse e deixasse os negócios da família para seu futuro filho.
“– Que diabo tenho que fazer? Não sei nada sobre fazer a corte. Ela sorriu, divertindo-se pela primeira vez em muito tempo. – Tem mais de 30 anos. Já era hora de ter aprendido.”
Como ambos estavam considerando a possibilidade de casar, seria de se imaginar que veriam um no outro uma possibilidade. Porém, tudo que Hugo não quer é se casar com uma aristocrata. Ele quer uma esposa de seu próprio meio, que possa aceitar sua família e uma vida mais tranquila, sem a agitação da alta sociedade. Por ouro lado, Gwen deseja um cavalheiro gentil e tranquilo, tudo o que Hugo está longe de ser. Mas e se, contrariando o bom senso de ambos, uma inesperada atração surgisse entre ele. Será que seriam estariam dispostos a superar as diferenças entre seus mundos para encontrar uma possibilidade de felicidade juntos?


A primeira coisa que preciso dizer sobre esse livro é que, por mais que a sinopse não deixe isso claro, esse não é um romance de época igual a muitos que vemos por aí. E, o principal motivo para isso são os próprios protagonistas. São dois personagens densos, cheios de traumas e marcas da vida que os tornam muito mais reais. Aliás, ambos foram construídos de uma forma que foge bastante dos padrões de romances de época.
Tanto a Gwen quanto o Hugo são personagens mais maduros do que estamos acostumados a ver nesses livros, não só por sua idade (os dois já têm mais que 30 anos), mas por um passado difícil que acabou moldando a personalidade deles. Além disso, é interessante ver como cada um deles lida com seus demônios e a forma como a autora deixa claro que, mesmo com o tempo, eles ainda tinham muito que superar.
Assim, vemos em Gwen uma mulher que tem marcas físicas e emocionais de seu passado, mas que aparenta ter lidado bem com isso e se mantido otimista. No entanto, ao longo do livro, é possível perceber que o sofrimento que ela carregava ainda era grande demais. Assim, é interessante vê-la aprendendo a olhar para si mesma e encarando seus traumas para poder seguir em frente de verdade. Além disso, mesmo quando se sente mais frágil e solitária, Gwen não deixa de se mostrar uma mulher forte, determinada e que vai em busca de sua felicidade.

“– Mas e a solidão? Por quanto tempo ficaria à espreita, esperando o momento certo para o ataque? Sua vida era mesmo tão vazia quanto parecia naquele momento? Tão vazia quanto aquela praia vasta e inóspita?”


E o que dizer do Hugo, que com seu jeito grosseiro e emburrado esconde um coração gentil e marcado pela guerra e pela culpa? A postura rígida e pouco cavalheiresca de Hugo se deve tanto aos arrependimentos que tem quanto às memórias dos horrores que viu e fez na guerra. Ele ainda é assombrado pela culpa e pelo senso de responsabilidade, o que acabou se refletindo em sua personalidade e no modo como ele se enxerga e às pessoas a sua volta. Assim, apesar de querer bater nele por sua insistência em não querer se envolver com alguém da aristocracia, eu tinha vontade de colocá-lo no colo quando pensava em tudo que ele passou.
“Ele tinha um título. Era rico. Porém trabalhava na fazenda e cultivava a própria horta. Porque gostava. E também porque oferecia alguma redenção pelo fato de ter passado anos na guerra matando e permitindo que os próprios homens fossem mortos. Não era o ex-oficial endurecido e frio que ela imaginara quando se conheceram. Ele era... um homem.”
No entanto, preciso confessar que, por mais que tenha amado os dois protagonistas, o romance demorou a me convencer. Eu gostava muito dos diálogos entre Gwen e Hugo, porque eram conversas maduras e que refletiam todo o peso que esses personagens carregavam na alma. Mas parecia que não havia química entre eles e as primeiras cenas mais sensuais acabaram não me convencendo. Porém, apesar de demorar, eu acabei acreditando e torcendo por eles; com a convivência e a forma como ambos foram se ajudando a lidar com seus traumas, o sentimento entre eles foi se tornando mais concreto e real.
Por outro lado, fui rapidamente conquistada pelos amigos de Hugo. Ele faz parte de um grupo composto por outros cinco homens e uma mulher que, de maneiras diferentes, tiveram suas vidas transformadas pela guerra, o Clube dos Sobreviventes que dá origem ao nome da série. À primeira vista, eles têm pouco em comum e apresentam personalidades muito diferentes, mas foram unidos pela dor e se ajudaram nos momentos mais difíceis de suas vidas, formando um vínculo muito bonito de acompanhar. – Sofremos neste lugar – explicou ele.
“– Nós nos curamos neste lugar. Desnudamos nossas almas uns para os outros. Deixar esta casa foi uma das coisas mais difíceis que já fizemos. Mas era necessário para que nossas vidas voltassem a fazer sentido. Uma vez por ano, porém, voltamos para recuperar nossa integridade ou para nos fortalecermos com a ideia de que estamos inteiros.”

Com relação à trama, ela se desenvolve de forma mais lenta do que costuma acontecer em romances de época, mas isso não é algo ruim. Este é um livro que foca mais no desenvolvimento dos personagens do que no romance, permitindo que o leitor vá descobrindo suas camadas aos poucos. A leitura flui bem e se torna envolvente pelos diálogos inteligentes e pelo carisma dos protagonistas.



A escrita de Mary Balogh é leve e eficiente. Gostei do ritmo que ela imprimiu na trama e o modo como ela consegue apresentar a sociedade e os costumes da época, sem exagerar nas descrições. Além disso, ela conseguiu dar profundidade aos seus personagens, até mesmo os secundários, e trazer reflexões a partir das situações vividas por eles.
Não posso deixar de falar também da edição, que está incrível. Achei a capa linda e com um tom mais sobreo, que combina com a história. Além disso, como sempre a Arqueiro adotou páginas amareladas e um bom tamanho de fonte e espaçamento, que deixam a leitura mais confortável. E, com relação à revisão, está impecável.
Deste modo, Uma proposta e nada mais é um romance de época diferente da maioria dos livros do gênero, mas que não deixa de ser uma leitura leve e envolvente. Com personagens mais complexos do que eu esperava, me encantei pela jornada pessoal deles ainda mais do que pelo romance. Assim, terminei a leitura apaixonada pelo casal principal, mas tocada pelas reflexões que encontrei. Recomendo para todos que adoram o gênero, mas que estejam procurando uma leitura diferente e mais madura.

[Dica de Filme] A Barraca do Beijo



Olá, pessoal! Como vocês estão? Na cidade de vocês o friozinho já começou? Na minha, as temperaturas caíram bastante e eu resolvi aproveitar o tempinho preguiçoso nesse domingo para fazer algo que eu não fazia há muito tempo: assistir a um filme. Nos últimos dias, vinha reparando que várias pessoas estavam indicando um lançamento da Netflix chamado A Barraca do Beijo e ontem resolvi finalmente dar uma chance. Então, aproveitando que já vinha querendo trazer mais indicações de filmes e séries aqui no blog, resolvi começar a semana já contando o que achei deste.


Elenco: Joey King, Joe Courtney, Jacob Elordy, Molly Ringwald
Direção: Vince Marcello
Ano: 2018
Duração: 1h 45 min
Gênero: Comédia Romântica
Sinopse: Ellie (Joey King) se encontra em um romance proibido depois do seu primeiro beijo com o menino mais bonito da escola. Esse segredo coloca sua relação com seu melhor amigo em risco.

Confesso que eu não esperava muito devido ao seu enredo totalmente clichê. Inspirado no livro A Barraca do Beijo, da autora Bethe Reekles (que publicou o livro no Wattpad quando tinha apenas 15 anos), o filme conta a história de Elle e Lee, dois adolescentes de 16 anos que são melhores amigos praticamente desde o dia que nasceram. A amizade dos dois tinha várias regras, sendo uma das mais importantes delas que Elle nunca se envolvesse com o irmão mais velho de Lee, o Noah. Porém, quando organiza uma Barraca do Beijo para uma festa da escola, Elle não poderia imaginar que acabaria dando o seu primeiro beijo com o menino mais popular da escola e que isso colocaria sua amizade com Lee em risco.
Tem como ser mais clichê? Não, não tem. Porém, a curiosidade por esse filme ter se tornado o mais comentado do momento (juro que tenho visto mais comentários sobre ele do que sobre Vingadores – Guerra Infinita) acabou falando mais alto. E, pasmem, eu entrei para o time dos que amaram e que estão recomendando A Barraca do Beijo para todo mundo.
Há muito tempo eu não via uma comédia romântica adolescente que funcionasse tão bem. Apesar da trama ser batida, a forma como ela foi construída é muito mais interessante do que pensei. Os personagens são extremamente carismáticos e, surpreendentemente reais. Mesmo que alguns estereótipos típicos de filmes adolescentes estejam presentes, eles ainda apresentam uma humanidade que não costumamos ver. Em especial, gostei de perceber que há mais camadas nos três protagonistas do que pensamos a princípio.

Além disso, o filme é muito ajudado pelo elenco. Não são atores tão conhecidos, mas acredito que isso ajuda na construção deles como adolescentes comuns, já que não estão marcados por papéis em outros filmes. Joey King, Joe Courtney e Jacob Elordy vivem, respectivamente, Elle, Lee e Noah, e fazem isso de maneira convincente e cativante. Terminei o filme totalmente encantada por eles e espero vê-los em outros trabalhos.
Vale mencionar também que o filme conta com uma participação especial da atriz Molly Ringwald. Apesar de não fazer tanto sucesso atualmente, ela é mais conhecia por seus papéis em A garota de rosa-shocking, Gatinhas e gatões e O Clube dos Cinco, um dos meus filmes favoritos. Então, para quem também ama esses filmes, foi muito legal vê-la em A Barraca do Beijo.
No entanto, o que me cativou de fato nesse novo sucesso da Netflix é o clima leve e o humor natural na trama. Não se trata de uma daquelas comédias românticas tolas, cheias de piadas sem graça e com um senso de humor cansativo. Ao contrário, A Barraca do Beijo dosa muito bem os momentos mais engraçados dentro da história, fazendo com que eles apareçam de maneira orgânica na trama e sem situações forçadas só para fazer o espectador rir.


De um modo geral, A barraca do beijo não é um filme que vá mudar minha vida ou me trazer reflexões, mas se mostrou uma excelente opção de entretenimento. Consegui entender o motivo de tantas pessoas estarem se rendendo a ele e confesso que terminei de assistir compartilhando do mesmo sentimento. Seus 105 minutos de duração passam rápido, mas acabam deixando o espectador com o coração quentinho e um gosto de quero mais. Sem dúvida, o final em aberto permite a possibilidade de uma continuação e confesso que já estou ansiosa.
E, para quem também se encantou por esse filme ou ainda quer assisti-lo, a editora Astral Cultural ainda deu mais um motivo para aumentar o interesse em torno dele: em junho, o livro A Barraca do Beijo será publicado no Brasil. Assim, além de assistir ao filme, em breve, poderemos conferir a obra que o inspirou. Mas, para quem gosta de ler em inglês, já pode comprar a edição americana aqui.
E vocês, já se renderam ao mais novo queridinho da Netflix? Me contem aí nos comentários se assistiram A Barraca do Beijo e o que acharam. Para quem ainda não viu, vou deixar o trailer desse amorzinho de filme. 


[Resenha] É assim que acaba


Autora: Colleen Hoover
Editora: Galera Record
Páginas: 368
Onde comprar: Amazon
Exemplar recebido de parceria com a editora
Sinopse: “Um romance sobre a força necessária para fazer as escolhas corretas nas situações mais difíceis. Da autora das séries Slammed e Hopeless Lily nem sempre teve uma vida fácil, mas isso nunca a impediu de trabalhar arduamente para conquistar a vida tão sonhada. Ela percorreu um longo caminho desde a infância, em uma cidadezinha no Maine: se formou em marketing, mudou para Boston e abriu a própria loja. Então, quando se sente atraída por um lindo neurocirurgião chamado Ryle Kincaid, tudo parece perfeito demais para ser verdade. Ryle é confiante, teimoso, talvez até um pouco arrogante. Ele também é sensível, brilhante e se sente atraído por Lily. Porém, sua grande aversão a relacionamentos é perturbadora. Além de estar sobrecarregada com as questões sobre seu novo relacionamento, Lily não consegue tirar Atlas Corrigan da cabeça — seu primeiro amor e a ligação com o passado que ela deixou para trás. Ele era seu protetor, alguém com quem tinha grande afinidade. Quando Atlas reaparece de repente, tudo que Lily construiu com Ryle fica em risco. Com um livro ousado e extremamente pessoal, Colleen Hoover conta uma história arrasadora, mas também inovadora. Uma narrativa inesquecível sobre um amor que custa caro demais.”

Não é segredo para ninguém que me encantei pela escrita da Colleen Hoover logo no primeiro livro dela que eu li. No entanto, toda a experiência que tive com as obras dela não me preparou para o que encontraria em É assim que acaba, publicado recentemente no Brasil pela Galera Record. Mais denso, complexo e doloroso, esse livro vai muito além do que eu poderia imaginar e traz um tema tão relevante que torna sua leitura praticamente obrigatória.
Escrito com muita sensibilidade, É assim que acaba toca o dedo em uma ferida muito presente na nossa sociedade e faz com que o leitor saia de sua zona de conforto para rever suas opiniões e, principalmente, seus julgamentos. É daquelas leituras em que, quando você termina o livro, não é mais o mesmo que começou a ler. Acredito ser impossível concluir essa leitura sem se colocar ao menos um pouquinho no lugar do outro e perceber que o mundo não é tão simples como nós imaginamos e que algumas escolhas não são óbvias e nem fáceis.
Nesse livro, acompanhamos a história de Lilly, uma jovem que acabou de perder o pai, com quem nunca teve uma boa relação, e seu discurso no funeral foi um completo fracasso. Vivendo o que considera ser o pior dia de sua vida, ela sobe no telhado de um prédio em busca de ar fresco e de clarear seus pensamentos. É aí que ela conhece Ryle, um lindo neurocirurgião, que também estava tendo um péssimo dia.
Apesar de se sentirem atraídos, os dois percebem que tinham objetivos muito diferentes. Ele está totalmente focado em sua carreira e não quer relacionamentos que o distraiam. Já Lilly sonha com uma relação estável e uma família. No entanto, é claro que os dois irão se reencontrar e os sentimentos vão falar mais alto.
E, antes que vocês pensem que É assim que acaba é o livro mais clichê de todos os tempos, esse foi apenas o pontapé inicial de um enredo muito mais denso do que se supõe a princípio. Entre as mudanças na vida de Lilly e o desenvolvimento da relação dela com Ryle, temos diários que narram acontecimentos de sua adolescência, incluindo os motivos para sua péssima relação com o pai e o romance que ela viveu com Atlas, um jovem sem-teto que ela nunca esqueceu completamente.
Quando Atlas ressurge em sua vida, Lilly fica dividida entre os sentimentos que nunca foram superados e a força do romance que estava vivendo com Ryle. Porém, ele não é o único fantasma do seu passado que retorna para assombrá-la. Lilly passará por situações que irão fazê-la reviver alguns dos piores momentos de sua infância e adolescência, porém, com uma nova perspectiva que poderá destruir todas as convicções que sempre teve, inclusive sobre si mesma.


Eu poderia falar sobre É assim que acaba por horas e em detalhes, porém, prefiro não contar mais nada sobre o enredo e deixar que vocês tenham a mesma experiência que eu tive ao ler esse livro pela primeira vez. Sei que já têm muitas resenhas por aí que falam abertamente sobre o tema do livro e as grandes reviravoltas que ele apresenta, mas eu acho que isso estraga grande parte do cuidado que a autora teve ao construir a história. Quanto menos o leitor souber sobre o enredo é melhor, pois não fará julgamentos antecipados e conseguirá se colocar no lugar da protagonista.
Com relação aos personagens, Lilly é uma das personagens mais humanas e fáceis de se conectar que eu já li. Mesmo que eu nunca tenha passado por nada remotamente parecido com as situações que ela vivenciou, Lilly é uma protagonista tão real que é impossível não entender suas dúvidas e não querer confortá-la nos momentos difíceis. Além disso, foi uma personagem que cresceu na adversidade e foi se mostrando mais forte e madura ao longo do livro, mesmo nos momentos em que ela parecia desabar.
“A maioria das plantas precisa de muito cuidado para sobreviver.  Mas algumas coisas, como as árvores, são fortes o bastante para sobreviver ao que quer que tivesse acontecido em sua vida.”
Já Ryle e Atlas são dois mocinhos que encantam desde o primeiro momento em que aparecem. Apesar de vê-los, incialmente, em momentos diferentes da vida da Lilly, é fácil entender os motivos que a levaram a se apaixonar pelos dois. Inclusive, cheguei a me perguntar como ela poderia escolher entre um deles. No entanto, se tem uma coisa que esse livro faz é quebrar estereótipos e esses dois personagens vão surpreender e mostrar como os rótulos que colocamos nas pessoas podem estar errados.
Quinze segundos. Só isso já basta para mudar completamente tudo sobre uma pessoa. Quinze segundos que nunca teremos de volta.”
Os personagens secundários não são tão explorados, mas apresentam grande relevância na jornada da protagonista. Em especial, se destacaram a mãe dela e Allysa, irmã do Ryle e funcionária de Lilly. Aliás, Allysa foi uma das minhas personagens preferidas, tanto por sua personalidade divertida e positiva, quando por sua amizade sincera com a Lilly. Ela mostra, de várias maneiras, o verdadeiro significado da empatia e da sororidade, e é bonito ver o laço que se forma entre elas.
Com relação à escrita da Colleen, acho que não é surpresa para ninguém dizer o quanto é fluída e envolvente. Além disso, É assim que acaba demonstra, mais uma vez, a grande capacidade que a autora tem de fazer com que os leitores sintam as mesmas coisas que os seus personagens. No entanto, talvez por se tratar de seu romance mais pessoal, essa habilidade dela foi potencializada nesse livro. Aqui, nós nos sentimos realmente no lugar da Lilly; temos os mesmos medos e dúvidas que ela, e a sua dor se torna a nossa, o que deixa a leitura mais real e brutal.
“Apesar do ressentimento que guardo no coração, minhas emoções continuam presentes. Não paramos de amar uma pessoa só porque ela nos magoou. Não são suas ações que magoam mais. É o amor. Se não houvesse amor ligado à ação, a dor seria um pouco mais fácil de suportar.”

O enredo foi muito bem construído pela autora, de modo que o leitor consiga conhecer e se apegar aos personagens e que o impacto dos acontecimentos seja ainda maior. A reviravolta do livro é um verdadeiro soco no estômago e, inicialmente, não queria acreditar que aquilo estava acontecendo. A partir daí a leitura se torna mais dolorosa, mas também intensa e ágil, fazendo com que o leitor não consiga parar até concluir o livro e descobrir quais foram as escolhas feitas pela protagonista.



Vi algumas críticas relacionadas ao desfecho, mas, apesar de concordar que os eventos do epílogo poderiam ter acontecido de outra forma, achei que foi um final bastante coerente. Acho que ele representou bem a jornada de Lilly durante todo o livro e as lições que ela tirou de todas as situações que viveu. Assim, acredito que a ressalva feita acabou ficando pequena demais, para mim, quando comparada com a grandiosidade e a importância da história que foi contada. Além disso, algumas pessoas reclamaram que um determinado personagem não foi muito explorado no livro. Porém, é preciso ter em mente que, por mais cativante e importante que seja na jornada de Lilly, ele nunca foi e nem deveria ser o foco. Então, não foi algo que chegou a me incomodar.
“Ciclos existem porque é doloroso acabar com eles. Interromper um padrão familiar é algo que requer uma quantidade astronômica de sofrimento e de coragem. Às vezes, parece mais fácil simplesmente continuar nos mesmos círculos familiares em vez de enfrentar o medo de saltar e talvez não fazer uma boa aterrissagem.”
Com relação à edição, foi mantida a capa original, que é maravilhosa. As páginas são amareladas e a fonte tem um bom tamanho. A minha única ressalva é que, como li o livro ano passado em inglês, achei que a tradução deixou um pouquinho a desejar e passaram alguns errinhos de revisão. No entanto, não é nada que chegue a prejudicar a leitura ou tirar o impacto da história contada.
Deste modo, É assim que acaba é um livro forte e difícil de ser lido, mas que toca pela empatia que desperta e pela sensibilidade da autora na construção da trama. É uma leitura que me fez sair da minha zona de conforto e olhar com mais cuidado para uma realidade que pode não ser a minha, mas é a de milhares de pessoas. Assim, mais do que um romance, é um livro importante para mostrar que devemos pensar antes de julgar e que, ao invés de apontar o dedo, é preciso entender e se colocar no lugar do outro. Não é uma leitura fácil, especialmente por conter cenas pesadas e muito reais, mas que é capaz de arrebatar, emocionar e, até mesmo, transformar o leitor.
Aproveito também para destacar que, ao final do livro, há uma nota da Colleen Hoover que nos permite entender melhor sua inspiração ao escrever essa história. Essa nota, que deve ser lida apenas após terminar a leitura do livro por explicar o desfecho, é extremamente emocionante e dá ainda mais significado para tudo que foi narrado na obra. Além disso, os agradecimentos que vêm depois da nota são muito bonitos e confesso que também arrancaram mais algumas lágrimas minhas.
E vocês, já leram esse ou algum outro livro da Colleen Hoover? Me contem aí nos comentários o que acharam ou se ainda querem ler este livro. E, para quem se interessou, deixo o link de compra na Amazon aqui.

[Resenha] Um verão da Itália

 Autora: Carrie Elks
Editora: Verus
Onde comprar: Amazon
Exemplar cedido pela editora para leitura antecipada
Sinopse: “Férias de verão gratuitas em uma bela villa na Itália. A condição? Dividir a casa com seu maior inimigo... Cesca Shakespeare chegou ao fundo do poço. Depois de escrever uma peça de teatro premiada que acabou em desastre, o bloqueio criativo se instalou, sem previsão de ir embora. Seis anos mais tarde, ela acabou de perder mais um emprego pavoroso e está prestes a ser despejada de seu apartamento. Pior ainda, suas irmãs não fazem ideia de como sua vida vai mal. Assim, quando seu padrinho lhe arruma uma temporada de verão em uma villa italiana, sem ter de pagar nada por isso, Cesca concorda, meio a contragosto, em ir para lá e tentar escrever uma nova peça. Isto é, antes de descobrir que a casa pertence a seu arqui-inimigo, Sam Carlton. Tendo acabado de ver seu nome em todas as manchetes pelas razões erradas — mais uma vez —, o galã de Hollywood Sam Carlton precisa de um lugar para se esconder. Que opção melhor do que a linda villa desocupada de sua família à beira do lago de Como? Só que, quando ele chega, descobre que a casa não está tão desocupada quanto ele esperava. Ao longo do quente verão italiano, Cesca e Sam terão de confrontar o passado. E o que começa como uma hesitante amizade rapidamente se torna uma atração intensa. À medida que seus mundos colidem, uma escolha terá de ser feita: o que está acontecendo entre eles é apenas um caso de verão, ou um amor capaz de enfrentar até a família Shakespeare: quatro irmãs, quatro histórias... quatro maneiras de encontrar o amor verdadeiro.”

Semana passada, recebi mais uma caixinha muito especial do VIB – Very Importante Book – do Grupo Editorial Record. O livro da vez é Um verão na Itália, da autora Carrie Elks, e eu preciso confessar que foi amor à primeira vista. Assim que li a cartinha que veio junto, senti que precisava pular a fila e começar esse livro imediatamente. Resultado: leitura concluída em menos de dois dias e uma sensação maravilhosa de coração quentinho quando terminei.
Um verão na Itália inaugura a série As irmãs Shakespeare, que será publicada no Brasil pela Editora Verus. Nesse primeiro livro, que tem previsão de lançamento para o mês que vem, acompanhamos a trajetória de Cesca, uma jovem que vinha há alguns anos pulando de emprego em emprego e que não dava nenhum sinal de que iria se encontrar em algum deles. Seis anos antes, ela era uma promissora roteirista de teatro, mas um enorme fracasso em sua primeira peça fez com que ela nunca mais conseguisse escrever nada.
Cansado de ver Cesca mudando toda hora de emprego e com uma vida financeira e pessoal cada dia pior, o padrinho dela propõe que ela passe o verão tomando conta da casa de um casal de amigos dele, na Itália. Seria uma oportunidade para ela espairecer e, quem sabe, voltar a se dedicar ao seu grande sonho que era ser uma roteirista de teatro. Sem nada a perder, Cesca decide ir para a Itália e tentar se reencontrar.
O que ela não esperava é que, nessa viagem, acabaria reencontrando também o ator que foi responsável pelo fracasso de sua peça anos atrás. Surpreendentemente, Sam Carlton acabou se tornando um ator de sucesso e fez fama em Hollywood. No entanto, após um grande escândalo, ele decidiu se refugiar em sua casa, na Itália. Lá, Sam esperava encontrar um pouco de paz, mas precisou lidar com toda a raiva que Cesca acumulou ao longo dos anos por ter destruído sua vida – mesmo que ele não tivesse a menor ideia de que tinha feito isso.


Sabe aquele livro aquele livro que tem cara de final de semana, daqueles que a gente senta para ler e esquece da vida? Um verão na Itália é exatamente esse tipo de livro. Uma leitura fluida, divertida e apaixonante, que envolve desde a primeira página e com um enredo que, mesmo sendo um pouco clichê, é bem construído e surpreende pelo desenvolvimento dos personagens. 
Cesca é daquelas protagonistas que conquistam a empatia do leitor logo nas primeiras páginas. Como qualquer pessoa, ela passa por uma fase difícil e demonstra várias inseguranças. No entanto, isso não é apresentado no livro por meio daquela típica mocinha atrapalhada, que vive se metendo em confusões e chega a ser caricata. Ao contrário, Cesca é uma personagem muito humana, com sentimentos compreensíveis e com a qual o leitor consegue se identificar. Claro que ela se envolve em algumas situações engraçadas, mas não é nada que não possa acontecer na vida real. Além disso, seu desenvolvimento durante a história permite que o leitor perceba o quanto Cesca amadureceu e realmente acredite nessa mudança, pois não é algo que acontece de uma hora para outra.
E o que dizer do Sam? Assim, como Cesca, ele não é um personagem perfeito e, em muitos momentos, eu sentia vontade de sacudi-lo para que percebesse as besteiras que estava fazendo. No entanto, ele é humano até mesmo em suas imperfeições e apresenta conflitos muito compreensíveis. Aliás, achei interessante o fato de que, mesmo se tratando de um astro do cinema, ainda é fácil perceber em Sam uma pessoa comum, que comete erros, tem sonhos e frustrações, e demonstra uma enorme capacidade de sentir. E, se não bastasse tudo isso, ele ainda é um personagem carismático, divertido e capaz de conquistar o leitor.


Os demais personagens não aparecem tanto, mas foram suficientemente desenvolvidos para contribuir com a trama. Em especial, amei o padrinho da Cesca e a Gabi, funcionária da casa onde Cesca vai trabalhar na Itália. Nos breves momentos em que apareceram, esses dois me conquistaram com seu senso de humor e ajudaram muito a impulsionar a protagonista.  
Com relação à trama, achei que a autora soube desenvolvê-la muito bem. Apesar do enredo parecer clichê, a maneira como ele foi construído me surpreendeu bastante. Além do amadurecimento gradual dos personagens, o romance acontece de maneira natural na história. Não há aquele amor à primeira vista que sempre me irrita, mas a antipatia que Cesca e Sam sentem quando se conhecem também não é forçada. Todas as etapas da convivência deles são compreensíveis e, até mesmo críveis, deixando a leitura ainda mais interessante. Além disso, achei que a autora soube dosar bem o ritmo, sem deixar que os acontecimentos fossem muito abruptos, mas também não pecando pelo excesso de descrições.
Outro ponto que achei interessante no livro é a importância que o teatro tem na obra. É bonito ver o quanto Cesca é apaixonada por essa arte e sofremos ao perceber o quão doloroso foi para ela se afastar do seu sonho de escrever uma peça. Então, vê-la se reencontrando e tentando colocar em prática seu talento novamente foi um dos aspectos que mais contribuíram para tornar esse livro encantador. Além disso, o começo de cada capítulo conta com uma citação de alguma obra de William Shakespeare, o que não só tem tudo a ver com a história do livro, como ainda deu um toque bastante especial para a leitura.



Já sobre a edição, não tenho como falar, pois li uma prova para leitura antecipada, então, pode ser que muita coisa mude até a versão final. No entanto, não posso deixar de comentar que eu gostei bastante da capa e acho que tem tudo a ver com o tom descontraído e apaixonante do livro.
Assim, quero agradecer muito ao Grupo Editorial Record pela oportunidade de ler Um verão da Itália antecipadamente. O livro foi meu primeiro contato com a escrita da Carrie Elks e a impressão não poderia ter sido melhor. É uma leitura leve, apaixonante e envolvente, com personagens que conquistam a empatia do leitor e uma trama que se desenrola com naturalidade. O desenvolvimento romance é lindo de acompanhar, mas o que conquista mesmo no livro é a boa construção dos personagens e o fato de conseguirmos nos identificar com eles e ainda nos orgulharmos por sua evolução. Acredito que não preciso nem ressaltar aqui o quanto eu amei essa leitura, que me deixou com o coração alegre do começo ao fim. Então, só me resta dizer que recomendo muito Um verão na Itália e que não vejo a hora de poder ler as histórias das outras irmãs Shakespeare.

Atualização: O livro já está disponível para pré-venda e pode ser adquirido aqui.

Apaixonada por literatura desde pequena, nunca consegui ficar muito tempo sem um livro na mão. Assim, o Dicas de Malu é o espaço onde compartilho um pouco desse meu amor pelo mundo literário.




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