[Resenha] Como sair com homens quando você odeia homens: O guia de uma garota hétero para namoro em tempos feministas

 


Acredito que toda mulher que já viveu alguma situação em que se sentiu oprimida pelos homens. É o resultado de vivermos em uma sociedade patriarcal. Então, quando vi o livro Como sair com homens quando você odeia homens – O guia de uma garota hétero para namoro em tempos feministas, da autora Blythe Roberson, já fiquei curiosa para ver como seriam retratadas as situações que vivemos diariamente.

Com muito humor, a autora retrata situações cotidianas e que demonstram como às vezes ficamos no dilema entre gostar de homens e entender que, muitas vezes, eles podem ser bem babacas. Seriam eles realmente os inimigos? É possível questionar o patriarcado e ainda gostar de homens? É isso que a autora busca discutir nesse livro.

Sem procurar oferecer respostas prontas ou dicas de relacionamento, a autora traz situações da sua própria vida para conversar com as leitores e refletir sobre essas questões. E, por se tratar de um assunto tão necessário, é claro que fiquei ansiosa para conferir.

 

Autora: Blythe Roberson

Editora: Galera Record

Tradução: Adriana Fidalgo

Páginas: 288

Onde comprar: Amazon

Sinopse: “Às vezes um encontro não é apenas um encontro...Será que no menu daquele inofensivo jantar romântico a autonomia e a personalidade que você fortaleceu com muita teoria feminista e ativismo não estão sendo servidas de bandeja para o patriarcado? Como se já não fosse suficientemente difícil definir se aquele barzinho com o crush caracteriza um encontro, vivemos em uma sociedade em que o relacionamento entre homens e mulheres é mais vantajosos para eles – a ciência comprova, mas todas nós já sabíamos disso! Reunindo toda a experiência adquirida em anos de solteirice, saindo com homens e assistindo incontáveis vezes a Mens@gem para você, a comediante Blythe Roberson oferece este bem-humorado ensaio filosófico sobre mulheres que saem com homens, mesmo sem gostar tanto assim deles. As histórias de Blythe são excelente companhia para atravessar o campo minado por boys lixo dos relacionamentos contemporâneos.”

 

Uma das coisas mais interessantes sobre Como sair com homens quando você odeia homens é que tive medo de que ele se tornasse um livro de auto-ajuda, com fórmulas simples para resolver problemas de relacionamento. Mas isso não aconteceu. É realmente um relato da autora sobre situações que viveu e alguns questionamentos a partir disso. Ela não propõe soluções, mas traz discussões para as leitoras se questionarem. E isso, para mim, foi o grande mérito do livro.

Outro aspecto interessante é que Blythe Roberson não procura provar a existência do patriarcado. Ela entende que o machismo e a desigualdade de gênero estão presentes na sociedade e todo mudo sabe disso, e o oprimido não deveria ter que provar para o opressor. Assim, as situações que ela retrata não são para provar que vivemos em uma sociedade machista, mas para que as pessoas reflitam sobre a masculinidade tóxica e como questionar isso e ainda se relacionar com os homens que estão nessa situação de privilégio.

Além disso, gostei muito do fato de que é ressaltado no livro que não são todos os homens que são abusivos ou opressores, e que até entre os homens não há uma igualdade, sendo que homens brancos, héteros, cis e saudáveis se encontraram em uma posição muito mais privilegiada. Ela ainda  reconhece logo na introdução que por ser uma mulher branca, hétero e cis, ainda está em uma posição privilegiada. Ela entende que por mais que também sofra com o machismo e não esteja imune à discriminação de gênero, outras mulheres sofrem com isso de forma muito mais intensa.



E não posso deixar de mencionar que amei a mensagem que a autora quis passar. Ao contrário do que o título sugere, Blythe Roberson não odeia homens e o livro não é uma sucessão de motivos para odiá-los. Ela quis mostrar que, apesar do machismo presente de diversas formas, das opressões que sofremos e da desigualdade de gênero, ainda é possível ter um relacionamento, se apaixonar por um homem. Muitas vezes é difícil manter nossas críticas à masculinidade tóxica e ao patriarcado e ainda acreditar que podemos nos apaixonar e ter um relacionamento saudável com um homem, mas a autora busca mostrar através das situações que retrata, e das reflexões levantadas a partir delas, que é possível sim questionar a sociedade patriarcal e ainda se relacionar com homens.

Porém, apesar de enxergar os méritos do livro, não consegui gostar da leitura. Acredito que o principal motivo para isso foi a escrita da autora. Achei extremamente repetitiva e monótona. Além disso, ela tentou trazer humor e leveza para os eventos que narrava, mas achei forçado e muito exagerado. Definitivamente, não é o tipo de humor que funciona comigo e não consegui rir em momento algum.

Além disso, algumas situações que ela retratou me pareceram mais de uma adolescente extremamente sem noção do que de uma mulher adulta. Não me convenceram e não me senti representada por elas. Ao contrário, fiquei profundamente incomodada. Um exemplo disso é um momento do livro em que ela diz ter feito uma planilha ranqueando os homens pela plausabilidade do beijo. Achei uma atitude sem noção e imatura, e infelizmente não foi a única que me incomodou.

Deste modo, por mais que eu entendesse a mensagem que a autora quis passar e até visse situações muito reais de machismo, masculinidade tóxica e desigualdade de gênero sendo retratadas, não consegui me conectar com o livro e nem me divertir com a leitura. Então, para mim, Como sair com homens quando você odeia homens – O guia de uma garota hétero para namoro em tempos feministas foi um livro com uma ótima proposta, mas que para mim não funcionou. Mas quero deixar claro que é apenas a minha opinião, baseada nas minhas experiências. Talvez, você consiga se ver nas situações que a autora viveu ou aprecie o tipo de humor adotado por ela. Então, vale a pena ler e tirar suas próprias conclusões.


[Resenha] Um beijo de inverno na Livraria dos Corações Solitários


Quando comecei a série A Livraria dos Corações Solitários, não tinha grandes expectativas. Porém, me surpreendi ao encontrar em A Pequena Livraria dos Corações Solitários exatamente a leitura que estava precisando no momento: leve, divertida, aconchegante. E, a cada livro da série, essa sensação de conforto tem se reforçado.
Então, chegamos ao último livro. Aquele momento em que dá uma ansiedade para acompanhar a história de mais um casal, mas também um aperto no coração por ter que me despedir dos personagens. Além da preocupação se o desfecho será o suficiente para encerrar toda a trajetória até ali. Ou seja, todas aquelas sensações que a gente sente quando está prestes a ler o último livro de uma série.
Por esse motivo, acho que não preciso nem dizer que eu estava ansiosa e com altas expectativas para Um beijo de inverno na Livraria dos Corações Solitários. Mas também tinha uma pontinha de receio, ainda mais que não gostei tanto do livro anterior. E agora eu finalmente vou poder contar para vocês o meu veredito e se fiquei feliz com o desfecho dessa série.


Autora: Annie Darling
Editora: Verus
Tradução: Cecilia Camargo Bartalotti
Páginas: 350
Onde comprar: Amazon
Exemplar recebido de parceria com a editora
Sinopse: “Um beijo de inverno na livraria dos corações solitários é o livro final da série a livraria dos corações solitários, sobre a vida dos funcionários da livraria, um “alegre bando de desajustados”, que por uma razão ou outra desistiram do amor e, ainda assim, o encontram quando menos esperam. p o natal é a ocasião perfeita para espalhar amor e alegria. Porém, na livraria felizes para sempre, um improvável casal luta para encontrar o espírito natalino.mattie, uma confeiteira brilhante, detesta a comemoração desde que teve o coração partido na véspera de um natal. A única coisa que ela odeia mais que essa data é o insuportável tom, que a irrita desde que ela começou a administrar o salão de chá ao lado da livraria. Mas, após uma coincidência, os dois passam a conhecer detalhes da vida um do outro que sequer imaginavam, o que faz com que alguns pontos de vista se alterem.assim, quando mattie e tom são deixados no comando nos frenéticos s antes do natal, mesmo estando no inverno, as coisas certamente vão esquentar.será que uma livraria cheia de romances, com uma rena em tamanho real e uma barraca de beijos, pode convencer dois ranzinzas a se apaixonar pelo natal. E, quem sabe, um pelo outro?”

Após assumir o salão de chá ao lado da livraria Felizes para sempre, Mattie está muito feliz com a sua vida. Ela ama seu trabalho, o salão de chá tem feito sucesso e a convivência com o pessoal da livraria é ótima. Com uma exceção: Tom. Os dois nunca se deram bem, e não ajuda muito o fato de que Tom nunca comprou nada em seu salão de chá. Ele sempre busca seu almoço na concorrência, e a única coisa que ele consome do estabelecimento dela é o café que pega de graça todas as manhãs.
Porém, se tem uma coisa que Mattie detesta mais do que o Tom é o Natal. Surpreendentemente, esse é o único ponto que ele concorda com ela. Quando os dois se vêem tendo que tiver o apartamento, parecia o caminho mais direto para o caos e a convivência com eles se torna pior à medida que um começa a esbarrar nos segredos do outro. Porém, quando descobrem a aversão mútua ao Natal, um estranho vínculo se forma entre eles.
Assim, enquanto lutam para resistir ao espírito natalino dos seus colegas e assumem o controle da livraria no momento mais caótico do ano, Tom e Mattie começam a perceber que outros sentimentos além do ódio ao Natal podem os unir.



É engraçado falar sobre esses livros, porque ele me surpreendeu de formas que eu não esperava. No início, apesar de estar gostando da leitura, eu tinha quase certeza de que este caminharia para ser o livro mais fraco da série. Demorei um pouco para me conectar com a Mattie e o Tom e, apesar de adorar as trocas de farpas entre eles, não me apeguei a nenhum dos dois. Porém, no momento em que surge um personagem que despertou todo o meu ódio, foi que os protagonistas finalmente se destacaram e eu pude enxergá-los com outros olhos.
Mattie é a personagem central do livro e foi interessante ir descobrindo quem ela é aos poucos. Nos livros anteriores, seu papel foi totalmente secundário e, por isso, eu ainda não tinha uma opinião formada sobre ele. Mas quando seus traumas começaram a ser revelados aqui e eu pude compreender suas escolhas, e até mesmo sua aversão ao Natal, eu só queria poder entrar no livro e dar um abraço nela.
Acho que através da Mattie, Annie Darling conseguiu abordar temáticas muito importantes e de uma forma mais completa do que havia sido feito nos livros anteriores. Muitas mulheres vão se ver nessa personagem e nas situações que ela viveu, mas também poderão se inspirar nela. Amei ver quão forte a Mattie foi e o quanto ela se superou, e esse foi um dos motivos que fez com que a leitura tornasse tão especial.
Já o Tom despertava minha curiosidade desde o primeiro livro. De todos os personagens da livraria, ele é o que guardava mais segredos sobre sua vida particular e o tema da sua tese de pós-doutorado pode ser considerado como o grande mistério da série. E foi muito divertido poder conhecer esse personagem de verdade. Com relação à tese, eu achei simplesmente brilhante e fiquei até com vontade de ler rsrs.
Mas existe muito mais por trás da fachada de intelectual ranzinza e foi maravilhoso ir descobrindo suas outras camadas. Tom tem um jeito mal humorado, mas sabe ser gentil, atencioso e carinhoso. Assim como Mattie, ele também tem seus traumas e confesso que fiquei muito surpresa com algumas revelações sobre o seu passado.
E tendo me surpreendido tanto com esses protagonistas e gostado tanto deles, não preciso nem dizer o quanto torci pelo casal. O romance foi desenvolvido aos poucos, como aconteceu com os demais da série. Porém, ele foi mais lento que seus antecessores porque o casal tinha mais barreiras individuais a superar. Tanto Tom quanto Mattie tinha muitas questões pessoais para trabalhar antes que pudessem começar a se abrir e se apaixonar.

Mas quando o romance começa a despontar, é muito fofo. Adorei ver os dois passando das trocas de farpas e brigas infantis, para uma relação de confiança, depois cumplicidade e só então começarem a se apaixonar. Para mim, foi de longe a relação mais bem desenvolvida da série e a mais saudável também.



Outro aspecto que eu amei e não posso deixar de mencioar é que a autora não deixou de lado os outros personagens marcantes da trama. Ela reservou espaço na trama para mostrar como os casais dos livros anteriores estavam se saindo, assim como outros personagens secundários que estiveram presentes ao longo dos quatro livros. Ninguém foi esquecido ou deixado de lado, e todos tiveram um desfecho coerente e satisfatório.
O que me leva à ressaltar como esse livro encerra maravilhosamente a série. Annie Darling soube manter a leveza e o humor característicos dos seus livros, mas sem deixar de trazer importantes para os seus personagens e dar uma carga dramática para eles. Além disso, ela amarra todas as pontas e permite que a gente veja o ciclo iniciado lá no primeiro livro se encerrando de uma forma coerente e que deixa o coração do leitor mais leve.
Minha única ressalva é que senti falta do ponto de vista do Tom. Apesar de ser narrado em terceira pessoa, o livro é todo pela perspectiva da Mattie e, em muitos momentos, eu me via querendo saber o que o Tom estava fazendo, sentindo ou pensando. No entanto, isso não tirou o brilho da leitura para mim. O carisma dos personagens e forma doce como o romance se desenvolveu, além do clima contagiante de Natal, contribuíram para que essa questão ficasse em segundo plano.
Assim, só posso dizer que se quando li A Pequena Livraria dos Corações Solitários eu me surpreendi por ter gostado tanto de um livro que eu não esperava nada, Um beijo de inverno na Livraria dos Corações Solitários me surpreendeu por ser exatamente o que eu esperava e mais. É um livro leve, doce e divertido, que, com a combinação perfeita de amor pelos livros e a magia do Natal, trouxe uma deliciosa sensação de aconchego. Ao final da leitura, senti como se um pouco do clima de amizade e amor tão presentes na livraria da história tivessem ficado comigo para deixar meu coração quentinho.
E vocês, já leram a série A Livraria dos Corações Solitários? Me contem aí nos comentários se gostaram e qual foi o favorito de vocês.

Outros livros da série
A Pequena Livraria dos Corações Solitários vol.1: Resenha – Comprar: Amazon
Amor verdadeiro na Livraria dos Corações Solitários vol. 2: Resenha – Comprar: Amazon
Loucamente apaixonada na Livraria dos Corações Solitários vol. 3: Resenha – Comprar: Amazon

[Resenha] O som do nosso coração


Oi, pessoal! Tudo bem com vocês? Esse final de semana eu terminei uma leitura e senti que precisava comentar sobre ela. Então, furei a fila das resenhas e hoje vim contar o que achei do livro O som do nosso coração, da Emma Cooper.
Publicado no Brasil pela Editora Record, esse livro saiu primeiro no Clube da Carina Rissi e foi muito elogiado pela autora. E, como eu amo o trabalho dela, já fiquei curiosa para ler também. Além disso, a premissa me deixou muito instigada e com a sensação de que encontraria um livro encantador e sensível.

Mas gente... eu não estava prepara para esse livro. Foi uma leitura que, por muitos motivos, me surpreendeu e não foi exatamente o que eu eserava. Então, agora vou poder pontar um pouquinho do que senti enquanto lia e o que achei deste. Mas, não se preocupem, que esta resenha não terá spoilers. Quero que vocês descubram essa história por conta própria e se surpreendam como eu. 
Autora: Emma Coooper
Editora: Record
Tradução: Raquel Zampil
Páginas: 406
Comprar: Livro físico | E-book
Exemplar recebido de parceria com a editora
Sinopse: “A vida da heroína de O som do nosso coração, Melody King, não é nada fácil. Afinal, desde que sofreu um acidente e bateu a cabeça, ela adquiriu um estranho distúrbio: ela canta quando está ansiosa. E não só canta ― alto, bem alto e às vezes errado ―, como dança, faz performances e emenda uma música na outra, com letras sempre relacionadas à situação em questão. Como se isso já não fosse ruim o bastante, Melody está constantemente ansiosa. Seu marido, Dev, desapareceu há onze anos sem deixar rastros, e ela tem dois filhos adolescentes problemáticos: Flynn ― que vive se envolvendo em brigas na escola por causa do bullying que sofre ― e a caçula Rose ― a supergênia e aluna exemplar que não consegue superar o desaparecimento do pai. Apesar da vergonha constante que sentem da mãe ― certa vez, ela cantou uma música do Arctic Monkeys na frente dos colegas de turma de Flynn! ―, eles são uma família unida e relativamente feliz, até Rose encontrar um relatório no site de pessoas desaparecidas de alguém cuja descrição bate com a do pai. Será que Dev está vivo, afinal? Ou tudo não passou de uma grande coincidência? Melody pode estar muito perto de encontrar as respostas que têm procurado nos últimos onze anos. Mas ainda que a verdade seja libertadora, também pode destruir tudo o que ela construiu. Será que Melody está pronta para isso?”

Em O som do coração, vamos acompanhar a trajetória de Melody King, cuja vida tem andado para lá de complicada. Após sofrer uma queda e bater a cabeça, ela desenvolveu um disturbio psicológico que fazia com que ela começasse a cantar sempre que estivesse em uma situação de estresse. Mas, Melody não apenas canta. Ela faz verdadeiras performances cantando alto (e mal), dançando e atraindo a atenção de todos que estão perto.  
Mas isso não é tudo! Esses momentos em que ela não se controla e começa a cantar estão ficando cada vez mais frequentes, afinal, o que não falta é estresse em sua vida. O marido de Melody está desaparecido há 11 anos e ela já perdeu as esperanças de encontrá-lo. E os dois filhos do casal têm se mostrado cada vez mais problemáticos.
Flynn, o filho mais velho, ficou com o rosto deformado e cego de um olho após um acidente de carro quando ele era bem pequeno. A sua aparência parece não incomodá-lo mais, mas ele tem dificuldade de socialização e vive se envolvendo em brigas. Já Rose não teve nenhuma sequela no acidente, mas ainda não superou o desaparecimento do pai.

Porém, a vida desta família será novamente abalada quando Rose encontra no site de pessoas desaparecidas um relatório sobre um homem cuja descrição bate perfeitamente com a do seu pai. Agora, Melody precisará descobrir se esse homem é realmente seu marido e se ele tem as respostas para todas as dúvidas que pairaram sob sua família todos esses anos.



Eu não sei nem por onde começar a explicar o que senti lendo esse livro. Foi um misto de emoções e confesso que não esperava por isso. Confesso que, pela capa e sinopse, eu estava pronta para uma leitura mais leve, mesmo que tocante. Tive até um pouco de receio que a autora abordasse de uma forma mais cômica o problema da Melody. Mas me surpreendi e encontrei uma trama muito mais madura, profunda e tocante do que eu imagivana.
A construção dos personagens foi muito bem feita pela autora e não demorou para que eu entendesse a gravidade de tudo que viviam. A situação da Melody foi, sem dúvida, a que mais me angustiou. Todas as situações constrangedoras que ela viveu me deixaram com o coração partido por ela. Algumas das situações em que começa a cantar totalmente sem controle foram realmente vergonhosas e me trouxeram uma enorme sensação de impotência por não poder fazer nada para ajudar.
Além disso, Melody ainda lida com a responsabilidade de cuidar dos filhos adolescentes e com a culpa por também envovê-los em situações constrangedoras. Foi impossível não simpatizar com essa mulher que, apesar de sofrer tudo, ainda dava tudo de si para ser uma boa mãe e fazer o melhor para os seus filhos. E, nos momentos em que ela se culpava, eu só queria entrar no livro para poder abraçá-la.
E com relação ao Flynn e a Rose também não foi difícil me apegar e entender tudo que enfrentavam. Ambos ficaram sem o pai de uma hora para a outra e sem nenhuma explicação e não tinham ninguém para cuidar deles e da mãe. Além disso, eram diretamente afetados pelos momentos constrangedores que Melody passava, que faziam com que sua família se tornasse alvo de piadas cruéis na escola. E os dois ainda tinham seus próprios problemas para lidar.
Flynn ficou com muitas cicatrizes do acidente que sofreu ainda criança e era sempre alvo de olhares e comentários. Para qualquer pessoa isso já seria difícil, para um adolescente pode ser pior ainda. Além disso, ele tinha uma dificuldade enorme de lidar com as suas emoções, e em externalizar os efeitos que o sumiço do pai e os problemas da mãe tiveram nele. Por isso, estava sempre se envolvendo em confusões.

Já Rose parecia ter sido a pessoa menos afetada por todos os problemas de sua família. Ela não teve nenhuma sequela do acidente, é uma boa aluna e se destaca por sua inteligência na escola. Porém, a necessidade de encontrar o pai se tornou quase uma obsessão. Além disso, seus conflitos são menos aparentes que de sua mãe e do seu irmão, mas nem por isso são menos profundos ou dolorosos. 



E, com uma família tão carregada de dramas, me impressionou como a autora conseguiu fazer com que a leitura não se tornasse pesada demais. Acredito que isso se deve em grande parte ao momento de que esses personagens são muito reais, que têm bons e mals momentos. Por mais pesados que sejam nossos problemas, todo mundo tem um momento de descontração, diversão e leveza. E não é diferente com a família King. Mesmo passando por tantas situações difíceis, eles são felizes à sua maneira, além de extremamente unidos.
Isso contribuiu muito para que tornar esses personagens mais humanos, mais críveis, para mim e também para fazer com que a leitura não se tornasse excessivamente dramática. Por mais angustiada ou penalizada que eu me sentisse em muitos momentos, sempre vinha um diálogo divertido, uma ironia ou um momento fofo para descontrair e deixar a leitura mais fácil.
Outro ponto que amei é como a autora conseguiu dar voz aos protagonistas, alternando a narração dos capítulos entre eles. Meu ponto de vista favorito foi o do Flynn, mas amei ver como cada um deles tinha um estilo de narração e compreender como isso refletia a personalidade deles.
Com relação à escrita da autora, eu confesso que em alguns momentos senti que ela foi um pouco poética demais e isso deixou a leitura um pouco lenta para mim. Por outro lado, achei que ela acertou em cheio na construção dos personagens e da trama. Todos eles tiveram seus conflitos bem explorados e foi interessante ir descobrindo suas camadas aos poucos.
Preciso destacar também que o livro aborda temas sérios e muito reais, que trouxeram reflexões e me tocaram profundamente. Eu realmente não esperava alguns dos assuntos que foram abordados, mas gostei da forma sensível como a autora conseguiu trabalhá-los. Porém, é importante ressaltar que, entre outras questões, o livro fala sobre depressão, auto-mutilação, violência e bullying. Portanto, pode conter gatilhos para algumas pessoas. Então, é bom estar ciente de que esta não será uma leitura fácil e refletir se você está realmente em condições de ler.
De um modo geral, O som do nosso coração foi muito mais do que eu esperava. Com uma família que, a princípio, parecia ser tão disfuncional e fora dos padrões, Emma Cooper apresentou uma lição de amor, vida, superação e esperança. Sofri com esses personagens, mas também aprendi com eles e me encantei com suas jornadas. Ele mostra de diversas formas que a vida não é fácil, mas que é sempre possível recomeçar e descobrir um novo caminho para a felicidade.

Apaixonada por literatura desde pequena, nunca consegui ficar muito tempo sem um livro na mão. Assim, o Dicas de Malu é o espaço onde compartilho um pouco desse meu amor pelo mundo literário.




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