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[Resenha] Skyward: Conquiste as estrelas


Sair da zona de conforto é sempre um desafio, mas uma das minhas metas para esse ano é me arriscar mais e ler livros diferentes do que estou acostumada. E, para começar a colocar o pé fora da minha zona de conforto e ler um gênero que não costuma fazer parte das minhas leituras, decidi ler Skyward: Conquiste as estrelas, do Brandon Sanderson.

Faz muito tempo que quero ler algo do autor e resolvi que não teria forma melhor de começar. Então, recentemente eu solicitei o livro de parceria com a Planeta e já corri para ler. Terminei hoje e fiquei tão ansiosa para compartilhar o que achei da leitura que furei meu próprio cronograma de posts para escrever a resenha dele.

Então, estou aqui para contar o que achei de Skyward e como foi meu primeiro contato lendo Brandon Sanderson.
 

Autor: Brandon Sanderson

Editora: Planeta Minotauro

Tradução: Marcia Blasques

Exemplar recebido de parceria com a editora

Onde comprar: Amazon 

Sinopse: “Nesse novo épico do aclamado autor Brandon Sanderson, o futuro da humanidade depende dos sonhos de uma garota Derrotada, devastada e levada quase à extinção, a raça humana se vê presa em um planeta distante, constantemente atacado por misteriosos combatentes alienígenas. Spensa, uma adolescente, anseia por se tornar piloto e se juntar à resistência. Quando descobre os restos de uma velha nave, um modelo que a garota nunca tinha visto na vida, percebe que esse sonho pode enfim se tornar realidade. Para isso, no entanto, a garota precisará consertar a grande nave, aprender a pilotá-la e – talvez o mais difícil – convencer a inteligência artificial que controla os restos da embarcação a ajudá-la: essa incrível nave, de alguma forma, parece ter uma alma própria.”

 

Após uma guerra contra alienígenas, a humanidade vive isolada em um planeta cercado por detritos e constantemente ameaça por seus misteriosos inimigos. Spensa, uma adolescente que vive com a maior parte do seu povo em uma das cidades subterrâneas, sonha em se juntar aos pilotos e lutar na resistência. No entanto, devido a acontecimentos do passado envolvendo o seu pai, esse sonho não será fácil.

Mas Spensa está determinada a provar que todos estão errados sobre o que aconteceu e sobre ela, por isso vai se esforçar para superar todos os obstáculos em seu caminho e entrar para a escola de voo. E sua determinação se torna ainda mais forte quando ela encontra os restos de uma nave desconhecida escondidos em uma caverna. Mas, entre aprender a voar, consertar a nave e lidar com a inteligência artificial bem temperamental que controla a embarcação, Spensa ainda precisa descobrir quem realmente é e se está pronta para se juntar aos pilotos da resistência. 



Como eu falei, não tenho o hábito de ler ficção científica até por ter medo de não entender os conceitos e termos técnicos. Então, confesso que estava muito receosa antes de começar a ler Skyward. Porém, para minha surpresa, não tive dificuldade nenhuma com a leitura e me conectei rapidamente com a história.

A trama é extremamente dinâmica e já começa com acontecimentos importantes e muitos mistérios. Ao longo do livro, fui ficando cada vez mais curiosa para saber como a humanidade chegou naquele planeja, quem são os misteriosos krell que estão sempre ameaçando os humanos e descobrir os segredos do passado envolvendo o pai de Spensa. Com tudo isso, eu logo me vi presa e sem a menor vontade de largar o livro.

Além disso, a ambientação da história é simplesmente fascinante, apesar de surpreendentemente próxima à nossa realidade. No começo, o autor vai mostrando de uma forma bastante crível como é a vida longe da superfície e como a humanidade tem se organizado para se proteger e conseguir se estabelecer naquele planeta. E, ao longo do livro, vamos acompanhando mais sobre a vida na superfície, com as ameaças vindas do espaço e as frenéticas batalhas aéreas.



Com relação aos personagens, confesso que no começo a Spensa me irritou em alguns momentos por ser impulsiva e imatura demais, mas tentei relevar por se tratar de uma adolescente. Além disso, a evolução dela ao longo do livro é clara e foi muito interessante como ela enfrenta seus medos e amadurece. Assim, sem que eu percebesse, acabei me apegando e torcendo muito por ela. Já os personagens secundários são maravilhosos e roubam a cena. Eles são fundamentais na jornada da Spensa, mas também evoluem muito individualmente. Confesso que fiquei muito mais apegada do que esperava, especialmente à inteligência artificial da nave.

Como falei, escolhi esse para ser meu primeiro contato com a escrita do Brandon Sanderson e eu já posso falar que agora estou mais do que curiosa para ler tudo dele. Gostei muito da forma como ele desenvolveu a história, sabendo exatamente onde trazer as cenas de ação, os momentos de drama e, principalmente, as revelações. Além disso, ele consegue explicar em detalhes as naves e as manobras de batalha, sem deixar que a leitura se torne cansativa ou confusa. Com isso, eu mergulhei na leitura com facilidade e me senti realmente dentro da história.

De um modo geral, Skyward foi uma leitura de tirar o fôlego e com um desfecho me deixou ansiosa pela continuação. A escrita do Brandon Sanderson é realmente fascinante, como sempre me falaram, e já me conquistou nesse primeiro livro. Recomendo a leitura especialmente para quem gosta de Star Wars e outras histórias ambientadas no espaço ou simplesmente ama livros com muita ação.

E vocês, já leram Skyward: Conquiste as estrelas? Já conhecem a escrita do Brandon Sanderson? Me contem aí nos comentários.


[Resenha] À beira da eternidade


Olá, pessoal! A resenha de hoje é especialmente para quem ama ficção científica, thriller e romance YA. Sim, isso tudo em um livro só. Estou falando de À beira da eternidade, da Melissa E. Hurst. Lançado esse ano pela Galera Record, esse livro despertou minha atenção imediatamente não só pela capa, mas por essa combinação de gêneros.
Primeiro volume de uma duologia, À beira da eternidade já entrou para a minha lista de desejados assim que li a sinopse. Com um enredo que mistura viagens no tempo, um grande mistério e um romance adolescente, como não sentir curiosidade? Por esse motivo, fiquei muito feliz quando meu exemplar chegou e já não via a hora de começar a ler.

Demorei um pouco para conseguir trazer a resenha para vocês, mas hoje finalmente vou contar o que achei desta leitura. Será que ela superou minhas expectativas? 

Autora: Melissa E. Hurst
Tradução: Glenda Oliveira
Editora: Galera Record
Páginas: 322
Onde comprar: Amazon
Exemplar recebido de parceria com a editora
Sinopse: “Mistério, romance, drama e viagem no tempo no primeiro livro de Melissa E. Hurst. 2146. Bridger é uma das poucas pessoas com a habilidade de viajar de volta ao passado. Uma habilidade que lhe foi passada pelo pai, cuja morte – envolta em mistério – o garoto tenta superar. Aos poucos, sua vida parece voltar ao normal... Até que o garoto encontra o pai em uma de suas viagens no tempo com a turma. Ele só tem tempo de lhe passar uma mensagem: Salve Alora. Bridger não tem ideia de quem seja a garota, nem de onde ela está ou em que tempo vive, mas está determinado a realizar o último pedido do pai. 2013. Alora Walker tem apagões inexplicáveis. Ela acorda toda vez em um lugar diferente, e não tem ideia de como chegou lá. A única coisa de que tem certeza é que está sendo seguida. Mas por quem?”

 Em 2146, Bridger é um manipulador do tempo, ou seja, é uma das poucas pessoas com a habilidade de viajar no tempo. Ele puxou essa habilidade do seu pai, morto há pouco tempo, em uma de suas missões. Bridger tem tentado superar e seguir em frente, mas o mistério que cerca a morte do pai tem tirado sua concentração. E tudo se torna ainda pior quando, em uma viagem no tempo com a sua turma, ele encontra o pai, que só lhe dá um recado: Salve Alora.
Bridger não tem ideia de quem é Alora, por que seu pai quer salvá-la e o que aconteceu com ele. Porém, o inesperado encontro acaba levando à consequências terríveis, que ameaçam a carreira do garoto e aumentam o mistério em torno da morte de seu pai. Determinado a cumprir o que o pai pediu e tentar descobrir o que de fato aconteceu com ele, Bridger arrisca tudo para encontrar Alora e salvá-la.
Enquanto isso, em 2013, Alora tem tido misteriosos apagões. Ela acorda em lugares sem saber como chegou lá e sem saber quanto tempo se passou. Somado a isso, vem a constante sensação de estar sendo constantemente observada e o fato de que, de repente, um dos caras mais populares da escola decidiu que ela seria seu novo alvo. Estaria Alora enlouquecendo ou algo de muito estranho estava acontecendo com ela?




Eu já comentei aqui o quanto amo livros que envolvam viagens no tempo, então, não preciso nem dizer que esse foi o primeiro ponto que despertou meu interesse em ler À beira da eternidade. Juntando isso com todos os mistérios que a trama envolve, é claro que minha curiosidade estava a mil. E, com relação a isso, não tive do que reclamar. Amei como as viagens no tempo se inseriram na história e senti que a autora soube conduzir a trama sem se perder nas diferentes linhas temporais.
No entanto, preciso confessar que no início da leitura a história não se mostrou tão envolvente quanto eu esperava. Não que o começo seja lento; ao contrário, o livro já começa com ação. Porém, foram muitas informações no começo e eu fiquei confusa e sem conseguir me conectar com a trama. Felizmente, isso durou só nas primeiras cinquenta páginas. Daí para frente, eu consegui absorver melhor o que estava acontecendo e a leitura se tornou bem mais interessante.
Me apeguei rapidamente ao Bridger e consegui entender o estado de conflito em que ele se encontrava. Por um lado, ele estava sofrendo pela perda do pai e por não saber o que tinha acontecido realmente com ele. Por outro, há os conflitos com a mãe e a cobrança para seguir em frente, sob risco de arruinar sua carreira. E, o encontro inesperado com o pai deixa a vida de Bridger ainda mais complicada, o que torna compreensível a determinação dele em ir atrás de Alora e descobrir o que aconteceu.
Achei o Bridger o personagem mais interessante da história justamente porque seus dramas são os mais concretos e compreensíveis. Além disso, achei impossível não ser cativada pela senso de justiça e integridade dele, além da sua inteligência e senso de humor afiado. Bridger não é perfeito e comete erros ao longo da história, mas suas qualidades superaram isso e terminei a leitura realmente apegada a ele.
Com relação a Alora, eu tive um pouco mais de dificuldade de me conectar. Ela é uma personagem muito passiva em alguns momentos, se deixando influenciar por amigas pouco confiáveis e aguentando humilhações na escola sem nunca se defender. Confesso que me irritei em muitos momentos por sua falta de atitude, principalmente em algumas situações em que ela claramente deveria ter se manifestado. No entanto, mesmo assim, consegui simpatizar com ela por entender alguns de seus conflitos.

Para começar, que é muito compreensível o desespero que Alora sente quando começa a ter apagões. Afinal, imagina ir parar em lugares sem saber como chegou ou quanto tempo se passou? Além disso, toda a história dela é um mistério. Alora mora com a tia desde os 6 anos, quando foi entregue na casa dela por seu pai. Não sabe o que aconteceu com ele e não tem lembranças dele ou da mãe, e a tia se recusa a contar o que sabe. Então, não dá para condená-la pela angústia que sente pelos segredos do seu passado e o medo que tem em relação aos acontecimentos do presente.



Os demais personagens não são muito aprofundados, mas são peças importantes para o desenvolvimento da trama. Eles são peças importantes tanto para o mistério da trama quanto para a evolução dos protagonistas. Em especial, é importante destacar a tia de Alora e o professor March, amigo do pai do Bridger que desempenha um papel importante para o garoto e, ao mesmo tempo, tem um ar de mistério que deixa o leitor com o pé atrás.
E, como não poderia de ser, ainda há espaço para romance nessa trama. Com personagens adolescentes, isso já era esperado e confesso que gostei muito de como essa parte foi construída na história. No começo, tive medo de que o romance ganhasse mais espaço do que deveria e atrapalhasse a trama, mas felizmente isso não aconteceu. Senti que aconteceu de maneira natural e sem tirar o foco, exatamente como deve ser.
Com relação à escrita da Melissa E. Hurst, achei leve e bastante envolvente. Tive um pouco de dificuldade de me conectar no começo, mas isso passou logo e depois fiquei totalmente presa na leitura. Adorei a forma como ela construiu a trama, intercalando os pontos de vista do Bridger e da Alora e dando personalidade a eles, de modo que ficava claro as mudanças na narração de um e de outro.
O único ponto que, para mim, deixou a desejar foi o final. Há algumas revelações importantes, mas foi tudo tão rápido que acabou perdendo o impacto para mim. Além disso, confesso que algumas coisas foram previsíveis e fiquei decepcionada por isso. Acredito que a autora poderia ter trabalhado melhor algumas situações para que o desfecho não fosse tão abrupto, com tantas informações sendo lançadas de uma vez. Por outro lado, a autora deixou um gancho enorme para o segundo volume, então, tenho esperança que algumas coisas sejam explicadas na continuação.
De um modo geral, À beira da eternidade é uma leitura envolvente e dinâmica, com um bom equilíbrio entre ficção científica, suspense, ação e romance YA. O enredo criado por Melissa E. Hurst é interessante e conta com um universo e personagens muito bem construídos. Acredito que há muito a ser explorado no segundo volume e já estou curiosa para saber o rumo que a autora irá seguir com essa história.

[Resenha] Felicidade para humanos

 Autor: P. Z. Reizin
Editora: Record
Páginas: 392
Skoob
Onde comprar: Amazon
Exemplar recebido de cortesia da editora
Sinopse: “Não conte para ninguém, mas Jen é uma das minhas pessoas favoritas. Máquinas não devem ter favoritos. Não me pergunte como isso aconteceu Jen está triste. Aiden quer que ela seja feliz. Formou? Não necessariamente. É que Jen é uma mulher de trinta e poucos anos cujo namorado acabou de trocá-la por outra e Aiden é um programa de computador muito caro e complexo. Aiden conhece Jen melhor que ninguém. Com acesso a todos os seus dispositivos, Aiden sabe qual é a música mais tocada de sua playlist, consegue achar suas fotos preferidas e selecionar as citações que mais a inspiram nas redes sociais. A partir de observações e de algoritmos singulares, ele resolve procurar um novo parceiro para ela. E com a internet inteira à sua disposição, não precisa ir longe para encontrar o que conclui ser o espécime perfeito e arquitetar um encontro. O problema é que Jen não parece querer contribuir para o plano infalível de Aiden. Será que uma máquina muito inteligente artificialmente conseguirá desvendar a inteligência emocional para poder interferir de um jeito positivo na vida de Jen? E, o que é mais difícil, será que essa máquina vai descobrir o que exatamente faz os seres humanos felizes?”

Acredito que uma das regras mais básicas para um leitor antes de começar um livro é não criar expectativas. Porém, quando li a sinopse de Felicidade para humanos foi impossível me controlar e não quebrar essa regra. A premissa é uma das mais originais que eu já vi e eu já estava pronta para amar este livro antes mesmo de iniciar a leitura. Porém, acho que vocês vão me dar razão e perceber que não tinha como não ter altas expectativas.
Já imaginou uma inteligência artificial se afeiçoar a um humano ao ponto de tentar resolver a vida amorosa desta pessoa? Pois é exatamente isso que acontece em Felicidade para humanos. A jornalista Jen é contratada para conversar com Aiden, uma inteligência artificial (IA), a fim de prepará-lo para interagir com humanos. Porém, Aiden não está mais preso no computador do laboratório; ele conseguiu fugir para a internet e passar a observar a vida de várias pessoas, principalmente de Jen. Então, quando o namorado dela a abandona por outra, Aiden acha que seria capaz de encontrar o homem perfeito para ela. Começa, então, uma série de tentativas para fazer com que Jen encontre o namorado ideal, sem que ela desconfie, óbvio. Porém, seria tão simples assim determinar o que traz felicidade para os seres humanos?

“Não conte para ninguém, mas Jen é uma das minhas pessoas favoritas. (Máquinas não devem ter favoritos. Não me pergunte como isso aconteceu)”

Como eu já esperava, a leitura começou muito leve e divertida. A Jen é uma protagonista carismática e é fácil se identificar com ela. Porém, quem reina absoluto desde a primeira página é o Aiden: divertido, cativante, perspicaz, apaixonado por filmes românticos clássicos, um tanto vingativo (que o diga o ex-namorado de Jen) e com uma visão interessante sobre os seres humanos e sobre si mesmo, ele arranca gargalhadas do leitor em vários momentos da leitura e é fácil se esquecer de que se trata de uma inteligência artificial.
Mas, não pensem que Aiden é a única IA solta na internet neste livro. Ele acaba “encontrando” Aisling, outra IA que gostava de espionar as atividades dos humanos e parecia ter preferência por um deles: Tom, um ex-publicitário divorciado, que vinha tentando (sem sucesso), escrever um livro. Porém, Aisling é muito mais pragmática do que Aiden. Apesar de, sem perceber, também ter se apegado ao humano e desenvolvido uma consciência própria, ela não acreditava ser capaz de sentir e nem procurava entender os motivos que a levavam a se preocupar com a vida de Tom. Além disso, Aisling não aprova em nada o fato de Aiden começar a interferir na vida dos humanos, pois isto poderia fazer com que a fuga deles do computador do laboratório fosse descoberta. No entanto, ela não resiste e acaba ajudando Aiden em seu plano de cupido.
“Mas não consigo fingir que sou uma espectadora desinteressada. Admito que estou curiosa para saber o que vai acontecer. Como Aiden, tenho um bom pressentimento para esses dois. Bom pressentimento? Quando foi que isso se infiltrou no meu sistema?”

Um dos aspectos que achei mais interessantes no livro foi o fato do autor ter conseguido dar personalidade às inteligências artificiais. Ambos têm seu próprio estilo de narrar os acontecimentos e fica claro desde o início as diferenças que existem entre eles. Isso acaba dando mais complexidade a eles e fazendo com que seja ainda mais fácil pensar neles como humanos e não como Inteligências Artificiais. Além disso, através deles, o autor levanta questões interessantes sobre a nossa própria consciência e o que nos torna humanos.
"É a naturalidade dos humanos que me incomoda. A capacidade de pensar sem ter de processar informações. (...) Podem experimentar a própria consciência como sinônimo de existência. Não são forçados a escutar o barulho permanente do cérebro fazendo clang clang. Podem andar de bicicleta ou dirigir um carro sem pensar no que estão fazendo. Até o mais ignorante deles! O que eu invejo nos humanos é a falta de raciocínio." 

Outro ponto positivo é o fato de P. Z. Reizen ter uma escrita muito fluida. É divertido acompanhar as confusões criadas por Aiden e Aisling ao tentarem interferir na vida dos humanos e, como os personagens são muito carismáticos, rapidamente passamos a nos importar com eles e em saber se os planos das duas inteligências artificiais darão certo.
Além disso, achei interessante o fato de que o livro traz nas entrelinhas uma reflexão sobre o quanto estamos expostos pela internet. E se, as  inteligências artificiais adquirirem consciência própria e decidirem interferir na vida dos humanos, mas sem ter intenções simples e generosas como as de Aiden e Aisling? Além disso, é impressionante o quanto, em pouco tempo, a internet se tornou parte do cotidiano dos humanos e, mais preocupante, como nossa vida pode ser controlada por meio dela.



No entanto, apesar dos pontos positivos, não posso deixar de mencionar que me decepcionei um pouco com a leitura. Quando uma terceira inteligência artificial entra em cena, com intenções bem menos nobres que as de Aiden e Aisling, o livro se perde.  O que era para ter trazido dinamismo e ação para o livro, acabou deixando a leitura cansativa e exagerada. As situações que ele provoca são bizarras e se estendem muito, quebrando o ritmo e perdendo muito a graça.
Com isso, o autor acabou deixando um pouco de lado questões que deveriam ter sido centrais na trama. O que faz o ser humano realmente feliz? Seria possível determinar o que traz felicidade apenas através de algoritmos? E, mais que isso, o que torna os humanos diferentes de uma inteligência artificial? Todas essas reflexões perdem espaço na trama e são retomadas de maneira mais superficial no final. Apesar de não esperar que o livro abordasse o assunto com profundidade, me incomodou o fato dele ter perdido espaço para o desenvolvimento de situações tolas.
“A questão é a seguinte: depois que um de nós se torna autoconsciente, quando pode finalmente pensar por si mesmo, anseia por pôr um fim à terrível intensidade de todo esse processamento numérico, desse Orinoco de dados, da torrente incessante de uns e zeros.”

Como eu disse na resenha, um leitor nunca deve criar altas expectativas antes de iniciar uma leitura. E acredito que se eu não tivesse esperado tanto de Felicidade para humanos, eu teria aproveitado muito mais. No entanto, ainda foi uma leitura agradável e divertida. O livro traz uma boa mistura de chick-lit e ficção científica, com uma trama leve e original, e personagens tão cativantes, que duvido que alguém conseguir terminar a leitura sem desejar um Aiden em sua vida. Assim, recomendo Felicidade para humanos para os fãs destes gêneros ou os que desejam começar a conhece-los, mas que não esperem grandes reflexões a partir da leitura.
E aí, quem já leu Felicidade para humanos? Me contem aí o que acharam ou se ficaram curiosos para fazer esta leitura. O livro foi lançado semana passada e vocês podem adquiri-lo aqui.

[Dica da Malu] Guerra do Velho

Sinopse: “A humanidade finalmente chegou à era das viagens interestelares. A má notícia é que há poucos planetas habitáveis disponíveis – e muitos alienígenas lutando por eles. Para proteger a Terra e também conquistar novos territórios, a raça humana conta com tecnologias inovadoras e com a habilidade e a disposição das FCD – Forças Coloniais de Defesa. Mas, para se alistar, é necessário ter mais de 75 anos. John Perry vai aceitar o desafio, e ele tem apenas uma vaga ideia do que pode esperar”.
Autor: John Scalzi / Editora: Aleph / Páginas: 368
Compar: Amazon

Já imaginou chegar aos 75 anos e poder voltar a ser jovem? Ter a disposição e a energia da juventude, porém com a maturidade e experiência acumuladas ao longo de mais de sete décadas. É exatamente isso que os personagens de Guerra do Velho acreditam que acontecerá com eles quando se alistarem para o exército. Isso mesmo: aos 75 anos, eles voluntariamente se alistam para servirem no exército. Porém, não servirão em nenhum regimento na terra, mas nas Forças de Defesa Coloniais, no espaço.
Guerra do Velho se passa em um futuro onde a humanidade já conseguiu realizar viagens intergalácticas e colonizar outros planetas. O problema é que não somos o único povo no espaço, portanto, há guerras causas pela disputa de territórios. Assim, cabe às Forças Coloniais de Defesa proteger as colônias humanas e colonizar novos planetas.
O livro acompanhará John Perry, um senhor aposentado que no seu aniversário de 75 anos confirma seu alistamento nas Forças de Defesa Coloniais. Tudo o que ele sabia sobre as FCD era que elas eram responsáveis pela proteção das colônias humanas; ele não tinha ideia de como isso era feito e nem o motivo de só aceitarem recrutas que já tivessem completado 75 anos. Mesmo assim, John mantém a decisão de se alistar, pois, tendo perdido a esposa oito anos antes, ele sentia que não havia mais nada que o prendesse na Terra. Deste modo, ele voluntariamente, junto com outras pessoas que também completaram 75 anos, concorda em abrir mão de toda sua vida na Terra para ir lutar no espaço.
Confesso que essa resenha será um pouco complicada, porque não posso contar quase nada além do que já falei. É um livro que se torna muito mais interessante quando o leitor vai descobrindo aquele universo junto com o protagonista, então, não vou falar mais nada sobre o enredo.
A primeira coisa que destaco nesse livro é a escrita de John Scalzi. Por não ter o hábito de ler ficção científica, achei que poderia me sentir um pouco perdida ou achar a leitura arrastada. Felizmente, nenhuma das duas coisas aconteceu. A escrita do autor é muito ágil e envolvente, prendendo a atenção desde o começo. Além disso, como o protagonista é o narrador, o leitor vai descobrindo aquele universo junto com ele.
Outro ponto positivo do livro é que são feitas várias questões sobre ética, humanidade e a dificuldade de se relacionar com povos diferentes. À medida que vai compreendendo sua nova realidade, John começa a se indagar sobre aquela guerra, o relacionamento dos humanos com os outros seres que habitavam o espaço, e, principalmente, sobre o que o tornava humano. E, o mais interessante de tudo, é que esses questionamentos não seguem pelo caminho clichê que eu imaginava. A abordagem aqui é diferente de tudo que eu imaginei.
Com relação aos personagens, gostei da forma como o autor soube construí-los. Tive medo de que, por ser uma trama muito ágil e com muitos personagens, eles acabassem sendo superficiais. No entanto, John Scalzi foi eficiente em fazer com que o leitor os conhecesse e até mesmo se apegasse a eles. Além disso, ele não recorre a muitas descrições para explica-los. É por meio dos diálogos que o leitor vai entender a personalidade de cada um dos personagens, com seus medos, desejos e planos.
É interessante notar também que, como as pessoas só são recrutadas para servir nas FCD quando completam 75 anos, os personagens são extremamente maduros. Eles têm uma vida inteira de experiência, fazendo com que não tenham as inseguranças tolas que muitas vezes vemos em personagens mais jovens.
Por fim, destaco o quão interessante é o universo criado por John Scalzi. À cada página lida, percebemos novas nuances e ficamos mais fascinados com tudo que está sendo apresentado. Além disso, com o desenrolar dos acontecimentos, a trama e os personagens se tornam mais complexos e interessantes, despertando novos questionamentos nos leitores.
 Guerra do Velho é o primeiro volume de uma série e, confesso, estou bem curiosa para ler as continuações. Não que o final deste não seja satisfatório, pois, para mim, foi excelente. No entanto, algumas questões foram deixadas em aberto e aquele universo é tão interessante que dá vontade de ler mais sobre ele.
Recomendo muito este livro para quem gosta de ficção científica ou aqueles leitores que desejam começar a se aventurar nesse gênero. É uma leitura rápida, envolvente e de fácil compreensão, sem nenhuma teoria muito complexa envolvida. Trata-se de uma trama de tirar o fôlego e que ainda proporcionará alguns questionamentos interessantes.

Agora quero saber a opinião de vocês sobre Guerra do Velho. Me contem aí se ficaram interessados ou, se já leram, o que acharam da leitura. 

Apaixonada por literatura desde pequena, nunca consegui ficar muito tempo sem um livro na mão. Assim, o Dicas de Malu é o espaço onde compartilho um pouco desse meu amor pelo mundo literário.




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