Cinco motivos para ver "Gilmore Girls"


Hoje é dia 25 de outubro, portanto, falta exatamente um mês para a estréia do revival de Gilmore Girls. O quê?... Você não faz ideia do que seja Gilmore Girls? Então vou explicar aqui.
Trata-se de uma série que foi ao ar pelo canal americano CW nos primeiros anos de 2000, mais precisamente entre 2000 e 2007. Tendo como foco duas personagens, Lorelai e Rory, a série apresenta uma bonita relação entre mãe e filha, cheia de amizade e cumplicidade. Lorelai engravidou aos 16 anos e, como decidiu não se casar com o pai da criança, abriu mão de todo o conforto da casa dos pais e se mudou para uma cidade pequena onde criou a filha sozinha. Assim, a história começa quando Rory já está com 16 anos e mostra a relação entre elas, o crescimento da menina e o amadurecimento da mãe, os problemas que elas enfrentam e, claro, suas aventuras amorosas.
Como foi dito, a série acabou em 2007. No entanto, a Netflix produziu um revival que contará com quatro novos episódios de 90 minutos cada. Como o primeiro vai estar disponível dia 25 de novembro, resolvi fazer uma lista com 5 motivos para assistir (ou rever) Gilmore Girls. Assim, vocês podem aproveitar esses 30 dias que faltam e assistir às 7 temporadas.

1 – Foco na relação entre mãe e filha
        Uma das coisas que mais gosto em Gilmore Girls é que, apesar de surgirem alguns casais ao longo de cada temporada, nenhum relacionamento amoroso supera o vínculo e a amizade que existem entre mãe e filha. Aliás, isso não é mostrado apenas na relação entre Lorelai e Rory, mas também no relacionamento da Lorelai com a própria mãe, Emily, e da Rory com os avós maternos e com o pai, Christopher. Com isso, a série traz várias mensagens sobre a importância da família.



2 – Diálogos afiados e cheios de referências
           Ao ver a sinopse da série, dá para perceber que se trata de uma história bem simples e leve. No entanto, contrastando com essa aparente calmaria, temos diálogos muito rápidos, com um senso de humor inteligente e várias referências à cultura pop.
         Tanto a Lorelai a quanto Rory falam muito rápido e sempre fazem alguma menção à filmes, livros, séries e músicas. Além disso, têm um senso de humor muito afiado e, às vezes, bem ácido. Aliás, o humor presente em toda a série funciona muito bem, pois é mais refinado e irônico, sendo incluído de maneira orgânica na história, sem soar forçado ou clichê.


3 – Personagens secundários
          Gilmore Girls tem, na minha opinião, os melhores personagens secundários que uma série pode ter. Divertidos, cheios de personalidade e muito bem construídos, esses personagens não são o centro da série, mas contribuem significativamente para o seu andamento. Entre estes personagens, posso destacar a Emily Gimore, mãe da Lorelai, que está sempre interferindo na vida da filha e da neta, agindo de acordo com o que ela considera ser o melhor para as duas. Apesar de ser um pouco irritante às vezes, sua importância para a série é inegável. Além disso, ela e a filha possuem alguns dos melhores e mais afiados diálogos de toda a série.


4 – Empoderamento feminino
          Não apenas por trazer duas mulheres como protagonistas, Gilmore Girls reforça a todo momento a força e a independência femininas. Podemos identificar isso primeiramente pelo fato de que Lorelai cria Rory completamente sozinha. Mas, mais do que isso, vemos ambas construindo suas vidas, tomando suas próprias decisões e enfrentando as consequências de suas escolhas. Além disso, elas mostram que as mulheres não devem deixar que nada ou ninguém as faça se sentirem inferiores ou incapazes. Para resumir: girl power.

5 – Muitas referências à literatura.
          Claro que eu ia deixar o melhor para o final né? Poucas vezes eu assisti uma série com tantas referências a livros como em Gilmore Girls. Isto se deve muito à Rory, que é uma leitora voraz e, em vários momentos, menciona livros, autores e citações marcantes.
          Inclusive, existe um desafio na internet para ver quantos livros da lista de leitura dela a pessoa já leu, o The Rory Gilmore Book Challenge.  Para quem quiser conferir, a lista completa (com mais de 300 livros), está disponível aqui.
 
"Nada, nada cheira como isso!"

Bônus: Os casais mais fofos

      Eu falei que o foco desta série não é em nenhum casal, mas na relação de companheirismo e amizade entre mãe e filha. No entanto, é claro alguns casais se formam ao longo das temporadas e, alguns deles, são muito lindos. Claro que não vou dar spoiler aqui de quais são esses casais, mas já adianto que é impossível não torcer por pelo menos um. 

          Esses são alguns motivos para vocês conhecerem ou revisitarem o universo de Gilmore Girls. Essa série é, sem dúvida, a minha favorita, e eu tenho certeza de que vai agradar quem gosta de um senso de humor rápido e muito afiado. Além disso, ainda traz um diferencial a mais para quem ama ler.
        Todas as sete temporadas estão disponíveis na Netflix. Então, é só preparar o café e embarcar nas aventuras das Gilmore Girls.




[Dica da Malu] Em algum lugar nas estrelas

Autora: Clare Vanderpool
Editora: DarkSide Books
Páginas: 288

  Para quem acha que a DarkSide Books só publica livros de terror e suspense, acho que não existe maior prova do contrário do que o livro Em algum lugar das estrelas, da autora Clare Vanderpool. Poucas vezes na minha vida, li uma história tão linda, sensível e cativante, repleta de aventuras e lições sobre amizade, perda, lealdade, perdão e família.
            Ambientado na década de 1940, logo depois da II Guerra Mundial, o livro vai contar a história de Jack Baker, um menino de treze anos que, após a morte da sua mãe, é enviado pelo pai para um internato. De uma hora para outra, ele vê sua vida se transformar, sem ter tempo de assimilar a perda da mãe e nem contar com o apoio do pai, que retorna para o serviço na marinha logo após deixa-lo na escola.
        No novo colégio, Jack se sente solitário e perdido, até conhecer Early Auden, um menino bastante peculiar e diferente de todos os outros que ele já havia conhecido. Extremamente curioso e inteligente, Early é também bastante solitário, tendo muita dificuldade para se relacionar com as pessoas e lidar com os próprios sentimentos. Ele acabou criando a sua própria maneira de ver o mundo e enfrentar as coisas que considera difíceis, sendo obsessivo até nas músicas que irá ouvir: Louis Armstrong às segundas, Sinatra às quartas, Glenn Miller às sextas, Mozart aos domingos, e Billie Holiday se estiver chovendo.
         Os dois meninos acabam sendo unidos pela solidão e pelo sentimento de perda que ambos conheciam. No entanto, Jack é o mais relutante dos dois em começar uma amizade. Para ele, Early é um menino esquisito e difícil de compreender, o que o leva a evitar uma aproximação. No entanto, quando chegam as férias de Natal e os dois são os únicos que permanecem na escola, Jack acaba resolvendo acompanhar Early em uma aventura pelas florestas do Maine em busca do lendário Urso Apalache.

“Era disso que eu precisava. Localização. [...] Mas então entendi: para ter marcos, era preciso ter terra. E o ar salgado que enchia meus pulmões me fazia lembrar que muito do que cercava naquele lugar era água. Água em constante movimento, sempre mudando.”

            A primeira coisa que destaco sobre esse livro é a importância de encarar essa história com um olhar de criança. O livro é narrado pelo próprio Jack e é difícil distinguir o que é real e o que é imaginação infantil. Por isso, é melhor embarcar na aventura que está sendo contada do mesmo modo que Jack acompanha Early, e tentar ver os acontecimentos do mesmo modo que os dois meninos enxergam.
            Confesso que tive um certo receio de que fosse achar essa história monótona por ser narrada pelo ponto de vista de uma criança. No entanto, esse acabou sendo o grande mérito do livro, pois trouxe mais sensibilidade e inocência para a narrativa, além de criar um tom mais lúdico e cativante.
            Com relação aos personagens, dizer que fiquei encantada com Jack e Early é muito pouco. Ao mesmo tempo que dá vontade de abraçá-los por serem muito fofos, também aprendemos muito com eles e nos surpreendemos com a maturidade que ambos demonstram, apesar de conservarem a inocência e a fantasia próprias da idade. Jack carrega uma tristeza tão grande, que em alguns momentos parece quase um adulto. No entanto, a pureza dos seus sentimentos e a falta que sente de alguém para guiá-lo lembram o leitor que trata-se de uma criança. Já Early, é um menino muito peculiar, o que pode cansar um pouco, devido dificuldade de entendê-lo. No entanto, assim que começamos a conhecê-lo melhor, é impossível não ser cativado por sua inteligência, seu raciocínio rápido e sua forma de entender o mundo e lidar com os sentimentos.

“A colagem no quadro de cortiça parecia com o que eu imaginava que devia ser a cabeça de Early: uma confusão de informações, texturas, cores e caos que só ele conseguia entender. Saber mais sobre Early era quase tão desafiador quanto navegar em águas misteriosas e inexploradas.”

            Ainda não conhecia o trabalho de Clare Vanderpool, mas fiquei fascinada pela escrita da autora. Apesar de fluir em um ritmo um pouco mais lento, a leitura não é tediosa em nenhum momento. Além disso, a autora conseguiu criar uma história leve e simples, mas que, ao mesmo tempo é rica e profunda, com lições muito bonitas e personagens que demonstram uma sensibilidade rara.
            Por fim, não poderia deixar de mencionar aqui a beleza desta edição. Todos os livros da DarkSide são feitos com o maior zelo e capricho, mas neste a editora se superou. A capa, a folha de guarda, as ilustrações dentro livro e, até mesmo, o marcador... tudo foi claramente planejado com o maior cuidado e o resultado é maravilhoso. É daqueles livros que a gente não cansa de olhar para eles, de tão lindo que é.


          Assim, “Em algum lugar nas estrelas” é um dos livros mais encantadores e apaixonantes que li este ano. Me interessei por ele devido à beleza da sua capa, mas foi, sem dúvida, a sensibilidade da história e dos personagens apresentados que me arrebatou. Recomendo muito esta leitura para quem está disposto a deixar de lado o pragmatismo dos adultos para embarcar na imaginação infantil e conseguir olhar para o mundo e para as estrelas com outros olhos.

P.S: Que tal ouvir um pouco de Mozart hoje? Afinal, domingo é dia de Mozart. A não ser que esteja chovendo, porque, em dias de chuva, é sempre Billie Holliday.

            

Apaixonada por literatura desde pequena, nunca consegui ficar muito tempo sem um livro na mão. Assim, o Dicas de Malu é o espaço onde compartilho um pouco desse meu amor pelo mundo literário.




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