[Resenha] A mulher na janela


Olá, pessoal! Depois de muito tempo sem ler thrillers, li dois só no mês passado. Sobre Uma estranha em casa, da Shari Lapena, saiu resenha semana passada aqui. Então, hoje vim comentar sobre o que achei da leitura de A mulher na janela, do A. J. Finn.
Esse livro é um best-seller mundial e foi lançado no primeiro semestre aqui no Brasil pela Editora Arqueiro. Foram tantos elogios que, até eu que não leio muito o gênero, fiquei curiosa. Confesso que demorei um pouco para vir contar o que achei, porque concluí a leitura com várias considerações. No entanto, não pensem que isso foi algo ruim. De um modo geral, gostei bastante do livro.

Autor: A. J. Finn
Editora: Arqueiro
Tradutor: Marcelo Mendes
Páginas: 352
Skoob
Onde comprar: Amazon
Sinopse: “Anna Fox mora sozinha na bela casa que um dia abrigou sua família feliz. Separada do marido e da filha e sofrendo de uma fobia que a mantém reclusa, ela passa os dias bebendo (muito) vinho, assistindo a filmes antigos, conversando com estranhos na internet e... espionando os vizinhos. Quando os Russells – pai, mãe e o filho adolescente – se mudam para a casa do outro lado do parque, Anna fica obcecada por aquela família perfeita. Até que certa noite, bisbilhotando através de sua câmera, ela vê na casa deles algo que a deixa aterrorizada e faz seu mundo – e seus segredos chocantes – começar a ruir. Mas será que o que testemunhou aconteceu mesmo? O que é realidade? O que é imaginação? Existe realmente alguém em perigo? E quem está no controle? Neste thriller diabolicamente viciante, ninguém – e nada – é o que parece. A mulher na janela é um suspense psicológico engenhoso e comovente que remete ao melhor de Hitchcock.”

Em A mulher na janela, conhecemos uma protagonista complexa e carismática, que faz com que o leitor se interesse imediatamente em conhecer sua história. Vivendo separada do marido e da filha, e sem sair de casa há mais de um ano por causa de uma fobia de lugares abertos, a psicóloga Anna Fox passa os dias assistindo filmes clássicos de suspense, bebendo, ajudando pessoas em um fórum online e, principalmente, fotografando a vida dos vizinhos.
Como médica, digo que o paciente precisa estar num ambiente que ele seja capaz de controlar. Essa é a minha avaliação clínica. Como paciente, digo que a agorafobia não veio para destruir a minha vida: ela agora é a minha vida.”

Quando uma nova família se muda para a casa do outro lado do parque, Anna fica imediatamente obcecada com eles, especialmente com a mulher, Jane, e o filho, Ethan. No entanto, durante suas observações, ela começa a perceber que há algo de errado naquela família e no modo como o marido, Alistair, tratava Jane. As coisas se tornam ainda mais sérias quando, através das lentes de sua câmera, Anna vê um crime acontecer naquela casa. Porém, estando frequentemente misturando medicação fortíssima com vinho, será que Anna realmente presenciou um crime ou estava alucinando? Ninguém acredita nela, mas e se for verdade?


O ponto que achei mais interessante em A mulher na janela, foi a excelente construção que o autor fez de sua protagonista. Como o livro é narrado pela própria Anna, temos a oportunidade de conhecer melhor seus pensamentos e tentar entender seu estado. Assim, ao mesmo tempo que nos apegamos a ela, por seu carisma, também percebemos claramente o quão perturbada ela está. Vivendo uma vida muito solitária, ela tem uma rotina desregrada, ingerindo uma enorme quantidade de álcool, misturando remédios fortíssimos e ainda adotando um comportamento completamente obsessivo em relação aos vizinhos. Com isso, por mais que o leitor passe a se importar com Anna, também tem dificuldade em identificar o quanto do que ela narra é real ou resultado de sua percepção confusa.
E ainda assim cá estou eu, literalmente encarcerada na minha própria casa, trancando portas e fechando janelas, fugindo da luz enquanto uma mulher é esfaqueada do outro lado do parque e ninguém percebe, ninguém sabe. Exceto eu...”
Isso me leva a outro acerto do autor: apresentar bem a personagem para, depois, trazer o mistério. Quando o suposto crime acontece, já é possível conhecer Anna o suficiente para desconfiar de sua capacidade de julgar o que viu. Isso contribuiu muito para aumentar o suspense, pois não apenas desconfiamos dos demais personagens e de quem poderia ter cometido um ato tão bárbaro, como questionamos a própria Anna. Ou seja, acaba sendo aquele tipo de livro que o leitor desconfia de tudo e de todos, criando várias teorias e duvidando da própria narradora da história.

Os personagens secundários não são tão aprofundados, mas isso é proposital e funciona muito bem na trama. O leitor fica apenas com a visão que Anna tem de cada um deles e sempre se questiona se as impressões dela estão corretas ou não. Deste modo, por mais que não se crie um laço com esses personagens, é inegável a importância deles para o desenvolvimento do enredo. No entanto, faço uma ressalva para o detetive Little, responsável pela investigação do suposto crime. Apesar de não aparecer tanto, eu o achei um personagem muito carismático e gostei muito da forma atenciosa e delicada com a qual tratou Anna, mesmo duvidando das acusações dela.



Com relação à trama, preciso confessar que no início, ela é um pouco mais lenta. Ela só vai ganhar um ritmo mais intenso da metade para o fim, porém, quando isso acontece, é impossível querer largar o livro. Além disso, o começo mais morno não foi algo que me incomodou, pois achei a Anna uma personagem tão interessante de acompanhar, que fiquei presa à leitura querendo entende-la melhor e os motivos que a levaram a ficar naquele estado.
Você pode ouvir as confidências de uma pessoa, os medos dela, as carências, mas não se esqueça de uma coisa: tudo existe em meio aos medos e segredos de outra pessoa, as que dividem o mesmo teto que ela.
No entanto, se tratando de um thriller, é claro que o que vocês querem saber é se eu achei o livro surpreendente. Porém, esse foi o ponto que me deixou mais indecisa em relação à leitura. Confesso que muitas coisas são previsíveis e outras o autor deixou pistas que consegui adivinhar antes do final. Ainda assim, fiquei muito surpresa com o desfecho. O motivo disso é que o autor criou uma história tão complexa que, por mais que eu tenha adivinhado muitas partes, não consegui ligar os pontos e entender completamente o que tinha acontecido realmente.
Acredito que, por tudo que falei ao longo da resenha, é desnecessário dizer que gostei muito da escrita do autor. A. J. Finn trouxe, em seu romance de estreia, uma trama inteligente, envolvente e com uma protagonista interessante e complexa. Ele criou um thriller daqueles que prendem o leitor e, por mais que eu tenha percebido algumas pistas deixadas, fui surpreendida ao entender toda a história criada por ele.
Assim, acredito que A mulher na janela seja uma ótima leitura para tanto para os que adoram um bom suspense quanto para aqueles que querem começar a se aventurar no gênero. Mesmo se tratando do primeiro livro de A. J. Finn, o autor já demonstrou um excelente potencial e estou ansiosa para conferir outras obras dele. E, para quem não ficou completamente convencido sobre ler ou não, ainda tenho outro incentivo para oferecer: A. J. Finn está confirmado na Bienal do Livro de São Paulo no dia 05 de agosto. Ou seja, para quem for, ainda dá tempo de ler e tentar pegar um autógrafo na Bienal.
Então, o que vocês acharam? Me contem aí nos comentários se já leram ou ficaram curiosos para ler A mulher na janela. E, caso tenham se interessado, vou deixar o link de compra na Amazon aqui.

Apaixonada por literatura desde pequena, nunca consegui ficar muito tempo sem um livro na mão. Assim, o Dicas de Malu é o espaço onde compartilho um pouco desse meu amor pelo mundo literário.




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