[Resenha] Corte de Névoa e Fúria


Desde o ano passado, tenho me encantado cada dia mais com a escrita da autora Sarah J. Maas. Comecei com a série Trono de Vidro, que já se tornou uma das minhas favoritas da vida, e, recentemente, li Corte de Espinhos e Rosas. Agora em julho, foi a vez de Corte de Névoa e Fúria, segundo volume da série.
Apesar de já estar familiarizada com a escrita da autora e de ter gostado muito do primeiro livro, confesso que não estava preparada para todas as emoções que essa continuação reservava. Com uma trama envolvente e cheia de surpresas, Corte de Névoa e Fúria se mostrou um dos livros mais interessantes e bem construídos da autora.

Autora: Sarah J. Maas
Editora: Galera Record
Tradução: Mariana Kohnert
Páginas: 658
Classificação: +16 anos
Onde comprar: Amazon
Sinopse: O aguardado segundo volume da saga iniciada em Corte de espinhos e rosas, da mesma autora da série Trono de vidro. Nessa continuação, a jovem humana que morreu nas garras de Amarantha, Feyre, assume seu lugar como Quebradora da Maldição e dona dos poderes de sete Grão-Feéricos. Seu coração, no entanto, permanece humano. Incapaz de esquecer o que sofreu para libertar o povo de Tamlin e o pacto firmado com Rhys, senhor da Corte Noturna. Mas, mesmo assim, ela se esforça para reconstruir o lar que criou na Corte Primaveril. Então por que é ao lado de Rhys que se sente mais plena? Peça-chave num jogo que desconhece, Feyre deve aprender rapidamente do que é capaz. Pois um antigo mal, muito pior que Amarantha, se agita no horizonte e ameaça o mundo de humanos e feéricos.

Esta resenha contém spoilers do primeiro livro

Corte de Névoa e Fúria começa alguns meses após os eventos do livro anterior. Depois de tudo o que sofreu em Sob a Montanha, Feyre está emocionalmente destruída. Ela não superou toda a tortura que viveu e é constantemente aterrorizada pelos pesados. Além disso, precisa se adaptar à sua nova vida como imortal e futura esposa de um Grão Senhor. Assim, Feyre tenta juntar os cacos enquanto aprende seu novo papel na Corte Primaveril.
No entanto, Tamlin também tem os próprios traumas com que lidar, especialmente o medo de perder Feyre novamente. Os sentimentos dele por ela sempre foram palpáveis, porém, em sua ânsia de tentar protegê-la e mantê-la para si, Tamlin se mostra capaz de tudo, inclusive de privar Feyre de sua liberdade, a mantendo alheia ao que acontecia fora dos muros de sua propriedade.
“– Estou me afogando. E quanto mais faz isso, quanto mais guardas... Poderia muito bem estar enfiando minha cabeça na água.”
Porém, quando precisa cumprir o acordo que havia feito com Rhysand, Feyre ganha a oportunidade de conhecer de fato aquele mundo. Por mais que deseje permanecer ao lado de Tamlin, é quando se afasta da Corte Primaveril que ela consegue se libertar de suas amarras e ganhar a força que precisa para se recuperar e se redescobrir. Feyre já havia sacrificado tudo por Tamlin, será que deveria sacrificar sua liberdade também?


“– Às estrelas que ouvem e aos sonhos que são atendidos.”
Minha nossa, como falar de um livro que é capaz de partir seu coração, curá-lo e depois mudar tudo, te deixando com um misto de desespero e esperança? Pois é, foi tudo isso que senti enquanto lia Corte de Névoa e Fúria. Sarah J. Maas se superou e conseguiu desenvolver uma trama bem construída e envolvente, repleta de reviravoltas que fazem o leitor ter a sensação de estar dentro de uma montanha-russa. Então, se você quer uma leitura tranquila, esse livro não é para você. Porém, para quem procura um livro que vai mexer com as suas emoções e te deixar completamente preso na leitura, precisa ler Corte de Névoa e Fúria (desde que tenha lido o primeiro antes, claro).
O primeiro ponto que preciso destacar é o quanto Feyre cresceu nesse segundo livro. No começo, é uma personagem que está emocionalmente destruída por tudo que viveu em Sob a Montanha. Ela tenta juntar os cacos e seguir em frente, mas esse processo de cura não é fácil e Sarah J. Maas descreve isso de uma maneira muito clara, que permite que o leitor compreenda toda sua angústia.
“Queria que meu coração humano tivesse mudado com o restante, se transformado em mármore imortal. Em vez do pedaço de escuridão em frangalhos que agora era, vazando pus dentro de mim.”
Gostei de ver como, mesmo se sentindo dividida pelo amor que sente pelo Tamlin e pelo lar que criou na Corte Primaveril, ela ainda coloca sua liberdade em primeiro lugar. Com o tempo e as descobertas que faz, Feyre começa a tomar suas próprias decisões e a decidir quem realmente é. Achei que a autora soube construir muito bem essa evolução da personagem e foi incrível vê-la se empoderando no decorrer do livro.
A relação da Feyre com o Tamlin foi outro aspecto muito bem trabalhado pela autora. Os sentimentos existentes entre eles são palpáveis, mas também os problemas. Ambos estão quebrados por tudo que viveram e é muito evidente como isso afetou o relacionamento. Assim, vão surgindo situações que fazem o leitor se questionar se é possível uma relação sobreviver quando o amor se torna tóxico.
“A questão não é se amava você, é o quanto. Demais. Amor pode ser um veneno.”
Deste modo, fica claro desde o começo do livro que o foco maior será a reconstrução de Feyre do que o romance com Tamlin. Vemos Feyre se livrando de suas amarras e curando suas feridas, aprendendo a lidar com seus novos poderes, e, principalmente, decidindo o caminho que quer seguir. Assim, vemos uma personagem que sacrificou tudo por amor, percebendo que há limites do que se deve abrir mão em nome de outra pessoa. Afinal, não é possível estar bem com alguém, enquanto não consegue estar bem consigo mesmo.
“Aquela garota que precisava ser protegida, que desejara estabilidade e conforto... ela morrera Sob a Montanha. Eu morrera, e não houve ninguém para me proteger daqueles horrores antes que me pescoço se partisse. Então, eu mesma o fiz. Eu não iria, não poderia abrir mão daquela parte de mim que despertara e se transformara Sob a Montanha.”

Outro ponto positivo do livro é o Rhysand. Em Corte de Espinhos e Rosas, eu já tinha percebido que ele era muito mais do que aparentava e não estava errada. Porém, eu nunca poderia imaginar a profundidade e complexidade desse personagem. Ele é provavelmente o mais interessante do livro inteiro, por ter várias camadas que vão sendo reveladas aos poucos. Já tinha simpatizado com seu humor irônico e seu jeito cínico de anti-herói, porém, me encantei ao ver todas as marcas que ele carrega por seu passado, bem como a força e a sabedoria que demonstra em vários momentos. Rhys é um personagem com várias facetas e, à medida que elas vão sendo sobrepostas, percebemos um personagem humano e carismático, com falhas e qualidades que o tornam absolutamente apaixonante.



O livro conta com diversos personagens secundários e me surpreendi ao ver que todos eles foram bem trabalhados. Há alguns que retornam do primeiro livro, como Lucien e as irmãs de Feyre, mas quem roubou a cena foram os amigos de Rhysand. Todos eles são fundamentais na história e tiveram sua personalidade muito bem construída pela autora. Terminei o livro completamente apegada e me importando com o destino deles tanto quanto com os dos protagonistas.
E o que dizer da trama? Poucas vezes li um livro que conseguisse apresentar uma evolução tão consistente do universo e dos personagens, e ainda trazer várias reviravoltas. Corte de Névoa e Fúria é um livro que tem um equilíbrio perfeito entre ação, aventura, drama, fantasia e romance. Tudo isso aparece no momento certo, despertando diversas emoções no leitor. Assim, senti angústia pelo sofrimento de Feyre, fiquei tensa nos momentos de perigo e, principalmente, tive meu coração partido de maneiras que não esperava.
“E percebi... percebi o quanto tinha sido maltratada antes se meus padrões tinham se tornado tão baixos. Se a liberdade que eu tinha recebido parecia um privilégio e não um direito inerente.”
Se eu tinha gostado do desfecho do primeiro livro, o de Corte de Névoa e Fúria foi completamente arrasador. Muitas reviravoltas acontecem e eu fiquei sem chão com algumas delas. É um final daqueles que deixam o leitor desesperado pela continuação, e eu não sabia se aplaudia a maestria da autora ou se chorava por não poder começar Corte de Asas e Ruína imediatamente. Aliás, não preciso nem dizer o quanto gosto da escrita da Sarah J. Maas, né? Mais uma vez ela me arrebatou com um de seus livros e tenho cada dia mais confiança para querer ler tudo que ela publicar.
Deste modo, Corte de Névoa e Fúria se mostra uma continuação muito superior ao seu antecessor. Se em Corte de Espinhos e Rosas eu gostei da leitura, mas não me encantei como aconteceu com Trono de Vidro, este segundo volume me deixou tão arrebatada quanto fiquei quando li Rainha das Sombras (meu livro favorito da série Trono de Vidro). Então, se você gosta de um bom livro de fantasia, com ação, drama, romance e muitas reviravoltas, Corte de Névoa e Fúria é uma ótima opção.
Me contem aí nos comentários se vocês já leram ou querem ler algum livro da Sarah J. Maas. Preferem Trono de Vidro ou Corte de Espinhos e Rosas? Quero muito saber a opinião de vocês.

Apaixonada por literatura desde pequena, nunca consegui ficar muito tempo sem um livro na mão. Assim, o Dicas de Malu é o espaço onde compartilho um pouco desse meu amor pelo mundo literário.




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