[Resenha] Corte de Asas e Ruína


Se tem uma coisa capaz de deixar um leitor ansioso e, ao mesmo tempo, morrendo de medo é último volume de série. Sabe aquela vontade de saber como tudo irá terminar, mas o pânico de pensar que o autor pode estragar tudo? Pois é, foi assim que me senti em relação ao livro Corte de Asas e Ruína, terceiro livro da série Corte de Espinhos e Rosas, da autora Sarah J. Maas.
Sim, eu sei que Corte de Asas e Ruína não é o último livro da série e ainda terão outros dentro do mesmo universo. Porém, ele encerra essa primeira parte da série e eu sabia que havia muitas questões importantes a serem respondidas nesse volume. Além disso, depois do final simplesmente desesperados de Corte de Névoa e Fúria, seria impossível não ficar ansioso. Felizmente, Sarah J. Maas não me decepcionou e conseguiu me deixar mais ansiosa para conferir as próximas aventuras que ocorrerão nesse universo fantástico.
Mas, antes de começar a falar sobre essa leitura, um aviso: esta resenha contém spoiler dos volumes anteriores. Ou seja, NÃO continue lendo caso não tenha lido Corte de Espinhos e Rosas E Corte de Névoa e Fúria. Caso tenha interesse, pode ler a resenha do primeiro livro aqui e do segundo aqui.

Autora: Sarah J. Maas
Editora: Galera Record
Tradução: Mariana Kohnert
Páginas: 686
Onde comprar: Amazon
Sinopse: “Em Corte de Asas e Ruína a guerra se aproxima, um conflito que promete devastar Prythian. Em meio à Corte Primaveril, num perigoso jogo de intrigas e mentiras, a Grã-Senhora da Corte Noturna esconde seu laço de parceria e sua verdadeira lealdade. Tamlin está fazendo acordos com o invasor, Jurian recuperou suas forças e as rainhas humanas prometem se alinhar aos desejos de Hybern em troca de imortalidade. Enquanto isso Feyre e seus amigos precisam aprender em quais Grãos-Senhores confiar, e procurar aliados nos mais improváveis lugares. Porém, a Quebradora da Maldição ainda tem uma ou duas cartas na manga antes que sua ilha queime.”

Corte de Asas e Ruína se passa pouco tempo depois dos eventos que encerraram Corte de Névoa e Fúria. Feyre está de volta à Corte Primaveril e tenta convencer a todos que foi mantida como prisioneira na Corte Noturna. Aproveitando-se da culpa que Tamlin sente pelas suas ações anteriores e o que seus erros custaram à família de Feyre, ela se entrega ao papel de boa moça e esposa do Grão-Senhor (bela, recatada e do lar), conseguindo uma liberdade maior para participar das reuniões e descobrir o que Hybern estava planejando. Além disso, é claro que Feyre também não deixaria barato tudo que Tamlin fez no livro anterior, mas sua raiva é bem disfarçada e vingança é construída de maneira sutil.
“Um pesadelo, eu dissera a Tamlin. Eu era o pesadelo. Usando aquilo que Tamlin temere desde meus primeiros dias ali.”

Enquanto isso, Rhysand e seu grupo se preparam da melhor maneira possível para a guerra contra Hybern. Assim, na ausência de Feyre, eles se dedicam a descobrir o máximo de informações sobre os planos do inimigo e uma maneira de neutralizá-lo, além de procurarem por possíveis aliados. A guerra era iminente, aumentando a urgência para descobrir quem estaria com eles para enfrentar o poderoso exército que se aproximava.


Se fosse para resumir Corte de Asas e Ruína em uma palavra, eu diria que a mais adequada seria épico. É um livro intenso, com grandes revelações e muita ação, especialmente na primeira e na última parte. Há um clima de tensão que permeia toda a trama e que mantém o leitor preso na leitura, o que me agradou muito.
Os personagens se mostram muito mais maduros e temos uma noção muito maior de tudo que eles estão enfrentando e o que estão dispostos a sacrificar para conter a ameaça de Hybern. Em especial, eu adorei a evolução da Feyre neste volume. Não apenas ela se mostra mais forte e capaz de usar seus poderes, como aparece mais estrategista e equilibrada, controlando melhor suas emoções e agindo com esperteza. Além disso, senti que ela estava mais segura de si nesse livro e com um propósito muito mais claro.
“A guerra permaneceria comigo por muito tempo depois de acabar, alguma cicatriz invisível que talvez esmaecesse, mas nunca desapareceria por completo. Mas, por meu lar, por Prythian e pelo território humano e tantos outros... Eu limparia minhas lâminas e lavaria o sangue da pele. E faria isso de novo, e de novo, e de novo.”
Já o Rhysand fez o que eu pensava ser impossível: se tornou ainda mais apaixonante. Desde o segundo livro, eu já o considerava o personagem mais complexo da série, mas aqui eu pude entender melhor como os horrores doutra guerra o afetaram, o que me deixou com o coração apertado por ele diante da perspectiva de reviver tudo aquilo. Além dele, gostei muito do desenvolvimento das irmãs da Feyre, Elain e Nesta. Aliás, esta última demonstrou se tornou uma das personagens mais interessantes da série e não vejo a hora de ler os próximos livros para descobrir o que acontecerá com ela.
 Todos os personagens secundários dos livros tiveram um destaque maior e seus arcos foram mais desenvolvidos, especialmente os membros do grupo do Rhys (Cassian, Azriel, Mor e Amhren), além das irmãs da Feyre e do Lucien. Achei que isso foi importante não só para que a trama não ficasse centrada apenas no casal principal, mas também pensando nos próximos livros dentro deste universo, em que (eu espero) eles terão um espaço ainda maior. Além disso, foi possível conhecer melhor também os outros Grão-Senhores de Prythian e seus poderes, o que ajudou a conhecer mais sobre as outras cortes e entender melhor a parte política deste universo.

O romance mais uma vez esteve presente na história, mas com um foco menor que nos livros anteriores. Agora que entendemos a relação de Feyre com Rhysand, não foi necessário que a autora explorasse tanto a tensão sexual entre eles, embora ela ainda apareça. Aqui, vemos uma relação muito mais consolidada, pautada realmente na cumplicidade e na parceria, sem que nenhum tente se sobrepor ao outro, o que me agradou muito. Por outro lado, senti que relações de outros personagens ficaram muito abertas e eu queria muito que tivesse um desenvolvimento maior ou, pelo menos, uma sinalização de qual rumo irão seguir.



Com relação à trama, eu achei que a autora equilibrou bem a ação e o romance, soube inserir revelações nas horas certas, e ainda dosar bem os momentos mais tensos com outros mais descontraídos. No entanto, apesar da leitura não ter sido cansativa, não consegui evitar a sensação de que o livro poderia ter sido mais resumido. Há muitas cenas de perseguição e de combates, especialmente na segunda parte do livro, que poderiam ter sido cortadas sem prejuízo para a história.
“– Caminharemos para aquele campo – declarou Rhys. – E só aceitaremos a Morte quando ela vier nos puxar para o Outro Mundo. Lutaremos pela vida, pela sobrevivência, por nossos futuros. Mas, se ficar decidido por aquela trama do Destino ou pelo Caldeirão ou pela Mão que não sairemos daquele campo hoje... – A grande alegria e honra de minha vida foi conhecê-los. Chamar vocês de minha família. E sou grato, mais do que posso expressar, por ter recebido esse tempo com vocês.”
No entanto, a terceira parte do livro foi de tirar o fôlego. A Sarah soube construir muito bem toda a tensão para o momento da batalha e, quando ela acontece, é simplesmente épico. A Sarah consegue descrever muito bem todos os acontecimentos, permitindo ao leitor visualizar a batalha com muita clareza. É tudo muito intenso e impactante, fazendo com que eu me sentisse dividida entre a surpresa por ver a extensão dos poderes de alguns personagens e o medo do que poderia acontecer com eles.
O final, apesar de deixar muitas questões a serem abordadas nos próximos livros, encerra bem essa primeira parte. Achei que a Sarah foi muito coerente em suas escolhas e na forma como ela deixa os personagens nesse momento. Apesar de não explicar tudo, as principais questões foram bem respondidas e a forma como cada um dos personagens encerra essa etapa foi bastante compreensível.
De um modo geral, Corte de Asas e Ruína foi um livro que atendeu às minhas expectativas e encerrou muito bem esse primeiro arco da série. Apesar não superar o meu amor pelos livros de Trono de Vidro, a série Corte de Espinhos e Rosas conquistou um lugar no meu coração e, certamente, vou querer continuar lendo os próximos livros que a Sarah J. Maas escrever dentro deste universo. Aliás, mal posso esperar para ler Corte de Gelo e Estrelas, que será lançado esse mês pela Galera Record.
E vocês, já leram a série Corte de Espinhos e Rosas? Me contem aí nos comentários o que acharam e se estão ansiosos para ler esses e os outros livros que serão lançados.

Apaixonada por literatura desde pequena, nunca consegui ficar muito tempo sem um livro na mão. Assim, o Dicas de Malu é o espaço onde compartilho um pouco desse meu amor pelo mundo literário.




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