[Resenha] Interferências


Olá, leitoras e leitores! Hoje vim falar sobre a maior surpresa que tive em 2018, o livro Interferências, da autora Connie Willis. Lançado pela Suma de Letras, esse livro chamou minha atenção por ter uma sinopse bem diferente e que parecia ser uma leitura muito divertida.
Para quem ainda não conhece, Connie Willis é uma aclamada autora de ficção científica. No entanto, o livro Interferências, publicado no Brasil no começo deste ano, tem um enredo que foge do que eu esperaria para o gênero, se aproximando mais de uma comédia romântica. Confesso que foi esse o motivo que me deixou mais curiosa para ler a obra e o escolhi para ser meu primeiro contato com a escrita da autora.
Agora, depois de um bom tempo com ele na minha meta de leitura, finalmente consegui ler e vou poder contar para vocês o que achei.


Autora: Connie Willis
Editora: Suma de Letras
Tradução: Viviane Diniz Lopes
Páginas: 464
Onde comprar: Amazon
Exemplar recebido de cortesia da editora
Sinopse: “Em um futuro não muito distante, um simples procedimento cirúrgico é capaz de aumentar a empatia entre os casais, e ele está cada vez mais na moda. Por isso, Briddey Flannigan fica contente quando seu namorado, Trent, sugere que eles façam a cirurgia antes de se casarem ― a ideia é que eles desfrutem de uma conexão emocional ainda maior, e que o relacionamento fique ainda mais completo. Bem, essa é a ideia. Mas as coisas acabam não acontecendo como o planejado: Briddey acaba se conectando com outra pessoa, totalmente inesperada. Conforme a situação vai saindo do controle, Briddey percebe que nem sempre muita informação é o melhor, e que o amor ― e a comunicação ― são bem mais complicados do que ela esperava.”

Ambientado em um futuro não muito distante, Interferências traz uma realidade em que a tecnologia permitiu um nível de conexão muito elevado. Por meio de um procedimento cirúrgico, o EED, casais poderiam se conectar e passar a sentir as emoções de seus parceiros. Por esse motivo, a protagonista Briddey fica muito empolgada quando seu namorado Trent propõe que eles façam o EED antes de casarem. Afinal, quem não gostaria de saber o que seu namorado sente e se ele realmente te ama?
O problema é que a notícia logo vaza e chega aos ouvidos das irmãs e da tia de Briddey, que não perdem tempo em deixar claro que não aprovam a ideia. Mas elas não são as únicas; até mesmo C. B. Schwartz, o nerd esquisitão do trabalho, tenta alertar Briddey de que a cirurgia poderia trazer consequências indesejáveis. Mas ela está confiante que o procedimento seria um sucesso e sua conexão emocional com Trent daria certo.

Mas é claro que nem tudo sai como o esperado e Briddey acaba se conectando não com outra pessoa que não o Trent. Mas, se o procedimento requeria envolvimento emocional, por que ela iria se conectar com alguém que não era seu namorado? E como explicar ao Trent o que havia acontecido? Assim, Briddey precisa encontrar respostas rapidamente e tentar resolver a situação. Mas, para isso, precisará se esquivar das perguntas do namorado e da constante intromissão de sua família.


Preciso confessar que um dos motivos que fizeram com que eu demorasse a ler esse livro foi o fato de ter visto muitas críticas negativas sobre ele. As opiniões que vi me deixaram com receio que fosse uma leitura arrasta. No entanto, provando que cada um sente a leitura de uma maneira diferente e é sempre bom ler para tirar suas próprias conclusões, eu adorei o livro e fiquei envolvida desde o começo.
O ponto que considero determinante para ter gostado da leitura é o humor presente na história. A trama já começa com muitas confusões e situações divertidas, em um estilo que me lembrou muito os livros da Sophie Kinsella (que eu adoro). No entanto, ela vai além e não se prende aos problemas amorosos e familiares de sua protagonista. Na verdade, o livro traz uma sátira da sociedade atual e a preocupação das pessoas em estarem sempre conectadas buscando novas tecnologias e mais informações. Deste modo, é possível perceber nas entrelinhas muitas críticas que são feitas através de um humor irônico e inteligente.
Os personagens também contribuíram para o meu envolvimento, mas confesso que tive meus problemas com alguns. A protagonista Briddey é uma personagem um tanto imatura e passiva, o que normalmente teria me irritado muito. No entanto, as confusões em que ela se mete foram tão divertidas que eu acabei conseguindo passar por cima disso. Além disso, ela é muito beneficiada por dois coadjuvantes que interagiram bem com ela e que foram fundamentais para que eu me envolvesse com a história.
Um desses personagens é o colega de trabalho de Briddey, C. B. Schwartz. Ele é inteligente, carismático e com um senso de humor afiado que eu adorei. Os melhores momentos do livro foram com C. B, e eu confesso que preferia que ele aparecesse mais do que a própria protagonista. Já a outra personagem que roubou a cena foi Maeve, a sobrinha de 9 anos da Briddey. Ela é uma criança prodígio impressionante, com uma personalidade muito forte e uma determinação surpreendentes. Confesso que, em alguns momentos, a esperteza de Maeve foi quase inacreditável para uma criança tão nova. No entanto, o carisma dela é tão grande que acabei deixando isso de lado e simplesmente me divertindo com as coisas que ela aprontava.



Já os demais personagens são realmente complicados e foi difícil simpatizar com eles. Desde o começo, fica evidente que Trent é um cara egoísta e totalmente voltado para o trabalho. Ele não merece Briddey e passei o livro inteiro torcendo para que ela percebesse isso. Já as irmãs e a tia dela são irritantes, já que não demonstram nenhum respeito pela privacidade de Briddey e estão sempre se intrometendo na vida dela ou despejando seus problemas. Porém, é inegável que elas tiveram um papel importante na trama tanto por representarem comportamentos que muitas vezes acontecem na realidade quanto por mostrarem o quanto o excesso de conexão muitas vezes pode ser ruim.
Com relação à trama, preciso avisar que é preciso ir de mente aberta. Não espere explicações detalhadas e lógicas sobre os acontecimentos, pois não se trata de um livro de ficção científica como muitos imaginaram. Como eu disse, esse livro é uma sátira dos tempos modernos e, por esse motivo, ele está muito mais próximo da comédia. As situações vividas pelos personagens são bastante absurdas e o interessante não é entender por que ou como elas ocorrem, mas perceber as críticas e ironias que estão por trás.
Assim, achei que a autora conseguiu desenvolver a trama com fluidez, porque tudo foi retratado com muito humor. Eu me diverti muito enquanto lia e fui rapidamente envolvida pela história. No entanto, acredito que a segunda parte do livro poderia ser reduzida, pois tem vários acontecimentos que não são tão relevantes assim. Embora eu não tenha achado maçante, senti que a leitura perdeu um pouco o ritmo. Mas a boa notícia é que isso não se prolongou muito e do meio para o final o livro fica bastante dinâmico.
De um modo geral, Interferências é um livro leve e divertido, que traz críticas bastante pertinentes sobre o modo como temos sido afetados pela tecnologia. Fiquei muito feliz por ter decidido dar uma chance para este livro e gostei bastante da escrita da autora. É uma obra bastante polêmica, que desagradou algumas pessoas, mas acabou sendo uma ótima surpresa para mim. Então, recomendo para quem se interessou pela sinopse ir com a mente aberta e disposto a tirar suas próprias conclusões. Quem sabe vocês também não se surpreendem com a leitura?

Apaixonada por literatura desde pequena, nunca consegui ficar muito tempo sem um livro na mão. Assim, o Dicas de Malu é o espaço onde compartilho um pouco desse meu amor pelo mundo literário.




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