[Resenha] À beira da eternidade


Olá, pessoal! A resenha de hoje é especialmente para quem ama ficção científica, thriller e romance YA. Sim, isso tudo em um livro só. Estou falando de À beira da eternidade, da Melissa E. Hurst. Lançado esse ano pela Galera Record, esse livro despertou minha atenção imediatamente não só pela capa, mas por essa combinação de gêneros.
Primeiro volume de uma duologia, À beira da eternidade já entrou para a minha lista de desejados assim que li a sinopse. Com um enredo que mistura viagens no tempo, um grande mistério e um romance adolescente, como não sentir curiosidade? Por esse motivo, fiquei muito feliz quando meu exemplar chegou e já não via a hora de começar a ler.

Demorei um pouco para conseguir trazer a resenha para vocês, mas hoje finalmente vou contar o que achei desta leitura. Será que ela superou minhas expectativas? 

Autora: Melissa E. Hurst
Tradução: Glenda Oliveira
Editora: Galera Record
Páginas: 322
Onde comprar: Amazon
Exemplar recebido de parceria com a editora
Sinopse: “Mistério, romance, drama e viagem no tempo no primeiro livro de Melissa E. Hurst. 2146. Bridger é uma das poucas pessoas com a habilidade de viajar de volta ao passado. Uma habilidade que lhe foi passada pelo pai, cuja morte – envolta em mistério – o garoto tenta superar. Aos poucos, sua vida parece voltar ao normal... Até que o garoto encontra o pai em uma de suas viagens no tempo com a turma. Ele só tem tempo de lhe passar uma mensagem: Salve Alora. Bridger não tem ideia de quem seja a garota, nem de onde ela está ou em que tempo vive, mas está determinado a realizar o último pedido do pai. 2013. Alora Walker tem apagões inexplicáveis. Ela acorda toda vez em um lugar diferente, e não tem ideia de como chegou lá. A única coisa de que tem certeza é que está sendo seguida. Mas por quem?”

 Em 2146, Bridger é um manipulador do tempo, ou seja, é uma das poucas pessoas com a habilidade de viajar no tempo. Ele puxou essa habilidade do seu pai, morto há pouco tempo, em uma de suas missões. Bridger tem tentado superar e seguir em frente, mas o mistério que cerca a morte do pai tem tirado sua concentração. E tudo se torna ainda pior quando, em uma viagem no tempo com a sua turma, ele encontra o pai, que só lhe dá um recado: Salve Alora.
Bridger não tem ideia de quem é Alora, por que seu pai quer salvá-la e o que aconteceu com ele. Porém, o inesperado encontro acaba levando à consequências terríveis, que ameaçam a carreira do garoto e aumentam o mistério em torno da morte de seu pai. Determinado a cumprir o que o pai pediu e tentar descobrir o que de fato aconteceu com ele, Bridger arrisca tudo para encontrar Alora e salvá-la.
Enquanto isso, em 2013, Alora tem tido misteriosos apagões. Ela acorda em lugares sem saber como chegou lá e sem saber quanto tempo se passou. Somado a isso, vem a constante sensação de estar sendo constantemente observada e o fato de que, de repente, um dos caras mais populares da escola decidiu que ela seria seu novo alvo. Estaria Alora enlouquecendo ou algo de muito estranho estava acontecendo com ela?




Eu já comentei aqui o quanto amo livros que envolvam viagens no tempo, então, não preciso nem dizer que esse foi o primeiro ponto que despertou meu interesse em ler À beira da eternidade. Juntando isso com todos os mistérios que a trama envolve, é claro que minha curiosidade estava a mil. E, com relação a isso, não tive do que reclamar. Amei como as viagens no tempo se inseriram na história e senti que a autora soube conduzir a trama sem se perder nas diferentes linhas temporais.
No entanto, preciso confessar que no início da leitura a história não se mostrou tão envolvente quanto eu esperava. Não que o começo seja lento; ao contrário, o livro já começa com ação. Porém, foram muitas informações no começo e eu fiquei confusa e sem conseguir me conectar com a trama. Felizmente, isso durou só nas primeiras cinquenta páginas. Daí para frente, eu consegui absorver melhor o que estava acontecendo e a leitura se tornou bem mais interessante.
Me apeguei rapidamente ao Bridger e consegui entender o estado de conflito em que ele se encontrava. Por um lado, ele estava sofrendo pela perda do pai e por não saber o que tinha acontecido realmente com ele. Por outro, há os conflitos com a mãe e a cobrança para seguir em frente, sob risco de arruinar sua carreira. E, o encontro inesperado com o pai deixa a vida de Bridger ainda mais complicada, o que torna compreensível a determinação dele em ir atrás de Alora e descobrir o que aconteceu.
Achei o Bridger o personagem mais interessante da história justamente porque seus dramas são os mais concretos e compreensíveis. Além disso, achei impossível não ser cativada pela senso de justiça e integridade dele, além da sua inteligência e senso de humor afiado. Bridger não é perfeito e comete erros ao longo da história, mas suas qualidades superaram isso e terminei a leitura realmente apegada a ele.
Com relação a Alora, eu tive um pouco mais de dificuldade de me conectar. Ela é uma personagem muito passiva em alguns momentos, se deixando influenciar por amigas pouco confiáveis e aguentando humilhações na escola sem nunca se defender. Confesso que me irritei em muitos momentos por sua falta de atitude, principalmente em algumas situações em que ela claramente deveria ter se manifestado. No entanto, mesmo assim, consegui simpatizar com ela por entender alguns de seus conflitos.

Para começar, que é muito compreensível o desespero que Alora sente quando começa a ter apagões. Afinal, imagina ir parar em lugares sem saber como chegou ou quanto tempo se passou? Além disso, toda a história dela é um mistério. Alora mora com a tia desde os 6 anos, quando foi entregue na casa dela por seu pai. Não sabe o que aconteceu com ele e não tem lembranças dele ou da mãe, e a tia se recusa a contar o que sabe. Então, não dá para condená-la pela angústia que sente pelos segredos do seu passado e o medo que tem em relação aos acontecimentos do presente.



Os demais personagens não são muito aprofundados, mas são peças importantes para o desenvolvimento da trama. Eles são peças importantes tanto para o mistério da trama quanto para a evolução dos protagonistas. Em especial, é importante destacar a tia de Alora e o professor March, amigo do pai do Bridger que desempenha um papel importante para o garoto e, ao mesmo tempo, tem um ar de mistério que deixa o leitor com o pé atrás.
E, como não poderia de ser, ainda há espaço para romance nessa trama. Com personagens adolescentes, isso já era esperado e confesso que gostei muito de como essa parte foi construída na história. No começo, tive medo de que o romance ganhasse mais espaço do que deveria e atrapalhasse a trama, mas felizmente isso não aconteceu. Senti que aconteceu de maneira natural e sem tirar o foco, exatamente como deve ser.
Com relação à escrita da Melissa E. Hurst, achei leve e bastante envolvente. Tive um pouco de dificuldade de me conectar no começo, mas isso passou logo e depois fiquei totalmente presa na leitura. Adorei a forma como ela construiu a trama, intercalando os pontos de vista do Bridger e da Alora e dando personalidade a eles, de modo que ficava claro as mudanças na narração de um e de outro.
O único ponto que, para mim, deixou a desejar foi o final. Há algumas revelações importantes, mas foi tudo tão rápido que acabou perdendo o impacto para mim. Além disso, confesso que algumas coisas foram previsíveis e fiquei decepcionada por isso. Acredito que a autora poderia ter trabalhado melhor algumas situações para que o desfecho não fosse tão abrupto, com tantas informações sendo lançadas de uma vez. Por outro lado, a autora deixou um gancho enorme para o segundo volume, então, tenho esperança que algumas coisas sejam explicadas na continuação.
De um modo geral, À beira da eternidade é uma leitura envolvente e dinâmica, com um bom equilíbrio entre ficção científica, suspense, ação e romance YA. O enredo criado por Melissa E. Hurst é interessante e conta com um universo e personagens muito bem construídos. Acredito que há muito a ser explorado no segundo volume e já estou curiosa para saber o rumo que a autora irá seguir com essa história.

[Resenha] Mortos não contam segredos


Olá, pessoal! Como vocês estão? Eu andei sumida daqui, mas é que as últimas semanas foram bastante corridas e eu não estava conseguindo preparar os posts. Tentei manter o instagram atualizado, mas já estava com muita saudade daqui. Para compensar, nos próximos dias vou postando as resenhas que estavam atrasadas e escolhi começar com a de um livro que era um dos mais aguardados por mim esse ano.
Mortos não contam segredos, da autora Karen M. McManus, foi publicado recentemente pela Galera Record no Brasil e eu já estava ansiosa por ele. Para quem não sabe, ela é a mesma autora de Um de nós está mentindo, um thriller YA que eu adorei (tem resenha dele aqui). Já aviso que não se trata de uma continuação e nem um spin-off, mas eu gostei tanto da escrita dela no outro livro que estava com altas expectativas para esse lançamento.
Então, hoje, vou poder contar para vocês o que achei da leitura. Será que minhas expectativas foram atendidas?


Autora: Karen M. McManus
Editora: Galera Record
Tradução: Petê Rissatti
Páginas: 352
Exemplar recebido de parceria com a editora
Onde comprar: Amazon
Sinopse: “O segundo romance ainda mais irresistível da autora best-seller de um de nós está mentindo. Por trás das cercas brancas e dos gramados perfeitos da pacata cidadezinha de Echo Ridge, há segredos de natureza obscura. Ellery conhece as histórias a respeito da cidade natal de sua mãe e sabe que ali garotas desaparecidas não voltam para casa. Cinco anos atrás, a rainha do baile foi assassinada e o culpado jamais foi preso. Sua tia também foi uma das vítimas quando ainda era adolescente, mas a mãe pouco fala sobre isso, preferindo mascarar o luto com bebidas e remédios. Quando o vício culmina em uma internação na clínica de reabilitação, Ellery e seu irmão gêmeo, Ezra, se mudam para a casa da avó em Echo Ridge e passam a testemunhar em primeira mão a sinistra fama da cidade. Antes mesmo do início das aulas, novas ameaças surgem em forma de pichações. Alguém deixa bem claro que a temporada de caça às rainhas do baile está aberta, e o nome de Ellery surge entre as possíveis vítimas. Poucos dias depois, outra garota desaparece e, desta vez, Ellery está determinada a descobrir quem está por trás de tudo isso. Mas quanto mais a menina se envolve com os segredos dos moradores, mais se põe na mira do responsável pelas mortes. Ellery está prestes a descobrir que segredos são perigosos, e é por isso que, em Echo Ridge, é melhor guardá-los para si.”

Em Mortos não contam segredos, a pequena cidade Echo Ridge tem tudo para parecer um lugar tranquilo e aconchegante. Porém, segredos perturbadores se escondem ali e a adolescente Ellery sempre se interessou em saber mais sobre eles. Afinal, é a cidade natal de sua mãe e o local onde sua tia, Sarah, desapareceu. Porém, a mãe dela sempre se recusou a falar sobre o sumiço da irmã gêmea e qualquer coisa que se relacionasse ao passado.
No entanto, quando Sadie precisa se internar em uma clínica de reabilitação, Ellery e seu irmão gêmeo, Ezra, precisam ir morar com a avó em Echo Ridge. Lá, Ellery espera descobrir mais sobre o desaparecimento de sua tia e outro mistério que atormenta a cidade: o assassinato da jovem Lacey Kilduff, cinco anos atrás. O problema é que um novo acontecimento coloca Ellery no centro de um novo mistério: alguém está ameaçando as princesas do baile de boas-vindas da escola e, mesmo nova na cidade, Ellery está entre elas.
Quando outra garota some misteriosamente, Ellery acredita que esse desaparecimento e as ameaças têm relação com o sumiço de Sarah e o assassinato de Lacey. Assim, ela se vê cada vez mais presa nos segredos de Echo Ridge e não vai descansar enquanto não encontrar as respostas, mesmo que isso a coloque em perigo.


Como vocês já devem ter percebido, mistério é o que não falta na trama de Mortos não contam segredos. Há o desaparecimento da tia de Ellery e Ezra, o assassinato de uma garota 5 anos atrás e, agora, as ameaças às princesas do baile e o desaparecimento de outra garota. Se não bastasse tudo isso, a própria mãe deles tem seus segredos, especialmente em relação à identidade do pai deles. Então, com tantas dúvidas permeando a história, é praticamente impossível não ficar curioso e instigado a ler.
A trama se desenvolve em um ritmo dinâmico, com um bom equilíbrio entre a apresentação dos personagens e a inserção dos mistérios. A autora foi esperta em já ir inserindo algumas dúvidas e segredos enquanto o leitor vai conhecendo os personagens e a cidade em que a trama é ambientada, pois isso deixou a leitura muito mais instigante e envolvente. Eu fui rapidamente atraída pelos segredos de Echo Ridge e não queria parar de ler até descobrir o que aconteceu.
Outro ponto que merece destaque é o carisma dos personagens. Ellery, a protagonista, é sem dúvida a mais interessante. Para começar, adorei a inteligência dela e o fato de ser uma personagem tão fora do padrão. Ao invés de se entregar aos dramas adolescentes comuns, ela está sempre querendo remexer o passado e entender o que existe por trás dos crimes que marcaram a cidade. Porém, isso não significa que ela não tenha seus momentos de vulnerabilidade, como qualquer pessoa.
Aliás, a autora soube explorar muito bem os dramas da Ellery, até para que o leitor possa compreender melhor essa quase obsessão que ela tem em desvendar os crimes ocorridos na cidade. Por também ter um irmão gêmeo, Ellery sempre se questionou como o fato de ter sua gêmea desaparecida abalou sua mãe e afetou o comportamento dela. Além disso, ela guarda muitas mágoas como o fato de não saber quem é seu pai e não ter convivido com a avó. Assim, essas questões acabaram sendo motivadoras para ela e ajudam o leitor a se apegar e compreender as ações dela.

Já o Ezra é um personagem que eu gostaria que tivesse sido mais desenvolvido na história, mas que mesmo assim me apeguei muito. Ele tem um jeito mais contido e tranquilo que a Ellery, mas é visível o quanto ele é leal à irmã. Achei muito bonito ver a relação dos dois e o quanto são apegados um ao outro. Além disso, é um personagem muito maduro e observador, mas também gentil e atencioso. Confesso que terminei o livro querendo ser amiga dele. 



Mas não pensem que os gêmeos são os únicos personagens em destaque nesse livro. Há também Malcom, irmão caçula do principal suspeito de assassinar Lacey. Quando começam as ameaças e outra garota desaparece, Malcom se torna o suspeito da vez. E é interessante ver o ponto de vista dele de tudo isso, bem como o quanto as acusações feitas ao seu irmão repercutiram na sua vida e na da sua família. Confesso que foi o personagem que eu mais me apeguei, justamente por toda a carga que sua situação envolve.
Com relação aos personagens secundários, eles não são aprofundados, mas são fundamentais para a construção da trama. Todos estão envolvidos de alguma forma nos mistérios da cidade, e toda hora surgia uma revelação ou acontecimento que me fazia desconfiar de alguma pessoa diferente.
Outro aspecto que gostei muito foi a forma como a história foi narrada: em primeira pessoa, intercalando os pontos de vista da Ellery e do Malcom. Isso foi interessante por permitir conhecer mais sobre esses dois personagens e dar a oportunidade de o leitor acompanhar núcleos diferentes dentro da trama. Além disso, adorei a habilidade que a autora demonstrou em dar personalidade aos personagens. Desde o começo do livro, fica evidente se estamos acompanhando a perspectiva da Ellery ou do Malcom, não só por ter isso identificado no início de cada capítulo, mas pela mudança clara no estilo de narrativa.
De um modo geral, eu me surpreendi com a evolução da escrita da Karen M. McManus. Eu já havia amado Um de nós está mentindo, mas senti que em Mortos não contam segredos ela conseguiu entregar uma história muito mais complexa e bem construída. Adorei ver tanto o crescimento dos personagens quanto a construção do mistério. Talvez quem esteja mais acostumado a ler thrillers possa considerar algumas coisas previsíveis, mas confesso que eu criei várias teorias ao longo da leitura e errei todas. Além disso, é inegável o mérito da autora em amarrar muito bem a trama, juntando os pontos até o final da história.
Eu ainda preciso responder se Mortos não contam segredos atendeu às minhas expectativas? Por mais que eu estivesse aguardando ansiosa por esse livro, ele conseguiu ser ainda melhor do que eu esperava. A escrita da Karen M. McManus é simplesmente viciante e a trama foi muito bem desenvolvida, com mistérios interessantes, personagens carismáticos e um bom equilíbrio entre suspense e romance YA. Para quem gostou de Um de nós está mentindo, certamente irá gostar dessa leitura também. E, se você ainda não leu nada da autora, já passou da hora de conhecer sua escrita.

Apaixonada por literatura desde pequena, nunca consegui ficar muito tempo sem um livro na mão. Assim, o Dicas de Malu é o espaço onde compartilho um pouco desse meu amor pelo mundo literário.




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