Olá, pessoal! Hoje eu vim trazer a resenha
mais difícil que já escrevi até hoje, então, já começo pedindo para vocês
valorizarem meu esforço rsrs. O livro em questão é The girl from everywhere – O
navio além do tempo, da autora Heidi Heilig.
Se vocês acharem o título familiar, é
porque ele é continuação de The girl from everywhere – O mapa do tempo. Quem
acompanha o blog talvez tenha lido a resenha que fiz sobre o primeiro volume
(aqui) e saiba o quanto eu gostei daquela leitura. Foi um livro que superou
minhas expectativas e entrou na minha lista de favoritos de 2018. Então, já dá
para vocês imaginarem o quanto estava ansiosa para ler a continuação.
Eu não perdi tempo em garantir minha
edição, que foi publicada esse semestre pela Editora Morro Branco. Finalmente,
concluí a leitura no mês passado e agora vou poder contar para vocês o que
achei.
Aviso: para quem não leu o primeiro livro, recomendo que não continue lendo a resenha pois ela tem informações sobre ele.
Autora: Heidi Heilig
Editora: Morro Branco
Páginas: 432
Onde comprar: Amazon
Sinopse: “Nix passou sua vida inteira viajando para lugares reais e imaginários a bordo do Temptation, o navio de seu pai que é capaz de viajar no tempo. Mas é finalmente chegada a hora de assumir o seu leme, e o horizonte infinito se estende à sua frente, claro e promissor. Até que ela descobre estar destinada a perder a pessoa que ama. A terminar como o próprio pai: sozinha e de coração partido. Desesperada para mudar seu destino, Nix leva sua tripulação para uma utopia mítica em busca de um homem que promete ensiná-la a manipular o tempo e alterar a história. Mas tudo muda constantemente nesta ilha utópica e nada é o que parece. Nem mesmo seu relacionamento com Kash: melhor amigo, ladrão e charmoso profissional. Se Nix conseguir interpretar as marés em perpétua mudança, talvez finalmente consiga domar suas habilidades. Talvez consiga controlar seu destino também. Ou talvez seu tempo acabe, afinal.”
Após os eventos de O Mapa do Tempo, Nix
finalmente tem a chance de assumir o Temptation, navio comandado por seu pai.
Após ele finalmente escolhê-la em detrimento da busca incessante por sua
falecida mãe, os dois agora têm um horizonte cheio de possibilidades. No
entanto, tudo muda quando ela descobre uma profecia na qual ela estava
destinada a perder aquele que amava para o mar. Com medo de seguir o mesmo
destino de seu pai, ela está disposta a tudo para evitar que seu destino se
cumpra.
É assim que Nix acaba levando todos do
navio para um reino de uma utopia mítica, no qual ela esperava encontrar o
homem que iria ensiná-la a mudar o passado. No entanto, nada ali é o que
parece, e aquele mudo aparentemente perfeito escondia segredos e perigos que
Nix sequer imaginava.
Ah gente, como eu queria dizer que gostei
desse livro. Queria muito mesmo. Porém, essa foi a leitura mais decepcionante
que fiz esse ano. Continuando do ponto em que seu antecessor parou, O Navio
Além do Tempo se mostra tão diferente que nem parece escrito pela mesma autora.
Em O Mapa do Tempo, eu havia me encantado
pelo universo apresentado, a trama envolvente e, principalmente, o carisma dos
personagens. Porém, nesse segundo volume, não demorou para que eu percebesse
que essa leitura seria completamente diferente. Para começa, Nix que havia sido
uma protagonista tão forte e determinada, acabou se transformando em uma
personagem imprudente e egoísta, que não se importa com os sentimentos dos
outros e que vê apenas seus objetivos.
Não bastasse essa mudança drástica e sem
explicação, há ainda o fato de que as ações de Nix são baseadas quase que única
e exclusivamente em proteger aquele que ama. Assim, o livro acaba girando em
torno de um amor adolescente e das tentativas desesperadas (e muito dramáticas)
da protagonista de protege-lo. E o pior é que esse romance havia ficado apenas
implícito no livro anterior. Então, toda essa paixão que Nix sentia acabou
soando mais como um drama adolescente do que como um sentimento real.
E não foi só Nix que parece ter regredido de
um livro para o outro. De um modo geral, os personagens que haviam sido um
ponto forte no volume anterior, aqui se mostraram mal desenvolvidos e
entediantes. Com exceção do Kashmir, que pelo menos manteve seu carisma, os
demais ou foram pouco aproveitados ou se mostraram completamente monótonos e
sem carisma. Há alguns novos personagens que pouco acrescentam e um vilão plano
e sem nada que explicasse suas motivações.
Outro aspecto que me incomodou bastante
foi a forma como a autora construiu a relação de Nix com seu pai. Esse havia
sido o aspecto que mais gostei no livro anterior e que fez o final dele ser tão
especial. Porém, isso foi abalado tanto pelo comportamento egoísta, e por vezes
cruel, da Nix quanto pelo fato de que Slate fica praticamente esquecido durante
boa parte da trama. O que é uma pena, considerando o fato de que é um
personagem complexo e que teria muito a acrescentar nesse livro.
Já em relação ao enredo, senti que faltou
foco e equilíbrio. Se antes a autora tinha conseguido dosar muito bem a
fantasia, a aventura, drama e um pouco de romance, aqui ela exagerou na dose do
dramalhão e colocou o romance no centro da história. Com isso, a trama perdeu
muita força e se tornou cansativa. As motivações da protagonista não convencem,
o universo apresentado não é tão interesse e o enredo é bastante confuso, o que
deixou a leitura bastante arrastada.
Outro ponto que não posso deixar de
mencionar é que o livro aborda um assunto muito sério, a dependência química, e
isso tinha tudo para ser um ponto muito positivo. Porém, valeu só pela boa
intenção. O tema ficou implícito em alguns momentos, mas foi abordado de
maneira superficial e deixado de lado sem nenhum desenvolvimento ou explicação.
No entanto, não pensem que eu só tenho
coisas negativas a dizer sobre The girl from everywhere – O navio além do
tempo. A edição é, sem dúvida, uma das mais lindas que já vi. A Editora Morro
Branco caprichou mais uma vez e o livro está impecável. Não encontrei nenhum
problema de revisão, a capa é maravilhosa e a parte interna também. O livro
ainda conta com mapas que têm tudo a ver coma trama e dão um charme a mais ao
livro.
De um modo geral, eu posso definir esse
livro em duas palavras belo e frustrante. Infelizmente, a linda edição não foi
o suficiente para compensar os problemas de The girl from everywhere – O navio
além do tempo e eu terminei a leitura desejando que a autora tivesse parado no
primeiro livro. O final é aberto e deixa margem para uma continuação, caso a
autora queira. Não sei se ela irá escrever, porém, eu não tenho a menor vontade
de insistir em uma possível série.
No entanto, quero deixar claro que esta é
apenas a minha opinião. Acredito que tenha ficado bastante claro na resenha que
o livro não funcionou para mim, porém, outras pessoas gostaram bastante. Então,
se vocês gostaram do livro anterior, acredito que vale a pena embarcar nesse
segundo volume e espero que tenham uma experiência de leitura muito melhor do
que a minha.
E, caso já tenham lido, me contem aí nos
comentários o que acharam. Vou adorar conhecer a opinião de vocês.






























