[Dica da Malu] Simplesmente o paraíso

Sinopse: “Honoria Smythe-Smith sabe que, para ser uma violinista ruim, ainda precisa melhorar muito… Mesmo assim, nunca deixaria de se apresentar no concerto anual das Smythe-Smiths. Ela adora ensaiar com as três primas para manter essa tradição que já dura quase duas décadas entre as jovens solteiras da família. Além disso, de nada adiantaria se lamentar, então Honoria coloca um sorriso no rosto e se exibe no recital mais desafinado da Inglaterra, na esperança de que algum belo cavalheiro na plateia esteja em busca de uma esposa, não de uma musicista. Marcus Holroyd foi encarregado de uma missão… Porém não se sente tão confortável com a tarefa. Ao deixar o país, seu melhor amigo, Daniel, o fez prometer que vigiaria sua irmã Honoria, impedindo que a moça se casasse com pretendentes inadequados. O problema é que ninguém lhe parece bom o bastante para ela. Aos olhos de Marcus, um marido para Honoria precisaria conhecê-la bem (de preferência, desde a infância, como ele), saber do que ela gosta (doces de todo tipo) e o que a aflige (como a tristeza pelo exílio de Daniel, que ele também sente). Será que o homem ideal para Honoria é justamente o que sempre esteve ao seu lado afastando todo e qualquer pretendente? Com seu estilo inteligente e divertido, Julia Quinn enfim apresenta ao público o Quarteto Smythe-Smith, o terrivelmente famoso e adoravelmente desafinado grupo musical que conquistou os leitores antes mesmo que as cortinas se abrissem para ele.”Autora: Julia Quinn / Editora: Arqueiro / Páginas: 272 - Comprar: Amazon

Preciso começar essa resenha dizendo que estou com um vício chamado romances de época. Sério, a série Os Bridgertons, da Julia Quinn, me apresentou esse gênero e agora eu estou completamente apaixonada. Por isso, mesmo sem ter terminado essa série ainda, tive que começar a mais recente da autora, O Quarteto Smythe-Smith. Mais uma vez, pude experimentar uma leitura leve, romântica, divertida, e que me deixou com um sorriso bobo no final.
Em Simplesmente o paraíso, primeiro livro deste quarteto, o leitor é apresentado a Honoria Smythe-Smith, uma jovem que já vai para sua terceira temporada a procura de um marido, mas ainda não desistiu. Ela tem esperança de que esta seja sua última temporada como solteira, apesar de todos os pretendentes que a cortejaram anteriormente terem desistido sem maiores explicações.
Mal sabia Honoria que Marcus Holroyd estava disposto a afastar qualquer pretendente que não julgasse digno dela. Antes de ir embora do país, Daniel, irmão mais velho de Honoria, pediu que Marcus cuidasse de sua irmã caçula e impedisse que ela se casasse com um homem inadequado. Por esse motivo, ele sempre acompanhou atentamente os passos da jovem e espantou todos os pretendentes que tentaram se aproximar. Sem que ela soubesse, claro.
Para Marcus, cumprir a promessa feita ao amigo não chegou a ser um sacrifício. Ele cresceu junto com Daniel e Honoria, portanto, sempre foi próximo dela e desejava que ela se casasse com um homem que a merecesse. No entanto, um acidente acaba aproximando os dois de uma maneira que Marcus não esperava e afastar outros pretendentes de Honoria deixa de ser apenas uma missão para atender ao pedido de um amigo.
Como já deve ter dado para perceber, o enredo deste livro é bastante previsível, porém, eu me envolvi com a história como se não fizesse a menor ideia de qual seria o desfecho. O motivo disso é que o romance foi construído de uma forma absolutamente natural e apaixonante. Não existem aquelas paixões instantâneas e sem fundamento que sempre me irritaram. Na verdade, Marcus e Honoria compartilham inúmeras lembranças e momentos importantes vividos desde a infância, portanto, é totalmente natural que a reaproximação, já como adultos, levasse a descoberta de sentimentos mais fortes que uma simples amizade.
Nesse sentido, me agradou muito a forma como Julia Quinn conduziu a trama. A princípio, vemos Marcus e Honoria retomando a amizade, se redescobrindo depois de adultos e relembrando os ternos momentos da infância. Isso torna o vínculo entre eles muito mais crível para o leitor e o desenrolar da história é natural e apaixonante. Além disso, o sentimento que vai surgindo é tão puro e genuíno que é capaz de fazer os leitores mais românticos suspirarem sonhando viver algo parecido.
E o que dizer da Honoria? Ela é uma das melhores mocinhas que já li em romances e são tantos motivos para isso que chega a ser difícil explicar. Provavelmente, o primeiro deles é o otimismo e a maneira leve que ela tem de encarar a vida. Mesmo já estando próxima de ser considerada uma solteirona (para os padrões da época), Honoria não se desespera ou desanima. Além disso, ela não está disposta a aceitar qualquer rapaz que a cortejar. Honoria quer muito se casar e acredita firmemente que irá conseguir, mas só se for com um rapaz que a ame e que realmente seja digno dela.
Outro motivo que me fez adorar essa protagonista é o amor que ela tem pela família. Quem já leu a série Os Bridgertons sabe que a família Smythe-Smith sempre realiza um tradicional concerto apresentado por quatro jovens solteiras da família. O problema é que eles são sempre péssimos, devido à falta de talento musical das jovens. Naquele ano, era a vez de Honoria se apresentar novamente com suas primas Sarah, Iris e Harriet, e, mesmo sabendo que seria mais uma performance desastrosa, ela se dedica ao máximo e sem reclamações, simplesmente por ter orgulho de dar continuidade a uma tradição de família. E, sendo sincera, só o fato dela se apresentar de cabeça erguida, sem constrangimento, já diz muito sobre a personalidade desta personagem.
Marcus, por sua vez, é um homem apaixonante. Não tem outra palavra mais exata para descrevê-lo. Discreto e levando uma vida solitária, Marcus é um amigo leal e que se empenha para cumprir a palavra dada ao amigo. Ao longo do livro, podemos conhece-lo melhor e perceber que, por trás da fachada séria, ele é um homem gentil, atencioso e divertido, que só não se mostra mais por ser tímido e reservado. Além disso, ele não é aquele tipo de mocinho superprotetor, arrogante e extremamente autoconfiante, que fica tentando mudar a personalidade da protagonista e controla-la a todo segundo. Ao contrário, ele a admira cada vez mais por sua maneira de falar e pensar, e está sempre disposto a apoiá-la, mesmo que isso signifique passar (longas) horas nos recitais das Smythe-Smith.
No entanto, o livro vai além do casal principal e apresenta personagens secundários tão carismáticos quanto os protagonistas. Em especial, as primas de Honoria, Sarah e Iris, e sua amiga Cecily são muito divertidas e carismáticas. É impossível não dar risadas com seus planos para tentar encontrar maridos adequados na temporada social que irá se iniciar ou com as brigas nos ensaios para o recital dos Smythe-Smith.
A escrita de Julia Quinn mais uma vez se mostrou fluida e envolvente. Apesar do romance se desenvolver de uma maneira muito gradual, a leitura não se torna cansativa em nenhum momento. Ao contrário, ela é leve, agradável e divertida, e é muito gostoso acompanhar o casal principal ir evoluindo da amizade para o amor, construindo um vínculo forte e verdadeiro.
Com relação a edição, não preciso nem dizer que ficou impecável, né? Mais uma vez a Editora Arqueiro caprichou em todos os detalhes e trouxe um livro lindo, desde a capa até a diagramação do texto. Além disso, as páginas são amareladas e a fonte e o espaçamento estão em um tamanho ideal para leitura.
Deste modo, não preciso nem dizer que esta é uma leitura mais do que recomendada para os fãs de romances de época e até mesmo para aqueles que querem começar a conhecer o gênero. Não é à toa que a Julia Quinn é uma das autoras mais lidas quando o assunto é romance de época; seus livros são leves e apaixonantes e seus personagens conquistam o leitor desde as primeiras páginas.
Amei esse primeiro volume da série Quarteto Smythe-Smith e não vejo a hora de ler os próximos. Quem já leu ou pretende ler essa série? Me contem a opinião de vocês aí nos comentários.
E, para quem tem interesse em adquirir, eles podem ser comprados separadamente ou em um box lindo que a Editora Arqueiro preparou. Vou deixar todos os links de compra na Amazon aí embaixo:

Simplesmente o paraíso: Aqui
Uma noite como esta: Aqui
A soma de todos os beijos: Aqui
Os mistérios de Sir Richard: Aqui
Box Quarteto Smythe-Smith: Aqui

[Dica da Malu] Um tom mais escuro de magia

Sinopse: “Entre em um universo de aventuras audaciosas, poder eletrizante e Londres múltiplas. Kell é um dos últimos Viajantes — magos com uma habilidade rara e cobiçada de viajar entre universos paralelos conectados por uma cidade mágica. Existe a Londres Cinza, suja e enfadonha, sem magia alguma e com um rei louco — George III. A Londres Vermelha, onde vida e magia são reverenciadas, e onde Kell foi criado ao lado de Rhy Maresh, o boêmio herdeiro de um império próspero. A Londres Branca: um lugar onde se luta para controlar a magia, e onde a magia reage, drenando a cidade até os ossos. E era uma vez... a Londres Negra. Mas ninguém mais fala sobre ela. Oficialmente, Kell é o Viajante Vermelho, embaixador do império Maresh, encarregado das correspondências mensais entre a realeza de cada Londres. Extra-oficialmente, Kell é um contrabandista, atendendo pessoas dispostas a pagar por mínimos vislumbres de um mundo que nunca verão. É um hobby desafiador com consequências perigosas que Kell agora conhecerá de perto. Fugindo para a Londres Cinza, Kell esbarra com Delilah Bard, uma ladra com grandes aspirações. Primeiro ela o assalta, depois o salva de um inimigo mortal e finalmente obriga Kell a levá-la para outro mundo a fim de experimentar uma aventura de verdade. Magia perigosa está à solta e a traição espreita em cada esquina. Para salvar todos os mundos, Kell e Lila primeiro precisam permanecer vivos.” - Autora: V. E. Schwab / Editora: Record / Páginas: 420 / Comprar: AmazonLivro cedido pela Editora Record

Sabe quando você tem expectativas altas para um livro e ele consegue ultrapassar todas elas? Eu sei que é raro, mas aconteceu comigo e o nome do livro é “Um tom mais escuro de magia”, da V. E. Schwab (ou Victoria Schwab). Eu terminei a leitura desse livro recentemente e só conseguia pensar uma coisa: que livro MARAVILHOSO!
Mas antes de começar a falar sobre os motivos que me levaram a amar tanto esse livro (não se preocupem que não haverá spoiler em nenhum momento), vou apresentar o enredo para vocês. Em Um tom mais escuro de magia, descobrimos quatro dimensões de Londres, a Cinza, a Vermelha, a Branca e a Preta. Quando a Londres Preta sucumbiu à maldade, as outras três se fecharam e praticamente todo o contato entre elas foi interrompido.

“Então, Kell, inspirado pela cidade perdida conhecida por todos como Londres Preta, designara uma cor para cada capital remanescente. Cinza para a cidade sem magia. Vermelho para o império vigoroso. Branco para um mundo faminto.”

Apenas os antari, ou Viajantes, tinham a habilidade de viajar entre as diferentes dimensões de Londres. Kell é um dos últimos antari e serve à família real da Londres Vermelha, levando suas mensagens aos governantes da Londres Cinza e da Londres Branca. No entanto, além de seus serviços oficiais, Kell também age secretamente como contrabandista, negociando relíquias das diferentes Londres.
No entanto, esse passatempo perigoso de Kell vai render consequências que ele jamais poderia imaginar e, quando tenta concertar seu erro, seu caminho acaba encontrando o de Delila Bard. Habitante da Londres Cinza, Delila, que prefere ser chamada de Lila, é uma ladra esperta e sonha em fugir dali para viver uma grande aventura. Sua oportunidade aparece quando ela esbarra em Kell e rouba algo dele, mas depois o reencontra e salva sua vida. Juntos, eles acabam se envolvendo em uma perigosa aventura, cheia de mistérios e reviravoltas.

Tudo que falei até agora trata-se apenas da sinopse do livro e não dá para ter a menor noção do que é de fato essa história, porque é tudo maior e muito mais complexo do que se possa supor à princípio. E é aí que reside um dos grandes méritos do livro: a leitura se torna mais instigante à cada página devido às revelações que são feitas ao longo da história e à evolução dos personagens, fatores que contribuem para aumentar a complexidade do enredo.
E o que dizer dos personagens desse livro? São todos bem construídos pela autora, que consegue habilmente evitar clichês e estereótipos como mocinhos perfeitos, heroínas em perigo ou vilões desprezíveis. Em todos eles, é possível identificar conflitos entre o bem e o mal, o certo e o errado; e mesmo naqueles em que a maldade predomina completamente neles, há sempre algo que os torna assustadoramente humanos.

“Kell sempre se pegava falando com a magia. Não comandando, mas simplesmente conversando. A magia era algo vivo, isso todos sabiam. Mas ele sentia algo mais, como se ela fosse uma amiga, alguém da família”.

Falando especificamente dos dois protagonistas, não sei dizer qual dos dois eu gostei mais. O Kell encanta logo nas primeiras páginas por ser um personagem bom, altruísta, determinado e carismático, mas, aos poucos, percebemos que ele não é perfeito. Aliás, Kell comete erros graves e carrega dentro dele, como qualquer ser humano, o conflito entre o bem e o mal. No entanto, mesmo com suas fraquezas, em nenhum momento duvidamos do carácter de Kell. Afinal, pessoas boas também erram.
Já a Lila é provavelmente uma das personagens femininas mais fortes e inspiradoras que eu já li. Para começar, ela é esperta, corajosa e independente, dona de um humor afiado e uma personalidade muito forte. Apesar do caminho que escolheu não ser o mais digno, é impossível não admirar a sua força e capacidade de superação. Além disso, Lila não ficou se lamentando por ter sofrido na vida ou sonhando com um príncipe encantado para tirá-la dessa vida. Ela não perdeu sua capacidade de sonhar e quer vencer por si mesma, sem depender da boa-vontade de ninguém.

“E ali, pela primeira vez, Kell viu Lila. Não como ela queria ser vista, mas como ela era. Uma menina assustada apesar de esperta, tentando desesperadamente permanecer viva. Uma menina que provavelmente passara frio e fome e lutara, que quase certamente matara, para se agarrar a uma ilusão de vida, protegendo-a como uma vela na ventania.”

Destaco ainda que a autora soube evitar um problema que tem sido recorrente em livros de fantasia: romances que tiram o foco do enredo principal. Não vou dizer que eu não tenha sentido uma química entre alguns personagens ou que não torça para um casal, porque estaria mentindo. Mas isso nunca fica claro no livro, e a trama dinâmica e cheia de reviravoltas não abre espaço para que isso se torne o foco da história.
E como não mencionar a escrita incrível de V. E. Schwab? Ela escreve de uma maneira leve e envolvente, que quando você percebe já está completamente mergulhada na leitura. O universo que ela criou é rico, mágico e complexo, encantando por sua grandeza, em alguns momentos, mas chocando por sua brutalidade em outros. Além disso, mesmo se tratando de uma fantasia, temas recorrentes na nossa sociedade, como desigualdade, disputas de poder, miséria, ambição e conflito entre bem e mal, são bem trabalhados pela autora ao longo do livro.

Por fim, só me resta dizer que eu lamento não ter lido esse livro antes, pois já entrou para minha lista de favoritos. Fiquei completamente apaixonada por esta leitura e estou mais do que ansiosa para ler o segundo volume da série, Um encontro de sombras, que será lançado agora em agosto.
E, se você ainda não se convenceu a ler Um tom mais escuro de magia, aqui vai mais um incentivo: V. E. Schwab foi confirmada na Bienal do Rio desse ano. Então, se você ainda não leu essa obra incrível, vale a pena começar agora e se encantar com a escrita maravilhosa da autora.

Apaixonada por literatura desde pequena, nunca consegui ficar muito tempo sem um livro na mão. Assim, o Dicas de Malu é o espaço onde compartilho um pouco desse meu amor pelo mundo literário.




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