[Resenha] A caçadora de dragões - Iskari #1


Quem me acompanha aqui no blog já sabe que fantasia é o meu gênero favorito e está sempre presente nas minhas leituras. No entanto, recentemente reparei que quase não li obras envolvendo dragões, uma das criaturas fantásticas mais populares. Então, fiquei bastante animada quando soube do lançamento de A caçadora de dragões, da Kristen Ciccarelli.
Com um enredo bem diferente e original, esse livro entrou para a minha lista de desejados desde que a Editora Seguinte anunciou que iria publicá-lo no Brasil. Finalmente, eu consegui ler, no começo do mês, e vou poder contar para vocês o que achei da leitura.

Autora: Kristen Ciccarelli
Tradução: Eric Novello
Editora: Seguinte
Páginas: 408
Onde comprar: Amazon
Exemplar recebido de cortesia da editora
Sinopse: “Primeiro volume de uma trilogia fantástica, em que dragões e humanos estão em guerra — e cabe a uma garota matar todos eles. Quando era criança, Asha, a filha do rei de Firgaard, era atormentada por sucessivos pesadelos. Para ajudá-la, a única solução que sua mãe encontrou foi lhe contar histórias antigas, que muitos temiam ser capazes de atrair dragões, os maiores inimigos do reino. Envolvida pelos contos, a pequena Asha acabou despertando Kozu, o mais feroz de todos os dragões, que queimou a cidade e matou milhares de pessoas — um peso que a garota ainda carrega nas costas. Agora, aos dezessete anos, ela se tornou uma caçadora de dragões temida por todos. Quando recebe de seu pai a missão de matar Kozu, Asha vê uma oportunidade de se redimir frente a seu povo. Mas a garota não vai conseguir concluir a tarefa sem antes descobrir a verdade sobre si mesma — e perceber que mesmo as pessoas destinadas à maldade podem mudar o próprio destino.”
                       
Primeiro volume da trilogia Iskari, A caçadora de dragões apresenta ao leitor um universo completamente diferente. No reino de Firgaard, os dragões são considerados inimigos e as histórias antigas são proibidas por terem o poder de atraí-los. No entanto, quando a pequena Asha, a filha do rei, tinha pesadelos, eram as histórias contadas por sua mãe que conseguiam acalmá-la.
Ela fez isso tantas vezes que, um dia, acordou o dragão mais mortal de todos, tão escuro quanto uma noite sem lua. Tão antigo quanto o próprio tempo. Kozu, o primeiro dragão. Ele queria possuir a garota. Queria acumular o poder mortal que ela derramava de seus lábios. Queria que contasse histórias somente para ele. Para todo o sempre. Kozu a fez perceber o que ela havia se tornado. Ele a marcou com uma cicatriz. Então ela parou de contar histórias antigas.
Asha acaba mergulhando tão intensamente nesses contos que acabou atraindo Kozu, o maior dos dragões, que acabou queimando a cidade e matando milhares de pessoas. A menina sobreviveu, mas ficou com marcas físicas e emocionais, sendo a culpa a mais dolorosa de todas. Anos depois, Asha quer vingança e, para isso, assume a responsabilidade de matar e caçar os dragões até sua extinção. Até que chega o dia em que recebe do seu pai a missão de matar Kozu, o que daria a ela sua chance de se vingar e a liberação de seu compromisso de casar com Jarek, o perverso comandante do exército.
No entanto, quando o caminho de Asha cruza com o do escravo de Jarek, a garota começa a perceber que há muito mais coisas acontecendo no seu reino do que ela imagina. Durante sua missão, Asha descobre verdades que abalam tudo que ela sempre acreditou, inclusive sobre ela mesma.


Preciso começar essa resenha dizendo que o universo desse livro é um dos mais complexos e interessantes que já li. Não apenas pela intricada estrutura social de Firgaard, mas por todas as histórias e lendas desse reino que vão se intercalando com a trama e têm um papel fundamental no mundo apresentado pela autora. Desde o começo do livro, alguns contos que narram as histórias antigas são intercalados com os capítulos, permitindo ao leitor ir juntando as peças ao longo do livro até compreender o que realmente tinha acontecido em Firgaard.
As histórias antigas eram como galhos de argânia e Kozu era a raiz sedenta: se cortada, tudo murcharia e morreria. O silêncio no coração do primeiro dragão calaria para sempre as histórias, e com elas a ligação do Antigo com seu povo.”
No entanto, achei que, no início, a escrita mais direta da autora deixou a leitura muito confusa. Não apenas o universo apresentado é complexo, mas também a estrutura social daquele reino e a própria relação entre os personagens. O livro já começa com muita informação e eu só fui conseguir entender melhor tudo que foi apresentado quando já tinha lido mais de 100 páginas. Com isso, tive dificuldade para me envolver com a leitura.
Além disso, não ajudou muito o fato de Asha não ser uma personagem muito carismática. No começo, ela era imatura e preconceituosa, e se mostrava alheia a problemas evidentes do seu reino.  No entanto, preciso dizer que ela amadurece muito ao longo da trama e um dos pontos que mais gostei nessa leitura é que essa transformação da protagonista acontece de modo natural. Sem fazer uma alteração brusca na personalidade dela, a autora traz acontecimentos ao longo do livro que, não apenas tornam as ações de Asha mais compreensíveis, como justificam as mudanças que ela passa ao longo da trama.
Ela queria se libertar de Jarek. Queria se redimir de seus crimes. Queria vingança contra aquele que a havia queimado e levado destruição a Firgaard. Mas e se o crime não tivesse sido obra dela? E se o inimigo não fosse quem ela tinha achado por tanto tempo?
Porém, antes de Asha se tornar uma personagem mais agradável e, até mesmo cativante, quem manteve o meu interesse no livro foram os personagens secundários. Em especial, eu fiquei completamente apaixonada pelo Torwin, o escravo de Jarek. Inteligente, forte, íntegro e muito maduro, Torwin é daqueles personagens que a gente quer guardar num potinho e proteger para sempre. Além dele, adorei o Dax, irmão da Asha, que tem um papel muito importante na trama e no desenvolvimento da protagonista.
Claro que há romance na história e, nesse caso, eu acho que ele contribuiu muito para a trama. Sempre me preocupo que o foco seja perdido quando há romance em livros de fantasia. No entanto, felizmente, isso não aconteceu. A relação que surgiu na história foi muito bonita e bem construída, ajudando no desenvolvimento dos personagens, mas não se sobrepondo aos eventos relevantes da trama.



E o que dizer dos dragões? A forma como a autora inseriu essas criaturas fantásticas na trama foi sensacional. Eles são fundamentais para compreender a história de Firgaard e a relação deles com os humanos é um dos pontos mais bonitos e interessantes do livro. Confesso que terminei o livro mais apegada a eles do que a muitos personagens, incluindo a protagonista.
Havia muito pouco tempo, Asha tinha certeza de que eles não compartilhavam nada em comum, ela e aquele garoto. Agora sabia que a única diferença entre os dois era que Torwin tinha correntes em torno do pescoço, enquanto as dela eram invisíveis.
Com relação à escrita da autora, confesso que tive algumas ressalvas. Esse foi o primeiro livro da Kristen Ciccarelli que eu li e, por mais que tenha gostado do universo criado por ela, achei que deixou a desejar tanto na ambientação quanto na descrição de algumas cenas. Como disse no começo da resenha, eu demorei a conseguir me situar no livro e entender como aquele universo funcionava. Além disso, nos momentos de ação, faltou uma descrição mais clara, que me permitisse visualizar melhor o que estava acontecendo. 
Com relação ao final, achei que foi um pouco apressado. Pontos centrais da história foram resolvidos muito rapidamente, o que tirou um pouco o brilho de acontecimentos importantes. No entanto, as últimas páginas acabam compensando por encerrarem o livro de uma maneira muito bonita e construindo um ótimo gancho para a continuação.
De um modo geral, A caçadora de dragões iniciou bem a trilogia e apresentou um universo rico e complexo, capaz de atrair os leitores que amam uma boa fantasia. A forma como os dragões foram apresentados nesse livro foi simplesmente fascinante, o que, associado aos interessantes contos presentes na trama e ao carisma dos personagens, superou as dificuldades que tive ao longo da leitura e fez com que eu ficasse motivada a ler as continuações. Então, se você, como eu, também gosta de fantasia e está com vontade de ler uma boa história com dragões, lendas, aventura e romance, não pode deixar de conferir essa dica. E se você conhece outros livros envolvendo essas criaturas fantásticas, não deixe de me contar aí nos comentários.

Apaixonada por literatura desde pequena, nunca consegui ficar muito tempo sem um livro na mão. Assim, o Dicas de Malu é o espaço onde compartilho um pouco desse meu amor pelo mundo literário.




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