[Resenha] Uma dama fora dos padrões


Começo de ano é sempre uma ótima oportunidade de colocar as pendências em dia e, por isso, quero aproveitar para trazer indicação de alguns livros que li o ano passado e não comentei aqui. E, para hoje, escolhi fazer a resenha de Uma dama fora dos padrões, da Julia Quinn, cuja continuação acabou de ser lançada pela Editora Arqueiro.

Nesse livro, que inaugura a série Os Rokesbys, Julia Quinn apresenta uma nova família, mas que tem uma forte ligação com outra bem famosa entre os seus leitores. Se você pensou em os Bridgertons, acertou. Muito antes dos amados irmãos Bridgertons, as duas famílias estiveram intimamente ligadas, e agora é a vez de Julia Quinn apresentar a história dos Rokesbys. Será que iremos nos encantar novamente por irmãos escritos pela autora?

Autora: Julia Quinn
Editora: Arqueiro
Páginas: 272
Tradução: Viviane Diniz
Onde comprar: Amazon
Sinopse: “Primeiro livro da nova série de Julia Quinn, Os Rokesbys. Julia Quinn já vendeu mais de 850 mil livros pela Editora Arqueiro. Às vezes você encontra o amor nos lugares mais inesperados... Esta não é uma dessas vezes. Todos esperam que Billie Bridgerton se case com um dos irmãos Rokesbys. As duas famílias são vizinhas há séculos e, quando criança, a levada Billie adorava brincar com Edward e Andrew. Qualquer um deles seria um marido perfeito... algum dia. Às vezes você se apaixona exatamente pela pessoa que acha que deveria... Ou não. Há apenas um irmão Rokesby que Billie simplesmente não suporta: George. Ele até pode ser o mais velho e herdeiro do condado, mas é arrogante e irritante. Billie tem certeza de que ele também não gosta nem um pouco dela, o que é perfeitamente conveniente. Mas às vezes o destino tem um senso de humor perverso... Porque quando Billie e George são obrigados a ficar juntos num lugar inusitado, um novo tipo de faísca começa a surgir. E no momento em que esses adversários da vida inteira finalmente se beijam, descobrem que a pessoa que detestam talvez seja a mesma sem a qual não conseguem viver.”

A jovem e impulsiva Billie Bridgerton sempre foi próxima dos irmãos Rokesbys. Suas famílias eram vizinhas e muito amigas, fazendo com que os filhos e filhas crescessem todos juntos. À medida que se tornaram adultos, começaram as expectativas de que Billie se casasse com algum dos irmãos, e ela ficaria perfeitamente satisfeita em aceitar Andrew ou Edward. O único que ela não conseguia se imaginar tendo um diálogo educado e, muito menos, casando, era George, o mais velho dos irmãos Rokesby. Os dois não se suportavam e ninguém que os conhecesse poderia imaginar um casamento entre eles. Porém, o amor nunca teve muita lógica, não é mesmo?
“Aquela deveria ser a atração mais inconveniente da história. Billie Bridgerton, pelo amor de Deus. Ela era tudo             que ele nunca quisera em uma mulher. Era teimosa, estupidamente imprudente e, se ela tivera um momento feminino na vida, ele nunca tinha visto. E ainda assim... Ele a queria.”

Quando George e Billie ficam presos em uma situação bastante inusitada, acabam sendo levados a se aproximarem. E, de uma grande confusão, surgiu uma inesperada cumplicidade e a percepção de que, mesmo tendo crescido juntos, talvez eles não se conhecessem tão bem quanto esperavam. E, quando finalmente se beijam, Billie e George começam a se perguntar se é possível se apaixonar pela pessoa que mais detesta. 


Minha experiência com Uma dama fora dos padrões, foi bem diferente dos outros livros que já li da Julia Quinn. Para começar, pela primeira vez, eu não me vi envolvida logo de cara. No começo, a história não estava me prendendo e eu tive medo de ser uma decepção. Porém, tive que interromper a leitura por alguns dias e, quando recomecei, simplesmente devorei o livro.
Uma Dama fora dos padrões é um livro bem leve e, para minha surpresa, com uma trama mais simples do que estamos acostumados a ver nos livros da Julia Quinn. Assim, trata-se de uma trama sem grandes acontecimentos ou dramas. No entanto, isso não é um aspecto ruim. Ao contrário, achei uma leitura ideal para um dia tranquilo, daquelas que envolvem o leitor com um enredo simples e divertido.
Aliás, apesar das diferenças desse livro, o senso de humor característico das obras da Julia Quinn está presente também. Com dois protagonistas que não se suportam, é claro que os clássicos diálogos cheios de ironias e alfinetadas não poderiam. Além disso, assim como nos livros da série Os Bridgertons, esse também é repleto de momentos engraçados em família, com muitas implicâncias e discussões divertidas.
“Billie tinha essa coisa – não era exatamente charme, mas uma confiança louca e imprudente – que fazia as pessoas ficarem ao seu lado. A família dela, a família dele, todo o maldito vilarejo – todo mundo a adorava. Ela era dona de um sorriso largo e uma risada contagiante, e Deus do céu, como era possível que ele fosse a única pessoa na Inglaterra que parecia perceber o perigo que ela representava para a humanidade?”
Com relação aos personagens, Billie é uma mocinha que faz jus ao título do livro. Se tem uma personagem que não segue o padrão, é ela. Billie não se importa muito com vestidos ou festas, ela gosta de aproveitar a vida no campo e sempre acompanhou o pai nas tarefas relativas à administração da propriedade. Confesso que ela pode ser um pouco irritante algumas vezes, devido ao seu jeito teimoso e impulsivo. No entanto, ela tem uma inocência e uma espontaneidade que acabam conquistando a simpatia do leitor.
Já o George não poderia ser mais diferente de Billie e, ainda assim, também é muito carismático. Ele é mais sério e controlado, seguindo perfeitamente os padrões e normas da sociedade. Porém, acabou me conquistando por dois motivos. O primeiro deles é o amor que ele demonstra pela família, especialmente os irmãos. É uma relação de tanta lealdade e afeto, que é impossível não admirar.
“Porque durante anos nada tivera significado, ao menos não para aqueles que tinham sido deixados para trás. George estava cansado de ser inútil, de fingir que era mais valioso do que os irmãos por ser o primogênito.”

Além disso, George é uma pessoa muito solitária. Por sua posição de filho mais velho, ele foi criado se preparando paras responsabilidade que iria assumir e, portanto, mais afastado dos seus irmãos e das crianças da família Bridgerton. Deste modo, George sempre se sentiu isolado dos demais e sentia falta da cumplicidade que existia entre os outros. E, mais do que isso, ele ainda se sentia um pouco inferior aos irmãos caçulas, que serviam a Inglaterra durante a guerra, enquanto ele permanecia no campo.



Com dois personagens tão diferentes, já dá para imaginar aquela típica relação de cão e gato, né? Mas o que eu mais gostei desse livro é que, por mais que os dois se detestassem no início, ainda se preocupavam um com o outro por causa da ligação entre suas famílias. George não deixa de estender a mão quando Billie precisa e ela, por sua vez, também se preocupa com o bem-estar dele. Assim, por baixo de toda aquela aparente hostilidade, já existia um carinho genuíno entre eles.
“Ela estava em apuros, portanto ele não tinha escolha. Precisava ajudá-la por mais irritante que a achasse.’
O romance acontece, então, de maneira muito natural na trama. Os dois passam por uma situação bem inusitada (e hilária) e acabam percebendo coisas um sobre o outro que nunca tinham imaginado. A partir daí a relação deles se transforma de uma maneira gradual, à medida que eles passam a se conhecer de verdade e compreender melhor o comportamento um do outro.
“Era tudo tão louco, tão errado e ainda assim tão perfeito... Era todas as sensações do mundo envoltas em uma mulher.”
Não posso deixar de mencionar também os personagens secundários. Assim como aconteceu na série Os Bridgertons, em que a família tem um grande destaque, tanto os parentes de Billie como o de George são fundamentais na trama e me cativaram. Em especial, eu amei o Andrew, irmão do George, e a Georgiana, irmã mais nova de Billie. Acredito que os dois vão ganhar mais espaço nos próximos livros e estou bastante ansiosa para isso.
Com relação à escrita de Julia Quinn, acho que nem preciso falar muito né? Ela tem o dom para escrever histórias leves, envolventes e com personagens muito carismáticos. E, por mais que essa trama não tenha grandes acontecimentos, a leitura não se tornou maçante pela facilidade com que a autora desenvolve a história, com muitos diálogos divertidos e protagonistas que são carismáticos o suficiente para que o leitor se importe com o que irá acontecer com eles.
Deste modo, Uma dama fora dos padrões foi uma leitura um pouco diferente do que eu imaginava, mas que me envolveu e divertiu como costuma acontecer com os livros da Julia Quinn. É um romance de época bem tranquilo, ideal para ler em um final de semana, e que inaugura muito bem a série Os Rokesbys. Assim, eu não só recomendo esse livro, como estou ansiosa para ler a continuação, Um marido de faz de conta, que acaba de ser publicado pela editora Arqueiro e já está à venda (aqui).

[Resenha] Uma noiva para Winterborne


Olá, pessoal! Tudo bem com vocês? Hoje eu vim trazer uma resenha que estava devendo há algum tempo: Uma noiva para Winterbone, da Lisa Kleypas. Eu li esse livro em julho do ano passado, porém, foi bem na época que estava me preparando para ir para a Bienal de São Paulo. Resultado: a resenha ficou para depois e, até hoje, eu não tinha conseguido postar.
Porém, já passou de hora de falar sobre esse livro. Primeiro, porque a continuação já foi publicada (a resenha dele sairá em breve também) e o próximo será lançado mês que vem. Segundo, porque Uma noiva para Winterborne foi um dos meus livros favoritos de 2018 e se tornou um dos meus romances de época preferidos. Então, não vejo a hora de contar para vocês os motivos que fizeram com que eu amasse essa leitura.

Autora: Lisa Kleypas
Editora: Arqueiro
Tradução: Ana Rodrigues
Páginas: 336                 
Onde comprar: Amazon
Sinopse: “Lisa Kleypas escreveu mais de 40 romances, que são best-sellers no mundo todo e foram traduzidos para 28 idiomas. “Altamente romântico e elegantemente escrito.” – Kirkus Reviews “Uma história viciante e recompensadora.” – Library Journal Rhys Winterborne conquistou uma fortuna incalculável graças a sua ambição ferrenha. Filho de comerciante, ele se acostumou a conseguir exatamente o que quer – nos negócios e em tudo mais. No momento em que conhece a tímida aristocrata lady Helen Ravenel, decide que ela será sua. Se for preciso macular a honra dela para garantir que se case com ele, melhor ainda. Apesar de sua inocência, a sedução perseverante de Rhys desperta em Helen uma intensa e mútua paixão. Só que Rhys tem muitos inimigos que conspiram contra os dois. Além disso, Helen guarda um segredo sombrio que poderá separá-los para sempre. Os riscos ao amor deles são inimagináveis, mas a recompensa é uma vida inteira de felicidade. Com uma trama recheada de diálogos bem-humorados e cenas sensuais e românticas, Uma noiva para Winterborne é o segundo volume da coleção Os Ravenels.”

Por se tratar de uma continuação, esse livro tem relação com o livro o anterior. Por isso, a resenha pode conter spoiler para quem não leu ainda Um sedutor sem coração (resenha aqui)

Uma noiva para Winterbone começa do ponto em que o livro anterior havia terminado: o breve noivado entre Helen e Rhys havia sido rompido e a família dela não tinha a menor intenção de permitir a união. O problema é que, por mais improvável que pudesse parecer que uma jovem meiga e elegante como Helen pudesse desejar se casar com um homem rude e pragmático como Rhys, era exatamente isso que ela desejava e que deixou claro ao procurá-lo. Os dois decidem, então que, apesar de suas diferenças, iriam se casar, mesmo que precisassem comprometer a reputação de Helen para isso.
Com a convivência, ambos começam a descobrir que podem ter mais em comum do que imaginavam e que um poderia ser exatamente o que o outro precisava. No entanto, segredos do passado podem assombrar essa relação e fazer com que Helen se questione se Rhys realmente se importa com ela ou se ele só quer uma forma de alcançar a aristocracia.

“Ele era a única pessoa que já havia se aproximado daquele lugar secreto – e que talvez, algum dia, conseguisse acabar com a solidão que Helen sempre guardara dentro de si. Talvez se arrependesse caso viesse a se casar com o Sr. Winterborne. Mas certamente não tanto quanto se arrependeria caso não se arriscasse.”


Sempre ouvi dizer que o segundo livro de uma série costuma ser mais fraco do que o primeiro. Porém, isso definitivamente não se aplica ao caso de Uma noiva para Winterbone. Por mais que eu tenha gostado muito de Um sedutor sem coração, não tem comparação com o que eu senti enquanto lia a história de Helen e Rhys.
Para começar, os dois são protagonistas incríveis, tanto individualmente quanto como um casal. É lindo ver como eles conseguem superar as suas aparentes diferenças e descobrir pontos em comum. Os dois conseguem enxergar além da aparência e realmente compreender quem o outro é. Além disso, gostei do fato de que eles não tentam mudam um ao outro. Pelo contrário, é uma relação marcada pelo respeito, compreensão e admiração.
“Você me perguntou se lamento nosso noivado. Não. Eu lamento cada minuto que você está fora do alcance dos meus olhos. Lamento cada passo que dou e não me leva para mais perto de você.”
A relação deles se torna ainda mais especial quando consideramos o histórico de ambos. Helen sempre foi negligenciada pela família e teve pouco espaço para decidir sua vida e ter suas vontades respeitadas. Assim, ela foi se tornando uma pessoa introspectiva, calada e muito tímida. No entanto, Helen tem muita personalidade e, ao longo do livro, vai ganhando confiança para demonstrar isso. Deste modo, me surpreendi muito com a força da personagem e com a evolução que ela tem ao longo do livro. A determinação com que ela luta por seus objetivos e pelo direito de ter suas vontades respeitadas conquistaram minha admiração e fizeram com que eu torcesse mais ainda por sua felicidade.
Já o Rhys está longe de ser aquele típico mocinho de romances de época, nobre e cavalheiro. Apesar de ter conquistado fortuna, ele não possuía título de nobreza e, por isso, não era respeitado na alta sociedade. As pessoas o menosprezavam e Rhys sabia que só era tolerado por conta de seu dinheiro. Óbvio que isso deixou marcas nele e aumentou ainda mais seu desejo de se provar e entrar para a alta sociedade. No entanto, o que me fez admirá-lo mais é o fato de que Rhys não deixou que essa vontade fizesse com que ele mudasse sua essência para ser aceito.
“ – Quando a pessoa cresce sem alguma coisa, aquela ausência permanece para sempre com ela – falou Winterborne. – Mesmo quanto finalmente consegue preenchê-la.”



Outro aspecto que não posso deixar de mencionar é que os personagens secundários são igualmente cativantes. Os membros da família Ravenel tiveram muito destaque e gostei muito de ver a relação deles se aprofundando. Em especial, as gêmeas Cassandra e Pandora ganharam mais espaço e dá para imaginar que elas irão aprontar muito nos próximos livros. Há ainda novos personagens, que acrescentaram à trama e devem ganhar mais destaque nos próximos volumes. Em especial, adorei a Dra. Garret Gibson, que tem que lutar contra o preconceito por ser mulher em uma época em que a medicina era exercida praticamente só pelos homens.
Com relação à trama, ela é leve e envolvente, como os livros da Lisa Kleypas costumam ser, mas consegue ir além do romance. Além de trabalhar bem o desenvolvimento pessoal dos personagens, o livro ainda aborda o contexto social da época. Assim, a autora insere na trama situações que mostram problemas daquele período histórico, como a limitação do papel das mulheres, os conflitos entre a nobreza e a burguesia ascendente, e a grande desigualdade social.
“Tudo por causa de uma mulher que ele soubera muito bem que não deveria querer. Lady Helen Ravenel... uma mulher instruída, inocente, tímida, aristocrática. Tudo o que ele não era.”
Eu não poderia deixar de mencionar também a escrita da Lisa Kleypas. Parece que a cada livro que eu leio dela, gosto mais da maneira como ela conduz o romance, constrói seus personagens e desenvolve a trama. Gosto muito que, mesmo trazendo humor e sensualidade para seus livros, ela não deixa de conferir complexidade aos seus personagens, com dramas muito convincentes, e ainda se aprofundar mais no contexto histórico do que estamos acostumados a ver nos romances de época.
Não preciso nem dizer que eu recomendo muito Uma noiva para Winterborne e, consequentemente, a série Os Ravenels. Esse foi um romance que superou todas as minhas expectativas e me conquistou pelo ótimo desenvolvimento dos personagens e da relação entre eles. Fiquei ainda mais apegada aos Ravenels e não vejo a hora de acompanhar as aventuras dos demais membros da família. O terceiro volume eu já li e a resenha sai em breve, e agora estou aguardando ansiosa o lançamento do quarto (pré-venda aqui).

Apaixonada por literatura desde pequena, nunca consegui ficar muito tempo sem um livro na mão. Assim, o Dicas de Malu é o espaço onde compartilho um pouco desse meu amor pelo mundo literário.




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