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[Resenha] Destruidor de Espadas - vol. 2


Quando Destruidor de Mundos foi lançado, em 2021, eu tive uma grande surpresa. Confesso que depois da decepção que tive com o último livro da série A Rainha Vermelha, eu não esperava gostar de outro livro da Victoria Aveyard. Porém, o que aconteceu foi que eu me apaixonei pelo universo que ela criou nessa nova série e me vi sedenta por sua continuação (confira a resenha aqui).

Assim, não é surpresa para ninguém que Destruidor de Espadas estava entre os meus lançamentos mais aguardados de 2022. Publicado pela Editora Seguinte, ele estava nas minhas previsões de favoritos e, desde que foi anunciado, eu não via a hora de começar a leitura.

Felizmente, deu tempo de ler ainda no ano passado e eu não poderia escolher outro para ser a minha primeira resenha do ano por aqui. Então, hoje vou contar um pouco do que achei de Destruidor de Espadas e minhas expectativas em relação à essa série. 

A resenha não contém spoilers de Destruidor de Espadas, porém, pode conter informações sobre o primeiro livro. Portanto, caso não tenha lido Destruidor de Mundos ainda, recomendo não continuar lendo esta resenha.

 


Autora: Victoria Aveyard

Editora: Seguinte

Tradução: Guilherme Miranda e Sofia Soter

Páginas: 560

Exemplar cedido de cortesia pela editora

Onde comprar: Livro físico (Amazon) | E-book (Amazon)

Sinopse: "No segundo volume dessa fantasia épica viciante, Corayne chega mais perto de se tornar uma heroína ― mas uma nova ameaça está à espreita. Corayne não imaginava o que vinha pela frente quando um imortal e uma assassina bateram à sua porta. Eles anunciaram que ela era a única capaz de deter Taristan, um homem sedento por poder que estava abrindo portais para outros mundos, lares de criaturas aterrorizantes. Desesperada por uma aventura, ela partiu determinada a cumprir essa missão, com a ajuda de uma espada especial e de um grupo improvável de aliados. Depois de uma batalha que quase lhes custou a vida, Corayne e os Companheiros conseguiram fechar um dos portais. Mas eles sabem que essa guerra está longe de acabar… Afinal, Taristan avança ao lado da rainha Erida, conquistando mais e mais territórios pelo caminho. Quando percebem que o cerco está se fechando, resta aos Companheiros formar seu próprio exército. Num esforço de unir reinos há muito tempo divididos, eles vão enfrentar assassinos ardilosos, feras terríveis e mares tempestuosos. Tudo isso enquanto descobrem da pior forma que Taristan libertou um perigo ancestral, capaz de colocar em risco até a vida dos guerreiros mais poderosos."

 

Em Destruidor de Espadas, vamos continuar exatamente do ponto em que o anterior parou. Depois de destruir um dos fusos, o improvável grupo composto pela jovem heroína Corayne, o ancião Dom, o escudeiro Andry, a assina Corasa e a velha feiticeira Valtik, precisam seguir em sua missão de destruir os fusos restantes e salvar o seu mundo.

Para isso, os Companheiros precisarão superar os traumas por tudo que viveram até ali e seguir em frente. Com o inimigo se mostrando cada vez mais perigoso e avançando cada vez mais, eles precisarão ir em busca de aliados para formar o seu próprio exército.

Mas com o mal que Taristan e a rainha Erida liberaram, será que até mesmo os mais fortes guerreiros serão suficientes para salvar o mundo?



 

Começando de onde o primeiro volume parou, Destruidor de Espadas leva os personagens em uma jornada que se torna a cada página mais perigosa e cheia de aventuras, mas também extremamente instigante. Após ter dedicado a maior parte de Destruidor de Mundos a apresentar os personagens e o universo, aqui Victoria Aveyard teve liberdade para se aprofundar ainda mais neles e fazer a história finalmente andar.

Em relação ao universo, ela apresenta novos reinos, traz mais da parte política e insere mais conflitos e ameaças. E o mais interessante foi como a autora conseguiu diferenciar bem cada um dos reinos desse mundo, tanto pelos detalhes de ambientação quando pelas diferenças culturais. Isso enriqueceu o universo e me deixou cada vez mais envolvida por ele.

Outro ponto importante foi o desenvolvimento dos personagens. A autora soube explorar bem os conflitos da maioria deles, embora um ou outro ainda estejam meio deslocados (algo que acredito que será corrigido no próximo livro). Entre os Companheiros, gostei de ver como Corayne amadureceu e ganhou confiança. Além disso, me sensibilizei com os conflitos de Andry e Dom que precisam lidar com as marcas por tudo que viveram e o sentimento de culpa por terem sobrevivido enquanto pessoas queridas não conseguiram.

E preciso destacar a Sorasa. Eu amo o humor ácido e afiado dela, que em muitos aspectos me lembra a Celaena de Trono de Vidro. Mas mais do que isso, é uma personagem que complexa, que passou por situações terríveis, e gostei muito de como a autora está desenvolvendo os conflitos dela.

E não pensem que os vilões ficam em segundo plano. Eles se destacaram muito no livro e foram ganhando camadas que fizeram com que se tornassem cada vez mais interessantes. Ao invés de personagens planos, definidos apenas por sua maldade, Taristan e Erida são complexos e têm lampejos em que vemos sua humanidade (embora, felizmente, em momento algum a autora tente justificar as atitudes deles).

E, em relação à trama, achei que a autora conseguiu deixá-la muito mais dinâmica e envolvente do que no volume anterior. Há muito mais ação e um senso de urgência e perigo que tornam a leitura mais eletrizante. Além disso, a autora soube dosar esses momentos de tensão e aventura, com fantasia, intrigas políticas e ainda inserir um toque de romance que se encaixou perfeitamente na trama. ⠀⠀⠀

O final foi daqueles de tirar o fôlego e me deixou desesperada pelo próximo. Apesar de não ter grandes reviravoltas, ele se encerra no momento de maior tensão. Um momento que me deixou surtando por respostas e desesperada para saber o que aconteceria. Como que termina o livro assim, Victoria? Não vou falar nada sobre isso, mas se preparem para muita ação e um desfecho eletrizante.

Assim, Destruidor de espadas entregou tudo que eu esperava. A autora teve espaço para se aprofundar mais nos personagens e nos conflitos da trama, ao mesmo tempo que ampliou o universo e o tornou ainda mais rico e fascinante. Tendo terminado a leitura completamente apegada aos personagens e ansiosa por saber qual será o destino deles, não vejo a hora de ter notícias sobre o próximo volume.⠀⠀⠀

E vocês, já conheciam Destruidor de Espadas? Leram algo da Victoria Aveyard? Me contem aí nos comentários.

Guiness Book Tag



Olá, pessoal! Como andam as leituras de vocês? Esses dias eu não tenho lido tanto (culpa da Copa do Mundo), mas resolvi aproveitar para trazer alguns posts que estava devendo aqui. Um deles é uma tag que fui marcada há 84 anos pela Ste do instagram @stebookaholic e pela Diandra do @bibliotecadadi, a Guiness Book Tag.
Essa tag é bem simples e consiste em alguns “recordes” envolvendo minhas leituras e os livros que entraram na minha estante. Originalmente, as perguntas teriam como base o ano de 2017, mas como já estamos no meio do ano, vou responder considerando os livros de 2018. Então, sem mais delongas, vamos às minhas respostas.

Recorde de leitura: livro lido mais rápido
Esse ano, surpreendentemente, li muitos livros que foram rápidos de ler. Foram leituras super envolventes, que me prenderam completamente e eu só consegui largar depois que terminei. Porém, eu acho que o maior recorde foi Um verão na Itália, da Carrie Elks. Eu comecei a ler esse livro assim que ele chegou, no finalzinho da tarde, e só não terminei no mesmo dia porque eu queria que a leitura durasse mais. Mesmo assim, terminei no dia seguinte de manhã, assim que acordei.

Recorde de lerdeza: livro mais demorado para ler
Como eu disse, esse ano as minhas leituras têm fluído bem e muitos livros que eu li foram bem rápidos. Não me recordo de nenhum livro que tenha sido realmente lento de ler em 2018, porém, o que mais se aproximou disso foi Destinado, da Carina Rissi. Terceiro volume da série Perdida, esse livro não me prendeu como os outros e, por causa disso, a leitura foi um pouco mais devagar que de costume.

Recorde de leitura: o maior livro lido em 2018
Sem dúvida, o maior livro que eu li em 2018, até agora, foi Tempestade de Guerra, da Victoria Aveyard. O quarto volume de A Rainha Vermelha é o mais longo da série, contando com 700 páginas. Felizmente, a escrita da autora é muito envolvente e eu nem senti o tempo passando enquanto lia. Por outro lado, o fato de ser um livro tão grande deixou o final ainda mais frustrante. Afinal, é triste chegar no último volume de uma série, ler tantas páginas, e não ter suas perguntas respondidas né?

Recorde de valor: livro mais caro comprado
Essa pergunta foi complicada de responder, porque eu só compro livros em promoção. É muito livro para pouco dinheiro, então, eu sempre pesquiso muito antes de comprar para ver se está realmente compensando. Mas, para não deixar essa pergunta sem resposta, acredito que o livro mais caro que comprei esse ano é Heroína da Alvorada, da Alwyn Hamilton. Assim mesmo, comprei com desconto e frete grátis, então, também não foi caro. (E que continue assim no segundo semestre!)

Recorde de beleza: a capa mais bonita da estante
Nessa categoria, teve empate. Eu simplesmente não sei escolher entre Heroína da Alvorada e Chronos: Viajantes do Tempo. Sério, são dois livros que eu fiquei horas admirando depois que chegaram em casa. Além disso, não são só as capas que são bonitas. As edições de ambos os livros estão muito caprichadas e cheias de detalhes. Chronos eu ainda não li, mas está na minha meta de leitura. 

Recorde de escrita: melhor autor/ autora
Vocês provavelmente vão cansar de mim, mas esse ano Alwyn Hamilton entrou definitivamente para o grupo dos meus autores preferidos e eu não poderia deixar de mencioná-la aqui. O final que ela deu para a trilogia A Rebelde do Deserto foi um dos mais bonitos e bem construídos que já li. Porém, para vocês não me odiarem, também vou citar uma autora que tem sido muito marcante nas minhas leituras de 2018: a Lisa Kleypas. Li 5 livros dela esse ano e todos foram romances de época apaixonantes e muito gostosos de ler.

Recorde de sedução: girl magia do ano
Esse ano foi marcado por protagonistas femininas maravilhosas e que eu adoraria citar aqui. Porém, eu vou citar a que foi a maior surpresa do ano, para mim, e que, apesar de não ser protagonista, é uma das melhores personagens da série A Rainha Vermelha: Evangeline Samos. Se você leu só os dois primeiros livros, deve estar achando que eu enlouqueci. Porém, Evangeline rouba a cena em A Prisão do Rei e em Tempestade de Guerra, e é uma personagem feminina maravilhosa.

Bônus: como esse ano também está sendo repleto de boys magia literários (e que continue assim no segundo semestre), não podia deixar de mencionar pelo menos um né? Então, escolhi o Ben do livro Mais que amigos, um personagem que conquistou minha admiração e meu coração do começo ao final desta leitura. Ele é carismático, divertido, um amigo maravilhoso e ainda tem alguns conflitos e uma vulnerabilidade que o tornam ainda mais especial. 

Framboesa do ano: Pior livro de 2018
Não li nenhum livro realmente ruim em 2018, mas, infelizmente, tive algumas decepções. Acho que a maior delas foi “Sinceramente, Carter”, da Whitney G. Já tinha visto várias pessoas elogiando esse new adult, mas, apesar de ser uma leitura leve e fluida, o livro acabou sendo bem decepcionante. Achei a trama rasa, os personagens irritantes e, por causa disso, o romance demorou a me convencer.

Então, o que acharam da tag e das minhas respostas? Me contem aí nos comentários quais foram os recordes das leituras de vocês e quais destes livros que eu citei vocês já leram. E, para quem se interessou por algum deles, deixo o link de compra na Amazon aqui. Comprando por ele, vocês ajudam o Dicas de Malu com uma pequena porcentagem do valor final da compra, sem ter nenhum custo a mais.

[Resenha] Tempestade de Guerra

Autora: Victoria Aveyard
Páginas: 702
Editora: Seguinte
Onde comprar: Amazon
Sinopse: “No aguardado desfecho da série A Rainha Vermelha, descubra qual poder sairá vencedor depois que a tempestade de guerra passar. A autora do livro, Victoria Aveyard, virá ao Brasil para a Bienal Internacional do Livro de São Paulo de 2018. Mare Barrow aprendeu rápido que, para vencer, é preciso pagar um preço muito alto. Depois da traição de Cal, ela se esforça para proteger seu coração e continuar a lutar junto aos rebeldes pela liberdade de todos os vermelhos e sanguenovos de Norta. A jovem fará de tudo para derrubar o governo de uma vez por todas — começando pela coroa de Maven. Mas nenhuma guerra pode ser vencida sem ajuda, e logo Mare se vê obrigada a se unir ao garoto que partiu seu coração para derrotar aquele que quase a destruiu. Cal tem aliados prateados poderosos que, somados à Guarda Escarlate, se tornam uma força imbatível. Por outro lado, Maven é guiado por uma obsessão profunda e fará qualquer coisa para ter Mare de volta, nem que tenha que passar por cima de tudo — e todos — no caminho.”

Olá, pessoal! Como vocês estão? Hoje eu resolvi trazer uma resenha que venho postergando há alguns dias, pois foi uma leitura que despertou sentimentos bastante conflituosos em mim. Como explicar um livro que foi o seu favorito de uma série e, ao mesmo tempo, o que mais te frustrou? São dois sentimentos quase opostos, mas ambos se aplicam ao que eu senti lendo Tempestade de Guerra, o quarto e último volume (será mesmo?) da série A Rainha Vermelha. Nele, a autora Victoria Aveyard proporcionou alguns dos melhores momentos da saga, porém, pecou seriamente em alguns aspectos que não poderia.
Antes que vocês se preocupem, essa resenha não terá nenhum spoiler de Tempestade de Guerra. Porém, por se tratar do quarto livro de uma série, será inevitável falar sobre acontecimentos dos livros anteriores. Portanto, se você não leu os três primeiros volumes, é melhor parar a leitura por aqui. Mas, se vocês quiserem, vou deixar o link para as resenhas dos livros anteriores no final do post.
Em Tempestade de Guerra, vemos a história exatamente do ponto em que paramos no livro anterior. Cal optou por lutar por sua coroa, o que o separa de Mare e coloca novamente comprometido com Evangeline. Porém, antes de terem seus caminhos separados, eles têm que enfrentar um inimigo comum: Maven. Assim, é formada uma instável aliança entre os prateados favoráveis a Cal, a Guarda Escarlate e Monfort, todos com o objetivo de tirar Maven do trono.
No entanto, essa aliança é bastante frágil e pode se romper a qualquer momento. As casas Samos e Lerolan pretendem derrotar o jovem rei e colocar Cal em seu lugar, porém, a Guarda Escarlate já afirmou que os vermelhos não aceitarão um novo rei prateado. Além disso, Monfort é a prova de que um país pode ser organizado de maneira democrática, sem que prateados e vermelhos sejam colocados uns contra os outros, e os seus governantes também deixam claro que não irão apoiar uma monarquia em Norta. Assim, Cal tem consciência que, mesmo se vencer o irmão, não terá um reinado fácil.
Enquanto isso, Mare segue firme em sua posição junto a Guarda Escarlate. Ela não está disposta a se curvar para um novo rei, mesmo que ele seja Cal. Isso não significa que seja fácil para ela se colocar contra o homem que ama ou aceitar o fato de que ele a trocou pela coroa. No entanto, por um tempo, ela e Cal terão que lutar lado a lado para que impedir que Maven continue no trono, até chegar o momento de se afastarem definitivamente. Porém, eles irão descobrir que há outros inimigos nessa guerra e que as ameaças podem vir de onde menos esperam.


Bom, eu preciso dizer que amei esse livro desde a primeira página. Ao contrário de A Prisão do Rei, Tempestade de Guerra não demora para começar de fato e temos ação desde o início. Aliás, de todos os livros da série, achei que esse é o que equilibra melhor as cenas de batalha, com a parte política e, até mesmo, o romance. Nenhum desses elementos ocupa mais espaço do que deveria na trama e são todos bem desenvolvidos pela autora.
Outro ponto que achei positivo é que, ao contrário do que eu imaginava, esse livro não tem enrolação. Quando vi que o livro teria 700 páginas, tive muito receio de que a autora fosse ficar inventando coisas para aumentar a história. No entanto, o livro justifica o seu tamanho e todos os acontecimentos são necessários para a trama.
“– Acho que o amor pode ser explorado, usado para manipular. É uma vantagem. Mas nunca chamaria amar alguém de fraqueza. Acho que viver sem amor, sem nenhum tipo de amor, é uma fraqueza. E a pior escuridão de todas.”
Desta forma, o enredo se desenvolveu de maneira realmente envolvente. Há uma tensão constante e eu estava sempre ansiosa para saber o que aconteceria a seguir. Além disso, a autora não perde tempo com descrições desnecessariamente longas (o que me incomodou um pouco em A Prisão do Rei). A escrita dela está muito mais direta e com isso o leitor fica preso nos acontecimentos e a leitura flui muito bem.
Outro ponto que gostei bastante é que, finalmente, temos uma evolução concreta dos personagens. Mare se mostra muito mais decidida do que nos livros anteriores e adorei o modo como, apesar de claramente apaixonada por Cal, ela não fraquejou em sua decisão e ainda falou muitas verdades que o príncipe precisava ouvir. Aliás, os diálogos entre os dois e as farpas que trocavam foram uma das coisas que mais gostei no livro.
“– Ele é uma criação tanto quanto eu. Foi feito pelo nosso pai, moldado e partido até se tornar esse muro de tijolos ambulante e falante que você pensava amar. (...) – Cal se esconde por trás desse escudo que chama de dever, mas a verdade é menos nobre. Ele é feito de desejo, igual todos nós. Mas deseja a coroa. O trono. E não há preço que não pague, por mais alto que seja.”
Porém, não pensem mal do Cal. Ele está bem mais interessante nesse livro e mostra um grande amadurecimento ao longo do livro e confesso que gostei muito de ver seu desenvolvimento. Consegui entender melhor as motivações e as dúvidas do Cal e acho que esse é o livro em que finalmente permite que o leitor veja esse personagem como um todo
Mas, mais uma vez, quem roubou a cena foram Maven e Evangeline. Novamente, temos capítulos narrados por Evangeline e a admiração que eu tinha começado a sentir por essa personagem no livro anterior se intensificou. Ela é forte, inteligente e determinada, mas carrega um peso que não imaginávamos até termos sua perspectiva da história.
Já o Maven é o melhor personagem da série. A cada livro fica mais evidente o quanto sua cabecinha é perturbada, mas o fato de isso ser o resultado das manipulações de sua mãe o tornam muito mais interessante de se analisar. Até que ponto existe um menino por traz do monstro que a rainha Elara criou? Será que as escolhas que ele fez eram dele mesmo ou de sua mãe? São questões difíceis de responder e que o tornam um personagem tão complexo e bem construído. Assim, ele é um vilão que tem várias faces a serem analisadas, o que, associado com o seu carisma, fez com que eu terminasse a leitura completamente apegada a ele. Sabe aquele personagem que nós amamos odiar? Então, é o Maven.
“Meu único medo agora é perder o trono e a coroa, a razão de toda essa miséria e tormenta. Não vou me destruir em vão. Não vou deixar que tudo tenha sido por nada.”

Vocês já devem estar se perguntando como eu posso dizer que achei esse o livro mais frustrante da série, se eu claramente amei a leitura. A questão é que, durante praticamente todo o livro, eu estava achando este o melhor da série e, quando cheguei ao final, o tombo foi grande. À medida que eu lia, minha expectativa foi ficando cada vez maior e, quando o desfecho ficou muito aquém do que eu esperava, a decepção foi enorme.



Mas, por que o final foi tão ruim? Uma das coisas que me incomodaram é que fiquei o livro todo esperando uma grande reviravolta e, apesar de ter um ou outro acontecimento no livro que eu não esperava, nada que tenha o impacto que senti nos dois primeiros volumes. No entanto, a grande decepção é que a autora levantou várias questões ao longo da série, especialmente nesse último livro, e praticamente nenhuma delas foi respondida.
“Esse mundo é uma tempestade que ajudei a criar. Todos ajudamos, em maior ou menor proporção. Com passos que não podíamos calcular, por caminhos que jamais imaginamos caminhar.”
O desfecho deixa tantas pontas soltas que, se não tivesse um epílogo, eu acharia que meu exemplar estava faltando páginas. Soube que Victoria Aveyard já afirmou que escreverá algumas histórias que serão publicadas para explicar o que aconteceu com alguns personagens (alguns contos, como em Coroa Cruel). Não apenas considero isso insuficiente (para responder tantas questões seria necessária uma continuação de fato e não só alguns contos), como não muda o fato de que o final foi totalmente insuficiente e vago, como se tivesse parado no meio da história. Se Tempestade de Guerra está sendo vendido como o último volume da série, o mínimo que se esperava é que ele respondesse às questões principais e não fizesse com que o leitor precise comprar novos livros para ter suas dúvidas respondidas.
Além disso, há ainda dois graves problemas. Um deles é que uma das cenas mais importantes de toda a série foi escrita de uma maneira confusa e que não teve metade do impacto que deveria ter, além de ainda dar margem para dúvidas em relação ao destino de uma certa pessoa central na história.  Outro problema é uma decisão incoerente de Mare que resulta no epílogo mais sem sentido e desnecessário que já li.
Deste modo, eu que defendi a série A Rainha Vermelha desde o primeiro livro, fui da euforia à decepção com este (suposto) último volume. Tempestade de Guerra foi uma leitura que superou minhas expectativas em tantos aspectos, especialmente no que diz respeito ao enredo e ao desenvolvimento dos personagens, que não posso dizer que não foi uma boa leitura. Porém, a decepção com o final foi grande e, caso Victoria Aveyard resolva mesmo publicar um novo livro para esta série, não terei o mesmo entusiasmo para ler.
E vocês, já leram Tempestade de Guerra? Me contem aí nos comentários o que acharam e qual a opinião de vocês sobre esta série.

Resenhas anteriores:
A Rainha Vermelha - aqui
Espada de Vidro - aqui
A prisão do Rei - aqui

[Resenha] A Prisão do Rei

Autora: Victoria Aveyard
Editora: Seguinte
Páginas: 544
Skoob
Onde comprar: Amazon
Sinopse: Mare Barrow foi capturada e passa os dias presa no palácio, impotente sem seu poder, atormentada por seus erros. Ela está à mercê do garoto por quem um dia se apaixonou, um jovem dissimulado que a enganou e traiu. Agora rei, Maven continua com os planos de sua mãe, fazendo de tudo para manter o controle de Norta — e de sua prisioneira. Enquanto Mare tenta aguentar o peso sufocante das Pedras Silenciosas, o resto da Guarda Escarlate se organiza, treinando e expandindo. Com a rebelião cada vez mais forte, eles param de agir sob as sombras e se preparam para a guerra. Entre eles está Cal, um prateado em meio aos vermelhos. Incapaz de decidir a que lado dedicar sua lealdade, o príncipe exilado só tem uma certeza: ele não vai descansar enquanto não trouxer Mare de volta.

Olá, amores! Andei um pouco sumida esses dias por causa do feriado, que aproveitei para colocar algumas leituras em dia (se preparem para muitas resenhas nos próximos dias), mas hoje vim falar sobre A Prisão do Rei, o livro mais polêmico de uma série que já vem dividindo opiniões desde o primeiro volume, A Rainha Vermelha.
Quem me acompanha aqui no blog sabe o quanto eu defendi os dois primeiros volumes da série, especialmente Espada de Vidro. No entanto, eu admito que foram tantas resenhas negativas sobre A Prisão do Rei que eu estava com as expectativas muito baixas, apesar de ter amado o livro anterior. Isso acabou sendo bom, pois eu estava preparada para encarar um livro lento e arrastado, mas a leitura acabou fluindo até bem, apesar de deixar a desejar em alguns aspectos.
Para quem não leu A Rainha Vermelha e Espada de Vidro, recomendo que não continue a leitura desta resenha, pois será inevitável falar sobre acontecimentos desses dois livros. Para quem já leu esses dois, podem ficar tranquilos que não haverá spoilers do terceiro.
O livro começa exatamente do ponto em que o segundo havia terminado. Mare se entrega para Maven a fim de salvar Cal e seus amigos da Guarda Escarlate e agora vive presa no castelo de Withefire, totalmente à mercê de um rei que se mostra cada dia mais desequilibrado. Após Mare ter matado a rainha Elara em Espada de Vidro, Maven passa a tomar as decisões sobre o reino sozinho, o que não diminui em nada o perigo, muito pelo contrário.
Graças à obsessão que Maven tem por Mare, os prateados no castelo estão proibidos de tocá-la ou matá-la, mas isso não significa que ela não passa por todo tipo de tortura psicológica em seu cativeiro. Tendo duas pulseiras de pedras silenciadoras, que anulam seu poder, Mare fica cada dia mais fraca. Além disso, ela tem sua mente revistada em busca de informações e os próprios diálogos com Maven são uma forma de atormentá-la cada dia mais. E, para deixar a situação ainda pior, Evangeline não perde a oportunidade de usar sua posição como noiva de Maven para torturar a “menina elétrica” e ainda usá-la para manipular o próprio Maven.
Enquanto isso, a Guarda Escarlate começa a intensificar suas ações, mas de uma maneira mais estruturada e eficiente. Cal tem um papel mais decisivo nessa mudança, apesar de suas motivações estarem mais ligadas ao desejo de resgatar Mare do que a qualquer outra coisa. Além dele, Farley, apesar de estar grávida e ainda sofrer pela perda de Shade, também tem papel importante na preparação para que a Guarda avance cada dia mais nos ataques ao reinado de Maven.
No entanto, quem dará a perspectiva dos acontecimentos envolvendo a Guarda não será nenhum dos dois. Nesse livro, temos o ponto de vista de Cameron, uma das sanguenovos recrutadas por Mare no livro anterior e que não nutre nenhum sentimento de lealdade para com a Guarda Escarlate, mas sabe que precisa deles para reencontrar seu irmão gêmeo que está servindo na guerra nas fronteiras.


A primeira coisa que preciso deixar clara sobre A Prisão do Rei é que ele é o típico livro de transição. Assim, apresenta vários altos e baixos, que, às vezes, deixam a leitura um pouco cansativa. No entanto, discordo completamente de quem acha que este livro foi desnecessário e que a autora apenas enrolou. Na verdade, ele é fundamental para que o leitor possa entender melhor a parte política, especialmente da relação de Norta com os reinos vizinhos, bem como a mente dos personagens e o papel desempenhado por eles nessa trama. Acreditem, mesmo já estando no terceiro livro, ainda há muita coisa sobre eles que não sabemos.
Nesse sentido, um dos aspectos que mais gostei no livro é que a autora se aprofunda em temas que não haviam sido tão explorados nos livros anteriores. Achei muito interessante entender melhor os reinos que faziam fronteira com Norta, bem como o que motivava os conflitos entre eles. Além disso, foi interessante ver como os rebeldes vermelhos estavam se organizando e ter uma noção de como se deu a divisão entre vermelhos e prateados. Apesar de ainda ter muitas perguntas a serem respondidas, acho que a autora conseguiu deixar esse universo mais claro para o leitor, apesar de mais complexo.
“A guerra é uma artimanha, um disfarce para manter os vermelhos sob controle. Um conflito pode acabar, mas outro sempre vai eclodir.”
Outro ponto positivo do livro é o crescimento de vários personagens. Desde A Rainha Vermelha já tinha ficado claro para mim que nenhum desses personagens seria perfeito ou aquele modelo de herói/heroína que estamos acostumados. Há quem reclame disso, mas eu acho que essa ausência de perfeição até mesmo da mocinha, deixa os personagens mais reais e interessantes. E, em A Prisão do Rei, essa impressão sobre os personagens foi reforçada.
“Odeio Maven, principalmente porque não consigo lutar contra o surto de piedade que sinto pela sombra da chama, agora tão familiar. Monstros são criados. Maven também foi. Quem sabe quem ele poderia ter sido?”

Os grandes destaques do livro, para mim, foram o Maven e a Evangeline (e acreditem, eu estou chocada por estar escrevendo isso). Começando por esse vilão que amamos odiar, Maven se torna ainda mais interessante nesse livro, apesar de muito mais perigoso. Nesse livro, descobrimos tudo que a Rainha Elara fez com a mente dele até moldá-lo de acordo com o que ela queria. Isso acaba expondo as fragilidades de Maven e permitindo que a gente perceba o menino por trás do monstro. No entanto, ao contrário do que pode parecer, quanto mais assustado e acuado ele fica, mais perigoso se torna. Assim, Maven acaba se tornando o personagem mais complexo do livro e lamentei muito a autora não ter dedicado alguns capítulos para mostrar a visão dele, pois acredito que seria muito mais interessante acompanhar o funcionamento da mente perturbada dele.


Com relação à Mare, achei que ela amadureceu bastante nesse livro. Fiquei impressionada com a força que ela demonstrou durante todo o período em que foi torturada por Maven e no modo como suas decisões foram muito mais maduras e corajosas. O Cal também se mostra mais decidido e é interessante vê-lo pela primeira vez escolhendo um lado e mostrando o estrategista que realmente é.
“Mas Mare estava usando uma máscara diferente. Obedecia suas ordens, sentava ao seu lado, levava uma vida sem liberdade ou poder. E ainda assim matinha seu orgulho, seu fogo, sua raiva. Sempre ali, queimando em seus olhos.”
Já os personagens secundários perdem muito espaço. Farley e Kilorn quase não aparecem e a trama gira realmente em torno de Mare, Maven, Cal e Evangeline. Além deles, a única que ganha destaque é a Cameron, que fica responsável por narrar alguns capítulos e mostrar o que estava acontecendo com a Guarda Escarlate. Com isso, conhecemos um pouco melhor essa personagem, porém, ela teve tão pouca importância no livro anterior que foi difícil entender a escolha da autora. Seria muito mais interessante ter a perspectiva da Farley, que não só é uma personagem mais carismática, como tinha um papel muito mais relevante dentro da trama.
 Outro ponto que foi diferente em A Prisão do Rei é a trama, que se mostra muito mais lenta que nos livros anteriores. Até por volta da página 300, o livro foca mais na rotina da Mare na prisão e no desenvolvimento da parte política. Por outro lado, a partir daí o livro ganha muito em ação e se torna muito mais intenso e interessante. Só que essa falta de equilíbrio entre a primeira e a segunda parte acabam sendo um problema. A mudança de um ritmo mais morno para tanta ação foi muito brusca e acabou fazendo com que eu demorasse um pouco para me adaptar.
O livro, para mim, ainda teve um grande problema: o desfecho. Ao contrário do que aconteceu nos dois primeiros livros, os acontecimentos que mudariam tudo foram revelados quase cem páginas antes do fim. E, piorando tudo, os personagens tinham a oportunidade de se posicionar de uma outra maneira e trazer um desfecho diferente do que esperávamos. No entanto, eles reagem exatamente como o previsto e alguns deles perdem muito da evolução que tinham mostrado no decorrer do livro.
“Também parecia impossível. Exatamente como o caminho que temos pela frente, passando pela guerra e pela revolução. Todos poderemos morrer nos dias que virão. Podemos ser traídos. Ou podemos vencer.”

Com relação à escrita da Victoria Aveyard, acredito que ela teve altos e baixos nesse livro. Em alguns momentos, ela se mostrou muito mais consistente, especialmente pela boa construção dos personagens e no desenvolvimento da parte política. Porém, a falta de equilíbrio no ritmo da trama e um certo exagero nas descrições me incomodaram e tornaram a leitura um pouco cansativa em alguns momentos.


Não posso deixar de mencionar também a edição. Para começar, eu adoro as capas dessa série e com esse não foi diferente. Além disso, desta vez, finalmente temos um mapa, o que facilita muito a compreensão do posicionamento de Norta em relação aos países vizinhos e da Guarda Escarlate. Aliás, mapas deveriam ser obrigatórios em livros de fantasia. Destaque ainda para a fonte, que está em um tamanho bom para leitura, e para a revisão, que foi excelente.
De um modo geral, A Prisão do Rei não foi um livro tão arrastado quanto eu esperava e está longe de ser desnecessário. Porém, considerando o quanto gostei dos livros anteriores, foi uma leitura um pouco frustrante, especialmente o final. Ainda assim, ainda há várias questões a serem resolvidas e eu estou curiosa para ler o último volume, Tempestade de Guerra. Apesar de ter diminuído minhas expectativas em relação ao próximo livro, ainda defendo essa série e recomendo para quem gosta de uma fantasia bem construída, com personagens interessantes e uma trama repleta de surpresas.
E, para quem está aguardando ansioso por Tempestade de Guerra, o livro será lançado no dia 18 de maio e já está em pré-venda, com um pin da Guarda Escarlate de brinde. Se você ficou interessado, pode comprar através desse link no site da Amazon.

[Dica da Malu] Espada de Vidro

Sinopse: “O sangue de Mare Barrow é vermelho, da mesma cor da população comum, mas sua habilidade de controlar a eletricidade a torna tão poderosa quanto os membros da elite de sangue prateado. Depois que essa revelação foi feita em rede nacional, Mare se transformou num arma perigosa que a corte real quer esconder e controlar. Quando finalmente consegue escapar do palácio e do príncipe Maven, Mare descobre algo surpreendente: ela não era a única vermelha com poderes. Agora, enquanto foge do vingativo Maven, a garota elétrica tenta encontrar e recrutar outros sanguenovos como ela, para formar um exército contra a nobreza opressora. Essa é uma jornada perigosa, e Mare precisará tomar cuidado para não se tornar exatamente o tipo de pessoa que ela está tentando deter.”                                                                                                 Autora: Victoria Aveyard / Editora: Seguinte / Páginas: 496   Comprar: Amazon

Não recomendo a leitura desta resenha para quem não leu “A Rainha Vermelha”, pois, por se tratar de uma continuação, ela contém informações sobre o desfecho do primeiro livro. Caso queira ler a resenha sobre "Rainha Vermelha", você pode conferir aqui.

Quando li “A Rainha Vermelha” não sabia muito bem o que esperar, pois via pessoas que amaram o livro e pessoas que odiaram. Para minha surpresa, eu terminei o livro entendendo tanto as críticas quanto os elogios, mas mais inclinada para o lado dos que amaram. Quando fui pesquisar sobre o segundo, vi que mais uma vez as opiniões eram 8 ou 80. Desta vez, eu estou definitivamente no time dos que amaram.
A história continua exatamente no mesmo ponto onde o livro anterior havia terminado. Maven, com o auxílio de sua mãe, a rainha Elara, traiu seu pai, seu irmão e Mare. Agora, o rei está morto, Maven assumiu o trono, e Cal e Mare são considerados traidores fugitivos. A única saída para os dois é se juntar à Guarda Escarlate, que os resgatou na arena.
No entanto, tanto Mare quanto Cal têm outros objetivos que não os da rebelião. Cal deseja vingança contra o irmão que o traiu e obrigou a matar o próprio pai, em um plano terrível para assumir o trono. Já Mare quer ir atrás das pessoas que, como ela, têm sangue vermelho e poderes prateados. Ela sabe que essas pessoas representam uma ameaça para o reinado de Maven, e que o novo rei não medirá esforços para eliminá-los. Assim, unidos pelo desejo de detê-lo, Cal e Mare partem em uma missão atrás de outros sanguenovos.

“Se sou uma espada, sou uma espada de vidro, e já me sinto prestes a estilhaçar.”

Esse é um livro sobre o qual não posso falar muito sobre, pois há muitas reviravoltas e acontecimentos importantes desde o começo. Portanto, qualquer coisa que eu disser além do que já contei, poderá ser considerado um spoiler.
Uma coisa que me chamou a atenção é que muitas pessoas que criticaram o livro falaram que não acontece nada aqui e que falta ação, o que torna a leitura arrastada. Eu sei que cada um sente a leitura de uma forma, mas, para mim, foi o total oposto. Há ação do começo ao fim: fugas, traições, perseguições, reviravoltas, planos que dão errado... Enfim, o que não falta é coisas acontecendo e a todo momento eu ficava com o coração na mão com medo do que poderia acontecer a seguir.
Outro aspecto que gostei é que dá para sentir o peso dos acontecimentos do livro anterior na forma como os personagens se posicionam. Tudo que aconteceu deixou marcas em cada um deles e isso se refletiu em mudanças na personalidade de todos eles, no modo como eles agem e na maneira como encaram o mundo e a si mesmos.  Obviamente, a mudança mais significativa foi para Mare e para o Cal. Não só a relação deles foi abalada, como o modo como eles se enxergavam. Ambos carregavam arrependimentos por erros que cometeram, raiva pelo que passaram e insegurança pelo caminho desconhecido que os aguardava.

“Claro que sei que outros morreram pela causa e por mim. Mas eu também morri. A Mare de Palafitas morreu no dia em que caiu no escudo elétrico. Mareena, a princesa prateada desaparecida, morreu no Ossário. E não sei quem é a pessoa que abriu os olhos no subtrem. Só que o que ela foi e o que perdeu, e o peso disso é quase esmagador.”

A Mare, em especial, chegou a me irritar por sua total incapacidade de confiar nas pessoas, o que fez com que, em vários momentos, ela magoasse pessoas que não mereciam. No entanto, considerando a gravidade da traição do Maven, isso é totalmente compreensível. Além disso, é inegável que em muitos aspectos ela amadureceu e se tornou ainda mais forte. Mare sabe os erros que cometeu e se culpa por ter feito escolhas erradas. Agora, ela vai assumir as consequências de suas decisões, se esforçando ao máximo para proteger as pessoas que precisam dela e impedir que Maven siga com seus planos.
Outro reflexo da evolução dos personagens é que o romance tem ainda menos espaço que no livro anterior. É claro que o tempo todo percebemos que os sentimentos que ligam Mare e Cal são muito mais do que o ódio por Maven, porém, os dois sabem que há coisas muito maiores em jogo. Ambos estão feridos pelas traições e escolhas erradas, preocupados com o destino do país e com tudo que precisam fazer para impedir as ações de um rei tirano e sua mãe manipuladora. Nenhum dos dois tem tempo para refletir sobre seus sentimentos; há muitas coisas acontecendo e perder o foco do que é importante pode trazer consequências muito ruins.

“Mesmo assim, por algum motivo, sinto uma ligação com ele. Lembro do garoto sobrecarregado que me deu um moeda de prata quando eu não era nada. Com aquele único gesto, ele mudou meu futuro e destruiu o próprio.E temos uma aliança – instável, forjada em sangue e traição. Estamos conectados, unidos contra Maven, contra todos que nos enganaram, contra o mundo prestes a se despedaçar.”

Há também uma expansão do universo apresentado no livro anterior. Agora, podemos entender melhor o funcionamento daquele país. Apesar de não ser mostrado muito sobre a corte, percebemos que o reinado de Maven é instável e que há muitas famílias de prateados interessadas em vê-lo fracassar. Além disso, é em Espada de Vidro que o leitor terá uma real dimensão do que é a Guarda Escarlate e como eles se organizam. 
Com relação à escrita da Victoria Aveyard, só posso dizer que mais uma vez ela soube conduzir a história muito bem. Claro que há elementos clichês e que já foram vistos em outros livros de distopia antes, porém, ela sabe usá-los de uma maneira que envolva o leitor e ainda consiga surpreendê-lo. Aliás, é impressionante a capacidade que ela tem de construir reviravoltas e mudar totalmente o rumo da história. Associado a isso, há ainda um ritmo eletrizante, com muitas cenas de ação e de confrontos, que tornam a leitura muito dinâmica e fazem com que o leitor não sinta vontade de parar de ler.
Por fim, preciso destacar a edição maravilhosa da Editora Seguinte. Não só a capa está linda, como também a fonte e o espaçamento utilizados são ótimos e facilitam muito a leitura. É possível ver o cuidado da editora em cada detalhe, desde o uso de páginas amareladas até o marcador que vem junto com a orelha do livro, no final.
Assim, recomendo muito este livro para quem gostou de “A Rainha Vermelha” e para aqueles que queiram dar uma segunda chance para a série. Aqui a história é aprofundada e tudo se torna muito mais complexo. É um universo bem construído, com críticas sociais interessantes e pertinentes, e personagens muito humanos, que conquistam o leitor tanto por suas qualidades quanto pelos seus defeitos. Se eu já havia gostado do volume anterior, “Espada de Vidro” superou todas as minhas expectativas e venceu qualquer dúvida que eu poderia ter quanto a continuar a série ou não.
Não deixem de me contar nos comentários o que vocês acham da série “A Rainha Vermelha” e se pretendem continuar lendo os próximos livros. Só peço que não deixem nenhum spoiler do terceiro livro, “A Prisão do Rei”, pois muitas pessoas (inclusive eu) ainda não o leram. E, para quem quiser comprar algum dos livros da série, vou deixar o link de compra na Amazon aqui embaixo.

A Rainha Vermelha:http://amzn.to/2oAIypR
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[Dica da Malu] A rainha vermelha

Autora: Victoria Aveyard
Editora: Seguinte
Páginas: 419

Para encerrar bem o final de semana, escolhi fazer uma resenha sobre uma leitura que concluí recentemente: A rainha vermelha, da Victoria Aveyard. Sempre ouvi comentários bastante divergentes em relação a esse livro; alguns, criticaram duramente as referências usadas pela autora; outros elogiaram a trama e as suas reviravoltas. Depois de ler, tenho que dizer que entendo ambas as visões.
O livro é uma distopia que se passa em um país chamado Norta. Nessa sociedade, as pessoas são divididas entre vermelhos e prateados: os vermelhos são as pessoas comuns, destinados ao trabalho e a lutar na guerra contra os países vizinhos; já os prateados são a elite, pessoas que vivem confortavelmente as custas dos vermelhos e que possuem habilidades especiais que os distinguem.
“Uma sociedade dividida pelo sangue. Um jogo definido pelo poder.”
Mare Barrow, a protagonista, é uma vermelha. Sem trabalhar em nenhum ofício, ela rouba o que pode para ajudar seus familiares. O seu destino seria servir no exército em poucos meses, quando completasse dezoito anos. No entanto, sua vida começa a mudar quando ela é convocada para trabalhar no palácio. Lá, ela descobre diante de toda a nobreza, que, apesar de ter sangue vermelho, ela também tem poderes especiais. Esse fato improvável precisava ser ocultado, então, o rei decide transformá-la em uma nobre prateada de uma Casa que todos julgavam extinta.
“Sou especial. Sou um acidente. Uma mentira. E minha vida depende simplesmente de sustentar a ilusão”. (p. 119)
Uma das críticas feitas ao livro é que as referências feitas a outras histórias são muito claras, o que levou muitas pessoas a acusarem Victoria Aveyard de não ter sido muito original. De fato, fica muito claro os elementos que ela retira de livros como “Jogos Vorazes”, “Divergente” e a “Seleção”. Confesso que, em alguns momentos me lembrei até mesmo dos filmes da franquia X-Men. Nesse sentido, entendo as críticas que muitos fizeram, pois isso acabou sendo um aspecto negativo. Claro que é comum autores se inspirarem em outras séries e livros, mas Victoria faz isso de uma maneira pouco sutil, deixando muitas vezes aquela sensação de “já vi isso antes”.
No entanto, a história de A rainha vermelha ainda é interessante e, por incrível que pareça, surpreendente. Os elementos que compõem a base da trama são os mesmos de outras distopias já citadas (governo totalitário, grupo de rebeldes, mocinha corajosa que vive tentando proteger aqueles que ama, disputa por um príncipe, revolução, etc), mas o modo como ela usa esses recursos no desenvolvimento da história é que tornam o livro interessante. Mesmo com os elementos já conhecidos, é impossível prever o rumo que a trama irá tomar e o que vai acontecer com os personagens.
A protagonista é outro acerto de Victoria Aveyard. Logo no início do livro, o leitor conhece as fragilidades e defeitos de Mare, fugindo do estereótipo de heroína perfeita. Ela é impulsiva, teimosa, tem um pouco de inveja da irmã por não ter nenhuma habilidade que lhe permitisse conseguir um emprego e escapar do exército, às vezes, é um pouco egoísta, e, claro, vive tomando decisões erradas. Mas, apesar da raiva que senti em alguns momentos, acabei admirando esta personagem. Ela é inteligente, dona de uma personalidade forte, é corajosa e, principalmente, tem a nobreza de reconhecer seus erros e se esforçar para corrigi-los.
Também gostei muito do universo apresentado na história. Sim, eu sei que outras distopias já abordaram governos totalitários onde a elite controla e explora o povo. No entanto, gostei muito do fato de que a autora oferece uma visão mais completa desses dois grupos da sociedade, que permite ao leitor perceber nuances que vão além da simples dicotomia opressor x oprimido. Quando Mare passa a viver como uma nobre, começa a descobrir novos aspectos sobre os prateados, o modo de vida deles, as divisões existentes até dentro da elite e, principalmente, que nem todos eles são iguais.
“Eu costumava pensar que existia apenas uma divisão: prateados e vermelhos, ricos e pobres, reis e escravos. Contudo, há muito mais entre esses dois extremos, coisas que não entendo, e estou bem no meio delas”.
Com relação aos personagens, gostei muito do modo como eles foram construídos. Como o livro é narrado pela perspectiva da Mare, fica complicado para que o leitor possa conhece-los a fundo. No entanto, isso contribuiu muito para deixar a narrativa mais misteriosa. O leitor vai conhecendo os personagens aos poucos, junto com a protagonista; e, assim como ela, é surpreendido em diversos momentos por eles.
“Todo mundo pode trair todo mundo”.
Outro ponto positivo deste livro é que o romance não ocupa o centro da história. Ao longo da trama, vemos Mare dividida entre alguns personagens, incluindo os dois príncipes, mas isso não é uma questão tratada com destaque. A principal preocupação da protagonista é garantir sua sobrevivência dentro daquele mundo de intrigas e conspirações, e seus sentimentos pelos rapazes ficam totalmente em segundo plano. O que não significa que não haja romance; tem momentos em que acontece e o leitor tem várias possibilidades de casais para torcer. Mas a autora soube dosar muito bem essas partes da história, não permitindo que a trama girasse em torno do conflito amoroso.
Destaco ainda o ritmo e o modo como a trama foi construída, que, para mim, foi a maior virtude do livro. A partir do momento que Mare é chamada para trabalhar no palácio, a história ganha um ritmo intenso, que torna impossível largar o livro. As intrigas e conspirações contribuem muito para o envolvimento com a história, pois deixam o leitor sem saber em quem confiar e o que esperar de cada personagem, estimulando a curiosidade. Além disso, o final conta com uma das reviravoltas mais surpreendentes e bem construídas que já li. Me senti totalmente sem chão, quase como se a autora estivesse me chamando de trouxa. E adorei, claro!
De modo geral, entendo quem criticou A rainha vermelha, pois não se trata da mais original das distopias. No entanto, essa história me ganhou pelo mundo apresentado, pelo ritmo eletrizante e pelo carisma dos personagens. Além disso, a reviravolta impressionante e o final do livro me conquistaram de vez. Acredito que Victoria Aveyard criou uma boa base para ser desenvolvida nos próximos livros, e não vejo a hora de ler Espada de Vidro para descobrir o rumo que ela escolheu para esta série.


Apaixonada por literatura desde pequena, nunca consegui ficar muito tempo sem um livro na mão. Assim, o Dicas de Malu é o espaço onde compartilho um pouco desse meu amor pelo mundo literário.




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