Meus casais favoritos da literatura


Quem nunca torceu por um casal em um livro, filme ou série que atire a primeira pedra. Como toda pessoa romântica eu não posso ver dois personagens juntos que eu já estou torcendo, até quando não tem romance na história eu dou um jeito de torcer. Então, é claro que tem uma lista enorme de casais da literatura que eu adoro e que me fizeram suspirar e me apaixonar.
Pensando nisso, resolvi montar uma lista com alguns dos meus casais favoritos de livros que eu amo. Vão ficar muitos de fora? Com certeza. Mas se eu fosse colocar todos essa lista ficaria gigante. Então, separei alguns que são muito especiais para mim e que eu defendo com todo meu coração.

Anne Elliot e Capitão Wentworth – Persuasão
Eu sei que, dos personagens da Jane Austen, o casal mais famoso e amado é a Elizabeth Bennet e o Mr. Darcy. No entanto, por mais que eu ame esse casal, nenhum outro supera o Capitão Wentworth e a Anne Elliot. Persuasão é o meu romance preferido e acho lindo a forma como ele foi construído. Os protagonistas passam anos separados e quando se reencontram têm várias mágoas e conflitos que precisam ser superados, mas é lindo ver como o amor que eles tinham sobreviveu ao tempo e ao ressentimento.


Fani e Leo – Fazendo meu filme
Quem me conhece ou segue aqui no blog sabe que eu acompanho Fazendo meu filme desde que o primeiro livro foi publicado e não me canso nunca de falar o quanto amo esse casal. A Paula Pimenta tem um dom para escrever relacionamentos fofos e apaixonantes, mas, de todos que ela já escreveu, o da Fani e do Leo foi o que mais me marcou. Eu adorei acompanhar esse romance evoluindo de uma maneira muito fofa da amizade para um sentimento mais forte. Além disso, reconheço que o Leo é um dos meus crushs literários e que acho impossível não torcer para ele ficar com a Fani.

Alec Lightwood e Magnus Bane – Os Instrumentos Mortais
Tem como falar de casais da literatura e não citar esses dois? A série Os Instrumentos Mortais tem vários casais incríveis, aliás, todas as séries da Cassandra Clare têm. Porém, se tem um casal que reina absoluto no universo dos shadowhunters é o Alec e o Magnus. A maneira como o romance é construído, ver o quando o Alec cresce ao lado do Magnus e todas as barreiras que eles superam juntos... tudo isso torna esse casal tão especial que não tem como não amá-los.

Anthony e Kate – O Visconde que me Amava
De todos os romances de época que já li (tirando os clássicos, claro), O Visconde que me amava, da Julia Quinn, é o meu favorito. E o motivo para isso só poderia ser os protagonistas Anthony Bridgerton e Kate. Eu adoro a forma como o romance vai evoluindo nesse livro, começando com os dois brigando feito cão e gato, mas depois descobrindo uma cumplicidade que aos poucos evolui para amor. Me diverti muito acompanhando as brigas desses dois, mas achei muito lindo vê-los se apaixonando.

Hannah e Garret – O Acordo
Da série “livros que eu não esperava nada e conquistaram um lugar no meu coração”, tem O Acordo, da Elle Kennedy. Esse livro foi uma das melhores surpresas que tive em 2017 e eu amei demais esse casal. É um romance que acontece de maneira gradual, com os personagens se tornando amigos e depois percebendo que há algo mais. Eu fiquei apaixonada pelo Garret quando li e adorei ver como a relação dele com a Hannah foi desenvolvida. Para quem quiser saber mais, tem resenha sobre o livro aqui.

Marcus e Julia – Mentira Perfeita
Sei que muitas pessoas vão se perguntar por que o Ian e a Sofia, do livro Perdida, não estão nessa lista e o Marcus e a Julia estão. O motivo é simples: eu acho Mentira Perfeita o melhor livro que já li da Carina Rissi e amo esse casal com todo meu coração. O Marcus é um dos meus maiores crushs literários e esse romance, apesar de clichê, é um dos mais lindos e apaixonantes que já li. Para quem quiser conferir mais sobre esse casal, pode conferir a resenha sobre Mentira Perfeita aqui.

Bônus: Caroline e Blake de Como agarrar uma herdeira. Eu li esse livro recentemente e poucas vezes ri tanto com um livro. Os diálogos desse casal são hilários e é muito divertido (e cativante) ver esses dois brigando e se apaixonando sem perceber. Não vou falar muito, porque a resenha sairá em breve, mas esse livro quase empatou com O Visconde que me amava na minha preferência.       

Esses são alguns dos casais da literatura que eu mais gosto, mas ainda tem vários outros que eu não citei. Caso vocês gostem do post, posso fazer uma segunda parte mais para frente. Então, me contem aí nos comentários o que vocês acharam e quais são os casais preferidos de vocês.
E, caso tenham se interessado em conhecer algum desses casais, vocês podem adquirir os respectivos livros no site da Amazon. Comprando por esse link, vocês ajudam o Dicas de Malu com uma pequena comissão.

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Mentira Perfeita: http://amzn.to/2osoTr1
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[Resenha] Ruína - Ruined #1

Autora: Amy Tintera
Editora: Galera Record
Páginas: 308
Skoob
Onde comprar: Amazon
Exemplar recebido em parceria com a editora
Sinopse: “Ninguém temia Emmelina Flores, a filha inútil da rainha mais poderosa que Ruína já viu... Até agora. O primeiro livro da trilogia Ruína. Emmelina Flores não tem nada. Ela não tem poderes como os outros habitantes de Ruína, seus pais foram assassinados, seu lar destruído e sua irmã, Olivia, levada por seus inimigos. Mas justamente por isso ela também não tem o que temer. Impulsionada por seu desejo de vingança, ela parte numa perigosa jornada para o reino inimigo de Lera, onde espera encontrar Olivia, colocando em ação um plano arriscado e ambicioso, que envolve se casar com o primeiro na sucessão ao trono, se passando por outra pessoa. Mas o príncipe talvez não seja quem ela imaginou que seria. O coração de Emmelina, endurecido pela raiva, começa a ceder. Mas com sua vida – e a da irmã – em jogo, qualquer momento de dúvida pode ser arriscado demais. O primeiro livro da Trilogia Ruína de Amy Tintera traz elementos comuns à fantasia rearranjados de maneira inovadora e apresentados em um ritmo alucinante. Repleto de ação, o livro apresenta mulheres fortes, poderosas, decididas e, porque não, até mesmo cruéis, dispostas a tudo para alcançar seus objetivos.”

Sabe aquele livro que você já quer antes mesmo de ler a sinopse? Foi exatamente isso que aconteceu comigo quando vi a capa de Ruína, da autora Amy Tintera, publicado pela Galera Record ano passado. Só pelo título e pela capa já percebi que se tratava de uma fantasia e achei tão incrível que fiquei imediatamente louca para ler. Agora que eu finalmente realizei esta leitura posso dizer que meu amor à primeira vista foi recompensado com uma trama que me prendeu da primeira à última página.
Primeiro volume de uma trilogia, Ruína apresenta o leitor a Emmelina Flores, jovem princesa que viu seus pais serem mortos e sua irmã ser levada pelo reino inimigo como prisioneira. Agora, seu povo está sendo perseguido e dizimado, mas Emm não vai desistir de libertar Olívia e vingar a morte de seus pais.
Para isso, ela se passará pela princesa Mary, do reino de Vallos, para se casar com o príncipe Casimir, o herdeiro do trono de Lera, e se infiltrar no palácio. O objetivo dela é descobrir onde sua irmã está presa e destruir a família real daquele reino. O plano é arriscado e se ela for descoberta a sentença será a morte, porém, Emm age impulsionada pelo amor à Olívia e o cego desejo de vingança.
O que ela não poderia imaginar é que conviver com o príncipe Casimir iria fazer com que ela o visse com outros olhos. Será que todos em Lera têm realmente culpa pelo que aconteceu em Ruína? E se seu coração começar a ceder ao jovem príncipe, os sentimentos por ele poderiam ser maiores do que seu desejo de vingança?


Como eu disse no início da resenha, a leitura de Ruína me prendeu desde a primeira página. O principal motivo para isso é que a autora não perdeu tempo com descrições do universo apresentado, que normalmente tiram o ritmo. Ela já insere o leitor imediatamente na ação, fazendo com que as explicações aconteçam à medida que a trama vai se desenrolando. Com isso, a leitura já começa muito dinâmica e o leitor fica instigado para entender melhor os personagens e a situação daqueles reinos.
Apesar de não ter uma premissa tão original (me lembrou um pouco A Seleção e A Maldição do Vencedor), achei interessante a forma como a trama foi desenvolvida. Há um grande desenvolvimento da parte política, com conspirações, traições e uma guerra iminente. Além disso, a autora não cai no clichê de colocar um reino como bonzinho e outro como opressor e violento. É possível perceber ao longo do livro que erros graves foram cometidos pelos dois lados, mas que há também pessoas inocentes envolvidas. Essa dualidade é interessante, pois fica difícil torcer para um dos reinos e condenar o outro.


Além disso, achei que a autora acertou na construção dos personagens. É possível perceber as motivações deles, bem como os conflitos que vão surgindo ao longo da trama. O destaque é, sem dúvida, a protagonista Emm. Logo no início já fica evidente que ela é uma pessoa movida pela vingança, mas está longe de ser fria e calculista como deseja se fazer parecer. Apesar de ser esperta e ter uma grande habilidade para batalha, ela tem inseguranças por sempre ter sido vista como uma inútil pelo seu próprio povo.
“Ninguém temia Emmelina Flores, a inútil filha da rainha mais poderosa que Ruína já conhecera. Mas eles temeriam”.
Aliás, um dos aspectos que mais gostei nessa personagem é o fato de não encontrar nela um elemento que tem se tornado comum em protagonistas de livros de fantasia: a pessoa que tem um poder incrível e é vista por todos como a salvadora. Emm, mesmo sendo princesa, não possui magia e por isso é vista pelo seu povo como inútil, que não está apta a lidera-los. Assim, tudo que ela realiza é mérito da sua inteligência, força, determinação e muito treinamento.
E o que dizer do Príncipe Casimir? Ele é um dos mocinhos mais apaixonantes que já li e, no lugar da Emm, eu nem lembraria de vingança alguma com ele por perto. Cas é íntegro, justo e generoso, tem um bom senso de humor e uma inocência que são muito cativantes. Apesar de ainda não saber enfrentar o pai e nem ter coragem de emitir suas opiniões, é visível que ele se questiona sobre várias políticas adotadas pelo rei e, ao longo do livro, se torna mais forte e confiante para expressar essas dúvidas.
“Não sei o que é mais horrível: nossas ações ou o fato de que o senhor não parece nem um pouco incomodado com elas”.

Com relação ao romance, achei interessante que ele não muda a essência da Em ou do Cas. Quando começam a se conhecer melhor, a convivência acaba abalando algumas de suas convicções, especialmente para Emm. No entanto, em nenhum momento eles esquecem de suas prioridades e das responsabilidades que carregavam.


Deste modo, o romance exerce um papel importante no desenvolvimento dos personagens, mas não compromete a trama e nem tira o espaço da política e nem das cenas de ação. Além disso, apesar de achar que a relação da Emm e do Cas foi um tanto rápida, o carisma dos personagens acabou se sobrepondo e considero quase impossível não torcer por eles.
“A lembrança de como era quanto ele se importava com ela ia ser a coisa mais dolorosa depois que ele começasse a odiá-la”
Os personagens secundários não são tão explorados, mas aparecem o suficiente para entendermos seu papel na trama. Além disso, alguns deles devem ganhar mais destaque nas continuações. Em especial, gostei muito de Aren e Galo, melhores amigos da Emm e do Cas, respectivamente. E também estou ansiosa para saber mais sobre Íria, uma guerreira que participa do plano de Emm, e Jovita, a prima de Cas que desconfio que ainda esconde muitas coisas.
Outro ponto importante sobre o livro é o quanto a escrita da Amy Tintera é muito fluida. Ela soube introduzir o universo de maneira satisfatória, sem deixar a leitura lenta. A trama se desenvolve com dinamismo e até mesmo os grandes acontecimentos, que imaginei que ficariam restritos ao final, começaram na metade do livro e dali para frente foi só tiro, porrada e bomba. Além disso, achei que a autora conseguiu um equilíbrio entre ação, romance, política e fantasia, sem deixar que nenhum desses elementos tomasse mais espaço do que deveria.
“– Você já se perguntou – falou ele olhando para o chão – se talvez nós é que sejamos os perigosos, e não os habitantes de Ruína.”
O único ponto que me decepcionou um pouco foi o fato de não haver grandes reviravoltas. O livro tem muitos acontecimentos o tempo todo, deixando o leitor tenso e ansioso para continuar lendo, mas não há nenhuma grande revelação ou surpresa que mude tudo. No entanto, isso não chega a ser um problema, pois é um livro de introdução ao universo criado pela autora e, nesse sentido, ele funciona muito bem e deixa os caminhos para a continuação totalmente em aberto.
Com relação à edição, como já disse no início da resenha, eu amei essa capa. Além de totalmente condizente com o livro, ela é muito bonita e com detalhes que vistos de perto fazem toda diferença. Além disso, as páginas são amareladas e gostei bastante do tamanho da fonte. Só senti falta de um mapa que me permitisse entender melhor as localizações dos reinos. Não sei se tem na edição original, mas acho que ajudaria muito na leitura.
Assim, acredito que Ruína é uma ótima opção para quem procura uma fantasia épica. É um livro que, apesar de não ter grandes surpresas, tem muita ação, intrigas, romance e política, tornando a leitura envolvente desde a primeira página. Amy Tintera apresentou o universo com habilidade e soube dar um desfecho para o livro que deixe o leitor instigado a ler as continuações. Inclusive, estou torcendo muito para que o segundo volume chegue logo ao Brasil, pois não vejo a hora de mergulhar novamente nesse universo.
Eu gostei muito dessa leitura, mas agora quero saber a opinião de vocês. Quem já leu, me conte nos comentários o que achou do livro. E, para os que ficaram interessados em ler, deixei o link para compra no início do post. Comprando através dele, vocês ajudam o Dicas de Malu com uma pequena comissão.

[Resenha] Mais lindo que a lua

Autora: Julia Quinn
Editora: Arqueiro
Páginas: 272
Onde comprar: Amazon
Sinopse: “Foi amor à primeira vista. Mas Victoria Lyndon era a filha do vigário, e Robert Kemble, o elegante conde de Macclesfield. Foi o que bastou para os pais dos dois serem contra a união. Assim, quando o plano de fuga dos jovens deu errado, todos acreditaram que foi melhor assim. Sete anos depois, quando Robert encontra Victoria por acaso, não consegue acreditar no que acontece: a garota que um dia destruiu seus sonhos ainda o deixa sem fôlego. E Victoria também logo vê que continua impossível resistir aos encantos dele. Mas como ela poderia dar uma segunda chance ao homem que lhe prometeu casamento e depois despedaçou suas esperanças? Então, quando Robert lhe oferece um emprego um tanto incomum – ser sua amante –, Victoria não aceita, incapaz de sacrificar a dignidade, mesmo por ele. Mas Robert promete que Victoria será dele, não importa o que tenha que fazer. Depois de tantas mágoas, será que esses dois corações maltratados algum dia serão capazes de perdoar e permitir que o amor cure suas feridas?”

Quando o assunto é romance de época, é praticamente impossível não pensar na autora Julia Quinn. É difícil encontrar alguém que leia livros desse gênero e nunca tenha se apaixonado por algum dos romances dela. Por esse motivo, o livro Mais lindo que a lua, lançamento mais recente da autora no Brasil, estava na minha lista de desejados desde que foi anunciado pela editora Arqueiro.
Primeiro volume da duologia Irmãs Lyndon, Mais lindo que a lua foi lançado em janeiro desse ano e prometia ser mais um dos romances apaixonantes da Julia Quinn. Aliás, a minha expectativa era até maior, pois a sinopse me lembrou bastante Persuasão, da Jane Austen, que é um dos meus livros favoritos da vida.
Neste romance, Julia Quinn traz o jovem casal, Victoria Lyndon e Robert Kemble, que se apaixona à primeira vista e experimenta toda a magia do primeiro amor. No entanto, ela é a filha do vigário e ele era o Conde de Macclesfield, o que levou ambas famílias a serem contra a união. Quando o plano de fuga do dois fracassou, as famílias acabam interferindo para que a separação fosse definitiva.
Depois de sete anos, os dois haviam seguido caminhos distintos, mas as mágoas daquela época permaneciam. Victoria acreditava que ele nunca a amara e que seu único desejo tinha sido de aproveitar de uma moça pobre. Já Robert tinha certeza que ela era uma interesseira que perdeu o interesse quando imaginou que ele seria deserdado pelo pai.

Quando o acaso os aproxima novamente, Victoria e Robert percebem que seus sentimentos não tinham mudado, porém, a forma como se separaram deixou marcas que nenhum dos dois superou. Uma proposta nada decorosa de Robert e a recusa de Victoria em nome de sua dignidade levam os dois a pensarem se os acontecimentos de sete anos antes foram realmente como eles imaginavam e se mágoas guardadas por tanto tempo poderiam ser superadas.


Uma coisa que chamou minha atenção quando comecei a ler esse livro é que, normalmente, não gosto de romances em que o casal se apaixona à primeira vista; prefiro quando isso ocorre de maneira mais lenta e gradual, permitindo ao leitor entender de onde surgiu o sentimento. No entanto, a própria Julia Quinn comenta na carta de apresentação que não acredita em amor à primeira vista, mas que terminou de escrever o primeiro capítulo já convencida da veracidade dos sentimentos de Victoria e Robert.
“Em minha mente, entendo que a vi pela primeira vez há dez minutos, mas meu coração a conhece desde sempre. E minha alma também.”
Para minha surpresa, tive que concordar com a autora. A interação dos protagonistas é tão franca e natural que o amor deles me pareceu real. Terminei de ler os primeiros capítulos totalmente convencida de que eles estavam de fato apaixonados e fiquei triste quando foram separados. No entanto, daí para frente o livro apresentou alguns problemas.
Foram dois aspectos principais que me incomodaram durante a leitura. O primeiro deles foi o próprio casal principal. No início, eles são jovens e apaixonados, se mostrando cativantes. Porém, com a passagem dos sete anos, o comportamento dos dois muda muito e não foi para melhor. A postura arrogante do Robert e sua determinação em infernizar a protagonista fizeram com que eu tivesse uma dificuldade enorme em simpatizar com ele. Da metade para frente, esse lado melhorou e eu até consegui me divertir com ele em alguns momentos, mas ainda não senti aquele encantamento que normalmente ocorre nos romances de época.
“Não se passava um dia sem que Victoria lhe viesse à cabeça. Sua gargalhada, seus sorrisos. Sua traição. A única coisa que ele nunca poderia perdoar. (...) E ele a queria. Que o Senhor lhe ajudasse, porque ele ainda a queria. Mas também queria vingança. Só não sabia o que queria mais.”
E o que dizer da Victoria? Ao contrário do Robert, no início eu gostei muito dela. Achei interessante ver que ela conseguiu sair do domínio do pai e se virar da melhor maneira que pôde, dadas as dificuldades para as mulheres na época. Além disso, gostei da postura firme dela frente aos avanços de Robert e a forma como ela colocava sua dignidade acima do que sentia por ele. No entanto, em um determinado momento do livro a personagem se perdeu completamente, demonstrando uma insegurança boba e uma indecisão irritante.
“Parte dela sempre o amaria, mas descobriu uma independência maravilhosa desde que se mudou para Londres. Agora era senhora de si e estava descobrindo que ter controle sobre sua vida era, na verdade, um sentimento inebriante.”
Isso me leva ao segundo problema do livro: não há nenhum motivo concreto para que Robert e Victoria não fiquem juntos. A mágoa e as discussões quando eles se reencontram são plausíveis, mas não era nada que uma boa conversa não resolveria. Além disso, quando os acontecimentos do passado são esclarecidos tudo que impedia os protagonistas de ficarem juntos era o fato de Victoria não conseguir tomar uma decisão. Os problemas do casal poderiam ser solucionados com mais diálogo e uma atitude um pouco mais madura, especialmente de Victoria. Desse modo a trama me soou muito frágil, pois não tinha um motivo real para os dois não se entenderem.
No entanto, por incrível que pareça, Mais lindo que a lua não foi nem de longe uma leitura ruim. Afinal, estamos falando de um livro da Julia Quinn né? E fiquei impressionada com o fato de que mesmo não tendo gostado dos personagens e a trama sendo tão frágil, eu me diverti muito durante a leitura. Isso se deve ao fato de que ela manteve aqui a característica que mais gosto em seus livros: os diálogos afiados e repletos de ironia. Assim, mesmo o romance não tendo me cativado, o sendo de humor da autora funcionou muito bem e deixou a leitura leve e prazerosa.
“Ela significara tudo para ele. Tudo. Ele lhe prometera a lua e estava sendo sincero. Ele a amara tanto que teria dado um jeito de puxar aquela esfera do céu para lhe entregar em uma bandeja, se ela quisesse.”
Outro aspecto que não posso deixar de mencionar é que o livro tem uma personagem muito carismática e que rouba a cena nos momentos em que aparece: a Elinor, irmã mais nova da Victoria. Ela é uma menina muito esperta e totalmente a frente do seu tempo, com uma personalidade forte e uma incrível habilidade para os negócios. O melhor de tudo é que ela será a protagonista do próximo livro desta duologia e, por causa dela, estou bastante animada para conferir essa continuação.
Com relação à edição, a Arqueiro caprichou mais uma vez. A capa está muito linda e faz todo o sentido com a história. Além disso, as páginas são amareladas e a fonte está em um ótimo tamanho.
Assim, Mais lindo que a lua não é nem de longe o romance mais marcante da Julia Quinn, porém, ele ainda funciona para quem procura algo leve e divertido para ler. Foi uma leitura que fluiu bastante e me proporcionou boas risadas, me deixando curiosa para ler o segundo livro. É um livro que recomendo para ler sem expectativas, como um bom passatempo em uma tarde preguiçosa.

E vocês, já leram esse ou outro livro da Julia Quinn? Me contem aí nos comentários o que acharam e qual o romance de época favorito de vocês. 

[Resenha] É inverno

Autora: Cecilia Mouta
Editora: Chiado
Páginas: 346
Skoob
Exemplar cedido pela agência Oasys Cultural
Sinopse: “Izzy é fascinada pela neve, o inverno é sua estação do ano preferida. Todos os dias, na escola, ela se diverte com seus melhores amigos: Lil, Sam e Mat. Porém, Lil sofre de pesadelos e toda vez que os tem, algo ruim acontece em seguida. Naquele ano o inverno estava diferente, intenso. E, certo dia, Lil tem um pesadelo que muda completamente a vida dos quatro amigos. Os episódios seguintes levam o leitor a viver momentos emocionantes nas descobertas que Izzy faz sobre a própria vida. Até que chega o momento crucial em que ela tem que fazer uma escolha que poderá colocar um ponto final em toda a sua história até ali, inclusive na amizade com sua melhor amiga Lil.”

No final do ano passado, recebi da agência Oasys Cultural o livro É inverno, da autora Cecilia Mouta. Como sou fascinada pelo inverno, fiquei imediatamente interessada por essa capa e pela sinopse. Terminei de ler recentemente e confesso que a leitura me surpreendeu em alguns aspectos, mas decepcionou em outros.
O livro conta a história de Izzy, uma menina de apenas 8 anos e que tem uma vida como a de qualquer outra criança de sua idade. Ela tem pais amorosos, estuda em uma boa escola e conta com amigos incríveis. Junto com Lil, Mat e Sam, Izzy tem daquelas amizades lindas da infância, com muitas aventuras, sonhos e brincadeiras.
No entanto, quando está prestes a completar 9 anos, a vida de Izzy começa a mudar. Pela primeira vez, ela não está animada para seu aniversário, pois tem um mal pressentimento. Além disso, sua amiga Lil tinha sonhos que sempre acabavam se confirmando e, depois de muito tempo, ela sonhou novamente. Esse sonho, no entanto, foi diferente de todos os outros que já teve e promete mudar para sempre a vida dos quatro amigos.

Um acontecimento realmente transforma a vida dessas crianças, mas quase dez anos depois Izzy e Lil tinham seguido suas vidas e mantido a amizade inseparável. Se tornaram alunas populares na escola, líderes de torcida e estavam prestes a concluir o Ensino Médio. Os sonhos de Lil pararam e elas conseguiram ter a vida normal de qualquer adolescente. No entanto, coisas estranhas começam a acontecer com Izzy que a levarão a descobertas sobre si mesma e a uma escolha que poderá mudar toda sua história.


Falando primeiro sobre o que me surpreendeu positivamente nesse livro, a temática e a mensagem transmitida pela autora foram muito interessantes. Confesso que, a princípio, pensei que o livro focaria nos misteriosos sonhos de Lil e na amizade dos quatro jovens, ficando mais voltado para uma aventura adolescente. Porém, é um livro sobre amadurecimento, luto, amizade, escolhas difíceis e a importância de viver o presente.
À medida que os personagens vão passando pelos acontecimentos que transformam suas vidas, a autora leva o leitor a refletir sobre o crescimento e as mudanças pelas quais todos passamos. Além disso, ela fala com muita sensibilidade sobre como devemos valorizar todos os momentos do presente, pois a vida passa rápido e é impossível saber com certeza o que o futuro reserva.
O livro tem alguns momentos tocantes, pelos temas que aborda. Algumas situações são muito dolorosas, ainda mais quando consideramos a idade dos personagens. No entanto, a autora soube dosar os momentos mais difíceis com alguns mais alegres, além de incluir momentos de mistério e tensão, que tornam a leitura fluida e rápida.
Porém, como eu disse no início da resenha, algumas coisas me decepcionaram na leitura. A primeira delas é a narração. Todo o livro é contado pela perspectiva de Izzy, que durante a maior parte da história, tem apenas oito anos. Normalmente, não me incomodo com livros narrados por crianças e até gosto, porque acredito que eles trazem uma perspectiva mais sensível. Porém, faltou um pouco de equilíbrio nessa narração. Em alguns momentos, ela é feita de forma muito infantil, apesar de condizente com a idade da protagonista; em outros, Izzy tem diálogos e pensamentos complexos para sua idade e que fazem com que ela pareça ser mais velha. Por esse motivo, até aparecer de maneira clara no livro que ela tinha 8 anos, eu ficava em dúvida se era uma criança mesmo quem narrava os acontecimentos.  
Além disso, achei que o excesso de descrições quebrou o ritmo da leitura, especialmente na primeira metade. Em diversos momentos, a narração é interrompida para o relato de fatos passados ou descrição de lugares que não influenciam em nada no desenrolar da trama. Isso fez com que eu demorasse um pouco para conseguir me conectar com a história e chegou a me irritar em alguns momentos.


Com relação à trama, achei que a proposta e a mensagem transmitidas eram muito boas. Há momentos sensíveis e tocantes, situações em que sofremos com os protagonistas e nos preocupamos com os eles. Porém, a história foi construída de uma maneira muito simples e até mesmo a grande reviravolta do final se mostrou bastante previsível.
Esse foi meu primeiro contato com a escrita de Cecília Mouta, mas admito que esperava mais. Apesar de ter me emocionado em alguns momentos, não consegui me conectar o suficiente com a história e os personagens. Além disso, esperava um final bem mais surpreendente. No entanto, preciso ressaltar que a autora demonstrou um bom potencial. O livro tem muitos problemas, porém, a premissa é muito boa, traz reflexões interessantes e Cecília demonstrou sensibilidade para abordar temas difíceis.   
A edição da Chiado é simples, mas bonita. Adorei a capa, que já ajuda o leitor a mergulhar nesse clima de inverno do livro. Além disso, as páginas são amareladas e a fonte e o espaçamento estão em ótimo tamanho para leitura.
Deste modo, É inverno foi uma leitura que me deixou com sentimentos contraditórios. Por um lado, esperava mais e acabei me decepcionando com a forma como a história foi narrada e com o final. Porém, gostei dos temas abordados e achei que a autora transmitiu uma mensagem bonita, que faz o leitor refletir sobre a vida e o quanto devemos valorizar o presente. Assim, recomendo o livro para quem procura uma leitura leve e sensível, mas sem esperar um grande mistério ou uma história muito complexa e marcante. 

Carnaval Literário - Book Tag


Domingo de Carnaval e é claro que eu não poderia perder a oportunidade de falar de quê? De livros, óbvio. Então, resolvi responder a tag Carnaval Literário que assisti essa semana no canal Kabook TV e que foi criada pela Thaís, do Pronome Interrogativo.
Como já dá para imaginar pelo nome, são perguntas que relacionam elementos famosos do carnaval com livros. E, o melhor de tudo, é uma tag bem alto astral, então, só vão aparecer aqui livros que eu gostei muito e recomendo para vocês. Ou seja, um post cheio de amor e alegria para combinar com o carnaval.

Samba-enredo: Seu livro favorito de todos os tempos
Eu tenho uma dificuldade enorme para escolher apenas um livro favorito, porque tiveram vários livros que foram marcantes para mim por algum motivo. No entanto, um que tem um lugar muito especial no meu coração e que pretendo reler em breve para trazer a resenha para vocês é Persuasão, da Jane Austen. Mesmo amando todos os livros que já li da autora até hoje, esse é, sem dúvida, o meu favorito dela.

Mestre-sala e porta-bandeira: Um livro com um casal arrebatador
Normalmente, eu responderia o casal principal de Persuasão. Porém, para não ficar repetitivo, vou escolher um outro casal que também considero arrebatador e pelo qual eu torci muito: Daniel Smythe-Smith e Anne Wynter, protagonistas do livro Uma noite como esta, da Julia Quinn. Ainda estou devendo a resenha desse livro aqui (algo que pretendo corrigir em breve), mas já adianto que eu adoro esse casal e este é o meu livro favorito dessa série.

Harmonia: Um livro que tenha sido bom do começo ao fim
Para essa pergunta, escolhi um livro que foi um dos meus favoritos do ano passado e que me prendeu completamente ao longo das suas quase 650 páginas: Trono de Vidro 4 – Rainha das Sombras, da Sarah J. Maas. É um livro muito bom desde a primeira até a última página, com várias coisas acontecendo, muitas reviravoltas e uma evolução significativa dos personagens. Para quem quiser saber mais, tem a resenha dele aqui.

Evolução: Um livro com uma história perfeita, sem tirar nem por
Claro que eu não poderia deixar de fora o meu livro favorito de 2017 e que acabou de ser lançado pela Galera Record aqui no Brasil, É assim que acaba, da Colleen Hoover. Esse além, além de ter uma história que considero ter sido perfeita, é uma leitura extremamente importante. Colleen Hoover abordou um tema seríssimo com muita sensibilidade e responsabilidade, trazendo uma história muito forte e emocionante, mas que merece ser lida.

Comissão de frente: Um livro que faz jus à capa.
Ultimamente, as editoras têm caprichado tanto nas capas que é até difícil escolher. Mas optei um livro que comprei por ter uma capa maravilhosa, mas que a história foi ainda mais linda: Em algum lugar das estrelas, da Clare Vanderpool. Olhem a capa desse livro e vejam se não dá vontade de comprar na hora? Mas acreditem que a leitura é tão encantadora quanto a capa nos faz imaginar. Menção honrosa: não podia deixar de mencionar The girl from everywhere: O mapa do tempo, da Heidi Heilig, que também se enquadra perfeitamente nessa pergunta (resenha aqui).

Rainha de bateria: Escritora que samba na cara da sociedade.
Essa pergunta foi uma maldade comigo, pois tem tantas autoras que eu amo e que acho que sambam na cara da sociedade, incluindo algumas que apareceram nesse post e a rainha da minha vida, J. K. Rowling. Porém, escolhi uma que eu não menciono aqui no blog há algum tempo e eu não consigo responder uma tag sem mencioná-la ao menos uma vez: Cassandra Clare, autora da série Os Instrumentos Mortais e das trilogias As Peças Infernais e Os Artifícios das Trevas. Me apaixonei pela escrita dela desde que li Cidade dos Ossos e, desde então, ela tem melhorado a cada livro e eu só consigo desejar mais livros dela, porque Cassandra Clare realmente samba na cara da sociedade.


E aí, gostaram da tag? Me contem aí nos comentários se vocês já leram algum dos livros indicados e se vão aproveitar o carnaval lendo ou na folia. Ah e para quem quer aproveitar o feriado para adquirir livros novos (quem sabe algum desses que indiquei) está tendo uma promoção de carnaval na Amazon, com cupons de desconto para várias editoras. A promoção vai até dia 14/02, Quarta-feira de Cinzas, e vocês podem conferir as ofertas aqui.

[Resenha] Aquilo que realmente importa

Autora: C. Nan Bianchi
Editora: Amazon
Páginas: 670
Ebook cedido pela autora
Onde comprar: Amazon
Sinopse: “Vanessa Zandrine tem 24 anos e não tem tempo. Totalmente focada no trabalho e em ser uma pessoa bem-sucedida, ela, como a maioria de nós, está vivendo no piloto automático. Até que um dia, um acontecimento indesejado a faz tirar o pé do acelerador e repensar: Será mesmo que aquilo que persegue com tanta obstinação é o que a fará feliz? Vanessa dá início à uma emocionante busca para encontrar aquilo que realmente importa e muitas mudanças, encontros especiais e pequenos presentes vão tornar essa sua jornada ainda mais memorável: a chegada de um curioso sofá, uma carta, a descoberta de uma intrigante comunidade de viajantes, o retorno do cara perfeito e as conversas com um inglês sem rosto na calada da noite. A vida de Vanessa definitivamente não está mais no automático, ela está com as rédeas nas mãos, mas nem tudo são flores nesse caminho. A felicidade reside à beira de um precipício e requer, acima de tudo, coragem para encontrá-la. Um livro sobre viajantes, descobertas e encontro da felicidade nas pequenas coisas. Um livro sobre o amor, sobretudo o próprio.”

Quando recebi a oferta da autora C. Nan Bianchi de ler e resenhar seu livro, Aquilo que realmente importa, fiquei imediatamente interessada pela sinopse: uma protagonista que está tão focada em seu trabalho e alcançar o que muitos consideram como ser bem-sucedido, que perdeu o foco do que realmente importava, até levar um baque que a leva a repensar o modo como conduzia sua vida. Além de ser um tema atual e necessário, acho sempre interessante quando a leitura nos permite acompanhar os personagens em uma jornada de redescoberta e amadurecimento.
De um modo geral, achei um livro bastante inspirador e que me fez refletir sobre muitas coisas. Toda a trajetória da protagonista me cativou, me deixou com vontade de sacudi-la em muitos momentos e, principalmente, me fez pensar. São vários temas abordados pela autora, mas todos eles ajudam o leitor a colocar a vida moderna em perspectiva.
“Às vezes, você tem que virar seu mundo do avesso para poder ver claramente. E, quando finalmente vê, percebe quanto tempo perdeu correndo atrás das coisas erradas.”
Assim, em Aquilo que realmente importa conhecemos Vanessa Zandrine, uma jovem de 24 anos que trabalha em uma grande marca de sapatos e que almeja conseguir em breve uma ótima promoção. O problema é que ela é totalmente obcecada por seu trabalho, não sobrando tempo para família, amigos, vida pessoal e, pior ainda, nem para ela mesma. Assim, sua vida se resume a trabalhar muito mais horas do que é paga e gastar todo o salário no shopping com compras que ela não precisa de fato. 


O livro é todo narrado pela perspectiva de Vanessa, o que ajuda muito o leitor a entender como ela tinha se desconectado de sua essência e seus valores estavam invertidos. Admito que inicialmente não é fácil gostar dessa protagonista. A maneira como ela trata a mãe e coloca o trabalho acima da família me irritaram muito, assim como sua submissão à chefe e seu apego às coisas materiais. No entanto, não deixa de ser um retrato fiel do que temos visto na sociedade moderna e acho difícil alguém conseguir não se identificar com pelo menos algum dos momentos vividos pela protagonista, por mais que seja doloroso reconhecer.
No entanto, é interessante ver como Vanessa vai evoluindo ao longo do livro. O acontecimento que a faz repensar sua vida é forte e torna compreensível o choque de realidade levado por ela. Além disso, a transformação da protagonista é ainda mais convincente porque não é um caminho linear. Ela tropeça, comete erros, tem recaídas e faz muitas besteiras ao longo do livro, e, apesar de ficar muito brava em alguns momentos, gostei de perceber que todas essas situações trouxeram ensinamentos para Vanessa e serviram para leva-la ainda mais em sua trajetória de amadurecimento e redescoberta.
“A mala não é o objetivo, Vanessa, a estrada é. Você pode aproveitar o caminho, ou se arrastar por ele. É uma questão de escolha.”
Outro ponto que gostei bastante foram os personagens. Apesar de nem todos terem sido tão explorados ou desenvolvidos ao longo da trama, todos eles contribuem significativamente na jornada de Vanessa. Mas claro que alguns se destacam. As amigas que já faziam parte da vida dela, Nathalia e Flavinha, e pessoas que ela vai conhecendo ao longo do caminho, especialmente sua nova vizinha, Dona Josefa. São personagens que me cativaram e que trouxeram leveza e aprendizado para a protagonista.
Claro que nesse percurso também há espaço para romance. Vanessa sempre teve um amor platônico por um homem de seu antigo trabalho, mas há também um inglês com quem ela começa a trocar mensagens e que irá mexer com seu coração. No entanto, em nenhum momento, esse aspecto da vida dela tira o foco do livro. A autora deixa claro que o romance é só mais um elemento dentro desse caminho de redescoberta vivido por Vanessa, mas que o principal é que ela consiga resgatar sua essência e se sentir bem consigo mesma.
“Percebo que a única coisa que mantém as relações de amor é o esforço, o contato. Que se não cultivarmos isso, mesmo que alguém nos ame imensamente, sempre nos sentiremos sozinhos no mundo. O amor só consegue entrar onde a porta está aberta.”
Com relação à escrita da autora, achei leve e com muita sensibilidade. Gostei que ela conseguiu ir introduzindo vários assuntos de maneira natural na trama, pois são questões cada vez mais presentes no nosso cotidiano. Assim, ela fala não apenas dessa obsessão com o suposto sucesso profissional, que envolve trabalhar em um ritmo intenso e quase desumano para alcançar um cargo ou salário dos sonhos, mas também do consumismo desenfreado, da solidão que as pessoas têm vivido, do abandono de idosos e, até mesmo, de relacionamentos abusivos. São todos assuntos sérios e que foram trabalhados pela autora de forma delicada e fazendo o leitor refletir.
No entanto, tenho uma ressalva com relação ao ritmo da trama. Todas as etapas dessa transformação da vida de Vanessa foram relatadas com muitos detalhes e, apesar de entender como elas contribuíram para o crescimento da protagonista, acabei achando a leitura cansativa em alguns momentos. Senti que a autora inseriu com frequência cenas muito cotidianas e que há um excesso de descrições e diálogos que quebraram o ritmo de leitura e dificultaram para que eu conseguisse me envolver. Da metade para o fim, ela conseguiu se tornar mais objetiva e desenvolver a trama em um ritmo mais dinâmico, mas até chegar lá fiquei cansada em alguns momentos.
Apesar dessa ressalva, Aquilo que realmente importa foi uma leitura que me emocionou em muitos momentos. Gostei de ver o amadurecimento da Vanessa e das reflexões que a autora proporcionou. Acredito que é uma leitura daquelas que nos fazem colocar a vida em perspectiva e parar para olhar mais atentamente para o que deve ser prioridade. Terminei o livro orgulhosa da evolução da protagonista e inspirada por ela.
O livro ganhará uma continuação e estou bastante curiosa para acompanhar as próximas aventuras de Vanessa. Mas, se você prefere livros únicos, não se preocupe que o final é redondo e não deixa pontas soltas. Para quem se interessou, o livro está disponível apenas em ebook e pode ser adquirido na Amazon, aqui.

[Resenha] Um de nós está mentindo

Autora: Karen M. McManus
Editora: Galera Record
Páginas: 384
Comprar: Amazon
Exemplar recebido de parceria com a editora
Sinopse: Numa tarde de segunda-feira, cinco estudantes do colégio Bayview entram na sala de detenção: Bronwyn, a gênia, comprometida a estudar em Yale, nunca quebra as regras. Addy, a bela, a perfeita definição da princesa do baile de primavera. Nate, o criminoso, já em liberdade condicional por tráfico de drogas. Cooper, o atleta, astro do time de beisebol. E Simon, o pária, criador do mais famoso app de fofocas da escola. Só que Simon não consegue ir embora. Antes do fim da detenção, ele está morto. E, de acordo com os investigadores, a sua morte não foi acidental. Na segunda, ele morreu. Mas na terça, planejava postar fofocas bem quentes sobre os companheiros de detenção. O que faz os quatro serem suspeitos do seu assassinato. Ou são eles as vítimas perfeitas de um assassino que continua à solta? Todo mundo tem segredos, certo? O que realmente importa é até onde você iria para proteger os seus.

No finalzinho de janeiro, recebi uma caixinha muito especial do Grupo Editorial Record com uma cartinha me contando que o Dicas de Malu agora faz parte do VIB – Very Important Book. Com isso, ocasionalmente irei receber antecipadamente alguns livros que serão lançados pela editora. Nessa primeira caixinha, recebi os dois primeiros exemplares, sendo um deles Um de nós está mentindo, da Karen M. McManus.
Para quem viu a minha lista com lançamentos desejados para 2018, sabe que esse livro já era aguardado por mim. Então, claro que dei um jeito de fazer com que ele pulasse a pilha de livros para ler e agora vou poder contar, sem spoilers, o que achei dessa leitura.
Um de nós está mentindo é um Young Adult que despertou a minha atenção desde que soube de seu lançamento, pois, diferente da maioria dos livros do gênero que eu já li, trata-se também de um thriller com uma premissa incrível. Cinco alunos que não têm nenhuma ligação óbvia vão parar na detenção da escola pelo mesmo motivo, mas alegam não terem culpa. Apenas quatro deles saem vivos.
“Uma sex tape. Alguém com medo de ter ficado grávida. Dois escândalos envolvendo traições. E essa é apenas a primeira atualização das notícias da semana. Se tudo que você soubesse a respeito do Colégio Bayview viesse do aplicativo de fofoca de Simon Kelleher, você se perguntaria como alguém ainda poderia ter tempo de assistir às aulas.”
Em uma segunda-feira que poderia ser um dia normal na escola, Addy, Bronwyn, Cooper, Nate e Simon são flagrados com celular dentro da mochila por um professor que proibia expressamente qualquer aparelho eletrônico em sua aula. Todos os cinco alegam que não eram donos dos celulares apanhados e que alguém armou para brincar com eles.
O problema é que, durante a detenção, Simon sofre um ataque anafilático e acaba morrendo. Poderia não ser mais do que um infeliz acidente, porém, as circunstâncias não poderiam ser mais suspeitas: havia óleo de amendoim no copo que Simon bebeu água, o que provocou a reação alérgica fortíssima que teve; Simon tinha um site que revelava os segredos de todas as pessoas do colégio; naquele dia, ele iria publicar sobre os outros quatro alunos que estavam com ele na sala.

Uma das coisas que me deixaram mais curiosa para ler Um de nós está mentindo é que, de certa forma, me pareceu uma versão de suspense do filme da década de 1980, Clube dos cinco (dica: se vocês não viram ainda, tem na Netflix). No livro, assim como no filme, temos cinco jovens que não têm nada em comum, mas representam estereótipos do High School norte-americano: o atleta, a nerd, a patricinha, o bad boy desajustado e o fofoqueiro. No entanto, à medida que a trama avança, percebemos que todos eles têm mais camadas do que esperávamos a princípio.
O livro vai intercalando o ponto de vista de Addy, Browyn, Cooper e Nate o que permite ao leitor ir decifrando a personalidade de cada um deles. Addy faz parte do grupo de populares e é totalmente dedicada a seu namorado, Jake, um dos atletas do time de beisebol da escola; Browyn é uma aluna muito esforçada, que se destaca por suas notas altas, seu bom comportamento e sua participação em diversas atividades extracurriculares; Cooper é uma promessa do beisebol e tem se dedicado cada vez mais aos treinos para impressionar os olheiros de grandes times; já o Nate é conhecido como o aluno problema, que quase nunca frequenta as aulas e está em liberdade condicional, mas ainda se arrisca vendendo drogas.
“Ela é uma princesa, e você, um atleta – responde ele, apontando para Bronwyn e depois para Nate, - E você é um crânio. E também um criminoso. Vocês são todos estereótipos ambulantes de filmes de adolescentes.”
Devido à forma como os personagens principais foram sendo apresentados, o mistério se tornou ainda mais instigante. Todos eles tinham motivos para querer matar o Simon, o que faz com que a cada momento o leitor suspeite de um. No entanto, à medida que os conhecemos, vamos ficando envolvidos e sem querer acreditar que foi algum deles. Além disso, várias pessoas já haviam sido afetadas pelas revelações de Simon, então, a lista de suspeitos pode incluir qualquer aluno da escola.
Assim, não preciso nem dizer que fiquei bastante envolvida e que a leitura fluiu rapidamente. Mesmo no momento em que a trama seguia sem muitas pistas sobre o mistério, focando mais no desenvolvimento dos personagens, eu estava tão curiosa que não conseguia para de ler. Mérito para a autora que tem uma escrita fluida e soube conduzir a trama de uma maneira que prende a atenção do leitor tanto pelo suspense quanto por se apegar aos personagens envolvidos.
Outro aspecto que gostei bastante no livro é que, em meio ao suspense, a autora conseguiu discutir temas importantes da adolescência, sem tirar o ritmo do livro ou da investigação da morte de Simon. Assim, à medida que a trama vai se desenrolando, são abordados temas como drogas, pressão da família e expectativas em relação ao futuro, o impacto das redes sociais na vida dos jovens e, principalmente, o bullying e suas consequências.
“Agora eis o dever de casa: liguem os pontos. Será que está todo mundo mancomunado ou alguém está no controle? Quem é o manipulador e quem são as marionetes? Vou dar uma pista para vocês começarem: todo mundo está mentindo.”
Há também espaço para o romance. Algumas pessoas podem se incomodar, principalmente porque é algo que não é tão comum em livros de suspense. Porém, como não chegou a tirar o foco da trama, não foi algo que me atrapalhou na leitura. Inclusive, admito que gostei do casal.
Com relação ao desfecho, para mim, foi bastante surpreendente. Admito que uma hipótese parecida passou pela minha cabeça, mas foi rapidamente abandonada e eu fiquei o livro todo com outras mil teorias e sem saber onde apostar. No momento em que os pontos foram ligados e eu finalmente entendi o grande mistério, fiquei em choque. Talvez, para quem leia livros do gênero com frequência não seja tão impactante, mas eu fiquei realmente surpresa.
Agradeço ao Grupo Editorial Record por ter me dado a oportunidade de ler Um de nós está mentindo. Gostei muito da escrita da Karen M. McManus e fui completamente envolvida pela leitura desde a primeira página. Trata-se do primeiro livro da autora e espero realmente que ela não demore a publicar outros, pois foi um início muito promissor. Recomendo muito a leitura para quem procura um Young Adult diferente ou que queira começar a se aventurar lendo thrillers.

E, para quem se interessou, Um de nós está mentindo será lançado dia 26 de fevereiro pela Galera Record e já pode ser adquirido em pré-venda. Assim, vou deixar o link de compra na Amazon aqui para quem tiver interesse. 

Apaixonada por literatura desde pequena, nunca consegui ficar muito tempo sem um livro na mão. Assim, o Dicas de Malu é o espaço onde compartilho um pouco desse meu amor pelo mundo literário.




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