[Resenha] Aquilo que realmente importa

Autora: C. Nan Bianchi
Editora: Amazon
Páginas: 670
Ebook cedido pela autora
Onde comprar: Amazon
Sinopse: “Vanessa Zandrine tem 24 anos e não tem tempo. Totalmente focada no trabalho e em ser uma pessoa bem-sucedida, ela, como a maioria de nós, está vivendo no piloto automático. Até que um dia, um acontecimento indesejado a faz tirar o pé do acelerador e repensar: Será mesmo que aquilo que persegue com tanta obstinação é o que a fará feliz? Vanessa dá início à uma emocionante busca para encontrar aquilo que realmente importa e muitas mudanças, encontros especiais e pequenos presentes vão tornar essa sua jornada ainda mais memorável: a chegada de um curioso sofá, uma carta, a descoberta de uma intrigante comunidade de viajantes, o retorno do cara perfeito e as conversas com um inglês sem rosto na calada da noite. A vida de Vanessa definitivamente não está mais no automático, ela está com as rédeas nas mãos, mas nem tudo são flores nesse caminho. A felicidade reside à beira de um precipício e requer, acima de tudo, coragem para encontrá-la. Um livro sobre viajantes, descobertas e encontro da felicidade nas pequenas coisas. Um livro sobre o amor, sobretudo o próprio.”

Quando recebi a oferta da autora C. Nan Bianchi de ler e resenhar seu livro, Aquilo que realmente importa, fiquei imediatamente interessada pela sinopse: uma protagonista que está tão focada em seu trabalho e alcançar o que muitos consideram como ser bem-sucedido, que perdeu o foco do que realmente importava, até levar um baque que a leva a repensar o modo como conduzia sua vida. Além de ser um tema atual e necessário, acho sempre interessante quando a leitura nos permite acompanhar os personagens em uma jornada de redescoberta e amadurecimento.
De um modo geral, achei um livro bastante inspirador e que me fez refletir sobre muitas coisas. Toda a trajetória da protagonista me cativou, me deixou com vontade de sacudi-la em muitos momentos e, principalmente, me fez pensar. São vários temas abordados pela autora, mas todos eles ajudam o leitor a colocar a vida moderna em perspectiva.
“Às vezes, você tem que virar seu mundo do avesso para poder ver claramente. E, quando finalmente vê, percebe quanto tempo perdeu correndo atrás das coisas erradas.”
Assim, em Aquilo que realmente importa conhecemos Vanessa Zandrine, uma jovem de 24 anos que trabalha em uma grande marca de sapatos e que almeja conseguir em breve uma ótima promoção. O problema é que ela é totalmente obcecada por seu trabalho, não sobrando tempo para família, amigos, vida pessoal e, pior ainda, nem para ela mesma. Assim, sua vida se resume a trabalhar muito mais horas do que é paga e gastar todo o salário no shopping com compras que ela não precisa de fato. 


O livro é todo narrado pela perspectiva de Vanessa, o que ajuda muito o leitor a entender como ela tinha se desconectado de sua essência e seus valores estavam invertidos. Admito que inicialmente não é fácil gostar dessa protagonista. A maneira como ela trata a mãe e coloca o trabalho acima da família me irritaram muito, assim como sua submissão à chefe e seu apego às coisas materiais. No entanto, não deixa de ser um retrato fiel do que temos visto na sociedade moderna e acho difícil alguém conseguir não se identificar com pelo menos algum dos momentos vividos pela protagonista, por mais que seja doloroso reconhecer.
No entanto, é interessante ver como Vanessa vai evoluindo ao longo do livro. O acontecimento que a faz repensar sua vida é forte e torna compreensível o choque de realidade levado por ela. Além disso, a transformação da protagonista é ainda mais convincente porque não é um caminho linear. Ela tropeça, comete erros, tem recaídas e faz muitas besteiras ao longo do livro, e, apesar de ficar muito brava em alguns momentos, gostei de perceber que todas essas situações trouxeram ensinamentos para Vanessa e serviram para leva-la ainda mais em sua trajetória de amadurecimento e redescoberta.
“A mala não é o objetivo, Vanessa, a estrada é. Você pode aproveitar o caminho, ou se arrastar por ele. É uma questão de escolha.”
Outro ponto que gostei bastante foram os personagens. Apesar de nem todos terem sido tão explorados ou desenvolvidos ao longo da trama, todos eles contribuem significativamente na jornada de Vanessa. Mas claro que alguns se destacam. As amigas que já faziam parte da vida dela, Nathalia e Flavinha, e pessoas que ela vai conhecendo ao longo do caminho, especialmente sua nova vizinha, Dona Josefa. São personagens que me cativaram e que trouxeram leveza e aprendizado para a protagonista.
Claro que nesse percurso também há espaço para romance. Vanessa sempre teve um amor platônico por um homem de seu antigo trabalho, mas há também um inglês com quem ela começa a trocar mensagens e que irá mexer com seu coração. No entanto, em nenhum momento, esse aspecto da vida dela tira o foco do livro. A autora deixa claro que o romance é só mais um elemento dentro desse caminho de redescoberta vivido por Vanessa, mas que o principal é que ela consiga resgatar sua essência e se sentir bem consigo mesma.
“Percebo que a única coisa que mantém as relações de amor é o esforço, o contato. Que se não cultivarmos isso, mesmo que alguém nos ame imensamente, sempre nos sentiremos sozinhos no mundo. O amor só consegue entrar onde a porta está aberta.”
Com relação à escrita da autora, achei leve e com muita sensibilidade. Gostei que ela conseguiu ir introduzindo vários assuntos de maneira natural na trama, pois são questões cada vez mais presentes no nosso cotidiano. Assim, ela fala não apenas dessa obsessão com o suposto sucesso profissional, que envolve trabalhar em um ritmo intenso e quase desumano para alcançar um cargo ou salário dos sonhos, mas também do consumismo desenfreado, da solidão que as pessoas têm vivido, do abandono de idosos e, até mesmo, de relacionamentos abusivos. São todos assuntos sérios e que foram trabalhados pela autora de forma delicada e fazendo o leitor refletir.
No entanto, tenho uma ressalva com relação ao ritmo da trama. Todas as etapas dessa transformação da vida de Vanessa foram relatadas com muitos detalhes e, apesar de entender como elas contribuíram para o crescimento da protagonista, acabei achando a leitura cansativa em alguns momentos. Senti que a autora inseriu com frequência cenas muito cotidianas e que há um excesso de descrições e diálogos que quebraram o ritmo de leitura e dificultaram para que eu conseguisse me envolver. Da metade para o fim, ela conseguiu se tornar mais objetiva e desenvolver a trama em um ritmo mais dinâmico, mas até chegar lá fiquei cansada em alguns momentos.
Apesar dessa ressalva, Aquilo que realmente importa foi uma leitura que me emocionou em muitos momentos. Gostei de ver o amadurecimento da Vanessa e das reflexões que a autora proporcionou. Acredito que é uma leitura daquelas que nos fazem colocar a vida em perspectiva e parar para olhar mais atentamente para o que deve ser prioridade. Terminei o livro orgulhosa da evolução da protagonista e inspirada por ela.
O livro ganhará uma continuação e estou bastante curiosa para acompanhar as próximas aventuras de Vanessa. Mas, se você prefere livros únicos, não se preocupe que o final é redondo e não deixa pontas soltas. Para quem se interessou, o livro está disponível apenas em ebook e pode ser adquirido na Amazon, aqui.

[Resenha] Um de nós está mentindo

Autora: Karen M. McManus
Editora: Galera Record
Páginas: 384
Comprar: Amazon
Exemplar recebido de parceria com a editora
Sinopse: Numa tarde de segunda-feira, cinco estudantes do colégio Bayview entram na sala de detenção: Bronwyn, a gênia, comprometida a estudar em Yale, nunca quebra as regras. Addy, a bela, a perfeita definição da princesa do baile de primavera. Nate, o criminoso, já em liberdade condicional por tráfico de drogas. Cooper, o atleta, astro do time de beisebol. E Simon, o pária, criador do mais famoso app de fofocas da escola. Só que Simon não consegue ir embora. Antes do fim da detenção, ele está morto. E, de acordo com os investigadores, a sua morte não foi acidental. Na segunda, ele morreu. Mas na terça, planejava postar fofocas bem quentes sobre os companheiros de detenção. O que faz os quatro serem suspeitos do seu assassinato. Ou são eles as vítimas perfeitas de um assassino que continua à solta? Todo mundo tem segredos, certo? O que realmente importa é até onde você iria para proteger os seus.

No finalzinho de janeiro, recebi uma caixinha muito especial do Grupo Editorial Record com uma cartinha me contando que o Dicas de Malu agora faz parte do VIB – Very Important Book. Com isso, ocasionalmente irei receber antecipadamente alguns livros que serão lançados pela editora. Nessa primeira caixinha, recebi os dois primeiros exemplares, sendo um deles Um de nós está mentindo, da Karen M. McManus.
Para quem viu a minha lista com lançamentos desejados para 2018, sabe que esse livro já era aguardado por mim. Então, claro que dei um jeito de fazer com que ele pulasse a pilha de livros para ler e agora vou poder contar, sem spoilers, o que achei dessa leitura.
Um de nós está mentindo é um Young Adult que despertou a minha atenção desde que soube de seu lançamento, pois, diferente da maioria dos livros do gênero que eu já li, trata-se também de um thriller com uma premissa incrível. Cinco alunos que não têm nenhuma ligação óbvia vão parar na detenção da escola pelo mesmo motivo, mas alegam não terem culpa. Apenas quatro deles saem vivos.
“Uma sex tape. Alguém com medo de ter ficado grávida. Dois escândalos envolvendo traições. E essa é apenas a primeira atualização das notícias da semana. Se tudo que você soubesse a respeito do Colégio Bayview viesse do aplicativo de fofoca de Simon Kelleher, você se perguntaria como alguém ainda poderia ter tempo de assistir às aulas.”
Em uma segunda-feira que poderia ser um dia normal na escola, Addy, Bronwyn, Cooper, Nate e Simon são flagrados com celular dentro da mochila por um professor que proibia expressamente qualquer aparelho eletrônico em sua aula. Todos os cinco alegam que não eram donos dos celulares apanhados e que alguém armou para brincar com eles.
O problema é que, durante a detenção, Simon sofre um ataque anafilático e acaba morrendo. Poderia não ser mais do que um infeliz acidente, porém, as circunstâncias não poderiam ser mais suspeitas: havia óleo de amendoim no copo que Simon bebeu água, o que provocou a reação alérgica fortíssima que teve; Simon tinha um site que revelava os segredos de todas as pessoas do colégio; naquele dia, ele iria publicar sobre os outros quatro alunos que estavam com ele na sala.

Uma das coisas que me deixaram mais curiosa para ler Um de nós está mentindo é que, de certa forma, me pareceu uma versão de suspense do filme da década de 1980, Clube dos cinco (dica: se vocês não viram ainda, tem na Netflix). No livro, assim como no filme, temos cinco jovens que não têm nada em comum, mas representam estereótipos do High School norte-americano: o atleta, a nerd, a patricinha, o bad boy desajustado e o fofoqueiro. No entanto, à medida que a trama avança, percebemos que todos eles têm mais camadas do que esperávamos a princípio.
O livro vai intercalando o ponto de vista de Addy, Browyn, Cooper e Nate o que permite ao leitor ir decifrando a personalidade de cada um deles. Addy faz parte do grupo de populares e é totalmente dedicada a seu namorado, Jake, um dos atletas do time de beisebol da escola; Browyn é uma aluna muito esforçada, que se destaca por suas notas altas, seu bom comportamento e sua participação em diversas atividades extracurriculares; Cooper é uma promessa do beisebol e tem se dedicado cada vez mais aos treinos para impressionar os olheiros de grandes times; já o Nate é conhecido como o aluno problema, que quase nunca frequenta as aulas e está em liberdade condicional, mas ainda se arrisca vendendo drogas.
“Ela é uma princesa, e você, um atleta – responde ele, apontando para Bronwyn e depois para Nate, - E você é um crânio. E também um criminoso. Vocês são todos estereótipos ambulantes de filmes de adolescentes.”
Devido à forma como os personagens principais foram sendo apresentados, o mistério se tornou ainda mais instigante. Todos eles tinham motivos para querer matar o Simon, o que faz com que a cada momento o leitor suspeite de um. No entanto, à medida que os conhecemos, vamos ficando envolvidos e sem querer acreditar que foi algum deles. Além disso, várias pessoas já haviam sido afetadas pelas revelações de Simon, então, a lista de suspeitos pode incluir qualquer aluno da escola.
Assim, não preciso nem dizer que fiquei bastante envolvida e que a leitura fluiu rapidamente. Mesmo no momento em que a trama seguia sem muitas pistas sobre o mistério, focando mais no desenvolvimento dos personagens, eu estava tão curiosa que não conseguia para de ler. Mérito para a autora que tem uma escrita fluida e soube conduzir a trama de uma maneira que prende a atenção do leitor tanto pelo suspense quanto por se apegar aos personagens envolvidos.
Outro aspecto que gostei bastante no livro é que, em meio ao suspense, a autora conseguiu discutir temas importantes da adolescência, sem tirar o ritmo do livro ou da investigação da morte de Simon. Assim, à medida que a trama vai se desenrolando, são abordados temas como drogas, pressão da família e expectativas em relação ao futuro, o impacto das redes sociais na vida dos jovens e, principalmente, o bullying e suas consequências.
“Agora eis o dever de casa: liguem os pontos. Será que está todo mundo mancomunado ou alguém está no controle? Quem é o manipulador e quem são as marionetes? Vou dar uma pista para vocês começarem: todo mundo está mentindo.”
Há também espaço para o romance. Algumas pessoas podem se incomodar, principalmente porque é algo que não é tão comum em livros de suspense. Porém, como não chegou a tirar o foco da trama, não foi algo que me atrapalhou na leitura. Inclusive, admito que gostei do casal.
Com relação ao desfecho, para mim, foi bastante surpreendente. Admito que uma hipótese parecida passou pela minha cabeça, mas foi rapidamente abandonada e eu fiquei o livro todo com outras mil teorias e sem saber onde apostar. No momento em que os pontos foram ligados e eu finalmente entendi o grande mistério, fiquei em choque. Talvez, para quem leia livros do gênero com frequência não seja tão impactante, mas eu fiquei realmente surpresa.
Agradeço ao Grupo Editorial Record por ter me dado a oportunidade de ler Um de nós está mentindo. Gostei muito da escrita da Karen M. McManus e fui completamente envolvida pela leitura desde a primeira página. Trata-se do primeiro livro da autora e espero realmente que ela não demore a publicar outros, pois foi um início muito promissor. Recomendo muito a leitura para quem procura um Young Adult diferente ou que queira começar a se aventurar lendo thrillers.

E, para quem se interessou, Um de nós está mentindo será lançado dia 26 de fevereiro pela Galera Record e já pode ser adquirido em pré-venda. Assim, vou deixar o link de compra na Amazon aqui para quem tiver interesse. 

Apaixonada por literatura desde pequena, nunca consegui ficar muito tempo sem um livro na mão. Assim, o Dicas de Malu é o espaço onde compartilho um pouco desse meu amor pelo mundo literário.




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