[Resenha] Uma surpresa na primavera


Oi, pessoal! Hoje vim falar aqui sobre uma série que quem acompanha o blog com certeza deve conhecer: As Irmãs Shakespeare, da Carrie Elks. Publicada no Brasil pela Verus, essa série conta com quatro volumes: Um verão na Itália, Um amor de inverno, Uma surpresa na primavera e Uma luz no outono. Já tem resenha dos dois primeiros aqui no blog e vou deixar os links no final do post. Mas hoje eu vou falar sobre o terceiro.
Uma surpresa na primavera conta a história da mais velha das irmãs Shakespeare, Lucy. Ela já tinha aparecido brevemente nos livros anteriores e tinha chamado a atenção por seu cuidado e preocupação com as irmãs mais novas. Agora, nesse terceiro volume, foi a vez de Lucy assumir o protagonismo e eu vou contar para vocês o que achei da história dela.

E, para quem está preocupado por não ter lido os anteriores, podem ficar tranquilos. Essa resenha será totalmente livre de spoilers, porque a trama central deste livro é independente dos anteriores. Porém, eu recomendo que a série seja lida na ordem correta, porque personagens dos volumes anteriores aparecerão como secundários nesse.

Autora: Carrie Elks
Editora: Verus
Tradução: Andreia Cantarino
Páginas: 308
Onde comprar: Amazon
Sinopse: “Perder o controle nunca foi tão bom... O aguardado terceiro volume da série As irmãs Shakespeare. Lucy Shakespeare é uma advogada de sucesso e, além de ser a mais velha das quatro irmãs, está acostumada a controlar tudo e todos ao seu redor, principalmente a si mesma isto é, até conhecer o lindo Lachlan MacLeish. Lachlan contratou Lucy porque ele precisava da melhor advogada para defender sua herança, a propriedade de Glencarraig, que está subitamente em risco graças ao meio-irmão desonesto. Glencarraig é o único lugar onde as lembranças da família de Lachlan são felizes, e ele não vai desistir disso tão facilmente. No meio de todo esse problema, a última coisa que ele quer é uma distração, mas, assim que vê Lucy, percebe que está em apuros. Apesar do esforço de ambos, não demora muito para que Lucy deseje quebrar todas as suas minuciosas regras. E, enquanto viajam da Escócia para Paris e Nova York, ela não pode deixar de se perguntar: Será que, às vezes, vale a pena arriscar tudo?”

Lucy Shakespeare é uma advogada de sucesso em Edimburgo. Ela trabalha em um grande escritório e batalhou muito para chegar onde está. Muito determinada, Lucy tem todos os aspectos da sua vida cuidadosamente planejados e está acostumada a controlar tudo e todos à sua volta. Porém, isso começa a mudar quando conhece seu novo cliente.
Lachlan McLeish é um empresário milionário que acabou de herdar a propriedade de Glencarraig, no interior da Escócia. Ele contratou Lucy para defender sua herança, que está sendo disputada na justiça por seu meio-irmão. Apesar de não querer nenhuma ligação com a família, Glencarraig é um lugar especial para Lachlan e ele quer ter certeza que vai vencer essa disputa. Lucy parece ser a escolha perfeita para defende-lo. O que ele não esperava é que acharia sua advogada tão atraente.
Tudo que Lucy e Lachlan não queriam eram algo para distraí-los em um momento tão importante: ele focado em não perder sua herança e ela em crescer cada vez na carreira.  Porém, a convivência e algumas viagens juntos levam os dois a se perguntarem se perder um pouco o controle não é exatamente o que estão precisando.

                                                     


Mais uma vez, Carrie Elks me conquistou com sua escrita. Uma surpresa na primavera manteve o clima leve e cativante dos volumes anteriores, mas ganhou muitos pontos comigo por trazer protagonistas muito mais maduros.  Com isso, achei que os conflitos dessa vez foram mais reais e tornaram os personagens mais interessantes.
Ainda muito jovem, Lucy perdeu a mãe e assumiu a responsabilidade de cuidar das irmãs mais novas. O pai, consumido pela tristeza, acabou se isolando e deixando as meninas desamparadas. Com isso, Lucy acabou se tornando uma pessoa determinada, organizada e com uma grande necessidade de controle em sua vida. Mas também tornou seu fardo pesado e fez dela uma pessoa solitária.
Lucy era sempre a primeira a correr para ajudar ao menor sinal de problema, mas não queria compartilhar seus problemas. Isso fez com que eu me sensibilizasse muito por enxergar nela uma personagem generosa e com um coração enorme, mas que também carregava uma grande tristeza e tinha se fechado para o mundo. Então, foi muito bonito ver a jornada dela para se libertar das suas amarras e aprender que nem tudo na vida pode ser controlado.
“Ela era linda, naquele jeito perfeito de rosa inglesa. Mas sua beleza era mais profunda, ele sabia disso agora. Estava em seu humor, sua tristeza, sua bravura e seus medos. Estava no modo como sempre dava tanto quanto recebia e, de algum jeito, o fazia sentir como se tivesse ganhado.”
Já o Lachlan conseguiu me conquistar ainda mais. Gentil, determinado e com sua cota de sofrimento na vida, ele é um mocinho extremamente carismático e é impossível não se apaixonar por ele. Mas não pensem que ele é perfeito: é uma pessoa fechada, que não acredita mais no amor e fechou seu coração, e acaba cometendo alguns erros por isso. No entanto, Lachan aprende com eles e é humilde o suficiente para se desculpar e se esforçar para melhorar.
Além disso, em nenhum momento ele duvida da capacidade de Lucy ou se sente superior por ser um homem tão rico. Ao contrário, Lachlan está sempre demonstrando sua admiração por ela e o quando confia em sua capacidade. Os dois lutaram muito para chegar aonde estavam na vida e se respeitam muito por isso.
Desta forma, o romance acabou sendo absolutamente natural para mim. Os dois eram pessoas muito parecidas, focadas no trabalho e com o coração fechado por traumas passados. Assim, os sentimentos entre eles surgiram de uma admiração mútua e do fato de que um conseguia compreender os dilemas do outro. Para mim, isso foi muito encantador de acompanhar, pois foi uma relação muito natural e cativante, que transformou a vida desses personagens de uma forma linda.

“Os dois tiveram infâncias difíceis – cada um ao seu jeito –, e os dois eram resultado do desejo de conquistar mais do que poderiam ter. A necessidade de sucesso fluiu em suas veias da mesma maneira que fluía através das dela. Uma maneira de provar ao mundo que eram importantes. Eram duas pessoas resistentes, e isso só a fez querer conhecê-lo ainda mais.”



Outro ponto positivo é a ambientação. Cada livro dessa série se passa em um lugar lindo e a autora consegue fazer com que o leitor se sinta ali. E não foi diferente em Uma surpresa na primavera. Aqui vemos um pouco de Nova York, Edimburgo e Paris e consegui enxergar essas cidades como se estivesse passeando por elas. Mas, sem dúvida, foi Glencarraig que conquistou meu coração. Apesar de se tratar de um lugar fictício, retrata de uma forma muito real as paisagens do interior da Escócia e as grandes fortalezas que existem lá. Sinceramente, eu terminei a leitura querendo pegar o primeiro avião direto para a Escócia e morar lá para sempre.
Com relação à trama, eu amei a forma como foi construída. Acompanhamos a luta de Lachlan pelo direito à sua herança, mas o foco é a transformação dele e da Lucy. Vemos os dois se conhecendo melhor, revelando seus traumas e inseguranças e o amor surge aos poucos, mesmo a atração estando lá desde o início. Com isso, a leitura foi leve, fluida e muito cativante.
Outro aspecto que amei nesse livro e que, para mim, tem sido muito importante na série toda, é o fato da família ser um tema muito presente. Para começar, temos a relação de Lucy com as irmãs que é muito bonita de acompanhar. Mesmo estando separadas, a união entre elas é muito palpável. Já da parte do Lachlan temos uma família totalmente fragmentada e vários conflitos que deixaram marcas nele. E todas essas questões trazem um peso maior para a trama e contribuíram para tornar os personagens mais humanos.
 “Nós somos uma família. E podemos estar espalhadas pelo mundo inteiro, mas somos unidas pelo sangue. Eu faço porque amo vocês. A gente se separou uma vez, e não vou deixar isso acontecer novamente. Não se eu puder impedir.”
Minha única ressalva é uma cena específica do livro em que a Lucy teve uma atitude que me irritou muito. Foi um drama muito desproporcional e ela foi muito injusta com o Lachlan, em um momento que ele estava fragilizado e confiando nela. Apesar de ela se redimir depois, achei uma situação totalmente desnecessária e que diminuiu minha admiração pela personagem.
De um modo geral, Uma surpresa na primavera foi uma leitura encantadora e que fez com que eu me tornasse ainda mais apegada às irmãs Shakespeare. Carrie Elks presenteia os leitores novamente com uma trama leve e gostosa de acompanhar, mas que traz questões importantes como autodescoberta, perdão, família e a percepção do que realmente importa na vida. Tudo isso em meio a ambientações maravilhosas, que fazem o leitor se sentir viajando pelo mundo.
Então, para quem está procurando uma leitura tranquila e apaixonante para ajudar a passar essa fase difícil da quarentena, não pode deixar de conferir essa série. E fiquem ligados que eu já li o último livro, Uma luz no outono, e em breve vou trazer a resenha para vocês.

Sobre os outros livros:
Um verão na Itália - resenha aqui / comprar: Amazon
Um amor de inverno - resenha aqui / comprar: Amazon
Uma luz no outono - comprar: Amazon

[Resenha] A canção da órfã


Oi, pessoal! Como vocês estão? Hoje vim trazer uma resenha que tem sido muito pedida desde que mostrei o livro nos meus recebidos no instagram. Vou falar sobre A Canção da Órfã, da Lauren Kate, que foi lançado recentemente no Brasil pela Editora Record. Para quem não sabe, este é o primeiro romance adulto da autora, que é conhecida por ter escrito a série Fallen.
Apesar de não ter lido os livros que a tornaram famosa, eu amei a premissa desse lançamento e fiquei doida para ler assim que coloquei os olhos nele. E parece que não fui a única, porque desde que mostrei no instagram que recebi esse livro, várias pessoas comentaram que queriam saber o que achei da leitura.
Pois bem, eu terminei e agora chegou a hora de contar para vocês o que achei do livro. Será que gostei do primeiro contato com a escrita da autora? Confiram a resenha.


Autora: Lauren Kate
Tradução: Carolina Simmer
Editora: Record
Páginas: 322
Exemplar recebido de parceria com a editora
Onde comprar: Amazon
Sinopse: “O primeiro romance adulto de Lauren Kate, autora do best-seller Fallen. Veneza, século XVIII. Época em que as pessoas usavam máscaras a maior parte do ano; quando os amantes, em suas gôndolas, erguiam seus disfarces sob pontes para trocar um beijo; quando a música era a maior de todas as artes. Em uma era de excessos, dois órfãos sonham em ter uma família e um lugar que possam chamar de lar. Violetta e Mino vivem no Incuráveis, um hospital convertido em orfanato, cujo conservatório se dedica a ensinar música aos órfãos. A rigidez dentro dos muros do Incuráveis não é capaz de aprisionar o coração da sonhadora Violetta. À medida que a corista cresce, arde dentro dela o anseio de desbravar o mundo que avista apenas do telhado do orfanato. É ali que seu caminho se cruza com o de Mino, um talentoso violinista também sedento por escapar de claustro e viver a vida que lhe foi negada até então. A conexão entre eles é imediata. Uma amizade nasce sem esforço… assim como algo mais.Uma vez do lado de fora dos portões do Incuráveis, e longe do olhar férreo da abadessa, não tarda para que Violetta e Mino descubram que a realidade é bem diferente do que eles imaginavam – e muito mais cruel.”

Ambientado na Veneza do século XVIII, A canção da órfã conta a história de dois jovens órfãos que compartilhavam o amor pela música. Violetta é uma das órfãs que habitam o Incuráveis, um antigo hospital que foi convertido em orfanato. Lá, havia um conservatório voltado para ensinar música aos órfãos. Mas lá as regras eram estritas: meninos e meninas viviam completamente separados; as meninas podiam aspirar a entrar para o coro, mas se isso acontecesse elas não poderiam cantar em público em nenhum outro lugar que não fosse a Igreja; quando deixassem o coro (para se casar ou se aposentar) nunca mais poderiam se apresentar em público. Há ainda o fato de que os passeios por Veneza eram proibidos. Elas só saiam para ir à missa e acompanhadas da abadessa.
Todas essas regras eram restritas demais para o espírito livro de Violetta, cujo desejo de cantar para o mundo era tão grande quanto seu desejo de vê-lo. Ela sonha em caminhar pelas ruas de Veneza e conhecer as diversões do carnaval. Na sua ânsia de conhecer a cidade, Violetta começa a subir no telhado para ver as ruas. E é lá que ela conhece Mino, um dos órfãos dos Incuráveis que ela viu sendo abandona lá alguns anos antes.
Os dois compartilhavam o amor pela música e o desejo de conhecer o mundo fora dos muros do orfanato. Por anos, eles trocam confidências e confiam seus sonhos para o futuro. Porém, a vida acaba se mostrando mais difícil que Violetta e Mino supunham e o destino parece disposto a separá-los.



O primeiro aspecto que chamou minha atenção em A canção da órfã (além da capa linda hehe) foi o fato da história ser ambientada em Veneza, na época dos grandes carnavais com máscaras. E posso dizer que não me decepcionei nesse aspecto. A autora conseguiu descrever muito bem os lugares e fez eu me sentir realmente caminhando pelas ruas da cidade e vivendo aquele clima festivo. Fiquei fascinada com essa ambientação e, sem dúvida, foi uma das coisas que mais gostei na leitura.
Com relação aos protagonistas, eu tive sentimentos conflituosos. No início, eu fiquei muito sensibilizada pela situação deles e amei o fato da Violetta ter esse espírito tão livre e que ansiava para ir além das restrições do Incuráveis. Além disso, gostei muito de vê-los compartilhando o amor pelas músicas e os sonhos de serem livres.
Porém, ao longo do livro as circunstâncias foram mudando esses personagens e foi difícil me manter apegada a eles. As situações que o Mino enfrentou foram dolorosas e me deixaram com pena, mas ele tem muitas atitudes imprudentes e muitas vezes se mostrou dramático demais, o que me irritou. Mesmo assim, ele ainda foi carismático o suficiente para me deixar envolvida com sua jornada e me fazer torcer por ele.
Já não posso dizer o mesmo da Violetta. Com atitudes imaturas e muitas vezes egoístas, não consegui me conectar com essa personagem e nem sentir simpatia por ela. A forma como ela trata pessoas que só lhe deram amor, como o Mino e sua amiga Laura, foram difíceis de engolir. Ao longo do livro, me vi gostando cada vez menos dela e nem no final, quando ela finalmente dá sinais de ter amadurecido, foi o suficiente para recuperar minha simpatia.
Com relação aos personagens secundários, não tiveram muito destaque ou desenvolvimento. Com exceção do cachorrinho do Mino, que é muito fofo e rouba a cena com facilidade. Há também a Laura, amiga da Violetta, mas ela fica esquecida em alguns momentos da trama e não teve muito desenvolvimento. Há outros personagens que surgem ao longo do livro, mas nenhum foi aprofundado pela autora.
Outro problema na leitura para mim é que os acontecimentos são todos muito abruptos.  As passagens de tempo foram confusas e as mudanças na vida de Violetta e Mino pareciam acontecer de uma hora para outra. Muitas vezes parecia que determinado acontecimento se passava no mesmo dia do anterior e só depois eu percebia que tinham se passado semanas ou meses entre eles.
Isso acabou prejudicando não só o desenvolvimento da trama, mas também dos próprios personagens. Com isso tive dificuldade de me convencer dos sentimentos da Violetta e do Mino e em muitos momentos seus dramas não me pareceram reais. A vida dos dois parece ter sido uma sucessão de desencontros e tragédias, mas da forma como a história foi desenvolvida eu não consegui me emocionar.
O excesso de descrições também me incomodou bastante. Apesar de terem sido importantes no início, para que o leitor consiga se ambientar com o clima da Veneza do século XVIII, elas acabaram se tornando enfadonhas ao longo da leitura. A autora repetiu diversas vezes as longas descrições sobre o carnaval, as festas e as ruas de Veneza, o que quebrou muito o ritmo da leitura.
Com relação a trama, achei que a autora trouxe uma boa história mas faltou um bom desenvolvimento e o grande plot da trama foi muito previsível. Por outro lado, gostei de ver que tanto Mino quanto Violetta evoluíram bastante. Preferia que tivesse sido uma evolução gradual, construída ao longo do livro, mas mesmo assim fiquei feliz por ver o amadurecimento dos dois.
De um modo geral, A canção da órfã tem uma premissa incrível e que não deixa de ser uma bonita história de amor. Porém, a autora pecou muito no desenvolvimento da trama e na construção dos personagens, o que tornou a leitura lenta e não me comoveu. Terminei com a sensação de que poderia ter sido uma leitura linda e emocionante, mas acabou sendo um livro que não me marcou. Mesmo assim, já valeu a pena pela linda ambientação em Veneza.
E, apesar das minhas considerações, recomendo que leiam e tirem suas próprias conclusões. Assim como a música toca as pessoas de maneira diferente, os livros também são percebidos por cada um de uma forma. Por isso, mesmo que eu não tenha gostado muito, pode ser que vocês amem.

Agora, quero saber quem já leu A canção da órfã ou se ficaram curiosos para ler. Me contem aí nos comentários o que acharam.

Apaixonada por literatura desde pequena, nunca consegui ficar muito tempo sem um livro na mão. Assim, o Dicas de Malu é o espaço onde compartilho um pouco desse meu amor pelo mundo literário.




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