[Resenha] Uma conjuração de luz

 



Um dos maiores sofrimentos de um leitor é esperar a continuação de uma série depois que o livro anterior terminou de um jeito bombástico. Então, imagina como eu fiquei depois do final desesperador de Um encontro de sombras tendo que esperar três anos para ler Uma conjuração de luz.

Para quem não conhece, esses livros fazem parte da trilogia Um tom mais escuro de magia, da V. E. Schwab. Eu sou completamente apaixonada pela escrita da autora e amei muito os dois primeiros volumes, Um tom mais escuro de magia (resenha aqui) e Um encontro de sombras (resenha aqui). Então, vocês já podem imaginar minha ansiedade para o livro que encerra essa série.

Mas meu momento finalmente chegou, a hora de acabar com esses três anos de agonia, e eu li Uma conjuração de luz. Depois de muita ansiedade, sofrimento, lágrimas, desespero e surtos, vim aqui comentar o que achei da leitura que encerra essa trilogia tão especial para mim.

 

Aviso: Essa resenha NÃO tem spoilers de Uma conjuração de luz. Porém, não recomendo que vocês continuem lendo se ainda não leram os dois primeiros livros


Autora: V. E. Schwab

Editora: Record

Tradução: Ana Carolina Delmas

Páginas: 728

Onde comprar: Amazon / Submarino

Exemplar recebido de cortesia da editora

Sinopse: “A balança do poder enfim pendeu para um lado. O equilíbrio precário entre as quatro Londres atingiu um ponto sem volta. Outrora transbordando a vivacidade vermelha da magia, o império Maresh é invadido por uma sombra lançada pela escuridão, o que deixa espaço para outra Londres surgir. Quem vai cair?Kell, que já foi considerado o último Antari vivo, começa a questionar a quem deve sua lealdade. E, na esteira da tragédia que se abate sobre a Londres Vermelha, será que Arnes vai resistir? Quem vai ascender?Lila Bard, que já foi uma reles ladra – mas nunca uma ladra qualquer –, sobreviveu e progrediu por meio de uma série de provações mágicas. Mas agora ela precisa aprender a controlar a magia antes que esta seja drenada por seus próprios poderes. Enquanto isso, o desacreditado capitão do Night Spire, Alucard Emery, reúne sua tripulação para correr contra o tempo em busca do impossível. Quem vai assumir o controle?Um antigo inimigo retorna para reivindicar a coroa enquanto heróis tentam salvar um mundo em decadência. Uma conjuração de luz é a conclusão épica da série Tons de Magia, de V. E. Schwab. É um acerto de contas com o passado e uma luta por um futuro incerto que sela o destino de Lila, Alucard, Kell, e até mesmo Holland, num livro de tirar o fôlego.”

 

Uma conjuração de luz continua exatamente de onde Um encontro de sombras parou: Kell foi atraído para a Londres Branca, Rhys está morrendo na Londres Vermelha e Lila precisa salvá-los. Mas, quando parte para resgatar Kell, ela não imaginava que a própria Londres Vermelha estaria em perigo. Uma sombra vinda da Londres Preta está sendo lançada sobre a cidade, ameaçando todos que tentarem resistir e levando destruição, medo e escuridão para o local que antes foi tão vibrante e pacífico.

Enquanto Kell e Lila reúnem um grupo improvável em busca da única coisa que pode conter esse mal que está tomando a Londres Vermelha, Rhys vai ter que aprender se ainda há algo dentro dele que justifique sua vida ter sido salva por Kell. Os três precisarão lutar não apenas para proteger a cidade e aqueles que amam, mas também para descobrir qual o lugar de cada um deles.



Como que eu posso explicar tudo que senti lendo Uma conjuração de luz? Eu esperava esse livro há tanto tempo e, quando finalmente tive ele em mãos, só conseguia pensar em como ele valeu cada segundo de espera. Ao mesmo tempo, tinha momentos que eu sentia vontade de largar e não olhar mais para ele, por medo do que aconteceria a seguir. V. E. Schwab não tem dó dos leitores e eu não tive um minuto de paz durante a leitura, foi surto atrás de surto.

Quando terminei Um encontro de sombras, eu fiquei completamente desesperada por tudo que estava acontecendo com os personagens. Eu sinceramente não via como eles poderiam sair daquela situação e concluí a leitura surtando para saber o que aconteceria. E Uma conjuração de luz continua exatamente de onde o anterior parou, então, dá para imaginar que o já livro começa com ação e um clima de tensão desde as primeiras páginas. E isso permanece durante toda a leitura.

O ritmo da trama é lento, ainda mais do que nos livros anteriores, mas não pensem que isso significa uma leitura monótona. Pelo contrário, o universo criado por V. E. Schwab é tão rico e fascinante que é sempre interessante de acompanhar, independente do que esteja acontecendo ali, o que fez com que a leitura fluísse muito bem para mim. Além disso, mesmo nos momentos em que a trama estava mais cadenciada e sem grandes acontecimentos, a sensação de perigo iminente e o clima de tensão contribuíram muito para o meu envolvimento com a história.

Outro ponto importante para mim foi o carisma dos personagens. Eu sinceramente não me lembrava do quanto era apegada a eles até começar a releitura. A ideia de que qualquer coisa ruim pudesse acontecer ao Kell, ao Rhys, à Lila ou ao Alucard já era o suficiente para me deixar desesperada. A V. E. Schwab foi muito habilidosa para construir os conflitos de cada um deles ao longo dos livros anteriores e aqui ela foi mostrando aos poucos o quanto cada um deles evoluiu. Todos eles passam por situações extremas, em que precisam decidir quem são, a quem são leais e o que realmente é importante para eles, e foi muito interessante ver o amadurecimento deles refletidos em suas escolhas.

Também me surpreendeu muito ver como essa evolução não ficou restrita aos quatro, mas esteve presente em outros personagens que eu realmente não esperava. Um deles foi o Holland, que era a fonte de todo o meu ranço nos dois primeiros volumes, mas que nesse livro mostrou que tinha muito mais camadas que parecia. Eu sinceramente não imaginava que poderia sentir empatia por ele, mas V. E. Schwab mostrou que há muito mais nesse personagem e que, às vezes, a divisão entre mocinho e vilão pode ser mais complicada do que aparenta. 



Com relação à trama, apesar de ter um ritmo mais lento e ser um livro grande, senti que tudo que aconteceu teve um propósito. A história foi muito bem construída, apresentando esse novo perigo que ameaça a Londres Vermelha e tudo que estava em jogo para os personagens, mas também dando espaço para a jornada individual de cada um deles. Tudo foi bem dosado pela autora, que soube colocar as ameaças, as revelações, o mistério e até mesmo o romance nos momentos certos.

A trama se desenvolveu de forma cadenciada, aumentando gradualmente o nível de tensão, até caminhar para o desfecho. E quando chegamos ao auge da tensão, é que a V. E. Schwab adotou um ritmo alucinante e de tirar o fôlego. O final desse livro foi simplesmente épico. Teve grandes lutas, perdas, surpresas e tudo que uma boa série de fantasia pede. Além disso, a autora conseguiu amarrar todas as pontas e mostrar que nada foi colocado na história sem um motivo. E, mais do que tudo, as escolhas feitas foram coerentes com a história e com tudo que os personagens viveram.

Acho que poucas vezes eu fiquei tão ansiosa e esperei um livro por tanto tempo, mas lendo Uma conjuração de luz eu senti a cada página que estava sendo recompensada pela espera. É um desfecho arrebatador (e em alguns momentos enlouquecedor) para uma trilogia que tem me conquistado desde o início. Acompanhar a jornada desses personagens tem sido uma aventura e tanto, e não foi diferente nesse último volume. Sofri com eles, me diverti, chorei, me desesperei, vivi uma verdadeira montanha-russa de emoções e no final não poderia ter ficado mais feliz e realizada com essa leitura. 


Outros livros da trilogia:

Um tom mais escuro de magia, vol. 1: Amazon | Submarino

Um encontro de sombras, vol. 1: Amazon | Submarino

 

Outros livros da autora:

Vilão: Amazon | Submarino

Vingança: Amazon | Submarino

A melodia feroz: Amazon | Submarino

O dueto sombrio: Amazon | Submarino

A guardiã de histórias: Amazon | Submarino

A guardiã dos vazios: Amazon | Submarino


[Resenha] O impulso

 


Uma das minhas metas pessoais para 2021 é ler mais livros que me tirem da minha zona de conforto, seja por ser de um gênero que não estou acostumada ou por trazer assuntos que não costumo ver sendo abordados. Por esse motivo, no final do ano passado, quando soube do lançamento de O Impulso da autora Ashley Audrain, já fiquei imediatamente curiosa.

O Impulso é o grande lançamento da Editora Paralela para 2021 e eu fiquei muito empolgada quando soube que ele aborda questões como ambivalência materna, depressão pós-parto, idealização da maternidade versus a realidade, abandono afetivo e trauma familiar. Todas essas são questões muito sérias e que nunca vi sendo discutidas em nenhum livro que li, então, fiquei muito curiosa para saber como a autora iria abordá-las.

Eu tive a oportunidade de receber uma cópia antecipada da Editora Paralela e, por isso, pude ler um pouco antes do lançamento. Então, hoje vou contar para vocês o que achei de O Impulso, que com certeza será um dos livros mais comentados desse ano.


Autora: Ashley Audrain

Editora: Paralela

Páginas: 328

Onde comprar: Amazon / Submarino

Cópia antecipada cedida pela editora

Sinopse: “O que você faria se seus filhos não fossem quem você esperava? O impulso é o romance mais viciante do ano, uma leitura que irá questionar tudo o que assumimos sobre maternidade, sobre aquilo que devemos aos nossos filhos e sobre o que acontece quando deixamos de acreditar em mulheres cujas histórias são incômodas. Blythe Connor está decidida a ser a mãe perfeita, calorosa e acolhedora que nunca teve. Porém, no começo exaustivo da maternidade, ela descobre que sua filha Violet não se comporta como a maioria das crianças. Ou ela estaria imaginando? Seu marido Fox está certo de que é tudo fruto do cansaço e que essa é apenas uma fase difícil. Conforme seus medos são ignorados, Blythe começa a duvidar da própria sanidade. Mas quando nasce Sam, o segundo filho do casal, a experiência de Blythe é completamente diferente, e até Violet parece se dar bem com o irmãozinho. Bem no momento em que a vida parecia estar finalmente se ajustando, um grave acidente faz tudo sair dos trilhos, e Blythe é obrigada a confrontar a verdade. Neste eletrizante romance de estreia, Ashley Audrain escreve com maestria sobre o que os laços de família escondem e os dilemas invisíveis da maternidade, nos convidando a refletir: até onde precisamos ir para questionar aquilo em que acreditamos?”

 

Blythe Conor tem um passado difícil no que se refere à sua família. Por isso, ela está decidida a ser a mãe carinhosa e perfeita que nunca teve e que seu marido espera que ela seja. Mas logo após Violet nascer, ela descobre que a maternidade não é tão simples como imaginava. Aquela plenitude que ela imaginava sentir, não veio.

Em meio ao cansaço dos primeiros meses como mãe, Blythe começa a perceber que sua filha não se comporta como outras crianças. Mas não seria apenas a exaustão que estava fazendo com que ela imaginasse coisas? Fox, o marido dela, acredita que sim. Ele ignora seus medos e a convence de que essa cisma em relação à Violet é fruto apenas do cansaço.

Mas com a chegada de seu segundo filho, Blythe finalmente vive a maternidade como achou que seria. É uma experiência totalmente diferente e até mesmo Violet parece se dar bem com o irmão caçula. Blythe acredita que finalmente terá a tranquilidade familiar que sempre sonhou, só que uma tragédia faz com ela precise encarar novamente suas desconfianças enquanto lida com as inseguranças deixadas pelo seu próprio passado.



Alerta: Esse livro pode conter gatilhos para abuso psicológico, depressão pós-parto e abandono parental.

 

Como eu esperava, O impulso foi uma leitura totalmente diferente do que estou acostumada. Não só pelos temas abordados, mas pela forma como a história foi construída. De um modo geral, foi uma leitura que fugiu de tudo que já li e também do que eu esperava.

Em grande parte, isso vem da escrita muito intensa da autora. Ela optou por uma narração feita quase como um monólogo, o que traz a sensação de que a protagonista está falando diretamente com o leitor, que se sente dentro da mente dela praticamente o tempo todo. Isso contribuiu para que os conflitos e as emoções de Blythe se tornem muito mais claros para quem lê e também mais reais, de uma forma quase perturbadora.

Outro ponto que me surpreendeu muito é a forma como a autora abordou os assuntos que ela se propôs. Em especial, a forma como a maternidade foi trabalhada. Ashley Audrain desconstrói aquela versão romantizada da maternidade, de que tudo vai valer a pena e que toda mulher se sentirá completa e realizada quando o filho nascer. Ela mostra que essa pode ser uma experiência exaustiva, desgastante, cheia de inseguranças e cobranças, e que nem todas as mulheres se sentem prontas ou desejam vivê-la.

E o mais interessante é que essa questão não fica restrita à perspectiva da Blythe. Ao longo do livro, vamos acompanhando as histórias de outras mães, de como elas lidaram com a maternidade e como isso influenciou seus filhos. Em especial, temos em alguns capítulos a história da mãe e da avó da Blythe e esses foram momentos muito importantes e que trouxeram reflexões muito interessantes.

Além disso, a autora traz outros assuntos igualmente importantes e de uma forma muito real. Ela fala sobre abandono parental, psicopatia e gaslighting (uma forma de abuso psicológico em que o abusador manipula a vítima para que ela sempre duvide de suas percepções), e eu gostei muito de como esses assuntos foram inseridos na trama. Foi uma abordagem real, intensa e quase brutal, mas que permite ao leitor entender a importância dessas questões e refletir sobre elas. Mas é preciso ter em mente que o livro contém cenas muito fortes e que podem ser gatilhos para algumas pessoas.



Porém, apesar de ter gostado muito dos temas trabalhados, confesso que a leitura foi um pouco lenta para mim. A narração quase como um monólogo, apesar de ter contribuído para tornar os conflitos da Blythe mais compreensíveis, deixou a trama mais arrastada e um pouco confusa, principalmente no início. Eu demorei um pouco a me apegar à protagonista e estar tão imersa na mente dela foi cansativo para mim.

No entanto, eu acredito que meu maior problema com a leitura pode ter sido a minha própria expectativa. Eu estava esperando um thriller, daqueles eletrizantes e cheios de reviravolta. Porém, O Impulso está muito mais para um drama psicológico. Isso não é ruim, de forma alguma; mas eu estava esperando um clima de suspense e reviravoltas, e demorei um pouco para perceber que essa não era a proposta do livro.

O Impulso é um drama psicológico que leva o leitor a refletir sobre a maternidade e sobre como somos influenciados pelas nossas relações com nossos pais. É uma leitura intensa, que coloca o leitor diretamente conectado com a protagonista, acompanhando todos os seus conflitos e inseguranças. Não espere um thriller daqueles de tirar o fôlego e nem mesmo grandes revelações, pois é uma trama bem linear. Porém, você vai encontrar um drama que vai falar de uma forma muito direta e com muita habilidade sobre a natureza humana, mesmo naqueles momentos mais perturbadores.

Não se trata de uma leitura fácil, mas é um livro que veio para quebrar estereótipos e falar de assuntos que ainda não considerados tabus. Para quem quer sair da zona de conforto e encarar assuntos difíceis e dolorosos, O Impulso é uma ótima escolha.

 

O Impulso está em pré-venda com lançamento previsto para o dia 22/01. Para quem quiser garantir o seu, vou deixar os links aqui: Amazon (livro físico) | Amazon(e-book) | Submarino


Apaixonada por literatura desde pequena, nunca consegui ficar muito tempo sem um livro na mão. Assim, o Dicas de Malu é o espaço onde compartilho um pouco desse meu amor pelo mundo literário.




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