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[Resenha] Amores, trens e outras coisas que saem dos trilhos

 


Nos tempos corridos e difíceis que estamos vivendo, leituras mais leves e com mensagens positivas têm sido cada vez mais importantes para mim. Por esse motivo, fiquei muito empolgada quando soube que a Galera Record estava com um lançamento da autora Jennifer E. Smith – a mesma de A probabilidade estatística do amor à primeira vista. Os livros dela sempre conseguem me deixar com o coração quentinho, ao mesmo tempo que passam lições importantes.

Então, claro que eu estava mais do que ansiosa para ler Amores, trens e outras coisas que saem dos trilhos. Lançado recentemente aqui no Brasil, esse livro já me conquistou por essa capa que exala fofura e por uma sinopse bastante instigante. Assim, ele furou a fila quando chegou aqui e foi uma das minhas leituras mais recentes.

E hoje vou contar para vocês um pouco sobre a história e o que achei desse livro. Será que ele é tão fofo quanto eu esperava?


Autora: Jennifer E. Smith

Tradução:

Editora: Galera Record

Páginas: Paula Di Carvalho

Onde comprar: Amazon

Exemplar recebido de parceria com a editora

Sinopse: “Jennifer E. Smith, autora best-seller de A probabilidade estatística do amor à primeira vista, retorna com Amores, trens e outras coisas que saem dos trilhos, um romance sobre família, futuro, autoconhecimento e a jornada de um novo amor na estrada. Antes do ingresso na universidade, Hugo e sua namorada tem a ideia perfeita: passar uma semana inteira juntos em uma viagem de trem pelos Estados Unidos. Mas, então, ela termina o relacionamento e lhe devolve, como presente de despedida, as passagens para a viagem planejada de última hora. O único problema: está tudo – passagens, reservas de hotéis – registrado no nome de sua agora ex-namorada, Margaret Campbell. Intransferível e não reembolsável. Enquanto isso, em outro continente, Mae está ligeiramente sem rumo, tendo terminado recentemente um relacionamento que parecia caminhar a lugar nenhum e sofrendo por não ter sido aceita no curso de cinema na universidade. Quando o destino faz sua mágica e ela se depara com o anúncio de Hugo buscando uma substituta para Margaret Campbell (por coincidência, seu nome completo), ela tem certeza de que esta é exatamente a aventura que precisa para se livrar da recente decepção, alimentar a mente com ideias para seu próximo filme e, principalmente, sair da zona de conforto composta pelos pais e a avó. Uma longa viagem de trem com um completo desconhecido pode não parecer, realmente, a melhor das ideias. Mas para Hugo e Mae, ambos ávidos por escapar da rotina de suas vidas normais, faz todo o sentido... E o que começa como um improviso conveniente logo transforma-se em algo mais. Mas quando a vida fora do trem ameaça romper com esta nova – e já tão forte – conexão, será que eles conseguirão evitar que seus sentimentos um pelo outro fujam dos trilhos?”

 

Hugo sempre foi conhecido pelas circunstâncias incomuns de seu nascimento: ele é um dos sextuplos que seus pais tiveram, e toda sua vida foi determinada por isso. Assim, ele estava empolgado para viajar com a namorada antes de irem para faculdade; a primeira vez que ele viajaria sem os outros cinco irmãos. Mas quando Margaret termina com ele, deixando a viagem como um presente, Hugo se vê com um problema maior do que um coração partido: todas as reservas estão no nome de Margaret Campbell, sua ex. 

Determinado a não perder sua viagem, Hugo decide colocar um anúncio para encontrar outra Margaret Campbell e é assim que seu caminho vai esbarrar com o de Mae. Ela está meio perdida desde que foi recusada no curso de cinema, seu maior sonho, e talvez uma aventura seja tudo que ela precisa. Por coincidência, o nome completo dela também é Margaret Campbell e ela está pronta para aceitar o acordo com Hugo. Mas o que eles não contavam era que, o que começou como uma coincidência muito conveniente, poderia se tornar algo mais.





"Se os visse, você poderia supor que estavam esperando alguma coisa. Mas não é o caso. A verdade é que eles estavam, eles sempre estiveram, prontos para o que viria"

 

Novamente, a Jennifer E. Smith me conquistou com uma história leve, envolvente e com personagens extremamente cativante. Amores, trens e outras coisas que saem dos trilhos é exatamente a leitura leve e envolvente, com personagens extremamente carismáticos, que eu imaginava. Hugo e Mae me conquistaram logo nas primeiras páginas tanto por seu carisma, quanto por terem conflitos muito reais e que muitos jovens (e adultos) já enfrentaram. Afinal, quem nunca se sentiu sem rumo, com medo ou em dúvida sobre quem é e o que quer da vida?

Além disso, a trama é bastante dinâmica e com muitos diálogos, o que torna a leitura mais leve e fluida. E é muito gostoso acompanhar a conexão entre Hugo e Mae surgir aos poucos, à medida que vão compartilhando seus medos e as razões que os levaram a embarcar nessa aventura. Assim, mesmo que o romance aconteça em um espaço de tempo relativamente curto, ele nunca soa falso ou forçado.

E outro ponto forte do livro é que, apesar de ele ser muito centrado nos protagonistas, todos os personagens que aparecem ao longo da história deixam uma marca de alguma forma. Não apenas as famílias do Hugo e a da Mae são maravilhosas e muito cativantes, mas eles também encontram pessoas muito interessantes ao longo da viagem e amei conhecer as histórias de algumas delas.

Por fim, não posso deixar de mencionar a escrita da autora. Apesar da trama bem leve, ela escreve com sensibilidade e consegue transmitir lições importantes ao longo da história. Ela traz questões importantes e traz conflitos muito reais para os seus personagens, o que torno a leitura ainda mais especial para mim.

Amores, trens e outras coisas que saem dos trilhos é, sem dúvida, uma leitura com altas doses de fofura. Mas é, acima de tudo, um livro sobre família, sonhos, medos, perdas e recomeços. Me diverti acompanhando as aventuras dos personagens e torci pelo romance, mas acima de tudo fui tocada pelas belas mensagens que a autora passou. Terminei a leitura com o coração quentinho e cheio de amor por essa história.

E vocês, já leram algum livro da autora? Ficaram com vontade de ler Amores, trens e outras coisas que saem dos trilhos? Me contem aí nos comentários.


Dica de Leitura - Livros para ler em inglês

 


Como falei no meu post com as metas para 2021 aqui, uma das minhas metas para 2021 é ler mais livros em inglês. Isso é algo que sempre gostei de fazer, tanto para praticar quanto para poder ler aqueles livros que estou mais ansiosa e que ainda não saíram por aqui.

E, como quero desencalhar alguns livros, resolvi fazer uma lista com alguns livros que tenho em inglês parados aqui na estante e pretendo ler ainda em 2021. Além disso, incluí alguns lançamentos que devem sair esse ano lá fora e que quero muito ler. Então, esses serão meus livros em inglês para ler em 2021:

 

Illuminae e Gemina do Jay Kristoff:  Estou com esses livros há um bom tempo e ainda não li. Quero ler os dois esse ano e, se possível, já comprar o terceiro para encerrar a trilogia (Amazon, cadê a promoção de importados minha filha?)

 

A curse so dark and lonely e A heart so fierce and broken, da Brigid Kemmerer: Esses dois livros fazem parte de uma trilogia e o primeiro já foi publicado no Brasil pela Plataforma21 como Uma sombria e solitária maldição. Porém, quando ele saiu aqui, eu já tinha comprado a edição em inglês e eu preferi ler no original mesmo.

 

Crown of coral and pearl, da Mara Rutherford: Eu descobri esse livro em uma oferta incrível na Amazon e amei a sinopse. Parece ser uma fantasia com muita intrigas políticas e um toque de A Pequena Sereia, o que me deixou muito curiosa. Pretendo ler em breve.

 

The Camelot Betrayal, da Kiersten White: Esse é a continuação de The Guinevere Deception (publicado no Brasil pela Plataforma21 como A farsa de Guinevere). Eu gostei tanto do primeiro que não aguentei esperar a continuação sair aqui. Portanto, já podem esperar que ele provavelmente deve aparecer na minha TBR de fevereiro.

 

The chaos of the stars, da Kiersten White: Talvez eu tenha me apaixonado pela escrita da autora quando li A farsa de Guinevere e ficado ansiosa para ler tudo dela rsrs. Comprei esse livro em uma promoção na Amazon ano passado e pretendo ler em breve. Esse eu não sei se será publicado no Brasil, mas como a Plataforma21 já publicou outros livros da autora, acredito que tenha chance.

 

Field notes on love, da Jennifer E. Smith: Eu amo a escrita dessa autora, que é a mesma de A probabilidade estatística do amor à primeira vista. Eu amei todos os livros que li dela, que são sempre bem leves e fofos, então, não vejo a hora de conferir esse.

 

Lock & Key, da Sarah Dessen: Outra autora que é uma das minhas queridinhas e que tem uma escrita leve e muito envolvente. A escrita dela é ótima para ler em inglês e estou muito ansiosa para ler esse, que já está parado na minha estante há algum tempo.

 

Chain of Iron, da Cassandra Clare: esse é o único da minha lista que eu ainda não tenho, mas é só porque ainda está em pré-venda. Mas em se tratando da Cassandra Clare, é óbvio que ele está mais do que garantido na minha meta para 2021. Eu amei o primeiro livro da trilogia Corrente de Ouro (confira a resenha aqui) e já estou surtando de curiosidade para saber o que irá acontecer a seguir. A edição brasileira deve sair ainda esse ano pela Galera Record e eu pretendo reler em português também rsrs.

 

Esses são apenas alguns dos livros em inglês que quero ler em 2021, porque minha meta é no mínimo 1 por mês. Porém, os outros eu ainda vou escolher ao longo do ano. Mas, como algumas pessoas comentaram comigo que também querem ler mais livros em inglês para praticar o idioma, separei alguns que eu acho ideias para quem está começando.

Então, vou deixar essa lista com indicações que eu já li e que considero muito boas para quem quer praticar o inglês. São livros com um vocabulário mais simples e que, se você tiver um inglês intermediário, vai conseguir ler com mais facilidade.


Já li e recomendo: 

Anna and the french kiss, da Stephanie Perkins

The secret garden, da Frances Hodgson Burnett

The Guinevere Deception, da Kiersten White (normalmente, não recomendo começar com livros de fantasia. Mas a escrita da autora é bem direta e mais fácil de acompanhar)

It end’s with us, da Colleen Hoover

Adorkable, da Cookie O’ Garman.

 

Gostaram das minhas escolhas para ler esse ano? Já leram algum desses que indiquei aqui? Me contem aí nos comentários e me falem se vocês gostariam de ver mais indicações de livros em inglês aqui. Estou pensando em fazer uma nova lista com títulos que estão disponíveis no Kindle Unlimited, caso vocês tenham interesse.


[Resenha] Sorte Grande

Autora: Jennifer E. Smith
Editora: Galera Record
Páginas: 384
Onde comprar: Amazon
Exemplar recebido de parceria com a editora
Sinopse: “O amor é como a loteria. Alice não acredita na sorte; perdeu os pais com um intervalo de apenas treze meses. Mas Alice acredita no amor. De seus tios, de seu primo Leo, de seu melhor amigo Teddy. O coração, no entanto, já se foi há tempos. Dado de bandeja a Teddy. Há pelo menos três anos. E quando precisa decidir o que dar a ele no aniversário de 18 anos, a ideia parece chegar naturalmente... um bilhete de loteria. Com todos os números importantes para ambos: número de anos que se conhecem, data importantes e endereços marcantes. Quando a combinação se prova vencedora e o menino ganha quase 150 milhões de dólares, os dois são jogados em um redemoinho de loucuras juvenis, interesseiros e sonhos de infância realizados. Tudo estaria perfeito, não fosse um beijo trocado no auge das comemorações. Um beijo que mudaria a dinâmica do casal. Mas o dinheiro não pode comprar o amor. Nem o que mais importa. Mas será que pode dar uma ajudinha?”

Quem nunca imaginou o que faria se um dia ganhasse uma fortuna na loteria? É difícil saber exatamente o que fazer com tanto dinheiro, mas uma coisa é certa: este é um acontecimento capaz de mudar completamente a vida de uma pessoa e, nem sempre, é para melhor. E é exatamente sobre uma situação como esta que se trata o livro Sorte Grande, da autora Jennifer E. Smith, que foi publicado esse ano pela Galera Record.
Nessa história, a jovem Alice nunca acreditou em sorte. Tendo perdido seus pais em um intervalo de apenas treze meses, quando ainda era uma criança, ela não conseguia acreditar em destino ou acaso. No entanto, ela acreditava no amor. Tinha provas de sua existência através dos tios que a acolheram em casa, do primo Leo e do melhor amigo Teddy. Porém, o amor também não vinha fácil na vida dela. Com exceção de sua ótima relação com Leo, Alice ainda tinha dificuldade de se sentir parte daquela família, por mais que gostasse dos tios. Nem mesmo o sentimento por Teddy era muito descomplicado, afinal, ela era apaixonada por ele há três anos e nunca teve coragem de revelar, por medo de estragar a amizade.
“– Bem, como você consegue ter tanta fé em alguém, especialmente alguém que decepciona você tanto quanto Teddy, quando tem tão pouca fé no mundo?”
Teddy também não podia se considerar a pessoa mais sortuda do mundo. Há alguns anos, seu pai foi à falência por causa de dívidas de jogo, perdendo tudo que a família tinha, incluindo o apartamento em que moravam. Depois disso, Teddy e a mãe foram viver em um apartamento minúsculo e a situação financeira deles ia de mal a pior. Além disso, ele se ressentia pela ausência do pai, que os abandonou no momento mais difícil de suas vidas.
Tudo muda no aniversário de dezoito anos de Teddy. Alice resolve presenteá-lo com um bilhete da loteria, escolhendo números que eram importantes para os dois. Quando os números sorteados são exatamente aqueles escolhidos por Alice, Teddy ganha uma fortuna de 150 milhões de dólares. A partir desse momento, eles são mergulhados em um turbilhão de emoções, que envolvia decidir o que fazer com o dinheiro, lidar com a aproximação de interesseiros e descobrir o que era realmente importante para eles. Tornando tudo ainda mais complicado, um beijo em um momento de empolgação começa a pesar entre os dois e ameaçar sua amizade.


Sorte grande é o quarto livro que leio da autora Jennifer E. Smith e, mais uma vez, ela não me decepcionou. A escrita dela é leve e envolvente, deixando a leitura fluida e muito gostosa. Além disso, parece que a autora tem um dom para escrever personagens cativantes e que conquistam a empatia do leitor. No entanto, mais do que isso, Sorte Grande me surpreendeu por trazer algumas reflexões interessantes e protagonistas mais complexos do que eu esperava.
“A vida não se curva à vontade de ninguém. E também não funciona baseada em um sistema de créditos. Só porque o mundo roubou algo de mim não significa que me deva outra coisa em troca. E só porque estoquei uma grande quantidade de má sorte, não significa que vá receber algo de bom em troca.”
A Alice me conquistou logo nas primeiras páginas, tanto por seu drama pessoal, quanto por sua personalidade forte. Ela teve perdas muito dolorosas quando era só uma criança e, mesmo nove anos depois, é claro que isso ainda tinha efeitos na sua vida, especialmente no modo como ela se relacionava com a família e nas escolhas que fazia. Por não ter os pais ao seu lado, ela agia sempre pensando no que eles esperariam dela, sem refletir sobre o que ela realmente desejava. Além disso, é impossível não se solidarizar ao vê-la sofrendo pelo Teddy, mas ainda colocando a amizade acima do que sentia por ele.
“Teddy e eu, por outro lado, crescemos em areia movediça. E, apesar de ter sido por motivos diferentes, apesar de raramente tocarmos no assunto, alguma coisa nesse simples fato sempre nos uniu.”
Outro ponto que gostei bastante nessa protagonista é a maneira madura como ela lida com a fortuna que ganhou para Teddy na loteria. Ao invés de se deslumbrar com o dinheiro, como qualquer adolescente (e muitos adultos) fariam, ela teme as mudanças que ele traria para a vida deles. No entanto, essa maturidade não soa forçada ou estranha em uma menina tão jovem, pois ela é explicada pelos próprios traumas dela. Todas as transformações que ocorreram na vida de Alice foram devastadoras, o que fez com que ela passasse a temer mudanças e qualquer coisa que deixasse seu caminho incerto.
“Porque, quero dizer a ele, esse dinheiro vai transformar nossas vidas em um globo de neve, virando o mundo todo de cabeça para baixo. Vai mudar tudo. E para  mim não existe nada mais assustador.”
Já o Teddy, eu confesso que tive muito mais dificuldade de gostar. Ao contrário da Alice, ele lida com o dinheiro que ganhou de um modo muito mais irresponsável e, por mais que seja compreensível considerando a história dele e o fato de ser tão jovem, foi um pouco irritante. Além disso, em alguns momentos achei que Teddy agiu de um modo egoísta e fútil, o que fez com que, durante boa parte do livro, eu torcesse para que Alice não ficasse com ele. Porém, não pensem que ele é um personagem ruim. Ao contrário, Teddy se mostra um personagem tão complexo quanto Alice e, felizmente, ele vai amadurecendo ao longo do livro.



Com relação aos personagens secundários, gostei de todos. Além de terem seus próprios dilemas trabalhados no livro, eles são fundamentais para o desenvolvimento de Alice e Teddy. Em especial, eu adorei os tios da Alice e o Leo, que se mostra um daqueles personagens que qualquer um adoraria ter como amigo. Também gostei muito de Sawyer, um garoto que Alice conhece durante um trabalho voluntário e que se mostrou um personagem extremamente cativante.

“Minha tia e meu tio sempre fizeram o possível para que eu me sentisse para que eu me sentisse parte da família. Mas, por mais que eu tente, nunca foi fácil para mim deixá-los entrar completamente. Em minha experiência, famílias são coisas frágeis. E ser parte de uma coisa – ser realmente parte – significa que essa coisa pode ser tirada de você. Significa que você tem algo a perder. E eu já perdi coisas demais.”

Preciso destacar também a forma eficiente como a trama foi conduzida. Jennifer E. Smith conseguiu apresentar os personagens e as relações entre eles com facilidade, sem deixar que a leitura se tornasse monótona ou que o leitor tivesse dificuldade para se ambientar. Além disso, o desenvolvimento foi bem dinâmico, sem perder tempo com situações e descrições desnecessárias. Assim, tudo aconteceu de maneira natural e envolvente, permitindo que o leitor acompanhasse o crescimento dos personagens e se envolvesse realmente com suas trajetórias.
Outro aspecto que gostei bastante foram os temas que a autora trabalhou de maneira sutil durante todo o livro. Além da questão óbvia sobre o quanto ganhar milhões de dólares pode realmente fazer uma pessoa feliz, Sorte Grande também traz outras reflexões igualmente importantes através das trajetórias de cada um de seus personagens. Em especial, é um livro que fala sobre perdas irreparáveis, a dificuldade em descobrir a própria identidade o lugar onde se pertence, o medo das mudanças e quanto o passado pode afetar nosso futuro.

 “Às vezes, parece que o tempo é maleável, como se o passado se recusasse a ficar quieto e você acabasse o arrastando por aí com você, querendo ou não. Outras vezes, parece algo tão antigo e distante quanto aqueles castelos. Talvez seja assim que as coisas devam ser. Há um espaço entre esquecer e seguir em frente, e ele não é fácil de encontrar.”
O desfecho foi, para mim, o ponto alto do livro. Além de condizente com tudo que os protagonistas, e até mesmo os personagens secundários, viveram ao longo da trama, ele amarra todas as pontas que foram surgindo durante a leitura. É um final sensível, que faz o leitor refletir sobre todas as questões que foram trabalhadas no livro, e deixa uma sensação gostosa de orgulho da evolução de cada um daqueles personagens.
Deste modo, Sorte Grande foi uma leitura com a leveza característica dos livros da Jennifer E. Smith. Mais uma vez, a autora apresentou um escrita leve e sensível em uma trama simples, mas capaz de conquistar o leitor com seus personagens bem construídos e uma mensagem bonita sobre amizade, família, recomeços e o verdadeiro significado de sorte e felicidade.

[Resenha] Olá, adeus e tudo mais

Autora: Jennifer E. Smith
Editora: Galera Record
Páginas: 270
Comprar: Amazon
Skoob
Exemplar recebido de parceria com a editora
Sinopse: “Um romance divertido e emocionante, que explora as escolhas difíceis que surgem quando a vida e o amor conduzem a direções opostas. Ir para a faculdade é um momento emocionante e aterrorizante ao mesmo tempo. Ainda mais se você estiver em um relacionamento em que não tem certeza de seu próximo passo. Clare e Aidan têm apenas uma coisa a fazer na noite antes de partirem para a faculdade: descobrir se devem continuar namorando ou terminar. Ao longo de doze horas, eles irão refazer os passos do relacionamento, na tentativa de descobrir algo no passado que possa ajudá-los a decidir sobre o futuro. A noite os leva a amigos e familiares, marcos simbólicos e lugares inesperados, verdades dolorosas e revelações surpreendentes. Mas, conforme as horas passam e a manhã se aproxima, chega o momento inevitável do adeus. A questão é: será um adeus momentâneo ou para sempre?”

Um dos lançamentos mais aguardados por mim em 2017 era Olá, adeus e tudo mais, da Jennifer E. Smith, publicado no Brasil pela Galera Record. O motivo para isso é que tive contato com a escrita da autora em dois livros, A probabilidade estatística do amor à primeira vista e A geografia de nós dois, e ambos me envolveram e me deixaram com uma sensação gostosa no final. Então, sempre que vejo um livro dessa autora, já imagino imediatamente uma leitura leve, divertida e apaixonante.
Felizmente, Olá, adeus e tudo mais correspondeu às minhas expectativas e até me surpreendeu um pouco. Apesar de ser uma trama um tanto previsível, eu não esperava me apegar à história e aos personagens como aconteceu. Talvez meu coração esteja um pouco mole nesse início de ano, mas eu confesso que fui fisgada por esse livro e cheguei até a me emocionar em alguns momentos.
Trata-se de um romance adolescente que já começa de uma maneira diferente do que estamos habituados. Não temos um casal que irá se apaixonar ao longo da história e passar por muitas adversidades até ficarem juntos. Clare e Aidan, os protagonistas, já estão namorando há dois anos e são completamente apaixonados um pelo outro. O problema é que o Ensino Médio acabou e eles estão prestes a partir em direção às suas respectivas universidades: ela para Dartmouth, na costa leste, e ele para a Universidade da Califórnia, na Costa Oeste. Então, eles têm doze horas para decidir se vão tentar um relacionamento à distância ou se irão terminar naquela noite e preservar as boas memórias do namoro e a amizade.
“Afinal, como se diz adeus a uma parte de você?”

Clare, que prefere agir racionalmente e sempre ter tudo planejado, acredita que eles devem terminar. Afinal, qual a chance de um namoro dos tempos de colégio sobreviver à tamanha distância e às novidades da vida universitária? Já o Aidan confia que eles podem superar a dificuldade e fazer o relacionamento dar certo. Ao longo de doze horas, eles vão reviver etapas de seu namoro, visitando lugares e encontrando amigos que estiveram presentes nesses dois anos, e decidir o que farão em relação ao futuro dos dois.


Logo no início do livro, já fica claro o quanto Clare e Aidan combinam. Poucas vezes eu vi um casal que já se mostra tão cativante já nas primeiras páginas. Isso me surpreendeu muito, pois, como o livro se inicia com eles juntos e prestes a tomar uma grande decisão, não acompanhamos o início do relacionamento e nem temos a oportunidade de vê-los se apaixonando. No entanto, a autora conseguiu demonstrar desde o início o quanto os dois se amavam e tornar a dúvida deles muito real.
“Porque o amor não era algo que você podia declarar e retirar. Era como um feitiço: uma vez que você diz as palavras, elas simplesmente ficam por aí, flutuando e mudando tudo que uma vez fora verdadeiro.”
Esse foi um aspecto que gostei bastante no livro, pois me vi imediatamente envolvida no dilema do casal. Eles são tão cativantes e funcionam tão bem juntos que eu me vi sofrendo por eles só de pensar na possibilidade de terminarem separados no final do livro. Por outro lado, mais do que namorados, dá para ver que eles têm uma relação de amizade e cumplicidade. Então, eu entendi completamente o receio da Clare de insistirem no relacionamento e a distância acabar levando a um término mais traumático, que não preservaria nem esse companheirismo entre os dois.
Outro ponto que achei bem interessante é que, como Clare e Aidan revisitam lugares que foram marcantes durante o seu tempo de namoro, o leitor vai conhecendo aos poucos o passado dos dois e como ficaram juntos. É quase como se conhecêssemos a história de traz para frente, e as lembranças dos dois reforçassem o que já sabemos desde o início: que eles se amam e têm uma relação muito bonita. Isso acaba tornando a leitura ainda mais envolvente, porque à cada página aumenta a torcida para que eles optem por ficar juntos.
“São como duas árvores cujos galhos cresceram juntos. Mesmo que você as arranque pelas raízes, ainda vão estar entrelaçadas e emboladas e quase impossíveis de separar”
Tendo me encantado tanto com o casal é claro que eu amei os personagens, né? O Aidan me conquistou com seu jeito otimista e sua determinação em salvar o relacionamento dos dois. Além disso, ele tem conflitos que vão além da dúvida em relação ao namoro. Ao longo do livro, vamos descobrindo que a escolha da universidade foi mais difícil do que parecia a princípio e que a relação com sua família era bastante complicada.
Já a Clare eu confesso que foi uma personagem que tive mais dificuldade de me identificar. Em alguns momentos, achei seu jeito mais prático irritante e cheguei a achá-la um pouco egoísta. Porém, à medida que fui lendo, percebi que esse comportamento era uma autodefesa. Além disso, é interessante perceber que a jornada que era para ser uma decisão em relação ao namoro dela com o Aidan, acabou servindo como um caminho de autodescoberta e de amadurecimento para os dois.
“... e o que antes parecia ser a noite mais curta de sua vida – marcada por coisas demais para dizer e lugares demais para visitar – agora paira diante de Clare, interminável e cheia de incertezas”

 Mas vocês devem estar se perguntando: esse livro só tem dois personagens? Claro que não. Ao longo da trama, Clare e Aidan vão encontrando pessoas que fazem parte de suas vidas, incluindo os pais de ambos, a irmã mais nova de Aidan e os melhores amigos dos dois, Scotty e Stella. Os dois últimos, em especial, foram personagens que eu gostei muito e que a autora conseguiu desenvolver bem, dando personalidade e complexidade a ambos. 


No entanto, o que eu mais gostei nesse livro foi a forma palpável que a autora retrata essa fase tão complicada para os adolescentes que é a mudança do Ensino Médio para a faculdade. Depois que passamos por isso, muitas vezes nos esquecemos do quanto é assustador esse momento. É a primeira grande escolha que fazemos e, a partir dela, tudo muda. Então, através das expectativas, inseguranças e conflitos de Clare, Aidan, Stella e Scotty, a autora conseguiu retratar de maneira convincente o que muitos adolescentes sentem.
“Às vezes as coisas mais difíceis são as que mais valem a pena.”
Com relação à escrita de Jennifer E. Smith, me surpreendi positivamente com o fato de que ela conseguiu abordar temas interessantes sobre a adolescência e desenvolver bem os personagens em uma trama que se passa em um intervalo de tempo tão curto. Além disso, manteve a fluidez e a leveza característica de seus livros, bem como sua habilidade em construir personagens cativantes, o que tornou a leitura envolvente e apaixonante. Minha única ressalva é que eu desejava um epílogo um pouco mais detalhado, mas foi um desfecho tão coerente que isso não chegou a atrapalhar.
Com relação à edição, eu fiquei completamente encantada desde a capa aos detalhes como a fonte usada no início de cada capítulo. Aliás, preciso ressaltar o mérito da Galera Record em manter a capa original, que é realmente muito linda. Além disso, as páginas amareladas e a fonte com um tamanho adequado facilitam bastante a leitura.
Deste modo, Olá, adeus e tudo mais não é um livro cheio de reviravoltas ou com reflexões profundas sobre a vida, mas traz um retrato sensível e delicado sobre uma fase muito especial da vida. Com personagens cativantes e que com certeza farão o leitor se identificar ou lembrar da sua própria adolescência, é um romance sobre as mudanças da vida e a ternura do primeiro amor. Para quem procura uma leitura leve e apaixonante, este livro não irá decepcionar.

Agora, quero sabe de vocês se já leram ou pretendem ler este livro. Me contem aí nos comentários o que acharam e se conhecem outros livros da autora. E, para quem se interessou pelo livro, não deixem de adquirir pelo link do blog no início do post.  

Apaixonada por literatura desde pequena, nunca consegui ficar muito tempo sem um livro na mão. Assim, o Dicas de Malu é o espaço onde compartilho um pouco desse meu amor pelo mundo literário.




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