[Resenha] O último dos magos

Autora: Lisa Maxwell
Editora: Plataforma 21 (V&R)
Páginas: 580
Onde comprar: Amazon
Sinopse: “Pare o mago. Roube o livro. Salve o futuro. Na Nova York dos dias atuais, a magia antiga e natural está quase extinta. Os poucos que ainda têm afinidade com ela – os mageus – vivem nas sombras, escondendo o que são. Além disso, qualquer mageus que adentre Manhattan é capturado por uma armadilha: a Beira, uma barreira invisível que os deixa permanentemente presos à ilha. Atravessar a fronteira estabelecida pela beira significa perder os poderes – e, frequentemente, a própria vida. A jovem esta é uma ladra talentosa e cresceu sendo treinada para roubar artefatos mágicos da ordem, organização misteriosa criadora da Beira. Esta também tem uma habilidade inata: manipular o tempo. A jovem é capaz de furtar objetos do passado, coletando-os antes mesmo que a ordem perceba que ela está lá. Mas todo o treinamento de esta tem sido para uma tarefa maior: viajar até o ano de 1902 para roubar um livro antigo. Acredita-se que o livro contém todos os segredos da Ordem – e da Beira. A missão de Esta é furtá-lo antes que o Mago o destrua, garantindo assim um futuro melhor a todos os que têm afinidade com magia. Mas a Nova York do início do século XX em que esta deve mergulhar é perigosa e sem leis, comandada por gangues e sociedades secretas. Um lugar em que é possível sentir magia até no ar que se respira. Nada é o que parece, nem mesmo o Mago. E, para salvar o próprio futuro, Esta deve trair a todos no passado – sem exceção.”

Sabe quando você vê um livro e sente que precisa lê-lo, sem saber bem o porquê? De repente, esse livro está no topo da sua lista de desejados e você sequer sabe a sinopse direito. Foi exatamente isso que aconteceu comigo desde que vi a capa de O último dos magos, lançado ano passado pela Plataforma 21. Ele entrou automaticamente para a minha lista de prioridades e, finalmente, consegui realizar esta leitura.
Tudo que eu sabia antes de ler era que se tratava de um livro de fantasia. Porém, para minha surpresa e alegria, O último dos magos é muito mais que isso. Ele mistura magia, ficção histórica, viagens no tempo, romance e aventura, tudo isso ambientado em uma Nova York dividida por conflitos sociais e disputas de gangues.
Nesse livro, a magia é real e faz parte da vida dos chamados mageus. Porém, a Ordem, uma misteriosa organização, vem tentando controlá-la e, para isso, desenvolveu a Beira, uma corrente que enfraquecia os mageus e impedia que eles ultrapassassem os limites da cidade. Aqueles que tentassem atravessá-la perdiam sua afinidade com a magia e, frequentemente, acabavam morrendo. No entanto, acredita-se que há um livro capaz de destruir a Beira e libertar os mageus, o Ars Arcana. O problema é que um mago capturou e destruiu este livro no ano de 1902.
“Porque a magia não está nos elementos. A magia vive nos espaços, nos vazios entre todas as coisas, conectando-as. Está ali, à espera daqueles que sabem como encontrá-la, naqueles que têm a habilidade nata de entender essas conexões: os Mageus.”
Nos dias atuais, a jovem Esta tem como afinidade a capacidade de viajar no tempo. Ela vem sendo treinada para roubar artefatos mágicos e também para conseguir voltar cada vez mais longe no tempo. Esta recebe, então, a missão de voltar ao ano de 1902 e impedir que o Mago destrua o Ars Arcana. Ela deverá trazer o livro para o presente e entregá-lo ao professor Lachlan, seu mestre, para que ele consiga libertar os mageus.
No passado, Nova York era muito diferente do que Esta imaginava, com a magia muito mais palpável e os perigos das disputas territoriais entre as diferentes gangues. Ela acaba se integrada ao grupo de Dolph Saunders, um mageu que também estava em busca do Ars Arcana, e o destino a coloca no caminho do Mago que iria roubar e destruir o livro. No entanto, Esta acaba descobrindo que nada ali é o que parece e que trair aquelas pessoas para concluir sua missão não seria tão fácil como ela esperava.


Desde as primeiras páginas, fica claro que Lisa Maxwell construiu um enredo complexo e interessante. Confesso que, no começo, tive um pouco de dificuldade para me situar na história, pois nos primeiros capítulos já são apresentados diferentes períodos do tempo e personagens chave para a história. No entanto, essa confusão inicial durou pouco e por volta da página 50 eu já estava me familiarizando com o mundo criado pela autora e entendo melhor a dinâmica daquela sociedade.
A construção do universo foi um grande acerto do livro. Para começar, o simples conceito de ver diferentes versões de Nova York ao longo dos anos e como a presença da magia ali foi se transformando já é interessante. No entanto, há ainda o conflito entre os mageus e a Ordem, aqueles que têm afinidade com a magia natural e os que querem provar que ela não existe, que permitiu à autora trabalhar questões importantes. Além disso, há ainda a própria divisão da sociedade, cheia de disputas entre gangues e conflitos de interesse, que tornam o universo apresentado bastante complexo.
"É isso que a Ordem quer. Não querem que os Mageus se deem conta de que temos muito mais coisas em comum do que diferenças. Porque, nos mantendo divididos, o poder dela continua a salvo.”
Outro aspecto positivo do livro é que a trama já começa com muita ação, o que permite ao leitor se envolver rapidamente com a leitura. Mesmo quando eu ainda estava tentando entender tudo que a autora estava apresentando, a escrita dela e o ritmo que ela usou para conduzir a trama fizeram com que em nenhum momento a leitura se tornasse arrastada ou eu sentisse vontade de largar o livro.


Sobre personagens, dois deles conquistaram um lugar definitivo no meu coração. A primeira foi a protagonista, Esta. Ela é uma personagem inteligente, corajosa e determinada, treinada para roubar e sair das situações mais complicadas, mas que consegue conquistar o leitor não só por suas habilidades incríveis, como também por suas fragilidades, que a tornam muito humana. Por mais que tenha sido preparada para não se deixar levar pelas emoções, Esta em muitos momentos se vê em conflito e culpada pensando naqueles que deveria trair, demonstrando uma enorme capacidade de amar e de sentir empatia. 
“Esta até podia continuar sem confiar nele, mas podia entende-lo. A persistência que fazia dele quem ele era, a determinação de provar seu valor – a necessidade profundamente arraigada de se encaixar em algum lugar – eram coisas que Esta conhecia muito bem.”
Outro personagem que adorei é Harte Darrigan, um mageu que escondia sua habilidade a fim de conseguir um lugar na alta sociedade. Ele se apresentava como ilusionista e acabou atraindo a amizade do filho de um membro poderoso da Ordem. Apesar de estar bem longe de ser um mocinho, ele é um personagem complexo, que tem outras camadas além daquela que vemos a princípio. Trata-se, portanto, do clássico anti-herói, que mesmo não sendo perfeito, acaba conquistando o leitor por seu carisma e sendo de humor bastante irônico.
“Harte não se arrependia de usar contra as pessoas seus medos e suas esperanças, seus preconceitos e sua noção do que era certo. De lhes oferecer uma distração da verdade. Estava simplesmente sobrevivendo em um mundo que odiava o que ele era.”
Com relação aos demais personagens, todos eles foram bem construídos pela autora e tiveram importância no desenrolar da trama. Dolph Saunders foi um dos mais interessantes de acompanhar e tem sua própria jornada tão explorada quanto Esta e Harte, porém, os demais membros do seu bando também são suficientemente desenvolvidos e suas subtramas se mostram relevantes dentro do livro e alguns, até mesmo, surpreendentes.
Há ainda romance no livro, porém, ele aparece na medida certa e sem prejudicar o desenvolvimento da história. Acredito que em livros de fantasia, o enredo central nunca pode perder espaço para a formação de um casal e, felizmente, isso não acontece em O último dos magos. O romance se encaixa perfeitamente dentro da trama e nenhum dos personagens envolvidos perde o foco por causa do sentimento que surge entre eles. Assim, a autora acertou na dose e construiu um casal cativante e convincente, que conquista a torcida do leitor (acreditem, eu shippei muito), mas não deixa que a gente se esqueça do que realmente está em jogo nesta história.



Já com relação à trama, teve um aspecto que me incomodou um pouco. A autora soube desenvolvê-la de uma maneira dinâmica, com muitas reviravoltas e envolvendo o leitor. No entanto, confesso que algumas das revelações não chegaram a me surpreender e esse foi o único aspecto que me decepcionou um pouco. Desconfiei das intenções de um determinado personagem desde o princípio e quando uma nova revelação acontece mais para frente, foi fácil juntar os pontos. Porém, isso não prejudicou minha experiência de leitura, pois ainda há descobertas realmente inesperadas no livro e o desfecho conseguiu me deixar (muito) ansiosa pela continuação.
“Quem não tinha afinidade, temia que a magia fosse compulsão. Aqueles que conheciam seu poder sabia que esse não era um medo completamente infundado.”
Não posso deixar de mencionar também o quanto gostei da edição. A capa está maravilhosa e faz total sentido com a história. Além disso, eu achei muito o fato de que o livro conta com um mapa, que realmente ajuda o leitor a se localizar dentro da trama. Achei o tamanho da fonte confortável para leitura e as páginas amareladas também contribuíram nesse sentido. Minha única ressalva é que há alguns erros de digitação; nada que atrapalhe a leitura ou chame muita a atenção, mas que poderia ser corrigido em uma próxima edição.
Deste modo, por mais que eu tivesse altas expectativas para O último dos magos, essa leitura ainda conseguiu se mostrar uma grata surpresa. Ele traz vários temas interessantes e apresenta uma ótima combinação de fantasia, aventura, ficção e romance. A escrita de Lisa Maxwell é muito envolvente e me deixou ansiosa para ler não apenas a continuação deste livro, mas também outras obras escritas por ela. É uma leitura que recomendo muito, com um universo bem construído e personagens cativantes e complexos. A continuação será lançada ainda esse ano nos Estados Unidos e já estou torcendo para que a Plataforma 21 publique aqui rapidinho.
Agora quero saber quem aí já leu O último dos magos e o que vocês acharam. Não deixem de me contar nos comentários e, para quem ainda leu e se interessou pelo livro, vou deixar o link de compra na Amazon (livro físico: aqui / e-book: aqui).

Apaixonada por literatura desde pequena, nunca consegui ficar muito tempo sem um livro na mão. Assim, o Dicas de Malu é o espaço onde compartilho um pouco desse meu amor pelo mundo literário.




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