[Resenha] Como se vingar de um cretino


Olá, pessoal! Como vocês estão? Hoje eu vim trazer a resenha de uma das minhas leituras mais recentes, o romance de época Como se vingar de um cretino, da Suzanne Enoch. Lançado pela Harlequin Brasil esse ano, esse livro foi meu primeiro contato com a escrita da autora e já me deixou curiosa para conhecer outras obras dela.


Autora: Suzanne Enoch
Editora: Harlequin Brasil
Páginas: 288
Tradutora: Thalita Uba
Classificação: + 18 anos (conteúdo adulto)
Onde comprar: Amazon
Sinopse: “Era uma vez um notório visconde Dare, que seduziu lady Georgiana Halley e tomou sua inocência para ganhar uma aposta, e agora ele vai ter que pagar. O plano é simples: ela vai usar cada artifício de conquista que conhece para ganhar o coração de Dare, e então quebrá-lo. Mas o olhar do visconde tenta Georgiana a se entregar ao prazer mais uma vez, e quando ele a surpreende com um pedido de casamento, ela se pergunta: esse é mais um de seus jogos, ou dessa vez é amor verdadeiro?”

Sabe aquele livro que te fisga na primeira página e você só larga quando termina? Foi exatamente isso que aconteceu comigo enquanto lia Como se vingar de um cretino. Suzanne Enoch tem uma escrita leve, que faz com que o leitor se envolva rapidamente com a leitura. Além disso, é um livro que traz todos os elementos de um bom romance de época: protagonistas carismáticos e com uma boa química, diálogos inteligentes e afiados, trama envolvente, uma boa dose de humor e um romance bem construído.
Nesse livro, que é o primeiro de uma trilogia, conhecemos Lady Georgiana Halley e Tristan, o Visconde de Dare. Seis anos antes, Tristan havia seduzido Georgie para ganhar uma aposta, deixando a moça com o coração partido e sem possibilidade de se casar, tanto por não ser mais virgem quanto por não conseguir mais confiar nos homens. Agora, ela está disposta a se vingar e ensinar uma lição para que ele não faça o mesmo com outras moças.
Para isso, Georgie decide se infiltrar na casa de Dare, com a desculpa de cuidar das tias dele, para então seduzi-lo e partir seu coração. O que ela não levou em consideração no seu plano é que não era tão imune a ele quanto pensava e que, com a convivência, ela poderia ser tão envolvida quanto ele. Mas será que dessa vez era sério ou se tratava de mais de um dos jogos dele? Seria possível confiar em um cretino?


Vou ser bem sincera e já falar logo que eu amei essa leitura da primeira à ultima página. Adorei a forma como o romance foi construído e a interação entre os personagens. Georgiana é uma protagonista muito determinada e orgulhosa, fazendo com que suas discussões com Dare fossem sempre divertidas de acompanhar. Além disso, é compreensível a mágoa que ela sentia por toda a decepção que teve seis anos antes. Confesso que, em alguns momentos, a teimosia dela me incomodou um pouco e senti que ela era um pouco mimada. No entanto, consegui entender que boa parte desse comportamento era para evitar uma nova desilusão. Além disso, Georgie evoluiu bastante ao longo do livro e, ao final, fiquei orgulhosa de ver o quanto ela amadureceu.
“Georgiana abafou uma ponta de culpa. Ao menos ela podia colocar a culpa em Dare, já que ele começara aquilo. Tudo era culpa de Tristan. Até mesmo a maneira, como, às vezes, quase gostava dele.”
Já o Tristan, não sei nem como começar a explicar o quanto eu amei esse mocinho, que de cretino não tem nada. Ele errou muito com Georgiana, mas é o primeiro a reconhecer isso. O arrependimento dele é claro desde o início e é evidente o quanto ele amadureceu nos anos que se seguiram. Além disso, ele assumiu muitas responsabilidades nesse período e é difícil não se solidarizar ao ver tudo que ele carrega. Assim, por mais que tenha uma língua afiada e um jeito sedutor, típico dos cretinos, Tristan é um homem sensato, íntegro e de um coração enorme. [Sim, eu terminei o livro apaixonada por ele]
“Por um estante, Georgiana se perguntou se aquela não seria a maior mudança de todas: ele aprendera que suas atitudes tinham consequências não apenas para si próprio, mas para os outros, e permitira que esse conhecimento o guiasse – em sua maior parte.”


O romance entre os dois foi muito bem construído, pois tudo acontece de maneira natural. Além do fato deles já terem uma história juntos, as mágoas e desentendimentos entre eles não desaparecem de uma hora para outra. É um processo gradual, decorrente da convivência mais próximo e do amadurecimento de ambos. Esse desenvolvimento mais lento, associado ao fato de que a química entre Georgiana e Tristan ser inegável, deixou o romance apaixonante e tornou impossível não torcer pelo casal.
Já com relação aos personagens secundários, eu adorei a maioria. Tristan tem mais quatro irmãos e cada um deles se destaca por algum motivo, mas o que mais gostei foram os momentos em que eles estavam todos juntos. A tias deles são ótimas também e adorei ver as duas tentando bancar os cupidos. As amigas da Georgie são ótimas também e adorei ver o quanto elas são fieis umas às outras. A única personagem que eu não gostei foi uma vilã que me fez querer entrar no livro e dar uns tapas nela. Não vou dizer quem é, pois acho que seria um spoiler, mas quem leu sabe do que estou falando.


Não posso deixar de dizer também o quanto a escrita da autora é envolvente. Suzanne Enoch desenvolve a trama de uma maneira bem leve, permitindo que o leitor se envolva com a leitura e se apegue aos personagens. Além disso, ela soube dosar muito bem o romance, o drama e o humor, fazendo com que nada na trama fosse exagerado ou cansativo.
Por fim, preciso destacar o capricho da edição da Harlequin. A capa está linda e totalmente condizente com um romance de época, e a parte interna do livro não deixa nada a desejar. Além disso, as páginas amareladas e a fonte em um bom tamanho proporcionam uma leitura bastante confortável.
Com um casal de protagonistas tão cativantes e uma trama bem conduzida, Como se vingar de um cretino só poderia ser uma leitura deliciosa. Me encantei por esses personagens, ri muito de suas confusões e torci por ele a cada página. É um romance de época que reúne os melhores elementos do gênero e que me deixou ansiosa para conhecer outras obras da autora. Inclusive, já estou torcendo para a Harlequin Brasil publicar as continuações desta trilogia em breve.
E vocês, já leram esse livro ou outros da autora? Me contem aí nos comentários o que acharam. E, caso tenham se interessado em ler, vou deixar o link de compra na Amazon aqui.

Guiness Book Tag



Olá, pessoal! Como andam as leituras de vocês? Esses dias eu não tenho lido tanto (culpa da Copa do Mundo), mas resolvi aproveitar para trazer alguns posts que estava devendo aqui. Um deles é uma tag que fui marcada há 84 anos pela Ste do instagram @stebookaholic e pela Diandra do @bibliotecadadi, a Guiness Book Tag.
Essa tag é bem simples e consiste em alguns “recordes” envolvendo minhas leituras e os livros que entraram na minha estante. Originalmente, as perguntas teriam como base o ano de 2017, mas como já estamos no meio do ano, vou responder considerando os livros de 2018. Então, sem mais delongas, vamos às minhas respostas.

Recorde de leitura: livro lido mais rápido
Esse ano, surpreendentemente, li muitos livros que foram rápidos de ler. Foram leituras super envolventes, que me prenderam completamente e eu só consegui largar depois que terminei. Porém, eu acho que o maior recorde foi Um verão na Itália, da Carrie Elks. Eu comecei a ler esse livro assim que ele chegou, no finalzinho da tarde, e só não terminei no mesmo dia porque eu queria que a leitura durasse mais. Mesmo assim, terminei no dia seguinte de manhã, assim que acordei.

Recorde de lerdeza: livro mais demorado para ler
Como eu disse, esse ano as minhas leituras têm fluído bem e muitos livros que eu li foram bem rápidos. Não me recordo de nenhum livro que tenha sido realmente lento de ler em 2018, porém, o que mais se aproximou disso foi Destinado, da Carina Rissi. Terceiro volume da série Perdida, esse livro não me prendeu como os outros e, por causa disso, a leitura foi um pouco mais devagar que de costume.

Recorde de leitura: o maior livro lido em 2018
Sem dúvida, o maior livro que eu li em 2018, até agora, foi Tempestade de Guerra, da Victoria Aveyard. O quarto volume de A Rainha Vermelha é o mais longo da série, contando com 700 páginas. Felizmente, a escrita da autora é muito envolvente e eu nem senti o tempo passando enquanto lia. Por outro lado, o fato de ser um livro tão grande deixou o final ainda mais frustrante. Afinal, é triste chegar no último volume de uma série, ler tantas páginas, e não ter suas perguntas respondidas né?

Recorde de valor: livro mais caro comprado
Essa pergunta foi complicada de responder, porque eu só compro livros em promoção. É muito livro para pouco dinheiro, então, eu sempre pesquiso muito antes de comprar para ver se está realmente compensando. Mas, para não deixar essa pergunta sem resposta, acredito que o livro mais caro que comprei esse ano é Heroína da Alvorada, da Alwyn Hamilton. Assim mesmo, comprei com desconto e frete grátis, então, também não foi caro. (E que continue assim no segundo semestre!)

Recorde de beleza: a capa mais bonita da estante
Nessa categoria, teve empate. Eu simplesmente não sei escolher entre Heroína da Alvorada e Chronos: Viajantes do Tempo. Sério, são dois livros que eu fiquei horas admirando depois que chegaram em casa. Além disso, não são só as capas que são bonitas. As edições de ambos os livros estão muito caprichadas e cheias de detalhes. Chronos eu ainda não li, mas está na minha meta de leitura. 

Recorde de escrita: melhor autor/ autora
Vocês provavelmente vão cansar de mim, mas esse ano Alwyn Hamilton entrou definitivamente para o grupo dos meus autores preferidos e eu não poderia deixar de mencioná-la aqui. O final que ela deu para a trilogia A Rebelde do Deserto foi um dos mais bonitos e bem construídos que já li. Porém, para vocês não me odiarem, também vou citar uma autora que tem sido muito marcante nas minhas leituras de 2018: a Lisa Kleypas. Li 5 livros dela esse ano e todos foram romances de época apaixonantes e muito gostosos de ler.

Recorde de sedução: girl magia do ano
Esse ano foi marcado por protagonistas femininas maravilhosas e que eu adoraria citar aqui. Porém, eu vou citar a que foi a maior surpresa do ano, para mim, e que, apesar de não ser protagonista, é uma das melhores personagens da série A Rainha Vermelha: Evangeline Samos. Se você leu só os dois primeiros livros, deve estar achando que eu enlouqueci. Porém, Evangeline rouba a cena em A Prisão do Rei e em Tempestade de Guerra, e é uma personagem feminina maravilhosa.

Bônus: como esse ano também está sendo repleto de boys magia literários (e que continue assim no segundo semestre), não podia deixar de mencionar pelo menos um né? Então, escolhi o Ben do livro Mais que amigos, um personagem que conquistou minha admiração e meu coração do começo ao final desta leitura. Ele é carismático, divertido, um amigo maravilhoso e ainda tem alguns conflitos e uma vulnerabilidade que o tornam ainda mais especial. 

Framboesa do ano: Pior livro de 2018
Não li nenhum livro realmente ruim em 2018, mas, infelizmente, tive algumas decepções. Acho que a maior delas foi “Sinceramente, Carter”, da Whitney G. Já tinha visto várias pessoas elogiando esse new adult, mas, apesar de ser uma leitura leve e fluida, o livro acabou sendo bem decepcionante. Achei a trama rasa, os personagens irritantes e, por causa disso, o romance demorou a me convencer.

Então, o que acharam da tag e das minhas respostas? Me contem aí nos comentários quais foram os recordes das leituras de vocês e quais destes livros que eu citei vocês já leram. E, para quem se interessou por algum deles, deixo o link de compra na Amazon aqui. Comprando por ele, vocês ajudam o Dicas de Malu com uma pequena porcentagem do valor final da compra, sem ter nenhum custo a mais.

[Resenha] Sorte Grande

Autora: Jennifer E. Smith
Editora: Galera Record
Páginas: 384
Onde comprar: Amazon
Exemplar recebido de parceria com a editora
Sinopse: “O amor é como a loteria. Alice não acredita na sorte; perdeu os pais com um intervalo de apenas treze meses. Mas Alice acredita no amor. De seus tios, de seu primo Leo, de seu melhor amigo Teddy. O coração, no entanto, já se foi há tempos. Dado de bandeja a Teddy. Há pelo menos três anos. E quando precisa decidir o que dar a ele no aniversário de 18 anos, a ideia parece chegar naturalmente... um bilhete de loteria. Com todos os números importantes para ambos: número de anos que se conhecem, data importantes e endereços marcantes. Quando a combinação se prova vencedora e o menino ganha quase 150 milhões de dólares, os dois são jogados em um redemoinho de loucuras juvenis, interesseiros e sonhos de infância realizados. Tudo estaria perfeito, não fosse um beijo trocado no auge das comemorações. Um beijo que mudaria a dinâmica do casal. Mas o dinheiro não pode comprar o amor. Nem o que mais importa. Mas será que pode dar uma ajudinha?”

Quem nunca imaginou o que faria se um dia ganhasse uma fortuna na loteria? É difícil saber exatamente o que fazer com tanto dinheiro, mas uma coisa é certa: este é um acontecimento capaz de mudar completamente a vida de uma pessoa e, nem sempre, é para melhor. E é exatamente sobre uma situação como esta que se trata o livro Sorte Grande, da autora Jennifer E. Smith, que foi publicado esse ano pela Galera Record.
Nessa história, a jovem Alice nunca acreditou em sorte. Tendo perdido seus pais em um intervalo de apenas treze meses, quando ainda era uma criança, ela não conseguia acreditar em destino ou acaso. No entanto, ela acreditava no amor. Tinha provas de sua existência através dos tios que a acolheram em casa, do primo Leo e do melhor amigo Teddy. Porém, o amor também não vinha fácil na vida dela. Com exceção de sua ótima relação com Leo, Alice ainda tinha dificuldade de se sentir parte daquela família, por mais que gostasse dos tios. Nem mesmo o sentimento por Teddy era muito descomplicado, afinal, ela era apaixonada por ele há três anos e nunca teve coragem de revelar, por medo de estragar a amizade.
“– Bem, como você consegue ter tanta fé em alguém, especialmente alguém que decepciona você tanto quanto Teddy, quando tem tão pouca fé no mundo?”
Teddy também não podia se considerar a pessoa mais sortuda do mundo. Há alguns anos, seu pai foi à falência por causa de dívidas de jogo, perdendo tudo que a família tinha, incluindo o apartamento em que moravam. Depois disso, Teddy e a mãe foram viver em um apartamento minúsculo e a situação financeira deles ia de mal a pior. Além disso, ele se ressentia pela ausência do pai, que os abandonou no momento mais difícil de suas vidas.
Tudo muda no aniversário de dezoito anos de Teddy. Alice resolve presenteá-lo com um bilhete da loteria, escolhendo números que eram importantes para os dois. Quando os números sorteados são exatamente aqueles escolhidos por Alice, Teddy ganha uma fortuna de 150 milhões de dólares. A partir desse momento, eles são mergulhados em um turbilhão de emoções, que envolvia decidir o que fazer com o dinheiro, lidar com a aproximação de interesseiros e descobrir o que era realmente importante para eles. Tornando tudo ainda mais complicado, um beijo em um momento de empolgação começa a pesar entre os dois e ameaçar sua amizade.


Sorte grande é o quarto livro que leio da autora Jennifer E. Smith e, mais uma vez, ela não me decepcionou. A escrita dela é leve e envolvente, deixando a leitura fluida e muito gostosa. Além disso, parece que a autora tem um dom para escrever personagens cativantes e que conquistam a empatia do leitor. No entanto, mais do que isso, Sorte Grande me surpreendeu por trazer algumas reflexões interessantes e protagonistas mais complexos do que eu esperava.
“A vida não se curva à vontade de ninguém. E também não funciona baseada em um sistema de créditos. Só porque o mundo roubou algo de mim não significa que me deva outra coisa em troca. E só porque estoquei uma grande quantidade de má sorte, não significa que vá receber algo de bom em troca.”
A Alice me conquistou logo nas primeiras páginas, tanto por seu drama pessoal, quanto por sua personalidade forte. Ela teve perdas muito dolorosas quando era só uma criança e, mesmo nove anos depois, é claro que isso ainda tinha efeitos na sua vida, especialmente no modo como ela se relacionava com a família e nas escolhas que fazia. Por não ter os pais ao seu lado, ela agia sempre pensando no que eles esperariam dela, sem refletir sobre o que ela realmente desejava. Além disso, é impossível não se solidarizar ao vê-la sofrendo pelo Teddy, mas ainda colocando a amizade acima do que sentia por ele.
“Teddy e eu, por outro lado, crescemos em areia movediça. E, apesar de ter sido por motivos diferentes, apesar de raramente tocarmos no assunto, alguma coisa nesse simples fato sempre nos uniu.”
Outro ponto que gostei bastante nessa protagonista é a maneira madura como ela lida com a fortuna que ganhou para Teddy na loteria. Ao invés de se deslumbrar com o dinheiro, como qualquer adolescente (e muitos adultos) fariam, ela teme as mudanças que ele traria para a vida deles. No entanto, essa maturidade não soa forçada ou estranha em uma menina tão jovem, pois ela é explicada pelos próprios traumas dela. Todas as transformações que ocorreram na vida de Alice foram devastadoras, o que fez com que ela passasse a temer mudanças e qualquer coisa que deixasse seu caminho incerto.
“Porque, quero dizer a ele, esse dinheiro vai transformar nossas vidas em um globo de neve, virando o mundo todo de cabeça para baixo. Vai mudar tudo. E para  mim não existe nada mais assustador.”
Já o Teddy, eu confesso que tive muito mais dificuldade de gostar. Ao contrário da Alice, ele lida com o dinheiro que ganhou de um modo muito mais irresponsável e, por mais que seja compreensível considerando a história dele e o fato de ser tão jovem, foi um pouco irritante. Além disso, em alguns momentos achei que Teddy agiu de um modo egoísta e fútil, o que fez com que, durante boa parte do livro, eu torcesse para que Alice não ficasse com ele. Porém, não pensem que ele é um personagem ruim. Ao contrário, Teddy se mostra um personagem tão complexo quanto Alice e, felizmente, ele vai amadurecendo ao longo do livro.



Com relação aos personagens secundários, gostei de todos. Além de terem seus próprios dilemas trabalhados no livro, eles são fundamentais para o desenvolvimento de Alice e Teddy. Em especial, eu adorei os tios da Alice e o Leo, que se mostra um daqueles personagens que qualquer um adoraria ter como amigo. Também gostei muito de Sawyer, um garoto que Alice conhece durante um trabalho voluntário e que se mostrou um personagem extremamente cativante.

“Minha tia e meu tio sempre fizeram o possível para que eu me sentisse para que eu me sentisse parte da família. Mas, por mais que eu tente, nunca foi fácil para mim deixá-los entrar completamente. Em minha experiência, famílias são coisas frágeis. E ser parte de uma coisa – ser realmente parte – significa que essa coisa pode ser tirada de você. Significa que você tem algo a perder. E eu já perdi coisas demais.”

Preciso destacar também a forma eficiente como a trama foi conduzida. Jennifer E. Smith conseguiu apresentar os personagens e as relações entre eles com facilidade, sem deixar que a leitura se tornasse monótona ou que o leitor tivesse dificuldade para se ambientar. Além disso, o desenvolvimento foi bem dinâmico, sem perder tempo com situações e descrições desnecessárias. Assim, tudo aconteceu de maneira natural e envolvente, permitindo que o leitor acompanhasse o crescimento dos personagens e se envolvesse realmente com suas trajetórias.
Outro aspecto que gostei bastante foram os temas que a autora trabalhou de maneira sutil durante todo o livro. Além da questão óbvia sobre o quanto ganhar milhões de dólares pode realmente fazer uma pessoa feliz, Sorte Grande também traz outras reflexões igualmente importantes através das trajetórias de cada um de seus personagens. Em especial, é um livro que fala sobre perdas irreparáveis, a dificuldade em descobrir a própria identidade o lugar onde se pertence, o medo das mudanças e quanto o passado pode afetar nosso futuro.

 “Às vezes, parece que o tempo é maleável, como se o passado se recusasse a ficar quieto e você acabasse o arrastando por aí com você, querendo ou não. Outras vezes, parece algo tão antigo e distante quanto aqueles castelos. Talvez seja assim que as coisas devam ser. Há um espaço entre esquecer e seguir em frente, e ele não é fácil de encontrar.”
O desfecho foi, para mim, o ponto alto do livro. Além de condizente com tudo que os protagonistas, e até mesmo os personagens secundários, viveram ao longo da trama, ele amarra todas as pontas que foram surgindo durante a leitura. É um final sensível, que faz o leitor refletir sobre todas as questões que foram trabalhadas no livro, e deixa uma sensação gostosa de orgulho da evolução de cada um daqueles personagens.
Deste modo, Sorte Grande foi uma leitura com a leveza característica dos livros da Jennifer E. Smith. Mais uma vez, a autora apresentou um escrita leve e sensível em uma trama simples, mas capaz de conquistar o leitor com seus personagens bem construídos e uma mensagem bonita sobre amizade, família, recomeços e o verdadeiro significado de sorte e felicidade.

Apaixonada por literatura desde pequena, nunca consegui ficar muito tempo sem um livro na mão. Assim, o Dicas de Malu é o espaço onde compartilho um pouco desse meu amor pelo mundo literário.




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