[Resenha] O Príncipe Cruel


Olá, leitores! Como vocês estão? Eu preciso dizer que esse texto foi iniciado, apagado e começado de novo mais vezes do que eu consigo contar. Sempre achei que as resenhas mais difíceis de escrever são aquelas sobre livros que foram extremos, ou seja, aqueles que eu amei muito ou aqueles que eu detestei. Acredito que os sentimentos mais intensos sejam os mais difíceis de serem explicados. Felizmente, no caso da resenha de hoje, a dificuldade vem do fato de que o livro superou todas as minhas expectativas e foi um dos meus favoritos do ano.
Estou falando sobre O Príncipe Cruel, da Holly Black, que foi lançado esse semestre no Brasil pela Galera Record. Sabem aqueles livros que te prendem desde a primeira página, te deixam sem fôlego e, quando terminam, fazem você contar os dias para poder ler a continuação? Pois é, foi exatamente isso que essa leitura fez comigo. E, agora, estou aqui tentando encontrar as palavras para explicar os motivos que me levaram a gostar tanto desse livro.

Autora: Holly Black
Editora: Galera Record
Tradução: Regiane Winarski
Páginas: 322
Onde comprar: Amazon
Exemplar recebido de parceria com a editora.
Sinopse: “Jude tinha 7 anos quando seus pais foram assassinados e foi forçada a viver no Reino das Fadas. Dez anos depois, tudo o que ela quer é ser como eles – lindos e imortais – e realmente pertencer ao Reino das Fadas, apesar de sua mortalidade. Mas muitos do povo das Fadas desprezam os humanos. Especialmente o Príncipe Cardan, o filho mais jovem, mais bonito e mais cruel do Grande Rei. Para ganhar um lugar na Alta Corte, ela deve desafiá-lo... e enfrentar as consequências. Envolvida em intrigas e traições do palácio, Jude descobre sua própria capacidade para truques e derramamento de sangue. Mas, com a ameaça de uma guerra civil e o Reino das Fadas por um fio, Jude precisará arriscar sua vida em uma perigosa aliança para salvar suas irmãs, e o próprio Reino. Com personagens únicos, reviravoltas inesperadas, e uma traição de tirar o fôlego, este livro vai deixar o leitor querendo mergulhar de cabeça na continuação deste universo.”

Em O príncipe cruel, o mundo das fadas é real e Jude passou a fazer parte dele quando ainda era uma criança. Quando ela tinha apenas sete anos, sua casa foi invadida e seus pais mortos na frente dela e das irmãs, Viviane e Taryn. O assassino era Madoc, um feérico e pai da Viviane, a quem a mãe das garotas havia abandonado anos antes. Após matar os pais das meninas, Madoc decide levá-las ao mundo das fadas.
Dez anos depois, Viviane ainda se recusava a aceitar o pai e sonhava em voltar ao mundo dos humanos, mas Jude e Taryn esperavam se encaixar e encontrar um lugar para elas naquela corte. Para Taryn, a melhor forma de conseguir isso seria através no casamento. Jude, por outro lado, queria mostrar que tem habilidade o suficiente para garantir um lugar naquela corte, sem precisar de ninguém para isso. Porém, isso implicava em desafiar o Príncipe Cardan, o filho mais novo e mais cruel do Grande Rei de Elfhame.
“O que eles não sabem é que sim, eles me dão medo, mas eu sempre senti medo, desde o dia em que cheguei aqui. Fui criada pelo homem que assassinou meus pais, cresci em uma terra de monstros. Convivo com este medo, deixo que se assente nos meus ossos e o ignoro.”

Enquanto tenta provar seu talento, Jude acaba se vendo cada vez mais envolvida nas intrigas da Corte, descobrindo os perigos do Reino das Fadas e também uma grande habilidade para trapaças e derramamento de sangue. Com isso, Jude precisaria aprender rapidamente a entender os jogos de poder, não apenas para conseguir um lugar na Corte, mas para salvar a si mesma e aqueles que ama.



O Príncipe Cruel é um daqueles livros que conseguem capturar a atenção do leitor logo nas primeiras páginas. Com um início bastante intenso (para não dizer brutal), é impossível não ser impactado por essa história e querer descobrir o que irá acontecer com as três irmãs no Reino das Fadas. E, à medida que esse universo vai sendo apresentado, a leitura se torna cada vez mais envolvente. Quanto mais fundo a protagonista entra nos mistérios e intrigas daquele reino, mais dinâmica a trama se torna.
E por falar na protagonista, confesso que fui surpreendida por ela. Jude não é uma personagem fácil de se gostar e tive bastante dificuldade para entender a necessidade que ela sentia de se encaixar naquele reino e ser aceita pelos feéricos. No entanto, não nego que o fato de ser uma personagem imperfeita fez com que ela se tornasse uma protagonista muito mais interessante. Jude não é totalmente boa e nem totalmente má; tem virtudes e falhas que vão ficando evidente ao longo do livro, e demonstram o quão complexa e humana ela é.
“Eis por que não gosto dessas histórias: elas mostram que sou vulnerável. Por mais cuidadosa que eu seja, vou acabar cometendo outro erro. Sou fraca. Sou frágil. Sou mortal. E odeio isso mais que tudo. Mesmo que por algum milagre eu seja melhor que eles, jamais serei um deles.”
Já em relação aos demais personagens, me encantei por alguns, detestei outros e caí do cavalo algumas vezes. Porém, todos eles foram bem construídos e me surpreenderam em algum ponto da história. Meus favoritos foram, sem dúvida, a Viviane e o príncipe Cardan. Ela por ser uma personagem muito leal, que ama profundamente suas irmãs e que demonstra uma força e uma maturidade surpreendentes. Já o Cardan, é aquele típico anti-herói que sempre me agrada: com um humor ácido e, por vezes cruel, desde o início fica claro que esse personagem é mais do que aparenta. Assim como Jude, ele é um personagem interessante e complexo, que não se limita aos estereótipos de herói ou vilão, mas ainda possui o carisma que algumas vezes falta à protagonista.
“Claro que quero ser como eles. Eles são lindos como lâminas forjadas em fogo divino. [...] E Cardan é ainda mais bonito que o restante, com cabelos negros resplandecentes como a asa de um corvo e as maças do rosto angulosas o suficiente para partir o coração de uma garota. Eu o odeio mais do que a todos os outros. Eu o odeio tanto que, às vezes, quando olho para ele, mal consigo respirar.”

Preciso destacar também que, apesar de ser um livro protagonizado por adolescentes, ele não se perde em dilemas bobos e o romance não tira o foco da história. Por outro lado, a autora não comete o erro de trazer personagens maduros demais para sua idade. Ela conseguiu construí-los com conflitos e inseguranças que são tão típicas da adolescência, mas sem deixar que essas questões tivessem mais espaço do que o necessário. 



Além de personagens bem construídos, outro ponto alto do livro é a trama bem desenvolvida. O Príncipe Cruel não sobre de um mal comum em primeiros livros de série, que é a monotonia. Por mais que ele seja um livro de apresentação dos personagens e do universo, a autora consegue fazer isso sem tirar o ritmo da história. Os segredos sobre aquela Corte e sobre os próprios personagens contribuem muito para deixar a trama interessante e fazer com que a leitura se torne fluida.
“Tentei ser melhor do que todos eles e fracassei. Que tipo de pessoa eu poderia me tornar caso parasse de me preocupar com a morte, com a dor, com tudo? Caso eu parasse de tentar me encaixar nesse mundinho?”
Com relação à escrita da Holly Black, achei que, além de envolvente, ela foi bastante objetiva e clara. A autora não se perde em descrições excessivas ou explicações desnecessárias, mas consegue descrever os personagens, o universo e os acontecimentos com clareza o suficiente para que o leitor consiga imaginá-los.
Não posso deixar de mencionar também a edição, que está maravilhosa. A capa é linda, com detalhes em dourado e mantendo a ilustração do original. Além disso, na parte interna da capa, há um mapa relacionado ao universo da história. Já as folhas são amareladas, e a fonte tem um tamanho muito confortável para leitura. No geral, a Galera Record caprichou bastante nesse livro e eu fiquei absolutamente encantada.
Assim, O Príncipe Cruel foi uma grata surpresa que tive esse ano. Meu primeiro contato com a escrita da Holly Black não havia sido muito positivo e, por isso, me surpreendi por ter gostado tanto deste. É uma fantasia original, bem construída, com um universo cheio de mistérios e intrigas, e personagens complexos. Já estou ansiosa para ler os próximos volumes e descobrir o que irá acontecer. Recomendo muito para quem ama o gênero e está procurando uma nova série para iniciar.


[Novembro de Época] Romances de época nacionais



Olá, pessoal! Como vocês estão? Não sei se estão sabendo, mas esse mês está acontecendo a segunda edição do Novembro de Época, com vários posts especiais sobre romances de época e muitos sorteios. Fui convidada pela Mary, do blog Leituras da Mary, para participar novamente, então, vocês podem se preparar para ver muitas dicas de romances maravilhosos nas próximas semanas. E, para quem quiser saber mais sobre o projeto, confiram o post no blog da Mary aqui.
No post de hoje, vou falar sobre meus três romances de época nacionais favoritos e outros três que eu quero muito ler. Percebi que as autoras estrangeiras dominam as minhas leituras deste gênero, porém, há muitas escritoras brasileiras escrevendo romances maravilhosos e eu quero muito conhecer o trabalho de algumas delas.
Começando pelos meus romances de época nacionais preferidos:

Volte para mim, da Paola Aleksandra:
Esse não é apenas o meu romance de época nacional favorito, como foi uma das minhas melhores leituras de 2018 e já está no grupo dos meus queridinhos da vida. Não vou falar muito, pois já saiu resenha sobre ele aqui, mas trata-se um livro envolvente, emocionante e muito sensível, que me fez querer ler tudo que a Paola escrever daqui para frente.
Sinopse: “Aos dezesseis anos, Brianna Hamilton fugiu da Inglaterra para a Escócia, abandonando sua família e as obrigações como herdeira de um duque. Em meio aos prados escoceses, a ovem encontrou refúgio e descobriu mais sobre a mulher que desejava ser. Mas, onze anos após a fuga, uma dolorosa verdade fará com que ela deseje nunca ter partido. Voltar será como relembrar o passado, a fuga, o medo e as escolhas que precisou fazer. E, enquanto luta para reconquistar seu lugar junto à família, Brianna precisará superar Desmond Hunter, melhor amigo e primeiro amor, que anos atrás ela escolheu deixar para trás.Volte para mim é um romance arrebatador sobre recomeços, sentir-se inteira e, acima de tudo, confiar no amor.”

Montanha da Lua, da Mari Scotti.
Sabe aquele livro que você não espera muito, mas depois que começa não consegue largar? Pois é, foi exatamente isso que aconteceu comigo quando li esse livro. Foi uma leitura que me superou todas as minhas expectativas, com um romance lindo, personagens cativantes e bem construídos e uma trama bem envolvente. Ainda não fiz resenha sobre ele aqui no blog, mas é uma leitura que recomendo muito.
Sinopse: “Há séculos uma lenda acompanha cada herdeiro do ducado de Bousquet: A Maldição dos Hallinsons. Conta-se que a tragédia os acompanha, levando à morte as esposas em seu primeiro ano de matrimônio. Geração após geração, aprendem sua sina e a regra a seguir para possuir uma união frutífera e longa. Octávio Hallinson Segundo sofre as consequências de não seguir estes ensinamentos. Viúvo, isolou-se da sociedade, fugindo da responsabilidade de casar-se novamente para providenciar um herdeiro para seu título. Um homem marcado pela perda. Mical Baudelaire Nashgan sempre foi uma mulher decidida, enfrentando as ordens de sua tia e negando-se a seguir o protocolo de sua sociedade. Seu posicionamento contraditório aos costumes, a tornou uma das únicas solteironas que sua província conheceu. Sua teimosia a expõe aos perigos da floresta aos pés da Montanha da Lua, onde esconde-se o desafortunado viúvo. Será a crença mais forte que o amor?”

O beijo da lua, da Nana Valentine.
Eu descobri esse livro o ano passado, durante o Novembro de Época, e foi outra surpresa muito boa. Não sabia muito sobre o livro, mas amei a história e a escrita da autora, bem como os assuntos que ela abordou. É uma leitura que foi além do que eu esperava e me deixou curiosa para conhecer outros trabalhos da autora.
Sinopse: “Luna Elizabeth Walker é uma doce jovem marcada pela dor. Amparada pelo tio após a morte de seus pais, ela vê-se encurralada em um caminho sem volta, onde apenas o amor poderá ser capaz de libertá-la. Quando Michael Preston, sexto Duque de Blanchard retorna a Londres após seis longos anos, não esperava apaixonar-se instantaneamente pela jovem mais intrigante de toda a sociedade Londrina. A proximidade entre os dois despertou em ambos um sentimento arrebatador capaz de enfrentar qualquer obstáculo. Mas Luna guarda um segredo. Um segredo doloroso que pode colocar em risco não apenas o amor de Michael, mas também sua própria felicidade para sempre. Será o amor capaz de curar e perdoar um coração que fora severamente privado de amar por tanto tempo?”

Bônus: Encontrada, segundo volume da série Perdida, da Carina Rissi. Assim como os demais livros da série, apesar de ser classificado como chick-lit, ele também é considerado um romance de época por ter grande parte de sua história ambientado no século XIX. Recomendo a série toda, mas não poderia deixar de citar esse livro especificamente, pois foi nele que a escrita da Carina realmente me conquistou. Eu senti uma evolução grande da protagonista nesse livro e consegui me conectar muito mais com os personagens. Mas já deixo o aviso que, apesar de Encontrada ser meu favorito, é preciso ler Perdida antes. Assim, quem ama um romance de época envolvente, com muitas confusões e personagens divertidos e apaixonantes, não pode deixar de conferir essa série.

Agora, é a hora de falar sobre os romances de época nacionais que eu ainda quero ler. A lista é grande, mas selecionei os três que estou mais ansiosa para ler em breve.

Um acordo de cavalheiros, da Lucy Vargas
Já li um livro da Lucy, Refúgio para o marquês, e gostei bastante. Fiquei curiosa para conhecer outros trabalhos dela e esse é, sem dúvida, o que eu vi recebendo mais elogios. Então, não vejo a hora de ler e contar para vocês o que achei.
Sinopse: “Tristan Thorne, o Conde de Wintry, não é um homem para brincadeiras. Com uma vida de segredos, amado e odiado na sociedade, ele não é o parceiro ideal para uma dama. Dorothy Miller não sabe o que há por trás de suas motivações, apenas que ele é bastante intenso. Os jornais dizem que ele bebe demais, joga demais e ama escandalosamente. E até mata. Como uma dama determinada a ser dona do próprio destino como Dorothy Miller acaba em um acordo com um homem como Lorde Wintry? Você teria coragem de guardar um segredo com o maior terror dos salões londrinos? Lembre-se: Nunca faça acordos com ele, pois o conde sempre volta para cobrar.”

Não me esqueças, da Babi A. Sette
Eu sei que a Babi A. Sette é uma das referências no Brasil quando o assunto é romance de época. Inclusive, tive a oportunidade de conhecê-la na Bienal e que pessoa mais incrível e atenciosa. Porém, só li um livro dela até hoje, A Promessa da Rosa. Quero mudar isso em breve e ler outras obras dela, começando com o Não me esqueças.
Sinopse: “Aos vinte e um anos, Lizzie deveria estar empenhada em fisgar um noivo e finalmente se casar. Entretanto, após uma decepção amorosa, o coração da jovem só palpita por sua grande paixão ― os estudos sobre o povo e a cultura celtas. Esse interesse faz com que ela troque os concorridos salões de baile de Londres pelas estradas desertas e sinuosas das Highlands escocesas. Ali, ela conhecerá Gareth, o enigmático líder do clã que vive no local mais remoto e bucólico da Escócia. Envolto em uma aura de mistério, ele luta para manter suas tradições, seus segredos e, principalmente, seu povo em segurança. Enquanto o austero Gareth tem a vida toda sob controle e resiste a mudanças, Lizzie está muito entusiasmada com suas explorações e descobertas. Porém a vida de ambos é alterada de maneira inexorável quando uma fatalidade transforma a tão sonhada aventura de Lizzie em pesadelo. Vindos de mundos tão diferentes, mas unidos por uma atração irresistível, Lizzie e Gareth vivem uma paixão proibida e desafiadora, sem saber que finalmente poderão encontrar aquilo que só ousavam buscar em sonhos.”

Encontro com o marquês, da Gabriella Macedo
Fiquei sabendo sobre esse livro durante a preparação para o Novembro de Época, pois ele é uma das opções para leitura coletiva, e fui imediatamente conquistada pela sinopse. Me pareceu o tipo de romance que eu adoro e, por isso, acabou sendo a minha escolha para a leitura coletiva. Então, devo ler em breve e postar resenha aqui contando o que achei do livro.
Sinopse: “Quando Hayden Byrne, o cobiçado Marquês de Odstone, encontra Lady Violet Stockfield tudo muda de modo irreversível. Ela acreditava equivocadamente que ele jamais a notaria. Ele por sua vez, não tinha ciência do sentimento que a jovem nutria. Mas durante um baile, sentimentos são descobertos e promessas são feitas. Em um importante momento da relação o destino brinca com a vida deles, fazendo-os acreditar que tudo não havia passado de palavras vazias. A força de tal sentimento bastaria para enfrentar pessoas, o tempo e a distância? Seria ele capaz de amá-la da forma que ela sonhava? Seria ela capaz de retribuir tal amor da forma que ele precisava?”

Agora, quero saber qual o romance de época nacional favorito de vocês e qual estão curiosos para ler. Já leram algum desses que citei? Me contem tudo aí nos comentários.

Apaixonada por literatura desde pequena, nunca consegui ficar muito tempo sem um livro na mão. Assim, o Dicas de Malu é o espaço onde compartilho um pouco desse meu amor pelo mundo literário.




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